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O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, pretende reorganizar a estrutura orgânica do Município, estando a trabalhar num projecto cujas linhas mestras já foram apresentadas ao Executivo e à Assembleia Municipal.
A diminuição dos níveis hierárquicos é a ideia base da reestruturação, face a uma necessidade de melhoria na eficácia e na eficiência dos serviços camarários.
Na sua actual estrutura a câmara tem dois Departamentos, cinco Divisões e vários Gabinetes e Serviços, facto que António Robalo considera desadequado face aos desafios que terão de se enfrentar no futuro. O presidente está empenhado em alcançar uma diminuição dos níveis hierárquicos, começando pelo fim dos departamentos, medida que retira um nível à cadeia vertical. Esta alteração resultará numa diminuição nos custos com remunerações e nos tempos de processamento dos diversos assuntos.
O projecto, que está em fase de pormenorização, prevê a criação de unidades orgânicas flexíveis e equipas de projecto, situação que trará maior maleabilidade á estrutura da autarquia.
A Assembleia Municipal, reunida no dia 24 de Setembro, aprovou um conjunto de princípios, com base nos quais o presidente desenvolverá o projecto de reestruturação. Os princípios aprovados são: modernização e inovação, resposta eficaz e eficiente às solicitações dos munícipes, competência no atendimento, orientação para a qualidade e dinamização do concelho.
A nova estrutura hierarquizada da edilidade deverá passar a ter 18 unidades orgânicas flexíveis, sete delas orientadas por dirigentes de grau 2, nove lideradas por dirigentes de grau 3 e duas lideradas por dirigentes do grau 4. A Câmara passará a contar também na sua estrutura com uma equipa de projecto.
plb
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo.
Realizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.
O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge.
E estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratados como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.
Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
Comemorar os 100 anos da implantação da República, é comprometer-nos na construção de um Sabugal Melhor!
Em primeiro lugar, lembramos a atitude de um punhado de portugueses que, transportando a vontade de todo um Povo, souberam dar-se pela causa pública, acreditando nos ideais progressistas e modernistas das ideias republicanas e por elas se dispondo a lutar com risco da própria vida.
Mas lembramos também, e sobretudo, os ventos de progresso, libertação e democratização da sociedade portuguesa que, todos acreditavam, a República transportava no seu seio.
A igualdade perante o Estado e os seus órgãos político-administrativos; o fim dos privilégios ligados às condições de nascimento; a liberdade de consciência e de crença; o fim das perseguições por motivos de religião; a universalidade do ensino primário obrigatório e gratuito; a total liberdade da expressão de pensamento e do direito de reunião e associação; o direito à assistência pública;
Eis todo um ideário de progresso e de modernidade que os republicanos traduzem de imediato na Constituição de 1911.
E no que ao Poder Local diz respeito, a mesma Constituição consagrava, pela primeira vez, o princípio da não ingerência do Poder Executivo na vida dos corpos administrativos locais.
É também na Constituição de 1911, que se definem como princípios a seguir pela legislação ordinária, no que ao Poder Local diz respeito:
A separação dos poderes distritais e municipais em deliberativo e executivo; o exercício do referendo; a representação das minorias nos corpos administrativos locais; a autonomia financeira dos corpos administrativos.
Lamentavelmente, não houve a coragem política para se ir mais longe no que diz respeito à total autonomia do Poder Local, mantendo-se os magistrados administrativos, subordinados ao Governador Civil.
Igualmente, e como isto nos é hoje familiar, a luta entre os «federalistas» e os «centralistas», levaria ao abandono das teses republicanas que defendiam uma forma de regionalização do País assente no tripé «Freguesia-Município-Província».
Mas comemorar o centenário da implantação da República tem hoje, e no contexto do Concelho do Sabugal, outra e fundamental razão.
Em 1911, o Concelho tinha 34.778 habitantes; hoje tem somente 13.261, quase um terço.
Em 1911 as maiores freguesias, todas com mais de 1.000 habitantes, eram 12, por ordem decrescente: Sabugal, Quadrazais, Vale de Espinho, Soito, Alfaiates, Aldeia Velha, Casteleiro, Aldeia da Ponte, Bendada, Pousafoles do Bispo, Sortelha e Santo Estêvão; em 2001 eram duas: Sabugal e Soito.
E no que dizia respeito às freguesias de menor dimensão, com população inferior a 300 habitantes, eram em 1911, Ruivós, Vale das Éguas, Lomba e Vale Longo; no último censo realizado, contavam-se 22 freguesias (mais de metade do total de freguesias do Concelho) com menos de 300 habitantes…
Este é um cenário que nos obriga àquilo a que chamo de «refundação do Concelho do Sabugal».
Os sabugalenses de cada lado do Côa, possuidores de uma história de milénios, caldeados pelo frio e pelo calor, pertencem à classe dos que «antes morrer que torcer», daqueles que, nas tempestades sabem escolher o seu rumo.
E por isso, lembrar a gesta heróica de mulheres e homens que fizeram o 5 de Outubro, estou certo que todos, independentemente da sua ideologia, perceberam já que esta é a hora.
É a hora de definir para onde queremos ir e como lá chegar;
É a hora de usar os recursos vastos que temos para tornar o Concelho mais competitivo e qualificado;
É a hora de afirmar o Concelho no quadro regional, mas também no quadro transfronteiriço;
É a hora para a qual todos somos chamados e na qual todos devemos participar!
E, permitindo-me parafrasear José Relvas na sua proclamação às 11 horas do dia 5 de Outubro de 1910 nas varandas dos Paços do Concelho de Lisboa:
«Unidos todos, numa mesma aspiração ideal» os sabugalenses vão reconstruir o Concelho do Sabugal tornando-o num território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza!
Nota: Esta crónica reproduz no essencial a intervenção feita no dia 5 de Outubro no Auditório Municipal, na qualidade de Presidente da Assembleia Municipal.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.
A sessão solene das comemorações do Centenário da Implantação da República no concelho do Sabugal, no dia 5 de Outubro de 2010, teve lugar no Auditório Municipal. A mesa foi constituída por António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, por Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, por Ramiro Matos, presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, por Adérito Tavares, presidente da Comissão Municipal para as Comemorações e por Jaime Vieira, igualmente da Comissão Municipal.
A sessão solene foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo. O autarca raiano deu as boas-vindas a todos os convidados e felicitou os membros da Comissão Municipal e todos os que colaboraram, nos serviços do município e da Sabugal+, para a organização das cerimónias dos 100 anos da República que decorrem até ao dia 30 de Outubro.
«Faz hoje 100 anos que foi implantada a República, na sequência de um processo revolucionário de republicanização progressiva do país. Finda a monarquia, institui-se a república, que mais não é que o regime político em que ainda, e felizmente, vivemos e em que os cidadãos exercem o poder por intermédio de representantes por si eleitos e em que não existem cargos hereditários», afirmou António Robalo no início do seu discurso. De seguida foram destacadas pelo autarca as principais medidas da República como a «expulsão do país das ordens religiosas, erradicação de qualquer conteúdo religioso do ensino público, na legislação ou nos órgãos do Estado, universalidade e obrigatoriedade do registo civil, mudança da unidade monetária, mudança dos símbolos nacionais (bandeira e hino), instituição do casamento civil obrigatório e do divórcio, igualdade perante a lei, livre expressão do pensamento, instrução obrigatória e gratuita para todas as crianças dos 7 aos 12 anos, autorização e regulamentação da greve, instituição do descanso semanal e obrigatório dos trabalhadores ou a limitação dos horários de trabalho».
Houve, contudo, no entendimento do autarca, «excessos» praticados pela revolução republicana «próprios de quem quer dar novos rumos ao País» mas que «permitiram implantar valores, princípios, ideiais e… a visão da República onde deve prevalecer o interesse público sobre os interesses particulares. O autarca sabugalense recordou o exemplo de Manuel de Arriaga que «não teve direito a habitação como primeiro Presidente da República e só ocupou o palácio de Belém mediante o pagamento de renda».
Para os tempos de crise que vivemos António Robalo aconselhou a «valorizar princípios que orientem a sociedade, a dar o nosso melhor, a trabalhar em prol da comunidade, a esquecer as diferenças e a reforçar o espírito de cooperação» e celebrar os valores republicanos como «igualdade, fraternidade, liberdade, solidariedade, austeridade e não ostentação, preocupação, sacrifício e dedicação ao bem comum».
O presidente sabugalense aproveitou para deixar alguns conselhos «locais»: «Quer a nível nacional quer a nível local que cada um sirva a sociedade. Como eleitos ou como eleitores, os ideais republicanos devem balizar o rumo que queremos para o País, para a região, para o município, para a freguesia. Privilegiar o interesse público acima dos interesses particulares, gerir a coisa pública com determinação, com visão, administrando com zelo o esforço dos contribuintes, dando o exemplo. Às oposições pede-se colaboração no sentido de promoverem o bem comum e não a satisfação dos interesses particulares, os interesses dos seus eleitores. Quantas vezes as oposições estão contra, entre outras razões, porque o poder está a favor? Ao celebrar o centenário da República são estes os valores que devemos celebrar, valores de igualdade, de fraternidade, de liberdade, de solidariedade, de austeridade e não de ostentação, de preocupação, sacrifício e dedicação ao bem comum».
A finalizar e antes do «Viva a República!» o presidente António Robalo recordou o grande Almeida Garret para quem «tudo o que se fizer há-de ser pelo povo e com o povo… ou não se faz».
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Discurso do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Aqui.
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1 – As cerimónias do Centenário mereceram uma atenção especial por parte dos responsáveis municipais. O cartaz, da autoria de Manuel Morgado, é belíssimo e recebeu os parabéns de todos. Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, quando foi presenteado pelo artista com uma serigrafia surpreendeu com uma tirada soberba: «Daqui a cem anos ninguém se vai lembrar dos nossos nomes mas tenho a certeza que vão recordar o de Manuel Morgado.»
2 – Excelente trabalho da Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário presidida pelo professor Adérito Tavares. A exposição no Museu é historicamente valiosa. E o que falta cumprir do programa promete…
3 – A República «paga» para ter ao seu serviço centenas de mulheres e homens eleitos para representar o povo. O concelho do Sabugal tem 40 freguesias. As juntas de freguesia são constituídas por três elementos (executivos). A Assembleia Municipal tem, além dos 40 presidentes de Junta, 41 deputados (ou membros). Mas… estiveram presentes na sessão solene no Auditório Municipal do Sabugal, no dia 5 de Outubro, salvo melhor contagem um total de: 3 presidentes de Junta de Freguesia e menos de 10 deputados municipais. É simplesmente lamentável a falta de sentido de responsabilidade de alguns eleitos.
4 – Entre a insustentável leveza e ligeireza da indiferença de uns e as obscuras e bafientas tentativas de tudo tentar manter na mesma de outros há coisas que são difíceis de perceber no republicano concelho do Sabugal.
jcl
5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.
Na sessão solene do 5 de Outubro de 2010 no Auditório Municipal do Sabugal discursaram António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Ramiro Matos, presidente da Assembleia Municipal do Sabugal e Santinho Pacheco, governador civil da Guarda. A oração de sapiência esteve a cargo de Adérito Tavares, historiador e presidente da Comissão Municipal das Comemorações do Centenário.
O presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, foi o segundo a discursar. Dirigindo-se aos presentes começou por dizer que «comemorar os cem anos da implantação da República é comprometer-nos na construção de um Sabugal melhor» e lembrando «a atitude de um punhado de portugueses que, transportando a vontade de todo um povo, souberam dar-se pela causa pública, acreditando nos ideais progressistas e modernistas das ideias republicanas e dispondo-se a lutar com risco da própria vida» e finalizou parafraseando José Relvas na sua proclamação nas varandas dos Paços do concelho de Lisboa: «Unidos todos, numa mesma aspiração ideal os sabugalenses vão reconstruir o concelho do Sabugal tornando-o num território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza».
«Viva a República! Viva o Sabugal!» aclamou Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, a finalizar o seu discurso no Auditório Municipal do Sabugal no dia 5 de Outubro de 2010.
O representante do Governo português no distrito da Guarda começou por lembrar a toda a plateia do Auditório Municipal que estavam ali para «assinalar num gesto cultural da maior importância – o centenário da República».
Na sequência das duas intervenções anteriores Santinho Pacheco insistiu na importância do concelho do Sabugal no contexto distrital. «Permitam-me que pegue nas palavras dos dois oradores que me antecederam. Estamos num ponto de viragem. Temos que acreditar que vamos dar a volta por cima no concelho no Sabugal. Conheço poucos concelhos como o Sabugal com gente com genica, com garra. Vamos fazer deste concelho um território rural. Temos de envolver a população. Uma das lições que aprendemos com 100 anos de República é que não cabe aos poderes políticos fazer tudo», pediu o governador civil reafirmando que «em vários lados tenho dado o exemplo do Sabugal. Acredito na refundação do concelho do Sabugal como terra onde vai valer a pena viver e trabalhar».
Sobre as comemorações do centenário Santinho Pacheco recordou que «a República de 1910 insere-se nas correntes libertadoras da revolução francesa. Foi na revolução de 1820 que se deram os primeiros sinais da revolução que se avizinhava. O republicanismo foi utópico como são todas as ideologias que consideram que o homem é perfeito. O que se faz politicamente fica sempre aquém daquilo que se prometeu».
Na sua análise o governador civil considerou que «a situação política durante a monarquia tinha-se tornado explosiva porque em Portugal havia um rei mas já não havia monárquicos» e destacou «a democratização do ensino num país onde havia apenas 1800 estudantes liceais ensinados por 600 professores».
A República criou as universidades de Lisboa e do Porto num tempo em que a taxa de anafabetização nas mulheres atingia os 95 por cento mas a cartilha sociológica que invocavam os republicanos não passava de um espelho onde viam não o país real mas os seus ideais.
«Os republicanos revolucionários cometeram erros. Num país maioritariamente católico, rural e analfabeto quiseram impor em meio-ano um regime laico e com educação ao contrário da França onde foram precisos 20 anos para o alcançar» disse Santinho Pacheco acrescentando que «a questão religiosa, a participação na guerra, a pneumónica e as dificuldades económicas trouxeram o descontentamento das populações e criaram condições para o aparecimento do Estado Novo de Salazar».
A terminar o governador civil da Guarda, Santinho Pacheco pediu «mais responsabilidade e menos conflitos partidários».
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Discurso do Governador Civil da Guarda. Aqui.
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jcl
5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.
A oração de sapiência na sessão solene no Auditório Municipal do Sabugal esteve a cargo do ilustre historiador Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, no concelho do Sabugal. Adérito Tavares preside à Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República e é responsável pela recolha e classificação de muitos e valiosos documentos disponíveis na exposição sobre a história da República no Museu.
«No dia 12 de Maio de 2010 assisti no Largo da República, no Sabugal, à representação de um jovem que da varanda dos Paços do Concelho encarnou José Relvas e gritou – Está proclamada a República. Viva Portugal!», recordou Adérito Tavares no início da sua oração de sapiência que vamos reproduzir na íntegra.
«Intervenção na sessão solene de comemoração do Centenário da República no Sabugal
Na manhã de 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas e Eusébio Leão, membros do Directório Republicano, anunciavam o estabelecimento do regime republicano e a composição do Governo Provisório, enquanto as suas palavras eram vibrantemente aplaudidas por uma multidão delirante.
Poucas horas depois, um suplemento do Diário do Governo «oficializava» a revolução: «Hoje, 5 de Outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal no salão nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da revolução nacional.»
No dia seguinte, o rei e a família real embarcavam na Ericeira a caminho do exílio.
O triunfo do levantamento republicano deveu-se menos aos méritos das diferentes forças empenhadas no derrube da Monarquia e mais às fragilidades desta. As condições objectivas eram extremamente favoráveis aos republicanos: o País encontrava-se mergulhado numa profunda crise económica, financeira, social e institucional. Por outro lado, a «republicanização» de vastas camadas da população urbana tinha também criado as condições subjectivas para a mudança de regime: a alternativa desenhada pelos ideais republicanos apontava para uma sociedade mais progressiva e mais justa, criando enormes expectativas na população. Mas seria justamente a frustração de muitas dessas expectativas que haveria de criar grandes dificuldades ao novo regime implantado em 1910.
No Sabugal, as notícias da proclamação da República chegaram depressa. Uma semana depois, um grupo de respeitados cidadãos republicanos formou um executivo camarário provisório, presidido pelo Doutor Aurélio de Almeida Santos e Vasconcelos, Morgado de Sortelha. No livro de actas da Câmara podemos ler:
Acta de instalação da Câmara Municipal Republicana, no dia 12 de Outubro de 1910
Presidência do cidadão Aurélio de Almeida Santos e Vasconcelos.
Presentes os senhores vogais João dos Santos Forte, Aníbal Esteves, José Augusto Rodrigues, Manuel António da Mota, José Casimiro da Costa Quintela e Alexandre Lourenço Leitão.
Sendo duas horas da tarde, o senhor Presidente abriu a sessão.
E, um pouco mais adiante:
[A Câmara] deliberou, finalmente, que se enviassem [telegramas] aos Excelentíssimos Presidente Provisório da República e ao Governador Civil deste Distrito, felicitando-os pela proclamação da República e dando-lhes conhecimento de que [esta Câmara] tomou hoje [posse] da Administração Municipal.
No dia seguinte, 13 de Outubro de 1910, voltou a reunir o novo executivo municipal republicano. O entusiasmo com que a República foi recebida transparece na seguinte passagem da acta dessa sessão:
… pedindo e obtendo a palavra, o cidadão vereador [José Casimiro da Costa] Quintela [...] disse que se sentia muito à vontade no seu lugar, orgulhoso de pertencer à nova Câmara Republicana deste concelho, composta de cidadãos de uma envergadura moral acima de toda a suspeita e presidida por um dos [cidadãos] mais distintos que conhece.
Pouco tempo depois, em 27 de Outubro de 1910, o Governador Civil da Guarda, Dr. Arnaldo Bigotte de Carvalho, nomeou José Casimiro da Costa Quintela Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e o Doutor Aurélio de Vasconcelos Administrador do Município. Lembro que o Administrador do concelho, que existia nos últimos tempos da Monarquia e continuou a existir durante os primeiros anos da República, era o representante do Governo central, o equivalente concelhio ao Governador Civil distrital.
Vale a pena determo-nos ainda noutro destes interessantes documentos, que ilustram bem os acontecimentos ocorridos há cem anos: na sessão do dia 17 de Outubro, ainda sob a presidência do Doutor Aurélio de Vasconcelos, encontramos estas palavras:
A Câmara deliberou que, na acta desta sessão, se lançasse um voto de profundo pesar pelo falecimento dos grandes democratas Doutor Miguel Bombarda e Vice-Almirante Cândido dos Reis, e das demais vítimas que houve para a proclamação da República.
A morte trágica destes dois líderes carismáticos da Revolução cobriu de luto o país republicano e impressionou vivamente as novas autoridades municipais. Por isso, as vilas e cidades de Portugal se encheram de ruas e praças com os nomes do Almirante Reis e do Doutor Miguel Bombarda. A começar, desde logo, pela grande Avenida Almirante Reis, em Lisboa, que até então se chamara Avenida Rainha D. Amélia.
Porque nestas breves palavras não se pode falar de tudo e de todos, detenhamo-nos um pouco sobre estes dois notáveis chefes do movimento republicano.
Miguel Bombarda foi um eminentíssimo médico psiquiatra, professor e ensaísta de renome internacional. Os seus ideais humanistas levaram-no a fundar, em 1906, a Junta Liberal. Impulsionada pelo ardor combativo do Professor Bombarda, esta Junta haveria de se destacar na luta contra a ditadura de João Franco e contra o clericalismo, particularmente contra o jesuitismo. Miguel Bombarda foi igualmente membro proeminente da Maçonaria. No entanto, a sua actividade política só se tornaria verdadeiramente empenhada e comprometida quando aderiu, em 1909, ao Partido Republicano.
O almirante Carlos Cândido dos Reis, a mais alta patente militar comprometida no movimento revolucionário, foi um membro activo da Carbonária e um dos mais empenhados conspiradores republicanos. Na madrugada de 4 de Outubro foi incorrectamente informado por um subordinado, que dava por perdida a batalha em terra. Tendo concluído que a revolução falhara, o almirante suicidou-se. Morreu ingloriamente.
Também Miguel Bombarda teve uma morte trágica, nas vésperas da revolução. Na manhã de 3 de Outubro foi procurado por um antigo doente, Aparício Rebelo dos Santos, oficial do Exército, que sobre ele disparou vários tiros de pistola. Atingido no ventre, foi levado para o Hospital de S. José, onde seria operado pelo prestigiado cirurgião Francisco Gentil, seu colega e amigo. Ao fim da tarde, porém, o seu estado piorou. À mesma hora que a revolução republicana estava na rua ia Miguel Bombarda a enterrar. Herói da República, mártir da ciência.
Nas ruas, a República foi aclamada porque prometia muito. Alguns dias depois da Revolução, um jornal noticiava: «Isto está bom! O feijão já desceu um vintém!» Infelizmente, porém, o caminho não era tão fácil, num país pobre, endividado e quase analfabeto.
No plano ideológico, a República trazia consigo a revalorização dos ideais democráticos, defendendo que o homem só se tornaria verdadeiramente livre quando quebrasse os grilhões da ignorância e da superstição. A herança da Revolução Liberal Francesa encontrava-se ainda no cerne do republicanismo, com a sua trilogia «liberté, egalité, fraternité». Lembremos, no entanto, que, apesar das sucessivas revoluções ocorridas um pouco por toda a Europa durante o século XIX, em 1910 apenas existiam duas repúblicas: na França e na Suíça. Portugal era a terceira.
Para além da consolidação do novo regime e da criação de um clima de pacificação nacional e de ordem pública, o governo provisório e os governos que se lhe seguiram procuraram dar cumprimento a algumas das promessas do Partido Republicano. Foram convocadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição de 1911. Procedeu-se à publicação de alguma legislação extremamente corajosa mas polémica, com vista à laicização do Estado, como a Lei de Separação da Igreja do Estado, o estabelecimento do registo civil obrigatório e a legalização do divórcio. No entanto, se a laicização do Estado, em si mesma, constituía um passo positivo no caminho da modernização da sociedade portuguesa, os excessos anticlericais e o desrespeito pelas tradições e convicções da maioria da população, profundamente católica, geraram um perigoso e escusado clima anti-republicano. O objectivo anunciado por Afonso Costa, de erradicar o catolicismo do País em duas gerações, apenas serviria para criar uma questão religiosa. Na exposição que hoje mesmo iremos inaugurar podemos ver duas cartas de D. Manuel Vieira de Matos, Bispo da Guarda, dirigidas ao Presidente da República Manuel da Arriaga. Escritas em 1911, numa linguagem serena e inteligente, denunciam desde cedo o clima de intolerância que o anticlericalismo jacobino estava a semear por todo o País e que apenas se atenuaria a partir dos anos da Grande Guerra.
No plano social, os governos republicanos procuraram também satisfazer muitas das reivindicações mais prementes, através da autorização e regulamentação da greve, da instituição do descanso semanal obrigatório e da limitação dos horários de trabalho; mas deixaram vastas camadas sociais descontentes, sobretudo o operariado. Sucederam-se as greves, muitas vezes reprimidas com bastante violência, o que criaria condições favoráveis ao crescimento do anarco-sindicalismo e do comunismo.
Foi, porém, no domínio da educação que a acção dos primeiros governos republicanos se revelou mais eficaz e duradoura. No dealbar do século, a taxa de analfabetismo, em Portugal, andava pelos 78%, fazendo do País um dos mais atrasados culturalmente. A República decretou a instrução obrigatória e gratuita para todas as crianças entre os 7 e os 12 anos, tendo também procedido à reforma do ensino superior, nomeadamente através da fundação do Instituto Superior Técnico e de duas novas universidades, em Lisboa e no Porto. Os governos republicanos colocaram igualmente entre as suas prioridades as questões da saúde pública, procedendo a uma profunda reforma do ensino médico.
Em síntese: o que hoje celebramos não é apenas uma mudança de regime, é também o começo de uma mudança de mentalidade. Não existem revoluções perfeitas nem regimes perfeitos. E, se a República trouxe consigo excessos e retrocessos, trouxe também indiscutíveis avanços para a modernização de Portugal.
A eclosão da I Guerra Mundial, em 1914, e a intervenção de Portugal no conflito, em 1916, travaram esse processo evolutivo. A participação na Grande Guerra foi um processo suicidário. Se o País se tivesse mantido afastado dos campos de batalha europeus, tudo poderia ter sido bem diferente. Mas a história contrafactual não é senão isso: imaginarmos aquilo que poderia ter acontecido mas que não aconteceu. Em história não há ses. E a verdade é que a Guerra contribuiu pesadamente para acentuar o desequilíbrio financeiro e os desentendimentos políticos, abrindo as portas ao messianismo de Sidónio Pais, essa espécie de “ensaio geral” da Ditadura Militar de 1926 e do Estado Novo salazarista.
Para além da instabilidade política e da incapacidade dos sucessivos governos de equilibrar as contas do Estado, que outras razões ajudam a explicar a queda da I República? A frustração das esperanças do operariado e das classes médias; a militância anti-republicana dos saudosos da Monarquia; o descontentamento da Igreja Católica, provocado pelos excessos do jacobinismo anticlerical; a instalação de um persistente clima de violência urbana, de que a tenebrosa “noite sangrenta” foi o clímax. Foi a conjugação de todos esses factores que acabou por lançar o País nos braços dos militares, em 28 de Maio de 1926. Chegava deste modo ao fim a I República, nascida faz precisamente hoje cem anos.
Pouco depois, em Dezembro de 1928, escrevia Fernando Pessoa:
«Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer.
[...]
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro.»
Também hoje o País parece mergulhado numa cerrada neblina. Saiamos do nevoeiro, sem esperar por D. Sebastião. E o melhor caminho para sair é o da Escola e dos centros de investigação científica. Sabiam-no todos os grandes republicanos. E sabia-o também o poeta João de Deus, que dizia que todas as revoluções, para triunfarem, deveriam começar pelo a, e, i, o, u. Era esse, do mesmo modo, o lema de um notável republicano sabugalense, o Doutor António Augusto Louro, que foi autarca, homem de ciência e pedagogo: ele acreditava também devotadamente nas potencialidades da educação e da cultura como forma de libertação do Homem. Termino com as suas palavras:
«Não há democracia sem liberdade. Não há liberdade sem educação.»
Adérito Tavares»
O Capeia Arraiana destaca o enorme trabalho dos profissionais da Câmara Municipal do Sabugal e da empresa municipal Sabugal+ que tornaram possível celebrar o Centenário da República com muita dignidade e valor histórico. Ao ilustre professor e historiador Adérito Tavares aqui deixamos um grande bem-haja pelo «brilho» da exposição e o «peso» do programa das comemorações.
jcl
5 de Outubro de 1910. 5 de Outubro de 2010. Os 100 anos da República foram assinalados com pompa e circunstância no concelho do Sabugal. A Comissão do Centenário, presidida por Adérito Tavares, preparou com muita dignidade – e qualidade – um programa comemorativo que destaca os valores republicanos da educação, liberdade, igualdade e justiça para todos.
| GALERIA DE IMAGENS – COMEMORAÇÕES DA REPÚBLICA – 5-10-2010 |
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jcl
«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: 5 de Outubro de 2010.
Local: Auditório Municipal do Subugal.
Legenda: Após a sessão solene no Auditório Municipal e antes da inauguração no Museu da exposição sobre a história da República foi apresentada e explicada publicamente a serigrafia alusiva à República da autoria do ilustrador sabugalense Manuel Machado.
Manuel Morgado aproveitou para entregar a Santinho Pacheco, governador civil da Guarda, um exemplar numerado e autografado.
As cerimónias terminaram com todos os presentes a entoar «A Portuguesa» (hino composto em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil) rematado no final com um «Viva a República! Viva o Sabugal!»
jcl
«Haja saúde e coza o forno», sentenciava o nosso povo, querendo afirmar a importância maior que tinha a saúde e o pão, alimento de todos os dias. Em verdade, a alimentação nas aldeias baseava-se no pão, que se embutia só ou com peguilho. Mas para que houvesse pão na mesa, tinha que funcionar o forno, onde era confeccionado.
Na aldeia o forno era comunitário e no seu uso valia o sistema da adua, com regras ancestrais religiosamente cumpridas, para que ninguém se visse privado de usufruir de um bem essencial.
O forno era construção sóbria, normalmente dentro de uma choupana ou casebre, no meio da povoação, para que todos lhe tivessem fácil acesso. Tinha, por regra, uma arquitectura circular, em forma de cúpula, erguida em tijolo-burro. A cobrir a cúpula era colocada uma camada de terra barrenta, o que ajudava a preservar o calor. A parede exterior, que envolvia a cúpula, era edificada em granito ou em xisto, conforme a morfologia do terreno em que assentava a aldeia. O forno tinha apenas uma boca, por onde entrava a lenha, se retirava a cinza, assim como entrava e saía o pão no acto da cozedura. Ao redor tinha pousos de pedra, para aí se colocarem as masseiras, que traziam a massa tendida e levavam o pão no final da operação. Também ao redor existia sempre uma grande pia de pedra, que se mantinha cheia de água, para nela se embeber o trapo com que se varria o forno.
Para cada fornada era necessário aquecer o forno, metendo-lhe dentro mato seco, a que se apichava lume, cabendo ao forneiro voltear o fogo com a ajuda do ranhadouro, ou bulidor, que não era mais que um varapau comprido, manejado com habilidade para rapidamente espalhar o braseiro por todo o espaço interior. Depois de bem aquecido, era preciso retirar os restos da combustão, o que se fazia com o manejo do mesmo ranhadouro. No fim, para limpar os restos de cinza, usava-se o varredouro, ou vasculho, outro varapau, com um trapo atado na ponta, que, encharcado na água da pia, lavava o solo do forno.
Entretanto, já a forneira amassara e tendera o pão, dando-lhe a forma devida, e trouxe-o para junto da boca do forno, dentro de um tabuleiro. O forneiro, com o manejo da pá, ia acomodando o pão, no soalho do forno, chispando depois a porta de ferro, para manter a alta temperatura.
Dado que em muitas ocasiões uma fornada levava pão de mais de uma pessoa, era uso colocar-lhe um sinal identificativo, para não houver enganos. Ao fim de cerca de uma hora, a porta era franqueada, e verificava-se o estado da cozedura. Se dado por apto, o pão era retirado com a pá e colocado no tabuleiro, onde a dona o transportaria para casa.
Em muitas terras, os fornos comunitários tinham proprietário, estando aqui designado um forneiro, que tinha por responsabilidade manusear o equipamento e ainda um joineiro, que era quem tinha a incumbência de arranjar e transportar lenha para uso do forno. Também aqui era livre o acesso ao forno, tendo porém os utilizadores que deixar a «poia», no fim de cada cozedura. Isso era a paga ao proprietário, ao forneiro e ao joineiro e consistia num pão para cada um dos intervenientes referidos.
Geralmente os fornos eram também o local onde a rapaziada se juntava nas noites inverniças, aproveitando o ar quente que ali se sentia. Os fornos eram, assim, um equipamento essencial das aldeias, onde o povo se juntava periodicamente, não apenas para cozer o pão, mas também para falar da vida, conviver, propagar e recolher todas as novidades da terra.
Paulo Leitão Batista
A Liga dos Combatentes pretende instalar num lugar público da cidade do Sabugal um monumento em homenagem aos naturais do concelho que morreram em África ao serviço de Portugal na chamada Guerra do Ultramar.
O projecto da construção do monumento já foi apresentado à Câmara Municipal do Sabugal, estando o assunto agendado para a reunião de hoje, 6 de Outubro.
A Liga tomou a iniciativa de homenagear potr esta via os sabugalenses que caíram em combate, mas pretende protocolar com o Município o financiamento da construção do monumento e a sua instalação num lugar público da cidade. Existe já uma comissão pró-munumento, a qual tem um projecto formulado, que pretende discutir com a Câmara Municipal.
A comissão instaladora para a criação de um Núcleo da Liga dos Combatentes no Sabugal, recentemente criada, está também a par do projecto do monumento, propondo-se acompanhar os trabalhos tendo em vista a sua concretização a breve prazo.
Os sócios da Liga com residência no Sabugal reuniram a 12 de Agosto, decidindo criar uma comissão instaladora de um futuro núcleo da associação. A comissão sabugalense é presidida por Manuel Diogo Mendes, fazendo também parte Carlos dos Santos Lages, Altino Maria Pardal Ribeiro, António Joaquim Vaz Nobre e Manuel José Teixeira. O futuro núcleo funcionará provisoriamente nas instalações da Junta de Freguesia do Sabugal.
plb
Acabara de entrar o Inverno de 1544. Baruch Navarro, neto do Rebe Baal Shem Tov, fugido aos progroms de Navarra, levava anos de sapateiro, trabalhando arduamente para ganhar o precioso sustento, numa oficina ali para as bandas da torre do relógio, perto da muralha e da antiga porta da vila.
Acabara de entrar o Inverno de 1544. Baruch Navarro, neto do Rebe Baal Shem Tov, fugido aos progroms de Navarra, levava anos de sapateiro, trabalhando arduamente para ganhar o precioso sustento, numa oficina ali para as bandas da torre do relógio, perto da muralha e da antiga porta da vila.
Ali vivia só, taciturno, sem outra distracção que o cortar do couro e o bater das solas, sempre a queixar-se da dor dos ossos. Quanto custava ganhar o pão!… E este mal não tinha remédio: sempre existiam pobres e ricos, e o que nasce vitima tem que resignar-se… Já o dizia sua avó: A culpa era de Eva, da primeira mulher… De que não tinham elas culpa, as mulheres?
Nevara todo o dia, e a neve cobria as casas com o seu grande manto branco e o gelo pintara todas as árvores e beirais de prata. Com a neve levantara-se o vento Norte e, soprando todo o dia sobre o casario, levava o fumo das chaminés para lá do rio, em direcção a Malcata.
Os dias já eram curtos e em breve escurecera. E através da porta da oficina, sob um céu de cor violeta em que começavam a brilhar as estrelas, viam-se os campos brancos e indecisos na penumbra do crepúsculo.
Era a primeira noite de Chanucá. Baruch, pousou a tesoura de corte na bancada, pendurou o avental de cabedal no cabide cravado na parede da ombreira que tinha a inscrição hebraica, e fechou o enorme portão da oficina.
Subiu ao primeiro andar e tirou a Chanuquiá do armário trabalhado que havia ao cimo das escadas e colocou-a na pequena janela da sala que dava para o pátio interior.
A este sinal combinado, os vizinhos atravessaram os quintais interiores e, entrando pela porta das traseiras foram subindo ao primeiro andar, sentando-se em seu redor.
Então, Baruch recitando as bênçãos com grande devoção, acendeu a vela única, colocou o shamash, a vela auxiliar, e começou a cantar Hanerot Halalu.
A chama da vela ardeu com vigor. A assembleia cantou então Avam Maoz Tsur e outras melodias de Chanucá. Várias vezes, entre as melodias, Baruch comentou trechos da Torá.
Quando terminaram, todos se juntaram em volta da mesa a partilhar a ceia. Depois, em redor da candeia falaram dos acontecimentos do dia e dos problemas da comunidade. Decorridas as primeiras horas da noite, já em pleno Sabath, voltou cada um pelo mesmo caminho escuso dos quintais, entregando-se silenciosamente ao rei do sono, com um canto de fartura e oração de agradecimento a Iavé nos lábios.
E Baruch, enfiando-se no seu catre, viu as estrelas pela janelinha onde ainda ardia a Chanuquiá. E com grande paz no coração concluiu:
– O céu é a minha lâmpada de azeite e eu a coloco na minha janela para iluminar o caminho do povo eleito através da escuridão.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
É costume dizer-se que o vagar faz colheres mas, no caso do Abel Esteves Duarte, o vagar não faz colheres mas sim forcões, de diversos tamanhos.
Este senhor prestou serviço como agente da GNR em Vila Nova de Tazém e após a aposentação veio, com a esposa, viver para os Foios, de onde são naturais.
É um casal simpático e muito metidos na sua vidinha. Aos domingos vão à Missa e, por volta do meio-dia, lá vão eles, como dois namorados, almoçar ao restaurante.
No dia-a-dia a Didoraz vai-se entretendo com as lides da casa e o Abel, muito madrugador, lá vai dando os seus passeios sempre com os olhos postos no arvoredo com a intenção de poder ir encontrando uns pauzinhos jeitosos para a feitura dos forcões.
É no verão que o Abel Duarte vende mais forcões pelo que tem que os ir construindo ao longo do ano.
Há poucos dias um senhor adquiriu-lhe 60 exemplares e encomendou-lhe outros tantos para a época natalícia.
Também a Junta de Freguesia lhe vai fazendo algumas encomendas para ir oferecendo, um exemplar, a algumas personalidades que, em Foios, participam em determinados eventos.
Aconteceu por altura do encontro promovido pelo Sr. Governador Civil, designado por «Raia de Oportunidades», bem como na vinda da Banda da Força Aérea no dia 25 do passado mês de Setembro.
Quando os forcões são procurados e o Abel não os tem feitos, toma nota da encomenda e mãos à obra.
Também tenho verificado que o Abel não tem como finalidade fazer muito dinheiro visto que oferece bastantes exemplares.
Muito embora o seu forte resida precisamente nos forcões não deixa de fazer outras peças curiosas nomeadamente ligadas à vida agrícola como sejam manguais, arados e carros de bois.
Mas como vivemos numa zona onde o forcão é rei é precisamente neste artesanato que o Abel Duarte deverá apostar e despender mais tempo.
Ao Abel e à esposa desejo as maiores felicidades e que continue a fazer forcões por muitos e longos anos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
«O Governo Republicano é legitimado pela prossecução do interesse geral. Nele aflora também ideologia positivista que propugna o governo científico e aponta como inevitável o advento do Estado Positivo, em substituição dos Estados anteriores, Teólogo e Metafísico», Joaquim Manuel Correia.

Hoje, 5 de Outubro de 2010, comemoram-se em todo o País os cem anos da implantação da República. Aqui, na cidade do Sabugal, a Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República, irá falar-nos dos ideais republicanos e da história da Primeira República. Serão também homenageados os republicanos ilustres deste Concelho.
Com todo o respeito que me merecem, quero dizer aos órgãos de comunicação social do Concelho que irão estar presentes, o seguinte: a cultura e a história pertencem a todos, não são feudo de ninguém. Dai-lhe o mesmo tratamento, no mínimo, ou elevai-o muito mais, do que já foi feito à história e à cultura privadas.
Não irei falar (ou escrever, como queiram) da história da República, nem das causas que lhe deram origem Falarei de aspectos diversos, das coisas boas e menos boas dos 16 anos da Primeira República. Antes disso, quero dizer que o republicanismo tem uma natureza social e política, não foi um fenómeno conspiratório, subversivo e maçónico, como nos querem fazer crer alguns historiadores. O republicanismo é a ideologia preponderante das camadas sociais urbanas excluídas e marginalizadas do sistema monárquico. É a arma dos pobres e dos fracos desse mundo urbano, para uma Revolução Republicana que os emancipe. Esta é a ideologia da República.
Querido leitor(a), o único que existe é a história concreta feita pelo homem, logicamente que está condenada a ser o mesmo que o homem é. Por isso, Carlos da Maia, um oficial da armada do 5 de Outubro, teve esta frase: «Uma revolução pode mudar as instituições, mas em nada altera o carácter dos homens. Eles continuaram a ser o que eram: perversos e imbecis». Começarei pelas partes menos boas da República, que também as teve.
As «púrrias», esses grupos violentos pertencentes aos partidos e que eram o seu sustentáculo. Chegaram a boicotar a posse de um governo. Foi o efémero governo de Fernandes Costa (1920). A população comandada por dois «púrrias», conhecidos, um, pelo «Ó Ai Ó Linda» e outro pelo «Pintor», ameaçaram de morte o novo Presidente do Governo e os seus colegas que se encontravam reunidos no edifício da Junta de Crédito Público, para irem a Belém tomar posse. Já não foram. Foi chamada a Guarda Republicana, mas não compareceu…
Outro episódio, este dramático, foi a «Noite Sangrenta», em que foram mortos António Granjo, Machado dos Santos, o herói da Rotunda e, Carlos da Maia, entre outros.
Para bem, ou para mal, de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926, a I República conheceu 45 governos e 29 intentonas revolucionárias.
Foi a segunda República Moderna da Europa, depois da francesa, era natural que suscitasse as atenções internacionais. Consideravam-na no estrangeiro, como populista, dogmática e adepta da política pela política.
Tudo foi suplantado, a parte mais negativa, pela nova estética, pelas artes, pela moda, pelos novos costumes, pelos novos ideais, pelo anticlericalismo, e pelo nacionalismo. As mulheres invadem campos exclusivamente masculinos, surgem as primeiras funcionárias do Estado. Muda também o traje delas, a mulher, principalmente a urbana, abraça a moda de Paris, simplifica o vestuário, substitui o espartilho pelo soutien. Adquire autonomia com os homens na frente de guerra, conquistam novas ocupações, passeiam sozinhas e, já frequentam cafés. Mas os republicanos impedem-nas de votar…
Protege-se a natureza, o dia da árvore tornou-se celebração obrigatória.
Veneram-se símbolos, bandeira e hino.
Glorificam-se heróis.
Surgem os valores da educação, cria-se o ensino infantil, o ensino primário tornou-se obrigatório, criam-se escolas técnicas, agrícolas, comerciais e industriais. Formam-se professores.
Criam-se as Universidades de Lisboa e do Porto.
O campo das letras e das artes vê surgirem pintores como Columbano Bordalo Pinheiro e José Malhoa. Escultores, Caricaturistas, músicos como Viana da Mota e Luís Freitas Branco.
Foi criado o Concelho de Arte Nacional que inculcou uma cultura humanista. O primeiro passo do modernismo literário surge com a revista Orpheu, à qual pertencem Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.
Foram também tomadas medidas para proteger trabalhadores, como um dia de descanso semanal, oito horas de trabalho diárias, seguro social, etc.
Valeu a pena a República, foram e, são ainda ideais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Laicismo e Democracia.
Querido leitor(a), ainda somos um País soberano, embora alguns homens ligados à governação vejam nisso um factor negativo para Portugal. E a nível axiológico – de valores – não atingimos a alienação, algo de bom e verdadeiro está na alma de muitos portugueses.
Um bem-haja à Comissão Municipal para as comemorações do Centenário da República.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
Continuando a divulgação de música de tradição oral que recolhi, no Soito, apresento nesta crónica uma canção religiosa intitulada «Santo Antão da Murganheira».
Sabe-se que a música de tradição oral, em Portugal, apresenta-se divida em vários subgéneros de que fazem parte, entre outras as canções de trabalho, as canções religiosas e as cantigas para dançar.
A informante desta, bem como de todas as canções referidas nesta série de crónicas, foi a minha tia Luísa Dias Aristides (na foto), hoje com 98 anos.
Esta canção é uma típica canção de romaria, que terá tido origem na disputa entre as aldeias do Soito e Vila Boa a propósito de qual delas seria a soberania da capela de Santo Antão, que existe no lugar da Murganheira, perto do Soito e de Vila Boa.
Durante anos a população do Soito venerava a imagem de Santo Antão, como se fosse do Soito, embora pertencesse (como ainda hoje) à freguesia de Vila Boa.
Parece-me que esta cantiga apresenta semelhanças com as cantigas de romaria da Beira-Baixa, sendo mais um exemplo da proximidade geográfica poder ter influenciado o surgimento de várias cantigas, tal como referido pelo etnomusicólogo José Alberto Sardinha.
As pessoas do Soito iam em romaria, com carros de vacas enfeitados, até à ermida do Santo Antão, tal como refere a letra da cantiga. A imagem de Santo Antão tem um porquinho ao fundo dos pés, facto que é, também, referido na canção.
A letra da cantiga é a seguinte:
Mais acima, mais abaixo
Tem uma bela junqueira
E à porta da capela
Tem uma bela «moreira»
(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira
Viva o Santo Antão
Que é rei dos «labradores»
Levam carros e carretas
Enfeitadinhos de flores
(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira
Ó Divino Santo Antão
Que andais aqui fazendo
Ando a ver do porquinho
Que me fugiu para o Ozendo
(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira
Devo dizer que qualquer uma das cantigas recolhidas no Soito poderiam, facilmente, fazer parte do reportório de um desses grandes grupos de recriação da música tradicional portuguesa, como a Brigada Victor Jara ou a Ronda dos Quatro Caminhos.
Como esta região do concelho de Sabugal não foi muito visitada por etnomusicólogos é, pois, natural, que as cantigas daqui não sejam muito conhecidas. Não tendo sido objecto de estudo por etnomusicólogos, é natural que não tenham divulgação.
No concelho de Sabugal tenho conhecimento que uma cantiga da apanha da azeitona de Quadrazais intitulada «Azeitona Cordovili» foi recolhida por José I. Franco, em 1940 nessa localidade e está no livro «Cancioneiro Popular Português» de Michel Giacometti.
Também José Alberto Sardinha recolheu duas cantigas, no final da década de 1990, na Bendada.
Em termos de temas da tradição oral do concelho de Sabugal que foram objecto de recriação, para além da «Canção das Maias» (de Alfaiates) recriada pelos Chuchurumel e mencionado na crónica anterior; conheço também a recriação de «Entrudo» (de Aldeia do Bispo) recriada pelos Assobio, no seu CD de 2009.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com
Trancoso vem-se assumindo como um dos locais de destino dos vários grupos de turistas judeus oriundos de todo o mundo, sobretudo de Israel, França, Espanha, Bélgica, Alemanha, Brasil e Estados Unidos, entre outros países.
O presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Júlio Sarmento, afirmou durante a recepção ao grupo de turistas judeus que visitaram a cidade que o Turismo «sobretudo o de vertente judaica, é um dos vectores estratégicos que o município quer consolidar e desenvolver e tornar Trancoso como ponto de referência».
Confirmou o início da construção para breve do Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso que vai incluir um lugar de culto e que na sua opinião contribuirá para uma «maior centralidade de Trancoso quer no Turismo em geral mas sobretudo no judaico que tem vindo a crescer na cidade».
O presidente do Município de Trancoso foi peremptório: «A memória da presença judaica em Trancoso permanece viva, é conhecida e reconhecido e o Município está empenhado na sua valorização em termos turísticos mas sobretudo em termos patrimoniais e culturais. Além disso iniciámos o processo de geminação com Mevvasseret, a seis quilómetros de Jerusalém.»
Na mesma ocasião o responsável turístico israelita Ori Rhe que liderou a visita de um grupo de personalidades e turistas judeus considerou que «Trancoso é um dos expoentes que em Portugal mostra, em termos patrimoniais, aquilo que testemunha a presença dos judeus quer na arquitectura quer na simbologia que resiste ao tempo».
Para Ori Rhe «Trancoso possui um potencial fantástico que, para além da memória da presença hebraica, conserva na sua Judiaria os sinais que testemunham essa mesma vivência e a sua conversão forçada em tempos de Inquisição.»
Ori Rhe destacou o significado dos cruciformes apostos nos umbrais das portas das casas dos judeus, que possuem uma arquitetura própria (porta larga e porta estreita chanfradas, térreas ou de um piso, mas também a símbolos hebraicos como o «Shin» ( primeira letra da Shadai= Santo) ou inscrições hebraicas que significam «Iavé».
O especialista salientou ainda a riqueza documental e artística da casa do Gato Negro que segundo alguns foi local da antiga Sinagoga e em cuja fachada possui em relevo as Portas de Jerusalém, uma figura representando um judeu (presumivelmente ortodoxo) caminhando ou inclinado, a pomba e o Leão de Judá.
jcl (com Trancoso Eventos)
O CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens de Gouveia, vai estar presente no dia 4 de Outubro (segunda-feira), numa série de actividades que consistem na devolução à natureza de duas àguia-de-asa-redonda, uma delas na freguesia de Aldeia da Ribeira no concelho do Sabugal, dois grifos, e uma coruja-do-mato.
A devolução destes animais pelo CERVAS ao seu habitat vai ser em sítios adequados aos requisitos ecológicos das espécies.
Estas acções estão abertas ao público em geral e têm como objectivo de sensibilizar as populações para a importância destes animais e para o trabalho realizado pelos centros de recuperação de fauna selvagem.
Programa de actividades para o dia 4 de Outubro (segunda-feira)
11.00 – Devolução à natureza – em parceria com a ATN – Associação Transumância e Natureza – de dois grifos (Gyps fulvus) na freguesia de Cidadelhe (Pinhel). O local de libertação é nas arribas do rio Côa, Estrada Municipal 607 (entre Cidadelhe e Figueira de Castelo Rodrigo); Coordenadas UTM: 40º54’33,60” N 7º06’29,62” W.
Estas aves juvenis foram recebidas no CERVAS num estado de grande debilidade. Foram encontradas por particulares e posteriormente recolhidas e encaminhadas para o centro por intermédio do SEPNA/GNR. O seu processo de recuperação consistiu numa alimentação adequada de forma a atingirem o seu peso normal e uma boa condição física, em treinos de voo e no contacto com animais da mesma espécie. A sua devolução à natureza vai realizar-se num local que reúne as condições necessárias para a espécie.
14.30 – Devolução à natureza de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) na freguesia de Cabreira, no concelho de Almeida. Ponto de encontro nas instalações da ASTA – Associação Sócio-Terapêutica de Almeida.
Esta ave foi recolhida por um particular após ter sido encontrada no chão, caída do ninho, tendo sido entregue à equipa do SEPNA da GNR da Guarda. Sendo um animal muito jovem, o seu processo de recuperação consistiu em alimentação, de modo a assegurar um normal desenvolvimento corporal e da plumagem de voo e no contacto com animais da mesma espécie, garantindo assim uma aprendizagem dos comportamentos normais. Para além disso, foi submetida a treinos de voo e de caça.
16.30 – Devolução à natureza de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), na freguesia de Aldeia da Ribeira no concelho do Sabugal.
Esta ave foi encontrada por um particular, após ter caído do ninho, tendo sido entregue à equipa do SEPNA da GNR da Guarda, que procedeu à sua entrega no CERVAS. Para além de ser uma ave muito jovem, apresentava duas fracturas, possivelmente resultado da queda. O seu processo de recuperação consistiu na estabilização dessas fracturas, tendo sido sempre mantida em contacto com animais da mesma espécie, de modo a que pudesse adquirir os comportamentos normais da espécie, sendo que numa fase posterior, foi submetida a treinos de voo e de caça.
18.30 – Devolução à natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco) na freguesia de Pinhel (Pinhel). Ponto de Encontro: Castelo de Pinhel.
Esta ave foi encontrada por um particular, que a entregou à equipa do SEPNA da GNR de Pinhel, que procedeu à sua entrega no CERVAS. Tratava-se de um animal bastante jovem, que tinha caído do ninho, pelo que o seu processo de recuperação envolveu os passos típicos da reabilitação de animais juvenis, desde a alimentação, até aos treinos de voo e de caça, passando pelo contacto com animais da mesma espécie.
jcl (com Cervas)
O Capeia Arraiana transcreve na íntegra o comunicado dos deputados do MPT na Assembleia Municipal do Sabugal.
«COMUNICADO DOS DEPUTADOS DO MPT NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL, EM RESPOSTA A UMA INTERVENÇAO DO PARTIDO SOCIALISTA, NA REUNIÃO DE 24 DE SETEMBRO
O grupo do MPT – Movimento do Partido da Terra na Assembleia Municipal do Sabugal, depois de analisar uma intervenção escrita do grupo do Partido Socialista, feita na última reunião da Assembleia, intervenção essa a cargo do respectivo presidente da Concelhia do PS, não pode deixar de vir na defesa da honra do vereador, eleito pelo MPT, Dr. Joaquim Ricardo, dizer:
Obviamente que o PS pode (e deve) manifestar o seu desencanto com a acção levada a cabo pelo Executivo Municipal, exercendo democraticamente o seu direito de oposição.
Mas não pode fazê-lo, maxime, quando atinge voluntária e directamente uma pessoa, no caso o Dr. Joaquim Ricardo, demonstrando ignorância, maldade e má-fé, e que mais não reflectem que um triste sublimar de recalcamentos que ainda decorrem da frustração da escolha do segundo vereador residente. Escolha essa, felizmente, acertada, diga-se.
O PS, como qualquer outro partido integrado nos órgãos da autarquia, tem o direito de não gostar (mesmo sem saber porquê, ou porque dá jeito dizer coisas, ou porque é giro criar polémica e aparecer nas fotografias) de um qualquer dirigente ou simples deputado municipal, seja pela sua actuação, seja porque seja…
O PS pode não gostar do Dr. Joaquim Ricardo, por ciumeira política ou porque acha que a maioria no Executivo ora estabelecida, não deixa de ser, fazendo fé num passado não muito longínquo, uma “facadinha nas ditas” e uma indigesta derrota.
O PS pode isso e muito mais (é olhar para o país que temos), mas não pode bolçar, publicamente, juízos ofensivos e inverdades, na malsã tentativa de besuntar os que não são da “cor” e os que importunam.
Estultícia seria virmos aqui apresentar o currículo do Dr. Joaquim Ricardo, já que ninguém, minimamente atento, desconhece o seu indefectível percurso profissional e cívico, com referências até no desempenho de funções autárquicas anteriores às actuais.
Acreditamos (porque nos chegaram manifestações nesse sentido, vindos do PS) que nem todos os Deputados deste partido seguiram o “His Master Voice” na sua aleivosa intervenção. É uma questão interna do PS que não nos cabe resolver, mas registamos a aparente falta de unanimidade e a preocupação de alguns ao desnecessário e injustificado pontapé na ética e na urbanidade.
Porque uma coisa é crítica, outra é raivinha de dentes, concluímos com um recado ao jovem e atormentado “speaker” de serviço: – “Para se avaliar a competência dos outros é preciso que, previa e reconhecidamente, sejamos nós mesmo competentes”.
Os Deputados do MPT.»
A Assembleia Municipal do Sabugal reunida no dia 24 de Setembro de 2010 deliberou, por unanimidade, classificar a capeia arraiana, tourada que inclui a lide dos touros com recurso ao forcão, como «património cultural imaterial de interesse municipal».
As touradas tradicionais dos territórios raianos do concelho do Sabugal, conhecidas por capeias arraianas, têm a particularidade de incluir a lide dos touros com recurso ao forcão – uma estrutura de madeira feita à base de carvalho, em forma de triângulo, no interior da qual se colocam cerca de trinta homens que enfrentam o touro em praças improvisadas nos largos das localidades – e atraem milhares de pessoas até à região fronteiriça.
O forcão tem por objectivo «cansar» o touro para que, posteriormente, os homens mais corajosos o possam agarrar.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, reconheceu que com a decisão tomada por unanimidade na última Assembleia Municipal «ganha maior legitimidade o pedido de inventariação da capeia arraiana como património cultural imaterial, que está a ser elaborado para ser apresentado ao Instituto dos Museus e da Conservação».
O autarca referiu que com a candidatura, que a partir de agora vai ser preparada, a autarquia pretende «assegurar a preservação e promoção desta manifestação de cultura tradicional» de um concelho do distrito da Guarda que faz fronteira com Espanha.
Para o presidente da autarquia raiana a decisão «é mais um passo na metodologia a seguir com o objectivo de classificar a capeia arraiana como Património da Humanidade» junto da UNESCO.
No âmbito da preparação da candidatura, a autarquia irá promover, em 2011, umas jornadas sobre a capeia arraiana, altura em que também apresentará o trabalho vencedor do «Prémio Municipal de Trabalhos de Investigação sobre a Capeia Arraiana», no valor de mil euros.
jcl (com jornal «Público»)
Especialistas da França, Grã-Bretanha, Portugal e Espanha vão apresentar a importância do Vale do Douro durante a Guerra da Independência na Conferência Internacional «A Guerra de Independência no Vale do Douro: os cercos de Ciudad Rodrigo e Almeida». O congresso histórico realiza-se nas cidades amuralhadas de Almeida e Ciudad Rodrigo entre os dias 5 e 8 de Outubro.
«La Guerra de Independencia en el Valle del Duero: Los asedios de Ciudad Rodrigo y Almeida» é um congreso histórico que analisará a importância da fronteira luso-espanhola por onde chegaram as tropas de Napoleão a Portugal e que serviu ao mesmo tempo para o contra-ataque do Duque del Wellington que culminaria na batalha de Arapiles (Salamanca).
O congresso será presidido pela professora de História Moderna na Universidade de Burgos (UBU), Cristina Borreguero, pretende analisar de forma «minuciosa» a importância do Vale do Douro e Ciudad Rodrigo que foram nos últimos 200 anos a porta de acesso à meseta de Castilha.
O Congresso, coordenado pelo Grupo de Estudos sobre Guerra (HM-1), da Universidade de Burgos, procuram explorar questões tão variadas como a terra ea estratégia da Vale do Douro, as chefias militares, diplomacia, cercos, o governo e as placas, e o fluxo da vida quotidiana durante a guerra: a música, medicina e cirurgia de material de campanha, e publicações periódicas de arte dedicada ao conflito.
O encontro reparte-se entre o Palácio de Los Águila em Ciudad Rodrigo e o auditório do Centro de de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida, que será visitada pelos participantes a 7 de Outubro. A organização pretende publicar em 2011 os textos e fotografias do congresso.
Programa do Congresso. Aqui.
jcl
A aldeia histórica de Sortelha e o castelo do Sabugal vão ser pontos de passagem para a caravana dos «roadster» da Mazda, o modelo MX-5, em terras beirãs no fim-de-semana de 16 e 17 de Outubro.
A Mazda e o Club MX-5 estão a ultimar os preparativos para a realização de um novo passeio, desta feita com base no popular modelo nipónico, o Mazda MX-5.
O regresso à estrada irá fazer-se por terras da privilegiada região da Beira Interior, integrando uma visita às suas aldeias históricas, num programa que decorrerá no fim-de-semana de 16 e 17 de Outubro.
O passeio irá desenrolar-se no ambiente romântico de uma das mais ímpares parcelas do território nacional, berço de um conjunto de aldeias históricas ex-líbris da nossa arquitectura popular e militar, num fim-de-semana que privilegiará a condução do roadster da Mazda por entre paisagens deslumbrantes, em contacto directo com algumas das páginas mais ricas e, por vezes, desconhecidas para muitos, do nosso legado histórico.
O programa prevê passagens pelas Termas de Monfortinho, Penha Garcia, pela imponente Sortelha ou o altaneiro Castelo do Sabugal (no sábado), por Monsanto (considerada «A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal») e pela romana Idanha-a-Velha, com as suas magníficas ruínas. São estes alguns dos pontos de paragem e visita ‘obrigatória’ desta incursão do Club MX-5 por terras beirãs.
jcl
A associação «Caravanismo de Portugal» organiza o seu segundo encontro nacional, entre 2 e 5 de Outubro, no Parque de Campismo do Freixial, em Penamacor.
Caravanistas de todo o país são esperados a partir de sábado no Parque do Campismo do Freixial, em Penamacor, para a segunda edição do Encontro Nacional de Caravanistas. «A iniciativa organizada pelo Fórum de Caravanismo de Portugal tem como objectivo o convívio e a divulgação de várias zonas do país», refere a organização.O encontro decorre até 5 de Outubro e a escolha do local foi feita pelos próprios caravanistas, numa votação que decorreu na internet.
A Câmara Municipal de Penamacor aproveitou a iniciativa para divulgar e apresentar o Parque de Campismo do Freixial como um local de encontro, ou reencontro, com o Universo. «A cerca de 5 quilómetros da aldeia de Aranhas, a 11 da vila de Penamacor e a 6 de Espanha, o Parque de Campismo do Freixial insere-se numa vasta área livre de aglomerados urbanos, sulcada por aprazíveis vales e ribeiras, nas proximidades da Reserva Natural da Serra da Malcata.
O clima, tipicamente mediterrâneo, demarca de modo incisivo as quatro Estações. A Primavera deslumbra pela intensa paleta de cores de que se revestem os campos (o roxo do rosmaninho e da urze, os amarelos da giesta e da carqueja, o branco das estevas floridas) e pelos aromas que inundam o ar que se respira. O Verão é quente! E o sol, por vezes abrasante, convida às sombras frescas dos freixos, dos amieiros e salgueiros que abundam no Parque e ao longo das linhas de água. Nada, porém, que um banho refrescante na piscina ou num qualquer remanso da ribeira não compense! O silêncio, aqui, não é de ouro; é simples e naturalmente musical! O tempo é de encontro, ou reencontro, com o Universo!»
jcl
Os povos do concelho do Sabugal usam uma linguagem característica, impregnada de termos originais, muitos dos quais a cair em manifesto desuso face ao processo de normalização linguística. Deixamos aqui o registo de alguns termos utilizados no contexto das touradas com forcão.

A Capeia Arraina é a mais peculiar tradição do concelho do Sabugal, e em particular de uma corda de povos mais chegados a Espanha, na margem direita do rio Côa. Ao costume ancestral da realização das touradas com forcão estão associados um conjunto de termos linguísticos populares. Grande parte dos termos foram recolhidos em trabalho de campo, ouvindo as pessoas antigas que gostam de falar no tema em apreço, outros porém resultaram de pesquisa em escritos de autores que igualmente os recolheram.
AFOLIAR – colocar-se à frente do touro, desafiando-o a investir; tourear.
ALABARDA – pau enfeitado ou bandeira, usado nas touradas pela mordomia quando pede a praça; o mesmo que labarda. Também se chamam «alabardas» às bandeiras usadas nas festas do Espírito Santo, em algumas terras: «Era constituída por duas bandeiras, ambas em forma de galhardete, e cujos panos de uma forma quadrada, eram constituídos por retalhos quadrados de cores, em que predominava o vermelho, o amarelo e o verde e por um ceptro, de pau alto, encimado por uma cruz, em torno da qual se colocavam cravos e manjericos, a modos de enfeite» (Pinharanda Gomes).
ALABARDEAR – manejo da alabarda, agitando as bandeiras a pulso, até ao cansaço. O mesmo que labardear.
APARTO – escolha e separação dos touros para a tourada. Após o aparto os touros são conduzidos por cavaleiros pelos campos e caminhos rurais até à aldeia onde se efectuará a tourada.
CALAMPEIRAS – lugares cimeiros que envolvem o corro onde se realizam as capeias, nos quais a assistência toma lugar (Franklin Costa Braga escreve calampreias).
CAPEIA – tourada arraiana (do Castelhano: capea).
CAPINHA – toureiro castelhano que estagia nas capeias da raia portuguesa; o mesmo que maleta.
CHOCA – cabresto; vaca que acompanha os touros bravos. Esta expressão tem outros significados populares: galinha em estado febril, que está a incubar os ovos; pedaço de bosta seca que fica agarrado ao pêlo ou à lã dos animais; salpico de lama. Também se diz água choca, significando água quente.
CHURRO – touro escuro. Júlio António Borges diz significar também: sem viço, sem vitalidade.
CORRO – cerco onde têm lugar as capeias (touradas com forcão), formado num largo da aldeia com recurso a carros de vacas carregados de lenha.
CURRO – local onde se metem os touros para uma tourada. «Preço do curro»: preço dos touros.
DESENCERRO – acto em que se conduzem os touros para fora da aldeia após a realização da capeia arraiana.
ENCALEIPEIRAR-SE – fugir do touro para as calampeiras (Franklin Costa Braga).
ENCERRISTA – cavaleiro que participa no encerro dos touros na manhã do dia da capeia.
FOLGUEDO – tourada com forcão (Joaquim Manuel Correia); festa; brincadeira; divertimento. Francisco Maria Manso chama folguedos às montarias aos javalis.
FORCALHO – o mesmo que forcão (Francisco Vaz).
FORCÃO – triângulo feito com pernadas de carvalho atadas com cordame, usado para tourear nas capeias arraianas. Ao forcão pegam entre vinte e cinco a trinta homens que, sincronizados, rodam na praça, para evitar que o touro salte para cima do aparelho, se meta por debaixo dele ou o contorne. Mais a Sul (Monsanto) forcão designa um pau bifurcado usado para juntar feno ou para empurrar a lenha para o forno (Maria Leonor Buesco).
GALANO – boi malhado, banco e preto (Adérito Tavares)
GALHA – um dos lados dianteiros do forcão – à galha agarram os pegadores mais destemidos. Também significa ramo, pernada.
GALHOS DIANTEIROS – os dois rapazes que ficam nas galhas do forcão, à direita e à esquerda. Noutro tempo os galhos dianteiros estavam munidos de varas com aguilhão, que tinham por função picar o touro, de forma a evitar que saltasse sobre o aparelho de lidar.
GARROCHA – vara com ponta de ferro, usada para picar os touros nas capeias. Também significa: escaravelho (Pinharanda Gomes) e jogo tradicional
JOGO DO BOI – jogo infantil que consiste na imitação da capeia arraiana. Uma vara comprida fazia de forcão e um pau era os chifres do touro, quase sempre representado pelos rapazes mais malandros (Maria José Bernardo Ricardo Costa).
MALETA – toureiro amador espanhol que percorre as touradas da raia portuguesa. O mesmo que capinha.
MOFENDA – campo de pastagem para os touros, em Espanha.
MONTARAZ – guarda espanhol dos touros bravos.
NOVILHEIRO – indivíduo natural de Aldeia da Ponte (termo recolhido por Clarinda Azevedo Maia, que o atribui à fama que têm nas capeias naquela terra raiana).
PASSEIO – costume antigo, em que, no dia da festa da aldeia, os mordomos marcham pelas ruas, levando insígnias – passeio dos mordomos. Adérito Tavares associa o passeio à capeia, pois os mordomos desta e outros rapazes evoluem pelas ruas da aldeia, ao som do tambor, em momento que precede a tourada. Joaquim Manuel Correia chama-lhe passeio dos moços e refere tratar-se de uma evolução militar simulada, cuja origem vem do tempo em que os mancebos se preparavam para exercerem funções de defesa das suas aldeias.
PEDIR A PRAÇA – acto inaugural da capeia, em que os mordomos solicitam autorização para dar início à tourada. A praça é pedida à pessoa mais grada que está na assistência, que no momento representa a autoridade
PINCHADO – indivíduo perfurado com o corno do touro.
REDONDEL – pequeno largo fechado por carros de lavoura, carregados de mato, onde se fazem as capeias nas aldeias raianas (Nuno de Montemor).
RABEADOR – homem que pega no vértice traseiro do forcão e o maneja face ao movimento do touro. O mesmo que rabichador. Adérito Tavares refere dois termos equivalentes: rabejador e rabicheiro. O rabeador tem de ser um homem alto, ágil, e com capacidade de comando.
RABICHO – vértice traseiro do forcão, que é o seu leme (Francisco Vaz). Adérito Tavares escreve rabiche.
SORTE – lide de um touro na capeia. O termo tem outros significados: parte de uma propriedade que cabe a cada um dos herdeiros. Ir a sortes: ir à inspecção militar (o mesmo que dar o nome ou dar o número) – a sorte do inspeccionado podia ser: livre, esperado ou apurado.
TAMBORLEIRO – tamborileiro. O tamborleiro é figura essencial nas capeias em algumas terras da Raia. É ao som do tambor que se efectua o passeio dos rapazes.
TOURO DA PROVA – touro que é lidado com o forcão logo a seguir ao encerro, para verificar se há boas expectativas para a capeia, que acontecerá à tarde.
VACA DA AGUARDENTE – vaca largada na manhã da capeia, logo após o encerro.
Paulo Leitão Batista
A Comunicação Social assusta-nos quando se refere ao descalabro económico que atravessamos. Mas às vezes nem é bem clara, pois que faria se fosse a verdade completa! São meias verdades que já doem e com as quais o povo vai sofrendo. Por um lado, esperançado por uma fatia de políticos, por outro, amedrontado pela outra fatia. Afinal, qual é a verdade? De certo que a maioria dos portugueses nem imagina o que estamos a atravessar. Só quem ouve ou lê os pensamentos e as análises dos economistas atentos, estudiosos e preocupados com a vida nacional e, especialmente, com a classe que trabalha e cumpre os seus deveres financeiros, é que se apercebe de quão grave é o que se passa e como pode ainda piorar, se não houver senso, a todos os níveis, para resolver os problemas e descomplicar o futuro dos nossos filhos.
CRISES HÁ MUITAS…
A crise financeira
Foi a ameaça primeira
Veio a austeridade
Injectando de capital
O sistema bancário
Que atingiu contribuintes
Os que pagam e voltam a pagar
Impostos com vários nomes
Só para fazer distrair
Que tem que contribuir.
E depois dos impostos
Vêm os despedimentos
A redução de salários
E são os pobres salafrários
Que mais sofrem com a crise
Pois não se vê assim tanto
Que reduzam nas despesas
Os autarcas, governantes
E todos os demais mandantes
Dum jogo que não tem fim.
É a crise para os pequenos
«Os grandes» estão sempre bem
Nem sentem a falta de sono
Das famílias ansiosas
Por terem que se dividir
Entre a vigília e o cansaço
Que os tempos são difíceis…
E eu só receio bem fundo
Que com tanto resistir
Se venha a perder o sorrir…
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
O presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, é o primeiro subscritor de uma petição «em defesa da Festa Brava» que pretende recolher 100 mil assinaturas até Julho de 2011. O autarca pretende criar uma associação de municípios de Portugal, Espanha e França para a defesa da tauromaquia.
Em declarações à agência Lusa Moita Flores defendeu que a festa dos touros é «um combate pela cidadania e pelos direitos da Terra para que ninguém se amedronte perante a gritaria histérica de alguns» e pretende «mostrar definitivamente ao país que não nos submetemos à ditadura do hamburguer urbano e que somos muitos, disponíveis para lutar, resistir e assumir Portugal na sua unidade complexa e diversa».
Moita Flores anunciou, na última reunião da Câmara de Santarém, a criação de uma associação de municípios de Portugal, Espanha e França para a defesa da tauromaquia e o lançamento desta petição.
Lembrando as suas origens alentejanas, Moita Flores acusa os promotores das iniciativas contra as touradas de não estarem interessados na defesa dos direitos dos animais, nem na defesa dos direitos do homem.
«As posições tomadas pelos que defendem a proibição das actividades tauromáquicas são hipócritas», lembra o autarca acrescentando que «resolveu lançar esta iniciativa em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, dos pastores e dos campinos, da economia agrícola e animal associada à festa e ao espectáculo, em nome do progresso com memória, em nome do desenvolvimento sem perder o sentido da História».
A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), é a subscritora número 7445 da petição «Em Defesa da Festa Brava» lançada por Moita Flores. Maria da Luz Rosinha considerou que «a festa brava está ligada às origens da nação e à proximidade com a terra» defendendo que «na realidade de tradição secular proveniente da dinâmica e interacção entre o homem e o campo, as manifestações tauromáquicas fazem parte do universo de várias gentes e regiões do país, sendo uma parte importante dos seus costumes e património cultural e deve ser preservada».
Petição para defender a Festa Brava. Aqui.
jcl (com agência Lusa)
A permanência no Sabugal da ambulância de Suporte Básico de Vida (SBV) do INEM foi colocada em causa por um relatório interno do instituto de emergência médica. Os «números» do estudo indicam que o INEM tem ambulâncias em várias zonas do Norte e do Centro que saem em missão de socorro menos de uma vez por dia. O INEM «aproveitou» para informar que manter uma SBV custa, aproximadamente, 20 mil euros por mês.
Um relatório interno do INEM a que o «Jornal de Notícias» teve acesso indica que a ambulância de Suporte Básico de Vida (SBV) do INEM de Celorico de Basto, sedeada no Centro de Saúde, saiu no primeiro semestre de 2009, 52 vezes, o que dá uma média de uma saída em cada três dias. No mesmo período o INEM pagou aos Bombeiros de Celorico de Basto 175 saídas da ambulância da corporação.
Em Vieira do Minho, a ambulância do INEM, que está no Centro de Saúde, saiu 143 vezes nos primeiros seis meses de 2009 (menos de uma saída por dia) mas os bombeiros locais saíram com a ambulância do INEM que está no quartel (PEM) 264 vezes.
Em Figueiró dos Vinhos, o INEM saiu 34 vezes em seis meses, enquanto os bombeiros saíram 235 vezes em ambulância própria, com quilómetro pago pelo INEM.
Em Mortágua, a SBV saiu 60 vezes em 180 dias enquanto no mesmo período o INEM pagou 372 saídas de ambulância aos bombeiros.
A situação repete-se no Sabugal, em Vouzela, em Figueira de Castelo Rodrigo, em Santa Comba Dão, Oleiros e Fratel, onde o INEM tem ambulâncias com pouca actividade.
Ricardo Rocha, presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência (STAE), defendeu que as populações do Interior preferem ligar para os bombeiros em vez de ligar para o 112 porque «sabem que os bombeiros não fazem tantas perguntas e que até transportam ao Centro de Saúde, enquanto que a ambulância do INEM só pode levar ao hospital» acrescentando que «em muitas localidades as ambulâncias do INEM só saem em serviço quando os bombeiros estão ocupados».
Os meios de socorro no terreno estão em constante avaliação e, em consequência disso, foi recentemente deslocalizada a ambulância de Silves, no Algarve. A ambulância do INEM em Baião foi cedida no ano passado aos bombeiros locais.
jcl (com «JN»)
As comemorações do Centenário da República no concelho do Sabugal têm vindo a ser preparadas pela Comissão Municipal e incluem um conjunto de actividades que se prolongam por todo o mês de Outubro. A sessão solene, no dia 5, inclui uma oração de sapiência pelo professor Adérito Tavares, a inauguração de uma exposição alusiva à República, a plantação da Árvore do Centenário e a apresentação da serigrafia de Manuel Morgado.
A Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República, constituída por Adérito Tavares (presidente da Comissão), por António Robalo (presidente da Câmara Municipal do Sabugal), por Ramiro Matos (presidente da Assembleia Municipal do Sabugal), por Jaime Vieira (director da Escola Secundária do Sabugal) e por João Vila Flor (director do Agrupamento de Escolas do Sabugal) preparou um conjunto de actividades destinadas a comemorar o Centenário da República.
No dia 5 de Outubro, às 15.30 horas, terá lugar no Auditório Municipal do Sabugal a sessão solene com uma oração de sapiência de Adérito Tavares, professor e historiador de Aldeia do Bispo, que será seguida da inauguração de uma exposição temporária alusiva à República, da plantação da Árvore do Centenário na Escola Secundária do Sabugal e a apresentação de uma serigrafia comemorativa da autoria do artista sabugalense Manuel Morgado.
No dia 6, no Auditórioa Municipal, será apresentada a peça de Teatro «Os Republicanos» (às 15.30 horas para os alunos das escolas e às 21.30 horas para o público em geral).
No dia 9, sábado, o fim-de-tarde será dedicado às «Músicas da República» e incluirá uma palestra por Rui Vieira Nery e um concerto pela Banda Filarmónica Bendadense.
No dia 26 de Outubr um grupo de alunos da Escola Secundária do Sabugal fará uma visita de estudo a Alpiarça à «Casa dos Patudos», residência do republicano José Relvas transformada em museu.
No dia 30 as comemorações terão um dos seus pontos altos com «As Jornadas da República». A abertura dos trabalhos, às 14.30 horas, contará com a presença de Adérito Tavares (presidente da Comissão), António Robalo (presidente do Município), Ramiro Matos (presidente da Assembleia Municipal), Santinho Pacheco (governador civil da Guarda) e D. Manuel Felício (bispo da Guarda).
As conferências das «Jornadas» contam com as intervenções de Manuel Braga da Cruz (Reitor da Universidade Católica), «A Igreja e o Estado na I República», de Francisco Manso, «O Sabugal e a República» e de Adriano Moreira.
No final nas «Jornadas» será apresentada, por Natália Correia Guedes (neta de Joaquim Manuel Correia) a 5.ª edição do livro «Memórias sobre o Concelho do Sabugal» do escritor natural da Ruvina a que se seguirá uma intervenção de Júlio Louro, neto do ilustre republicano sabugalense António Augusto Louro.
jcl





























«ESCLARECIMENTO E CORRECÇÃO RELATIVAMENTE AO “COMUNICADO DOS DEPUTADOS DO MPT DO SABUGAL”
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