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O Capeia Arraiana atingiu hoje, 3 de Junho de 2010, às 20.45 horas, o 1.º milhão de visitas únicas de acordo com o registo do Sitemeter. E porque entendemos que é muito mais do que número redondo decidimos ir até à Assembleia da República e entrevistar os quatro deputados eleitos pelo círculo eleitoral da Guarda. É um trabalho feito em parceria com a Local Visão Tv da Guarda e que já está disponível on-line. A todos os que nos visitam e nos têm apoiado nesta caminhada desde o dia 6 de Dezembro de 2006 o nosso imenso bem-haja.
Por curiosidade informamos que a visita 1.000.000 pertence ao utilizador de um computador localizado na cidade de Zofingen, no cantão de Aargau, na Suíça. Aqui deixamos o pedido para que nos contacte.
Capeia Arraiana
O vereador Ernesto Cunha passou a regime de permanência a tempo inteiro na Câmara Municipal do Sabugal na terça-feira, 1 de Junho, por despacho assinado pelo Presidente António Robalo.
O Capeia Arraiana está em condições de adiantar que Ernesto Cunha é um dos vereadores escolhidos pelo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, para colaborar a tempo inteiro no executivo. O eleito já está em funções desde terça-feira, 1 de Junho.
Nas eleições autárquicas realizadas em Outubro de 2009 no Sabugal o Partido Social Democrata conquistou, sem maioria absoluta, a Câmara Municipal e elegeu três vereadores tal como o Partido Socialista. O sétimo vereador «sobrou» para o MPT-Partido da Terra que foi considerado na altura uma espécie de fiel da balança.
Na tomada de posse dos sete elementos do executivo camarário assumiu as funções de Presidente, o cabeça-de-lista social democrata, António Robalo, e de vice-presidente a número dois, Delfina Leal. Na altura, em reunião de Câmara, o Presidente propôs que o vereador Ernesto Cunha passasse a regime de permanência a tempo inteiro, para apoiar e acompanhar assuntos de serviço geral próprios do dia-a-dia de uma autarquia. A proposta foi indeferida pelos quatro elementos da Oposição – três do PS e um do MPT – tendo, então, Ernesto Cunha sido nomeado adjunto do gabinete pessoal do Presidente.
Durante cerca de sete meses assistiu-se no Sabugal a um impasse na definição de pelouros para a gestão do governo municipal tendo, contudo, o Presidente mantido a capacidade de decidir e despachar a maior parte dos assuntos que permitiram o normal funcionamento da autarquia.
Recorde-se que na reunião de 6 de Novembro de 2009 a proposta de nomeação de mais dois vereadores a tempo inteiro foi recusada por votação secreta (quatro contra e três a favor) mas… foi justificada em acta pelos vereadores da oposição. Joaquim Ricardo (MPT) considerou que «a Câmara Municipal do Sabugal já possui uma máquina de funcionários muito pesada para um concelho tão pobre e por isso não há necessidade de criação de mais dois cargos de vereadores a tempo inteiro». António Dionísio, Luís Sanches e Sandra Fortuna (PS) concordaram com o representante do Partido da Terra deixando, no entanto, em aberto a possibilidade da proposta ser novamente analisada no futuro.
Mas, tal como noticiámos aqui no Capeia Arraiana, na reunião do executivo realizada a 19 de Maio, a proposta do Presidente para nomear mais dois vereadores a tempo inteiro foi discutida e votada por unanimidade com sete votos a favor.
O Capeia Arraiana soube de fonte fidedigna que Ernesto Cunha vai assumir responsabilidades nas áreas onde é técnico especializado como sejam as pastas da floresta, agricultura e dos serviços externos.
Ernesto Cunha, natural das Lameiras, freguesia de Pousafoles do Bispo, exerceu cargos de vereador com os presidentes António Morgado e Manuel Rito e foi eleito em terceiro lugar na lista encabeçada por António Robalo às últimas eleições autárquicas.
O segundo vereador a tempo inteiro, a escolher entre os quatro restantes, ainda não foi indicado pelo Presidente António Robalo.
jcl
Ontem, quarta-feira, dia 2 de Junho, participei num almoço convívio na quinta do amigo Zé Leal, a «ilha», como por aqui lhe chamamos, que dista um quilómetro de Foios, o qual nos proporcionou uma agradável surpresa.
A uma determinada altura qual não foi o meu espanto quando o Luís, mais a filha Patrícia, apareceram perante todos com uma caixa de cogumelos que recolheram numas carvalheiras próximas do dito local. Os ditos eram «boletos», também conhecidos por «cepos», na voz do povo.
As condições climáticas proporcionam que estes fungos tivessem condições para se desenvolverem nesta época do ano, o que não é comum. O achado do Luís e da Patrícia constituiu uma enorme surpresa para todos os participantes no convívio e, como não são egoístas nem interesseiros, e gostam imenso de partilhar, o Luís disse prontamente: «Estes não vão ser vendidos aos espanhóis. Vamos comê-los com o grupo que aqui se encontra».
Em boa hora se comeram os boletos, que nesta altura têm um especial sabor visto não ser o tempo deles. Há anos e anos e este que agora corre parece ser propício a estas agradáveis surpresas.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
Dennis Hopper morreu no passado fim-de-semana, depois de uma vida de 74 anos cheia de excessos que nos trouxe algumas personagens memoráveis e uma obra-prima: «Easy Rider.»
A estreia de Dennis Hopper no cinema deu-se em 1955 com um papel no clássico «Fúria de Viver», de Nicholas Ray, um dos poucos filmes protagonizados por James Dean, outro mito de Hollywood que foi considerado como um exemplo por Hopper. Um ano mais tarde ambos iriam participar em «O Gigante», que seria a última aparição de James Dean no Cinema.
Mas foi praticamente só em 1969, quando realiza «Easy Rider», que Hopper coloca o seu nome entre os grandes do Cinema. Até chegar à cadeira de realizador, passou por inúmeros papéis em séries de televisão, entre as quais «A Quinta Dimensão» ou «Bonanza», e em westerns onde interpretou maioritariamente papéis de vilão.
1969 foi sem dúvida um ano de grande mudança para o actor, ao realizar e protagonizar, ao lado de Jack Nicholson e Peter Fonda, «Easy Rider», filme que é considerado com «Bonnie e Clyde» de Arthur Penn um dos responsáveis pelo surgimento de uma nova era no cinema norte-americano, quando os jovens realizadores tomam conta dos estúdios nos anos de 1970. Já neste filme o motard rebelde Billy é uma das muitas personagens icónicas que Dennis Hopper vai protagonizar ao longo da sua carreira de mais de seis décadas.
De entre as personagens que deu vida, algumas ficaram mesmo na memória de muitos amantes da Sétima Arte: desde o fotojornalista que segue o temível Coronel Kurtz (interpretado por Marlon Brando) até aos confins do Vietname em «Apocalipse Now» ao demente Frank Booth de «Veludo Azul».
Depois do sucesso de «Easy Rider» e de uma segunda realização falhada, «The Last Movie», Dennis Hopper é apanhado no meio de uma espiral de álcool e droga que quase lhe desfaz a vida. É durante essa época que entra em «Apocalipse Now», mas curiosamente quando interpreta o papel Frank Booth, um criminoso com tendências psicopatas e completamente maníaco, os vícios já estariam de parte.
Apesar da sua idade avançada Dennis Hopper continuava bastante activo nos últimos anos, tendo estado em destaque na série de TV «Crash», baseada no filme homónimo de Paul Haggis, e mesmo em «24». Um dos últimos papeis onde apareceu foi em «Elegia», filme realizado pela espanhola Isabel Coixet.
Dennis Hopper faleceu no passado sábado, 29 de Maio de 2010, vítima de cancro da próstata.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
A Comissão Social Inter-freguesias de Santa Maria de Belém e de São Francisco Xavier, no concelho de Lisboa, criou o projecto «Transporte Solidário».
A iniciativa tem por objectivo o transporte gratuito de adultos em situação de isolamento social e resulta de uma parceria estabelecida entre entidades públicas e privadas, que desenvolvem projectos na área geográfica destas duas freguesias da cidade de Lisboa. A iniciativa tem por objectivo o transporte organizado e gratuito de pessoas adultas em situação de isolamento social para serviços de saúde e actividades específicas, numa tentativa de combater a exclusão social e a solidão.
Notícia muito mais importante que muitas daquelas que todos os dias enchem os primeiros minutos dos telejornais, ou as primeiras páginas dos diários em papel impresso!
Mas esta iniciativa não é a única desta Comissão Social, como o prova o projecto «Dê p’rá troca» de livros escolares e do Plano Nacional de Leitura.
Para terem uma ideia do trabalho social que a mesma está a realizar aconselho as pessoas que lêem esta crónica a irem ao blogue da Comissão. Aqui.
E permito-me puxar a brasa à minha sardinha, pois liderei a candidatura do Partido Socialista à Assembleia Municipal do Sabugal, acompanhando a candidatura do António Dionísio e do Partido Socialista à Câmara Municipal e recordo uma das propostas que constavam do seu Programa Eleitoral:
«Estabelecer parcerias com as Juntas de Freguesia, o Centro de Saúde, os prestadores de serviços de saúde privados e as IPSS, de melhoria das condições de acesso dos idosos aos cuidados de saúde:
– aquisição e funcionamento de uma Unidade Móvel de Saúde;
– criação de uma rede de prestação de serviços de saúde, envolvendo as IPSS;
– criação de uma rede de transporte social;
– criação de postos de telemedecina em todas as freguesias.»
Alguém disse na altura que o Programa não passava de um conjunto de ideias líricas. Ainda bem que nas freguesias lisboetas de Santa Maria de Belém e São Francisco Xavier ninguém pensou que um transporte social era lirismo…
ps. Grande jornada de afirmação do Concelho do Sabugal no passado sábado no Campo Pequeno. À Casa do Concelho, aos sabugalenses que estiveram na organização e a todos os que participaram dentro e fora da arena, os meus parabéns.
E que bem que ficava o forcão naquela arena…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
A 80ª Feira do Livro do Porto, que abriu ontem, 1 de Junho, e decorrerá até ao dia 20 de Junho na Av. dos Aliados, irá homenagear Manuel António Pina, escritor e jornalista natural do Sabugal.
A organização do evento considera Manuel António Pina um dos autores fundamentais da literatura portuguesa contemporânea, tendo escrito e editado cerca de quatro dezenas de livros, que se dividem pela poesia, ficção, crónica e literatura infanto-juvenil, e ainda várias peças de teatro.
Obras suas foram levadas ao cinema, televisão e banda desenhada, e outras musicadas e editadas em disco. A sua poesia tem sido também traduzida e publicada em vários países. Mantém uma crónica diária no Jornal de Notícias, uma das mais lidas e citadas. Um novo livro com uma selecção destas crónicas será publicado ainda este ano, tal como nova reunião da sua poesia, acrescentada de inéditos.
O ponto alto desta homenagem terá lugar no dia 5 Junho, às 17h30, na sessão «Manuel António Pina em destaque», em que participarão, para além do escritor, Álvaro Magalhães, que falará da obra para a infância e juventude, Luís Miguel Queirós, que abordará a poesia, e Sousa Dias, organizador da citada antologia de crónicas no prelo, que se irá debruçar sobre Manuel António Pina cronista. No dia seguinte terá lugar um concerto pelo Bando dos Gambozinos, que por várias vezes interpretou poemas do escritor homenageado.
plb
Dizia-me alguém do Sabugal, referindo-se às minhas crónicas, que eram cada vez mais difíceis de perceber. Observação pertinente, respondi-lhe eu, mas é propositadamente, e tem a ver com o meu desencanto em relação às pessoas e ao Sabugal. Contudo, hoje vou falar claro, para que todos os Sabugalenses entendam…

Autoria da foto: Joaquim Tomé
«En esto, descubrieron treinta o cuarenta molinos de viento que hay en aquel campo; y, así como don Quijote los vio, dijo a su escudero:
– La ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acertáramos a desear, porque ves allí, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta, o poços más, desaforados gigantes, con quien pienso hacer batalla y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer; que ésta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra.
– ¿Qué gigantes? -dijo Sancho Panza.
– Aquellos que allí ves – respondió su amo – de los brazos largos, que los suelen tener algunos de casi dos leguas.
– Mire vuestra merced – respondió Sancho – que aquellos que allí se parecen no son gigantes, sino molinos de viento, y lo que en ellos parecen brazos son las aspas, que, volteadas del viento, hacen andar la piedra del molino.
– Bien parece – respondió don Quijote- que no estás cursado en esto de las aventuras: ellos son gigantes; y si tienes miedo, quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla».
(Miguel de Cervantes, El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, edição fac-similada de 1604, cap. VIII).
Muitos dos leitores deste blogue, incluindo eu, são oriundos de uma classe agrícola, operária, de comerciantes, ou pequenos funcionários públicos, para quem a vida sempre foi uma luta quotidiana para a existência, retirando do trabalho braçal apenas o necessário para a vida, sem tempo nem meios para progredirem.
E é assim há gerações. A maioria que conseguiu dar a volta a este fado, emigrou. Ficaram os outros, e pouco mais, com as consequências sobejamente diagnosticadas por toda a gente.
Por isso, ensinar aqui do dever de progredir, da vida intelectual e moral, falar dos direitos políticos, de educação, de associação, é tarefa difícil, para não dizer inútil, porque o exercício e compreensão de tais deveres e direitos exigem um certo grau de educação cívica a que nem todos, infelizmente, puderam aceder. É uma verdade de que me vão censurar, mas com a qual vivo pacificamente; passamos por isso à frente, que o objectivo desta crónica é mais importante.
O homem é sociável, progressista e livre por natureza. É conceito que também não vou explanar, porque é terreno fértil que já deu tratados muito bem escritos e também não é a finalidade desta crónica. Tem por esta sua natureza o homem dever de associar-se e de progredir tanto quanto comporte a sua esfera de actividade, e ainda o direito a que a sociedade não impeça essa obra de associação e progresso e auxilie quando os meios de associação e progresso faltarem.
A liberdade dá-lhe a faculdade de escolher entre o bem e o mal, entre o dever e o egoísmo. A Educação ensina-o nessa escolha.
A associação dá-lhe força com a qual pode realizar as escolhas. O progresso é o fim que se deve escolher e que, uma vez realizado, prova que a nossa escolha foi certa. Há progresso? A escolha foi boa. É este o critério da evolução civilizacional da humanidade. É claro, que aqui abria campo para discutir em que consiste o progresso, o que tornaria esta crónica mais fastidiosa do que já é. Por isso, adiante, mais uma vez!
Quando falta uma destas condições, não existe homem nem cidadão, ou existe imperfeito ou prejudicado no seu desenvolvimento.
E aqui é que bate o ponto. Quer-me bem parecer que o problema do Sabugal, tal como o de toda a sociedade em geral, é a falta a educação dos cidadãos e dirigentes.
Da falta de educação, muitos não têm tem culpa porque a vida não lhes proporcionou oportunidade de a adquirirem. Mas a passividade, a inveja, a estupidez, a mesquinhez, são defeitos que dependem apenas da vontade e do carácter, e que cada um, independentemente da educação e condição social, pode e deve superar para ser um cidadão participativo na vida comunitária. E nisto se resume a liberdade individual, que permite a cada um optar entre o bem e o mal, o dever e o egoísmo.
E agora sim, o verdadeiro objectivo desta crónica:
Sortelha é uma aldeia medieval, que proporciona aos visitantes uma viagem no tempo, ao passado medieval. É nisto que consiste a grande e rara riqueza de Sortelha, a sua alma, e faz dela a jóia rara, que é património não só dos seus habitantes, como de toda a comunidade municipal.
Construir torres eólicas no seu perímetro amuralhado, ou à vista dele, fora do contexto da época histórica para a qual a aldeia nos remete, é tão ridículo como ver aviões a jacto num filme sobre os meios de transporte do século XIX. O realizador que tivesse este devaneio criativo, sujeitava-se à chacota pública, pelo caricato e estupidez da situação. Quem via um filme tão mau?
Pois as eólicas nas condições de Sortelha, matam a razão da sua existência, porque são completamente anacrónicas naquele contexto espacio-temporal, como os jactos no filme sobre meios de transportes do século XIX. Nenhum turista quer viajar a um passado medieval que uma autarquia permitiu reinventar com umas modernas torres eólicas. O conceito turístico «viagem ao passado medieval» pura e simplesmente fica destruído com isto. Passa a ser ridículo chamar a Sortelha «aldeia histórica». Com as eólicas já não é medieval e histórica, mas do século XXI e actual… Percebem ao menos isto?
Construídas as eólicas, bem podem derrubar também as muralhas, que já lá não estão a fazer nada. Aproveitem a pedra e vendam-na também para Espanha, como a electricidade!
É um resultado tão nefasto, que «Es gran servicio […] quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra».
Meus amigos, este crime que estão a fazer a todo o concelho, nem a falta de educação de que falei, o justifica. Cada indivíduo, independentemente da educação, porque é livre, tem a faculdade de escolher entre o bem e o mal, entre o dever e o egoísmo…
A responsabilidade deste crime, é por isso, tanto colectiva como individual! Que ninguém lave dela as mãos como Pilatos…
Se deixarmos erguer estes moinhos de vento no rico passado histórico de Sortelha, como fatalidade inevitável da falta de educação de uns quantos Sancho Pança, «nem somos homens, nem somos nada!»
Por isso interpelo cada um dos Sabugalenses:
«Si tienes miedo, quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla»!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
A iniciativa privada criou, e continua a criar riqueza. Sem ela, a própria liberdade ficaria coarctada. Está fora de dúvida o papel preponderante, interventivo e inventivo que ela teve durante os últimos séculos, e que ainda continua a ter nos nossos dias. Também se deve a ela muito do progresso que o homem alcançou.
Mas infelizmente em que se está a tornar a iniciativa privada? Está a deformar-se, está a transformar-se em grandes corporações com influência cada vez maior, tornando-se em autênticos grupos de pressão (lobbys) que influenciam o poder político e, que muitas vezes o mantêm refém dos seus interesses. São fruto, ao fim e ao cabo, da liberdade e da livre iniciativa, formaram-se em governos liberais, o que é que cada vez mais as suas decisões se parecem às dos estados totalitários. O seu poder e a sua influência vão-se estendendo cada vez mais através da privatizações de serviços pertencentes ao Estado, e que aos poucos vão caindo nas mãos de grupos privados. Estão a converter a «Res Publica» numa propriedade sua, onde só interessam os lucros dos grandes accionistas, bancos, e multinacionais.
Há quem compare este tipo de iniciativa privada ao Feudalismo. Não estão longe da realidade. Há oligarcas cujo poder é maior do que o de alguns senhores feudais que a história nos mostra. Não manda a Igreja, não mandam os aristocratas, manda o dinheiro. Também já não há servos, os trabalhadores presentemente são livres, mas isso não significa que não sejam condenados ao desemprego, à pobreza, à exploração e à fome.
Estas grandes corporações, este tipo de iniciativa privada, não tem por fim satisfazer as necessidades do homem, criar postos de trabalho e melhorar a sua vida, tem por finalidade, benefícios e lucros, e consegue-os sempre, alguns bem escandalosos.
É este poder que conduziu e conduz ao desregulamento da economia, se hoje alguns povos europeus, e do resto dos continentes sofrem, a este poder se deve. Tudo isto conduz à desestabilização da vida pessoal, laboral e social, conduz ao medo e à insegurança perante o futuro.
O que acabo de escrever nada tem a ver com comunismo e bolchevismo, socialismo e anarquismo, tem a ver com a realidade. Mas se as minhas palavras são consideradas como as de um niilista, atentem nestas, de um homem integrado no sistema, mas que se revolta e critica:
« …permitirá a Europa da Ilustração e da Revolução Francesa, que acabou com o antigo regime, este novo despotismo financeiro-político, de força crescente, alheio a qualquer controlo democrático? »
Estas palavras são de um General de Brigada na reserva, José Henrique de Ayala, General do exército espanhol, e foram retiradas da revista Política Exterior, uma revista de cariz conservador, política, social e economicamente.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com

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