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No dia 10 de Junho foi apresentado em Trancoso um novo e inovador guia das Aldeias Históricas de Portugal, o qual oferece descontos e contém roteiros paisagísticos e gastronómicos para cada uma das 12 aldeias beirãs. Capeia Arraiana esteve no local e acompanhou o lançamento deste importante instrumento para os que pretendam visitar e conhecer melhor as nossas aldeias históricas.
A apresentação esteve a cargo da empresa editora, a Olho de Turista, representada pelos seus sócios Susana Falhas e Serafim Faro, acompanhados pelo presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Júlio Sarmento, que patrocinou o acontecimento.
Susana Falhas, numa alocução comovente, revelou que foram os seus filhos, ainda crianças, que a motivaram nesta aventura de elaborar e publicar um novo guia turístico para as 12 localidades oficialmente classificadas como Aldeias Históricas de Portugal: Sortelha, Marialva, Almeida, Linhares da Beira, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Piódão, Castelo Novo, Monsanto, Idanha-a-Velha, Trancoso e Belmonte.
Serafim Faro, classificou o novo guia de inovador para o território. Contém informação útil para quem pretende conhecer melhor as aldeias e a região e contém fotografias e mapas dos percursos, para melhor orientação.
Outro factor inovador da edição é a inclusão de 172 talões de ofertas e desconto em espaços comerciais da região, nomeadamente em hotéis, restaurantes e lojas de artesanato. Para além disso o guia contém receitas típicas das Aldeias Históricas, sugere rotas em diferentes meios de transporte, incluindo pequenos percursos pedestres. Fala da história e das tradições de cada aldeia, indica onde comer, dormir, passar o tempo livre e fazer compras, para além de revelar curiosidades.
Como seria inevitável, o guia fala de Sortelha, sob a epígrafe «Anel da sorte pequena». Conta a história desta antiga vila amulharada, indicam-se os locais a visitar, sugerem-se percursos na região que envolve Sortelha, referem-se as suas tradições populares, as festas e romarias, onde comer e dormir e quais os principais produtos do artesanato da região. Também se contam algumas lendas e curiosidades sobre a antiga vila, como a de que os habitantes de Sortelha têm o cognome de «lagartixos» e a de que os barrocos da região assumem por vezes formas de animais.
O guia tem o apoio da Associação para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas de Portugal e conta com mais de 350 páginas, numa edição com 10 mil exemplares.
Aconselha-se a aquisição do vistoso e muito útil roteiro, que está à venda ao preço de 17 euros.
O Capeia Arraiana aproveita para agradecer a simpatia e colaboração da Helena Teixeira da Olho de Turista.
plb
À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos a direcção da Associação de Caça e Pesca de Foios levou a efeito mais uma jornada de convívio na qual participaram cerca de duas centenas de pessoas da freguesia e outros amigos de localidades vizinhas e até mesmo da Cidade Invicta.
O presidente da associação, José Leal, com meia dúzia de amigos, tiveram dias de trabalho, dedicação e empenho para que tudo saísse bem como de facto saiu.
Às 11 horas de sábado, dia 12 de Junho, foi celebrada Missa pela alma dos caçadores e pescadores já falecidos e a partir do meio dia verificou-se a chegada das pessoas ao pavilhão onde decorreu o convívio.
Depois da maioria das pessoas terem tomado os aperitivos, no bar do pavilhão, eis que foi dada a ordem para ocuparem lugar junto das mesas porque os pratos fortes estavam prestes a sair. Quanto toda a gente já se sentia bem tratada, eis que algumas senhoras foram servindo as sobremesas que previamente haviam preparado nas suas casas.
Por volta das 15 horas os convidas desceram até ao largo da praça, em cujos bares tomaram café e copa. Os acordeonistas iam animando o ambiente, mas por pouco tempo visto que tinham que voltar para o pavilhão onde algumas senhoras os esperavam para darem início ao bailarico, que durou até à hora do jantar.
Enquanto uns se iam divertindo no baile outros assavam as sardinhas e as carnes que foram para as mesas depois das 20 horas.
Foi mais uma festa, como que a antecipar o S. João que, como já é habitual, também se vai festejar nos Foios a partir das 18 horas do dia 26 do corrente mês de Junho. Mas, entretanto, ainda teremos que marcar presença, nos dias 23 e 24, nas festas do Sabugal e nos encerros e nas capeias de Navasfrias.
A partir de agora todos os fins-de-semana estão, mais ou menos, comprometidos. É que convém ir treinando, porque o mês de Agosto vai-se aproximando e todos sabemos como este é vivido em todo o concelho do Sabugal, com particular destaque para as freguesias da raia onde acontecem capeias quase todos os dias.
Que todas as pessoas se divirtam e que não haja nada de mal para contar. São os meus votos sinceros.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Fundada nos anos 80, a carpintaria do Alves produz móveis de cozinhas, caixilharia e outras utilidades em madeira. Foi sempre um exemplo de bem servir os clientes, de atender com simpatia e correcção a todas as solicitações e encomendas.
«Quando não é possível satisfazer, nem sequer se aceita a encomenda», diz o Alves, orgulhoso dos dois empregados que mantém há mais de 20 anos, sempre com os ordenados pagos a horas, a segurança social e os seguros em ordem, não vá o diabo tecê-las. É verdade que de há uns anos para cá as coisas estão cada vez mais difíceis, «vai-se vivendo, lá vai dando para a luz», mas não se permitem veleidades.
Até que há dois anos uma vizinha lisboeta, que só vem à terra de vez em quando, por birras antigas, «talvez por inveja, sabe-se lá», desatou a fazer queixa do barulho das máquinas, das inalações dos vernizes, do fumo do forno que queima a serradura e até do cão que ladra quando lhe apetece. Diz a vizinha que só descansará quando a carpintaria fechar portas!
A vida do Alves tornou-se um inferno. Ainda gastou uns trocos a construir uma estufa de pinturas para não incomodar a vizinha, deixou de trabalhar até mais tarde, mas de nada serviu. As denúncias continuaram. Em pouco tempo foi visitado pela inspecção do Ministério da Economia, pela inspecção do trabalho, pela GNR (duas vezes), pela fiscalização da Câmara, pela ASAE, pela inspecção do Ambiente (duas vezes, uma da delegação de Coimbra e outra de Lisboa). Nenhuma entidade encontrou deficiências ou infracções na carpintaria a não ser o Ministério do Ambiente. E não apenas uma, mas muitas. Desde logo a chaminé do forno que não cumpre os requisitos, era quadrada e devia ser redonda, além de que teria de dispor de medidor de emissões poluentes. Depois o registo da gestão de resíduos perigosos que não estava em ordem, porque o empresário ao usar embalagens de verniz (resíduos perigosos) deve obter um certificado da entidade a quem as entrega. A fossa séptica que recebe os efluentes da casa de banho não estava licenciada. De nada adiantou o Alves dizer e provar que a chaminé e o forno foram construídos há 20 anos, ao abrigo da licença da Direcção-Geral de Economia e de acordo com as exigências daquela altura; de apresentar uma declaração da Câmara Municipal referindo que esta levava as latas do verniz de 15 em 15 dias para Ecocentro; de alegar que o prazo para registo das fossas tinha sido prorrogado ou de alegar que o sistema informatizado de gestão de resíduos, pertença do Ministério do Ambiente, de alteração em alteração, não estava a funcionar.
Na sua honestidade de rural ainda foi dizendo que nem sequer queimava toda a serradura, porque alguma depositava-a num terreno de mato, sua propriedade, e os desperdícios de madeira iam para a lareira. Logo percebeu o erro da sua sinceridade, pela ameaça de mais uma contra-ordenação por rejeição de resíduos no solo, de imediato corrigiu: «Mas isso foi no princípio, agora não, queima-se tudo!»
Lá foram a Lisboa as testemunhas arroladas, ouvidas por um advogado que presta serviço para o Estado, certamente bem pago. Aguardou a decisão, uma eternidade, e recebeu há dias a notícia: «2 500 euros de multa! Aplicada apenas pelo mínimo, porque podia ter chegado aos 25 000 euros, era o que dizia a contra-ordenação! Estava preparado para fechar a porta.»
«Ainda me aconselharam a recorrer, garantiram-me que com um bom advogado, me limpariam tudo em Tribunal, mas deitei contas à vida, gastaria mais em custas e no advogado do que o valor da multa! Temos que sustentar esta cambada! Vá lá que ainda me facilitaram pagar em prestações!»
É assim que o País trata quem trabalha, obrigando-o a dar o litro, o Estado agarra-se-lhe que nem uma carraça, suga-o a até ao tutano, que o déficit a isso obriga. E não é apenas o Estado que parasita a economia, são também uma panóplia de outras entidades criadas ou estimuladas pelo Estado, consultoras, certificadoras, que emitem certidões de conformidade, que vendem serviços novos que o Estado inventa todos os dias, ou aplicações informáticas que apenas complicam a vida a quem produz.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
(Vice-Presidente da Câmara Municipal de Penamacor)
kabanasa@sapo.pt
Voltamos ao livro «O Quinto Elemento do Circuito 5», que enquadra uma interessante e perturbante aventura pelo espaço e pelo tempo histórico, onde também há sabores gastronómicos a redescobrir.
Ainda há dias falámos neste pequeno e interessante livro escrito por Alcino Póvoas Cunha, jurista nascido no Sabugal em 1963, que decidiu aventurar-se no campo literário.
Quem ler o livro não poderá ficar indiferente, tal o interesse criado com as rocambolescas aventuras de alguém que, rompendo a barreira do tempo, retrocede até à antiguidade e redescobre a história que já estudou e que por isso bem conhece.
A acção começa neste tempo, nos alvores do século XXI, quando o personagem principal sofreu um acidente de viação que o atira para fora da estrada e o faz perder os sentidos. Volta a si num mundo diferente e estranho, e dali viaja ao tempo passado, recuando dois mil anos, vivendo então uma aventura fantástica em contacto com os povos da antiguidade.
Ora entre os zelotas, ora entre os romanos, experimentou os trajes que usavam, exprimiu-se na língua hebraica e na latina, passou por diversas provações, integrando-se como pode na aventura que a situação lhe proporcionou. Também teve que se alimentar e, a um ponto, quando estava entre o povo zelota, e conheceu um velho sacerdote chamado Binus, o mesmo encarregou-o de uma importante missão, tratando porém primeiro de lhe oferecer comida. O aventureiro saboreou com gosto a comida mediterrânica que o ancião lhe ofertou.
«O Binus indicou-me um local onde havia uma mesa de pedra que era a continuidade saliente de uma rocha e uns bancos de madeira, pediu-me para me sentar, foi buscar água e comida, bem precisava de comer e beber. A pedra que a Venga me pôs na fronte dava jeito por aqui mas não há nada como saborear a verdadeira comida.
Regressou o ancião com legumes, azeitonas, figos tâmaras e, principalmente, um tipo muito rústico de pão. Também água. Saciei-me, mas percebi um gesto de censura de todos os presentes que, e observavam e registavam todos os meus movimentos.»
Satisfeito e bem alimentado o personagem seguiu o seu caminho, procurando cumprir a missão que recebeu, vivendo uma sucessão de interessantes aventuras.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
O Louletano Desportos Clube sagrou-se campeão no Torneio das Eiras no escalão de Iniciados ao golear o Benfica por quatro bolas a uma, sendo um dos golos da equipa algarvia apontado pelo jovem sabugalense Rogério Mesquita. Sérgio Mesquita, pai do atleta do Louletano, descreveu-nos como aconteceu esta edição do certame desportivo organizado pelo Clube Desportivo de Odiáxere.
A edição de 2010 do Torneio das Eiras teve lugar no fim-de-semana correspondente aos dias 5 e 6 de Junho. No escalão de Iniciados a iniciativa contou com a presença de seis equipas – Louletano, Benfica, Montenegro, Odiáxere, Selecção do Algarve e Vitória de Setúbal. As equipas estiveram divididas em dois grupos, que disputaram jogos entre si, passando as duas melhores às meias finais.
Foram estes os resultados dos jogos disputados:
Grupo A
Louletano – Benfica (2-1)
Louletano – Selecção Algarve (1-2)
Benfica – Selecção Algarve (2-0)
Grupo B
Odiáxere – Montenegro (8-0)
Vitoria de Setúbal – Montenegro (4-0)
Odiáxere – Vitoria de Setúbal (3-4)
Quartos de final
Louletano – Vitoria de Setúbal (1-0)
Odiáxere – Benfica (4-5)
Final
Louletano – Benfica (4-1)
Golos do Louletano: André Brito, Rodrigo Abreu (2) e Rogério Mesquita
Parabéns á magnifica organização do C.D. Odiáxere, à Câmara Municipal de Lagos e à Junta de Freguesia de Odiáxere pela forma brilhante como receberam os jovens, proporcionando dois dias de grande convívio entre os jovens futebolistas e os seus familiares.
Parabéns aos atletas pelo desempenho e esforço. Também uma palavra de apreço para treinadores, directores, pais e familiares, bem como a todas as equipas presentes pela disponibilidade e ao publico fantástico.
Sérgio Mesquita
O fim do ano escolar aproxima-se, mas a labuta dos Professores demora a ficar concluída, depois de um ano duro em que tudo se exigiu, em que muito se pediu. A tarefa é bela para quem a abraça com total apego aos educandos, para quem dirige o seu trabalho de educador e mestre. Mas, se bela, não menos difícil nos tempos em que a Escola quase assumiu grande parte do papel que cabe aos Pais. Muitos, também demasiado ocupados pela sua profissão, entregam os filhos à Escola, como se ela devesse fazer tudo: ensinar, educar e amar. E, apesar de muito deste trabalho ser feito e em muitos casos, felizmente, com dignidade e entrega total, também é verdade que a Família não pode demitir-se do seu papel. Quantas vezes há aqui uma rotura e por isso a criança ou o adolescente quer da Escola muitas respostas que a família não está a dar-lhes…
Quanto poderia dizer, eu que também tive esse papel assumido de alma e coração, cheio de falhas e erros, naturalmente, mas que me concedeu uma vida plena de felicidade. E quantas compensações!
Deixo uma pequena homenagem aos meus colegas Professores, Educadores ou Mestres.
SALA DE PROFESSORES
Listas, grelhas
Em carreiros desmedidos
Em conteúdos sentidos
De Professores escrevendo
Registando sem parar
Nomes e mais nomes
Números e relatórios
Endereços, palavrórios
Rodopio sem paragem
Dos que entram
Dos que saem
Dos que ficam
E que lêem
Dos que olham e não vêem
Convocatórias sem fim
Reuniões repetidas
Saturadas, divertidas?!…
Enfim!
É o que há
Computadores que não param
Alunos que buscam
Que interferem
Se esclarecem
Ansiosos, indiscretos
Livros fechados e abertos
Na procura de informação
Para completar relação.
Livros de ponto para assinar
E em dois dedos de conversa
É um abrir e fechar
De um livro que nunca fecha
Duma vida a passar.
Do livro «Ecos do Meu Pensar»
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Depois do executivo municipal do Sabugal ter votado por unanimidade uma proposta do Presidente, propondo dois vereadores a tempo inteiro, tudo leva a crer que vamos ter um resto de mandato sem oposição na Câmara.
PSD, PS e Partido da Terra irão partilhar assim a responsabilidade do bom e do mau que for feito pelo desenvolvimento das nossas terras nos próximos anos.
Perante este cenário duas posições poderão ser tomadas:
– Uns podem afirmar que pelo Sabugal faz sentido deixar os seus programas e a sua visão de desenvolvimento de lado e que o concelho necessita de uma «Santa Aliança» e como tal os interesses partidários devem ser deixados para segundo plano;
– Outros podem afirmar que a existência de uma oposição faz parte da democracia e na diversidade de opiniões e propostas se deve encontrar um rumo certo para esse desenvolvimento.
Não creio que em período de poucos recursos o Presidente vá atribuir pelouros a tempo inteiro a mais 2 vereadores. As características do concelho e os meios financeiros disponíveis não o permitem. Mas, as alianças não são feitas somente com lugares no executivo. A empresa Sabugal+ também tem lugar na sua administração para caberem todos (PSD, PS, PT) e assim garantirem os acordos estabelecidos.
Uma das grandes virtudes do actual sistema eleitoral das autarquias, nomeadamente dos municípios, está na existência de oposição. Uma oposição responsável e participante tem tanta ou mais importância que as maiorias que se possam formar nos executivos municipais. A existência de alguém não comprometido com o poder permite que esse mesmo poder seja um poder equilibrado, sem abuso, com transparência, com respeito pelas opiniões dos outros. Digamos que serve de auditor no exercício desse poder.
Esperemos para ver que se vai passar nos tempos futuros.
E, com um executivo comprometido todo ele com as políticas que vierem a ser definidas, resta à Assembleia Municipal desempenhar o seu papel fiscalizador.
Na actual constituição da Assembleia ainda restam pessoas eleitas que continuarão a assumir-se como oposição, assim o creio. Continuarão a apresentar propostas válidas para o desenvolvimento do concelho, continuarão a denunciar tudo aquilo que seja feito, não pelos interesses do Sabugal, mas por qualquer outro tipo de interesse. Espero que pelo menos os eleitos da CDU, continuem a manter firme o seu projecto, a participar quando for de participar, mas igualmente a dizer não quando a sua consciência assim o ditar.
O Sabugal precisa de projectos alternativos. Precisa de todos, é verdade, mas precisa de todos, uns no poder outros contrabalançando esse poder. Precisa de oposição forte e responsável, e essa parece-me que, pelo menos na Câmara não vai existir.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Marco Bellocchio é um dos cineastas italianos mais velhos em actividade, mas pouco estreado por cá. A sua mais recente obra conta um episódio da História italiana que apenas foi conhecido recentemente: a suposta primeira esposa de Benito Mussolini que o ditador escondeu durante anos.
Bellocchio faz parte da mesma geração de Bernardo Bertolucci, que foi seu colega na escola de Cinema nos anos 1960, e conta com uma filmografia de mais de 30 títulos no currículo. O mais recente é «Vencer», a trágica história de Ida Dalser, uma mulher que afirmou até à sua morte ser a primeira esposa de Mussolini e a mãe do primogénito do ditador italiano.
Iniciando como uma história de amor, com Ida completamente apaixonada por Benito, cedo nos apercebemos que aquele amor não vai acabar bem. E os problemas aumentam assim que o antigo sindicalista chega ao poder e já com uma outra mulher, mais à imagem do ideal fascista, acaba por desprezar a sua antiga esposa.
«Vencer» centra-se sobretudo na figura de Ida Dalser, uma excelente interpretação de Giovanna Mezzogiorno, e nos seus esforços para convencer os que a rodeiam de quem verdadeiramente é, assim como quem é o seu filho. Ambos acabam por ir parar a um manicómio, depois de fazerem vários desafios públicos e não acatarem a decisão de esquecerem a sua ligação a Mussolini.
Paralelamente, esta obra dá-nos a ver a História de Itália no início do conturbado século XX, ao acompanhar o percurso de Mussolini: vemo-lo em acções sindicalistas, a defender a entrada de Itália na I Grande Guerra e a combater no conflito, a participar numa exposição do Movimento Futurista e a sua chegada ao poder. Neste último caso Bellocchio optou por recorrer a imagens de arquivo de alguns dos discursos do ditador, para reforçar o poder da imagem naquela época.
Há quem diga que este retrato poderia ser aplicado ao actual primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, que também utilizou os Media para chegar ao poder, mas o realizador em várias entrevistas já o negou. Contudo há aspectos que coincidem entre ambas as personalidades. Mas «Vencer» é também uma bela homenagem a uma personagem esquecida da História.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
A educação tem sido de há alguns anos a esta parte, orgiem de discórdias, estratégia política, fonte de discussão. Os governos, uns atrás dos outros, têm cortado nas ajudas mas também no essencial.
Do lado dos governantes, quando se elimina uma classe ou se fecha uma escola, não é só apenas um corte nas ajudas, mas uma machadada num dos pilares da sociedade.
Do lado dos professores, alguns (e muitos) têm tentado defender uma profissão que foi ao longo de muitos anos algo de indispensável para a formação dos jovens e adolescentes. Outros, infelizmente, defendem apenas o tacho que os alimenta. Do lado dos pais e dos alunos, exigencias de facilidades, de bem-estar, de garantias de sucesso: os governos e as escolas é que devem garantir a passagem de ano de um aluno. Isto é o mundo ao contrário. Muitos já se esqueceram que os nossos pais faziam 10 quilómetros pela manhã e outros 10 quilómetros pela tarde para irem à escola, com livros e o farnel de almoço, pois noutros tempos não havia cantinas escolares nem eram muitos os que tinham possibilidade de ir almoçar a casa. Quem não se lembra nos invernos frios da Raia, levar as brasas por vezes em baldes de lata para as braseiras que aqueciam as nossas salas de aulas?
Tudo isto é passado e mais que esquecido, hoje os problemas são bem diferentes. Os alunos são transportados até às portas da escola, as escolas oferecem as maiores comodidades, em vez de livros, alguns começam a transportar no saco um computador ou uma pen numérica onde arquivam e guardam todos os seus deveres e documentos.
Criaram-se as comissões de pais e alunos, reduziu-se o tempo de escola, tudo num sentido de evolução e de progresso. Naqueles tempos, quando alguém conseguia fazer a quarta classe e depois ir para um colégio, para um seminário e conseguir ir para a universidade era motivo de orgulho para toda a família.Os alunos, eram os primeiros a festejarem os exames da quarta classe e todos os outros que se seguiam e eram esses alunos mesmos os primeiros a fazerem um esforço sem limites, para conseguirem ultrapassar essas provas. E verdade seja dita, era muitos aqueles que festejavam o ultrapassar desses exames.
Hoje tudo é diferente. Passar um exame é apenas mais uma prova chata, na qual ganha o que for mais esperto. Ao longo do ano, vai-se de vez em quando às aulas para conhecer a cara do professor e trocam-se alguns números de telefone com os novos colegas. Depois no momento do exame logo se vê.Que seja o que Deus quiser. Da parte dos governos, é preciso dar boa imagem, a percentagem de sucesso deve ser alta para não dar má imagem do país nem das escolas.
Nestes últimos dias, o governo francês têm discutido muito a propósito da educação e do sistema escolar. O sistema escolar francês, parece ser muito pesado para os alunos, a percentagem de sucesso não é das mais elavadas. O ano passado, o tempo escolar de quatro/cinco dias por semana foi reduzido a quatro dias no sistema primário. No secundário ainda hoje se praticam os quatro dias e meio.
Como é sempre bom copiar por alguem, o governo francês aposta no «sistema alemão», onde a manhã dedicada ao ensino e a tarde ao desporto. No entanto este sistema tem sido alvo das maiores criticas na Alemanha, onde os resultados estão muito aquem e por vezes contrários às expectativas. O governo francês vai no entanto abrir e dar espaço à uma discussão pública para «modernizar» o sistema escolar neste sentido.
Em Portugal falou-se durante esta semana na passagem do 8.° para o 10.° ano através dum só exame, coisa que não é do gosto de pais e responsáveis de educação.
Ontem mesmo, assisti à uma reportagem onde se mostravam todas as técnicas para falsear os exames, onde se viam os alunos fazer uso de todas as artimanhas para conseguirem ultrapassar os exames. Nada é deixado ao azar. A internet oferece hoje todos os meios e maneiras para se conseguir um bom resultado. Em troca de alguns euros, encontram-se os resultados dos exames, mesmo antes de estes serem feitos.
Quais serão os resultados de tudo isto? Não teremos no futuro ainda mais engenheiros, advogados, médicos e tantos outros especialistas sem diploma? Ou será que vão todos aprender durante as suas vidas profissionais? É esta a educação nos nossos dias?
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão
paulo.adao@free.fr
«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: 5 de Junho de 2010.
Local: Junto à Igreja Matriz do Sabugal à saída da missa das 19 horas.
Autoria: Natália Bispo.
Legenda: Da esquerda para a direita: Rosa da Paixão, Belmira Lopes de Matos, Maria de Lurdes Simões, Jesuína da Conceição Simões, António Alves Gonçalves (Toni) e Carolina Carriço.
jcl
A Câmara Municipal do Sabugal teve a ideia de candidatar a «Capeia» a património da humanidade. Fazemos sinceros votos de sucesso, porque é uma excelente iniciativa, que só peca por tardia.
No entanto, ao mesmo tempo que candidata a «Capeia» permite o crime das eólicas contra o património em Sortelha…
São atitudes tão diametralmente opostas, e por isso caricatas, que me ocorreu adaptar à situação, de uma outra de Kalil Gibrán, intitulada «as três formigas», a seguinte fábula:
A formiga e a cigarra, encontraram-se no nariz de um homem que estava estendido, dormindo ao sol da tarde. Depois de se saudarem, cada um à maneira da sua espécie, detiveram-se ali a conversar.
– Estas colinas e estas planícies – disse a formiga, desanimada – são as mais áridas que já vi na minha vida; procurei todo o dia um grão, e não encontrei nada.
– Eu cá prefiro dormir à sombra todo o dia – comentou a cigarra, abotoando a casaca – e cantar à tardinha. Esta é, suponho, a que chama a minha gente a branda terra móvel donde não cresce nada – e limpando os sapatos de verniz – a vida é para se ir levando nas calmas… Vou a uma «vernissage»; acompanhas-me?
Ia a formiga responder, quando o homem se moveu, e no seu sonho levantou a mão para coçar o nariz, derrubando as duas.
E à cigarra, debaixo da casaca, viram-se então os rotos fundilhos das calças.
– Vestes casaca de cerimónia; calças sapatos de verniz – riu a formiga – contudo tens fundilhos rotos?!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O Comando Territorial da GNR da Guarda realizou uma operação de prevenção da criminalidade nos concelhos de Sabugal, Seia, Celorico da Beira, Aguiar da Beira e Trancoso, com particular incidência na fiscalização de estabelecimentos de diversão nocturna, fiscalização rodoviária e patrulhamento de pontos sensíveis.
Segundo o comunicado semanal da GNR a operação realizou-se no dia 3 de Junho, sendo inspeccionados sete bares e controladas 31 pessoas. Efectuaram-se quatro detenções, duas de estrangeiros em permanência ilegal no país e outras duas pelo exercício ilegal da função de segurança privada. Foram ainda notificadas três pessoas para abandonarem o país por excesso de permanência em Território Nacional. Na mesma acção foram levantados 16 de contra-ordenação aos referidos bares por diversas infracções.
Na mesma operação, no âmbito da fiscalização rodoviária foram fiscalizados 121 condutores e respectivos veículos, sendo detidos três por condução sob o efeito do álcool e dois por falta de habilitação legal para conduzirem. Foram ainda elaborados 10 autos por diversas infracções rodoviárias.
No tocante ao patrulhamento de pontos sensíveis, foi detido um indivíduo de 41 anos, sem profissão, residente em Seia, quando se encontrava no interior da Casa do Povo de Seia com o intuito de furtar. O referido individuo foi presente ao Tribunal Judicial de Seia, por prática do crime de furto, tendo o processo baixado a Inquérito.
Durante toda a semana foram detidos 18 Indivíduos pelos seguintes motivos: seis por crime de condução sob o efeito do álcool, seis por crime de condução sem habilitação legal, dois por permanência ilegal no país, dois pelo exercício da segurança privada, um por tentativa de furto e um por mandado judicial.
Foram elaborados 239 autos de contra-ordenação, dos quais 202 se deveram a infracções à Legislação Rodoviária.
Em toda a semana a GNR registou 20 acidentes de viação: 16 por colisão e quatro por despiste. Destes desastres resultaram oito feridos leves.
plb
Entrei na parte dos casos de polícia do Capeia Arraiana e li novamente o que se passou há uns meses atrás com Abílio Curto – a troca dos sacos de pinhões numa grande superfície da Guarda.
Veio-me à memória uma pequena história que me foi contada e que se passou aqui na então vila do Sabugal, possivelmente nos anos cinquenta do século passado. Reza assim: um pastor da aldeia de Malcata necessitou de dinheiro para fazer face a um qualquer problema com a Fazenda Pública, como solução, matou um cabrito. Depois de esfolado embrulhou-o num pano de linho e meteu-o numa cesta e veio vendê-lo à vila. Como é lógico, não foi rogá-lo a nenhum pobre, dirigiu-se a casa de uma das famílias ricas e bateu à porta. Apareceu a criada e ele disse-lhe ao que ia. A rapariga respondeu que não queriam o cabrito, mas que esperasse um pouco para ver o que a senhora dizia. Voltou, pediu ao pastor a cesta e levou-a para dentro de casa. Passados uns minutos, voltou com ela, entregou-a ao pastor dizendo que a senhora não estava interessada no cabrito. O homem ia dirigir-se a outra casa, quando por qualquer motivo lhe deu para abrir o cabaz e o pano de linho onde vinha embrulhado o cabrito, o que viu? Um cabrito que não era o dele, não era o que ele tinha levado, o que ali estava já estava retardado e seco. Não foi rogá-lo a mais ninguém, seria incapaz disso, tinha sido enganado.
Está a ver querido leitor(a) que os vícios antigos ainda perduram!
Um outro conto. Podia falar dos crimes e assassinatos dos israelitas, praticados sobre pessoas que levavam ajuda humanitária a Gaza, mas não vale a pena, a esses tudo lhes é permitido, são dos principais inimigos da humanidade, e a impunidade de que gozam é uma ameaça para todos nós.
Vou falar de uma «tourada» aqui na nossa vizinha Espanha, em Alhauin el Grande, província de Málaga, durante uma festa popular. Foram «lidadas» duas pequenas bezerras, de tenra idade e, quase sem cornos, por um grupo de «valentes toureiros» já bêbedos. Resultado: os pobres animais foram mortos à paulada, a pontapé a murro, e às duas bezerras torceram-lhes o pescoço até lhe o partirem.
Século XXI na civilizada e europeia Espanha. São animais, podemos matá-los como quisermos! Gritará alguém, mas todo aquele que não respeitar o que nasce, vive e morre, na Natureza e na Terra, também não é capaz de respeitar o outro homem.
O homem muda, vai mudando, mas não deixa de ser ele mesmo. Para quando uma religião ou uma ideologia que o transforme por completo? Talvez nunca…
Há quem tente no dia a dia essa inglória missão, pouco conseguem, mas tentam. Fui ver um concerto do «velho» Carlos Santana, houve uma parte em que no écran gigante apareceu uma pomba branca, a pomba da paz, a voar lentamente numa coreografia admirável, acompanhada de uma melodia maravilhosa executada por ele e pelos músicos que o acompanhavam. Momento tocante, momento de paz, momento de sonho, momento de amor, foi uma oração laica, que no fundo são as mais belas e verdadeiras.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
José Albano, presidente da Federação Distrital da Guarda do Partido Socialista, lançou a iniciativa «Academia de Formação», como forma de ajudar a preparar melhor os militantes e os autarcas socialistas para o exercício de funções políticas.
A iniciativa acontece no dia 20 de Junho, pelas 10 horas, no auditório dos Serviços de Acção Social do Instituto Politécnico da Guarda. Como oradores estarão presentes, além do próprio José Albano, André Figueiredo, João da Mata, Olga Marques, Pedro Rebelo, Manuela Augusto e Duarte Cordeiro.
Para além da «Academia de Formação», o PS distrital programou para o presente mês de Junho plenários de militantes em todas as concelhias do partido, onde se discutirão diversos assuntos de interesse para o país e para a região. Os temas para os debates internos incluem, entre outros, a Educação, a Saúde, a Agricultura e o Turismo.
O plenário com os militantes do concelho do Sabugal está programado para o dia 29 de Junho, pelas 21 horas, no salão da Junta de Freguesia. O tema a abordar será a Política Nacional e o orador convidado é o dirigente nacional André Figueiredo.
Haverá ainda um plenário distrital de militantes e duas «tertúlias» dedicadas aos debates acerca das eleições presidenciais. O plenário distrital acontecerá no dia 18 de Junho na Guarda, sendo o tema a Saúde, estando prevista a presença do Secretário de Estado da Saúde. Quanto às tertúlias, as mesmas reúnem as mulheres socialistas e a juventude socialista, sendo tema dos debates as Eleições Presidenciais.
plb
Capeia Arraiana no Campo Pequeno. Vídeo de Paulos Antunes.
jcl
A fotografia da crónica de hoje refere-se a umas mulheres de Quadrazais e foi tirada na década de 1930. Como se pode ver aparece uma das mulheres a tocar adufe, pelo que devem estar a cantar alguma canção.
Quadrazais tem alguma tradição na música tradicional/popular, como já referi numa crónica publicada neste blogue, uma vez que a canção «Azeitona Cordovili», recolhida nesta freguesia faz parte da incontornável obra «Cancioneiro Popular Português», um livro de Michel Giacometti, sendo a única do concelho do Sabugal a ser aí referida. Não tendo sido recolhida pelo próprio Michel Giacometti, este não deixou de a publicar no seu livro.
Também o músico César Prata e o seu grupo Chuchurumel gravaram uma canção de Quadrazais no disco «No Castelo de Chuchurumel», lançado em 2005. Trata-se de «Se soenes crunhe penhar», um tema que é cantado na gíria quadrazenha.
O meu pai, que viveu em Quadrazais, na década de 1930, lembra-se bem das quadrazenhas a tocar e a cantar e dos seus trajes bastante parecidos com os das mulheres minhotas, o que não era muito comum por estas terras da Beira Alta. E refere, também, que o rancho de Quadrazais (também constituído por homens) foi o único representante do nosso concelho na «Exposição do Mundo Português», realizada pelo Estado Novo, em 1940, em Lisboa.
Por isso os quadrazenhos referiam, sempre, que Salazar aplaudiu os contrabandistas. Tratava-se, é claro, do desfile dos diversos representantes do país (na época no seu todo pluricontinental) a que Salazar presidiu e no qual participou o rancho de Quadrazais. Como Salazar estava na tribuna aplaudiu as representações todas. Tendo em consideração a perseguição e repressão que o regime do Estado Novo fazia aos contrabandistas, nomeadamente aos quadrazenhos, é natural que o facto de o máximo representante desse regime aplaudir os contrabandistas de Quadrazais era motivo de grande admiração.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com
A Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República reuniu no dia 29 de Maio na sede da Casa do Concelho do Sabugal para analisar e aprovar as propostas de actividades do presidente da Comissão, Adérito Tavares. É um programa ambicioso onde se destaca um ciclo de conferências com personalidades como Adriano Moreira e Manuel Braga da Cruz sob o alto patrocínio do Governador Civil da Guarda.
A Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário da República foi aprovada em reunião do executivo municipal a 17 de Março deste ano e tomou posse no dia 12 de Maio. É presidida pelo historiador e professor universitário Adérito Tavares e inclui o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, o presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, Ramiro Matos, o presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária do Sabugal, Jaime Vieira e por João Vila Flor, do Agrupamento de Escolas do Sabugal.
O pontapé de saída para as Comemorações do Centenário da República foi dado no passado dia 12 de Maio no Sabugal com a recriação da proclamação da República frente aos Paços do Concelho do Sabugal seguida de conferência no Auditório Municipal com a presença de muitos – e atentos – jovens estudantes.
A reunião realizada no dia 29 de Maio na Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, teve como ponto único da ordem de trabalhos a «análise e aprovação de propostas para as Comemorações do Centenário da República».
Após a apresentação pelo presidente da Comissão, Adérito Tavares, de um conjunto de propostas de actividades os elementos presentes (João Vila Flor faltou por motivos pessoais) acordaram num ambicioso e prestigioso plano de acção para as comemorações no concelho do Sabugal.
Entre as muitas actividades aprovadas a Comissão – em coordenação com o Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco – vai agendar um ciclo de conferências com personalidades como Adriano Moreira ou Manuel Braga da Cruz.
Os momentos altos das comemorações estão marcados para o dia 4 com a plantação, à tarde, de uma árvore no espaço da Escola Secundária integrada na iniciativa «A Árvore do Centenário» da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e uma palestra, à noite, a cargo de Rui Vieira Nery, seguida de concerto da Banda Filarmónica Bendadense (homenagem comemorativa dos 140 anos). No dia 5 terá lugar a cerimónia oficial comemorativa do centenário da República, com a inauguração no Museu Municipal da exposição documental, fotográfica, iconográfica, alusiva a factos e personalidades republicanas sabugalenses como Joaquim Manuel Correia e Luís Capelo e o toque do Hino «Maria da Fonte» na abertura da cerimónia e do Hino «A Portuguesa» no encerramento.
Para a história destas comemorações ficará, ainda, a edição de catálogo da exposição, de medalha comemorativa da autoria do artista sabugalense Manuel Morgado e da visita de estudo dos alunos do Curso de Assistente de Conservação e Restauro da Escola Secundária do Sabugal à Casa dos Patudos, Museu José Relvas, em Alpiarça. Recorde-se que José Relvas, um dos mais antigos do directório do Partido Republicano, foi o escolhido para proclamar a República, a 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.
«A Árvore do Centenário». Aqui.
É um programa intenso e ambicioso subscrito por uma comissão com elementos de reconhecida competência e mérito.
jcl
A judoca Carla Vaz, do Sporting Clube do Sabugal, venceu todos os confrontos no Open de Judo disputado no Velódromo da Anadia, no dia 29 de Maio, arrecadando a medalha de ouro e garantindo desde já um lugar no topo do ranking nacional para 2010. No dia 5 de Junho os judocas raianos mais novos deslocaram-se a Salamanca para participar no Torneio Internacional de Santa Marta de Tormes.
A Associação de Judo do Distrito de Coimbra, organizou, o Open previsto no seu calendário, no passado dia 29 de Maio, para o escalão de Seniores. A prova teve lugar no Velódromo de Sangalhos, Anadia, complexo de alto rendimento recentemente concluído, que proporcionou uma tarde de Judo ao mais alto nível.
Carla Vaz do Sporting Clube do Sabugal, participou na categoria de -57kg, com objectivo de colocar em prática o trabalho realizado em treino, pois o seu apuramento para o campeonato nacional já estava garantido com os pontos amealhados em Barcelos no mês passado. A atleta Raiana, sem compromissos conseguiu vencer todos os seus confrontos, arrecadando a medalha de ouro, garantindo desde já um lugar cimeiro no Ranking Nacional para 2010.
A prestação da Judoca foi de excelência, pois conseguiu em algumas situações recuperar de algumas desvantagens, mostrando já a maturidade competitiva adquirida.
A época competitiva para o escalão Sénior Nacional ainda não está acabada, pois apenas termina em Novembro com a prova Rainha (Campeonato Nacional), havendo até lá mais alguns Torneios para que os atletas que ainda não alcançaram o apuramento, consigam para além de entrar no Ranking Nacional, estar entre os 26 melhores Nacionais, para participar na prova final.
Jovens judocas sabugalenses em Salamanca
Após alguns anos sem participar no habitual Torneio Internacional de Santa Marta de Tormes – Salamanca, o Sporting Clube do Sabugal deslocou-se com cinco pequenos judocas entre 10 e 12 anos, á vizinha Espanha, no passado dia 5 de Junho, para permitir a estes atletas, para além de poderem competir com judocas de outros países, ganharem experiencia competitiva.
Estiveram presentes ainda de Portugal o Clube de Judo do Porto que também foi bem sucedido em algumas categorias de peso.
Embora a prova se realiza-se da parte da tarde, a saída foi pela manha para que os competidores pudessem desfrutar do passeio e convívio.
Os judocas mais jovens, Eduardo Castilho, Roberto Pereira (10 anos) e Mariana Vaz (11 anos) apesar de um bom desempenho nos combates, não conseguiram obter lugares de destaque. Foi nos judocas mais velhos, a entrar em idades pré-competitivas que Pedro Carreira e Emanuel Martins obtiveram a segunda e terceira posição respectivamente, nas suas categorias de pesos.
Esta é a terceira competição que estes jovens dos escalões de formação do Sporting Clube do sabugal realizam este ano, indo realizar até final da época pelo menos mais dois torneios, que estes judocas não irão certamente desperdiçar, tanto pelo aspecto desportivo como pelo aspecto social que cada um destes encontros promove nas crianças que praticam judo, pois a autoconfiança adquirida nas provas permitirá uma melhor evolução nas suas aprendizagens tanto desportivas como escolar.
djmc
A Associação das Casas Históricas de Riba Côa, que tem sede em Sortelha, entregou um requerimento na Câmara Municipal do Sabugal, solicitando acesso ao processo relativo à implantação de torres eólicas nas imediações daquela aldeia histórica de Portugal.
Miguel Esperança Pina, presidente da associação, que assina o pedido de informação, alega que se desconhece o número do processo, ignorando-se ainda elementos essenciais da obra, «porque os editais afixados na obra omitem flagrantemente todos os requisitos exigidos pela lei». Perante essa manifesta falta de elementos a associação «requer informação sobre a identidade da entidade promotora, número do processo, data da sua entrada na Câmara, organismos e entidades a que foram solicitados pareceres e informações prévios, resultado desses pareceres e informações e data dos mesmos, bem como situação actual do processo».
A petição pede ainda acesso ao próprio processo e «cópia simples da planta de implantação da mesma obra, de pareceres prévios a entidades e organismos oficiais, consultas obrigatórias e resumo das características técnicas, nomeadamente potência licenciada, número e torres e da distância de cada urna das torres eólicas em relação à vila de Sortelha, com respectivas cotas de altura máxima após a construção».
Capeia Arraiana soube que esta acção visa estudar o processo de forma a sustentar um pedido de suspensão das obras, o que poderá passar por uma providência cautelar. A causa tem apoio jurídico de uma conhecida firma de advogados e de várias personalidades, que se juntaram com a intenção de fazer tudo o que tiverem ao alcance para impedirem o prosseguimento da obra.
Muita gente de renome vem subscrevendo a petição on-line contra a «destruição de Sortelha», dentre eles o historiador e arqueólogo Francisco Sande Lemos, o presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses José Morais Arnaud, o pintor Kim Prisu, o eurodeputado Miguel Portas, o escritor Jorge Martins, entre outros.
plb
Há cerca de cinquenta anos foram construídas duas casas florestais na área geográfica de Foios e uma na área geográfica de Quadrazais. As referidas casas foram habitadas por guardas florestais, com as respectivas famílias, durante uma dezena de anos.
Os guardas tinham por missão fiscalizar as áreas de baldio que haviam sido florestadas. Nessa altura havia muitos pastores em toda a zona e era necessário e conveniente que as cabras não entrassem nas áreas florestadas.
Depois das árvores se terem desenvolvido e quando o gado já podia entrar nas respectivas áreas e também porque era desumano terem essas famílias a cerca de quatro ou cinco quilómetros dos povoados, os serviços florestais deixaram as casas ao abandono.
No princípio da década dos anos noventa altura em que Eng.º Renato Costa foi Director da Reserva Natural da Serra da Malcata e, sob proposta dele, o ICN adquiriu, aos Serviços Florestais, as três casas tendo conseguido, através da aprovação de um projecto, uma verba que foi muitíssimo bem aplicada.
As casas foram, na verdade, muito bem recuperadas e equipadas para a prática do turismo. Acontece, porém, que entretanto o Sr.Eng.º Renato Costa foi substituído e os directores vindouros nunca manifestaram grande interesse em alugar as casas, para a prática do turismo, muito embora a procura seja enorme.
Para que serviu o dispêndio da verba em causa se as casas continuam igualmente fechadas e com os equipamentos a degradarem-se? É de bradar aos Céus. Somos de facto um País que nem se governa nem se deixa governar. A quem interessará que as casas continuem fechadas e abandonadas? É, na verdade, um crime de lesa Pátria.
Numa altura em que tanto se fala no turismo rural, e vindo tantos grupos para esta bonita zona raiana, não haverá alguém que consiga dar uma ordem e pôr as coisas no devido lugar?
Reafirmamos aquilo que já muitas vezes dissemos:
Somos pobres porque nos fazem ser pobres!
Afinal no país só mandam alguns senhores?»
Queremos para todos aquilo que é de todos!
Exigimos justiça!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Decorre até 30 de Junho o prazo para apresentação de candidaturas à primeira edição do Prémio Literário Manuel António Pina, instituído pela Câmara Municipal da Guarda.
Podem candidatar-se autores portugueses com trabalhos inéditos de poesia, que cumpram os procedimentos previstos no respectivo regulamento, sendo requisito obrigatório o preenchimento do formulário de candidatura.
O Prémio Literário Manuel António Pina foi instituído pela Câmara Municipal da Guarda com o objectivo de homenagear o escritor e poeta natural do Sabugal, sendo de edição anual, e pretendendo premiar, em anos pares, poesia e, em anos ímpares, literatura infanto-juvenil.
O júri será constituído pelo vereador do pelouro da Cultura da Câmara da Guarda, por um representante da editora Assírio & Alvim, um da Associação Portuguesa de Escritores, por Manuel António Pina e por uma personalidade de reconhecido mérito, a designar pelo Município. O Prémio terá o valor pecuniário de dois mil e quinhentos euros, correspondendo este montante aos direitos de autor respeitantes à edição da obra premiada, a editar pela Câmara Municipal da Guarda em parceria com a Assírio & Alvim.
A atribuição do Prémio Manuel António Pina será feita em sessão solene, na Guarda, no dia do aniversário do Escritor, a 18 de Novembro de 2010.
Regulamento do Prémio. Aqui.
Candidatura ao Prémio. Aqui.
plb
No domingo, dia 6 de Junho, o Jarmelo voltará a ser palco de mais uma edição da sua Feira, que mais uma vez procurará promover o mundo rural de toda aquela região. Também integrado na 27.ª edição da Feira do Jarmelo, irá decorrer este ano, o 2.º Concurso Nacional Bovino da Raça Jarmelista.
No dia 1 de Junho passaram 500 anos sobre a atribuição de Foral à Vila do Jarmelo, em Santarém, por D. Manuel I, com o objectivo de ser assinalada esta importante data para o Jarmelo, o Museu da Guarda e a Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo promovem, em conjunto, a edição fac-similada do «Foral Manuelino de Jarmelo», documento integrante do importante legado do Museu da Guarda.
O livro editado apresenta textos da Prof.ª Dr.ª Maria Helena da Cruz Coelho, catedrática em História Medieval da Universidade de Coimbra, e da Prof.ª Dr.ª Maria do Rosário Barbosa Morujão, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ambas do Instituto de Paleografia e Diplomática.
Estamos assim perante uma edição de elevada qualidade, que se propõe que venha a ser um importante testemunho da grande importância histórica da Vila do Jarmelo.
A apresentação pública da edição fac-similada teve lugar no dia 3 de Junho, às 15.00 horas, no auditório da sede da Freguesia do Jarmelo – São Pedro.
Dando cumprimento às Acções do Plano Integrado de Animação Local, e procurando promover o encontro, diálogo e aproximação entre os sectores de actividade, com o intuito de desenvolver o território, bem como o intercâmbio de saberes e complementaridade entre as competências, a Câmara Municipal da Guarda, as duas Freguesias do Jarmelo (São Miguel e São Pedro), a Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, a Acriguarda – Associação de Criadores de Ruminantes da Guarda e a Pró-Raia – Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro – Norte, abraçaram novamente este ano e em conjunto, a organização da «Mostra das Actividades Económicas – Concurso Pecuário do Jarmelo / 27.ª Feira do Jarmelo», prevista no PACA – Plano de Aquisição de Competências e Animação, Medida 3.5 do PRODER – Sub Programa 3.
No dia 6 de Junho, o Jarmelo voltará a ser palco de mais uma edição da sua Feira, que mais uma vez procurará promover o mundo rural de toda aquela região. Também integrado na 27.ª edição da Feira do Jarmelo, irá decorrer este ano, o 2.º Concurso Nacional Bovino da Raça Jarmelista.
O programa será idêntico ao dos anos anteriores, procurando-se promover as tradições do mundo rural, as suas actividades económicas, o conhecimento científico, a cultura e a animação local. Pela manhã (8.00 horas) será feita a recepção dos animais a concurso. Um pouco mais tarde será aberta a mostra de artesanato da região. Durante a manhã, proceder-se-á à classificação dos animais apresentados a concurso. Pelas 11.30 horas, terá lugar, no auditório da sede da Junta de Freguesia do Jarmelo (São Pedro) um colóquio subordinado ao tema «O Mundo Rural, suporte da vida e reserva ambiental insubstituível», contando com a presença do Professor António Queirós da Liga do Amigos de Conímbriga.
Ainda antes da hora de almoço será feita a entrega de prémios aos criadores dos animais a concurso. Este ano todos os prémios das várias categorias a concurso serão, mais uma vez, oferecidos pela Câmara Municipal da Guarda. Finalizada a entrega dos prémios, será realizada uma «Degustação de Vitela Jarmelista», dando assim a conhecer a todos os presentes o produto genuíno que é a carne da vitela Jarmelista.
Para animar o recinto da Feira actuarão «As Papalvas» do Grupo de Teatro Aquilo. Na parte da tarde, vindos da aldeia dos Trinta, actuará o grupo de cavaquinhos «Selectos em Dó Menor». Para terminar terá lugar a já tradicional Garraiada onde todos os presentes poderão participar.
Durante todo o dia, estarão ainda disponíveis os mais diversos entretenimentos para todas as idades, desde os já populares insufláveis, à parede de escalada, passando pelo slide, face painting, etc…
A Casa Museu estará aberta todo o dia, o que possibilitará aos seus visitantes, um melhor conhecimento do património e das tradições de toda a região do Jarmelo.
Mais uma vez a organização espera a presença de muito e diferenciado público, que ano após anos é convidado a visitar o mítico lugar do Jarmelo, proporcionando àquele outeiro cheio de Lendas e Histórias por descobrir, uma nova vida.
São assim todos convidados a visitar o Jarmelo para passarem momentos diferentes em pleno ambiente rural.
jcl (com Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo)
A Agência da Guarda da Fundação INATEL, em parceria com as Juntas de Freguesia de Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida, organiza nos dias 6 e 20 de Junho de 2010 dois Encontros de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio.
O 8.º Encontro de Tocadores de Concertina e Cantadores ao Desafio organizado pela Fundação Inatel, delegação da Guarda, está marcado para os domingos 6 e 20 de Junho, respectivamente, em Figueira de Castelo Rodrigo e em Almeida. Esperam-se cerca de 150 tocadores.
A concentração dos inscritos será feita a partir das 11.30 horas no Largo Serpa Pinto em Figueira e no Largo 25 de Abril em Almeida. A partir das 12.30 horas decorrerá o almoço para os tocadores. Para as 14.00 horas está marcada a actuação dos participantes no Largo Serpa Pinto em Figueira e frente à Câmara Municipal de Almeida.
A Fundação INATEL desenvolve desde há cerca de 10 anos no distrito da Guarda um esforço de formação significativo na área deste instrumento tradicional, pretendendo reanimar a utilização da concertina e reforçando as tocatas dos grupos de folclore.
Este ano continuamos com os núcleos do curso de concertina em Pinhel e Seia, tendo iniciado um novo núcleo nas Freixedas. Estes dois Encontros de Figueira e Almeida são também uma boa oportunidade para um reencontro dos tocadores que aprenderam connosco.
Joaquim Igreja (Coordenador Cultural)
Um português da Bismula chamado Reis e um espanhol da Catalunha conhecido por Salvat, encontram-se em França, onde ambos estão emigrados, e falam do seu passado. Dessa conversa resulta a descrição da fantástica desventura do contrabandista Manuel José Brigas, abatido a tiro pelos carabineiros e enterrado em Espanha como um vil malfeitor.
No livro «Três Vidas ao Espelho», Manuel da Silva Ramos, revela o gozo com que se pode contar jogando com as palavras e os conceitos. Com humor, dá-se expressão a uma história fantástica, onde o drama da vida antiga dos habitantes da Bismula, no concelho do Sabugal, se mistura com as ironias da vida. Há nos textos uma espécie de efabulação criativa, exagerando com mestria as formas de vida de antigamente, introduzindo-lhe uma espécie de magia.
Toma-se recurso aos termos populares, algo esquecidos no linguajar actual, os personagens têm apelidos próprios da gente da raia e abordam-se as formas de vida das gentes de antanho nas aldeias pegadas a Espanha, que lavravam as terras e contrabandeavam. Mas no curso das descrições há uma leve transformação do real numa espécie de sonho prodigioso. Exemplo disso é a descrição da visita que Manuel José Brigas fez ao homem que fazia queijos num lugar chamado Poço do Inferno, junto à Malhada Sorda: «A porta estava escancarada e no estábulo meio destruído via-se um homem a ordenhar uma cabra. Ao lado tinha um picheiro e uma francela.» O cabreiro era também vidente e anuncia-lhe que «a morte já está à espera entre Almedilha e Espeja», com referência ao lugar onde o intrépido Brigas tombará alvejado pelo guarda civil Canário.
Para além do drama de Brigas, que se vai preparando para a morte, que sabe virá breve e de forma cruel, fala-se na vida na aldeia, onde as crianças mais fracas sucumbiam nos primeiros tempos de vida, e os habitantes que sobrevinham à mortalidade nos verdes anos, se dedicavam ao cultivo da terra agreste e se aventuravam no negócio do contrabando, desafiando a vigilância apertada das autoridades.
E na noite fatídica, nessa façanha de contrabandista, Brigas também teve de se alimentar com o que levava no farnel:
«Já no trilho de terra que condizia à Quinta das Batoquinhas parou para comer uma bucha. Já estava a andar há três horas e brevemente chegaria à fronteira e nessa altura precisaria de muitas forças.
Tirou do alforge da sua mula castanha a saca com o pão centeio e o toucinho e começou a comer. O vinho do odre fez-lhe bem e aqueceu-o. A noite arrefecera. Sabia que nestas recônditas planarias a noite era um brâmane que arejava o mundo com as suas vestes cor de açafrão.»
E o povo também prova outros sabores: «Chegámos a casa e já fumegavam as castanhas. Doce caldudo! Mergulhei a colher no líquido branco e senti-me outra vez livre. O cansaço tinha desaparecido. E à medida que comia as castanhas, uma a uma, extraídas de uma mina dourada de leite imaculado, pensava que a vida era desgostante mas um minuto de paz e sossego num lar pobre alumiado pelos troncos esbraseados de uma lareira antiquíssima valiam todos os volfrâmios do mundo.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
«…Mas o melhor do mundo são as crianças» – uma de tantas frases que imortalizou o poeta, ideias tão maravilhosas como esta e que sentimos profundamente. Ai de quem o não sentir!
Se nunca experimentou fazer de criança e brincar com elas, pois faça-o e me dirá da beleza desse encontro com a vida, a alegria, a espontaneidade e a pureza de sentimentos. Quantos Pais perdem estas oportunidades esperando a última hora para as ir buscar ao infantário ou à ama e sempre que podem se livram delas, porque são um empecilho às suas tardes com os amigos, à hora do café onde partilham seus segredos e tudo fazem para não ouvirem suas birras. Depressa crescem e fica a saudade do pouco que se brincou e a pena do que não se experimentou.
Andam por aí os direitos da criança, vistos e remexidos de tantas maneiras e tantas vezes não cumpridos, onde a guerra inclui miúdos amarrados à revolta e o desejo do lucro faz trabalhar crianças presas ao seu silêncio… Tanta coisa, afinal, a contrariar os direitos da criança que eu quero aqui deixar…
OS MEUS DIREITOS DA CRIANÇA
Quero rebolar nas folhas secas
Ouvi-las estalar sobre o meu corpo
Relaxando na frescura do caminho
Brincar na terra molhada
Amassar e fazer bonecos no lodaçal fofo e macio
Das chuvadas do quintal
Esfregar-me no chão e sujar-me todo
Para sentir o macio e o cheiro da terra-mãe
E chapinhar descalço
Como aqueles miúdos que não têm sapatos.
Tenho curiosidade em brincar na floresta
Sentir o cheiro das lenhas
Trepar e esconder-me nos ramos
Ou pendurar-me nas árvores
Ir às hortas à procura dos grilos e lagartixas
Colher amoras e figos
Ouvir o canto dos pássaros
Que se pavoneiam a debicar as alfaces
Descobrir as canções do vento
Os queixumes das searas
E perceber os segredos das abelhas
No seu zumbedouro dentro da colmeia.
Quero provar aquelas folhas tenras ao pé das levadas
E sentir a corrente de água refrescar-me no Verão
Esmigalhar as uvas nos pios
Cheirar a terra molhada no começo do Outono
E ouvir o uivo dos lobos no cimo do monte.
Deixem-me jogar à bola
Com aqueles miúdos escuros que são muito fixes e metem golos
E brincar com os meninos sujos da outra rua
Que jogam aos berlindes nas valetas.
Não me encaixotem nos centros comerciais
Onde tudo é consumismo e poluição
Onde o barulho e a confusão
Se misturam com tanta hipocrisia e futilidade
E nada têm a ver com a paz que eu procuro.
Deixem-me resvalar pelas arribas
E pendurar-me nos pedregulhos
Para ver o Sol nascer brilhante
Ou baixar vermelhão e mágico
A doirar a lua que espreita trocista
Lá por trás do mar
Onde as velas dos barcos
Aparecem devagarinho…
Deixem-me falar sozinha com as minhas bonecas
Inventar palavras que ninguém conhece
E brincar aos médicos com a mana e os primos.
Não me gritem quando não entendo
Repitam muitas vezes o que não percebi
Não me castiguem sem eu perceber porquê
E ralhem-me com aquele sorriso disfarçado…
Não se cansem com os meus porquês que me fazem «grande»
Me abrem os olhos para o difícil, o inexplicável
Deixem-me experimentar coisas perigosas
Que eu ainda nem sei porque mas proíbem
Ou brincar na rua onde os carros não me atropelem.
Sim, deixem-me fazer tudo isto
Se estiverem comigo
A brincar como crianças!
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
As autarquias locais, enquanto organizações da administração pública, devem ser solidárias com as politicas nacionais em tempos que se pretende «arrumar» as Contas Públicas. Tanto o défice como a divida das autarquias farão parte das Contas Nacionais e como tal é necessário introduzir racionalidade, onde ainda não exista, na gestão das autarquias, nomeadamente ou essencialmente nos municípios. E, esta verdade é inquestionável para mim.
Contudo, é importante reflectir e analisar o contributo do poder local tanto para o défice como para a dívida e simultaneamente verificar o contributo que esse poder local pode dar na minimização da crise social já patente na sociedade portuguesa e que irá agravar-se nos tempos próximos.
Na última crise orçamental de 2005 em que o défice foi de 6.1% as autarquias tinham um contributo de 0,5%, não sabendo qual o contributo para o défice de 2009, mas a proporcionalidade não se deve ter alterado significativamente. Em termos de divida pública o contributo anda no 1%. Sendo assim, não são as autarquias as grandes culpadas e responsáveis dos défices excessivos e da divida publica. Mas, analisando a proposta de lei aprovada em 20 Maio pelo conselho de ministros e em discussão na Assembleia da Republica, tudo levava a crer que sim.
Vejamos as propostas da lei:
– Em termos de contratação de pessoal as autarquias terão que justificar perante o governo a necessidade dessa contratação e só se o governo considerar importante dará autorização à abertura de concurso;
– Redução de 100 milhões de euros das transferências do Orçamento de Estado já em 2010;
– Proibição de contracção de empréstimos bancários, independentemente do nível de endividamento da autarquia.
(A autonomia administrativa e financeira das autarquias, consagrada na legislação subsequente à revolução de Abril, mesmo que transitoriamente está posta em causa)
Estas medidas a juntar à quebra de receitas na maioria das autarquias em consequência da situação económica das famílias e empresas, farão com que os tempos que se avizinham não sejam nada confortáveis para os autarcas.
Perante estas medidas restará a todos os municípios a necessidade de reverem os seus orçamentos de modo a acomodar a despesa à nova realidade. Reconheço que muitos municípios, terão ainda «gordura» no seu funcionamento que poderão derreter e fazer baixar as suas despesas fixas. Contudo, a muitos não restará alternativa senão ir aos seus planos de actividades e investimento e cortar nas acções ainda não comprometidas e nos apoios previstos.
E, fácil será de prever que será nas áreas sociais e culturais que os cortes serão efectuados.
Tirando os centros urbanos, a vida cultural existente é essencialmente resultado das autarquias através da oferta de teatro, cinema, musica, exposições, etc. E quando não são os municípios a «comprar» a cultura e levá-la às populações, são as autarquias que através de subsídios ajudam a manter vivas as associações culturais recreativas e também desportivas existentes no seu território.
No apoio social, muito embora as Instituições Privadas de Solidariedade Social, desempenhem um papel essencial, tanto ao nível da infância como da população idosa, para citar somente 2 áreas importantes, também todos reconhecem que é às Câmaras Municipais que recorrem quando as dificuldades são maiores.
Não será então de admirar que em muitas partes do país a actividade cultural, social e até desportiva (tirando talvez o futebol), e os apoios sociais a faixas de populações mais carenciadas sejam diminuídos. Muitos autarcas falam já em desligar a iluminação pública mais cedo de modo a não cortarem outras actividades que consideram mais essenciais.
Era importante, que as medidas de poupança e racionalização da máquina administrativa do sector público não pusessem em causa o direito a uma vida mais digna da população em geral e em particular daqueles que por opção continuam a viver no interior do país. Mas, quando é novamente anunciado o fecho de escolas do 1.º ciclo com menos de 21 alunos, pensemos que quem nos governa, estará muito pouco preocupado com a qualidade de vida, tanto das crianças que serão deslocadas, como da população dessas zonas em geral. E, também com esta medida serão os municípios a suportar os transportes escolares.
Com esta medida quantas escolas do concelho do Sabugal poderão encerrar?
Será mais uma machadada nas aldeias deste país.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt



A instalação de parques eólicos no Concelho vem sendo olhada por muitos como «o poço de petróleo» de onde pingam os euros (muitos) das rendas que as empresas concessionárias pagam. Outros, exercendo legitimamente os seus direitos cívicos, vêm levantando objecções que se prendem, sobretudo, com os impactos ambientais que as torres eólicas representam, situação bem evidenciada com o que se vem passando em Sortelha.
E porque «a música é o remédio da alma triste» a Rebolosa, através da sua Associação Social, Cultural e Desportiva, com o apoio da Junta de Freguesia, convidou todos os que gostam de passar uma tarde diferente, promovendo uma actividade musical.






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