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O Tribunal do Sabugal arquivou um processo de regulação de paternidade de uma criança de 11 anos sem solicitar a realização de testes de ADN. O insólito caso já chegou ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
O caso é insólito e vem relatado na edição de 2 de Abril do jornal «Correio da Manhã».
O Tribunal do Sabugal arquivou um processo de regulação de paternidade sem a realização de testes de ADN e o Alberto, uma criança de 11 anos, ficou sem pai.
A reabertura do processo a pedido da mãe foi-lhe negado e Maria Santos, de 43 anos, resolveu tornar pública a sua revolta. «Não vou desistir enquanto não regularizar a situação do meu filho. É uma vergonha o que lhe estão a fazer», acusa.
O triste caso que já chegou ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem remonta a 2001 quando os pais se divorciaram e o progenitor deu início ao processo de alteração da paternidade por considerar que não era o pai da criança.
De acordo com o CM «o homem que nega ser o pai do miúdo chegou a registá-lo como filho, mas depois recuou. Por isso, nos documentos portugueses, Alberto não tem pai. O mesmo não acontece na Suíça, onde reside com a mãe – como ali foi registado com a primeira cédula de nascimento, tem o nome do pai na documentação».
A mãe assume que foi convocada três vezes para vir com o filho a Portugal para fazer testes de ADN. «Como não tinha dinheiro para viajar» pediu ao tribunal para que fosse o ex-marido à Suíça fazer os exames. O que não aconteceu. Em 2003, o tribunal decidiu em favor do homem e deixou o menor sem pai.
jcl (com Correio da Manhã)
A foto que ilustra a crónica de hoje refere-se à Rua dos Pontões, no Sabugal, em 1975. Essa rua tem início junto ao estabelecimento comercial (Relojoaria) do João Manata e termina na (actual) rotunda, junto à nova ponte.
Como se pode verificar, em 1975, essa rua não possuía casas de qualquer um dos lados (pelo menos na secção que aparece na fotografia).
Aliás, devia ser uma rua pouco movimentada, já que os passeios estão completamente cobertos de erva, o que significa que nem os peões circulavam neles.
Automóveis estacionados também não se viam nenhuns.
Hoje a rua é bem diferente. Há casas e estabelecimentos comerciais, em ambos os lados da rua. Também existe o edifício da Telecom no final da rua (já perto da rotunda). Os automóveis estacionados de ambos os lados da rua, não deixam nenhum espaço livre.
Quem diria, em 1975, que essa rua, quase sem movimento, seria como é hoje!!!
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
A equipa de futebol do Sporting Clube do Sabugal fez história no Municipal da Guarda ao conseguir arrebatar a Taça de Honra da Associação de Futebol da Guarda, num jogo muito disputado com a equipa de Gouveia, que face ao empate final a duas bolas, obrigou à disputa por grandes penalidades
A final da Taça Professor Madeira Grilo de Honra, disputada ontem, dia 3 de Abril, foi para a equipa do Sabugal o culminar duma caminhada que, por coincidência, também começou na cidade da Guarda, com uma deslocação ao terreno do Mileu, cujo jogo também foi ganho através de grandes penalidades. Desde esse dia, o Sabugal eliminou sempre, na qualidade de visitante, as equipas de Pala, do Soito, de Manteigas (este no Municipal do Sabugal) e, finalmente, a grande vitória sobre o Gouveia na Guarda.
Durante os noventa minutos da final só uma equipa pretendeu vencer o jogo e essa equipa foi o Sabugal, pois desde o primeiro minuto lançou-se deliberadamente ao ataque. O Gouveia só em esporádicos contra ataques conseguia chegar à baliza do Sabugal, porém no primeiro remate à baliza conseguiu marcar. O Sabugal continuou a carregar e conseguiu o empate por Ricardito. Com uma eficácia impressionante o Gouveia voltou a adiantar-se no marcador através duma grande penalidade inexistente, pois o lance foi fora da grande área, assim se chegando ao intervalo com o resultado favorável ao Gouveia por 1-2.
Na segunda metade acentuou-se o domínio do Sabuga, mas continuando a falhar golos de forma incrível. Nestes segundos 45 minutos há a registar apenas dois remates sem perigo do Gouveia à baliza adversária, e por aqui se vê o domínio avassalador do Sabugal, que viria a ser recompensado com o golo do empate. Marcou de novo Ricardito na transformação duma grande penalidade cometida sobre Nuno Marcos.
Tal como prevêem os regulamentos, findos os 90 minutos com um empate no marcador, passou-se de imediato à marcação das grandes penalidades para decidir o vencedor. Aí brilhou a grande altura o guardião do Sabugal, de seu nome Fred, que se tornou o herói do jogo ao defender três penaltis, colaborando assim de forma decisiva para a vitória da sua equipa.
Por fim, temos a registar a falta de fair-play da equipa do Gouveia, que abandonou o recinto de jogo sem ter recebido as medalhas correspondentes ao segundo lugar.
Um último apontamento direccionado para a Junta de Freguesia do Sabugal, que disponibilizou os autocarros necessários para o transporte dos adeptos que foram apoiar a equipa, e nesse campo o Sabugal goleou o adversário.
Nesta hora de alegria não pode passar em claro uma menção para a equipa de iniciados do Clube que, ao vencer o Freixo de Numão por 14-0, conseguiu o apuramento para a fase final da competição, onde se vai decidir o campeão distrital, a sair das equipas do Sabugal, Aguiar da Beira, Seia e NDS Guarda.
Carlos Janela
Passou mais um ano sobre a importante batalha do Sabugal, que aconteceu em 3 de Abril de 1811, no quadro da guerra peninsular. Para o ano fazem-se 200 anos e até ao momento nenhuma autoridade responsável avançou com a ideia de evocar esse momento histórico.

O exército do marechal Massena, cuja fama de estratega militar só era superada pela do próprio imperador Napoleão Bonaparte, tinha batido em retirada após não ter sido capaz de atravessar as Linhas de Torres Vedras e tomar Lisboa. O segundo corpo, comandado pelo General Reynier cumprira as ordens do marechal e instala-se no Sabugal, onde foi surpreendido pelas forças anglo-lusas de Wellington, que atacaram o seu acampamento no sítio do Gravato obrigando-o a retirar para Espanha.
Massena não queria desistir da conquista de Portugal e o seu recuo era apenas estratégico.
Não conseguindo entrar em Lisboa, os 65 mil homens do exército francês fixaram-se em Santarém, onde estiveram durante semanas aguardando reforços. Mas o caso é que os franceses ficaram isolados, sem conseguir estabelecer comunicações com os restantes corpos de exército que operavam em Espanha e desconhecendo por completo se as restantes movimentações ordenadas pelo imperador se estavam a cumprir. Cansado de esperar e já com imensas dificuldades em alimentar o seu exército, Massena decidiu recuar. Fê-lo de forma controlada, mas seguido de perto pela tropa de Wellington.
Quando conseguiu comunicar com os corpos de exércitos que operavam em Espanha, verificou o ponto da situação: a sul o marechal Mortier conquistara Badajoz e Campo Maior e tinha ali estacionadas forças consideráveis; o marechal Bessiéres marchava com um corpo de exército para Ciudad Rodrigo, vindo do norte de Espanha. Face a esta realidade Massena elaborou um plano audaz, disposto a relançar a invasão: abandonar na fortaleza de Almeida, tomada pelos franceses, os doentes e feridos e tudo o mais que embaraçava os movimentos do seu exército e seguir pelo vale do Côa até ao Sabugal, depois para Belmonte e Penamacor, entrar em Espanha, atravessar Coria e encontrar-se com o exército de Mortier em Alcântara. Dali lançaria uma forte ofensiva sobre Lisboa, seguindo desta vez pela margem esquerda do Tejo.
O arrojado plano de Massena de fazer uma ofensiva pelo Alentejo, confrontou-se porém com a recusa do marechal Ney, que comandava o 6º corpo, em obedecer a essas ordens, o que levaria à sua exoneração e substituição. Esta contrariedade fez-lhe perder o tempo suficiente para que Wellington, apercebendo-se de que a movimentação que os franceses ensaiavam não era lógica, avançasse para o Sabugal, onde já estava a vanguarda de Massena, e aí atacasse o corpo do general Reynier, infligindo-lhe uma derrota
Com a linha de operações interceptada, e um corpo de exército destroçado, nada mais restou a Massena que mandar retirar todas as suas tropas de Portugal, assim terminando a terceira invasão.
Foi esta a importância histórica da Batalha do Sabugal na guerra peninsular. Foi decisiva, na medida em que fez desistir os franceses de tentar invadir o nosso país. De facto, permaneceram mais dois anos em Espanha, mas não mais tentariam ocupar o solo português.
É possível que as entidades do concelho não se aponham à tarefa de comemorar os 200 anos da Batalha do Sabugal, mas fica a promessa que no ano que vem o Capeia Arraiana voltará a evocar a data.
plb
O escritor da serra da Estrela e dos serranos que partiram em diáspora, fala-nos das ansiedades e das aventuras dos que nasceram nas encostas batidas pelo vento, sem nunca esquecer as referências às ementas tradicionais dos portos onde acosta esta gente errante.
Gabriel Raimundo nasceu na falda sul da serra, na vila do Tortosendo, de onde emigrou aos 17 anos, passando a viver a aventura dos que procuram melhor sorte em terras longínquas. Esteve em vários países da Europa e de África e também pisou as terras do Brasil. O gosto pela língua portuguesa e pelo povo serrano, levou-o a escrever e publicar vários livros, muitos deles tendo por base a aventura da emigração.
Sentindo o apelo das origens, Gabriel Raimundo deu à estampa um livrinho dedicado por inteiro aos que nasceram e viveram nas terras acolitadas na serra mais alta de Portugal. Intitulado «Estrela», o livro dá-nos conta das vivências das mulheres e homens serranos, revelando-nos o seu carácter, as ansiedades e os problemas que os afligem.
O livro é formado por um conjunto de contos, ou de crónicas, sobre a vida de tortosendenses e covilhanenses, criados ao som dos teares mecânicos, num sinal da industrialização têxtil, que é uma das marcas da região.
Não raro, o cenário é de outras urbes. A narrativa leva os personagens a Lisboa , aos Açores, à Madeira, ao Alentejo, e também a Paris e a terras de Espanha, mas volta sempre à terra-mãe. Dinis, e o seu irmão Amável, serranos típicos, amigos dos seus amigos, e homens dados a aventuras, estão quase sempre presentes nestas crónicas serranas, em que as vivências se sucedem.
São sucessivas as referências à gastronomia das terras por onde a acção decorre. Estando-se no Natal come-se a bacalhoada em família, viajando-se até ao Funchal, vem à colação o famoso bolo do caco, falando-se nos emigrantes de Paris, lá está a inevitável tachada de franco com massa, que era o mais usual prato da sua frugal alimentação.
Mas a mais significativa referência à gastronomia está na alusão aos amigos que se juntam na Taverna 2005, «cantinho convidativo à paródia e ao soltar da veia do fado vadio». O estabelecimento é local de petisqueira e arregimenta nas tardes de súcia «bons trabalhadores do garfo e do caneco». Hermínio, primo de Dinis e de Amável, juntou ali aos seus amigos das patuscadas a fim de emborcarem umas dezenas de tordos e um coelho bravo, a preparar por «mulher que em França assimilou todas as propriedades especiais do aromatismo, desde a flor de sabugueiro à de carqueja».
Contavam-se estórias, debatia-se o presente e o futuro da região, quando a comida veio à mesa:
«Os compinchas bateram palmas e pediram a D. Tangera que avançasse com a travessa de coelho bravo na sua caminha de carqueja e ainda agasalhado com salsa, rodelas de cebola e limão, acompanhado de umas batatinhas cozidas com molho, ao paladar da experiente cozinheira».
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
No Inverno, a natureza adormece de mansinho. Os canteiros ficam despidos de verde, sem perfume e a semente repousa…Tudo descansa. Nos parques, os baloiços perdem as risadas. É o silêncio… Vem a Primavera. É a Passagem para a vitória dos campos que começam a redescobrir o verde e a encher-se flores. Do outro lado, a Páscoa ou Peschat que se revela nos altares das Igrejas de cor roxa. No silêncio, se reza na calçada a Via-sacra e na Igreja o cântico solene é triste e recorda o…
POESIA
Hecce Homo
preso injustamente…
Tantos presos
Pelas injustiças sociais
Os exageros
As exigências,
As descriminações raciais…
Outros presos ao seu orgulho,
À sua raiva
À avareza
Ao egoísmo…
Cada passo Seu
É o caminho de todos
Os que em grupo se encontram
Se ajudam, se amparam.
Ele cai
Humanamente cai,
Frágil…
E tantos que caem
Caem na verdade não aceite
Que não cabe no coração dos homens
Nalguns corações apertados.
Limpam-se as casas,
Se erguem os corações
Que Ele no alto da Cruz
Se desprende.
Na manhã de Domingo
É a vitória
A doce madrugada.
As flores se reabrem
O campo reverdeja
Voltam os chilreios alegres.
Com eles a madrugada
A alegria que viceja.
Ele vence a morte
Faz Nova Aliança
Nos lembra o valor da Vida.
E se Eleva!
É a Vitória dos que não se deixam esmagar pela injustiça, o desânimo, a discriminação… e se tornam eles próprios conscientes pela manutenção dos seus valores, na luta pelas verdades em que acreditam. Desejo a todos esta Verdadeira Páscoa.
Excerto dum poema Peschat do livro «Ecos do Meu Pensar»
«O Cheiro das Palavras», crónica de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Esta semana morreu com 87 anos o Senhor Pires, filho do antigo proprietário da padaria e do cinema D. Dinis do Sabugal.
Tive o privilégio de ter convivido com a família Pires, enquanto criança com a Senhora Zézinha, ainda prima de minha avó Isabel, mas sobretudo nos anos 80, quando vindo estudar para Lisboa me acolheram em sua casa, onde vivi 6 anos. A toda a família o meu agradecimento, gratidão e o meu Bem-haja E foi como forma de homenagem ao Sr. Pires que esta crónica surgiu, até porque reencontrei os filhos (Tó Mané e Zé Quim) que não via há bastante tempo, e com quem nesta semana pude lembrar e relembrar tempos passados. Está claro, que o cinema nosso refugio nos finais dos anos 70 foi lembrado.
O edifício, localizado no ainda largo do cinema, foi construído segundo me foi dito, nos meados dos anos 40. Por ele passou muita da vida do Sabugal, das suas gentes, dos seus costumes. Tenho dele uma vaga ideia, da altura que ainda projectava filmes. Lembro-me da cortina vermelha (seria vermelha?) que separava a porta de entrada da sala. Lembro-me do Sr. David na figura de porteiro e lembro-me de ter lá visto alguns filmes, sem ter contudo, qualquer recordação exacta de quais.
O cinema morre.
Depois vem Abril e as recordações, estas sim já bem presentes, trazem-me de novo os hinos da revolução: são os encontros com o MFA, as sessões de esclarecimento dos partidos políticos, o despertar dos sabugalenses para a realidade política e social que se vivia.
Foi ainda naquela velha sala, já sem actividades regulares, que tive contacto com o teatro, eu, e provavelmente muitos dos jovens da minha idade quando um grupo de jovens sabugalenses, universitários em Lisboa, levou à cena a peça de Bernardo Santareno «O Crime da Aldeia Velha».
Ainda na década de setenta, a sala serviu para passar algumas fitas, mas acolheu igualmente os Bailes de Finalistas – foi lá que o baile de finalista do meu ano, se realizou e foi sala de ensaio do grupo musical «Stradivarius». Mas, as melhores recordações que tenho do edifício, foi quando uma parte dele se transformou no primeiro e único clube privado do Sabugal.
Uma tarde andávamos algures pelo Sabugal e o Zé Quim, lembrou-se que um dos espaços do cinema (ainda com condições de segurança) daria uma boa sala de estudo. Pensou e concretizou. Nessa mesma tarde fui a casa, onde tinhas umas latas de tinta, e começámos a pintar as paredes.
Não me lembro se a «sala de estudo» ficou pronta nessa tarde. Lembro-me sim, que esse espaço baptizado, por nós, de Bataclâ, rapidamente passou a ser a disco que não existia, o espaço dos amigos, o sítio das nossas vidas. Ainda hoje muitos se lembram das tardes lá passadas, dos amores por lá havidos, do tempo das descobertas.
Hoje do antigo cinema, restam memórias e no seu lugar, ergue-se um prédio de alguns andares. Era condição do licenciamento do Paliz Hotel, continuar a existir uma sala de cinema – nos primeiros anos, após a construção ainda existia a placa a identificar o cinema – hoje não sei se anda por lá. Mas, os compromissos nunca se concretizaram, e perdeu-se o espaço, construindo-se outro é verdade, mas sem o cheiro e a essência do passado.
São recordações de criança, recordações de adolescente, recordações de uma terra que é a nossa. Não tenho dúvida que aquele velho edifício, para muitos dos sabugalenses, faz parte do filme da sua vida.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Já aqui falei da versão de Alice no País das Maravilhas assinada por Tim Burton, filme que me desiludiu de certa forma. Pelo contrário o mais recente filme de Terry Gilliam, também passado num universo fantástico, foi uma grande surpresa.
«Parnassus – O Homem Que Queria Enganar o Diabo», assim se chama a última realização de Terry Gilliam, o Monty Python americano, que ficará também para a História como o último filme do malogrado actor Heath Ledger, falecido precocemente em 2008, quando tinha apenas 28 anos e uma promissora carreira pela frente. Mas o actor australiano não é o Parnassus que dá título ao filme. Parnassus, interpretado por Christopher Plummer, é um monge que para conquistar a imortalidade faz uma aposta com o Diabo. E que diabo: o cantor Tom Waits num papel que parece mesmo ter sido feito à sua medida. Mas as reviravoltas do destino levam o monge a voltar a ser mortal e acaba por fazer uma troca com o demónio: a sua filha passa a ser do Diabo quando fizer 16 anos.
A acção passa-se assim nas vésperas do aniversário da jovem, quando Parnassus, já bastante velho, tenta dar a volta ao destino. A solução é proposta pelo próprio Diabo, que lhe apresenta uma nova aposta: o primeiro a conseguir cativar cinco almas fica com a rapariga. É aqui que os mundos e universos mágicos ganham vida, pois para conquistar as tais almas Parnassus tem um espectáculo circense com um estranho espelho que mais não é do que um portal para a imaginação da assistência. Quem passar pelo portal vê o que gostaria de ver. Quando o tempo está prestes a esgotar-se entra em cena a personagem de Heath Ledger, que vai ajudar o herói a tentar enganar o Diabo. Se consegue ou não, não o direi, o desfecho fica para quem o vir.
De realçar que este filme esteve em risco de nunca ver a luz do dia. Tudo porque a morte inesperada de um dos actores principais veio intrometer-se nos planos de Gilliam durante boa parte das filmagens. Solução: recorrer a duplos completamente diferentes de Ledger, mas cuja fisionomia passa bem pelo argumento, pois estes só entram em cena quando a personagem passa pelo portal. E aqui o realizador teve um golpe de sorte, ao ter a ajuda de três amigos de Ledger para interpretar a sua versão para lá do espelho: Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. Daí no final do filme esta aventura ser dedicada a Heath Ledger e a um dos produtores que faleceu antes da estreia e vir assinado como sendo feito pelos amigos do actor.
Um universo bastante recomendável.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
A Casa do Concelho do Sabugal comemora este ano o seu trigésimo quinto ano de existência.
Sábado passado, a convite do Presidente da Casa do Concelho do Sabugal tive o prazer de estar presente no almoço comemorativo dos seus 35 anos.
E tive o prazer, pois ali estive por vários motivos, qual deles o mais significativo:
– Não pertencendo ao núcleo dos sócios fundadores, foi a acção do grupo de sabugalenses a que pertencia desde 1972 que permitiu que, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, os sabugalenses em Lisboa se começassem a reunir na Associação do Instituo Superior Técnico;
– Devo ser um dos sócios vivos mais antigo – 11 de Novembro de 1974;
– Pertenci, por várias vezes, aos Corpos Gerentes, quer no Conselho Auxiliar, quer na Direcção, quer na Assembleia Geral, quer no Conselho Fiscal;
– Sou, e estive presente nessa condição também – apesar de haver quem tenha tentado durante esta semana esconder…–, como Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal.
Como se vê, razões mais que suficientes para me congratular e congratular todos os Associados e Dirigentes por mais um aniversário da nossa «Casa».
Sei que os actuais corpos directivos tudo estão a fazer para que a Casa do Concelho seja cada vez mais activa e melhor, e por isso não quero deixar passar esta oportunidade para aqui deixar um pequena reflexão sobre o que, quanto a mim, devia ser a Casa do Concelho do Sabugal.
Na verdade, e penitenciando-me por, das vezes que tive responsabilidades directivas, não ter contribuído mais e melhor para tornar a Casa ainda melhor, penso que ainda não foram cumpridos, na íntegra, os objectivos que os fundadores e primeiros associados queriam alcançar.
E para que se perceba o que quero dizer, basta a leitura atenta dos Estatutos publicados, começando pelo seu Artigo 3.º que diz: «A Associação prosseguirá a valorização económica, social e cultural do Concelho».
E no seu Artigo 4.º, os Estatutos são ainda mais claros, ao definir como fins da Casa do Concelho do Sabugal:
«a) Promover o estudo dos recursos naturais, com vista a fomentar o desenvolvimento económico, social e cultural da região;
b) Defender e valorizar o património histórico-monumental e artístico do concelho;
c) Patrocinar realizações de carácter cultural, artístico e recreativo, concorrendo, assim, para uma maio formação dos sócios e habitantes da região;
d) Solicitar a colaboração dos organismos oficiais, no sentido de fazer acelerar e executar os fins da associação;
e) Prestar toda a cooperação às iniciativas que visem o desenvolvimento do concelho;
f) Fomentar a solidariedade de todos os sócios e habitantes da região e concorrer para a sua maior formação, designadamente através da aproximação das associações locais.»
A comemoração deste 35.º aniversário, deveria ser assim, e no meu entender, o momento ideal para que os actuais Corpos Directivos, em especial a sua Direcção, iniciassem um processo de reflexão colectiva sobre o que deve ser o futuro da Casa do Concelho do Sabugal resolvidas que começam a estar questões como a sobrevivência financeira e, mesmo, legal, num momento em que existe apoio total da Câmara Municipal, e num momento em que mais sócios se disponibilizam para colaborar.
Gostaria que entendessem estas palavras não como uma crítica a ninguém, e pela minha parte, declaro-me desde já disponível para participar nesse processo de reflexão colectiva.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
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