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A polémica que, de repente, se levantou por causa da instalação de sistemas de produção de energia eólica nas serranias perto de Sortelha, leva-me a tomar uma posição que, como sempre, é a minha.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Em primeiro lugar as questões técnicas.
Portugal é um dos países da Europa mais dependentes do exterior do ponto de vista energético: a energia que consumimos é produzida a partir do petróleo (importado), do gás natural (importado) e do carvão (importado).
Alternativas, duas, técnica e financeiramente aceitáveis, ambas com fortes impactos ambientais: hídrica, aproveitando a energia das águas dos rios, obrigando à construção de grandes barragens; eólica, instalando torres de grande dimensão, nos locais onde há vento, logo impondo-se a paisagens muitas vezes de elevada qualidade.
Há ainda mais três alternativas: solar fotovoltaica, hoje de elevado custo financeiro e exigindo a reserva de áreas de grande dimensão; hídrica, aproveitando a energia das ondas, quase que em regime ainda experimental e de pequena dimensão; e a energia nuclear, cujos custos económicos e ambientais ainda não estão claramente avaliados, venha quem vier dizer o contrário.
Em segundo lugar, os interesses inconfessáveis, os daqueles que com falinhas mansas vêm defender o seu próprio bolso, levantando questões e lançando para o ar mentiras como verdades, como vem acontecendo, em parte, com os defensores dos interesses instalados ou de potenciais novos investidores na área energética. E essa de produzirmos energia a mais, só vindo de quem veio…
Dito isto, qual é a minha posição em relação às eólicas em Sortelha, mesmo que com esta posição desagrade a muitos dos meus amigos?
1. Defendo de forma intransigente a opção eólica face às opções mais poluentes (petróleo, gás ou carvão) de produção de energia, ou mesmo ao nuclear;
2. Não entendo que uma torre eólica seja mais perturbadora da paisagem que uma torre de média tensão ou outro qualquer obstáculo físico que pode, por exemplo, ser uma simples casa construída em materiais ditos modernos ou em uma qualquer antena parabólica no telhado ou na parede de uma casa de granito.
3. Não considero que os visitantes de Sortelha deixem de visitar esta aldeia por causa das eólicas.
E tendo esta opinião, tenho, no entanto, de deixar aqui um alerta a quem de direito.
As questões técnicas nem sempre devem ser a base para uma tomada de decisão.
Não duvido que técnicos de grande «sabedoria», sentados nos seus gabinetes em Coimbra ou em Lisboa, concluíram, depois de largos meses de «reflexão profunda», que em Sortelha havia bom vento e terras disponíveis. Também não duvido que esses mesmos técnicos concluíram que não eram afectados os ecosistemas existentes, nem as linhas de água. Igualmente estou certo que tomaram a sua decisão de boa fé.
Mas duvido muito que esses mesmos técnicos se tenham colocado na posição do cidadão que vive ou trabalha em Sortelha. Duvido que tenham pensado em Sortelha e na sua importância histórica. Duvido que tenham estudado localizações alternativas que minimizassem os impactos das torres na paisagem que se avista de Sortelha.
Mas duvido ainda que da parte de muitos dos conterrâneos e amigos que se declaram contra a instalação destas torres haja o conhecimento sobre o local onde vão ficar e do real impacto das mesmas sobre a paisagem.
Dito tudo isto, penso que seria mais prudente que os responsáveis pelo licenciamento da instalação das eólicas e os investidores reestudassem o assunto, não na perspectiva de inviabilizar a sua instalação, mas sim tentando encontrar uma localização alternativa que diminuísse os impactos sobre a paisagem de Sortelha.
E digo que seria mais prudente da parte dos dinamizadores do movimento contra a instalação das eólicas em Sortelha que adoptassem uma posição de diálogo e de concertação com as entidades decisoras e com os investidores no sentido de se encontrar uma solução que servisse os interesses de todos.
Neste como noutros casos, o bom senso deve ser a bússola de todos…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O famoso restaurante português Pedra Alta junto ao aeroporto de Orly, nos arredores de Paris, foi «visitado» por dois malfeitores na noite da passada segunda-feira.

Paulo AdãoEm pleno serviço de jantares, o famoso restaurante português, Pedra Alta, em Athis Mons, junto ao aeroporto de Orly, foi alvo de uma visita inesperada. Perto da meia-noite, quando se servia o jantar a cerca de 70 pessoas, dois homens chegaram de mota e entraram no estabelecimento com os respectivos capacetes. Um deles aponta uma arma para a sala o segundo aponta directamente a um empregado, exigindo de seguida que lhe entregasse a dinheiro da caixa. O empregado tentou explicar que não possui a chave recebendo em «troca» uma pancada de pistola na cabeça. O director-adjunto, tentou nesse momento extrair a chave do bolso, mas o gesto surprenendeu talvez os malfeitores que interpretando mal o gesto acabaram por disparar, atingindo-o no peito. «Um ferimento, que felizmente se revelou superficial», esclareceu o gerente Hélder, que chegou ao local momentos depois do assalto.
Restaurante Pedra Alta - ParisO proprietário do restaurante explicou ainda que «os estragos poderiam ter sido piores e mais graves, pois a bala que atingiu o director-adjunto fez ricochete num pilar e poderia ter atingido algum dos muitos clientes que assistiram a tudo impotentes.
Os malfeitores acabaram por fugir, como tinham chegado, de moto, levando com eles a totalidade das receitas da noite, alguns milhares de euros, deixando ainda as palavras intimidatórias: «Não se mexam, ou terão muitos problemas.»
Alguns clientes ficaram em estado de choque e tiveram de ser transportados ao hospital.
Alguns dos clientes, ficaram no local dando o apoio e a ajuda necessária aos 25 empregados e gerente deste restaurante, reconhecido pelos peixes e mariscos, cozinhados à boa moda portuguesa.
O serviço retomou normalmente no dia seguinte e a direcção promete reforços nas medidas de segurança.
(Texto adaptado de notícias em jornais franceses.)
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A ordem de expulsão dos judeus de Portugal, foi de 1496, no seguimento de pedido expresso dos reis católicos, por ocasião os esponsais do nosso D. Manuel, com a filha destes, Isabel.

João ValenteNão foi uma decisão pacífica do conselho régio, uma vez que as vozes contra argumentavam com o grave prejuízo para o comércio, finança, saberes e ofícios que os judeus tradicionalmente se ocupavam, além de que muitos países, geralmente do Norte da Europa, mantinham comunidades de judeus com bastante proveito para os respectivos países.
As vozes concordantes argumentavam com a questão da unicidade religiosa do país, e o facto de os países com quem tínhamos mais estreitas relações diplomáticas, como Espanha e França, o terem feito.
Venceu esta última facção, com a tese de que era de bom imitar e não melindrar os nossos vizinhos mais próximos.
Esta mania das aparências, não é só de agora, quando emprestamos setecentos e cinquenta milhões à Grécia, e não temos nem para alfinetes… Vem no genes português! É um fado!
E assim a comunidade judaica recebeu ordem de conversão, ou em alternativa, de expulsão forçada por mar para Marrocos. E com eles expulsaram-se também os poucos mouros que ainda havia.
Esta música, documentando o facto, foi bem conhecida em Portugal no tempo de D. Manuel, e perdurou no cancioneiro popular pelo menos até ao século XIX. A letra é em espanhol, o que indicia que a sua origem é castelhana e mais antiga, porque aí o édito de expulsão ser anterior. Ao que consta, o padre José Anchieta, que também era um excelente músico, compôs uma missa, entretanto perdida, com base neste estribilho.

Pauta Musical (1)

E a judios
À enfardelar
Que mandan los reys
Que passeis la mar.

Como de aparências vivemos, e porque o país não podia dar-se ao luxo de perder uma comunidade economicamente tão importante, deixaram-se embarcar alguns, e aos restantes que não conseguiram embarcar por falta propositada de barcos, arrebanharam-se como gado e baptizaram-se a caldeirinha e hissope.
Salvamos a face e a coroa arrecadou uns cobres dos confiscos e das multas.
É também desta altura um canção que retrata a sina de um judeu, que fugindo de Espanha, lhe confiscaram-lhe todos os bens. Protestou para a justiça do rei e, passado um tempo, foi mandado apresentar-se na praça pública, onde lhe foi lida a sentença, que ele interrompia com apartes. É assim o refrão:

Pauta Musical (2)

Manda El rei nosso Senhor…
Bueno!
Que se llhe dê…
Mejor!
Duzentos mil…
Gracias.
Açoites.
Vá El rei à la…

Toda esta prosa para quê, pergunta o caro leitor. Só para dizer que hoje vim das finanças e sinto-me como o judeu confiscado; con ganas de mandar tudo esto à la…
À enfardelar, que mando yo!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Hoje, dia 13 de Abril, de 2010, a «Ti Maria do Rito» cumpriu a bonita idade de cem anos. A Junta de Freguesia não quis deixar passar esta data em claro pelo que propôs à família a realização de uma pequenina festa.

Foi com a Irene Leal, neta da aniversariante, que programámos. A Irene, com formação superior na área das artes, desenhou, a carvão, a cara da avó que ficou uma autêntica obra de arte. No final ofereceu um exemplar à maioria das pessoas que estiveram presentes.
Como a padaria dos Foios também tem a componente de pastelaria encomendámos um bolo para cerca de três dezenas de pessoas. O João José, pasteleiro, confeccionou um bolo, que ficou muito bonito, com as três velinhas. Um 1 e dois zeros.
No átrio do Centro Cívico foi colocada uma mesa, coberta por uma bonita toalha, com um ramo de flores decorativas.
A aniversariante sentou-se numa cadeira no centro da mesa. Familiares e amigos distribuíram-se pelo espaço. O Presidente da Junta dirigiu umas palavras à Senhora Maria e respectiva família. Agradeceu a presença de todas as pessoas e, de seguida, o Sr. Padre Carlos Martins, que todos os dias faz uma visita à «Ti Maria», dirigiu também umas simpáticas palavras.
De seguida a Amélia Dias leu um lindíssimo poema, da sua autoria, subordinado ao tema «Envelhecer».
Cantaram-se então os parabéns a Você e a «Ti Maria» soprou e apagou as velas com toda a genica.
O Sr. Presidente da Câmara não podendo estar presente, devido a compromissos assumidos, telefonou a dizer que a Câmara se associava ao acto.
Pediu para transmitirmos os parabéns à aniversariante e respectivos familiares. Disse ainda que a Câmara assume o pagamento do bolo visto haver uma deliberação camarária em relação a todas as pessoas que, na área do Município, atinjam a bonita idade dos cem anos.
Ficou muito bem assim. A Câmara pagou o bolo e a Junta de Freguesia as bebidas.
O Presidente disse que brevemente se deslocaria aos Foios para poder dar um beijo de parabéns à aniversariante.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

Conforme notícia divulgada há poucos minutos pelo «Público on-line» uma das duas crias de Lince Ibérico nascidas em cativeiro no centro de reprodução de Silves no dia de Páscoa faleceu este domingo.

Lince Ibérico - Serra da MalcataFoi divulgado apenas esta noite pelos responsáveis pelo Centro de Reprodução de Silves que morreu no passado domingo uma das duas crias de lince ibérico nascidas em cativeiro há uma semana.
Esta demora foi motivada por uma análise pormenorizada das razões do óbito. De acordo com a informação de Sandra Moutinho ao mesmo jornal que «nos resultados da autópsia a cria não apresentava sinais de maus tratos, rejeição ou malformações».
«As duas crias de lince ibérico estiveram sempre bem até domingo, dia em que uma delas morreu de causa aguda e de forma rápida», explicou, por seu lado, o director do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, Rodrigo Serra.
No entanto nas próximas semanas serão feitas várias análises e testes. Para nossa alegria a outra cria nascida também a 4 de Abril encontra-se de perfeita saúde. O Capeia Arraiana deseja-lhe vida longa.
È também importante realçar que a mãe já se encontra mais calma. Este lince fêmea (azahar) foi um dos primeiros animais a chegar ao nosso país cedidos pelo Zoobotânico de Jerez de la Frontera em Espanha.
aps

Cada época histórica produz e propaga um determinado sistema de valores. A que presentemente atravessamos institucionalizou a destruição da moral e da ética, da verdade, da amizade e da solidariedade.

António EmidioSubstituiu esses valores por outros falsos que elevou à categoria de absolutos, eleitos pela ideologia do cálculo e do lucro.
Penso às vezes, e tenho a certeza, que sou um anacronismo no actual momento histórico, um inadaptado, talvez seja a palavra mais certa. Por isso sou um exagerado, às vezes, quando ataco este sistema político/económico que nos rege. Mas ao olhar à minha volta, noto que peco por o não atacar mais contundentemente.
Vou deixar-lhe aqui querido leitor(a), um pequeno grande exemplo da institucionalização da mesquinhez.
Numa reunião a que assisti, e que versou sobre a avaliação e desempenho na Função Pública, foi dito pelo orador, e está em Decreto, que a atitude pessoal do funcionário não conta na altura de ser avaliado, o que conta somente são os resultados. No dicionário de português, atitude significa MODO DE PROCEDER. Daí se conclui que não interessa como se conseguiram os resultados, o que interessa é que tenham aparecido. Isto é um convite à luta de todos contra todos, ao egoísmo, ao individualismo levado ao extremo, à falta de solidariedade, à má educação, à indelicadeza, e à falta de consideração pelos colegas.
Os homens e mulheres, os verdadeiros ideólogos do sistema, que fazem estas leis, são aqueles burocratas imbuídos de falso liberalismo e de uma aversão à Democracia, que principescamente pagos, enxameiam ministérios e secretarias de estado
De uma incompetência inaudita, e incapazes de solucionar os problemas que nos afligem. Antes pelo contrário! Cada vez nos arranjam mais situações desesperadas, a que actualmente vivemos é uma bancarrota social, que está a preceder a económica, esta última não tardará muito.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

As sepulturas antropomórficas do concelho do Sabugal estão a ser alvo de um levantamento arqueológico. «Rochas da Morte» é o título da reportagem em Aldeia Velha da LocalVisão Tv da Guarda assinada pela jornalista Paula Pinto com imagem de Marcos Prata.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

Foi no passado fim-de-semana, solarengo como já não se via este ano que decorreu mais uma «Feira Medieval» na Aldeia Histórica de Castelo Mendo com o cunho da Câmara Municipal de Almeida e participação da Junta de Freguesia de Castelo Mendo.

Começou por ser uma feira anual de fumeiro e enchidos só no exterior da aldeia.
A partir de 2006 passou a denominar-se de Feira Medieval e a ocupar o interior e exterior trazendo animação de rua e espectáculos de encenação medieval.
Este ano foi um sucesso a afluência de pessoas foi elevadíssima. Segundo os populares todos os anos a vinda de público aumenta.
No percurso das barracas dos tendeiros espalhados pelas ruas encontrava-se uma de venda de enchido que tinha expostos inúmeros artigos onde se destacava o Bucho Raiano. O que prova que o bucho já no tempo de dom João I era uma iguaria, digo eu. Após conversa com Paulo Manso do Cabo, o proprietário desta tenda, este informou-me que fez uma pequena fábrica de raiz para a produção de enchidos e salsicharia em Pínzio, no concelho de Pinhel, de nome «A Lareirinha».
O Bucho Raiano está vivo e bem vivo.
Terras Saraiva

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 11 de Abril de 2010.

Local: Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida.

Protagonista: Paulo Manso, produtor de buchos de Pínzio, concelho de Pinhel.

Autoria: Paulo Saraiva.

Legenda: Janelas históricas de oportunidades em Almeida. O Bucho (feito «a duas mãos… cheias de sangue» como dizia a minha avó) em destaque na Feira Medieval de Castelo Mendo. Há produtores e… produtores! E nos concelhos de Almeida, Pinhel e Guarda parece que tem havido um grande investimento na produção e… PROMOÇÃO do bucho. Viva o Bucho!
jcl

Sortelha, no concelho do Sabugal, foi a segunda Aldeia Histórica mais visitada durante o ano de 2009. O número de turistas nas 12 aldeias históricas de Portugal aumentou durante o ano de 2009, registando cerca de 376 mil visitantes, revelou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Segundo os dados fornecidos pelas autarquias dos concelhos onde se localizam as aldeias históricas, e tratados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o total de visitantes no ano de 2009 foi de 376 mil visitantes, superior em cerca de seis por cento face ao ano anterior.
A subida percentual deveu-se apenas ao aumento de visitantes nacionais, que em 2009 foram perto de 300 mil, cerca de 79 por cento do total.
Já quanto aos turistas estrangeiros, que em 2009 foram cerca de 80 mil, verificou-se uma quebra de 7,7 por cento face a 2008, com menos 6500 visitantes.
A Aldeia Histórica de Almeida continua a ser a mais visitada, com um total de cerca de 70 mil turistas, seguida das aldeias de Sortelha, Castelo Rodrigo, Trancoso e Belmonte.
Das cinco aldeias mais visitadas, apenas Almeida registou um decréscimo no número de turistas, embora continue a caber-lhe a maior fatia de visitantes espanhóis, que representam mais de metade do total de visitantes estrangeiros.
De acordo com os dados disponíveis no portal das aldeias históricas os turistas espanhóis aparecem em primeiro lugar com 44 mil visitantes registados em 2009 seguidos dos franceses (13 mil) e ingleses (8 mil visitantes).
O Programa de Aldeias Históricas de Portugal surgiu integrado no II Quadro Comunitário de Apoio (1994-1999) e reclassificado no quadro seguinte (2000-2006), tendo sido restauradas as 12 aldeias na Beira Interior.
Integram o programa Sortelha, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Sortelha e Trancoso.

Portal das Aldeias Históricas. Aqui.
jcl (com agência Lusa)

O primeiro Capítulo da Confraria do Bucho Raiano é já no sábado, 17 de Abril, dia em que o Sabugal acolherá confrades vindos de todo o país para provarem o bucho e visitarem esta bela cidade raiana.

Espera-se que o capítulo da confraria sabugalense consiga consagrar o bucho raiano como uma das melhores iguarias no panorama da gastronomia portuguesa. É essa a aposta dos organizadores da iniciativa, que vêem na presença de representantes de várias confrarias uma oportunidade de afirmação da gastronomia raiana.
A chancelaria da Confraria conta com o apoio empenhado da Câmara Municipal para a boa organização da iniciativa. A recepção aos convidados, o cerimonial do capítulo, o desfile das confrarias, o almoço do bucho, tudo está a ser organizado ao pormenor para que não se verifiquem falhas que deixem a descoberto o bem-receber que os sabugalenses costumam conferir a quem nos visita.
A Confraria do Bucho convidou para o apadrinhamento da sua entronização duas das mais prestigiadas confrarias gastronómicas portuguesas: a Confraria do Queijo Serra da Estrela, de Oliveira do Hospital, e a Confraria da Chanfana, de Vila Nova de Poiares. Ambas levarão ao Sabugal representações expressivas, às quais se juntarão representantes de muitas outras confrarias, num sinal de apoio do movimento confrádico, à nova irmandade gastronómica que agora surgiu na raia beirã.
Para a bênção das insígnias, foi convidado o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, que aceitou com agrado o pedido que lhe foi formulado. São consideradas insígnias o estandarte, colares, medalhas, o varal do Grão-Mestre e os chambaris do Chanceler e do Vedor-Mor da confraria.
Para orador da cerimónia de entronização foi convidado o escritor Célio Rolinho Pires, natural de Pêga. Este profundo conhecedor das tradições populares proferirá a chamada «lição de sapiência», subordinada ao tema: «o bucho, peça de excelência da gastronomia raiana».
A Banda Filarmónica da Bendada, actuará na cerimónia e no desfile que as confrarias farão pelas ruas do Sabugal.
A gerência do RaiHotel, garante um almoço com ar de banquete e o eventual alojamento para quem vem de longe.
Um naipe de figuras públicas foi convidado, não apenas para melhor se divulgar o bucho, mas também para conferir um maior brilho ao cerimonial.
Por tudo isto, temos a natural expectativa de que o Capítulo de Entronização da Confraria do Bucho Raiano seja um momento de autêntica sabugalidade, por ele demonstrando a nossa capacidade de organizar e a arte de receber.
Paulo Leitão Batista (Chanceler da Confraria)

A atleta Rita Morgado, da Academia Egitaniense de Karate Shotokan da Guarda (AEKS), conquistou o quarto título de campeã nacional em Kata Juvenil. O seu companheiro de clube, Diogo Rafael, sagrou-se igualmente campeão nacional na sua categoria. As provas decorreram este sábado em Montemor-o-Novo.

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Realizou-se no passado sábado dia 10, em Montemor-o-Velho, o Campeonato Nacional dos escalões de formação (Infantis, Iniciados e Juvenis) organizado pela Federação Nacional de Karate e Federação Académica de Desporto Universitário.
Da AEKS (Guarda), estiveram presentes Rita Morgado na prova de Kata Juvenil, e Fabrícia Martins na prova de Kumite Juvenil -55Kg.
Rita Morgado que conta já com um vasto currículo desportivo, lutava este ano pelo seu 4.º título nacional, e assim o conseguiu, ganhando todas as eliminatórias com muita segurança e a final pelo parcial indiscutível de 5-0, consagrando-se desta forma Tetra-Campeã Nacional.
Já Fabrícia Martins não conseguiu alcançar uma medalha, mas ainda assim teve uma boa prestação não conseguindo ir mais longe na prova, por alguma culpa da arbitragem. 
Do Karate Shotokan Trancoso esteve presente Diogo Rafael em Kata Iniciado e Paulo Rodrigues em Kumite Juvenil -50kg.
Diogo Rafael que no outro perdeu na disputa da medalha de bronze, este ano não deu hipótese aos seus adversários, realizando em todas as eliminatórias katas muito seguras o que lhe permitiu alcançar o título de Campeão Nacional.
Paulo Rodrigues que participou pela primeira vez num Campeonato Nacional, esteve muito bem perdendo o seu combate apenas pela diferença mínima de 1 ponto.
No domingo, dia 11, teve lugar na cidade de Braga, o Campeonato Universitário de Karate, uma organização da FADU, com o apoio do departamento de arbitragem da Federação Nacional Karate – Portugal.
Ivo Monteiro da AEKS, esteve presente nesta competição em representação da Universidade da Beira Interior, onde alcançou o 3.º lugar na prova de Kata Masculino. Ivo teve alguma infelicidade logo na primeira eliminatória, mas conseguiu subir o seu nível técnico e ganhar todas as eliminatórias da repescagem, e a final da repescagem por um nítido 5-0.
Rui Jerónimo

Recriação de uma feira medieval na Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida. Reportagem dos jornalistas Sara Castro e Sérgio Caetano da LocalVisãoTv Guarda.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

A fotografia que acompanha crónica de hoje foi tirada em 1977. Nela podemos ver o famoso (na época) actor Óscar Acúrcio, que se deslocou ao Sabugal com Paco Bandeira, para participar nas comemorações do 25 de Abril, organizadas pela autarquia.

Óscar Acúrcio no Sabugal - 1977

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Do lado direito do actor encontra-se o Dr. João Lopes, à época o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. O Dr. Lopes (natural de Vale de Espinho e já falecido) foi o primeiro Presidente da Câmara eleito depois do 25 de Abril de 1974.
Do lado esquerdo do actor encontram-se o Brito, natural do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e, há muitos anos, radicado no Sabugal, onde é funcionário da Repartição de Finanças e o pai deste cronista (Eugénio Duarte).
Junto ao actor (do lado direito e com barba) encontra-se Mário Lucas, actualmente professor em Coimbra e que chegou a ser vereador do PS, na Câmara do Sabugal. O actor, de nome completo Óscar Acúrcio Pereira, nasceu a 7 de Agosto de 1916, em Lisboa, e faleceu a 29 de Março de 1990. Entrou em vários filmes, tais como «O Leão da Estrela», «Ala-Arriba» ou «A Maluquinha de Arroios».
Em 1984 apareceu no papel de «Graxas» na telenovela «Chuva na Areia».

Nota: Ao contrário do esperado pela agenda conservadora do Presidente da República, o Tribunal Constitucional deu luz verde aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Não é assunto que me interesse particularmente, mas fiquei contente por ter acontecido assim. É que, ao contrário do que escreveu outro ultra-conservador (Dr. Leal Freire) num jornal regional, nestes termos «Felizmente para o país, Cavaco tem mantido uma postura de autêntico Chefe de Estado, sendo pena que o nosso sistema constitucional lhe não outorgue mais amplos poderes. Mas no momento oportuno aparece a corrigir pelo veto as aberrações, o que, de certo, fará no que concerne aos casamentos gays», o Tribunal Constitucional não viu nada de aberrante nessa lei. Como político que sou (e faço gala de o ser) sei bem que noutras leis bem mais importantes (essas sim completamente aberrantes) e que mexem com a vida das pessoas (nomeadamente as que se prendem com a flexibilização das leis laborais ou todo o mal que o neo-liberalismo tem feito ao país), nunca vi Cavaco Silva ou os seus conservadores defensores solicitarem a inconstitucionalidade ao Tribunal.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

O elevado número de inscrições para o Dia Diocesano da Juventude levou o Departamento da Pastoral Juvenil da Guarda (DPJG) a considerar que o Dia Diocesano da Juventude que vai ocorrer no dia 17 na cidade do Sabugal seja um evento memorável. Pontos altos do dia são as caminhadas, a Eucaristia presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, e o Festival Diocesano Jovem da Canção de Mensagem 2010.

Dia Diocesano Juventude - Sabugal - GuardaO Dia Diocesano da Juventude vai decorrer este ano no Sabugal no dia 17 de Abril.
A jornada terá início às 9.30 horas com os jovens a iniciar uma caminhada em quatro pontos distintos em direcção ao Largo da Fonte onde terá lugar a concentração de todos os grupos. Aí os jovens são convidados a apresentar-se aos outros grupos. Trata-se de uma apresentação em palco (canção, encenação, teatro, poesia, multimédia) com a duração máxima de 10 minutos adequada ao tema pastoral de 2010: «Segue-me». Na ocasião, os jovens poderão também deixar a sua marca na cidade através da pintura de um mural.
A Eucaristia, ponto alto desta celebração diocesana e juvenil, será celebrada no Castelo do Sabugal às 12 horas (se o tempo não permitir a celebração passará para a Igreja Paroquial).
A tarde será preenchida com o Festival Diocesano da Canção Juvenil de Mensagem 2010 que decorrerá a partir das 15 horas no salão da Junta de Freguesia do Sabugal. Para fazer a segunda parte do festival, contamos com a presença de um grupo de música de inspiração católica, a banda JM (Jovens em Movimento), banda revelação da terceira edição do festival JOTA. O conjunto venceu, também, o Festival Nacional da Canção de Mensagem, em 2006, e tem dado concertos pelo país.
O encerramento do Dia Diocesano e envio dos jovens está programado para as 17.30 horas.
O DPJG convida ainda todos os que gostam de música e da alegria própria dos festivais cristãos, que venham assistir ao festival. Estão apurados nove temas, que vêm de diversos pontos da diocese (Folhadosa, Santa Marinha, Moimenta da Serra, Guarda, Covilhã, Paul, Boidobra, Celorico da Beira, Fernão Joanes).
O almoço (3 euros) para os participantes vai ser disponibilizado pelo DPJG e pela APEES (Associação de Pais e Encarregados de Educação do Sabugal) devendo as respectivas senhas ser levantadas até às 11 horas no secretariado do DPJG instalado no Largo da Fonte.

Contacto do DPJG: dpjguarda@gmail.com
Página Oficial do Dia Diocesano da Juventude. Aqui.
jcl

No dia 7 do corrente mês de Abril, aquando da recolha dos lixos na área geográfica de Foios, os três elementos do SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente – que colaboraram na respectiva jornada – perguntaram-me, na qualidade de presidente da junta, se estava interessado em que no domingo seguinte – dia 11 – pudessem vir aos Foios fazer uma pequena palestra sobre a utilização do fogo. Respondi afirmativamente e com os respectivos agradecimentos.

Hoje, domingo, após a Missa, convidei as pessoas a deslocarem-se ao auditório do centro cívico onde os três técnicos do SEPNA tinham tudo preparado para a sessão de esclarecimento.
As cerca de cinquenta pessoas que se deslocaram ao local ouviram, com muita atenção, todos os esclarecimentos que lhes foram prestados. Perante todos falaram sobre:
- A limpeza dos terrenos que ficam próximos das edificações – casas, palheiros, barracões, etc, etc.
- As queimas e queimadas que são algo diferentes.
- Os extintores e outros equipamentos que devem acompanhar os tractores agrícolas.
- As coimas que poderão ser aplicadas aos prevaricadores.
No final foram feitas algumas perguntas, que obtiveram resposta e, cerca das 13 horas, deu-se a sessão por terminada que julgo ter sido deveras interessante.
Venham mais vezes porque estes esclarecimentos, de ordem pedagógica, são de extrema importância para esta gente boa que, por vezes, cometem os erros involuntária e inconscientemente. Não são certamente estas pessoas, boas e humildes, que desgraçam e arruínam o País.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

A aldeia histórica de Castelo Mendo, no concelho de Almeida, recebeu este fim de semana uma feira medieval que recriou aspectos do passado e atraiu centenas de visitantes.

Feira Medieval em Castelo Mendo - AlmeidaO evento que proporcionou uma viagem ao século XVI foi promovido pela Câmara Municipal de Almeida, com o apoio da Junta de Freguesia de Castelo Mendo e a colaboração dos Agrupamentos de Escolas de Almeida e Vilar Formoso.
Mais de cem figurantes recriaram o ambiente medieval com cavaleiros, bobos, jograis, monges, damas, nobres, bruxas, mendigos, saltimbancos, acrobatas e malabaristas, para gáudio de visitantes e residentes.
jcl (com agência Lusa)

D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, estará na cidade da Guarda no dia 15 de Abril, quinta-feira, como primeiro orador da conferência «Efeitos da Implantação da República na Cidade», que reunirá uma série de intervenções públicas que acontecerão ao longo deste ano. A organização da iniciativa é da Comissão Diocesana da Guarda das Comemorações do Centenário da Implantação da República.

A conferência de D. Manuel Clemente terá lugar na sala da Assembleia Municipal da Guarda, às 21 horas, tendo a seu lado o anfitrião, D. Manuel Felício, Bispo da Diocese da Guarda.
A Igreja quer assinalar pelo conjunto de conferências os acontecimentos ligados à implantação da República, que aconteceram há 100 anos, os quais levaram a transformações profundas em todo o país.
Segundo a Agência Ecclesia, neste programa de intervenções, a Comissão pretende lembrar o Bispo da Guarda de então, D. Manuel Vieira de Matos, figura marcante do Episcopado Português, e seus mais directos colaboradores.
«Os dois Seminários da Diocese da Guarda, que foram encerrados pelos poderes públicos da República, tendo os respectivos edifícios sido retirados à diocese da Guarda, sua legítima proprietária, como aconteceu igualmente com o Paço Episcopal, é outro dos assuntos que será recordado», afirma ainda a agência no seu portal de comunicação on-line.
O programa das conferências prevê uma incursão pelo papel de algumas instituições de ensino da Igreja na diocese, designadamente o Colégio de S. Fiel, em Louriçal do Campo, por onde passaram figuras marcantes da cultura e da ciência em Portugal. O papel da imprensa da Guarda e o vivo debate que através dela se verificou imediatamente antes e depois da implantação da República, será outro dos temas em destaque. O mesmo acontecerá com a então polémica «Lei de Separação», de 1911, que teve duas consequências para a vida da Igreja em Portugal e para a sociedade portuguesa no seu conjunto.
«Pretendemos ajudar as pessoas da Guarda a terem dos acontecimentos de há 100 anos ligados à implantação da República uma compreensão mais ampla e desapaixonada, contribuindo, assim, para que as lições da História nos ajudem, quanto possível, a traçar os melhores rumos do futuro para a sociedade portuguesa» refere um comunicado da Comissão Diocesana das Comemorações do Centenário da Implantação da República, citada pela Ecclesia.
plb

«Rimas» de Manuel Leal Freire…

RIMAS

Ao Banco Sete o Sabugal me manda
eu vou Procurador do meu concelho
bem certo na vitória da demanda
certeza que me vem do Evangelho

Os povos reunidos em conselho
da Serra da Marvana a toda a banda
Real, Real, encline-se o joelho
coral que de boca em boca anda

Quando passa funções um grande autarca
a Arca da Aliança, nos abarca
por entre hossanas, hinos e outros salves

Quarenta freguesias nos concitam
connosco todas elas gritam
bem-hajas a Manuel Rito Alves

 

Ressuma a epopeia o Sabugal
heróico sobre todos o seu povo
pelo devir dos tempos sempre igual
virtudes que ao lembrá-las me comovo.

De dia, num combate desigual
agruras sobre agruras em renovo
de noite, a sair de Portugal
para de manhã voltar de novo

Esconso entre os troncos dos carrascos
cozido no negrume dos penhascos
experto o carregueiro ilude a teia

Penosa, bem penosa sai a jorna
constante Espanha vai, Espanha torna
heróica vida com muito de epopeia.

 

Desvão da Serra de Opas, o paraclito
que sopra só onde lhe apraz
ergueu tendo do pai o beneplácito
ermida que os céus à terra traz.

Por léguas em redor sente-se a paz
acordo entre as almas que por tácito
pacífico os contrários satisfaz
a benção de Maria plenoplácito

Não há nas Beiras outro santuário
que guarde tanta fé em relicário
ou leve mais fiéis ao seu recinto

Bendita sois Senhora da Póvoa
a minha fé em vós, renovo-a
qual alva flor de lis ou de Jacinto.
Manuel Leal Freire

Fiquei muito feliz quando ontem, sábado, dia 9 de Abril, recebi um telefonema do Manel Rito a dar-me conta de uma visita ao alcalde e amigo de Navasfrias, Celso Ramos.

Enquanto o Manel Rito foi Presidente da Câmara do Sabugal quantas viagens fizemos a Navasfrias para tratar de assuntos relacionados com «las carreteras» de cujos projectos a Câmara do Sabugal foi chefe de fila? Quantas reuniões com a Mancomunidad do Alto Águeda ou com a Presidente e Técnicos da Diputación de Salamanca?
As «carreteras» já estão feitas e não caíram do Céu! E que importância têm para a economia da região! Mas não foram só as «carreteras». Houve e haverá muito mais. É que a Europa é para lá, meus Senhores.
Os problemas de saúde que afectaram o amigo Manel Rito preocupavam-me e cheguei a recear que estas incursões, por España, se tornassem raras ou deixassem de se verificar. Por isso mesmo o dia de ontem foi um dia especial. Conheço, muito bem, a amizade entre o Manel Rito e o Celso Ramos e foi com imenso prazer que ontem os fotografei de novo.
Depois de em casa do Celso termos tomado um café, «charlado» um pouco sobre a saúde do Manel, e também sobre o progresso e desenvolvimento da zona, deslocámo-nos ao local onde o Ayuntamiento de Navasfrias possui um parque cinegético. Foi com agrado que observámos algumas espécies, sobretudo coelhos e lebres, que aí se vão reproduzindo para mais tarde poderem ser distribuídos pelas zonas mais convenientes, incluindo o lado de cá.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

O ex-presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, tem mantido de há longo tempo uma dura batalha contra a doença que o afecta e os últimos meses foram particularmente difíceis, passando a maior parte do tempo internado no hospital. As boas novas quanto à sua recuperação enchem-nos de satisfação. O Capeia Arraiana associa-se ao Zé Manel, desejando a Manuel Rito continuadas melhoras.
plb

No dia em que escrevo este artigo comemoram-se cinco anos da morte de Karol Wojtyla, esse gigante da igreja que quis chamar-se João Paulo II. Figura marcante do século XX, o Papa que ousou desafiar o poder dos grandes impérios, foi ao mesmo tempo cativante e catalisador de massas, de humildes e oprimidos. Mesmo para os mais agnósticos era um homem fascinante e um semeador de esperança. Estimado pelo povo anónimo cristão, foi aos jovens que soube falar como nenhum outro papa o fizera antes. Estes recompensaram-no com autênticos banhos de multidão. Eram aos milhões nas famosas jornadas mundiais da juventude!

Papa João Paulo II com Fidel Castro

António Cabanas - «Terras do Lince»Não precisou de ganhar o prémio Nobel, que aliás seria merecido, para se considerar o maior mensageiro da paz e da concórdia mundial e, simultaneamente, um acérrimo defensor dos direitos humanos e das nações mais pobres.
Foi muitas vezes politicamente incorrecto, mas ética e moralmente coerente com os mais elementares princípios da Igreja. Ousou visitar Cuba e criticar o embargo económico americano para logo criticar também o regime de Fidel e as penas aplicadas aos seus dissidentes.
Poderíamos chamá-lo o Papa peregrino, pois viajou por todo o mundo, visitando centenas de países e milhares de locais, reunindo em todo o lado verdadeiras multidões. Foram as suas inúmeras viagens que contribuíram decisivamente para mudar mentalidades e derrubar muros e regimes obsoletos.
Foi a visita papal ao seu país de origem que levou a libertação e inspirou o movimento Solidariedade para chegar ao poder. Foi um «Não tenhais medo», que fez crescer a coragem e apressou a derrocada do muro de Berlim.
Os portugueses estão-lhe gratos pelas suas 5 visitas, grato também ele ficou à virgem de Fátima, de que era devoto, pelos milagres da sua recuperação.
Quebrou vários tabus do catolicismo: nunca um papa tinha visitado Jerusalém ou rezado no muro das lamentações e em quase mil anos, desde o cisma da igreja ortodoxa, nenhum tinha visitado a Grécia. Pregou em sinagogas e mesquitas, aproximou religiões num diálogo inter-religioso sem precedentes e fomentou o ecumenismo de forma incansável durante o seu pontificado.
Carismático e popular, sabia que liderar é comunicar, lidando admiravelmente com os meios de comunicação social que viajavam consigo para todo o lado e acompanhavam cada momento da sua vida.
Foi um verdadeiro exemplo para todos nós. Órfão de pequena idade, desportista, amante da literatura e do teatro. Deu-nos uma lição de perdão ao perdoar até aos que atentaram contra a sua vida e visitando-os inclusivamente na prisão. Mas também soube pedir perdão por erros que a Igreja cometera no passado.
Quando poderia ter resignado ou fazer-se representar, assumiu-se como exemplo de estoicismo e de luta contra o sofrimento e a doença que no final da sua vida o atormentavam.
Pouco frequentador dos ofícios religiosos, fui no entanto fã deste vulto da Igreja (quem o não foi?). Juntei-me aos milhares que o receberam em Fátima, gostava de ouvir a sua voz na Televisão, desejando-nos, em língua portuguesa, uma feliz Páscoa ou um Bom Ano Novo. Acompanhava à distância as suas viagens e ouvia ou lia os seus discursos. Comovi-me de tristeza com a notícia da sua morte e fiz fila para visitar o seu túmulo no Vaticano. Santo ou não era um homem de carne e osso, igual a nós, mas que mais do que a maioria de nós soube atingir esse desiderato de humanismo que só está reservado a uma pequeníssima minoria. É curioso que seja justamente numa Sexta-Feira Santa, que tal comemoração ocorre.
Rendo-lhe aqui a minha homenagem.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

A sabedoria popular guarda sabores antigos que tomam parte da nossa cultura e dos nossos afectos, como o fez notar o escritor Célio Rolinho Pires, grande conhecedor dos usos e costumes do povo.

Conhecido pelos seus estudos e escritos sobre o valor das pedras que povoam os horizontes da nossa região beirã, Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, é também um revelador de afectos. É neste espírito que se enquadra o seu livro de recordações intitulado «Rosas de Santa Maria», publicado em 1997. É um livro de vivências e de saudades de um tempo que só a memória conserva. Nesse tempo o ciclo anual da vida aldeã estava perfeitamente demarcado, inclusive na gastronomia, com ementas próprias em cada época.
De todas as quadras anuais ressalta o Entrudo, tempo de excessos em toda a linha, incluindo na alimentação. A carne reinava neste época, como que a prepar o corpo para as privações e exigências da Quaresma. Dentre as iguarias deste tempo de festança pontuava o bucho servido com grelos e batata cozida:
«A ementa típica para esta quadra é guardada intencionalmente no masseirão ou salgadeira: pé de porco, orelha e quiçá o rabo, salvo seja, tão simplesmente cozidos na altura ou previamente condimentados e “enchidos” no estômago ou na bexiga do falecido bácoro de que resulta o tão falado bucho, paio ou palaio. Curtido e seco no fumeiro, cozido ao lume, em panela de ferro, com batatas e grelos de nabos, é comer e gritar por mais.»
A saborosa citação foi retirada do capítulo «o ciclo dos vivos», que nos dá conta das andanças periódicas que sujeitavam o viver colectivo nas aldeias de antanho. Ali se lamentam as tradições perdidas e a descaracterização da vida aldeã com a progressiva ausência de fenómenos gregários que o tempo cilindrou impiedosamente.
A referência à tradição alimentar torna premente a importância da recuperação de sabores antigos, onde exista uma réstia da naturalidade dos alimentos e onde se reponham as formas de cozinhar e os segredos que a cozinheira conhecia e que faziam com que produtos simples e até banais, viessem à mesa transformados em iguarias de divinal sabor e riquíssimo teor alimentício.
O livro «Rosas de Santa Maria» é pois um repositório de memórias, onde perdura o sentimento do navegador que há muito partiu para longa viagem, sulcando os mares, e a um tempo regressa ao porto de partida. Traz com ele novas experiências, outros conhecimentos e até diferentes formas de pensar a vida e o mundo. Mas ali, à vista das terras que envolvem o porto de abrigo, o viajante reencontra as paisagens e as gentes que sempre fizeram parte do seu imaginário, mas que os seus olhos não observavam há longo tempo. Perante este esplendor, o navegante abre o baú das memórias e revela a quem o ouve, as vivências marcantes do seu passado.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

A Paixão de Cristo voltou a ser encenada em Aldeia Velha na noite de sexta-feira. Reportagem da LocalVisãoTv Guarda.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

Teresa Duarte ReisA leitura é o caminho que nos leva ao conhecimento e nos enriquece a linguagem, nos transporta para lá do sonho e da imaginação. Nunca ficamos iguais depois de lermos um livro. Não podemos apagar a delícia benfazeja de uma leitura descontraída, deliciosa e apaixonada, pela riqueza do encontro, da descoberta, da paixão, no contacto de cada página mais ou menos macia, mais ou menos branca. E, apesar do avanço da informática que nos facilita todo e qualquer conhecimento, nada se compara ao sossego duma leitura repousante no jardim ou na praia, no sossego ou no bulício da grande cidade…

Livro

Meu livro
Ó grande amigo
Da paz e do silêncio.

Janela aberta para a vida
Horizonte do saber
Em viagem pelo mundo
Em descoberta constante
De qualquer duro viver.

Fonte de imaginação
De tantas vidas vividas
De tantas «estórias» contadas
Na escrita, retratadas
E no livro repetidas.

A criança ama o livro
Vê desenhos e pinturas
Revê-se nas histórias
E logo vagueia no sonho
Nas suas figuras.

E nesse enredo
Com as magias da varinha
Seu pensamento voando
No perfume da floresta
Nas asas da fada madrinha

O estudante ali aprende
Adquire saberes
Povoa de mensagens
Sua mente que engrandece
E se retrata
Nos registos de cada dia
Nos testes avaliados
Revelando o quanto cresce.

E tu que escreves
Desabafas teus enlevos
Carências, teus segredos
Brincas com as palavras
Amas o livro, qual amigo
Que não cansa
E descansa teus cansaços
Num despejo de confidências
Alegrias, experiências
Num ziguezaguear constante
Da paixão pela escrita.

E o eterno estudioso
A quem não fatiga a leitura
Todo o dia
Cada hora
Para sua mente crescer.
Na escrita, ele vibra
Se entrega esfuziante.

E para quem é curioso
Confidente de quem escreve?
Vive ali todas as vidas! (1)
Descobre muitos segredos
Tantas páginas, seus enredos
Num constante descobrir.

Sentir o que sente o escritor
Retratado nas palavras
Sua vida ali despida
Comunicada sem receios
Descoberta, vivida
A qualquer duro viver,
Haverá melhor razão
De longa paixão sentir
Pelo livro, grande amor?

(1) Professora Ana Cão – UBI – 10 de Março 2006.
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Visto que nos Foios não se fez a recolha dos lixos – monstros – no dia vinte de Março, porque o mau tempo não o permitiu, e esperámos por melhores dias, foi na quarta feira, dia 7 do corrente mês de Abril, que desencadeámos a acção.

José Manuel Campos - Nascente do CôaA concentração deu-se, por volta das 9 horas, no Centro Cívico. As cerca das quarenta pessoas que participaram organizaram-se, previamente, tendo-se recolhido objectos que já estavam localizados e outros que foram aparecendo.
Depois de despejados na lixeira fez-se, em torno desta, uma profunda limpeza visto que havia imensos plásticos e papéis espalhados pelas giestas e pinhal que se encontram próximos.
Por volta das 13 horas todas as pessoas, que participaram nesta acção, foram para as instalações da Associação de Caça e Pesca, onde dois elementos da equipa de sapadores local apresentou um almoço a condizer com esta importante jornada.
Cabe aqui referir que o Nuno de Caria, que anda com máquinas e pessoal a fazer limpeza em terrenos de particulares, ofereceu dois borregos e uns garrafões de vinho. Obrigado Nuno.
Registámos com imenso agrado, tanto na recolha dos lixos como no almoço, a presença de três elementos – vigilantes – do ICN que pertencem à Reserva Natural da Serra da Malcata.
Participaram igualmente, em todas as acções, outros três elementos do SEPNA a quem também agradecemos a presença e pedimos-lhe que vão aparecendo, por estas bandas, sempre na perspectiva de educarem as populações nos mais variados aspectos ambientais.
Ficou combinado que no próximo domingo, depois da Missa, será promovida, no auditório do Centro Cívico, uma acção sobre a utilização do fogo. Compareçam às 11,30 horas.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

José Diamantino dos Santos, fundador e director do Externato Secundário do Sabugal, faleceu em 2 de Fevereiro de 2009. Será homenageado, por ocasião do encontro dos antigos estudantes do colégio por si fundado, que acontecerá a 1 de Maio no Sabugal. Associando-nos desde já a esse preito, aqui ficam algumas notas biográficas desse grande sabugalense.

Nasceu no Freixial, concelho do Fundão, a 4 de Novembro de 1930. Fez a escola primária em Vilar Maior, no concelho do Sabugal, e frequentou depois o Seminário Menor de Beja e o Seminário Maior dos Olivais em Lisboa, vindo a terminar os seus estudos na Universidade de Salamanca, em Espanha, onde se licenciou em Filosofia.
De regresso ao concelho do Sabugal, fundou, em 1955, o Externato Secundário do Sabugal, onde exerceu a sua actividade de professor e director até 1986, data em que fechou as portas, dando lugar à Escola Secundária do Sabugal.
O «Colégio», como era conhecido o Externato, foi durante os anos em que existiu o maior foco irradiador de cultura no concelho do Sabugal. Milhares de jovens de gerações sucessivas tiveram a sua formação nesse grande centro de instrução, assim se preparando para a vida, vendo no seu director não apenas um empenhado e exigente pedagogo, mas sobretudo um amigo e até, em certos casos, um autêntico pai.
O Dr Diamantino dos Santos, era, para além de proprietário, director e professor do Colégio um homem perfeitamente integrado na vida sabugalense, tendo granjeado um prestígio assinalável, dado o seu empenho na educação dos jovens.
Essa notoriedade conduziu-o à eleição para presidente da Câmara Municipal do Sabugal, cargo que exerceu durante oito anos sucessivos. Isso aconteceu ainda antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, quando não existia o poder local democrático que hoje conhecemos, mas também num tempo em que os Municípios quase não possuíam recursos e as aldeias estavam muito carenciadas. Mesmo assim, fazendo face às dificuldades, o Dr Diamantino, enquanto presidente de Câmara, deu um forte e decisivo impulso ao desenvolvimento do concelho. Melhorou as infra-estruturas, tais como as vias de comunicação e instalação eléctrica em todas as freguesias do concelho, e também a formação das populações, com a construção de diversas escolas primárias.
Foi um dos fundadores do Sporting Clube do Sabugal, em 1959, participando depois activamente na vida desta associação. Foi presidente da direcção, cargo que exerceu em diversos mandatos, e desempenhou igualmente as funções de presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Também participou na gestão do Hospital do Sabugal, sendo durante alguns anos membro da sua Comissão Administradora. Ainda dentro do sector da educação, estruturou e dirigiu o Ciclo Preparatório do Sabugal, entre os anos 1972 e 1975.
Pertenceu aos corpos gerentes da Casa do Concelho do Sabugal, como presidente da Assembleia Geral, entre os anos 1990 e 1992, tendo obtido em 1996 o título de Sócio Honorário desta associação sabugalense, em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento do concelho.
Depois de encerrado o Colégio que fundou e dirigiu, o Dr Diamantino dedicou-se sobretudo a outra obra, onde colocou todo o seu esforço: a Santa Casa da Misericórdia do Sabugal. Foi eleito sucessivamente Provedor, e, enquanto tal, desempenhou um papel verdadeiramente ímpar no desenvolvimento da assistência social. Promoveu a instalação do Lar de Idosos Nossa Senhora da Graça nas antigas instalações do Hospital e criou ainda as valências de centro de dia, apoio domiciliário, centro comunitário, creche, ensino pré-escolar e apoio aos tempos livres.
O encontro de antigos alunos, funcionários e professores do Colégio do Sabugal que se realiza este ano é o momento oportuno para que o concelho do Sabugal preste o devido tributo a um homem que marcou a vida concelhia durante décadas e ganhou um lugar destacado no coração dos sabugalenses.
Paulo Leitão Batista

A propósito da estreia da mini série em 10 episódios «The Pacific», que retrata a II Grande Guerra na região do Pacífico, reparei que aquele que foi um dos conflitos mais importantes do século XX tem sido presença frequente na filmografia de Steven Spielberg.

Pedro Miguel Fernandes - Série BA série que por estes dias passa nos EUA e por cá pode ser vista no canal de cabo AXN tem como produtor executivo o realizador de ET e da saga Indiana Jones. Uma vez mais Spielberg juntou-se a Tom Hanks para produzir uma série sobre o conflito, depois de em 2001 terem apresentado «Irmãos de Armas», que contava a história de um grupo de soldados norte-americanos na frente europeia da II Guerra Mundial, desde o treino militar até à rendição das tropas de Hitler. Quase dez anos depois o projecto é semelhante, mas o cenário é diferente: o conflito que opôs os EUA às tropas do império japonês.
A união destes dois grandes nomes de Hollywood em torno do conflito vem contudo de trás, mais precisamente de 1998, quando Spielberg realiza um dos grandes filmes de guerra do final do século passado: «O Resgate do Soldado Ryan», fita que valeu o Óscar de Melhor Realizador ao cineasta. Foi a partir deste filme que surgiram os dois projectos para televisão.
Mas a câmara de Steven Spielberg desde cedo se voltou para a II Grande Guerra. O primeiro filme onde o conflito está presente sob a perspectiva do cineasta foi filmado em 1979 e foi considerado um fiasco na altura. Trata-se de «1941 – Ano Louco em Hollywood» e é um dos mais estranhos filmes da obra do realizador, que conta de forma cómica uma invasão fictícia dos japoneses à Los Angeles dos anos 1940. O filme contava com um elenco de grandes figuras da altura, entre os quais despontava John Belushi, mas não deixou de ser um flop.
Steven Spielberg - The PacificO filme seguinte é também um regresso ao universo da II Guerra Mundial e marca o nascer de uma das míticas personagens da Sétima Arte, Indiana Jones. Neste primeiro capítulo da saga, «Os Salteadores da Arca Perdida», o arqueólogo interpretado por Harrison Ford tem de enfrentar os nazis para salvar a Arca da Aliança. Mais tarde, em 1989, a personagem iria ser recuperada para defrontar os agentes de Hitler no terceiro episódio da série, «A Última Cruzada», desta vez com a ajuda do pai.
Pelo meio mais um filme passado durante a II Grande Guerra. Foi em 1987 que Spielberg estreou «Império do Sol», a adaptação de um livro escrito por J. G. Ballard e que apresentou ao mundo um rapaz que se tornou um dos melhores actores da actualidade: Christian Bale. Desta feita o conflito é visto no lado do Oriente, dado que a história foca a invasão da China por parte do exército japonês. A personagem de Christian Bale é o filho de um casal da classe média que acaba perdido dos pais e vai parar a um campo de concentração enquanto aguarda o fim da guerra.
Em 1993 é a vez de Spielberg voltar à Europa e apresentar mais um dos seus grandes filmes. «A Lista de Schindler» relata a história verídica de um empresário alemão, com simpatias pelo Partido Nacional Socialista, que tenta salvar alguns judeus do extermínio do Holocausto. Filmado a preto e branco, valeu o Óscar de Melhor Filme ao realizador.
Numa carreira com mais de 35 anos, sem contar com os projectos de início de carreira para televisão, Spielberg assinou um total de 24 filmes, 6 filmes ambientados na II Guerra. Sem contar com as duas mini séries e alguns projectos na área dos videojogos onde participou de qualquer forma, este conflito sempre esteve presente na sua obra. «The Pacific» é a sua mais recente aventura.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

A tradicional Capeia Arraiana da Páscoa em Aldeia da Ponte. Reportagem da LocalVisãoTv Guarda.

Páginas das delegações regionais da LocalVisãoTv. Aqui.
jcl

Retomo hoje a apresentação de alguns bons exemplos, como o que nos chega do concelho de Vale de Cambra.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Neste Município que tem como lema «Apostar nas Pessoas, Ganhando o Futuro», foi criado em 2005 o Gabinete de Apoio ao Idoso que tem como finalidade «apoiar e organizar actividades ligadas aos Idosos, à sua convivência e criatividade, bem como potenciar a sua importante experiência de vida ao serviço da Sociedade».
Palavras simples, mas de grande significado, que, no entanto, só ganham consistência quando são traduzidas em acções concretas.
E, elas existem.
Em primeiro lugar, e desde 2007 que foi criado o Cartão Municipal do Idoso para os que têm mais de 65 anos, e que tem vantagens como estas: desconto de 50% nos consumos de água que não ultrapassem os 5m³ mensais, desde que o contador esteja em seu nome há pelo menos um ano, em habitação única e permanente, de acordo com o previsto no tarifário aprovado pela Câmara Municipal; redução de 50%, no pagamento dos ramais de ligação da Rede de Saneamento Básico, Águas Residuais e Água de Abastecimento, mediante avaliação sócio–económica que comprove a extrema debilidade do agregado familiar; desconto de 50% no pagamento das taxas previstas no RMEU; redução das tarifas no acesso às piscinas municipais; acesso a iniciativas e programas para a 3.ª Idade promovidos pela Câmara Municipal; acesso a viagens e passeios promovidos pela Câmara Municipal em colaboração com as Juntas de Freguesias.
Foi igualmente incentivada a criação de Comissões de Idosos nas diferentes Freguesias (uma por cada Freguesia e envolvendo directamente cerca de 130 idosos), com o objectivo de: contribuir para a valorização pessoal e social do idoso; promover a participação activa dos idosos na vida social; e contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida.
Ao mesmo tempo foi criada um Grupo Técnico de dinamização das actividades das Comissões, envolvendo a Autarquia e diversas instituições directamente envolvidas no trabalho com idosos.
Por último, o apoio aos idosos passa no Concelho de Vale de Cambra pelo trabalho das Comissões Sociais de Freguesia, compostas pelas Juntas de Freguesia, organismos da administração central implantados na área, outras entidades particulares sem fins lucrativos e representantes de grupos/ associações sociais.
Estas Comissões têm, entre outras, as seguintes competências: sinalizar as situações mais graves de pobreza e exclusão social existentes na freguesia e definir propostas de actuação a partir dos seus recursos, mediante a participação de entidades representadas ou não na comissão; encaminhar para o respectivo CLAS os problemas que excedam a capacidade dos recursos da freguesia, propondo as soluções que tiverem por adequadas; promover mecanismos de rentabilização dos recursos existentes na freguesia; promover a articulação progressiva da intervenção social dos agentes da freguesia; promover acções de informação e outras iniciativas que visem uma melhor consciência colectiva dos problemas sociais; recolher a informação relativa aos problemas identificados no local e promover a participação da população e agentes da freguesia para que se procurem, conjuntamente, soluções para os problemas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A construção de um parque eólico junto à aldeia histórica de Sortelha, concelho do Sabugal, está a gerar polémica entre os moradores, motivando uma petição on-line para tentar impedir a obra.

As eólicas povoam o horizonteSegundo uma nota divulgada pela agência Lusa, que falou com Joaquim Tomé, habitante de Sortelha e um dos mentores da petição intitulada «Vamos salvar Sortelha», lançada no último domingo, a iniciativa avançou após alguns residentes terem conhecimento que o parque de torres eólicas que está projectado para a freguesia irá «destruir de forma irreversível a envolvente desta aldeia».
«Todos temos o dever de preservar o legado patrimonial e histórico que a todos pertence. Temos também a obrigação de o proteger e valorizar para que as gerações futuras possam aprender a vida dos seus antepassados», referiu Joaquim Tomé.
As torres eólicas serão instaladas naquela zona, «a um quilómetro de distância» de Sortelha, danificando «a nossa lança em termos de turismo na Beira Interior», alertou ainda Joaquim Tomé.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, confrontado com a questão disse à Lusa que tem conhecimento da petição e reconheceu que a autarquia aprovou o projecto, que contempla a instalação de 50 torres eólicas na região, mas prometeu analisar novamente o assunto. Contudo recorda que «as entidades oficiais que licenciam os parques eólicos» o fazem «no devido cumprimento da legislação em vigor».
«Qualquer situação de alerta que chegue ao conhecimento da Câmara Municipal terá uma análise cuidada tendo em conta todos os pressupostos que ela referir», assegurou António Robalo.
Já o ex-presidente da Junta de Sortelha, Luís Paulo, que aprovou a instalação do parque eólico, adiantou à Lusa que está prevista a colocação de «17 ou 18 torres na área da Freguesia mas muitas delas não se vêem de Sortelha».
Apontou que aquelas que serão visíveis da aldeia histórica ficarão «a uma grande distância» e recordou que já existem equipamentos idênticos nas imediações da localidade: «Estamos cercados delas e vêm-se todas de Sortelha», garantiu Luís Paulo, que desvalorizou a polémica em torno do assunto por considerar que a instalação do parque eólico «não irá mexer no património».
plb

Desde longa data, a festa esteve presente no quotidiano popular, e a festa religiosa integrava-se também neste quotidiano. Destas faziam parte as procissões, manifestações colectivas que realizadas em espaços públicos, eram de natureza comemorativa, festiva, penitencial ou expiatória, quaresmais, de desagravo, propiciatórias, de acção de graças, etc.

João ValentePara isso contribuiu, como escreveu Katia Mattoso, a respeito dos povos ibéricos, «a religião do povo ser mais religião da paixão que de ressurreição. Ela se manifestar melhor numa procissão do Senhor Morto, que no Triunfo Eucarístico».
As disposições da Mesa de Consciência, as Ordenações Filipinas, a Inquisição, também ajudaram, impondo os dogmas e práticas cristãs às populações, sem discussões.
Os compromissos de algumas Irmandades das Misericórdias, puniam também quem não aparecesse aos actos públicos, oferecendo em contrapartida indulgências para a participação nas procissões «Corpus Christi», no seguimento da doutrina do Concílio Tridentino que desenhou duas faces para o Deus Cristão: A de um «Deus remunerador», para os submissos; A de outro «Deus vingador», para os relapsos.
Por último, o culto pela Paixão e pela Virgem Dolorosa era geral no Ocidente antes da reforma e foi recuperado na Contra-Reforma, expandindo-se por toda a diáspora portuguesa no mundo e reflectindo-se na arte religiosa com cenas do calvário ou da paixão de Cristo, os chamados Passos ou Mistérios.
«Ensinem os bispos com cuidado, que com as histórias dos Mistérios da nossa redempção com as pinturas, e outras semelhantes, se instrue, e confirma o povo, para se lembrar, e venerar com frequência os Artigos da fé.» (sessão XXV do Concílio de Trento in Reycent, 1786, p.352-353.)
Assim, a liturgia dos Mistérios da Paixão, a composição artística do calvário e a representação das mesmas por autos bíblicos, foi uma consequência do sentimento religioso popular e desta evolução histórica, cujas reminiscências na cultura popular ainda subsistem nos autos da paixão, no andar dos passos e nas procissões das Endoenças ou Fogaréus.
Com o crescimento de popularidade, a natureza do ritual que exibia o sofrimento de Cristo, foi realçando o dramatismo e teatralidade de algumas personagens, como o desfile nocturno de flagelantes encapuçados, descalços, oferecendo um espectáculo expiatório e penitencial por excelência.
«Quando eles saíam com uma imagem, para fazer o povo chorar a vestiam de luto e decoravam com toda a forma de adornos para provocar dor» (S. João de Ávila, a propósito dos Passos da Paixão e dos irmãos das confrarias).
«Se aí existe algum amor, a alma está recompensada, o coração está suavizado, e as lágrimas vêm.» (Santa Tereza de Ávila, também a propósito dos Passos da Paixão.)
As lágrimas não eram só de sentimento, mas serviam também para purificar a alma, através da expiação pública, que a procissão da Semana Santa proporcionava.
Algumas faziam-se fora do período Quaresmal, mas estavam intimamente ligadas ao ciclo Pascal, revestindo o mesmo cariz penitencial. Era o caso das Endoenças que em Trás-Os-Montes se realizavam em Setembro e entre nós a célebre romaria dos encruados ou descamisados, em Setembro, a Sacaparte (onde só participavam homens) e que foi extinta já no século XIX, pelo último Bispo de Pinhel.
Estas manifestações religiosas eram promovidas sobretudo, após o aparecimento das Misericórdias, pelas respectivas Irmandades, cujos compromissos previam a sua forma de realização, bem como a participação dos irmãos nos diversos actos públicos de expiação.
Por exemplo o cap. XXXIV do compromisso da Misericórdia de Lisboa (copiado pela maioria das Misericórdias portuguesas) a procissão de Endoenças tinha por fim visitar todas as igrejas onde estava o Santíssimo Sacramento, despertando no povo o sentimento de religião pela paixão de Cristo.
Possivelmente é deste compromisso que no Sardoal e noutras terras se foi buscar a tradição (cuja origem hoje ninguém sabe) de enfeitar com pétalas todas as capelas do lugar, por onde passa a procissão da Paixão.
Normalmente na frente ia a bandeira da Misericórdia levada por um irmão, acompanhado de dois irmãos, com tocheiros. Adiante da bandeira iam dois irmãos com varas. Seguiam os clérigos, muitos irmãos e os penitentes.
Paixão de CristoOs actuais compromissos de algumas Misericórdias ainda mantêm estas e outras obrigações relacionadas com a Paixão de Cristo. Outras estão a retomá-lo em nome da tradição e também pelo sabor pitoresco da religiosidade popular que manifestam estes rituais, como é o caso de Penafiel.
Era assim descrita no século XVIII uma destas procissões de Endoenças:
«Os irmãos serão sempre duzentos e cincoenta até trezentos, e todos vão vestidos com ricas vestimentas pretas, e postos em ordem de procissão com velas nas mãos. Diante d’elles vão oitocentos, novecentos, até mil homens e mulheres disciplinando-se, os quaes vão todos vestidos de vestimentas pretas, e assim homens como mulheres se ferem com disciplinas, que tiram muito sangue; e esta procissão vae repartida em três ou quatro estancias, e entre uma e outra um retábulo ou Christo posto na cuz, e no meio vão dez ou doze irmãos com suas varas, regendo-os e mettendo-os em ordem.
Entre estes disciplinantes vão muitos homens com barras de ferro, e cruzes de pau grandes e pedras às costas: e para claridade da gente levam cincoenta pharoes de fogo, em que se gastam dois mil novellos de fiado de tomentos engraxados em borras de azeite e sebo para darem bom lume, os quaes pharoes vãos postos em hasteas muito compridas e altas; e levam trinta lanternas grandes metidas também em hasteas com velas dentro acesas; e os irmãos que regem, trazem nas mãos quantidades de velas para tanto que faltar proverem de outras: levam mais trinta homens com bacias nas mãos cheias de vinho cozido, e os disciplinantes molham e lavam n’elle as disciplinas, porque lhes apertam as carnes. Da mesma maneira vão dez ou doze homens com caixas de marmelada feita em fatias, as quaes mandam muitas pessoas fidalgas devotas, que dão aos penitentes; e levam outras de confeitados e de cidrão para os que enfraquecerem acorrerem-lhes com um bocado; e vão outros tantos homens com quartas de água e púcaros nas mãos, dando agua aos que d’ella têem necessidade. E tanto que chegam à casa da Mesiricórdia estão physicos que espremem as chagas dos penitentes e lhes lavam com vinho para isso confeccionado, e os apertam e veste, e se vão curados para suas casas.» (Costa Goodolphim, in As Mesiricórdias, Lisboa, Imprensa Nacional, 1897, pág. 50).
Nas nossas aldeias também havia estas tradições ligadas à Quaresma, especialmente nas terras que tinham Santas Casas da Misericórdia, como Vilar Maior, Sortelha, Sabugal, Alfaiates e ainda em Pousafoles e no Soito.
«Na vila do Sabugal ainda subsiste o velho costume de nos domingos da Quaresma, ao anoitecer, toda a gente visitar as igrejas e capelas, cantando o terço no trajecto, até voltarem à igreja paroquial, onde entram somente os homens, ficando as mulheres à porta, entoando todas a Salvé Rainha. O mais curioso é que visitam também o local onde houve outras capelas, como a de S. Pedro e S. Tiago, e as ruínas da ermida de S. Domingos. Quando o povo, com o pároco e alguns homens vestidos de opas, com insígnias e cruz alçada, chegam junto das capelas ou do local em que elas existiram, todos ajoelham e rezam, terminando tudo na igreja paroquial com o canto da Salvé Rainha. Em todos os dias da Quaresma há o costume de encomendar as almas, que consiste num canto triste e sentimental, altas horas da noite, geralmente executado por homens e mulheres que tenham fama de cantar bem. Os rapazes costumam também entoar o terço, em dois grupos, percorrendo todas as ruas, bem distanciados um do outro, rezando alternadamente.» (Joaquim Correia in Terras de Ribacôa.)
Célebre também pela sua espectacularidade, era, segundo o mesmo autor, a procissão dos passos em Ruivós. «Lá apareciam em carne e osso soldados armados de lanças, levando à frente o centurião, com fardas, imitando as dos soldados romanos, a Madalena, de compridas tranças, S. Longuinhos, Simão Cireneu e a Verónica. Não faltava o Calhorra, empunhando e tocando uma grande trombeta, de som grave, rouco, que no dizer do povo, significava: Morra Jesus. O pobre trombeteiro, que era sempre um mendigo, a quem davam um quartinho, isto é, 1200 reis, ia defendido pelos mordomos e pela escolta, metido na sua túnica amarelada, semelhante à pele do lagarto, de chita pintalgada, e nem assim se livrava de pedradas dos rapazes, que consideravam uma boa acção apedrejar o desgraçado, ainda que fosse perto do andor de S. João ou da Virgem, que seguiam na procissão, ou perto do Senhor dos Passos, toscas imagens cujas feições faziam calafrios, devidas ao santeiro Cardépe, do Souto, um curioso inculto, mas habilidoso.. Quando o Senhor dos Passos serviu pela primeira vez nesta procissão, uma mulher do Souto gritou: – Ah! Pai divino, pai divino, feito do castanheiro do ti Corrécha! Desse castanheiro já eu comi castanhas!… Aquela imagem gigantesca causava terror, impressionava a multidão que reunia no largo de S. Paulo, onde era o calvário, junto da velha igreja. Era ali que a substituíam por outra imagem pregada na cruz. Uns soldados jogavam os dados, outros simulavam cravar as lanças no corpo de Jesus, outros levavam-lhe uma esponja à boca, na ponta duma lança. .. Havia três sermões, em que quase sempre era orador o falecido Padre João de Matos (O celebre Padre Matos das Guerrilhas Carlistas e da «Pavorosa», pároco de Aldeia da Ribeira), que arrancava à multidão muitos soluços e lágrimas, sendo ele o primeiro a chorar.» (ibiden.)
Contudo, como todas as outras tradições, estas também se vão perdendo e daqui a uns anos são apenas uma memória do passado, apenas registadas em livros.
A desertificação com a emigração e o decurso do tempo são uma esponja que vai apagando a nossa história colectiva.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O Ministério do Ambiente informou esta terça-feira, que as duas primeiras crias de lince ibérico geradas em cativeiro em Portugal nasceram no passado Domingo de Páscoa no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves.

As duas crias nasceram de parto natural e são a primeira descendência da fêmea Azahar («flor de laranjeira» em árabe) nasceu há cinco anos em liberdade e foi o primeiro animal a ser transferido de Espanha para o centro de Silves, em Outubro passado.
Azahar nunca tinha conseguido engravidar, apesar de várias tentativas, no centro de reprodução de Jerez de la Frontera, de onde foi transferida para Portugal: o stress urbano daquele local terá inviabilizado a gravidez.
jcl (com agência Lusa)

Hoje vou entrar, sem pedir licença, pelos «sabores literários» do Paulo Leitão. Há um livro de Eça de Queiroz, publicado em 1874, que se manteve actual até finais dos anos sessenta, nesse Portugal rural. O Crime do Padre Amaro, assim é o título.

António EmidioVamos enquadrar a época histórica de 1874 até 1970. Nesse espaço de tempo, 96 anos, talvez com o parêntesis da 1ª República, ou talvez não, o vasto Mundo Rural Português, atrasado e pobre, com uma percentagem impressionante de analfabetismo, foi uma presa extremamente fácil da igreja católica, presa da sua influência.
O Estado Novo acentuou ainda mais essa influência. Salazar, o fundador do Estado Novo, começa a sua vida de estudante no seminário de Viseu. Foi depois, já homem, um dos fundadores do Centro Católico Português. Um agente especial de Pio XI, o padre peruano de nacionalidade americana, Mateo Crawley Boeevey, convence Salazar a entrar na política de então, e a tomar as rédeas do poder. Já no Governo, Salazar baseia as suas doutrinas políticas e sociais nas encíclicas Rerum Novarum e Quadragesimo Anno de Pio XI. A igreja católica foi um esteio seguro da ordem e da estabilidade do Estado Novo, foi a maior aliada de Salazar durante o seu longo «reinado». Não é de estranhar portanto, quando eu digo que em 1970, com matizes próprias da época, a igreja tinha um comportamento idêntico ao de 1874.
Vamos agora às iguarias: o livro está recheado delas, mas eu vou referir somente as do jantar que o abade da Cortegaça deu em sua casa ao padre Amaro, ao cónego Dias, ao padre Natário, ao padre Brito, e ao «mariquinhas» Libaninho. Quem serviu à mesa foi a Gertrudes, criada do abade.
Começa o jantar com um suculento caldo de galinha, seguido de uma cabidela de caça, especialidade do anfitrião, segue-se um capão recheado que até à mão foi comido. Tudo regado com um bom vinho da Bairrada. Sobre a mesa estavam espalhadas malgas de apetitosas azeitonas.
As variadas e doces sobremesas foram acompanhadas com um Porto 1815.
«Um pobre viera então à porta rosnar lamentosamente padre nossos, a Gertrudes meteu-lhe no alforge metade de uma broa.»
O aparecimento do pobre levou a conversa para a pobreza que grassava nas Freguesias em redor. Dizia o abade da Cortegaça:
«…há pobreza deveras. Por aqui há famílias, homem, mulher e cinco filhos, que dormem no chão como porcos e não comem senão ervas.
– Então que diabo querias tu que comessem? – exclamou o cónego Dias, lambendo os dedos depois de ter esburgado a asa do capão – querias que comessem peru? Cada um como que é.»
Demorou o jantar três horas. Quando se levantaram para ir tomar café à sombra de uma parreira, todos cambaleavam ligeiramente.
Se por acaso ainda não leu o livro querido leitor(a), leia-o, porque vale a pena. Não pelas iguarias, mas pelo comportamento moral da maior parte dos representantes da igreja católica.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Há já algum tempo que oiço falar na casa de turismo rural, existente em Quadrazais, que é propriedade do Sr. Rui Meirinho e sua filha Colete. Tinha, na verdade, alguma curiosidade pelo que decidi fazer a visita que se impunha. Gostei muito. Estão ambos de parabéns.

José Manuel Campos - Nascente do CôaA Laurinda Melchior, natural de Foios, casada e a residir em Quadrazais, serviu de cicerone visto, que é ela que arruma e organiza a casa sempre que necessário. Pediu autorização à menina Colete, que foi simpaticamente concedida. Obrigado às duas.
Quando já estávamos com a visita quase concluída eis que chegou o patrão, meu amigo Rui Meirinho, que se fazia acompanhar pelo simpático primo Henrique que, em tempos, teve também a feliz ideia de recuperar uma casa em Quadrazais. Comentou-me que, muito embora resida e trabalhe em Lisboa, sempre que pode vem à zona buscar algumas energias que facilmente se consomem lá pela capital.
A minha visita à «Casa do Manego», acompanhado da minha esposa, deveu-se também ao facto de responsáveis por um grupo de escuteiros me ter comunicado que pretendiam trazer até à pousada dos Foios cerca de quarenta jovens mas gostariam de saber se, por aqui na zona, haveria algumas casas onde alguns casais, pais dos jovens, pudessem ficar. Sabemos que é mesmo assim. Por onde andarem os filhos por perto andarão os pais.
A «Casa do Manego» outrora fábrica do sabão está, de facto, muito bem recuperada. Os quatro quartos estão muito bem dimensionados e sobretudo com muita higiene e óptima decoração. Nota-se, perfeitamente, que está ali o gosto e o dedo de uma Senhora como a Colete.
Tirei algumas fotos que pretendo compartilhar com o maior número de pessoas amigas porque, na verdade, muitas vezes não usufruímos destes benefícios por desconhecermos a sua existência.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

No âmbito da Operação Páscoa, que decorreu entre os dias 1 e 4 de Abril, o Comando Territorial da Guarda da GNR registou 14 acidentes de viação, que provocaram seis feridos leves.

Operação STOP da GNRComparativamente ao ano anterior, concluiu-se que se verificou um aumento do número de acidentes (mais cinco) e de feridos leves (mais dois), contudo, das consequências não houve a lamentar vítimas mortais nem feridos graves, o que é significativo para um distrito que regista um enorme afluxo de trânsito neste período.
Durante a operação os militares da GNR fizeram um esforço muito significativo para garantirem a segurança rodoviária, tendo empenhando na mesma um total de 373 efectivos. Durante a operação foram efectuados 184 patrulhamentos nas diversas vias do distrito, sendo controlados 2554 veículos.
Os homens da GNR estiveram especialmente atentos às manobras perigosas e à condução sob o efeito do álcool. Verificaram-se três situações de excesso de álcool no sangue e 25 de excesso de velocidade. Foram ainda elaborados 80 autos de contra-ordenação por outras infracções rodoviárias.
Segundo o comunicado semanal da GNR da Guarda, durante a semana transacta foram detidos nove indivíduos pela prática de diversos crimes e foram elaborados 276 autos por infracções contra-ordenacionais. Para além das ocorrências de natureza criminal, que motivaram a detenção dos seus autores, registaram-se outras ocorrências que levaram ao registo de participações criminais, nomeadamente 16 furtos, sete ofensas à integridade física, cinco danos materiais, um roubo, um caso de violência doméstica e um de tráfico de estupefacientes.
Durante toda a semana registaram-se 29 acidentes de viação, resultando 18 de colisões, nove de despistes e dois de atropelamentos. Destes acidentes resultaram um morto e oito feridos leves.
Durante a Semana Santa a GNR procedeu ainda a quatro acções de sensibilização, subordinadas ao tema «Apoio 65 – Idosos em Segurança» em aldeias dos concelhos da Meda e Guarda, onde estiveram presentes 78 idosos. Numa outra vertente realizaram cinco acções de sensibilização subordinadas ao tema «Defesa da Floresta Contra Incêndios», em localidades dos concelhos de Seia e Aguiar da Beira, onde estiveram presentes 41 pessoas.
plb

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