A ordem de expulsão dos judeus de Portugal, foi de 1496, no seguimento de pedido expresso dos reis católicos, por ocasião os esponsais do nosso D. Manuel, com a filha destes, Isabel.
Não foi uma decisão pacífica do conselho régio, uma vez que as vozes contra argumentavam com o grave prejuízo para o comércio, finança, saberes e ofícios que os judeus tradicionalmente se ocupavam, além de que muitos países, geralmente do Norte da Europa, mantinham comunidades de judeus com bastante proveito para os respectivos países.
As vozes concordantes argumentavam com a questão da unicidade religiosa do país, e o facto de os países com quem tínhamos mais estreitas relações diplomáticas, como Espanha e França, o terem feito.
Venceu esta última facção, com a tese de que era de bom imitar e não melindrar os nossos vizinhos mais próximos.
Esta mania das aparências, não é só de agora, quando emprestamos setecentos e cinquenta milhões à Grécia, e não temos nem para alfinetes… Vem no genes português! É um fado!
E assim a comunidade judaica recebeu ordem de conversão, ou em alternativa, de expulsão forçada por mar para Marrocos. E com eles expulsaram-se também os poucos mouros que ainda havia.
Esta música, documentando o facto, foi bem conhecida em Portugal no tempo de D. Manuel, e perdurou no cancioneiro popular pelo menos até ao século XIX. A letra é em espanhol, o que indicia que a sua origem é castelhana e mais antiga, porque aí o édito de expulsão ser anterior. Ao que consta, o padre José Anchieta, que também era um excelente músico, compôs uma missa, entretanto perdida, com base neste estribilho.
E a judios
À enfardelar
Que mandan los reys
Que passeis la mar.
Como de aparências vivemos, e porque o país não podia dar-se ao luxo de perder uma comunidade economicamente tão importante, deixaram-se embarcar alguns, e aos restantes que não conseguiram embarcar por falta propositada de barcos, arrebanharam-se como gado e baptizaram-se a caldeirinha e hissope.
Salvamos a face e a coroa arrecadou uns cobres dos confiscos e das multas.
É também desta altura um canção que retrata a sina de um judeu, que fugindo de Espanha, lhe confiscaram-lhe todos os bens. Protestou para a justiça do rei e, passado um tempo, foi mandado apresentar-se na praça pública, onde lhe foi lida a sentença, que ele interrompia com apartes. É assim o refrão:
Manda El rei nosso Senhor…
Bueno!
Que se llhe dê…
Mejor!
Duzentos mil…
Gracias.
Açoites.
Vá El rei à la…
Toda esta prosa para quê, pergunta o caro leitor. Só para dizer que hoje vim das finanças e sinto-me como o judeu confiscado; con ganas de mandar tudo esto à la…
À enfardelar, que mando yo!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

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