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A ser verdade o que conta o jornal «Público» sobre o caso de um professor numa escola do concelho de Sintra que se suicidou por não aguentar mais os vexames a que era submetido pelos seus alunos, trata-se de um caso bastante chocante e a merecer uma análise politicamente incorrecta segundo o direito à opinião, consagrado na Constituição da República Portuguesa, que todo o cidadão português tem.
Como se sabe o Ministério da Educação desenvolveu uma campanha (essa sim, negra) contra os professores, no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, no anterior Governo.
Os professores eram os maiores malandros alguma vez encontrados em Portugal, não queriam trabalhar, só queriam faltar, não ensinavam nada, não queriam saber das «famílias» e se os alunos aprendiam alguma coisa (ao que se supõe) não seria por causa dos professores.
Essa campanha, de que foram responsáveis, entre outros, Valter Lemos, Jorge Pedreira (Secretários de Estado) e jornalistas e comentadores como Emídio Rangel e Miguel Sousa Tavares levou a opinião pública e, por arrastamento, os alunos, a achincalharem os professores, colocando todos no «mesmo saco» em defesa daquilo a que eles chamavam «as famílias».
Quer dizer, para esta gente, a escola inclui todos, sobretudo «as famílias», excepto os professores, que nada têm que mandar ou ser obedecidos.
Foram tantas, tantas as leis e decretos feitos por essa equipa do Ministério da Educação, quase todas, pretensamente, dirigidas a favor das «famílias» e contra os professores (o célebre Estatuto do Aluno é só um pequeno exemplo) e tanta a propaganda (sobretudo baseada na avaliação docente, facto que, pessoalmente, pouco me interessa) que a opinião pública passou a ver os professores como uma classe a abater.
Todo o “bicho careta” passou a opinar sobre a escola e os professores, sem que soubessem, na maior parte dos casos, do que estavam a falar.
Ainda há duas semanas foi noticiado que um aluno de 12 anos agrediu um professor com uma cadeira. Aliás, as agressões a professores, entre os próprios alunos e às auxiliares de acção educativa (agora chamadas em «modernês», assistentes operacionais) acontecem nas escolas portuguesas, sem que nada possa ser feito. Não significa isto que a indisciplina seja generalizada, mas é um caso que deve preocupar qualquer cidadão português. «A educação dá-se em casa» é uma máxima que hoje perdeu todo o sentido, dado que os pais se demitem de toda a função educativa e encarregam os professores dessa tarefa. Sabendo bem, como sabem, que o professor está «atado de pés e mãos», sem nenhuma autoridade. Perdeu-se o respeito pela figura do «mais velho» e, sobretudo pelo professor.
Ao contrário de Espanha, onde recentemente, na Comunidade Autonómica de Madrid, as agressões a professores foram consideradas como equivalentes a agressões à autoridade, em Portugal o que interessou (até há pouco tempo) foi dizer o pior dos professores para virar a opinião pública contra eles.
E para isso inventou-se tudo, até um iníquo (não encontro outra palavra para o definir) concurso de colocação de professores que levou docentes com quase 20 anos de serviço e quase 50 anos de idade a serem colocados em escolas a 120 Km de casa (e por 4 anos), como foi o meu caso. Facto que só acontece com esta profissão. Nenhum funcionário de nenhuma Repartição Pública é tratado desta maneira pelos poderes públicos. Haja um mínimo de respeito pela idade e pelo tempo de serviço!!! O concurso de colocação de professores do ano passado, em que professores com menos graduação foram colocados mais perto das suas residências do que outros mais graduados (só porque o foram em Agosto e os outros em Julho), foi das coisas mais vergonhosas que o Governo anterior praticou contra os professores, só para os desanimar. Este é só um exemplo do que tem sido feito em prol da desmotivação e desânimo dos professores.
Que, depois, surjam situações lamentáveis como a do suicídio do professor de Música (parece que os alunos já nem de Música gostam – do que gostarão?) não serão de admirar.
Quem apoiou, insistentemente, essa campanha contra os professores que ponha a mão na consciência e pense duas vezes se valerá a pena continuar a achincalhá-los
Nota: o Governo vai privatizar os CTT, uma Instituição que já vem do tempo da Monarquia (1520), tendo passado a Empresa Pública em 1969, antes do 25 de Abril de 1974. Nada escapa ao ataque feroz aos direitos dos cidadãos. Tenho a certeza que o serviço a prestar pelos privatizados CTT será pior e mais caro que é actualmente. E a Estação de Correios do Soito tem, portanto, os dias contados. Aos privados só interessa o lucro e não os serviços aos cidadãos.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: 8 de Março de 2010.
Local: Guarda.
Autoria: Direitos Reservados.
Legenda: «Homenagem à Mulher da Guarda» Cerimónia de distinção de mulheres do nosso Distrito que se revelaram ou se destacam nos mais diversos domínios. O acto solene – organizado pelo Governador Civil da Guarda, António José Santinho Pacheco foi presidido pela Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz – e contou com a presença de Benedita Rito Dias, Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito.
Informação sobre a actividade da Confraria da Broa de Avintes enviada ao Capeia Arraiana pelo confrade-director Paulo Sá Machado.
«Caros Confrades e Confreiras:
Estamos vivendo os meses dedicados à lampreia, um prato muito especial para muitos, e por outros odiado. A vida é assim feita de contrastes.
Como já vai sendo usual procurámos este ano saborear este requintado prato, nas suas mais variadas formas de ser cozinhado e apresentado.
A Confraria do Mar de Matosinhos, organiza todos os anos uma jantar dedicado à lampreia, e como seu confrade de Honra, não podíamos deixar de estar presente, apreciando uma primorosa e abundante confecção do Restaurante O Gaveto, propriedade do amigo Manuel Pinheiro, situado naturalmente na zona dos restaurantes de Matosinhos. Uma óptima recomendação que fazemos.
Uns dias mais tarde estivemos numa outra catedral de bem comer que é o Restaurante O bem-me-quer igualmente do nosso amigo José Dias, este situado no Campo das Hortas, em Braga, onde para além de ter um serviço impecável, sabe como poucos receber os seus clientes, e de uma simpatia inigualável. Para connosco tem sempre um «miminho» que nos enternece e cativa. Recomendámos a todos uma visita ao «O bem-me-quer» não soa para apreciar a lampreia, mas também muitas outras das suas especialidades. Não indicamos quais, para terem possibilidade de apreciarem as surpresas por que podem ser degustadas.
Por fim deslocámo-nos mais para o Norte e fomos até Ponte de Lima, gastronomicamente famosa pelo arroz de sarrabulho, onde também apreciámos uma lampreia no Restaurante Açude, que para além de uma óptima cozinha permite aos comensais uma vista extraordinária sobre a Vila mais antiga de Portugal e sobre o rio, onde até tivemos oportunidade de apreciar a captura do apreciado pitéu.
Paulo Sá Machado
(Confraria da Broa de Avintes)
A Broa de Avintes é um pão castanho-escuro muito denso, com um sabor agridoce distinto e intenso. Tem um processo de produção particularmente lento: coze cerca de cinco a seis horas no forno. Depois de cozido, é polvilhado de farinha. Feito com farinha de milho e centeio e mel tem o formato de uma torre sineira.
jcl
O Conselho Sectorial de Servicios Sociales da AECT-Agrupación Europea de Cooperación Territorial Duero-Douro difundiu uma convocatória para uma reunião no dia 26 de Março de todos os membros no Centro Cívico dos Fóios, no concelho do Sabugal.
Os membros do AECT-Agrupación Europea de Cooperación Territorial Duero-Douro, com sede em Trabanca, foram convocados para uma reunião ordinária do Conselho Sectorial de Servicios Sociales (Saúde, Serviços Sociais e Acção Social) marcada para o dia 26 de Março, às 15 horas no Centro Cívico dos Fóios.
A Ordem de Trabalhos, assinada pelo director-geral, Jose Luis Pascual, e pelo coordenador territorial, João Henriques, inclui os «relatórios sobre as acções realizadas pelo AECT até à data e projectos actualmente em andamento; informações sobre o programa operacional de cooperação transfronteiriça Espanha-Portugal, propostas de trabalho e projectos, pedidos e perguntas».
Além dos membros do Conselho Sectorial estarão presentes os representantes das freguesias do Sabugal pertencentes ao AECT Duero-Douro, a Associação de Freguesias da Raia e do Côa sediada na Freineda, e das localidade fronteiriças da Freineda, Navasfrías, El Payo, Peñaparda, Villasrubias, Robleda, El Sahugo, Herguijuela de Ciudad Rodrigo, El Bodón, Agallas, La Encina, Fuenteguinaldo, Ituero, Espeja, Morasverdes e Serradilla del Arroyo.
jcl (com Ana Belén Cerezo)
A partir de agora está disponível no mercado mais um produto «Terras do Lince». Trata-se de enchido feito de forma tradicional a partir de porco «Pata Negra». Os suínos são criados em Penamacor, em regime extensivo, em montados de sobro e azinho, a sul da Serra da Malcata, junto à fronteira. A montanheira em sub-coberto, sabiamente feita desde tempos imemoriais, num convívio sereno e ecológico e beneficiando reciprocamente árvores e animais, tem permitido a produção de uma carne suculenta, aromatizada e de sabor intenso.
A salsicharia, recentemente construída na vila raiana, no antigo matadouro municipal, pertence à empresa Vale do Alcaide e foi co-financiada pelo IEFP e pelo Penamacor Finicia. A Câmara cedeu o espaço em regime de comodato com prazo alargado, a empresa elaborou o projecto e executou as obras.
Os diversos tipos de paios e chouriços «Terras do Lince» poderão a partir de agora ser comprados em algumas cadeias de hipermercados nacionais, em França e na Suíça, juntando-se aos queijos, azeite, mel e doces já existentes. A estes produtos juntar-se-ão em breve azeitonas de mesa e outros produtos das terras do lince.
A marca, registada há dois anos pelo município de Penamacor, está disponível para produtos agro-alimentares e serviços e produtos turísticos dos concelhos integrantes da Serra da Malcata (Sabugal e Penamacor), e das regiões espanholas vizinhas Sierra de Gata e Alto-Águeda.
Os representantes destes quatro territórios reuniram-se recentemente em Hoyos para acertarem estratégias de cooperação transfronteiriça e lançarem projectos comuns aos instrumentos financeiros existentes. Há muito que os respectivos municípios cooperam nas áreas do turismo, da educação ambiental, da juventude e, genericamente, do desenvolvimento regional. As candidaturas ao programa POCTEP, antigo Interreg, estão agora abertas e as quatro regiões pretendem candidatar projectos nas áreas do Turismo, das energias renováveis, do emprego e em todas aquelas a que a cooperação possa conferir algum tipo de vantagem.
Um dos temas em discussão na reunião foi justamente a marca «Terras do Lince», em que a vontade de a aproveitar e potenciar foi consensual, para isso, deverá agora ser registada na União Europeia e apostar-se na sua promoção.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
Alguns «ilustres» juntaram-se ontem, 12 de Março, na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa. O pretexto foi o almoço com desgustação dos sabores tradicionais da raia, a amizade e o gosto pelas nossas terras.
O presidente da Câmara Municipal (António Robalo), o presidente da Asssembleia Municipal (Ramiro Matos), o director do Turismo Serra da Estrela (Jorge Patrão), o secretário-geral do INATEL (Carlos Luís), o ex-deputado Alberto Antunes, foram alguns dos ilustres que ontem visitaram a Casa do Concelho do Sabugal à hora de almoço. Embora em grupos separados, houve coincidência na marcação dos dois encontros para a mesma data e hora.
Capeia Arraiana «apanhou» o momento em que se deu o casual e oportuno encontro, e testemunhou a cordialidade havida de parte a parte. Em cada mesa falou-se no Sabugal e no seu desenvolvimento. Um grupo comeu bucho e outros enchidos, vindos de Aldeia do Bispo, na outra mesa houve cabrito guisado, vindo de Malcata.
Para além das duas mesas com os grupos referidos, as restantes estavam igualmente preenchidas, com muitos naturais e amigos do Sabugal degustando os sabores da gastronomia raiana que a Casa do Concelho continua a disponibilizar aos que a visitam.
plb
O livro «Até Amanhã Camaradas», de Manuel Tiago, narra a organização do Partido Comunista Português num período difícil e apaixonante para os que sentiam o espírito revolucionário. A ditadura estava possante, sucedendo-se contudo as greves, manifestações, reuniões clandestinas, distribuição de imprensa subversiva. Tudo, ou quase tudo, em resultado da acção do partido que, a ocultas, semeava a revolta.
Estas acções, historicamente verídicas, revelam a responsabilidade, a disciplina e a coragem dos heróis comunistas que, na penumbra e sujeitos a mil perigos, divulgavam as iniciativas partidárias. São relatos de vidas inseguras, onde o alento e o sentido de uma causa, não conseguem excluir a angústia e as sucessivas apreensões.
Cada um dos personagens é diferente dos outros, pois são seres humanos que, para além da disciplina partidária, têm a sua própria personalidade e os seus sentimentos. É assim que no livro têm lugar o ódio e a traição, o amor e a amizade, o ciúme e a inveja, compondo um enredo que evolui.
«Até Amanhã Camaradas» não é apenas o romance político que para alguns se afigura, é também um romance que nos embrenha no mosaico social e nos sentimentos de pessoas que lutam por um projecto comum.
Sabemos hoje que Manuel Tiago é, afinal, Álvaro Cunhal, o histórico secretário-geral do partido. Assim, temos ainda maior tendência de colar o livro ao projecto político, mas a leitura do romance revela-nos, afinal, um livro singular, repleto de paixões que o indicam como um grande romance da literatura portuguesa.
A um dado passo fala-se de Paulo, um militante que vive na clandestinidade, trabalhando junto dos comités locais. Paulo era nome encoberto, próprio da organização, que sob identidades diferentes colocava no terreno uma rede de comunistas empenhados na expansão da ideologia e na subversão à ditadura. Paulo é, afinal, um homem comum, provindo de famílias pobres, que a todo o instante recorda os prazeres da sua infância. Atentamos ao momento em que a sua mente evoca os trabalhos no forno, na cozedura do pão, alimento essencial em todas as épocas:
«Esse cheiro a pão cozido (apenas mais ácido) era o cheiro característico do lar de seus pais.
A mãe escaldava o pão, amassava-o e, fazendo uma cruz na massa, punha-lhe no centro um dente de alho e recitava:
Marta cozinheira
filha de Jesus Cristo,
pelo caminho que andaste
com Jesus Cristo te encontraste.
Assim como cresceu a graça
de Deus pelo mundo todo,
assim cresça este pão
até ao cimo do forno.
Depois abafava a massa com uma toalha, punha por cima todas as mantas da casa, acrescentava umas calças de homem viradas do avesso, quando desconfiava da massa e punha-se a aquecer o forno com ramada seca, animada com a esperança numa boa fornada: «Até ao cimo do forno!» Ele ia buscar ao quintal a pá e o varredouro, sempre encostado à chaminé da casa. Ao voltar, varria o forno, enquanto a mãe tendia o pão com uma tigela polvilhada de farinha e o ia colocando sobre as folhas de conteira estendidas na pá. Com o pão já a cozer, a mãe dizia-lhe:
- Chico – nesse tempo também Paulo não era ainda Paulo. – Acorda os pães filho!
Ele abria a porta do forno e, com uma varinha, batia em cada pão para ficar bem favado:
- Deus te acorde e te abra os olhinhos! Deus te acorde e te abra os olhinhos! Deus te acorde e te abra os olhinhos!
Como tudo isto ia longe. E como tudo isto estava vivo na sua memória despertada pelo cheiro a pão cozido que se espalhava cada vez mais intenso por toda a casa.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
Está marcado para esta sexta-feira, 12 de Março, no Palácio da Independência, em Lisboa, o lançamento do 5.º número da revista «Nova Águia» com a presença, entre outros, do filósofo e pensador sabugalense Jesué Pinharanda Gomes.
A apresentação do 5.º número da Revista Nova Águia, dedicado aos «100 Anos d’A Águia e a Situação Cultural de Hoje» está marcada para o Palácio da Independência em Lisboa, com a presença de Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira e Manuel Ferreira Patrício.
A revista «Águia» foi uma das mais importantes publicações do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da cultura portuguesa, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A «Nova Águia» pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu «espírito», adaptado aos nossos tempos, ao século XXI, como se pode ler no seu Manifesto. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a Nova Águia assume-se como um órgão plural.
jcl (com Poetícia e Zéfiro)
A mulher foi em tempos vista como ser inferior. Hoje, em certas culturas, isto ainda acontece. E, não julgando a mulher mais valiosa que o homem ou vice-versa, sempre considerei a importância de ambos, precisamente porque são diferentes e é na diferença que a sociedade e todos nós nos podemos enriquecer. Aproveito a semana do dia da Mulher para publicar um excerto do poema «Mulher» retirado do livro «Ecos do Meu Pensar».
Mulher
Mulher que entra
Nas histórias
Notícias
Anúncios
Passerelles
Orgias do harém.
A matriarca dos clãs
Bruxa ou benzedeira
Adivinha ou Feiticeira
Fada ou Cinderela
Branca de Neve ou a Bela
Alcoviteira
Ama ou tratadeira…
…Julieta de Romeu.
É a mulher do campo
Mulher da limpeza ou mulher-a-dias…
…Mulher espancada
Traída ou maltratada
A despromovida
A rameira, a de má vida.
A adúltera, prostituta ou marafona
A meretriz
Mulher fatal
A Primeira Dama
Ou a infeliz.
Na História
A mulher operária
Escolhedora de lãs
Urdideira…
…Numa estratégia patronal
Em aumento de produção
Mas redução de salários
Prolongamento excessivo de horários…
… Na Bíblia
Rainha Santa Isabel, a Grande mulher.
A MULHER e Mãe
A conselheira em Caná
Colaboradora de Deus,
Segundo os escritos sagrados dos Hebreus…
… Isabel, mãe de João Baptista.
A viúva do templo
Que deu tudo quanto tinha
A maior esmola referida então…
… A Samaritana do belo fado
E com sede de Infinito.
A Maria Madalena
Que os pés do Mestre banhou de lágrimas.
As duas Marias
Uma ligeira, activa,
Outra espiritual e meditativa…
… As duas mães do episódio de Salomão
História para comover…
… Ester a salvadora do seu povo
Inspiradora de Racine
E as Santas Mulheres
Que a Cristo seguiram.
Na Cultura, Sophia
De Mello Breyner, na escrita
Dos contos e da Poesia.
Ou Natália Correia
Censurada e contrariada
Mas sensível…
…E de Espanca recordamos
Seus poemas e seus ais
Lídia Jorge
Ou Lobato Faria
São tantas mulheres escritoras
Estudantes ou doutores
E na política?
A Maria de Belém
Calma e sempre sorridente
E a Lurdes Pintassilgo
Que foi Ministra também…
… Helena Roseta
Tão conhecida, abordada
Ou a Lurdes Rodrigues
Que foi muito contestada
Ana Jorge
Ferreira Leite…
E que mais serás mulher?
Tu que sempre serves
Ou te abates
Te entregas
Te repartes
Tanto dás no teu lidar
Que mais te fará a história
Para ficar na memória
O teu longo partilhar?
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Foi apresentado esta semana aos partidos políticos e aos parceiros sociais o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que o governo português irá apresentar a Bruxelas. Neste Programa vão constar as medidas propostas, por Portugal, para combate ao défice e sua consequente redução até 2013. É objectivo que em 2013 o défice se situe em 2,8 por cento, abaixo dos 3 por cento imposto por Bruxelas.
Do que se conhece as medidas propostas passam essencialmente:
• Pela Privatização ou venda da participação do Estado em empresas, designadamente EDP, GALP, REN, TAP, CTT – que amortizará a Divida Pública;
• Congelamento ou actualização inferior ao valor da inflação dos salários da Função Pública;
• Redução de benefícios fiscais e redução das deduções em sede de IRS, nomeadamente despesas com Saúde e Educação e consequente aumento fiscal para a grande maioria de contribuintes portugueses;
• Cortes nos apoios sociais;
• Adiamento de alguns investimentos públicos.
Muito se tem discutido, muito se tem comentado. Existem contudo duas ou três reflexões que eu gostaria de fazer.
Em primeiro lugar gostava de perguntar qual a justificação técnica para que o défice tenha que ser inferior a 3 por cento. Nunca houve uma justificação técnica para se impor um défice inferior a 3 por cento.
Em segundo lugar devemos questionar se um défice inferior a 3 por cento garante um desenvolvimento económico dos países pertencentes à União Europeia ou se este número não terá somente como objectivo esvaziar o Estado, de funções importantes, naquilo que chamam «Emagrecimento do Estado».
Em terceiro lugar a razão por que as questões financeiras se sobrepõem às questões económicas.
Das medidas propostas, neste PEC, interessa-me, neste momento, reflectir e fazer reflectir, de uma forma simples, sobre a redução do rendimento liquido das famílias portuguesas, por via da politica fiscal e do congelamento dos salários na função pública e o seu impacto nas empresas e economia. Já agora que reflexo terá no sector privado o congelamento dos salários na função pública.
Todos sabemos que o tecido empresarial português é constituído em mais de 90% por empresas de pequena e média dimensão – as PME, tão em moda. Todos sabemos que, salvo raras excepções, estas empresas produzem para o mercado interno. Todos sabemos o que acontece a essas empresas quando sem rendimentos as famílias deixam de consumir. Não é necessário ser economista para aceitarmos, que sem vendas, sem escoamento da produção ou dos serviços, as empresas começam a ter dificuldades económicas e financeiras, começam a dispensar (tão suave para dizer despedir) os seus colaboradores (novo vocábulo para dizer trabalhadores), acabam por encerrar – falir. Diminuem as empresas, aumenta o desemprego.
E depois do défice ter diminuído como o vamos manter?
Continuando a congelar salários na função publica, adoptando e adaptando o slogan de um partido de esquerda de há uns anos – «Os funcionários públicos que paguem a crise»?
Aumentando a carga fiscal diminuindo os serviços prestados pelo Estado?
Parece que o défice se combate, e considero necessário que ele seja o mais baixo possível, com o crescimento da economia. Duvido é que a economia cresça de uma forma sustentável com a maioria das medidas agora propostas neste PEC.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Porque assim se faz o presente e o futuro do Concelho do Sabugal…
1. Cimeira Transfronteiriça – A Alcaidesa de Valverde del Fresno, o Alcaide de Navasfrias e o Presidente da Junta de Freguesia dos Fóios reúnem-se esta quinta-feira numa mini-cimeira para discutirem assuntos comuns.
Eis uma boa notícia, e que mostra que no Concelho e na raia espanhola há autarcas que entendem a importância de congregar esforços para definir os trilhos do futuro.
Entusiástico defensor desta estratégia de aproximação transfronteiriça, não posso deixar de saudar os três responsáveis, permitindo-me salientar o papel que o Zé Manel tem vindo a assumir neste campo.
2. Maravilhas Naturais de Portugal – A divulgação dos 21 sítios finalistas a este «concurso» mostra que nem o rio Côa nem a Serra da Malcata foram seleccionados. Nunca me atraiu este tipo de concursos onde as pessoas votam por telefone ou pela Internet, mas é claro que me agradaria muito ter nos 21 finalistas um dos sítios maravilhosos do nosso Concelho.
Não posso, no entanto, deixar de salientar o pouco ou nenhum empenho com que este assunto foi tratado, a nível concelhio. E não falo só da Câmara Municipal ou das Juntas de Freguesia, falo do conjunto da sociedade sabugalense, dos jornais e dos blogues da nossa terra, da Empresa Municipal «Sabugal+», das Associações, das Escolas, da Casa do Concelho do Sabugal, etc., etc.
Penso que ninguém, e aí me incluo também, assumiu este assunto como importante para o Concelho…
3. A saúde do Toni – A semana que passou foi ainda marcada pela questão da saúde do candidato à Câmara Municipal e actual vereador António Dionísio. Felizmente, e após algum receio, a intervenção cirúrgica correu bem e o Toni está em franca recuperação.
Ao Toni, de quem sou amigo desde que nasceu e com quem tive a honra de partilhar a campanha eleitoral, um abraço de solidariedade e desejos de rápidas melhoras, pois o Sabugal precisa de ti…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
O meu compadre, que faz a manutenção de alarmes em bancos, foi há dias fazer um trabalho numa pequena vila do Alentejo. Como necessitasse de algum material para concluir a obra, entrou na tasca lá da terra a perguntar por uma loja de ferragens.
Os únicos clientes, dois velhotes nos seus setenta e picos bem medidos, à pergunta do meu compadre, entreolhando-se, responderam em uníssono:
– Uiiii, amigo…
– Mas não existe cá na terra uma loja de ferragens… É?
– Uiii…
– Não há!… É isso?
– Uiii… O amigo está de carro?
– Sim… Estou. Porquê? é longe?
– Uiii…
– Longe… Quanto?
– Uiii…
– Indo de carro… Quantos metros?… Quilómetros?
– Uiii…
Aqui, um dos velhotes lá se «descoseu»:
– Bem amigo… Siga por esta rua abaixo, depois, andando um bocado, o melhor é perguntar…
– Mas – insistia o meu compadre – é longe?… Muito tempo de carro?
– Uiii…
Agradeceu e entrou no carro. Desengatou-o, deu à ignição, outra vez à ignição, meteu a primeira, «arranhou» a segunda, seguindo pela rua indicada, e quando já se preparava para meter a terceira, viu a meio da rua um toldo encarnado que dizia: «loja de ferragens».
Tinha percorrido uns escassos 50 metros; não mais!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O Departamento de Investigação Criminal da Guarda, da Polícia Judiciária, deteve ontem, dia 9 de Março, em flagrante delito, quatro mulheres e três homens, presumíveis autores da prática de um crime de sequestro.
As investigações tinham-se iniciado na manhã do dia anterior, após a PJ ter tomado conhecimento de que estaria em curso a prática de um crime de sequestro e de quem seriam os seus autores. O sequestro terá sido praticado por pessoas da mesma família e a vítima era um jovem de 20 anos, o qual foi libertado em resultado da acção policial que foi de imediato executada.
Os sequestradores e a sua vítima foram interceptados numa rua da Guarda-Gare, quando seguiam no interior de um automóvel. A PJ optou por não informar quaisquer outros pormenores acerca da operação.
Os detidos, com idades compreendidas entre os 24 e os 72 anos, foram presentes à autoridade judiciária do Tribunal da Guarda para aplicação de medidas de coação.
plb
A Junta de freguesia de Aldeia de Santo António, em parceria com a Câmara Municipal, vai simbolicamente «reflorestar» uma área queimada pelo grande incêndio registado no verão passado, que consumiu mais de 60 por cento da floresta existente nesta freguesia. A iniciativa integra-se no programa municipal denominado «Jardineiros de Palmo e Meio».
A iniciativa vai decorrer durante o mês de Março mas começou a ser preparada logo após os incêndios com a plantação simbólica de uma semente por cada criança do concelho nos viveiros.
A Junta de freguesia da Aldeia de Santo António, logo se associou a esta iniciativa que visa contribuir para a alteração de comportamentos menos correctos em termos ambientais e sensibilizar os mais jovens para a problemática dos incêndios. Foi para isso disponibilizado um terreno queimado com cerca de um hectar, o qual está a ser preparado, pela Junta, para que as crianças possam fazer a sua acção de reflorestação.
Esperamos que com esta iniciativa se consiga convencer os proprietários que viram as suas plantações e terrenos ser consumidos pelas chamas, a curto prazo, possam fazer o mesmo nestas áreas ardidas, pois é um triste cenário aquele que agora encontramos nestes locais.
Nuno Mota
(Presidente da Junta de Freguesia de Aldeia de Santo António)
8 de Março. Dia Internacional da Mulher. Desde 1975, em sinal de apreço pela defesa de melhores condições de trabalho e direito de voto da mulher iniciada com uma greve em 8 de Março de 1857, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher. O Capeia Arrraiana associa-se a esta data destacando o papel fundamental da mulher no desenvolvimento e progresso das sociedades actuais.
Não me vou referir a obras feitas ou por fazer, aliás não é essa a minha vocação, vou escrever no feminino, vou dizer que as mãos dessas mulheres que têm cargos políticos no Concelho do Sabugal, e também a sua inteligência, demonstram que não é só no trabalho e nas lides domésticas, que são eficazes e produtivas.
(Por hoje ser o Dia Internacional da Mulher pedi para anteciparem a publicação do minha colaboração semanal, que normalmente é editada à terça-feira).
Vi-as falar ao povo que as elegeu sempre numa postura de respeito e verdade, vi-as falar nas assembleias, não tendo outro objectivo senão o bem das suas Freguesias. Pessoalmente, não vejo nestas atitudes um acto de rebeldia e de emancipação em relação ao homem, vejo uma vontade e dedicação ao bem público, e também uma rejeição ao poder central, uma demonstração de vontade e de querer transformar este Concelho do interior abandonado pelos políticos de Lisboa.
E quantos sacrifícios não fazem! Com o trabalho e os problemas da governação, não descuram a educação dos seus filhos, não descuram o carinho de esposas que devem aos seus maridos, e a diário vão para o trabalho. Tudo isto com a lide da casa. É preciso muita fortaleza interior, podemos dizer que é um heroísmo silencioso que têm no interior da alma. Não são figuras decorativas, são exemplos de coragem e valor. Atrevo-me a dizer que todas elas são seguidoras desse coração nobre, que assumiu o preço que se exige viver na verdade, na moral e na ética, que foi a Lucinda do Casteleiro. Como ela, praticam o bem, que é a coisa verdadeiramente grande e excelsa.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
O Sporting Clube do Sabugal recebeu e venceu por um golo sem resposta a equipa do Figueira de Castelo Rodrigo, alcançando assim a segunda posição da tabela classificativa, a dois pontos do líder, que é o Aguiar da Beira.

Hoje, dia 7 de Março, foi disputada a 17ª jornada do campeonato distrital da primeira divisão, tendo o Sporting do Sabugal recebido a equipa que então ocupava a sexta posição na tabela classificativa, com os mesmos 29 pontos que a equipa caseira (então na 5ª posição). O Ginásio Clube Figueirense saiu do Municipal do Sabugal derrotado por uma bola a zero.
Para alcançar mais esta vitória que fez com que o Sabugal se desloca-se para o 2º lugar na tabela, com 32 pontos, a 2 do líder. a A.D.R.C. de Aguiar da Beira, a equipa técnica, constituída por Manuel Barbosa e José Carvalho, apostou no seguinte onze: Fred (guarda-redes), Batista, Sérgio, Janela, Tó Zé (capitão), Pires, Faneca, Jorgito, Manata, Ricardo e Paulito.
O jogo começou com um indício de quem seria o vencedor da partida, com uma oportunidade desperdiçada por Ricardito. Ainda assim foi na primeira parte que surgiu o único golo da partida, por intermédio de Paulito, com um excelente golo de «chapéu» que deixou impotente o guardião oponente.
Na segunda parte, de salientar a bola na trave, já nos minutos finais, por parte da equipa visitante que fez tremer os adeptos da casa. Quanto à equipa de arbitragem, temos de questionar o porquê de 6 minutos de compensação.
Cláudia Janela
A Junta de Freguesia de Foios, a equipa de Sapadores, o Grupo Cultural e Desportivo, a Associação de Caça e Pesca e os Vigilantes da Reserva Natural da Serra da Malcata acordaram aceder e envolver-se na acção «Sabugal Concelho Limpo». A iniciativa vai ser levada a efeito no próximo dia 20 de Março tal como a Câmara Municipal do Sabugal divulgou através de cartazes que foram distribuídos por todo o concelho.
Já foi feito o levantamento dos locais onde irão decorrer as mais diversas acções.
Para além das instituições acima referidas aceita-se a participação de todas as pessoas que se queiram associar a esta bela iniciativa.
Se não quiser ou não puder participar mas se souber de objectos que estejam depositados no limite goegráfico de Foios agradecemos que nos informem para podermos ir recolhe-los e depositá-los na lixeira que está por detrás do cemitério.
Por falar em cemitério também pretendemos pedir às pessoas que vão tratar das sepulturas dos seus entes queridos que não atirem com nada para fora dos muros. Isso é uma autêntica vergonha. Depois lá têm que ir os elementos da Junta, Sapadores ou outros funcionários a apanhar esse lixo. Acha isso bem feito? Claro que não.
Dessas acções nem os próprios defuntos devem gostar.
Se vir alguém deitar o lixo para fora do cemitério diga-lhe, imediatamente, que tem um contentor à entrada. Então tanto pediram o contentor e continuam (só algumas pessoas) a deitar o lixo para onde muito bem lhes apetece?
Sejam correctos, educados e asseados.
Bem-hajam.
A Junta de Freguesia de Foios
O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) abriu as inscrições, até 30 de Abril, para a frequência de cursos superiores para candidatos maiores de 23 anos.
Está aberto, no Instituto Politécnico da Guarda o prazo de inscrição para a frequência do dos cursos superiores, leccionados nas Escolas que integram o IPG por parte dos candidatos maiores de 23 anos.
Os interessados devem preencher um formulário que será facultado pelos serviços académicos e que deverá ser entregue até ao dia 30 de Abril.
A afixação e divulgação das datas da entrevista e provas ocorrerá a 7 de Maio e a realização das entrevistas está agendada para o período de 12 a 20 de Maio.
De acordo como o calendário divulgado pelo Instituto Politécnico da Guarda, a realização das provas teóricas ou práticas terá lugar entre 25 de Maio e 18 de Junho.
A divulgação da lista definitiva de seriação será efectuada a 21 de Julho de 2010.
Mais informações na página do IPG. Aqui.
jcl
A Confraria da Cerveja no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima no Minho.
A XVIII Feira do Queijo Serra da Estrela, Mel e Enchidos de Oliveira do Hospital organizada pelo município local decorre entre os 7 e 20 de Março e inclui entre outras actividades o XXI Capítulo da Confraria do Queijo Serra da Estrela.
A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital está apostada em ajudar a promover como marca de excelência o Queijo Serra da Estrela – um dos melhores do país e do mundo – e organiza até 20 de Março a XVIII Feira do Queijo Serra da Estrela, Mel e Enchidos.
O pontapé de saída é dado este sábado, 6 de Março, com a realização do jantar promocional do certame na Pousada do Convento do Desagravo em Vila Pouca da Beira.
Entre 7 e 15 de Março decorre a Semana da Gastronomia Regional com a participação de 13 restaurantes locais. As ementas oferecem arroz de suã, caldeirada de borrego, borrego assado, torresmos à moda da Beira e enchidos com grelos e morcela da Beira. À sobremesa reina o Queijo Serra da Estrela acompanhado por tijelada, requeijão com doce de abóbora, mel e cavaleiros.
No mercado municipal os visitantes poderão provar e adquirir mel, enchidos, vinho do Dão, artesanato, coleccionismo e velharias ao som de música tradicional.
O programa do dia 20 inclui o XXI Capítulo da Confraria do Queijo Serra da Estrela com provas de iguarias e a tradicional mostra de ovinos da raça Serra da Estrela. A cerimónia solene que antecede o banquete terá lugar na Casa da Cultura César Oliveira com a entrega de prémios do concurso de fotografia e a entronização de novos confrades.
A autarquia celebrou, recentemente, um protocolo que envolve 18 municípios, e sete associações de desenvolvimento local – entidades gestoras do Proder como a Adiber, a Adruse, a Turismo Centro de Portugal e Turismo Serra da Estrela – e a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) para a valorização do DOP Serra da Estrela. O objectivo é criar condições para melhorar a comercialização dos produtos Serra da Estrela (queijo, requeijão, borrego e manteiga de ovelha) como produtos de excelência associados à DOP Serra da Estrela e a Oliveira do Hospital.
Recorde-se que a Confraria do Queijo Serra da Estrela é uma das duas madrinhas da entronização da Confraria do Bucho Raiano.
jcl
O governo acaba de publicar o diploma regulamentar sobre as taxas a aplicar nas áreas protegidas (Aps). Depois de uma anterior tentativa frustrada para taxar a quase totalidade das actividades desenvolvidas nas Aps e da contestação generalizada dos afectados, o ICNB veio de novo à carga: suspensa durante três meses, a portaria volta agora com algumas alterações. Tal como na famigerada lei dos poços, o Ministério do Ambiente, mais uma vez, dera marcha-atrás, mas desta vez para avançar de novo, três meses depois. A pressa em ir ao bolso dos contribuintes nem sempre dá bons resultados!
Concordo com o princípio do utilizador pagador, mas nunca vi com bons olhos as há muito anunciadas taxas das Aps. Algumas, foram agora abolidas, mas ainda assim há muita taxa e pouca conservação na nova portaria, com valores a roçar o exagero.
Os agricultores (se ainda os houvesse) ficarão agora isentos. Neste caso imperou o bom senso. Quem não está isento são as autarquias que para construção de uma nova via ou alargamento de uma existente, pagarão uma taxa que pode ascender aos 5000 euros! Curiosamente o estado tem uma lei que impede as autarquias de cobrar taxas aos serviços da Administração Central. Nunca entendi a má vontade do estado para com as autarquias nem esta dualidade de critérios!
Se uma qualquer entidade, ou um particular pretender a partir de agora construir um edifício com mais de 200 m2, dentro de uma Ap, poderá pagar uma taxa até aos 10 000 euros, dependendo do tamanho. Mas há taxas para todos os gostos!
É um claro desincentivo às actividades nestas zonas tão deprimidas, cuja preservação está hoje mais ameaçada, justamente pela falta de actividades humanas.
Pode dizer-se que é o próprio ICNB a promover o abandono das Aps. As actividades de turismo, recreativas ou de lazer, no fundo as que melhor se adequam às áreas protegidas, ficam agora mais caras e difíceis de desenvolver. Acrescente-se aqui a burocracia e o tempo geralmente gasto na obtenção dos pareceres e autorizações.
As populações e regiões que souberam ao longo de séculos preservar a sua natureza, vêm-se assim injustamente penalizadas pelo seu altruísmo. Paga o justo por pecador!
A razão desta nova política das Aps, não é senão a razão do deficit e dos parcos orçamentos do ICNB que assim tenta minimizar a falta de recursos. Tenho, porém, dúvidas que assim se resolva o problema do instituto. O mais certo é que por tanto se esticar a corda, ela parta, como tem partido em outros sectores da vida nacional.
O problema é, mais uma vez o mesmo: o hábito de passar do 8 ao 80! Quando há uns anos, neste país que nem é dos mais prendados em termos naturais, as Aps proliferaram como cogumelos, enxamearam de funcionários do quadro, estagiários, contratados, vigilantes, biólogos, ninguém se preocupou com os custos, nem com quem iria pagar a factura. Vivia-se à tripa forra! Agora que chega o aperto, é o que se vê! Em alguns casos não há sequer dinheiro para o gasóleo!
Mas ainda assim, não podemos aceitar mais este rude golpe contra as zonas deprimidas e já de si tão castigadas com restrições, até porque a conservação da natureza nada ganha com estas ideias peregrinas. Em vez de se afugentarem, as poucas iniciativas existentes nas Aps deviam ser acarinhadas, feitas naturalmente com estrita observância da salvaguarda dos ecossistemas e da natureza.
Não podem ser os residentes a pagar a factura da conservação da natureza e da preservação das espécies, até porque um dia destes alguém terá que pagar também a preservação da espécie humana (cada vez mais ameaçada de extinção) nas reservas e parques naturais. E isto não é mera figura de retórica, dado que a maioria das nossas Aps se localizam em zonas do Interior que caminham aceleradamente para o ermamento.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
Com o arranque do WTCC este fim-de-semana em Curitiba, Brasil, está disponível desde 5 de Março uma aplicação para iPhone dedicada ao Mundial de Turismos onde participa o piloto português Tiago Monteiro.
Esta nova aplicação gratuita para iPhone é fundamental para todos os que gostam de saber a cada minuto os resultados e pormenores do WTCC o mais competitivo dos campeonatos FIA.
Dividido nas categorias «Notícias», «Corrida» e «Temporada», o serviço inclui dados exclusivos e informação actualizada ao minuto. O serviço disponibiliza resultados e estatísticas e permite aceder às informações oficiais sobre pilotos e equipas.
As sessões de qualificação, warm up e corridas estarão disponíveis para os amantes da modalidade com informação em tempo real (live timing).
Com esta aplicação, disponível para download através da Apple store, será possível saber tudo sobre o WTCC e acompanhar o percurso do piloto Tiago Monteiro no Mundial de Turismos.
Aplicação com o serviço WTCC para iPhone. Aqui.
jcl
Saramago percorreu Portugal de olhar atento, seguindo quase sempre roteiros pré-definidos, tomando notas para depois escrever as impressões da digressão. Não podia ali faltar uma passagem pelo Sabugal e por Sortelha, bem como a outros lugares da Beira, onde se destacou Cidadelhe, o «calcanhar do mundo», onde comeu pão e queijo.
O livro «Viagem a Portugal», teve a primeira edição em 1981, quando José Saramago ainda não estava no seu esplendor. Escrevera já o «Manual de Pintura e Caligrafia», por muitos considerado o seu melhor livro, e já estava também editado o «Levantado do Chão», a grande epopeia do Alentejo e do seu povo lutador. Só depois viriam os livros de referência, como «Ano da Morte de Ricardo Reis» ou o «Memorial do Convento», que rapidamente o atiraram para a ribalta.
Esse livro de viagens pelo país, de que aqui damos nota, é, antes de mais, o resultado de uma jornada que tinha por intuito descobrir caminhos diferentes daqueles que todos conhecem e indicam. Descreve originalidades, observando e notando o que achou digno, saindo do esboço a que estamos habituados.
Mas a descrição da viagem deu numa interessante narrativa. A narrativa de um viajante que vive interiormente do percurso que faz. Descobre caminhos e lugares, confirma expectativas, esbarra com surpresas, como que viajando dentro de si próprio, reflectindo os sentimentos e as impressões que a viagem lhe coloca. «Viagem a Portugal» não é um simples livro de viagens, na convencional classificação do género literário. É afinal um livro de reflexões e de sensações estampadas na mente de um viajante que anda na missão de descobrir.
O viajante aportou na Guarda, em fim-de-semana, a altas horas, bateu à porta do Hotel de Turismo, mas não achou quarto disponível, o que o levou a passar a noite no automóvel, sentindo aí o frio tenso destas paragens. Tomaria depois por base esse hotel e partiu da cidade, que primeiro visitou, em exploração.
Parcas são as referências ao comer deste original viandante, coisa pouco comum em relatos de viagens. Na verdade o viajante alimentou-se, degustou alguns dos nossos pratos típicos, mas estava mais voltado para descrever o que via do aquilo que lhe sabia.
Logo quando ficou no carro, naquela primeira e gélida noite, refere que passou a noite «trincando bolachas para enganar o apetite nocturno e aquecer ao menos os dentes». E também nos diz que, depois de obter quarto e dormitar um pouco, almoçou no hotel e só então foi ver a cidade. À noite jantou em maior sossego, de novo no hotel, onde achou a comida divinal, e descobriu a simpatia do Sr. Guerra, chefe de cozinha, natural de Cidadelhe. A inesperada amizade levou-o no dia seguinte ao «calcanhar do mundo», de onde retiraria as melhores impressões da passagem pelas nossas terras.
Encontrou em Cidadelhe uma terra surpreendente onde, para além das pedras, do precioso palio e do original «cidadão», descobre o verdadeiro prazer da gastronomia popular:
«”São horas de merendar”, diz Guerra. “Vamos a casa de minha irmã.” Descem pelo caminho que trouxeram, lá está o Cidadão de sentinela, e vão primeiro a uma adega beber um copo de tinto-claro, ácido, mas de uva franca, e depois sobem os degraus da casa, vem Laura ao limiar: “Entre, esteja na sua casa.” A voz é branda, o rosto sossegado e não é possível que haja no mundo mais límpidos olhos. Está na mesa o pão, o vinho e o queijo. O pão é grande, redondo, para o cortar é preciso apertá-lo contra o peito, e nesse gesto fica a farinha agarrada à roupa, à blusa escura da dona da casa, e ela sacode-a, sem pensar nisso. O viajante repara em tudo, é a sua obrigação, mesmo quando não entender tem de reparar e dizer. Pergunta Guerra. “Conhece o ditado do pão, do queijo e do vinho?” “Não conheço.” “É Assim: pão com olhos, queijo sem olhos, vinho que salte aos olhos. É o gosto da terra.” O viajante não crê que as três condições sejam universais, mas em Cidadelhe aceita-as, nem é capaz de conceber que possam ser diferentes.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
Recebemos este texto de Sérgio Paulo Silva, o caçador de Salreu, Estarreja, que gosta de calcorrear os campos da raia sabugalense, onde manifesta o seu desagrado pela poluição visual que agora ali abunda.
Aída Acosta, espanhola de S.Martin de Trevejo, Cáceres, escreve poemas e tem uma paixão indisfarçável pela Raia (de que às vezes nos dá testemunho no seu blog «Lluvia de Libélulas») como seu pai, também poeta, que no conjunto da sua obra escreveu um poema que é um hino à bravura e à sensibilidade dos contrabandistas portugueses da raia. Aída Acosta, espanhola, desde Ciudad Rodrigo ou do seu pueblo, escreve poemas como há muitos séculos escrevia Cervantes ou como agora tantos outros escrevem, e em cada dia trava outra batalha espalhando a sua voz plural pela internet contra a instalação de torres eólicas na Sierra de Gata.
Ao meu computador chegou o seu grito e as imagens do mal que invadiu a sua querida serra, imagens que me doeram na alma porque eu também dividi o meu querer raiano pelos montes de lá, agora escancarados aos ventos, e porque à minha porta conheço o escarro. Nos Fóios e em Vale de Espinho, no Sabugal profundo, foram colocadas torres de produção de energia eólica. Em nome da energia limpa deram a essas pobres aldeias a poluição paisagística e sonora. Os benefícios financeiros são irrisórios e as escolhas foram dirigidas estrategicamente para aldeias de populações envelhecidas e rarefeitas onde a capacidade de protesto e resistência são nulas. À falta de outros investimentos que bem mereciam, os responsáveis locais aceitam as eólicas como as putas da estrada aceitam qualquer cliente por mais nada lhes restar. E a nódoa fica e multiplica-se.
D. Quixote, como o teceu Cervantes, via a besta nos moinhos e ergueu contra eles a sua lança. Aída Acosta, tantos séculos depois, queima todo o seu amor pela raia clamando contra as pás fantasmagóricas que invadem as serras. Sei do que fala e o que sente. Apaixonei-me, eu que sou do mar, pelos horizontes raianos e aprendi de cor os seus trilhos e cheiros, os contornos de cada monte. Agora, quando caminho por essas aldeias, já não quero olhar o longe, abrir desmesuradamente o coração. Quando vem o tempo do calor, sigo pelas veredas olhando para o chão onde alguns chupa-mel me podem emprestar um pouco de ternura e, no tempo frio, posso perceber a presença das perdizes. Não, não quero olhar todos os longes da raia porque já não tenho a força da seiva raiana da Aída e sei como foi inútil a valentia do Quixote.
Sérgio Paulo Silva
Esta aldeia Global que a todos envolve e compromete, faz a história do tempo, muda pedaços de vida, transforma registos, saberes, valores e viveres… Tantas vidas que se articulam, se interligam para que, cada um seja o eco do outro e cada registo corresponda a uma consciência colectiva que pode ser benéfica mas também dominadora. O poema «Os grandes espaços não têm alma?» é retirado do livro «Ecos do meu pensar».
Os grandes espaços não têm alma?
Ouvi dizer mas pergunto:
Não têm alma?
Ou têm várias almas
Fundidas num labirinto de promessas
Num emaranhado de conceitos
Num enredo de ideias vividas
Embrulhadas num espaço sem espaço
Num lugar sem lugar certo
Num sítio místico
Porque sem falar de si
Sem falar de ti
Sem falar de nós
É também a nossa voz?
Um trânsito sem fim
Em becos sem saída
Acumulando veículos
Em vielas e vielas, num deslizar lento…
Filas e filas duplicam
Confusões se multiplicam
Se repetem sem rigor
Parecem não cumprir
Sem o pudor de não deixar seguir…
Mas vai e procura
Sente o pulsar de grandes massas…
Sim, espaço grande tem alma
Alma de múltiplos viveres
Alma de múltiplos sentires
Alma eterna nunca definida
Mas sempre num espaço reunida
De muito ou pouco abraço
De sentimento baço
Num desafio informe
Ou disforme
Mas vivo e atrevido
De muito e misto viver…
«O Cheiro das Palavras», opinião de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Quinta-feira, 4 de Março, dia de greve geral na Função Pública. Greve que une todas as estruturas sindicais, greve que do ponto de vista prático não terá qualquer efeito, greve que contribuirá também ela para a redução do défice. A esta hora estaria no meu local de trabalho, hoje estou escrevendo esta crónica.
O protesto tem no essencial três razões: protestar contra o congelamento dos salários, contra a penalização nas pensões de reforma, contra a precariedade laboral, no fundo pela valorização do serviço público e dignificação dos trabalhadores.
Tenho a noção e a certeza que esta greve, numa altura em que muitos portugueses estão no desemprego e muitos outros se encontram em situação de precariedade, não será bem vista pela generalidade da opinião pública, agravado ainda pelo facto de uma grande maioria dos comentadores a criticarem, pois a eles as medidas impostas à Função Pública não os afecta. Mas protestar pela manutenção do poder de compra, lutar por direitos, assumir e defender o serviço público é para mim um dever.
Existem alternativas para combater o défice e este combate não tem que passar sistematicamente pela desvalorização do trabalho. O aumento da produtividade não se atinge com a sucessiva desmotivação dos recursos humanos, sejam do sector privado, ou do sector público.
Enquanto se congelam salários, o Orçamento de Estado para 2010 consagra 1.318,999 milhões de euros para aquisição de serviços externos e 9.146,2 milhões de euros para reforço da estabilidade financeira, ou seja, para apoio ao sistema financeiro, para referir somente 2 exemplos.
No ano de 2009 o apoio ao sistema financeiro foi de 20 milhões de euros, os impostos pagos pela banca diminuíram 15,6%, quando os lucros aumentaram, resultado dos benefícios fiscais concedidos ao sector financeiro. Em termos de benefícios fiscais foram concedidos ao off-shore da Madeira cerca de 1.092 milhões de euros. Pensemos e façamos uma reflexão sobre estes dados. Dirão alguns, opções. Pois é. Mas, é contra estas opções que hoje os trabalhadores da Administração Pública protestam.
É preciso dizer que o congelamento da tabela salarial tem como consequência que, em 2010, vão existir trabalhadores no sector público que têm de vencimento 450 euros, quando o Estado estabeleceu para o mesmo ano como salário mínimo nacional 480 euros. São as contradições de uma sociedade, governada pela obsessão de défice.
Contradições que são bem visíveis quando o vencimento dos gestores públicos está fixado em 4.752,55 euros e temos gestores a usufruírem vencimentos de 18.217 euros, caso dos CTT, ou de 24.939 euros, caso da CGD.
Perante tudo isto, não terão razões de protesto, os milhares de trabalhadores que em 2010 continuarão a ter um vencimento de 450 euros?
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
A cidade da Guarda acolhe, de 10 a 13 de Março, um Ciclo de Cultura Judaica, onde haverá cinema, música, visitas pedagógicas. Os pontos altos serão porém uma conferência e um seminário organizado pelo Centro de Estudos Ibéricos.
O ciclo é uma realização conjunta da Agência para a Promoção da Guarda e do Teatro Municipal da Guarda (TMG), onde, de resto, se fará no decurso do evento a estreia em Portugal do grupo musical polaco Cukunft.
Depois de Trancoso é a vez do Município da Guarda debater o judaísmo e tentar tirar partido dos vestígios judaicos que a cidade e o concelho possuem.
A abrir o c ciclo realiza-se no dia 10 de Março, às 14h30, a conferência «A Cultura Judaica nos dias de hoje», onde a intervirá a escritora e investigadora Maria Antonieta Garcia, professora na Universidade da Beira Interior e especialista em Cultura Judaica.
Ainda nesse primeiro dia passa no Pequeno Auditório do TMG, o videograma «Os últimos Marranos», realizado por Frédéric Brenner e Stan Neumann. O filme, premiado com o galardão «Futura» em Berlim, aborda a história de 100 mil judeus portugueses que foram obrigados a conversão ao cristianismo, continuando porém a manter as práticas judaicas em segredo.
No dia 11 de Março, realiza-se no Auditório do Paço da Cultura o seminário «Judiarias da raia – Legado e futuro», organizado pelo Centro de Estudos Ibéricos, que reunirá vários especialistas em cultura judaica, vindos de Portugal e de Espanha.
plb
Aproxima-se a cerimónia mais aguardado do ano para os lados de Hollywood. Este ano são 10 os filmes que concorrem à estatueta de «Melhor Filme do Ano», numa lista sempre muito subjectiva.
É já no próximo Domingo que os cinéfilos se vão ficar a saber qual a fita que a Academia considera ser a melhor do ano. Na linha da frente como favoritos estão «Avatar», o mega sucesso de James Cameron, e «Estado de Guerra», de Kathryn Bigellow, cada um com nove nomeações. Se o épico espacial de James Cameron já era esperado na lista, e muitos acreditam que será o grande vencedor da noite, a presença de «Estado de Guerra», filme que já abordei aqui, é uma surpresa. Em particular por abordar um tema complexo: a história de um grupo de soldados especialistas em minas e armadilhas no Iraque.
Na lista há outras surpresas, como um outro filme de ficção científica, «Distrito 9», uma fita produzida por Peter Jackson (realizador da trilogia «O Senhor dos Anéis») que foca a presença de uma raça extraterrestre na África do Sul que acaba fechada num ghetto, espelhando o período do apartheid no país. Outra surpresa na lista dos nomeados a melhor filme é «Uma Outra Educação», uma produção britânica da realizadora dinamarquesa Lone Scherfig que nos conta numa história simples, algo comum aos seus filmes, o primeiro amor de uma adolescente por um homem mais velho que não é o que parece.
Mais habituados a estas andanças são os filmes «Sacanas Sem Lei» (Quentin Tarantino), «Um Homem Sério» (Joel e Ethan Coen), «Up – Altamente» (Pete Docter e Bob Peterson) e «Nas Nuvens» (Jason Reitman). O primeiro é de um dos enfants terribles de Hollywood, o autor de «Pulp Fiction» e «Cães Danados», que tenta finalmente o Óscar com uma excelente homenagem ao estilo Western Spaghetti, mas passando este universo para a II Guerra Mundial.
«Um Homem Sério», dos irmãos Coen, dupla que conquistou o galardão há dois anos com «Este País Não é Para Velhos», não é um filme fácil de gostar e a sua presença na lista também é de certa forma surpreendente, pois esta fita é de um humor negríssimo e passa-se no universo judeu e conservador. Não acredito que caia nas boas graças da Academia.
«Up – Altamente» é o último filme da fábrica de animação digital Pixar e também ele uma homenagem a um estilo de cinema clássico: o cinema de aventuras dos anos 1940/1950. Jason Reitman, com a sua terceira obra «Nas Nuvens» (a segunda que consegue colocar na lista de candidatos a melhor filme do ano após «Juno») consegue uma vez mais atrair as atenções de Hollywood, tornando-se um dos mais promissores realizadores desta geração. Se conquistasse o Óscar era uma prova de que a Academia dá valor aos mais novos.
Por fim a lista termina com dois filmes: «Precious» (Lee Daniels) e «The Blind Side» (John Lee Hancock). O primeiro tem sido um dos filmes mais falados do ano, mas na minha opinião a sua popularidade resulta mais do efeito Oprah Winfrey (a popular apresentadora é uma das produtoras do filme) do que do mérito desta história de uma rapariga negra obesa que sofre graves abusos em casa. O segundo é para mim desconhecido, pois ainda não estreou por cá e segundo consta apenas deverá estrear a 25 de Março, quando a febre dos Óscares passar.
Concluindo: a lista deste ano tem filmes para todos os gostos. Palpites são difíceis de fazer, pois o efeito surpresa reina neste tipo de eventos. Se por um lado «Avatar» e «Estado de Guerra» partem como favoritos, há obras que poderão vir a baralhar as previsões. E aqui falo sobretudo de «Sacanas Sem Lei», «Up – Altamente», «Nas Nuvens» e «Precious». Os restantes já se podem dar satisfeitos pela nomeação.
E se fosse eu a votar? Apesar de na minha lista dos melhores do ano passado ter colocado a animação da Pixar à frente de «Sacanas Sem Lei», abria uma excepção e entregava o Óscar. Não só premiava um dos meus realizadores favoritos como distinguia um dos poucos autores que ainda vão surgindo no Cinema, que consegue sempre fazer obras muito originais a partir de géneros clássicos. É um verdadeiro amante da Sétima Arte.
Domingo se saberá quem será o grande vencedor.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
O vereador socialista António Dionísio pediu a suspensão de funções, a fim de tratar de um problema de saúde.
O vereador do PS, António Dionísio, informou os demais elementos do executivo na última reunião de Câmara, ocorrida ontem, dia 3 de Março. António Dionísio transmitiu ao Presidente da Câmara e aos vereadores do executivo, que tem sentido alguns problemas de saúde, que não especificou, que lhe limitam a capacidade de se dedicar nos devidos termos às suas funções de vereador, pelo que se vê obrigado afastar-se, embora por um período pequeno, contando retomar em breve as suas funções.
Face à suspensão de mandato do ex-candidato do Partido Socialista a presidente da Câmara Municipal, o mesmo será agora substituído, nor termos legais, por Francisco António Simões dos Santos Vaz. O novo vereador do executivo camarário, que exercerá funções temporariamente em representação do PS, é guarda-florestal, tem 43 anos e é natural de Alfaiates.
plb
O processo de revisão do Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal pode e deve ser um elemento decisivo para o desenvolvimento do nosso Concelho.
A revisão do actual PDM teve o seu início há largos anos, não se conhecendo ainda a data da entrada em vigor das novas regras urbanísticas.
Este atraso não me surpreende dada a conjuntura nacional e regional em que tem decorrido, com constantes alterações da legislação e criação de novas leis de ordenamento do território, situação que vem colocando a cabeça em água aos Executivos Municipais e às equipas técnicas que os elaboram.
Porém, há males que vêm por bem, e no caso do Sabugal este relativo atraso pode ser considerado uma bênção.
Na verdade, decorre das palavras do actual Presidente da Câmara, que se vai avançar de forma célere e decisiva com a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Económico e Social (PDES).
Ora venho defendendo há muitos anos que uma política de ordenamento de um território deve partir de uma clara visão estratégica do desenvolvimento desse mesmo território, colocando os princípios de gestão do território ao serviço dessa mesma estratégia.
Não conheço o que já está produzido a nível da revisão do PDM, mas este compasso de espera deveria permitir avaliar as opções tomadas em termos do que venha a ser o PDES, pelo que o facto de os dois documentos virem a ser elaborados em paralelo é algo de bom.
Por outro lado, parecem estar criadas as condições para que os diferentes Partidos com assento na Assembleia Municipal estejam informados em permanência, após a criação em Dezembro da Comissão Eventual de Acompanhamento da Revisão do PDM.
Esta Comissão criada a pedido do actual Executivo, é demonstrativa de uma postura diferente, permitindo acreditar que se entrou numa era em que todos os sabugalenses, independentemente da sua filiação ou simpatia partidária, são chamados a contribuir para a definição das estratégias de desenvolvimento do nosso Concelho.
Aguardo agora que o processo de elaboração do PDES arranque no mais curto espaço de tempo e que, de igual modo, o Executivo Municipal crie as condições de participação de todos.
Permito-me ainda afirmar que, independentemente da sua valia técnica e da sua dedicação e empenho profissional, a elaboração de um Plano de Desenvolvimento não pode ser o resultado do trabalho dos técnicos e funcionários da Autarquia, antes devendo ser um processo que envolva toda a sociedade sabugalense.
Pela minha parte, continuarei como Presidente da Assembleia Municipal e como cidadão a participar na definição de um futuro melhor para o Concelho do Sabugal.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Os recursos cinegéticos são um importante património da nossa região, com fama desde a antiguidade, tendo inclusive o nosso rei D.Duarte feito uma célebre montaria nas margens do Côa.
As montarias ao javali são um exemplo de património de que a região pode retirar vantagens económicas, e que estão a ser aproveitadas para trazerem pessoas ao concelho, no âmbito de um turismo cinegético mais sofisticado, que pode ser orientado para um nicho de mercado com poder de compra mais elevado, exigente na qualidade de serviços turísticos.
Este turismo cinegético pode ajudar a fortalecer a oferta turística da região, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida, pela transferência de divisas para as zonas rurais, complementaridade com o sector agrícola e fortalecimento da cultura turística e ambiental.
No entanto, a promoção da componente social e lúdica da caça também pode ser associada a outros produtos como o turismo em espaço rural, turismo de natureza, enoturismo, e bird Watch e implicar uma oferta complementar de serviços de alojamento, Hotelaria, restauração, comércio e animação, que podem ser aproveitados pelos agentes económicos locais.
Abrange também uma componente cultural e gastronómica que muitas vezes não é suficientemente valorizada e aproveitada.
As montarias também podem ser aproveitadas para valorizar o património gastronómico da região, com ementas confeccionadas nos restaurantes de referência.
Aqui ficam três receitas bicentenárias e caídas no esquecimento, que podiam muito bem ser confeccionadas pelos nossos restaurantes, associadas ao tema das montarias:
1 – Quartos de javali assados – Esfolado o porco, e feito em quartos, untem-se os quartos dianteiros e trazeiros com toucinho grosso temperado com sal, pimenta e especiarias finas, marinem-se depois em sal, pimenta, vinagre e alhos, e toda a espécie de ervas finas. Depois de marinados, assem-se num espeto e sirvam-se com molho picante.
2 – Lombos de javali assados – Cortados os lombos em todo o seu cumprimento, e limpos de toda a película que os cobre, untem-se com toucinho fino, e depois de marinados e assados, sirvam-se com molho de peverada ligada.
3 – Cabeça de javali – Cortada a cabeça junto às pás, chamuscada e muito bem limpa, tirem-se lhe os ossos do pescoço, dos queixos e toucinho até aos olhos. Deite-se em água para lhe tirar o sangue, e depois de sangrada e enxuta, unte-se com toucinho grosso e tempere-se com muito sal, pimenta, noz moscarda, gengibre, sementes de coentro, folhas de louro, mangericão e manjerona, tudo pisado, cubra-se de pranchas de toucinho, embrulhe-se num pano e ate-se muito bem apertada, meta-se numa panela; deite-se-lhe água e vinho em partes iguais, rodelas de cebola, cenoras, rodelas de limão, salsa, pouco tomilho e alecrim, sal, pimenta preta, e ponha-se a ferver pouco a pouco, cinco a seis horas. Cozida que seja, deixa-se esfriar no seu próprio caldo para tomar mais gosto. Depois ponha-se a escorrer, tirando-se-lhe o pano, e sendo bem enxuta e aparada, sirva-se sobre um guardanapo guarnecido de salsa e de entre-meio.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com











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