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«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: 10 de Janeiro de 2010.
Local: Aldeia Histórica de Sortelha.
Autoria: Joaquim Tomé (Tutatux).
Legenda: A neve transformou em cenário dos filmes de Walt Disney o casario granítico do interior das muralhas do castelo de Sortelha. O virtuosismo (e sentido de oportunidade) deste fotógrafo raiano fica mais uma vez demonstrado neste clique. Brilhante.
jcl
Os jornais que compramos, pagando, sujeitam a nossa mente a sádicas torturas, pela forma como os jornalistas escrevem o que sabem escrever.
Formas verbais incorrectas, confusão de verbos (raros distinguem entre ter e estar…), incapacidade de utilizar preposições (tão simples: preposições) como na forma «divorciar com» em vez de «divorciar de», ignorância de significados, atrevimentos na forma de tratar assuntos que lhes provocam dores de dentes, enfim, tudo isto se agrava nas televisões.
Locutores que não distinguem palavras homónimas, nem homófonas e legendaristas que dão pontapés fatais na gramática. Decerto porque erraram na vocação e foram para jornalistas, em vez de terem optado pela carreira de futebolistas.
Para melhor clarificação veja-se a revisteca de televisão do «Correio da Manhã», de 18 de Dezembro. O português está a ser assassinado.
Ainda temos um recurso: falar quadrazenho.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com
O trabalho musical «Cicatrizando» (acção poética e sonora) de Américo Rodrigues é a música em destaque no Capeia Arraiana. A faixa 5 – «À cata da gíria» – resulta de uma acção realizada no mês de Agosto de 2009 entre a Guarda e Quadrazais.
As notas do autor indicam que este disco «Cicatrizando» regista o som de acções poéticas levadas a cabo por Américo Rodrigues a partir de elementos da tradição oral portuguesa (romances, lengalengas, orações, adivinhas, ditos, alcunhas e vocabulário de uma gíria). Todos os temas tiveram por base uma intervenção concreta em cujo processo se usaram tecnologias rudimentares (low tech) de gravação, comunicação e amplificação da fala e da voz (telefone, minigravador de cassete, megafone, walkie talkies, intercomunicadores, gps’s, transístores, etc.). O som obtido nas acções foi depois alvo de montagem.
1. Santa Bárbara e o medo
Regresso ao «túnel do medo» da minha infância para gritar orações à Santa Bárbara. Num coreto de um recinto de festas dedicadas ao Senhor dos Aflitos acompanho as orações com passos, pressas e vozes ancestrais. Numa Catedral recito-as baixinho. Acção realizada nos dias 29 de Julho e 14 de Agosto no túnel ferroviário do Barracão, no recinto do Barroquinho, no parque de estacionamento do TMG e na Sé Catedral da Guarda.
2. A máquina das adivinhas
Telefono a dezenas de pessoas a perguntar soluções para adivinhas populares. Depois a minha voz transforma-se numa máquina de perguntar. Muitas pessoas acertam nas respostas. Outras riem. Acção realizada no dia 14 de Agosto de 2009.
3. Romance no mercado
No mercado municipal da fruta e do peixe, leio um rimance antigo (O Conde da Alemanha) aos vendedores. Ouço histórias e, até, choros. Recomeço a contar o rimance. Devolvo o rimance ao povo. As vozes sobrepõem-se. Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009 no Mercado Municipal da Guarda.
4. Alcunhas ao vento
Grito alcunhas de cima de uma penedia. O vento leva nomes estranhos e palavrões. Sou ouvido a quilómetros de distância. A voz ecoa no vale do Mondego. Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009 no Miradouro do Moncho Real (Caldeirão).
5. À cata da gíria
Viajo até uma localidade da raia onde se recorda uma gíria de contrabandistas. Durante a viagem ouvimos músicas do mundo. Não respeito as indicações de percurso. Telefono a um filósofo e filólogo para me explicar de onde vem aquele linguajar. Regresso. Acção realizada no dia 11 de Agosto de 2009 entre a Guarda e Quadrazais.
6. Orações & confusões
Registo orações populares em diversos espaços (rua, casa, elevador, carro) e a horas diferentes usando um pequeno gravador e um megafone. As orações acompanham a vida diária. A confusão quotidiana. Acção realizada de 29 de Julho a 14 de Agosto na Guarda.
7. A boca
A uma refeição leio uma receita gastronómica tradicional como se, ao mesmo tempo, comesse as palavras, saboreasse a sintaxe e limpasse a boca à semântica. A seguir junto-lhe música feita com colheres e garfos. A boca como caixa de ressonância. Acção realizada no dia 21 de Agosto, no restaurante Condesso, em Vila Franca das Naves.
8. Mãos no ar
Bato com as mãos e com um pequeno pau numa chapa metálica (rails de estrada). Com um megafone produzo feedbacks. Improvisação livre numa curva de uma estrada. Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009, no Caldeirão.
9. Radioactividade
Durante a noite, numa emissão radiofónica, são difundidos anúncios, aparentemente vulgares, com conselhos absurdos referenciados como sendo «sabedoria popular». Para além desses «ditos» ouve-se também um grito lancinante e um conto numa língua inexistente. Acção realizada no dia 28 de Agosto. Os anúncios foram emitidos pelo Rádio Altitude entre as vinte e três e as zero horas. Na gravação usou-se um auto-rádio e alguns transístores.
10. Corrida de lengalengas
Envio uma carta sonora (via telemóvel) ao César Prata com instruções acerca da montagem do tema. Como se fosse uma corrida de cavalos ou de galgos. As lengalengas são ditas numa velocidade vertiginosa. As sílabas atrapalham-se, as palavras suam, as frases atropelam-se. Acção realizada no dia 9 de Outubro de 2009.
11. Provérbios ao domicílio
De casa em casa divulgo provérbios. Falo através de intercomunicadores ligados a porteiros-vídeo. A certa altura invento novos provérbios, altero-lhes o sentido inicial, subverto juízos antigos. Acção realizada nos dias 29 de Julho e 14 de Agosto, na Guarda e em Trancoso, em diversas casas.
12. O mar portátil
Dentro de água canto uma antiga canção de embalar. Respirar dentro de água. Como se fosse dentro da mãe. Quase morrer de tanto cantar. Acção realizada no dia 12 de Outubro de 2009 numa moradia na Guarda.
Ficha Técnica
Autoria: Américo Rodrigues. Gravação, misturas e masterização: César Prata. Design: Jorge dos Reis. Fotografias: Armando Neves, José Teixeira e César Prata. Produção: Américo Rodrigues com apoio de César Prata. Edição: Bosq-íman:os records. Apoio: Luzlinar e Instituto de Estudos da Literatura Tradicional (Universidade Nova de Lisboa). Guarda (Portugal), Dezembro de 2009.
jcl
Continuando a divulgar as ofertas turísticas em habitação rural do concelho do Sabugal, começo por agradecer o comentário de Maria de Lurdes Matos, por referir a existência de mais duas casas de turismo em espaço rural, de sua propriedade, em Sortelha, a saber…
Casa da Lagariça – Construção do Século XVIII situada na Calçada de Santo Antão, com este nome por ter existido no seu interior, uma lagariça (depósito em pedra, para esmagar e fermentar as uvas). Dispõe de 3 quartos, 2 de casal e um duplo, sala com sofá-cama, lareira, cozinha equipada e duas casas de banho, tendo capacidade portanto para oito pessoas.
Casa da Calçada – Reconstruída e adaptada de um antigo palheiro, dispõe de 2 quartos de casal, 1 casa de banho, 1 sala de estar, lareira e cozinha equipada.
Lapa do Viriato – Finalmente, em Sortelha, há ainda esta pequena casa recuperada para o turismo rural, com utilização de materiais locais, mas com modernos equipamentos, para lhe dar maior conforto. Compõe-se de 1 quarto/sala, lareira e casa de banho.
Quinta do Alexandre – É uma casa de campo inserida, numa área de 16 hectares à saída do Sabugal (cerca de três quilómetros) Possui vários quartos de casal, 4 casa de banho, aquecimento central, salão com 70 metros quadrados, com lareira, sala de jantar, cozinha equipada com salamandra, 1 forno a lenha, solário, parque infantil e terraço com vistas para a cidade do Sabugal.
Casa do Manego – Situada em Quadrazais, a moradia, foi recuperada para turismo rural, mantendo as características tradicionais, respeitando o traçado antigo. Compõe-se de uma sala/cozinha, toda equipada e com lareira, duas suites, quarto de casal e quarto duplo, duas casas de banho de utilização geral e três casas de banho privativas.
Casa Torga – Situada em Aldeia Velha, eram três pequenas moradias tradicionais que foram adaptadas a turismo rural, respeitando ao máximo o traçado antigo. Compõem-se no rés-do-chão de duas divisões independentes, uma suite, com casa de banho privativa, sala de estar com sofá-cama e noutra divisão, possui um quarto de casal com casa de banho privativa. No 1.º piso tem uma sala de estar e três quartos, um de casal e dois duplos, todos com casa de banho privativa.
Casa do Tear – Situada na Arrifana do Côa, a casa foi recuperada para turismo rural e corresponde ao restauro de tês pequenas moradias tradicionais. No rés-do-chão possui tês quartos de casal, um deles com casa de banho privativa e os outros com casa de banho geral.
Casa do Alto do Forte – Situada na vila do Soito, é uma casa tradicional, com mais de um século,cuja recuperação para turismo rural, respeitou o espaço onde se insere, zona nobre do Forte do Soito e interiormente com todos os ingredientes que fazem parte do conforto contemporâneo. Com capacidade instalada para quatro pessoas (T2 com 150 metros quadrados), o rés-do-chão tem uma sala, cozinha e casa de banho, pequena biblioteca, mini-bar, lareira e aquecimento central. No 1.º andar tem dois quartos de casal e casa de banho privativas. Constou-me que o seu actual proprietário a pôs à venda, desconhecendo se está ou não desactivada.
BTL 2010 – Feira Internacional de Turismo – Decorre de 13 a 17 do corrente mês de Janeiro a Feira Internacional de Turismo (BTL 2010), para os profissionais de 13 a 15 inclusive e para o público no dia 16 das 10 às 23 horas e no dia 17 das 10 às 20 horas. Tive conhecimento que, desta vez, o Sabugal, estará bem representado, pela sua Câmara, ADES, «Sabugal+» e empresários que a eles se associam.
Lanço daqui um repto, para que estas casas rurais, por muitos desconhecidas, que dentro das suas possibilidades se associem também à iniciativa da Câmara.
«Vale sempre a pena, quando a alma não é pequena. Força até Almeida», desculpem até à BTL em Lisboa.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
O Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso vai receber a 3.ª edição da Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural nos dias 6 e 7 de Fevereiro de 2010.
O evento, organizado pela Câmara Municipal de Almeida, em colaboração com a Federação da Beira Interior, Associação Recreativa de Nave de Haver e o Clube de Caça e Pesca de Vilar Formoso, visa valorizar, promover e divulgar o património cinegético, natural, paisagístico e gastronómico bem como os serviços e actividades relacionadas com o sector da caça, pesca e do mundo rural.
Para além das áreas de exposição relacionadas com a caça, pesca, mundo rural – produtos agro-alimentares regionais e tasquinhas com petiscos e pratos confeccionados à base de caça e pesca, o certame conta com um leque de actividades diversificadas: Montaria ao Javali, Prova de St. Huberto, Demonstração de Cetraria, Tiro ao Prato Virtual, Exposição de Fauna Viva e Espécies Cinegéticas.
No decorrer da feira, os visitantes poderão, ainda, desfrutar da constante animação com grupos musicais regionais.
O Programa da Feira inclui no sábado, 6 de Fevereiro, Montaria ao Javali (Associação Recreativa de Nave de Haver), animação musical com o Grupo de Bombos das Donas (Fundão), demonstração de Cetraria, demonstração de cães (equipa cinotécnica da GNR) e espectáculo de música popular com o Grupo de Cantares «Os Mata Brava». Para domingo estão previstos: demonstração de Aves de rapina, animação musical com o Grupo de Cavaquinhos de Louriçal (Pombal), demonstração de cães (equipa cinotécnica da GNR) e prova de Santo Huberto (Clube de Caça e Pesca de Vilar Formoso).
A feira conta ainda com actividades permanentes como o tiro ao prato virtual, passeios a charrette, exposição e prática de falcoaria, exposição de fauna viva e espécies cinegéticas, tasquinhas e animação de rua.
jcl (com Turismo Municipal de Almeida)
No passado mês de Outubro, de 2009, deslocaram-se aos Foios três técnicos da televisão da Extremadura espanhola. Tiveram conhecimento das boas relações entre Foios/Eljas/Valverde del Fresno/Hoyos e outras localidades da Sierra de Gata. Pediram-me, nessa altura, se seria possível marcar uma data para, na primeira quinzena de Janeiro, de 2010, se poder deslocar uma equipa aos Foios para a realização de uma grande reportagem sobre as relações transfronteiriças. Essa equipa veio e trabalhou, durante dois dias, nesta simpática freguesia raiana. O grupo hospedou-se no hotel «La Palmera», sito em Valverde del Fresno, e deslocou-se aos Foios no passado sábado, dia 8.
Durante a manhã andaram pelas ruas a filmar e a entrevistar a maioria das pessoas que iam encontrando, sobretudo aquelas que tinham feito contrabando.
As sete pessoas envolvidas no projecto, incluindo um jovem português, almoçaram no restaurante «El Dorado» e por volta das 15 horas acompanhei-os até ao planalto do Lameirão para aí termos conversado sobre os mais diversos aspectos do contrabando, mesa dos quatro bispos e também dos projectos que temos em mente no âmbito do turismo.
O frio que se fazia sentir, em plena Serra das Mesas, não permitiu que pudéssemos visitar alguns locais de interesse turístico pelo que passado uma hora regressámos ao povoado em cujo Centro Cívico continuaram com as entrevistas e, sobretudo, para filmar a aparelhagem e o sistema sonoro que faz com que a música, muitas vezes espanhola, se oiça no largo da praça animando e recebendo bem quem chega à dita praça. Esse aspecto da música espanhola na praça foi, sem dúvida, o facto que mais surpreendeu o grupo a ponto de terem dançado durante algum tempo, na via pública.
Tal como estava combinado com a associação de cavaleiros de Valverde del Fresno os técnicos da televisão extremenha acompanharam hoje, domingo, os cinquenta cavaleiros que fizeram o percurso Valverde-Foios, via Piçarrão. Por volta das 12 horas começou a ouvir-se o barulho das ferraduras dos cavalos. Os cavaleiros concentraram-se, durante dez minutos, no Largo da Praça onde foram filmados e apreciados por muitas pessoas dos Foios que saem sempre à rua para apreciar o espectáculo.
Por volta das 13 horas as cerca de setenta pessoas, alguns familiares deslocaram-se através das viaturas particulares, entraram no restaurante «El Dorado» onde lhes foi servido, como sempre, um saboroso almoço onde, naturalmente, o bacalhau também esteve presente.
Logo após o almoço o grupo (re)organizou-se e lá partiram, de novo para Valverde, enquanto a luz do Sol ainda os aquecia e iluminava.
Foi, na verdade, um fim de semana muito animado e bastante proveitoso para a economia local. Fico muito feliz quando vejo meia dúzia de jovens a trabalhar no restaurante.
Apesar de me encontrar satisfeito com tudo o que por cá se vai verificando continuo a dizer que ainda temos muito trabalho pela frente. É caso para dizer que o muito que já fizemos ainda é pouco. Faltam-nos casas de turismo, falta-nos a marcação e sinalização dos mais diversos percurso pedestres, faltam-nos documentos de divulgação e algo mais. Ideias não nos faltam mas cabe aqui recordar uma pessoa dos Foios que dizia: «Como se prepara um indivíduo sei eu, ando é mal de roupas.»
Dentro de poucos dias vou reunir, aqui nos Foios, com o Alcalde Celso Ramos, de Navasfrias, e com a Ana Perez, Alcaldesa de Valverde para podermos analisar e discutir os mais variados aspectos que se prendem com o turismo.
Fiquei muito agradado quando, há poucos dias, dias o Presidente da Câmara, António Robalo, me comunicou a intenção de, muito brevemente, poder reunir com alguns alcaldes da Sierra de Gata e do Alto Águeda para, com eles poder analisar as mais diversas hipóteses de cooperação.
Parabéns, Presidente, pela iniciativa. É excelente e dará, certamente, frutos a curto prazo. Se entender poder contar comigo não hesitarei em dar o meu contributo.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
Povo, Nação, País, Pátria, Estado! Palavras plenas, amplas de significado, com que se enchem bocas, se lançam apelos, se gritam protestos. Palavras com que se justificaram actos de heroísmo e chacinas tremendas, guerras justas e expansionismos agressivos, sacrifícios sobrehumanos e terríveis lutas fratricidas. Em nome da Mãe Pátria verteram-se rios de sangue, derramaram-se lágrimas amargas, engoliram-se indescritíveis sofrimentos, praticaram-se inacreditáveis genocídios, criaram-se monstruosos gulags. Em nome do Povo ergueram-se forcas e guilhotinas, morreram criminosos e homens bons, revolucionários e contra-revolucionários, heróis e traidores. Tudo a bem da Nação.
Povo, Nação, País, Pátria, Estado… Existem Povos que não constituem Nações, Nações que não são Estados, Estados que englobam várias Nações. O Reino Unido é um Estado que integra quatro Nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Não existe a Nação Espanhola. O que existe é o Estado Espanhol, que engloba a Nação Basca, a Nação Catalã, a Nação Galega. Cada uma destas Nações, possui um País (um território próprio), habitado por um Povo, que tem língua, tradições, história, cultura, constituindo, portanto, uma unidade nacional.
Por sua vez, os Curdos, ou os Palestinianos, existindo como verdadeiras Nações, pretendem definir-se como Países (assegurando a demarcação de territórios próprios reclamados desde há muito) e também como Estados autónomos. Durante décadas, o Povo Palestiniano foi um Estado sem terra, uma Pátria suspensa. Só recentemente, com os acordos de Washington, a desocupação da Faixa de Gaza por parte de Israel e o estabelecimento da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia, a Palestina possui um embrião de País e de Estado. Desde 1948, data da constituição do Estado de Israel, que o Povo Palestiniano reclamava a terra de onde tinha sido expulso para viver em acampamentos precários e campos de refugiados nos países árabes vizinhos (Jordânia, Líbano, Síria, Egipto).
Também a dramática questão jugoslava, ainda não completamente resolvida, tem no seu cerne o problema das nacionalidades, e só se torna compreensível à luz da anterioridade.
Portugal existe, como Estado autónomo, como «unidade política», desde o século XII. E a Nação Portuguesa, já estaria então constituída? A chamada «consciência nacional», segundo a maior parte dos historiadores, não só não existia como demorou ainda muitos séculos a formar-se. A este propósito, António Sérgio conta um episódio elucidativo: já na segunda metade do século XIX, o rei D. Luís, numa das suas habituais expedições marítimas, encontrou um grupo de pescadores no mar alto e perguntou-lhes se eram Portugueses. Ao que um deles respondeu: «Nós cá na senhor, nós semos póveiros.»
A consciência de se fazer parte de uma unidade mais vasta do que a aldeia onde nascemos só tardiamente se desenvolveu, sobretudo graças ao serviço militar obrigatório, às migrações do interior para as grandes metrópoles do litoral e ao desenvolvimento dos transportes e das comunicações.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt
DESLOCAÇÕES DOS RÉUS SABUGALENSES – A mobilidade dos judeus apanhados nas malhas da Inquisição constitui um precioso indicador para o conhecimento das teias genealógicas judaicas numa determinada região. Isso configura-se particularmente claro na região das Beiras.
Repare-se, que só estamos a analisar processos referentes ao concelho do Sabugal. Imagine-se o que seria se o fizéssemos para os restantes concelhos das Beiras.
Analisando a naturalidade dos réus que vieram morar para o concelho do Sabugal, verificamos que 22 (30%) não saíram do concelho, sendo originários das freguesias do Sabugal (11), do Soito (5), de Alfaiates (4), da Nave (1) e de Vilar Maior (1). De fora do concelho do Sabugal vieram residir 37 réus para o Sabugal, 12 para o Soito, 7 para Aldeia da Ponte e 5 para Alfaiates, perfazendo um total de 50. Ficámos também a saber que os locais mais frequentes dos réus que vieram, de outros concelhos, residir para as freguesias do Sabugal foram os seguintes: 8 da Guarda vieram viver para o Sabugal e 2 para o Soito; 7 de Almeida para o Sabugal; 5 de Pinhel para o Soito e 2 para o Sabugal e 3 de Idanha-a-Nova para o Sabugal.
Quanto aos locais para onde foram residir os réus naturais do concelho do Sabugal, constatamos que se mantém, obviamente, o número (22) dos que permaneceram no concelho onde nasceram, como vimos. Para fora do concelho foram viver 49 réus, número idêntico aos que vieram de fora para o Sabugal, como também vimos.
Os destinos mais frequentes dos réus naturais de Sabugal foram os seguintes: Guarda, com 10 réus; Lisboa, com 7; Rio de Janeiro, com 4; Penamacor, Covilhã e Fundão, com 3 réus cada. Sublinhe-se alguma tendência para os réus se manterem relativamente perto do Sabugal. O estudo futuro da genealogia poderá revelar a familiaridade de muitos desses réus, que se deslocavam permanentemente, quer para fugir às perseguições da Inquisição, quer devido ao seu envolvimento em redes comerciais, também elas praticadas por membros das mesmas famílias.
LEGENDA: 1-Sabugal, 2-Almeida, 3-Pinhel, 4-Trancoso, 5-Celorico da Beira, 6-Guarda, 7-Belmonte, 8-Manteigas, 9-Seia, 10-Covilhã, 11-Fundão, Penamacor, 13-Idanha-a-Nova, 14-Castelo Branco, 15-Viseu, 16-Vila Nova de Paiva, 17-Tarouca, 18-São João da Pesqueira, 19-Póvoa de Lanhoso, 20-Miranda do Douro, 21-Tomar, 22-Santarém, 23-Lisboa, 24-Beja, 25-Tavira, e 26-Faro.
LINHAS: azul: concelhos que pertencem à Associação de Municípios da Cova da Beira; verde: zona aproximada das Beiras.
Como se pode observar no mapa, as deslocações dos réus entre o Sabugal e os outros concelhos está muito concentrada na zona das Beiras, pelo que seria muito interessante conhecer detalhadamente as famílias que se vão espalhando pela região, revelando a dimensão do fenómeno criptojudaico nesta região, que se sabe ser muitíssimo importante. Acresce que vários concelhos que integram a Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) estão no coração das movimentações judaicas, como também se pode constatar. Ganha enorme relevo o facto de, para além do Sabugal, Belmonte, Guarda e Trancoso serem concelhos da AMCB, cujas câmaras municipais têm trabalho reconhecido sobre a presença judaica nos seus concelhos. Para além destes, podemos, para já, acrescentar-lhe Penamacor, que tem um número muito elevado de processos inquisitoriais. Esta realidade exigiria uma política cultural concertada, talvez liderada pela AMCB, no sentido de criar uma Rota dos Judeus das Beiras, que integrasse, entre outras, as vertentes da antropologia, da história e do turismo, uma vez que o turismo cultural e religioso é hoje uma actividade de grande importância para os municípios e para as regiões.
«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins
martinscjorge@gmail.com
Nos últimos meses, alguns órgãos de comunicação social, designadamente regional, trouxeram à liça, a questão sempre recorrente dos ordenados dos políticos. Para gáudio dos que se deleitam em esmiuçar a vida alheia, um dos mais prestigiados jornais regionais escarrapachou nas suas colunas, os valores dos vencimentos dos presidentes de câmara e vereadores da nossa região. Ao percorrer as páginas Web encontramos notícias, chats, blogues, twiters e facebooks, pejados de ideias feitas sobre o tema, traduzindo a inveja que se esconde detrás do típico e mórbido voyeurismo luso.
Temos obrigações de saber que, como estipula a Lei 4/85 de 9 de Abril, a remuneração dos cargos políticos está indexada ao vencimento do Presidente da República (PR), sendo a primeira regra que em nenhum caso se ganhe mais do que ganha o mais alto magistrado da nação.
Ninguém contestará que seja do PR o ordenado mais alto da hierarquia nacional, que é de 7 630 euros, como penso não ser questionável que o Primeiro-Ministro aufira 75% do vencimento do PR, um ministro 65%, os Presidentes de Câmara de Lisboa e Porto 55%, um deputado 50%, e assim sucessivamente. É a mesma lei que estipula que os Presidentes de Câmara da nossa região ganhem entre 40% (3 042 euros) e 50% (3 815 euros) daquele montante, conforme a população do respectivo município, e os vereadores ganhem 80% do respectivo Presidente: como em todas as carreiras, ganha mais quem tem mais responsabilidades. O que se lamenta é que tantos portugueses sobrevivam com um ordenado mínimo miserável. Mas há também políticos que não passam da cepa torta nem do ordenado mínimo, e convém lembrar que os políticos não recebem horas extraordinárias, mesmo que trabalhem sábados, domingos ou feriados.
É popular sublinhar os seus chorudos ordenados, fica bem afinar por esse coro e atear a fogueira do muito que «eles ganham e nada fazem». Esquecemo-nos que são «eles» que carregam os nossos destinos, destinos de um país, de um sector da sociedade ou de um município, pelos quais «nós», fazemos, por vezes, muito pouco.
Habituados a sufrágios eleitorais, mas também aos sufrágios do dia a dia, dos confrontos políticos com as oposições, das fiscalizações ferozes das administrações e do Tribunal Constitucional e ainda do assédio acintoso da comunicação social, os políticos dão de barato a exposição da sua vida na praça pública, o quanto ganham, os bens que possuem, os carros que usam, onde passam férias. A maior parte já se tornaram imunes a tal devassa. Há dias, ao preencher a declaração para o Tribunal Constitucional a que só os políticos estão obrigados, dei-me conta de como a vida do político é vasculhada até ao tutano, desde o ordenado ao chasso que conduz, à horta que possui, passando pelo PPR, pela poupança-habitação, por acções e obrigações, ou por depósitos a prazo, de mil ou de cem mil euros, em que tudo se declara e descreve ao pormenor.
Se alguma classe é objecto de escrutínio em tudo o que faz, é a classe política, mas ganhar dinheiro a sério é com outras classes profissionais!
Perdoem-me a ousadia de mencionar algumas, contra as quais nada me move, referindo-as apenas como bitola de aferição de remunerações em Portugal.
Considerando que os dirigentes políticos ocupam lugares de topo nas respectivas hierarquias, atrevo-me a dizer que, comparativamente a outras profissões e cargos, os políticos até são mal pagos! Bem sei que esta não é a posição normal, é como dizer que o homem mordeu o cão. Normal, é dizer-se que os políticos ganham demais.
Porém, ao fim e ao cabo, qualquer profissão remunera tanto ou mais que a política.
Comecemos pelos professores de quem se diz andarem «desmotivados» por ganharem pouco: um titular do 3.º escalão aufere 3.091,82 euros, um pouco mais que o Presidente da Câmara do Sabugal. Não falamos do que ganha um Director de agrupamento.
Um médico, chefe de serviço em exclusividade, ganha 4.170,62, mas se fizer 42 horas em vez de 35, ganhará 5. 505,22, um pouco mais do que o vencimento base de um ministro. Curiosamente, os médicos estão a debandar do Sistema Nacional de Saúde porque ganham pouco, comparando com a «privada» que paga 4 vezes mais!
Já agora, diga-se que as chefias militares auferem 4.651,44 euros mensais, em situação de guerra ou de paz, preferindo todos que seja em situação de paz.
Como se sabe, a maior parte dos cargos políticos são incompatíveis com outras funções remuneradas, coisa que não acontece na maior parte das restantes profissões.
Até aqui tudo bem. E nem me parece estranho que se critique o ordenado dos políticos, é normal, é corriqueiro! O que não é normal é uma sociedade que aceita pagar por certos cargos, 5, 6 ou 10 vezes acima do que ganha o PR.
Veja-se, por exemplo, os «modestos? 24 939,89 euros que ganhava em 2004 o Presidente da Caixa Geral de Depósitos! Ou os 16 344,42 euros dos Presidentes da Autoridade da Concorrência, da CMVM, da ERSE e da Anacom, um pouco mais do que ganha um Director Clínico de Hospital como o de Bragança, 15 469,95 euros.
Um pouco menos ganha o Presidente das Águas de Portugal, que recebia na mesma altura 9 478 euros mensais, sempre acima do PR.
Na TAP também há bons ordenados, pelo menos para os pilotos que ganham em média 8 600 euros, porém nada comparável ao vencimento dos respectivos administradores, cujo presidente ganha acima dos 90 000 euros mensais, quase 12 vezes mais que o Chefe do Estado. E ainda só falamos do estado ou de empresas públicas.
Não estranhamos por isso os 62 214 euros que ganhavam em média os administradores das empresas privadas do PSI 20, EDP, PT, Sonae, Bancos, etc. Muito menos se estranha que os craques da gestão, os Paulo Macedos, fujam da política para as empresas, públicas ou privadas, onde se ganha bem melhor e com menos aborrecimentos. Para a política vai quem não consegue coisa melhor!
Pois é, mas há políticos que vão parar às grandes empresas, depois do trampolim da política, dirão. É verdade, mas não se houve uma palavra sobre esse escabroso tipo de ordenados, que dariam para nivelar por cima a massa salarial nacional, digo eu.
Aos políticos é que atiramos pedras, é a eles que apontamos o dedo: oposição entre o «nós» e o «eles», quando «eles», que são objecto da nossa escolha, deveriam merecer a nossa confiança, ser os nossos ídolos, pois nas suas mãos está parte do nosso destino.
Tenho que reconhecer, no entanto, que os políticos merecem as pedradas e o nosso dedo em riste: se «eles» quisessem podiam alterar tudo isto, para bem de todos «nós».
E «nós» queremos?
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
Em meados do século XVI, em plena época renascentista, foi publicado em Espanha um romance revolucionário que, ao invés do canto da aristocracia dos livros de cavalaria, se atrevia a narrar a vida de um homem de baixa condição social que abnegadamente lutava pela sobrevivência.
«Lazarillo de Tormes» inaugurou um novo género literário: o pícaro. Trata-se de uma narrativa burlesca, que usa uma linguagem irónica e popular, por vezes muito grosseira e contundente, que esbarra com o género literário dos livros que retratavam os cavaleiros andantes da Idade Média, que na altura tinham um sucesso extraordinário.
De autor anónimo, o «Lazarillo de Tormes» expõe a aventura de um homem de baixa condição social, revelando as suas misérias e grandezas. Órfão de pai, um rapaz pobre de Salamanca é entregue aos cuidados de um cego, que abruptamente o explora e o faz passar fome. Fugindo ao cego que o maltratava, o moço anda depois de dono em dono, sofrendo sempre maus-tratos e opressões. Vivia uma vida precária, de sucessivos vexames e de muita miséria no quotidiano, sem que tivesse sonhos nem alimentasse perspectivas de futuro. Lázaro, assim se chamava o rapaz, tinha fome e a sua razão de existir era conseguir comida para satisfazer o apetite.
Todo o livro é uma crítica feroz à sociedade do tempo em que o pobre Lázaro percorreu Espanha em busca de alimentação. Os sabores gastronómicos ibéricos estão sempre presentes nos relatos, mas prevalecem os paladares pobres e simples do povo, que correspondiam à também elementar ânsia de Lázaro por se alimentar. Ainda que apanhasse pão, seco e duro ele fosse, isso era divinal para o pobre rapaz. Pão e vinho eram, aliás, os elementos capitais da alimentação que este livro de privações de vida austera retrata. O importante era mesmo matar a fome, que imperava a cada instante.
Condói-se o leitor que atente na vida terrível deste anti-herói, ainda que se ria com a forma pícara em que o livro está escrito. Alimentam-se bem alguns dos amos de Lázaro, que ainda folgam com a miséria do criado:
«Aos sábados come-se nesta terra cabeças de carneiro, e ele mandava-me comprar uma, que custava três maravedis. Cozia-a e comia-lhe os olhos, e a língua, e o pescoço, e os miolos, e a carne e as maxilas, e a mim dava-me os ossos roídos. Punha-os no prato dizendo: “Toma lá, come, e regala-te, que o mundo é teu. Tens melhor vida que o papa”.»
A dado ponto, dá-se porém o contraste, quando Lázaro serve um desafortunado escudeiro que, nada lhe dando de comer, o impeliu a ir pedir por caridade. Uma tarde volta a casa do amo trazendo numa ponta da fralda um naco de pão e uma maravilhosa mão de vaca, que acabou por partilhar com o escuteiro que, também faminto, o observava a comer as papas:
«– Digo-te Lázaro, que pões no comer mais requinte que em minha vida vi a outra pessoa, e que ninguém te poderá ver comer que não lhes dês gana de fazer outro tanto, mesmo que não tenha apetite.
(…)
– Senhor: a boa ferramenta faz o bom artífice. Este pão está saborosíssimo, e esta mão de vaca tão bem cozida e temperada que não haverá ninguém que não fique de água na boca se a cheirar.
– É mão de vaca?
– Sim, senhor.
– Digo-te que é o melhor petisco do mundo e que não há faisão que me saiba tão bem.
– Pois prove, senhor, e veja que tal está.
Pus-lhe nas unhas a unha da vaca e três ou quatro pedaços de pão do mais alvo. E ele sentou-se a meu lado e começou a comer com quanta gana tinha, roendo cada ossinho daqueles melhor que um galgo seu o faria.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
O Capeia Arraiana lançou-me o desafio e aqui está a minha perspectiva sobre o tema do presente e futuro do concelho de Sabugal.
Devo referir desde já que não tenho nenhuma varinha de condão capaz de fazer parar a desertificação do concelho. Se a tivesse não estaria, com toda a certeza, a exercer a minha profissão de professor em Aguiar da Beira. Andaria por aí a proferir palestras por todo o país e, quiçá, no estrangeiro, sobre como estancar a hemorragia humana no Interior.
Concordo, por isso, com o Presidente da Câmara do Sabugal, quando na Assembleia Municipal, realizada em 29 de Dezembro de 2009, e em resposta a um longo «libelo» acusatório sobre as GOP’s e o Orçamento lido por dois deputados municipais eleitos pelo PS, referiu que não havia nenhuma varinha de condão que pusesse fim à desertificação. Refira-se a propósito que, apesar de o PS ter feito os maiores reparos ao Orçamento e às GOP’s acabou por se abster na votação sobre esses documentos, na Assembleia Municipal. Não deixaram, no entanto, estes deputados, de referir a crónica desertificação do concelho, mas não se lhes ouviu uma única ideia para a contrariar.
A desertificação do concelho (tema que é já recorrente em campanhas eleitorais há muito tempo, talvez desde o final dos anos 80, do século XX) não se combate na minha opinião, com a promoção da Capeia Arraiana a Património Imaterial da Humanidade. Posso ser bastante politicamente incorrecto, mas acho que as Capeias Arraianas são um divertimento com tradição, sem dúvida (com todas as virtudes que os divertimentos têm), mas não travam nenhuma desertificação do concelho do Sabugal. Aliás, acho até que esse divertimento já se está a descaracterizar com a presença das «moto-quatro», tractores e tudo o mais, nos encerros. Já li apelos de verdadeiros aficionados para que parem com esse «espectáculo» (dentro do próprio espectáculo) que são as «moto-quatro» a acelerar nos encerros. Não fui eu que escrevi isso. Considero, também, e poderei voltar a ser politicamente incorrecto que nas Capeias Arraianas não vejo turistas. Apesar de ver milhares e milhares de pessoas nos encerros e nas Capeias apercebo-me que são quase só pessoas da região. Como o concelho fica com o triplo da população no mês de Agosto é natural que se vejam muitas pessoas. Mas, se exceptuarmos alguns espanhóis das localidades fronteiriças (que vão logo embora, mal termina a tourada), não se vislumbram pessoas que venham de longe ver esta tradição. Talvez uma ou outra pessoa, mas sem qualquer significado.
A criação de infra-estruturas não é, por si só, sinónima de fim da desertificação humana no concelho de Sabugal. Mas quando se pergunta ao povo se quer ou não essas infra-estruturas, o mais certo é que diga que sim. Pode ser que algumas dessas infra-estruturas não tenham utilização, mas o povo quer que elas existam. Como explicar este fenómeno? Não sei explicar. Se alguém souber, que explique. Podia aqui dar um exemplo (um pouca a talhe de foice, embora não relacionado com o Sabugal): para que servem os submarinos comprados pelo Ministro da Defesa Paulo Portas, se ainda esta semana foi noticiado que os vendedores não estão a cumprir as contrapartidas acordadas? Quanto a mim, não servem para nada, mas o povo não pensa isso, tanto que, nas últimas eleições legislativas, premiou o partido de Paulo Portas em vez de o castigar. No entanto a recuperação das Termas do Cró, o empreendimento Ofélia Club, em Malcata, o Parque de Campismo ou o CNT (antiga Cristalina) no Soito, ao criarem postos de trabalho (como se espera) são infra-estruturas que merecem o meu apoio.
Outra questão é de arranjar algo que nos identifique como povo e partir daí para a promoção do concelho, atraindo um número crescente de turistas que nos visitem, cá durmam e se alimentem. Isto é outro assunto. Estará aqui a descoberta da «pólvora». Resta saber o que se pode «vender» (detesto esta palavra, neste contexto, mas à falta de melhor…) aos turistas. Óbidos tem a Festa do Chocolate, Mora tem o Fluviário e o Entroncamento tem o Museu Ferroviário. Resta dizer que todas estas localidades estão perto de Lisboa, portanto a conversa é outra. Podem ir 200.000 pessoas à Feira do chocolate a Óbidos e voltar no mesmo dia para Lisboa. O Sabugal, tão longe de Lisboa, não tem esse privilégio. Podem dizer, também: e Seia, não tem o Museu do Pão, com milhares de visitantes? Tem, mas Seia fica pertinho da Serra da Estrela que os turistas sempre aproveitam para visitar, também.
Na minha perspectiva o único turismo de que o Sabugal poderá beneficiar será o turismo cultural. Foi isso mesmo que a CDU (que elegeu dois deputados municipais, o João Manata e eu próprio, na qualidade de independente) apresentou ao eleitorado, nas últimas autárquicas, no concelho de Sabugal, através do seu manifesto eleitoral onde se escreveu o seguinte:
«Fazer do Sabugal um pólo de atracção turístico, através da valorização do património natural e edificado, destacando-se: Implementação de uma Rota dos Castelos; Reabilitação dos núcleos históricos do Sabugal e principais aldeias do concelho; Fomento do turismo rural e turismo de lazer e saúde e Reabilitação dos moinhos existentes.
Valorizar e difundir a cultura e a gastronomia local, através de: Apoio às associações e agentes culturais; Recuperação, em colaboração com as escolas, da Gíria Quadrazenha; Constituição um pólo museológico do contrabando e da emigração, Valorização da gastronomia local em particular os enchidos, truta e cabrito e associá-la à Rota dos Castelos.»
Julgo que neste conjunto de propostas estará um bom ponto de partida para um Sabugal com (algum) futuro a nível turístico. No Verão até se poderá (aí sim) acrescentar a este conjunto de propostas uma passagem dos turistas pelas Capeias Arraianas, integrando-os nas Rotas anteriormente apresentadas. Nem todos gostarão, mas haverá sempre alguns que gostem. Penso, também, que a divulgação do concelho através dos grandes meios de comunicação social, poderá trazer alguma mais-valia ao concelho. Mas não tanta como se pode imaginar.
No entanto, termino como comecei, sem qualquer varinha de condão.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
Em princípios de Novembro de 2009, numa das crónicas aqui inseridas, escrevia que a gestão municipal deveria ser alicerçada numa projecto de «Gestão Pública Participada – gestão dos bens públicos de forma pública e participação dos cidadãos em todos os momentos cruciais da vida autárquica, nomeadamente na elaboração das Grandes Opções do Plano».
Aproveito para recordar que na mesma crónica acrescentava e passo a citar «o que hoje os cidadãos reclamam, face à insatisfação e à falta de soluções apresentadas, tanto a nível nacional como local, é a necessidade de transparência das decisões políticas e do seu envolvimento no processo de decisão, ou seja uma mudança do modo de governação até agora praticado. É importante envolver as pessoas e ouvi-las». Acrescentava no final voltar a estes temas com a apresentação do Orçamento e Grandes Opções do Plano por parte da Câmara Municipal.
O que neste momento pretendo é voltar a esta temática e lançar um desafio. Desafio ao presidente da Câmara Municipal e executivo para envolver e discutir com as populações alguns dos projectos propostos e apresentados nas Grandes Opções do Plano 2010/2013 e a serem concretizados nos anos de 2011, 2012 e 2013.
E a título de exemplo aponto 3 projectos que considero ser útil envolver as pessoas, ouvi-las e acolher, caso se considere válido, as propostas que elas tenham. E o envolvimento pode passar por acções muito simples como a convocação de reuniões para a apresentação destes projectos. Com o envolvimento das populações todos ficam a ganhar. Os cidadãos que ficam a conhecer, antes da tomada da decisão, das pretensões do município. O município que vê assim cumprido um dos seus deveres, enquanto poder político, o de informar, e poder recolher contributos daqueles que vão usufruir desses equipamentos, muitas vezes pequenos contributos que os técnicos e políticos em gabinete não tiveram em consideração aquando da sua concepção. E esta metodologia de trabalho não põe em causa nem retira a responsabilidade aos técnicos, nem retira a responsabilidade política a quem tem que decidir avançar para a sua concretização. Muito pelo contrário faz uma partilha dessas responsabilidades.
Indico como disse 3 projectos que gostaria de ver discutidos: a sua concepção, a sua funcionalidade a sua exploração no caso de se aplicar:
– «Construção de um açude para fruição turística e desportiva na área da albufeira do Sabugal» – com uma verba de 3,3 milhões de euros a ser realizado no ano (2012);
– «Concelho do Sabugal em FO» – com lançamento do projecto no ano de 2010 e concretização em 2011 e uma afectação de 3 milhões de euros;
– Casa da Música da Bendada – 600 mil euros previsto para 2011.
Contudo, e porque as Grandes Opções do Plano ainda apresentam folga para a concretização de outros projectos, nomeadamente nos anos de 2012 e 2013, e o executivo municipal não tem esses projectos, porque a tê-los seriam inscritos neste documento, pergunto porque não encetar no nosso concelho a implementação do Orçamento Participado?
Chamar as populações de cada freguesia a pronunciarem-se sobre as suas necessidades, discutir com elas a forma da sua resolução, aceitar os investimentos que técnica e financeiramente sejam viáveis é uma forma de aprofundar a democracia. É aproximar o cidadão do poder político, é partilhar decisões é credibilizar o poder autárquico.
E todos pensamos que a credibilização do poder político tem obrigatoriamente de ser feita.
Aqui fica o desafio.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Com o início de mais um ano chegam as tradicionais listas de balanço do melhor que se fez em 2009. Para esta lista, que tinha pensado colocar on-line na última crónica de 2009 mas não foi possível, escolhi aqueles que considero terem sido os melhores filmes estreados em Portugal ao longo dos últimos meses.
Não é uma lista completa, pois infelizmente não tive oportunidade de ver todos os filmes que estrearam e talvez pudessem fazer parte desta lista.
De fora estão também os filmes que foram directamente para DVD e os filmes que estrearam no último dia do ano passado, que terão de entrar na colheita de 2010 caso se justifique.
A ideia era ter uma lista de apenas 10 filmes, mas quando fui a ver já tinha uma lista infindável.
Esperemos que este ano também seja bastante prolífero em boas fitas.
1 – A Valsa com Bashir, de Ari Folman
2 – Tetro, de Francis Ford Coppola
3 – Moon – O Outro Lado da Lua, de Duncan Jones
4 – Up – Altamente, de Peter Docter
5 – Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino
6 – Revolutionary Road, de Sam Mendes
7 – Sinédoque, Nova Iorque, de Charlie Kaufman
8 – Gran Torino, de Clint Eastwood
9 – Che – Guerrilha e Che – O Argentino, de Steven Soderbergh
10 – Andando, de Hirokazu Koreeda
11 – Os Limites do Controlo, de Jim Jarmush
12 – Duplo Amor, de James Gray
13 – O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme
14 – Deixa-me Entrar, de Tomas Alfredson
15 – O Wrestler, de Darren Aronofsky
16 – O Visitante, de Thomas McCarthy
17 – Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
18 – Ponyo à Beira-Mar, de Hayao Miyazaki
19 – Abraços Desfeitos, de Pedro Almodóvar
20 – Um Conto de Natal, de Arnaud Desplechin.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
O Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, nomeou uma comissão tendo em vista a promoção e organização da Assembleia Geral do Clero da diocese, que se realizará no âmbito do Ano Sacerdotal, que decorre até 19 de Junho.
Encontrar «os melhores caminhos e as melhores formas de darmos cumprimento, nas actuais circunstâncias da Igreja e do Mundo, ao Ministério que nos está confiado», é para o prelado da Guarda a razão da convocação da Assembleia Geral do Clero, segundo uma sua comunicação a todos os padres da Diocese, onde lhes deu a conhecer a sua decisão.
A Comissão integra os cónegos Mário de Almeida Gonçalves e Manuel Alberto Pereira de Matos, bem como os padres Fernando Brito dos Santos, Alfredo Pinheiro Neves, Joaquim Cardoso Pinheiro, Sérgio Paulo Duarte Mendes, e Valter Tiago Salcedas Duarte. A Assembleia resultou de um pedido formulado no decurso do Conselho Presbiteral que se realizou em Novembro de 2009.
Os membros da comissão estão já a trabalhar na preparação os pormenores da realização da Assembleia Geral do Clero, com a qual se pretende criar um espaço de reflexão aberta e livre acerca dos problemas do clero da diocese e a enumeração de sugestões para a sua resolução.
Ainda no âmbito da preparação da iniciativa, os padres vão reunir por grupos etários, tendo por finalidade a realização de um primeiro levantamento dos assuntos que devem ser levados à Assembleia Geral. Esses grupos etários serão os seguintes: até aos 30 anos, 31-40, 41-50, 51-60, 61-70, 71-80 e mais de 80 anos.
plb
Dentre as centenas de locais nomeados para o concurso «7 Maravilhas Naturais de Portugal» está o Parque Natural da Serra da Malcata, atendendo à sua beleza e unicidade da paisagem, sua importância ecológica e estado de conservação, critérios de base de que se serviram os especialistas.
O concurso integra sete categorias: Zonas Marinhas, Zonas Aquáticas Não Marinhas, Grutas e Cavernas, Praias e Falésias, Florestas e Matas, Grandes Relevos e Áreas Protegidas.
De acordo com dados constantes na página on-line das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, fazem ainda parte dos nomeados outros locais da região, como a Serra do Pisco (Guarda), o Vale do Rio Águeda (Figueira de Castelo Rodrigo), Casais do Folgosinho (Gouveia), Vale Glaciar do Zêzere e Covão d’Ametade (Manteigas), Rio Ocreza e Serra da Gardunha (Fundão), Ribeira do Paul (Covilhã), Parque Icnológico de Penha Garcia e Inselberg de Monsanto (Idanha-a-Nova).
A maior parte das candidaturas validadas são montanhas, vales, serras e formações rochosas, onde se destacam, entre outras as serras de Marvão e São Mamede (Portalegre) ou as Pedras Parideiras (Arouca) e a Pedra Bolideira (Chaves). O rio Vez (Arcos de Valdevez), as Fisgas de Ermelo (Mondim de Basto) e as Portas do Vale do Almourão (Proença-a-Nova).
A categoria de Zonas Aquáticas Não Marinhas inclui a Lagoa de Óbidos, a Ria de Alvor (Portimão), os rios Mouro (Monção), Alva (em Moura Morta, Poiares), Douro (Peso da Régua) e Paiva (Arouca). Integra ainda a Cascata da Cabreia (Sever do Vouga), a Fraga da Pena (Arganil) e o Sapal do Rio Coina (Barreiro).
Já nas Zonas Marinhas destaca-se a Ilha da Berlenga e a Onda dos Supertubos, na praia do mesmo nome, em Peniche.
A praia da Amoreira (Aljezur), o Litoral do Guincho (Cascais), a Ponta João D’Arens (Portimão), o Cabo da Roca (Sintra) e a Fajã dos Padres (Madeira) integram a categoria Praias e Falésias. Esta inclui ainda a Praia Velha, Concha e São Pedro de Moel (Marinha Grande), as Falésias do Cabo Mondego (Figueira da Foz) e as praias fluviais de Fragas de São Simão e Ana de Aviz (Figueiró dos Vinhos).
A Furna do Enxofre (Santa Cruz da Graciosa, Açores), as grutas de Alvados, Santo António e Mira e Aire (Porto de Mós), Moeda (Batalha) e o Algar do Pena (Santarém) aparecem na categoria Grutas e Cavernas.
Nas Florestas e Matas há a assinalar as candidaturas da Mata Nacional do Buçaco (Mealhada), o Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria (Marinha Grande) e os Montados de Sobro e Azinho (Avis, Portalegre), entre outras.
A Reserva Natural da Serra da Malcata concorre na categoria reservada às áreas protegidas, donde ainda fazem parte o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a Ria Formosa (Algarve), o Estuário do Tejo ou a Floresta Laurisilva (São Vicente, Madeira), o Parque Natural de Montesinho (Vinhais) e a Área da Reserva da Lagoa de Santo André (Santiago do Cacém).
A lista de candidaturas será analisada por 77 especialistas que vão eleger as 77 candidatas (11 de cada categoria) para a fase seguinte, o que acontecerá a 7 de Fevereiro.
Em 7 de Março são anunciados os 21 locais finalistas (três por categoria). A votação pública para as 7 Maravilhas Naturais de Portugal acontecerá depois até 7 de Setembro.
plb
Foram mais de 100 os que escolheram despedir-se de 2009 e entrar em 2010 com o Reveillon do CCRA-Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates.
A festa organizada por esta associação começou por volta das 20 horas do dia 31 de Dezembro com a chegada ao salão das primeiras pessoas para tomarem uns aperitivos, às 20.30h e já com mais de 70 convivas sentados, os elementos da Direcção com a preciosa ajuda da Rosa e da Luísa serviram a sopa e deram inicio ao Jantar de fim de ano.
Depois da sopa de legumes seguiram-se o Bacalhau com Natas e o Lombo de Porco Recheado, sempre bem regados por bom vinho branco e tinto, a finalizar a refeição houve buffet de sobremesas e café ao balcão.
Passava já das 22.30h quando e com a ajuda de todos se levantaram e cadeiras, abriu-se o bar e deu-se início ao baile Figueiredo e sua Banda. A partir daqui não pararam de para a Festa. Com muita animação e boa música chegou a hora de dar as boas vindas ao novo ano, nessa altura encontravam-se no local mais de 100 pessoas das mais variadas localidades do concelho e não só.
Por volta das 2.00h do novo ano a Banda fez um intervalo para se proceder ao sorteio de uma garrafa de whisky e para se abrir a mesa de frios.
Já com a barriga de novo aconchegada a festa lá continuou até às 5 horas da madrugada, hora em que para muita pena dos presentes a Banda deu por terminada a sua actuação.
Mesmo assim a música continuou para os mais resistentes e já eram quase 7 horas quando as últimas pessoas saíram do salão do C.C.R. de Alfaiates.
O saldo não podia ter sido mais positivo, pois foi com chave de ouro que a actual Direcção do C.C.R. de Alfaiates fechou o seu 1.º ano de mandato.
Termino agradecendo:
– Ao maravilhoso grupo da Rebolosa que considero terra irmã de Alfaiates e que resolveram passar o ano connosco;
– Aos amigos de Vale das Éguas com quem temos excelentes relações e que nos brindaram com a sua presença;
– Ao Nuno Figueiredo e à sua Banda pelo maravilhoso ambiente que deram a esta Festa;
– À Luísa e à Rosa pela disponibilidade que demonstraram para ajudar a Direcção nesta gigantesca empreitada;
– Ao Restaurante «Pelicano» pelo excelente serviço que nos prestou;
– Obrigado a todos aqueles que anonimamente participaram nesta Festa;
– Por fim, mas não por último uma palavra de enorme apreço a todos os meus conterrâneos que optaram por entrar nesta Festa.
É essencialmente com eles e para eles que o nosso trabalho à frente desta Associação se prende.
Muito obrigado por contarem connosco e com o nosso trabalho, é com o vosso apoio e participação que queremos fazer mais e melhor neste ano que agora começa…
Norberto Pelicano
(Presidente do C.C.R. de Alfaiates)
Tal como aconteceu no ano passado, a população da Torre festejou com muita alegria o Natal e a chegada do Ano Novo 2010.
Sendo uma época em que todas as terras do concelho recebem os emigrantes e imigrantes, a Torre também recebeu, este ano muitos emigrantes de França para quem desejamos que tenham tido uma boa viagem.
Como todos os anos em todas as aldeias existe a tradição do Madeiro e a Torre, não foge à regra, com a sua fogueira de Natal, mas nessa noite estava muito frio as pessoas refugiaram-se na associação, estando um pouco mais acolhedor.
No domingo a seguir ao Natal houve um sócio que ofereceu uma feijoada de javali e na segunda-feira outro sócio ofereceu um borrego e o nosso director «cozinheiro» fez um belo guisado para todos os sócios que estavam presentes.
Porque nesta época o S. Pedro é amigo de todos com o aparecimento da neve, houve alegria e as brincadeiras das gentes da terra.
Pelas 19 horas começaram a chegar às instalações as pessoas que estavam inscritas, para passagem de ano, cerca de 60 pessoas.
Foi servido o jantar: uma sopa de galinha, bacalhau à braz e lombinhos de porco com cogumelos.
Para além das entradas houve também uma grande variedade de sobremesas, e para acabar um café e o digestivo.
À meia-noite foi servido o tradicional Bolo-Rei acompanhado pelo Champanhe e as passas de uvas, com votos de muita saúde e paz para o ano 2010.
A festa continuou pela noite dentro com um bailarico feito com aparelhagem de som.
A Direcção da ACRT agradece a todos os sócios que participaram nesta actividade e que a ajudaram a organizar, permitindo-nos proporcionar à gente da nossa terra alguns momentos de confraternização que é sempre saudável e em especial na época natalícia, um muito obrigado a todos e Próspero Ano Novo 2010.
acrt
O «Bardo» esteve para fechar definitivamente. Foi a primeira notícia que recebi ao abrir a minha caixa de correio. Mas sei de fonte segura, que não é o único investimento particular em risco de fechar no Sabugal. Isto prova que as políticas de desenvolvimento no concelho têm sido erradas, porque não têm servido de alavanca na captação e fixação do investimento privado.
O caminho, já se viu, não passa por gastar milhões de euros em obras que deviam ser suportadas pelo poder central em obediência ao princípio da solidariedade e coesão nacionais.
Precisamos de uma Câmara que defina opções estratégicas para desenvolver e promover o nosso património, incentivando a iniciativa privada. E todo o dinheiro gasto nisto é pouco!
É isto que há muito tempo a nossa gente espera dos seus dirigentes. Não o enterro de milhões de euros em obras que deviam ser feitas pelo poder central e que é necessário para as políticas que a Câmara devia promover.
Somos cidadãos de pleno direito, como os do litoral, das grandes cidades e das regiões autónomas, com idênticos deveres e inerentes direitos de qualidade de vida, o que não temos visto concretizado na prática.
O problema tem sido de postura. Não temos sabido exigir os nossos direitos com suficiente força reivindicativa. Não temos conseguido encontrar essa força, pela forma como temos vivido desunidos.
Contava Esopo, que já velho, e portanto próximo a despedir-se do mundo, um homem que tinha muitos filhos, reuniu-os em redor de si, e mandando vir um feixe de varas, assim disse:
– Qual de vocês, meus filhos, será capaz de quebrar esse feixe de varas? experimenta, João.
João procurou fazê-lo; não pôde.
– Vê tu, Pedro.
Pedro também o não pôde; nenhum dos outros o conseguiu.
– Ora, eu, já velho e alquebrado – disse o pai desatando o feixe – vou fazer o que vocês, moços e valentes, não fizeram.
E tomando, uma por uma todas as varas, as foi quebrando. Então, prosseguiu:
– Aproveitai, meus filhos, esta lição. Enquanto estiverdes unidos, resistireis facilmente a todas as agressões e violências; os vossos inimigos, porém, hão de procurar desunir-vos; para isso aproveitar-se-ão das vossas paixões, e se o conseguirem, um por um ficareis todos perdidos.
Isolados, nada conseguimos, pois é da união nasce a força; todos o sabem; não há verdade mais trivial; mas parecemos ignorá-la.
Os nossos antepassados sempre tiveram a noção de que a região de Riba-Côa constituía um território cuja autonomia geográfica cultural, social e económica não era valorizada pelo poder central.
Por isso se uniram na tradicional «Irmandade de Riba-Côa», que representava os interesses comuns dos nossos sete concelhos, junto da coroa.
E quando o poder central fazia «ouvidos de mercador» a nossa gente soube como reivindicar os nossos direitos e protestar contra os abusos.
De que é que os nossos dirigentes estão à espera?
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O ditado popular nunca falha. «Não há miséria que não resulte em fartura». Assim tem acontecido na nossa região e no país em geral.
O ano de 2009 despediu-se com imensa chuva, vento e neve e o ano novo, de 2010, não quis ficar atrás e parece que o Inverno está mesmo para ficar. Segundo os entendidos na meteorologia dentro de dias seremos acompanhados por temperaturas bastante baixas.
Hoje fui dar umas voltinhas pelas serranias que circundam os Foios e o amigo que me acompanhou levou-me à maioria dos nascentes que, felizmente, jorram água por todos os lados.
Os riachos da Serra das Mesas, abundantemente servidos pelo Planalto do Lameirão, ou também designado por nave molhada, despejam água que corre veloz e abundantemente para a barragem do Sabugal que também já nos estava a preocupar com os baixos níveis que se verificavam há cerca de quinze dias atrás.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: 2 de Janeiro de 2010.
Local: Herdade dos Salgados.
Legenda: O Capeia Arraiana aproveita para endereçar, novamente, cumprimentos de Feliz Ano 2010 ao Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Autoria: Capeia Arraiana.
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O ano de 2010 já iniciou e os Judocas Arraianos já conhecem algumas datas das competições nas quais poderão participar.
Alguns judocas sabugalenses irão disputar o pódio em mais de que um escalão conforme permitido pelo Artigo 4.º (Permissão de participação em provas de escalões diferentes) do Regulamento de Organização de Provas da Federação Portuguesa de Judo.
A participação em provas de escalões etários diferentes daqueles em que se incluem os atletas apenas é permitida nos seguintes casos:
| TIPO DE PROVA | SENIORES | SUB-23 | TIPO DE PROVA |
| Escalão Etário |
Seniores | Sub-23 | Juniores |
| Juniores | Sub-18 2.º/3.º Anos Esperanças 2.º Ano |
||
| Sub-23 | |||
| Juniores | |||
O Sporting Clube do Sabugal tem vindo a crescer nesta modalidade, com mais praticantes nas suas classes de formação, mas apenas a partir dos 13 anos é que se pode ter acesso á competição de nível Nacional. Tendo este Clube desenvolvido a sua actividade no Dojo na perspectiva da Formação dos Jovens, os resultados foram aparecendo de forma natural, salvaguardando sempre a formação humana em detrimento do resultado a curto prazo.
Este ano a maioria dos atletas poderão aceder a dois escalões etários à excepção de Ana Rita Figueiredo e Luís Clara, que poderá pontuar nos escalões de Juniores, Sub-23 e Seniores, conforme tabela de provas para 2010. O empenho dos Judocas no início de Janeiro irá determinar a participação dos competidores nas respectivas fases finais do Campeonato Nacional.
Mapa das Provas de Judo. Aqui.
djmc
António Guterres, socialista, humanista, e homem de fortes e profundos valores morais, Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, disse no Parlamento Europeu que o século XXI, será o século dos povos em movimento.
Este repetido movimento dos povos, é uma constante da história universal, a procura de melhores condições de vida é a razão pela qual obriga à emigração dos povos dos países ditos pobres, para os países onde abunda a riqueza. Presentemente é ao que assistimos.
Os párias da Terra fogem à miséria existente nos seus países, e tentam a todo o transe entrar neste Ocidente, ainda rico. Não podemos esquecer querido leitor(a), que a fuga dos povos da América Latina para Espanha, da África e da Ásia para Portugal e resto da Europa, é o resultado da expropriação e saque das potências colonialistas que então dominavam o Mundo, e que durante séculos subjugaram esses povos. Infelizmente continuam a subjugar e explorar, mas agora de outra maneira, com o beneplácito dos governos corruptos desses estados.
Quer aceitemos este facto, ou não, o Mundo avança para uma miscigenação global de etnias, culturas, religiões e até civilizações. Isto traz conflitos inevitáveis, entre eles a xenofobia e o racismo. Mas aos racistas e xenófobos quero dizer-lhes que a chamada superior raça branca, um dia será uma minoria no meio de tantas outras, e possivelmente no meio de alguma maioria.
Nada pode deter a marcha da história, e nenhum tratado como o de Schengen, muro, arame farpado, polícias e exércitos, impedirão de chegar ao Ocidente os párias da Terra. Em solo imperial, os imigrantes ilegais, que se presume cheguem aos quinze milhões, já se manifestam nas ruas de Washington, gritando: «We are América».
Esta velha Europa, pensa «importar» vinte e cinco milhões de párias em idade de trabalhar, para substituir a perca de população activa, perca essa, devida a questões demográficas.
Não leitor(a), o Mundo Ocidental não foi o eleito para reger os destinos da humanidade, pensou isso o cristianismo, depois a ciência e a técnica. Todos se enganaram.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
Transcrevemos, com a devida vénia, o oportuno artigo assinado por Josnumar, no blogue «Malcata.Net», datado de hoje, dia 4 de Janeiro de 2010, no qual se lançam alertas acerca das possibilidades de futuro da nossa cidade cabeça de concelho.
«O futuro da cidade do Sabugal passa por pôr a trabalhar as pedras centenárias da sua zona histórica. O castelo e a zona que o envolve não pode ficar adormecido a olhar para o passado. É preciso fazer desse passado um activo, um recurso de desenvolvimento.
A “Casa do Castelo” e o ciber-bar “O Bardo” são dois fantásticos exemplos da afirmação e valorização da zona histórica da cidade do Sabugal. Tratam-se de dois projectos criados por gente criativa, inovadora e empreendedora. O último exemplo desta criatividade é o compromisso que assumiram com a realização da “Feira Franca” no Largo do Castelo. A iniciativa tem sido um êxito e muitas pessoas têm marcado presença nessas feiras. A valorização do património também se faz com estes eventos e com este tipo de projectos. São a demonstração da força daqueles que, para além do negócio, reconhecem o valor e a riqueza que os nossos antepassados nos legaram.
O Sabugal necessita de adoptar uma estratégia de desenvolvimento que não passe exclusivamente pela criação de infra-estruturas e equipamentos (obras físicas) e que, pelo contrário, invista na captação de “talentos”- pessoas com capacidade e projectos para enriquecer económica e socialmente a cidade e o concelho. Quem defende este pensamento é o investigador de Planeamento Regional, José Mendes, actual reitor da Universidade do Minho.
“Durante décadas, as cidades portuguesas investiram quase exclusivamente em infra-estruturas. Mas só conseguirão sobreviver. As cidades estão a cair no “vale da morte” e só uma mudança de prioridades e de discurso, no poder local, poderá ajudá-las a ultrapassar essa fase terrível” – diz José Mendes numa conversa que teve com o jornalista Paulo Coentrão, publicada neste domingo no jornal “Público”.
“Há vários aspectos que me preocupam: que o discurso autárquico continue centrado nas obras; que tenhamos rede, mas pouca sociedade a trabalhar em rede; que, em suma, cidades onde até existem plataformas de conhecimento – como universidades e politécnicos, mas não só – não consigam transformar o investimento feito nessas áreas em factores de competividade, em algo que as distinga das demais e as torne atractivas num mundo cuja fronteira não é sequer a que separa concelhos vizinhos, porque essa, como na economia, deixou de existir. E, neste cenário, o que devem as cidades atrair? “Talentos”. Ou seja, “pessoas que, nas mais diversas áreas, sejam criativas, abertas à inovação e que tenham ideias capazes de enriquecer, económica e socialmente, o espaço onde vivem”.
O investigador continua dizendo que “os autarcas portugueses já deveriam estar a utilizar o dinheiro dísponível no quadro comunitário de apoio menos em obras físicas e mais em iniciativas imateriais que fomentem a qualidade de vida e uma identidade própria; que identifiquem e fixem as pessoas interessantes”.
Interessante a conversa que este investigador teve com o jornalista.
No mesmo artigo também Fernando Ruivo, coordenador do Observatório de Poderes Locais, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, afirma que “a mentalidade do autarca português não está assim tão avançada. A partidarização do sistema político, muito dependente do imediatismo dos resultados eleitorais, somada à fraqueza da própria sociedade civil, dá este resultado”.
Percorram as ruas na cidade do Sabugal e perguntem a cinco cidadãos qual é a visão que os responsáveis da Câmara Municipal têm para a cidade. Qual ou quais são as estratégias para mudar a cidade e transformá-la numa cidade criativa, com qualidade de vida e orgulhosa do seu passado.»
É importante reflectir para se encontrar um caminho para o Sabugal, que forçosamente terá de passar pelo aproveitamento das suas potencialidades. O exemplo dos empresários locais que se fixaram junto ao castelo para dinamizarem a área medieval da cidade é bem revelador de que há um rumo a seguir.
Blogue Malcata.Net. Aqui.
plb
A Guarda Nacional Republicana registou na última Operação Natal e Ano Novo 52 acidentes de viação nas estradas do distrito da Guarda, de onde resultaram um morto, dois feridos graves e 15 feridos leves, números que representam um aumento dos acidentes e das suas consequências em relação ao ano transacto.
A Operação Natal e Ano Novo decorreu no período entre 23 de Dezembro de 2009 e 3 de Janeiro de 2010. Comparativamente ao ano anterior, verificou-se um aumento no número de acidentes (mais 8) e, no tocante as consequências registou-se igual número de feridos graves (2), e um aumento nos feridos leves (mais 7). Registou-se ainda uma vitima mortal (em 2008 não houve qualquer morte nas estradas neste período).
Mau grado os resultados, o Comando Territorial da Guarda refere em comunicado que durante a Operação exerceu um grande esforço em matéria de segurança rodoviária, tendo efectuado 310 patrulhamentos e empenhando um total de 694 efectivos. «Também a acção fiscalizadora foi tida em conta, nomeadamente, no tocante as manobras perigosas e condução sob efeito do álcool. Em matéria de álcool foram fiscalizados 1535, condutores, tendo-se verificado 11 excessos, dos quais 3 constituíram ilícito criminal por apresentarem uma TAS igual ou superior a 1,2 gr/l», refere a GNR. Em matéria de excesso de velocidade foram controlados 3619 veículos e registaram-se 44 situações de infracção, informa ainda o comunicado.
No dia 29 de Dezembro, o Comando Territorial levou a efeito uma Operação na área do Parque Natural da Serra da Estrela, onde foram empenhados 34 efectivos com vista a detectar situações de infracção e sensibilizar as populações para as preocupações e cuidados a ter na preservação da natureza e ambiente. Foram elaborados dois autos de contra-ordenação.
Ao longo da semana, foram empenhados diariamente, nas vias de acesso ao Maciço Central da Serra da Estrela, entre 10 e 20 militares da Base Táctica de Busca e Resgate em Montanha do GIPS/GNR e cinco do Comando Territorial da Guarda, os quais desempenharam missões de regularização de trânsito e vários fechos e reaberturas ao tráfego das vias da serra, em função das condições meteorológicas. Também auxiliaram o Centro de Limpeza de Neves na retirada de turistas, comerciantes e trabalhadores da zona da Torre, face a situações de intensa queda de neve. Auxiliaram ainda na busca de duas pessoas que, por instantes, se desorientaram, junto à estância de esqui.
Durante a semana a GNR da Guarda deteve sete Indivíduos em flagrante delito, pela prática dos crimes: condução sob o efeito do álcool, condução sem habilitação legal, desobediência (condução com carta apreendida), posse de estupefacientes, falsificação de documentos (titulo de condução) e ameaças e injúrias a militares da GNR.
plb
Como já vai sendo habitual a Junta de Freguesia e o Grupo Cultural e Desportivo de Foios programam actividades, por altura das festividades, de modo a que, quer os que por cá vivemos, quer os que connosco vêm passar as férias, ou alguns dias, possamos conviver num verdadeiro espírito de amizade e esperança. E assim aconteceu durante estes quinze dias de Natal e Ano Novo.
No largo da praça preparou-se a árvore e o presépio com as respectivas iluminações como é habitual nesta época.
Foi Também no largo da praça que a rapaziada amontoou os enormes troncos para a tradicional fogueira. Começou a arder por volta das 24 horas, do dia 24, e manteve-se acesa durante o dia de 25. Depois choveu e acabou-se a fogueira. Mas já estão os troncos guardados para a fogueira de 2010. De registar que a partir das quatro da madrugada foram assados dez quilos de febras e de entremeada para aqueles que mais aguentam.
O Zé Tavares, Presidente do Grupo Cultural e Desportivo, organizou bem, como sempre, o concurso da «belota» – jogo de cartas importado de França – que teve com vencedores os irmãos Amilcar e Moisés.
No pavilhão das eiras realizou-se uma bonita passagem d`ano. As promotoras foram a São e a Imelda. Organizaram tudo muito bem e as cento e vinte pessoas que se inscreveram não se arrependeram, certamente, dos vinte euros, que pagaram. Aliás a grande maioria reconheceram que a ceia que serviram valia algo mais. Mas para começar, com esta modalidade, esteve bem assim. Correu tão bem que durou até às sete da madrugada.
Sábado, dia 2, o grupo de teatro «Guardiões da Lua» da Quarta-Feira, brindou-nos, no auditório do Centro Cívico, com a bonita peça alusiva ao Natal. Apesar da chuva, que caiu a cântaros, compareceram sessenta e duas pessoas incluindo uma dezena de amigos espanhóis. Irmãos Lucas, Tomás, esposas e filhos. Registámos, com muito agrado a presença do Sr. Presidente e da Sr.ª Vice-Presidente da Câmara do Sabugal.
Agradecemos ao Grupo de Teatro da Quarta-Feira e agradecemos a presença do Exm.º Público. Assim vamos sendo mais felizes por cá.
Finalmente pretendo referir os muitos clientes que afluíram aos nossos restaurantes. Tanto o do viveiro «Trutalcôa» como o «Eldorado» serviram largas centenas de pessoas. Ainda bem.
Um próspero ano de 2010 para todos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
A fotografia desta crónica refere-se à participação da localidade de Espinhal, uma anexa de Águas Belas.
O Espinhal apresentou-se com um carro de vacas onde se encontra o cartaz com a indicação da localidade.
No carro das vacas vão várias pessoas a executarem ao vivo trabalhos artesanais.
Embora esta fotografia não esteja muito nítida, parece-me que é o ciclo do linho que as pessoas estão a representar.
Do lado esquerdo do carro vão cinco pessoas (quatro adultos e uma criança).
Sei que o Espinhal apresentou, neste Cortejo, uma canção que ficou na memória de muita gente, tanto que nos anos 70, do século XX, ainda me lembro de pessoas que, embora não sendo do Espinhal, a recordavam. O seu refrão rezava assim:
Nós somos do Espinhal
Freguesia de Águas Belas
Trazemos ao Hospital
As ofertas mais singelas
Viva o Hospital (…)
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
Dou início nesta crónica ao tema Turismo de Habitação Rural na Beira Interior começando pelas ofertas no concelho do Sabugal.
A Beira Interior, como já referi em crónicas anteriores, estende-se das terras do Riba-Côa (Figueira ou Almeida) até à campina de Idanha e à Zona do Pinhal que as Unidades Territoriais subdividem em Beira Interior Norte (Almeida, Celorico, Figueira, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal e Trancoso), Serra da Estrela (Fornos, Gouveia e Seia), Cova da Beira (Belmonte, Covilhã e Fundão), Beira Interior Sul (Castelo Branco, Idanha, Penamacor e Vila Velha de Ródão) e Pinhal Interior Sul (Oleiros Mação, Proença, Sertã e Vila de Rei).
Estas divisões e subdivisões oficiais têm originado várias polémicas e muitos continuam a usar as tradicionais designações de Beira Alta, Beira Baixa e Beira
Litoral.
Como no meio é que está a virtude, abordarei o Turismo de Habitação Rural na Beira Interior, condensando estas subdivisões em Beira Interior Norte (que faz parte da Beira Alta, também designada Beira Transmontana), Serra da Estrela (parte da Beira Alta e da Baixa) e as três restantes subdivisões na Beira Baixa.
Em termos de Turismo de Habitação Rural, distinguem-se dois núcleos principais:
– Serra da Estrela.
– Beira Interior Norte.
No primeiro caso, as opções variam entre quintas marcadamente rurais e onde se pode desfrutar do ambiente serrano e alguns antigos solares nobres e em termos numéricos é a zona de mais forte implantação do dito Turismo no Espaço Rural.
No segundo caso o mais interessante, são casas situadas em aldeias históricas e típicas, como é o caso do Sabugal, Sortelha, Quadrazais, Aldeia Velha Almeida, Linhares, e outras.
Começando pelas do concelho do Sabugal, Sortelha é a povoação que há mais tempo iniciou este tipo de actividades, salientando-se as seguintes:
Casas do Campanário – Para lá chegar, é necessário entrar na cerca de Sortelha e subir até à porta poente. Dispõe de duas casa bastante confortáveis, dotadas de sala com chaminé, aquecimento central, apresentando cada uma das casas, uma com um quarto e a outra com dois quartos. Nas traseiras das casas, existe um bar do mesmo nome, com uma esplanada, com o melhor panorama sobre a aldeia e região circundante e um espaço para mostra e venda de artigos da região.
Casa da Cerca – A sua origem, remonta ao século XVII. Antiga casa de hóspedes, pertenceu ao fronteiro solar da Nossa Senhora da Conceição, onde existem dois símbolos permanentes: os brasões Charters de Azevedo e o de Correia da Costa. Recebeu os primeiros hóspedes modernos em 1994. O edifício está integrado, numa cerca com um hectare de jardim e terreno agrícola. Quem entrar pelo portão não pode deixar de reparar num pinheiro nórdico, rodeado por um antigo bucho bem cuidado, donde sai uma pequena latada, apoiada em colunas de granito que acaba num bonito tanque. A dois passos, um grupo de frondosas tílias esconde um conjunto de bancos de pedra. Das janelas avistam-se a quinta e a cidadela medieval de Sortelha, existindo os tradicionais bancos namoradeiros, junto ao parapeito.
No piso inferior, uma sala de estar com lareira mostra nas suas paredes quadros com os dez cantos dos Lusíadas piso superior, com vista para Sortelha, tem outra sala de estar, também com lareira, onde estão expostos quadros com os retratos do visconde e viscondessa de São Sebastião, dos navegadores portugueses e motivos náuticos.
Casa da Vila – O grande trunfo desta casa, é a sua localização no centro histórico de Sortelha toda em granito e possui nas traseiras um terraço donde se avista o interior da cidadela medieval. Não confecciona refeições, mas o vizinho Bar do Campanário, é uma alternativa.
Casa do Páteo – Pequena casa tradicional de granito. O piso inferior tem uma sala com lareira de canto, com o granito à vista e no nível superior um quarto, donde se vê Sortelha.
Casa do Quartel – Construída durante o Estado Novo para servir de quartel à Legião Portuguesa foi adaptada para turismo rural. Localizada fora das muralhas, apresenta-se no entanto com materiais tradicionais na sua construção. Dispõe de um jardim com arvores de fruto e uma criação de pavões.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Novo DVD Especial Capeias 2009 do Fred do Soito com banda sonora do DJ Moka.
O DVD está disponível em finais de Janeiro por 20 euros.
Para mais informaçoes: fredosoito@hotmail.fr
jcl
No final de um ano difícil para todos, (talvez nem todos) é hora de olhar para trás, para o caminho percorrido e efectuar o balanço do que de bom e mau se passou. Mas é também hora de fazer votos de um excelente Ano de 2010 para este território raiano e para todos os que nele encontraram laços e afectos.
Entre as muitas realizações que todos queremos ver concretizadas, umas da competências dos poderes públicos, central ou autárquicos, outras da sociedade civil, ou seja de cada um de nós, pela minha parte, gostaria especialmente que o primeiro lince a colocar em liberdade, o fosse já em 2010, na Reserva da Malcata.Se esse desiderato for conseguido, o Ministério do Ambiente e o ICNB ficarão redimidos dos erros e omissões cometidos em anos anteriores em prejuízo desta área protegida (Ap).
Ao longo das últimas décadas as populações da sua envolvente têm abdicado de tirar da serra proveitos que, naturalmente, não resolveriam os nossos problemas, mas poderiam, com outras opções de uso, ajudar a minimizá-los. Entre muitos outros possíveis, darei apenas dois exemplos:
1. A Serra da Malcata foi, ancestralmente, refúgio de fauna de pequeno e grande porte, potencialmente indutora do desenvolvimento da actividade cinegética, que sempre se praticou nas suas vertentes. Para se aferir dessa histórica actividade leia-se «Caçadas aos javalis» do Dr. Framar.
Caso se tivesse seguido a opção cinegética, a serra poderia albergar hoje uma série de zonas de caça turística, muito rentáveis e geradoras de emprego. Geridas de forma empresarial, as grandes herdades da serra por certo estariam povoadas de veados e corços, muflões e javalis para atrair os mais endinheirados amantes da arte da caça.
2. Outro valioso recurso a aproveitar poderia ser a energia eólica. Com várias cumeadas de altitudes próximas dos 1000 metros, só uma alternativa muito mais valiosa justificará que qualquer país desenvolvido abdique deste enorme potencial energético.
Não quero mencionar sequer outras alternativas de aproveitamento, designadamente, florestal, para não abrir outras frentes de opinião fracturante.
Já defendi, sem qualquer tibieza, a compatibilidade entre a energia eólica e a conservação do Lince, opinião alias, publicada na comunicação social nacional. Não é agora o momento de esgrimir tais argumentos.
A Malcata podia ser um parque natural, alargado a outras zonas dos dois concelhos, podia até ser o 2.º parque nacional do país, mas não é uma coisa nem outra: é antes uma reserva natural. Sendo uma reserva, é a conservação das espécies, em especial o Lince e não as paisagens o seu principal valor.
São essencialmente dois os impactes apontados pela corrente de opinião que rejeita a exploração eólica nas Aps, o visual e a perturbação da avifauna. O primeiro é obviamente subjectivo, o segundo precisará de ser melhor estudado e comprovado.
Os que, legitimamente, acham que os aerogeradores descaracterizam e empobrecem as paisagens naturais, não podem usar esse argumento na Malcata: primeiro porque ela já está rodeada deles, depois porque o seu plano de ordenamento restringe a visitação, sinal claro de que não se pretende a fruição das suas paisagens. E as paisagens só são belas perante o nosso olhar.
Por ironia, os espanhóis preparam-se para encher de torres eólicas a cumeada de fronteira, onde o recurso energético devia ser comum. Os molinos ficarão a uns centímetros da reserva, cujo Regulamento os proíbe terminantemente! Os grifos e abutres negros, que com frequência cruzam a fronteira, ficarão sujeitos ao seu alegado impacte.
Assim a Malcata ficará com os dois «temíveis» impactes ambientais, mas não receberá um cêntimo de compensação! Temos que afirmar que os seus interesses e os das espécies que ali se preservam foram mal defendidos.
Teria sido mais vantajoso negociar contrapartidas em favor do lince, por exemplo. E que contrapartidas!? Num estudo solicitado pela Câmara de Penamacor a uma empresa eólica, a Malcata poderia render, em energia, cerca de 40 milhões de euros anuais (1 milhão seria para as autarquias).
Nunca fui de ideias fixas. O que hoje nos parece correcto, pode amanhã, com melhor conhecimento, parecer-nos incorrecto e as opções de curto prazo nem sempre se revelam vantajosas a longo prazo. Mas estas são dúvidas que teremos sempre, sejam quais forem as opções.
Há porém valores – e os valores são perenes – que temos obrigação de defender. Os valores da justiça e da solidariedade devem estar sempre presentes nas políticas públicas. A defesa e preservação do Lince, é um desafio nacional que deve ser custeado pelo todo nacional, tal como o TGV ou o aeroporto de Lisboa. Não é justo que alguns paguem um benefício que é de todos.
Penamacor e Sabugal nunca foram compensados por contribuírem para um objectivo nacional e até supranacional. Pior, relativamente à questão do Lince, nos últimos anos a nossa região tem sido preterida, em favor de outras regiões, o que significa uma falta de ética e de respeito pelos investimentos feitos na Malcata em estudos e aquisição de terrenos.
Não temos nada contra o Algarve nem contra o Alentejo, até gostamos muito dessas regiões, mas não podemos permitir que o ICNB perca o azimute, traçado ao longo de mais de duas décadas. Não podem os interesses políticos sobreporem-se aos interesses da conservação.
A reintrodução do Lince na Malcata terá de ser uma medida prioritária da Conservação da Natureza a nível nacional, não apenas no discurso. Como não acreditamos na sorte resta-nos estar activamente atentos e vigilantes.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
Nos anos 50 e 60 do século XX, Portugal viu escaparem-se-lhe quase 2 milhões dos seus filhos e o Interior foi-se despovoando. Uns vieram para as grandes cidades do Litoral, outros partiram para Franças e Araganças. O concelho do Sabugal, por exemplo, perdeu, entre 1950 e 1970, 56 por cento dos seus habitantes. Aldeias houve, como por exemplo Quadrazais, que ficaram sem dois terços da população.
Uns voltaram, outros não. Mas o Portugal que deixaram, quando passaram a raia a salto, desapareceu. As aldeias do Centro e do Interior norte são hoje sombras do que eram há quarenta ou cinquenta anos atrás. Perderam gente, perderam tradições, perderam cultura, perderam alma. Visitamos terras lindíssimas, como Monsanto, Sortelha, Linhares, Piódão, Castelo Mendo, Marialva e que vemos? Pedras, sobretudo pedras. As gentes, que é quem dá vida às pedras, estão em vias de extinção. As poucas que ficaram estão velhas e vivem das magras pensões ou de um escasso e esporádico turismo. Abrem-se lares da terceira idade e fecham-se escolas. O mato cresce por todo o lado, a agricultura morre, o País tradicional agoniza.
Marialva é a imagem mais viva deste fenómeno de desertificação do Interior. Em poucos lugares do País podemos sentir a mesma emoção que em Marialva. Dentro das suas muralhas encontramos o castelo, a igreja, o cemitério, a Domus Municipalis, o tribunal, a cadeia, o pelourinho, casas sem tecto. Mas não encontramos ninguém, porque Marialva é uma vila fantasma. Dizem as lendas que sofreu a maldição da moura Maria Alva! Foi completamente abandonada pela sua população, que acabou por fundar uma nova Marialva cá em baixo, no vale. Caminhamos melancolicamente naquela ruína silenciosa, nobre no seu abandono, coberta de musgo, hera e silvas e, involuntariamente, visualizamos um país quase inteiro.
«Georges! anda ver meu país de Marinheiros,/ O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!/ Oh as lanchas dos poveiros/ A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!/ [...] Senhora Nagonia!/ Olha acolá/ Que linda vai com seu erro de ortografia… [...] Senhora Daguarda! [...] Maim de Jesus! [...] Senhor dos Navegantes!/ Senhor de Matusinhos!/ Os mestres ainda são os mesmos dantes:/ Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,/ Mailos quatro filhinhos,/ Vascos da Gama, que andam a ensaiar… [...] Georges! anda ver meu país de romarias/ E procissões!/ Olha essas moças, olha estas Marias!/ Caramba! dá-lhes beliscões!/ Os corpos delas, vê! são ourivesarias!/ [...] Tira o chapéu, silêncio!/ Passa a procissão/ Estralejam foguetes e morteiros./ Lá vem o Pálio e pegam ao cordão/ Honestos e morenos cavalheiros./ [...] Que linda e asseada vem a Senhora das Dores!»
Este Portugal, o país de António Nobre, está prestes a desaparecer. É preciso correr, e olhá-lo demoradamente, para o gravar na memória antes que se transforme numa enorme, desolada e melancólica Marialva.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt


Os que me conhecem sabem que há muito venho dizendo que o Fundão, liderado por Manuel Frexes está no bom caminho. Vejamos, então, o que diz o Autarca.





















A espada de Vilar Maior foi tema de um trabalho escolar no âmbito de um concurso promovido pelos Ministérios da Educação e da Cultura, designado «A minha escola adopta: um Museu, um Palácio, um Monumento». O trabalho, da autoria de quatro alunos da Escola Básica 2/3 e Secundária de Vilar Formoso, foi distinguido pelo júri e está presentemente em exposição no Museu da Guarda (até 17 de Janeiro de 2010).
«Porque não há Futuro sem Memória» a Rádio Altitude recorda acontecimentos, protagonistas, casos e causas marcantes em 2009.
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