Os elementos da Junta de Freguesia de Foios, concelho do Sabugal, pediram ao Senhor Pároco da localidade que informasse na Missa Dominical que, durante uma semana, aceitavam dinheiro para as vítimas do Haiti. O resultado foi consubstanciado numa modesta, mas seguramente muito preciosa, ajuda para aquele povo que vive momentos de infelicidade.
No peditório realizado na Igreja foram recolhidos 355 euros e, durante a semana, as pessoas entregaram à Natividade Esteves, à professora Natália e aos elementos da Junta de Freguesia mais 248 euros, o que perfaz um total de 603 euros.
Os elementos da Junta de Freguesia agradecem a colaboração do Senhor Padre Paulo, das pessoas que fizeram o peditório e, sobretudo, às muitas pessoas que se dignaram contribuir.
Segunda-feira, dia 1 de Fevereiro, o Presidente da Junta de Freguesia vai à agência da Caixa Geral de Depósitos do Sabugal, fazer o depósito na conta correspondente. Pedirá uma declaração para comprovar que tudo foi feito legal e seriamente.
Esta pequena quantia é mais uma gota de água, mas são muitas pequenas gotas que, na verdade, formam os lagos, rios e oceanos.
Deus queira que nunca nós precisemos deste tipo de auxílio.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com

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1 comentário
Comentários feed para este artigo
Quinta-feira, 11 Fevereiro, 2010 às 23:50
Carlos Eduardo da Cruz Luna
NOTA: ESTE TEXTO PRETENDE SER UMA FORMA DE IRONIA. CONVÉM LÊ-LO ATÉ AO FIM!!!
OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA…)
É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão
nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de
destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas
estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre
situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos
de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem
conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres
naturais, ao longo de dois séculos… para já não falar das ditaduras que pouco dignos
filhos seus exerceram.
É curioso ver como se unem esforços.
Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai
promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, “Jangada de Pedra”.
Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor
das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá
futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível
nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago “todos temos
uma obrigação”, a campanha “Uma Jangada
de Pedra a caminho do Haiti” vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»
Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de
terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como
uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras
manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a
escolher este livro
para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe
real.
O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,
esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e
vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador
pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em
relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as
esperanças espanholas sobre Gibraltar… que não acompanha a península na imaginária
ruptura geográfica… referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco
“sensível” … já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva
lá.»(página 89)
Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por
causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários
algo cépticos.
Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes
e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,
poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!
Estremoz, 27 de Janeiro de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna