Há uma desilusão generalizada que percorre Portugal de lés a lés. Tudo o que é sistema de valores, ideais e programas políticos, são incapazes de dar resposta a problemas cada vez mais dramáticos que enfrentamos. Resulta daí esta desmoralização, falta de fé, falta de entusiasmo e deterioro das relações sociais e humanas.

António EmidioMuitos homens, e mulheres válidos, já se recolhem na sua vida privada, e não estão dispostos a assumir um compromisso público. Cada vez é maior a desconfiança que nos despertam os políticos e outros administradores do poder, como deputados e juízes.
O medo apoderou-se da maior parte dos portugueses, é o principal protagonista desta época actual. Medo ao desemprego, medo à delinquência comum, medo aos tribunais, medo à corrupção, medo às ilegalidades das grandes companhias e bancos, que só servem para nos explorar, medo aos imigrantes, medo à destruição do meio ambiente, medo à concorrência, medo às leis absurdas de um cada vez mais pequeno e ditatorial Estado, ás suas prescrições, ás suas imposições, ao seu controlo, ás suas multas, à sua burocracia, e a toda uma série de ameaças com as quais somos confrontados diariamente.
E a corrupção? Foi elevada a lobby, está a minar os alicerces do Estado e a desacreditar a Democracia.
Portugal está a passar por um dos momentos mais baixos, moralmente, da sua história moderna. Os detentores do poder assumem um relativismo ético e moral, e obrigam os cidadãos a uma luta constante de todos contra todos.
Atrevo-me a dizer que tudo isto é causa de uma doutrina burguesa/oligárquica, que impõe os seus interesses, e os seus valores.
Os grandes ideias do Povo Português já perderam o seu sentido? Não temos outra alternativa senão escolher falsos valores, e falsos ídolos fabricados pela doutrina dominante, para nos estupidificar e narcotizar cada vez mais, mantendo assim a sua hegemonia sobre nós? Não! Mil vezes não! Há muita gente que neste País ainda se mantém fiel aos valores verdadeiros como a verdade e a justiça, que são valores universais e intemporais, não dependem de modernismos. Acredito que um deles seja você querido leitor(a).
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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