«Nada há mais poderoso na sociedade que uma ideia à qual chegou o seu tempo», Victor Hugo.
E chegou o momento do neoliberalismo, o momento do controlo do poder económico sobre todos os outros aspectos da vida humana. Vou transcrever umas linhas retiradas de uma revista de política e cultura, enfeudada ao sistema imperante: «…uma política da consciência, depois da era ideológica. A política das pessoas e para as pessoas…», ou seja, o desaparecimento da ideologia, o ressurgimento do Laissez Faire.
Creio firmemente que esta maneira de pensar e agir, do poder económico, vai originar um retrocesso social, político e cultural. Isso é notório na actual crise, não só económica, mas também de valores. As próprias campanhas eleitorais só apelam à emoção dos cidadãos, e não à razão. Os políticos são feitos pela comunicação social e pelo Marketing, são lançados para o mercado como qualquer produto de limpeza.
Leia, querido leitor(a) esta pequena noticia de um jornal, durante a campanha eleitoral de Rodrigues Zapatero – primeiro ministro espanhol do PSOE – «É uma estratégia cem por cento publicitária. Vamos vender Zapatero como uma Coca-Cola ou um modelo Dulce & Gabbana». Assim falou um senhor chamado Juan Luís Bastos, responsável da campanha eleitoral.
As ideologias são sistemas de ideias e conceitos onde os partidos políticos, e até as forças sociais dão expressão à sua concepção do Mundo. Ter ideologia é ter princípios e orientar-se por eles, uma pessoa com ideologia significa que para ele, não vale tudo, e nem tudo é permitido.
Surgiu uma força vencedora como no princípio referi, o neoliberalismo, que cada vez se afasta mais da dimensão politica, social e moral da economia, baseia-se única e simplesmente numa coisa assaz baixa e desprezível: o Espírito do Lucro. Não no lucro, esse sempre existiu e existe. O leitor(a) se tiver um negócio só pode viver mediante o lucro normal que daí conseguir, o lucro é honesto quando não prejudica ninguém. O que já não acontece com os bancos, multinacionais e macro empresas. O lucro destes é proporcional à miséria, à pobreza, à fome, ao desemprego, à guerra, e à destruição do meio ambiente. Esmagam tudo o que se oponha ao seu livre desenvolvimento, e não se coíbem de dizer que o que é bom para eles, é bom para a humanidade.
Sabe leitor(a) quem é que presentemente representa os interesses globais do neoliberalismo? É a pseudo esquerda liberal, cuja cabeça bem visível foi Tony Blair, e agora continua com, Sócrates e Zapatero, entre outros.
Os governos ditos socialistas já abandonaram a ideologia socialista há muito tempo, agora a grande luta deles é suplantarem a direita na maneira de gerir o capitalismo. São uma bênção para os poderosos oligarcas na hora de desactivar os protestos e conseguir paz social nos momentos de crise.
Está aqui a resposta à pergunta que tanto português fez depois das últimas eleições legislativas. Porque é que o Partido Socialista de José Sócrates voltou a ganhar, se ele foi, e é tão contestado? Porque está aliado aos grandes oligarcas (principalmente os que controlam a comunicação social), e neste momento de crise consegue desactivar protestos e fomentar a paz social, controlando as bases, sendo ele o partido socialista mais à direita e conservador (neoliberal) da Europa. Destruiu as conquistas sociais obtidas a partir de 1974, e é um fiel Atlantista, seguidor do capitalismo dos Estados Unidos. Atrevo-me até a dizer: um bom discípulo de Ronald Reagan, o Guru do neoliberalismo e da destruição do Estado Social.
Enfim, uma aberração ideológica.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com

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3 comentários
Comentários feed para este artigo
Terça-feira, 10 Novembro, 2009 às 19:11
joao valente
Pois…
Por causa dessa “publicidade enganosa” é que temos “comprado gato por lebre”… O resultado salta à vista; podemos “limpar as mãos à parede”!
Terça-feira, 10 Novembro, 2009 às 20:46
Kim Tomé
Pois. :)
Agora vamos juntar a esta situação o poder das Tecnologias da Informação e da Comunicação e as Técnicas, daquilo a que hoje se Chama, Engenharia Social, e temos um caldo que dará origem à maior ditadura da história.
O “Poder” tem necessidade de controlar para ser poder, em todos os tempos se serviu dos avanços tecnológicos para dominar os que não dominam a tecnologia, foi assim com a escrita, com a rádio, com a TV e vai ser assim com as TIC.
Há uma única arma infalível, e isso diz-nos uma leitura atenta da história, é a disseminação do conhecimento.
Apenas uma sociedade esclarecida e conhecedora, tem capacidade de descodificar as mensagens e interpreta-las, reduzindo assim a possibilidade de manipulação.
Mas com tanto futebol e novelas…
Lá vai a humanidade passar pelo período mais negro da sua história.
Quarta-feira, 11 Novembro, 2009 às 16:18
António Moura
Será que uma sociedade esclarecida e conhecedora, com capacidade de descodificação e interpretação de mensagens não fará parte ela também dessa eterna “guerra ao armamento”, em que a resposta a uma mais sofisticada arma resulta numa criação que supera a anterior, numa contínua e cada vez mais sofisticada luta em que a própria sociedade vergada e subserviente aos mais primários instintos (a luta pala transmissão de genes), não faz mais nada senão servir (e bem) essa eterna lógica.
Digo bem, porque me parece que esse é um motor extraordinariamente belo e complexo mas que não distinguimos por estarmos mergulhados nele.
Aquilo que me parece relevante, é que se este mecanismo que deve ser visto no seu todo, deixasse de existir, o homem estagnaria na sua evolução. Uma sociedade funcional (com capacidade de evoluir), cujos indivíduos nela contidos coloquem o bem comum á frente do bem próprio não existe em lado algum porque é anti-natural.
Podemos achar que há pessoas capazes de servir os outros sem pensar nelas próprias, mas na realidade essas pessoas são apenas simetrias dos mesmos processos mentais nos quais o homem só pode funcionar quando encontra na SUA acção elementos de prazer pessoal.