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Publicamos, de seguida, um pedido de resposta de Manuel Rito Alves a um artigo publicado on-line no Capeia Arraiana. (actualização.)

António Morgado e Manuel Rito«Carta Aberta aos Eleitores do Concelho do Sabugal
Deram-me hoje uma cópia impressa de um artigo que o Sr. Paulo Leitão Baptista publicou, onde afirma que na campanha do P.S. o Eng.º António Morgado terá afirmado que pedia desculpa aos sabugalenses por ter apoiado a equipa que constitui o executivo actual, afirmando ter-se enganado redondamente ao acreditar que a mesma estava à altura das exigências. E acrescenta: “mostraram-se incapazes, e nada digno de registo fizeram nestes quatro anos, pelo que não merecem ser eleitos para um novo mandato”.
Assumindo como certo que o Sr. Paulo Leitão Baptista não está a mentir e que, portanto, é verdade que o Eng.º Morgado disse o que se afirma acima, e porque como diz o povo, “quem não se sente não é filho de boa gente”, e isso eu sou de certeza, tenho a dizer:
Em 1997 era candidato a Presidente da Câmara Municipal, nas listas do P.S.D. o Eng.º António Morgado e, quer eu Manuel Rito, quer o Eng.º António Robalo integrávamos a lista que apresentou um plano de acção onde, entre outras propostas, aparecia a promoção e desenvolvimento das Termas do Cró, a ligação IP2 – Fronteira (IP2 é a actual A23), criar um Parque Industrial para o Soito, etc.
Em 2001 torna a ser candidato à Câmara Municipal o Eng.º Morgado, fazendo parte da lista eu, Manuel Rito, o Eng.º Robalo, o Eng.º Ernesto Cunha, Victor Proença, e no respectivo plano de acção propusemo-nos entre muitas outras coisas:
o A construção do parque de Campismo e lazer do Sabugal, a ligação IP2 – Fronteira, a criação das Reservas de Caça Municipais em conjunto com as Associações de Caça e Pesca, a cooperação com Espanha no domínio das acessibilidades, a revitalização das termas do Cró, a construção de um Parque Industrial no Soito, etc. etc.
Em 2005, sendo o Eng.º Morgado candidato em primeiro lugar, nas listas do PSD, à Assembleia Municipal e apoiante de primeira linha na candidatura à Câmara Municipal do Sabugal encabeçada por mim, e de que faziam parte o Eng. António Robalo e o Eng.º Ernesto Cunha, constava do programa eleitoral:
o Ligação A23 – Fronteira;
o A transformação do Cró numa estância termal moderna;
o A construção do Parque de Campismo e Lazer da Sr.ª da Graça;
o A entrada em funcionamento do Pólo Empresarial do Soito /Centro de Negócios Transfronteiriço;
o A aposta no repovoamento cinegético e na vigilância das Reservas de Caça (municipais e associativas);
o A continuação da cooperação com Salamanca para a conclusão das estradas de fronteira, etc. etc.
Durante estes quatro anos trabalhámos para implementar estes e outros projectos, e hoje, como toda a gente sabe, todos os que referi estão concluídos ou em execução, honrando assim compromissos que vêm desde há 12 anos e que continuamos convencidos que são estratégicos para a modernização e melhoria da qualidade de vida do concelho do Sabugal.
Como é pois possível que o Eng.º Morgado que os defendia há tanto tempo, agora que os vê implementados ou em implementação diga de quem trabalhou para isso que se “mostraram incapazes e nada digno de registo fizeram nestes quatro anos”?
Que segundas intenções esconderá?
Manuel Rito Alves
Nota: Os planos de acção e o programa eleitoral referidos, foram públicos e tenho-os na minha posse para os exibir a quem tiver qualquer dúvida.»

Confirmamos e «assumindo como certo que o Sr. Paulo Leitão Baptista não está a mentir» sobre o discurso de António Morgado proferido na aldeia da Torre.
jcl


(actualização.)

Após a publicação do pedido de resposta do Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, António Esteves Morgado, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, pediu a publicação mais uma resposta à resposta.

Resposta à Resposta

«Ao Engº Morgado (com Conhecimento a todos os potenciais interessados)
Obviamente que o Sr é um cidadão livre, num País democrático e que vota em quem quer como qualquer outro cidadão eleitor.
Isto não está em causa, nem me incomoda, o que está em causa é a sua participação em campanha com ataques pessoais a uma equipa que consigo partilhou um projecto para o Concelho e que após a sua saída mais não fez que honrar esse projecto em circunstâncias diferentes das dos dois mandatos em que o Sr foi Presidente de Câmara. Recordo-lhe que o 3º Quadro Comunitário de Apoio estava esgotado e o 4º ainda não entrou efectivamente em vigor.
Nunca fiz, e não é agora que vou começar a fazer política com base em ataques pessoais. Sempre defendi um projecto para o Concelho (que até pensei que era o “nosso projecto”) e continuo a fazê-lo.
Acreditei até há muito pouco tempo que o Sr também assim pensava. Enganei-me. Paciência…
Para mim o assunto morre aqui.
Manuel Rito Alves.»


O Capeia Arraiana é um projecto de comunicação (não comercial) cuja edição e o horário de colocação on-line das notícias não está, nem nunca estará, dependente de ordens, mandatos ou ameaças. Somos um espaço de actualização diária mas o tempo de publicação dos artigos é da exclusiva responsabilidade (e disponibilidade temporal) dos seus dois administradores e não está nem nunca estará subjugado por ordens de terceiros.
A Lei de Imprensa (2/99, de 13 de Janeiro) diz claramente no seu artigo 26.º (Publicação da resposta ou da rectificação), número 2: «A resposta ou a rectificação devem ser publicadas:
a) Dentro de dois dias a contar da recepção, se a publicação for diária.»
José Carlos Lages e Paulo Leitão Batista
Administradores do blogue Capeia Arraiana

SEGUNDA PARTE da mesa redonda entre os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal que teve lugar na capela do cibercentro da Guarda no dia 7 de Outubro de 2009 organizada pela «LocalVisão Tv» e pelo «Capeia Arraiana».

PRIMEIRA PARTE da mesa redonda entre os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal que teve lugar na capela do cibercentro da Guarda no dia 7 de Outubro de 2009 organizada pela «LocalVisão Tv» e pelo «Capeia Arraiana».

A «LocalVisão Tv» e o «Capeia Arraiana» organizaram esta quarta-feira, 7 de Outubro, uma mesa-redonda com os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Sabugal. O convite endereçado aos cinco candidatos foi aceite por António Dionísio (PS), Joaquim Ricardo (MPT) e José Manuel Monteiro (CDU). A candidata do CDS-PP, Ana Isabel Charters, invocou dificuldades de agenda para não estar presente e o candidato do PSD, António Robalo, mandou dizer que declinava a presença na mesa-redonda onde se debateu o futuro político do concelho do Sabugal.

Mesa-redonda na LocalVisão Tv

A campanha eleitoral no concelho do Sabugal transferiu-se esta quarta-feira, 7 de Outubro, para as plataformas multimédia das novas tecnologias de informação do século XXI.
Pela primeira vez na história eleitoral sabugalense os cinco protagonistas políticos das próximas autárquicas foram convidados para estar presente num tempo de antena televisivo on-line.
Aceitaram o convite da LocalVisão Tv e do Capeia Arraiana os candidatos António Dionísio (PS), Joaquim Ricardo (MPT) e José Manuel Monteiro (CDU).
O programa decorreu num formato de quatro perguntas iguais para os candidatos e de um minuto final para convencer «olhos nos olhos» os eleitores sabugalenses das qualidades das suas propostas.
No final os três candidatos presentes foram unânimes em considerar que a experiência valeu a pena e destacaram a importância da aposta na comunicação nas novas tecnologias de informação.
A candidata do CDS-PP, Ana Charters, informou na segunda-feira dificuldades de agenda para estar presente.
O candidato do PSD, António Robalo, após um primeiro acordo verbal na quarta-feira da semana passada entendeu declinar, através do seu director de campanha, o convite invocando uma agenda preenchida para a manhã desta quarta-feira.
Em Fevereiro deste ano o Capeia Arraiana convidou os três candidatos (à altura) para uma entrevista na Rádio Caria. Aceitaram António Dionísio e Joaquim Ricardo. Recusou António Robalo.
Em Agosto deste ano o Capeia Arraiana convidou os cinco candidatos para uma grande entrevista para o blogue. Aceitaram Ana Isabel Charters, António Dionísio, Joaquim Ricardo e José Manuel Monteiro. António Robalo entendeu não ser ainda o tempo certo. Uma semana depois da publicação das quatro entrevistas mostrou a sua disponibilidade para também dar uma entrevista ao Capeia Arraiana que vinha, quanto a nós, fora de tempo até porque as quatro entrevistas foram todas realizadas antes de darmos início às suas respectivas publicações.
Em Outubro deste ano o Capeia Arraiana convidou os cinco candidatos para estarem presentes numa mesa-redonda televisiva a dois dias do final da campanha eleitoral. A resposta de António Robalo foi, mais uma vez, negativa.

Aqui ficam os factos. Os argumentos ficam para depois…
jcl

O candidato da Coligação Democrática Unitária (CDU) à presidência da Câmara do Sabugal, José Manuel Monteiro, veio ontem para a rua em campanha, acompanhado por outros candidatos da coligação.

José Manuel Monteiro e João Manata no SoitoA CDU iniciou a campanha de rua no Soito. O candidato e a sua comitiva falaram com as pessoas e distribuíram material de campanha junto ao Jardim do Lameiro. Esse material passa basicamente por um folheto informativo que contém o programa eleitoral da CDU e os nomes dos candidatos da coligação aos vários órgão autárquicos.
Definitivamente no terreno, os comunistas têm agendadas outras acções de rua para estes dias. Quinta-feira, 8 de Setembro, de manhã, os candidatos estarão no Mercado de Alfaiates em contacto com a população e distribuindo propaganda eleitoral. No dia seguinte, ao final da tarde, realizam uma sessão de esclarecimento na Moita, freguesia onde a coligação aposta na reeleição do seu candidato, Honório Santos, para a presidência da Junta de Freguesia.
Para o derradeiro dia de campanha, dia 9, os candidatos estarão no Sabugal, onde está agendada uma acção de contactos com a população e distribuição de propaganda.
Hoje o candidato participa na mesa redonda organizada pela Localvisão TV e pelo blogue Capeia Arraiana.
plb

Ao sétimo dia de campanha o ex presidente da Câmara e actual presidente da Assembleia Municipal, António Morgado, juntou-se à comitiva socialista e tomou a palavra para defender o voto em António Dionísio.

morgadoAntónio Morgado acompanhou no dia 5 de Outubro, a campanha do Partido Socialista, tomando mesmo a palavra nos comícios realizados nos Fóios, em Vale de Espinho, Quadrazais e na Torre. O actual presidente da Assembleia Municipal, eleito nas listas do PSD, que desta vez não é candidato, explicou as razões porque decidiu apoiar a candidatura de António Dionísio e teceu duras criticas à maioria que governa o Município.
«Nestas eleições não há motivos para votar a pensar nos partidos. Devemos pensar antes nas pessoas, e a pessoa que melhor pode representar o concelho e fazer um mandato válido é o António Dionísio. Por isso lhe dou o meu apoio», justificou o ex-presidente da Câmara, que decidiu envolver-se directamente na campanha autárquica sabugalense.
António Morgado, pediu mesmo desculpa aos sabugalenses por ter apoiado a equipa que constitui o executivo actual, afirmando ter-se enganado redondamente ao acreditar que a mesma estava à altura das exigências: «mostraram-se incapazes, e nada digno de registo fizeram durante estes quatro anos, pelo que não merecem ser eleitos para um novo mandato».
Na Torre, a sua terra natal, António Morgado fez o discurso mais eloquente, pedindo aos seus conterrâneos que votem na mudança.
António Morgado já tinha dado sinais de apoio à candidatura do PS, nomeadamente quando em Agosto apareceu ao lado de António Dionísio no Festival «Ao Forcão Rapazes» e quando marcou presença na apresentação das listas de candidatos do PS no dia 20 de Setembro. Porém esta aparição na campanha socialista ultrapassou as expectativas.
plb

A presença judaica em território nacional é antiga; existindo já nos últimos tempos do império Romano, atravessando a dominação Visigótica e Muçulmana, para constituir no séc. XV cerca de 10 por cento da população, num total de 150.000 almas.

João ValenteA presença judaica em Cima-Côa, especialmente no Sabugal, está documentada na chancelaria de D. Dinis, que a taxou em 50 libras anuais.
A população judaica aumentou consideravelmente no século XV depois do massacre de Sevilha em 1391, no qual pereceram 4.000 judeus e do édito dos reis católicos de 1492, que expulsou 170.000 judeus, dos quais teriam entrado em Portugal, cerca de 60.000, a maioria deles em territórios de fronteira, como Bragança e Beira, onde já havia numerosas comunidades judaicas, como Alfaiates, Sabugal, Celorico, Trancoso, Guarda e Covilhã.
A política de conversão forçada de D. Manuel, que nas palavras de Samuel Usque e Damião de Góis, arrastou pelas barbas, cabelos, a poder de punhadas e espancamentos, numerosos judeus à pia baptismal e o terror infundido pela inquisição instaurada em 1536, levaram a prática do judaísmo à clandestinidade.
Mesmo depois da abolição da inquisição e da política pombalina que acabou com a distinção de iure entre cristãos-velhos e cristãos-novos, os judeus continuaram a realizar as suas práticas clandestinamente, sem sacerdotes, sem livros, transmitido apenas pela via oral, que foi paulatinamente empobrecendo os ritos e as fórmulas, que foram contaminados pelo cristianismo.
Algumas das suas cerimónias públicas, como a circuncisão, festa dos tabernáculos ou imolação sacrificial dos animais desapareceram, bem como o conhecimento do hebraico, passando as orações a ser rezadas em português, através da tradição oral, cada vez mais afastada da sua pureza inicial.
Muitas dessas orações aprecem no quotidiano do nosso povo sem sentido intelectivo, estropiadas muitas vezes, embora rezadas com a mesma noção religiosa que costumava acompanhar, nas palavras de Leite de Vasconcelos, a dicção de algumas fórmulas mágicas.
A persistência deste culto hebraico nota-se em Trás-os-Montes e na Beira, especialmente em muitas das nossas aldeias, terras por onde entraram a maioria dos judeus espanhóis e permanecerem, longe do controle e fiscalização do poder central.

Duas orações com sabor judaico, entre outras, ouvi eu recitar na minha infância à minha avó, que lhe foram transmitidas também oralmente pela minha bisavó:
Ao levantar
«Levanta-te alma minha a dar graças ao Senhor, que perdoa os nossos pecados no seu Divino amor.»
Desta oração dá-nos Leite de Vasconcelos a seguinte versão recitada em 1933 por um tal Emília Morão, Judia de Penamacor:
«Assim que me levantei com alma e vida, ao Senhor louvarei. Andarei neste dia para que o Senhor me livre do fogo e do tormento quem no Senhor confia.»

Ao lavar
«(colocando a mão direita sobe a face, cobrindo os olhos) Volvei Senhor a vossa divina face para nós e com esta água que purifica o meu corpo, (lavando as mãos, começando pela direita) purificai a minha alma, protegei-me dos meus inimigos e deitai a vossa santa bênção (fazendo o sinal da cruz) sobre mim, e sobre todos os que vivem nesta casa.»
Desta oração dá-nos também Leite de Vasconcelos a seguinte versão que ouviu a judeus de Trás-dos-Montes:
«(colocando a mão direita na testa) Adonai, Senhor, volvei vossa santa e divina face à minha. Vós diante, ou detrás de vós, não terei medo nem pavor, nem causa mal me emperecerá. Serei guiado e governado pelo grande Deus Adonai (e corre-se a mão até ao peito) Deus me deite a sua santa e divina bênção sobre mim, sobre o meu homem e sobre os meus filhos.»

O cripto-judaísmo permaneceu nas terras remotas da Beira e Trás-dos-Montes influenciando os costumes e tradições; o sangue judeu corre nas veias de muitos dos beirões, sem que tenham consciência disso.
Eu cá por mim, tenho quase a certeza pelas tradições da minha família, dos quais dei, entre outros, apenas aqueles dois exemplos concretos, que nas minhas veias corre algum sangue judeu.
E acreditem; não tenho qualquer preconceito nisso!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A «LocalVisão TV» e o blogue «Capeia Arraiana», organizam em parceria, amanhã, dia 7 de Outubro, uma mesa redonda entre os candidatos à Câmara Municipal do Sabugal. Trata-se da primeira aparição dos candidatos raianos em televisão e da última oportunidade para cada um expor as suas ideias em contraposição às das candidaturas adversárias.

Parceria Localvisão / Capeia ArraianaProsseguindo a sua trajectória de proximidade com o público-alvo, e tendo a missão de informar e chegar a todos os territórios – locais, nacionais e internacionais – a Localvisão TV e o Capeia Arraiana convidaram os cinco candidatos à Câmara Municipal do Sabugal nestas eleições autárquicas.
O encontro terá lugar na Guarda, na Capela do Cybercentro, no Solar dos Póvoas, espaço que servirá de estúdio para a gravação da mesa redonda. As imagens estarão on-line amanhã, quarta-feira, a partir das 20 horas.
Com esta mesa redonda entre os candidatos, a Localvisão TV e o Capeia Arraiana pretendem dinamizar um espaço on-line em antena aberta, na perspectiva de informar e esclarecer o eleitorado.
Durante o programa cada candidato terá oportunidade de defender os motivos da sua candidatura, os projectos para o concelho do Sabugal, as áreas temáticas a potenciar e advogar o seu projecto, enfim, sustentar o futuro do Sabugal.
O programa terá uma duração entre 30 a 40 minutos, havendo a preocupação de proporcionar a todos os participantes o mesmo tempo de antena, de modo a que possam expor com igual oportunidade as ideias mestras das suas candidaturas.
plb

O Governo vai passar a ter uma intervenção directa na gestão nas Câmaras Municipais de Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e na de Povoação, na Região Autónoma dos Açores, pelo facto de se revelarem incapazes de sanear as suas finanças.

Câmara Municipal de Fornos de AlgodresO governo deu luz verde aos dois municípios para contraírem empréstimos que têm por único fim o saneamento das contas das autarquias. Trata-se dos dois primeiros casos de municípios autorizados a accionar o instrumento previsto na Lei de Finanças Locais, tendo sido aprovados empréstimos que já foram publicados em Diário da República pelos secretários de Estado da Administração Local e do Orçamento, Eduardo Cabrita e Emanuel dos Santos. Os montantes em causa são de 25 milhões de euros (para Fornos de Algodres) e 15 milhões de euros (para Povoação) e vão servir para, nos próximos 20 anos, estes Municípios liquidarem as dívidas.
Castanheira de Pêra, no distrito de Leiria, é outra autarquia que já iniciou um processo semelhante para receber um balão de oxigénio financeiro, mas aguarda uma decisão do Executivo.
O limite da capacidade de endividamento líquido para as autarquias equivale a 125% do volume de receitas, que resultam, em grande parte, das transferências do Orçamento do Estado e das receitas fiscais.
O facto de o limite de endividamento ser ultrapassado não bloqueia os projectos prioritários, pois poderão ser sempre concedidas autorizações extraordinárias para projectos que usam fundos comunitários, por exemplo.
Atingido o limite de endividamento, o Estado, nos termos da Lei de Finanças Locais, valida o empréstimo dos municípios junto de uma instituição financeira e passa a deter o controlo das finanças das Câmaras, monitorizando os prazos de pagamento a fornecedores e aprovando o plano que os municípios visados têm de apresentar com vista à redução das dívidas.
Os Municípios ficam obrigados à adopção das medidas constantes no Plano de Reequilíbrio Financeiro, definido pelo Governo, sendo obrigadas a reduzir o excesso de endividamento líquido total e a manterem o prazo médio de pagamentos a fornecedores inferior a 90 dias.
Por outro lado, todas as despesas de investimentos e os encargos ficam sujeitos a autorização prévia do Governo.
plb

Na semana passada o Comando Territorial da Guarda da GNR registou 57 ocorrências de natureza criminal, efectuou oito detenções, levantou 275 autos de contra-ordenação e tomou conta de 40 acidentes de viação. Uma das detenções aconteceu no Soito, perante uma tentativa de furto em residência.

Operação STOP da GNREntre os crimes verificados destacam-se os furtos, num total de 22, sendo três em veículos, seis
em residência, dois em estabelecimentos comerciais, um de veiculo, um em edifícios públicos e nove outros furtos.
Foram detidos em flagrante delito oito Indivíduos pelos seguintes motivos: dois por crime condução sob o efeito do álcool, três por crime de desobediência (condução com carta apreendida e recusa de identificação, um por tentativa de furto em residência (detido pelo Posto Territorial do Soito), dois por furto de veiculo (detidos pelo Posto Territorial de Vila Nova de Foz Côa, que também recuperou o veiculo furtado).
Foram elaborados 294 autos de contra-ordenação pelas seguintes infracções: 275 à Legislação Rodoviária, 12 à Legislação da Natureza e Ambiente e sete à Legislação Policial.
No período em apreço o Comando Territorial da Guarda levou a efeito as seguintes operações:
Em 29 de Setembro, realizou-se uma Operação, direccionada para a fiscalização geral de trânsito, tendo sido fiscalizados 126 veículos. Elaboraram-se 24 autos por infracções à Legislação Rodoviária.
Em 4 e 5 de Outubro, realizou-se uma Operação Distrital direccionada à Fiscalização Geral do Exercício da Caça. Na Operação foram fiscalizados 180 caçadores e elaborados quatro Autos de Contra Ordenação.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas quatro Operações no âmbito da Fitossanidade Florestal direccionadas para a fiscalização do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 156 veículos e elaborados dois Autos de Contra-Ordenação.
Registaram-se 40 acidentes de viação: 19 por colisão, 15 por despiste e seis por atropelamento, dos quais resultaram um morto, dois feridos graves e 13 feridos leves.
Nos dias 28 e 3 de Setembro, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais, da Guarda e Pinhel, realizaram acções de sensibilização em duas escolas dos concelhos da Guarda e Pinhel subordinadas aos temas Segurança Rodoviária e Cuidados a ter no Caminho da Escola. Estiveram presentes 27 alunos.
Numa outra vertente o Núcleo de Programas Especiais do Destacamento Territorial de Gouveia, realizou uma acção de sensibilização junto de comerciantes do concelho de Gouveia, no âmbito do programa Comercio Seguro. Foram distribuídos panfletos e contactados 15 comerciantes.
Em 1 de Outubro, no âmbito das comemorações do Dia do Idoso, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais da Guarda, Pinhel, Gouveia e Vilar Formoso levaram a efeito várias acções de sensibilização junto da população mais idosa dos concelhos de Guarda, Trancoso, Fornos de Algodres e Sabugal, subordinadas ao tema Idosos em Segurança. Estiveram presentes 325 idosos.
plb

O pior deste sistema reinante, é que retirou ao homem a vontade de lutar por um Mundo melhor. Por isso, ele é extremamente ambicioso no plano material, e contenta-se com qualquer coisa no plano espiritual.

António EmidioOuvi, o que já previa que se dissesse em relação ao conteúdo dos meus artigos: «Mas interessa a alguém o que esse gajo pensa? Se falasse do Concelho e desse soluções para os problemas que o afligem!». Eu sei que os meus artigos são actos vandálicos literários, para os bem pensantes e politicamente correctos. A estes quero dizer o seguinte: houve um poeta francês que disse, que tanto valor tem a mão que maneja a caneta, como a que maneja o arado, quando se quer que uma sociedade evolua.
Já o disse um dia, e volto a repeti-lo, considero o «Capeia Arraiana» uma tribuna socrática, onde cada um expõe os seus pontos de vista, e nela sempre dei conta que se pratica o pluralismo de opiniões. É um meio de comunicação alternativo, por isso um espaço de liberdade, liberdade que falta na maior parte das publicações que nós lemos, e que só falam em termos comerciais, sensacionalistas, e de cara à galeria.
Voltando ao conteúdo dos meus artigos, não sou mercenário da imprensa, nem prostituta literária, nada ganho, nada ganharei, com o que escrevo, escrevo com a alma.
E quem disse que temos de escrever e pensar como mandam os politicamente correctos? Os Sacrossantos doutores da Lei, que este sistema engendrou, e que não é por acaso que são os que mais ganham monetariamente, e não só, nesta ordem reinante?
Que mal fará a esse gente, que dano lhes causará, falar dos valores humanos, morais, culturais e espirituais? Será por ser eu a falar? Será que sou uma crosta de pecado, sem um mínimo de autoridade moral para falar de valores? Será que sou um ente diabólico? Atirai-me a primeira pedra se fordes capaz disso…
Para terminar, que dizer-vos que conservo os meus ideais da juventude, principalmente os que nos trouxe Abril, embora já matizados pela idade, e pelos desenganos que sofre aquele que pensa que pode mudar o Mundo.
E vós, porta vozes do sistema, que não fazeis outra coisa se não cantar hinos ao progresso, digo-vos que se alguma coisa avança, é a corrupção, as irregularidades de toda a espécie e feitio, cinismo e a mentira dos que nos governam.
Este é o verdadeiro Mundo em que vivemos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A campanha eleitoral no Sabugal está ao rubro. Num território com 40 freguesias e mais de 100 localidades é enorme o esforço exigido «à máquina de campanha», aos candidatos e aos seus apoiantes. Este domingo as caravanas automóveis de António Dionísio (PS), António Robalo (PSD) e Joaquim Ricardo (MPT) alteraram ruidosamente a pacatez das aldeias e estenderam-se a perder de vista nas estradas do concelho do Sabugal. Nas inevitáveis contagens dos aderentes todos clamam vitória. Há, contudo, uma certeza: todos ultrapassaram a centena de viaturas.

Os candidatos desdobram-se em iniciativas para convencer o eleitorado que o seu programa e as soluções que apresentam são os melhores para o futuro do concelho.
Contactos de porta em porta, distribuição de folhetos em mercados, discursos em comícios, palavras de ordem nos carros de som, é assim o quotidiano das candidaturas, especialmente nas dos três partidos acima referidos. Os restantes – CDU e CDS – optam por campanhas mais discretas e menos onerosas.
A candidata do CDS, Ana Charters, tem saído à rua. Esteve em alguns mercados e percorreu as ruas de algumas povoações, mantendo contactos directos com as populações. Prefere as conversas pessoais e parece desvalorizar os discursos em apresentações de listas e em comícios, assim como os debates. Também não aposta na Internet, sendo a única candidatura que não tem um blogue.
José Manuel Monteiro, candidato da CDU, ainda não foi ao terreno, mas esta semana estará já em campanha, optando por algumas sessões de esclarecimento, distribuição de folhetos e contactos pessoais com os eleitores. Desde há muito que tem um blogue na Internet, onde divulgou o seu programa eleitoral, e participou no debate promovido pela Rádio Altitude.
As caravanas das três principais candidaturas marcaram o dia 4 de Outubro. As filas de automóveis estenderam-se pelas estradas, passando pelas terras em grande burburinho, ferindo a pacatez de domingo. Para os participantes foi um dia extenuante, com cerca de 12 horas em movimento, parando apenas para comer e fazer as necessidades, incluindo o almoço.
Todos saíram do Sabugal, onde os apoiantes se concentraram, seguindo depois em diferentes direcções. Os do MPT e do PS almoçaram no Soito, os primeiros na Lameira e os segundos na Praça de Touros, enquanto que o PSD optou pelo Sabugal, no Largo da Fonte. No final do dia, já com a noite cerrada, o PSD acabou no Soito e o PS e o MPT terminaram no Sabugal. Os conta-quilómetros de cada participante nas caravanas marcavam ao final do dia mais 300 quilómetros, que correspondiam ao consumo de algumas dezenas de litros de combustível. Ficou o sentimento do dever cumprido e cada candidatura com a ideia de que tinha ganho às outras, juntando mais automóveis e mais gente na sua comitiva.
Os comícios de encerramento da campanha eleitoral estão marcados para a noite de sexta-feira com António Robalo (21.30 horas) no Auditório Municipal, Joaquim Ricardo (21.00) no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal e António Dionísio (21.00) no Salão das Escolas do Sabugal.

GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – ANTÓNIO DIONÍSIO
 
 
GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – ANTÓNIO ROBALO
 
 
GALERIA DE IMAGENS – CAMPANHA ELEITORAL – JOAQUIM RICARDO
 
 
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jcl e plb

Chegou a vez da participação da Rebolosa no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, que teve lugar em 1947.

Cortejo de Oferendas - Rebolosa

Joao Aristides DuarteA Rebolosa está a desfilar à frente dos Fóios, já que se consegue vislumbrar o cartaz dos Fóios, lá atrás.
Um carro de vacas, enfeitado e com um chafariz (?) onde se encontra uma criança com uma bilha de barro, é o que dá início ao desfile da Rebolosa. O carro de vacas ainda é daqueles que tem as rodas de madeira (mais tarde apareceram uns que já tinham uma parte em ferro). Na parte de trás do carro pode ver-se uma rapariga sentada, transportando nas mãos uma coroa de flores.
No jugo que as vacas levam está o cartaz com o nome da freguesia: Rebolosa.
Logo atrás encontra-se outro cartaz onde está escrito «Oferece Mocidade da Rebolosa ao Hospital».
Atrás do carro de vacas desfilam uma série de jovens, de ambos os sexos, da Rebolosa, incluindo aqueles que transportam um novo cartaz com o nome da localidade.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Na parte mais alta do Sabugal, num planalto da Serra da Malcata, está edificado um castelo imponente e de rara beleza, provavelmente construído nos séculos XII-XIII, sob o domínio leonês e formado por um enorme perímetro muralhado. Remodelado e ampliado por D. Dinis, devendo-se a este monarca a edificação em 1297 da torre de menagem, de 30 metros de altura, recebendo depois obras de beneficiação no reinado de D. Manuel e ainda na época das Guerras da Restauração, por volta de 1640.

José MorgadoFoi moradia real e terá sido aqui que se realizaram as bodas de casamento da Infanta Dona Maria, filha de D. Afonso IV.
Um dos episódios mais relevantes da vida do castelo, deu-se em 1811, quando os guerreiros lusos combateram e derrotaram o Exército francês.
Para além da sua função militar, o Castelo do Sabugal também passou parte da sua existência como prisão. Aqui esteve encarcerado o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas.
Por volta do ano de 1846 o seu interior foi transformado em cemitério, demolindo-se as construções ali existentes.
Foi a Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais que, a partir da década de 1940 que salvou o castelo da deterioração total.
A sua beleza deve-se, não só á sua arquitectura, mas também á sua localização, isolado num planalto, sobranceiro ao Rio Côa e fronteiro ao terreiro, onde anteriormente se encontrava a Igreja de Nossa Senhora do Castelo.
Castelo de Cinco Quinas - SabugalAs muralhas graníticas interiores têm um longo adarve acessível por quatro escadas e três torres de ângulo, de planta quadrada. A Sudeste, situa-se a torre de menagem, de planta pentagonal, reforçada por mata-cães e com três pisos, num dos quais está o escudo com as cinco quinas. De grandes dimensões, domina toda a fortaleza.
Podem ver-se ainda a Porta da antiga vila e Torre do Relógio, anexa e um troço de muralha a Oeste, adossado à cidadela, integrande barbacã de traçado rectangular irregular, unida ás torres da cintura exterior e apresentando nos ângulos dois cubelos cilíndricos. A cintura muralhada exterior é em traçado pentagonal irregular, possuindo um pequeno troço desmoronado a Norte. Tem duas portas a Este e a Sul em arco pleno no interior, cobertas com abóbada de berço.
A cintura muralhada interior tem traça pentagonal irregular, integrando cinco torres de planta quadrada adossadas pelo exterior. No interior do recinto, subsistem estruturas de compartimentos.
O interior tem uma fabulosa cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, polinervada.
Com típica arquitectura militar, é uma edificação de estilo gótico, que apresenta afinidades com outros castelos portugueses tais como os de Beja, Estremoz e Montalegre.Contudo é o único castelo de cinco quinas em Portugal.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

É sobejamente conhecido o esplendor da escrita de Eça de Queirós, no que tange à nossa culinária popular, de que era inveterado apreciador. E o quadro literário mais eloquente é o do fidalgo Jacinto, vindo de Paris até às berças, onde, por inusitado incidente, se vê obrigado a manjar um caldo de galinha e um arroz de favas. E quanto lhe agradou a comida, ainda que tomada em casa pobre!

Livro de Abel saraivaCom as devidas diferenças no que toca ao esplendor das letras, mas com igual emoção e rigor descritivo, notamos que há um quadro idêntico aqui passado nas nossas terras beirãs. Para o avistarmos temos de ir ao encontro de Abel Saraiva, irrefragável contista e desvelado colector das tradições populares. O seu livro «Recordações da Minha Aldeia» leva-nos aos Gagos da primeira metade do século XX. Aldeia rural, na envolvente da antiga vila do Jarmelo, a terra estava prenhe de gente e de tradições populares. Desfiando essas tradições, e descrevendo a gente peculiar que ali habitava, Abel Saraiva conduz o leitor ao âmago do povo, ao encontro do seu saber, bem como da sua humildade e valentia.
Deslumbrante é o conto intitulado «O tabelião não era fidalgo», onde expõe a história de um homem modesto, o ti Bernardino, que leva a casa o notário da cidade da Guarda, que dera passo pelos Gagos no exercício da sua profissão. Para a mulher do anfitrião a sua reles cozinha não teria condições de assim receber, de chofre, um doutor vindo do luxo da cidade, mas, mais uma vez, o paladar da comida aldeã fez um milagre, deixando maravilhado o visitante. Vejamos um curto trecho da eloquente história de Abel Saraiva:
«Quando o tabelião fechou o livro de notas, passava do meio-dia, pelo que o ti Bernardino com toda a franqueza o convidou para almoçar em sua casa, avisando porém que não esperasse manjar esquisito, mas apenas um comer caseiro: caldo de “grães” com repolho e orelheira de porco com grelos e batatas cozidas.
(…)
Pouco depois a ti Zefa disse que o almoço estava pronto, que ia já por a mesa na sala, pois parecia mal um Sr. Doutor da Guarda comer na cozinha; este atalhou-a logo, que nem pensasse nisso, que era ali mesmo, ao pé do lume e das panelas, tudo ao singelo, à moda da aldeia.
Sem mais cerimónias, a dona da casa começou a servir o suculento caldo: para ela e para o marido deitou-o em caços, mas para o ilustre hóspede ia tirar do “almário” uma malga de Sacavém; este teve logo mão nela, agarrou um caço e pediu que lho enchesse; a deliciosa sopa soube-lhe tão bem que pediu licença e com a maior naturalidade deste mundo agarrou na gadanha, destapou a panela e secundou ele mesmo.
Veio depois uma almofia com a orelheira, grelos e batatas cozidas; cada um comeu no seu esborcinado prato de louça barata, servindo-se de toscos garfos de ferro, facas de fabrico local e canecas vidradas, às quais dava serventia uma velha jarra de vinho de colheita; o tabelião comeu e bebeu tão regaladamente que nem malhador no fim da eirada.
Uma barranha de maças agras e peras inverniças pôs o ramo no almoço; o tabelião nem tocou na fruta: pena tenho eu de a não poder comer, mas estou cheio que nem um tambor, declarou repimpado.»

Há uns anos mantive uma colaboração com o semanário guardense «Terras da Beira» através da coluna Sabores Literários, de que este texto, agora algo retocado, fazia parte. Dado o eventual interesse destes escritos, que falam de literatura e de gastronomia, parte dos mesmos serão agora reeditados neste blogue, com ligeiros acertos de linguagem.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Este ano Quentin Tarantino foi à guerra e fez uma bela versão alternativa bastante fantasiosa da realidade da II Guerra Mundial, com «Sacanas sem Lei». Optando por uma perspectiva mais real, a realizadora Kathryn Bigelow apresenta um filme sobre os conflitos actuais.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Estado de Guerra», que estreou recentemente nos cinemas portugueses está a ser considerado um dos grandes filmes de guerra dos últimos tempos. Eu não diria tanto, mas é uma abordagem bastante realista e curiosa sobre um conflito que ainda está a decorrer e sem fim à vista. Trata-se da guerra do Iraque o cenário escolhido pela realizadora Kathryn Bigelow, a mesma de «K-19» e «Ruptura Explosiva», para a sua mais recente fita.
Mas contrariamente à maioria dos filmes de guerra, onde as batalhas são constantes, aqui não há grandes batalhas. Antes pelo contrário. Ao retratar a missão de uma unidade de minas e armadilhas do exército, este até é um filme bastante calmo.
Estado de GuerraMas se não há batalhas, como por exemplo se pode ver recentemente no filme «Cercados», há uma tensão latente que deixa o espectador sempre à espera que uma bomba rebente antes de ser desactivada com sucesso. Ou não. Até numa das poucas cenas de tiroteio, em que esta unidade se vê no meio do deserto cercada por guerrilheiros islamitas, há um ambiente pesado, nunca sabemos quem vai ser o próximo a cair. E são longos minutos em que tudo se torna cada vez mais tenso até ao desenrolar da cena.
Com «Estado de Guerra» a realizadora acaba por dar uma boa imagem do que passam aqueles soldados em cenários tão agrestes como o Iraque ou Afeganistão (uma das personagens tinha estado neste país antes de decidir ir para o antigo país de Saddam). Depois de filmes como «Censurado» ou «No Vale de Elah», sobre o mesmo conflito, este filme é mais uma prova de que as guerras onde os EUA se metem acabam sempre por inspirar a Sétima Arte.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Combater a desertificação humana do concelho do Sabugal é o objectivo comum aos programas eleitorais das várias candidaturas à Câmara Municipal do Sabugal. Capeia Arraiana «esmiuçou» os vários planos de acção para os próximos quatro anos e dá conta daquilo que em cada um é mais expressivo.

Ana Isabel Charters - CDS-PP - SabugalANA ISABEL CHARTERS, candidata do CDS-PP, aceitou ser candidata por ter sentido o «chamamento» das origens e propõe-se fazer o melhor que sabe.
No seu programa de acção começa por se comprometer a obter junto dos organismos responsáveis as condições técnicas necessárias para o acesso eficaz ao telemóvel e à Internet em toda a área do concelho.
Tal como os demais candidatos, elege a desertificação humana como a principal preocupação: «Sem uma luta sem tréguas neste domínio de nada valerão os restantes esforços camarários.»
Bater-se-á pelo apoio da Câmara às associações e aos privados que queiram concretizar projectos económicos na área dos desportos a desenvolver na barragem do Sabugal, na área da pesca desportiva, na área das bicicletas de montanha, na construção de parques de campismo, de campos de férias e de unidades de juventude.
Ana Charters vai acarinhar o rio Côa, evitando a sua poluição e promovendo a limpeza das margens. Fomentará os Encontros Ambientais do Sabugal, para que os jovens possam, durante as férias e em campos próprios, trocar experiências e aprender com especialistas desta área como conseguir um equilíbrio ecológico sustentável.
Para Ana Charters, «ser velho não é uma doença: chegar a velho é uma virtude», pelo que se propõe fomentar a animação recreativa e cultural, de confraternização social, de ocupação de tempo ao ar livre e de exercício físico para os idosos.
Também se propõe intermediar entre os agricultores e o Ministério da Agricultura, criando um posto de atendimento permanente na Câmara destinado aos agricultores.

António Dionísio - PS - SabugalANTÓNIO DIONÍSIO, candidato do Partido Socialista, apresenta um programa assente na ideia de mudança para a criação de «um concelho do Sabugal com futuro». No fundo, pretende um concelho «atractivo para nascer, crescer, viver, trabalhar, investir, envelhecer e visitar».
Propõem-se afirmar o Sabugal no contexto regional, lançando mão de um conjunto de medidas para obter o desenvolvimento sustentado, apostando no turismo, reforçando a coesão social e fomentando a cultura e o associativismo. Por outro lado António Dionísio pretende promover a qualidade de vida, melhorar as acessibilidades e melhorar a «governação local». Dentro das medidas propostas surge o compromisso de «apoiar o reconhecimento da Capeia Arraiana enquanto património cultural único», e a introdução do ensino da língua espanhola nas escolas.
O programa aponta um conjunto de medidas, que se propõe realizar já em 2010. Dentre elas está a criação do gabinete de imagem do concelho e a instituição da figura do provedor do munícipe. Também pretende criar conselhos municipais: dos anteriores autarcas, da cultura, desporto e lazer e do turismo. Também fala na loja do cidadão móvel e na loja do munícipe, prometendo ainda levar as reuniões do executivo municipal às freguesias.
O candidato socialista enumera ainda um conjunto de programas, a implementar a breve trecho, como: o «Novo Sabugalense», de apoio à gravidez e à maternidade; «O Meu Livro Escolar» para distribuição de manuais aos alunos; o «Férias de Verão» para ocupação dos tempos livres; o «Noivos Felizes» de apoio aos jovens casais; o «Na Minha Casa», para melhorar o apoio domiciliário aos idosos; o «Sou Idoso, Estou Isento» para livrar os idosos de impostos e taxas municipais; o «Sabugal Terra da Castanha» para incentivo à plantação de castanheiros; o «Sabugal, Terra Doce» para apoio à apicultura; o «A Minha Aldeia é Linda» para requalificação das aldeias; e o «Sabugal Alternativo», para apostar nas energias renováveis.

António Robalo - PSD - SabugalANTÓNIO ROBALO, candidato do PSD, tem como maiores apostas o combate ao despovoamento e a obtenção de mais coesão social e mais competitividade para o concelho. Atrair investimento, melhorar as infra-estruturas e os serviços públicos, promover a protecção do ambiente, o desporto e o lazer, são também metas essenciais.
O candidato aposta na inovação e na promoção do emprego qualificado, bem como na dinamização das actividades económicas. Numa palavra: «manter o concelho no rumo certo».
O programa aponta para grandes objectivos: um concelho empreendedor, um concelho atractivo, um concelho preocupado com as pessoas, um concelho com ensino qualificado, um concelho equilibrado, um concelho jovem e inovador.
Enumeramos algumas medidas concretas que constam do plano de acção nas áreas do empreendorismo e da acção social: constituir a «SabugalInvest» para a captação de investimento, incluir pavilhões multiuso no espaço do mercado municipal, requalificar o espaço entre as pontes do sabugal do rio Côa, criar um centro de micologia, apoiar a efectivação do projecto Ofélia Club (1027 camas e 342 empregos em Malcata), criar condições de conforto e segurança nas capeias arraianas, fundar uma universidade sénior e defender a implementação de uma rede de cuidados continuados.
Na área da educação, a candidatura também aponta medidas: construir os centros previstos na carta educativa, dar mais meios informáticos às escolas e instalar o Centro de Estudos Pinharanda Gomes.
Para se atingir um concelho equilibrado, fala-se na conclusão da ligação A23-Fronteira, na requalificação das estradas e numa melhor parceria entre a protecção civil municipal e os bombeiros.
Também se defendem medidas para os jovens: criar um Fórum Jovem voltado para debates temáticos, criar espaços informais de desporto e de convívio.
O programa eleitoral acaba com a revelação de um sonho do candidato: «A instalação de um parque temático com atractividade internacional».

Joaquim Ricardo - MPT - SabugalJOAQUIM RICARDO, candidato do MTP – Partido da Terra, expõe no seu programa dois objectivos estratégicos: gerir na autarquia a pensar nas pessoas e promover a sustentabilidade económica e social.
Para gerir melhor a autarquia propõe um conjunto de «medidas estratégicas», de que são exemplo a promoção da qualidade dos serviços prestados e o reforço das competências das Juntas de Freguesias.
Enuncia ainda um conjunto de medidas no campo da saúde, da cultura e do desporto, assim como da mobilidade, onde fala da criação de circuitos para veículos não poluentes ou a urbanização dos recursos hídricos junto das povoações.
O candidato propõe-se criar um pólo universitário no concelho, desenvolver a indústria da construção civil e dar incentivos à fixação de residência no concelho.
No que toca à meta estratégica de promoção da sustentabilidade económica e social, a candidatura apresenta medidas de apoio à actividade empresarial e social, ao turismo, floresta e ensino.
Joaquim Ricardo quer criar pólos industriais ao longo do território concelhio, incentivar a criação do próprio emprego, apoiar as IPSS criando uma imagem de marca dos seus serviços (que quer promover no exterior) e criar uma liga concelhia das IPSS. Quanto às tradições quer que a capeia arraiana se realize ao longo de todo o ano e, em alternativa a um parque de campismo de grande dimensão, prefere criar pequenos parques de campismo ao longo do concelho.
Quanto ao apoio à floresta, Joaquim Ricardo quer promover a produção da castanha em larga escala, para além de espécies não resinosas. Já na educação quer apoiar as famílias a suportar as despesas com o ensino superior dos filhos e criar uma escola profissional e uma escola de música na Bendada.

José Manuel Monteiro - CDU -SabugalJOSÉ MANUEL MONTEIRO, candidato da CDU, aposta no lema «Tornar Possível o Impossível», assumindo-se como uma candidatura de ruptura.
O programa de acção assenta na ideia de um desenvolvimento com quatro eixos: económico (concelho economicamente viável), social (socialmente coeso e solidário), cultural (aliando a tradição à modernidade), ecológico (sustentável para as gerações futuras).
O candidato aposta na ideia de uma «gestão participada», em que os cidadãos tomam parte em todos os momentos cruciais da vida autárquica, e promete a descentralização das reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal.
Como objectivos, a candidatura afirma querer fixar população através de incentivos à criação de emprego, reduzindo ou isentando taxas e impostos municipais, criando apoios às empresas e ao comércio tradicional e dialogando com os agentes económicos.
Também aposta na atracção turística, criando a Rota dos Castelos, reabilitando os núcleos históricos, fomentando o turismo rural e reabilitando os moinhos existentes. Aposta ainda na cultura, recuperando a gíria quadrazenha e constituindo museus do contrabando e da emigração.
Quanto ao lazer, ganha expressão a criação de um passeio público entre a ponte do Sabugal e a barragem, também com funções de ciclovia. No apoio social, quer um concelho socialmente coeso e solidário, criando o «cartão sénior», atribuindo bolsas de estudo e criando um centro de recolha de material escolar usado e outros bens, para distribuição a famílias carenciadas.
Quanto às acessibilidades diz que exigirá ao Governo o reperfilamento da estrada para a Guarda. No que toca aos serviços da autarquia, aposta na implementação de um Balcão Único de Atendimento ao Munícipe e no envolvimento dos trabalhadores municipais na gestão da autarquia.
plb

O nome Joaquim Brázia confunde-se com a marca Robinil. A fábrica de sofás e móveis ocupa com todo o mérito, desde 1979, um lugar na história industrial do Sabugal. Mas o espírito de empresário levou-o a voos mais altos com a aposta no aeródromo da Dragoa. Um sonho dos sonhos de criança…

(Clique nas imagens para ampliar.)

Joaquim Brázia considera-se uma pessoa realizada principalmente por ter conseguido ficar a viver no Sabugal. Tem uma casa com localização privilegiada e considera ter uma qualidade de vida superior a muitas pessoas nas grandes cidades. «Não é só importante ter dinheiro. É necessário que esse dinheiro traga qualidade de vida. O único senão no Sabugal é o frio mas também esse tem os seus atractivos», diz-nos a iniciar a conversa.
Joaquim Brázia nasceu há 50 anos em Vila Boa. «Sou um ceboleiro», acrescenta, entre sorrisos, com ar orgulhoso. Foi para França dos quatro aos dez anos, voltou a Portugal e frequentou durante cinco anos o seminário de Tortosendo (onde conheceu o Agostinho da Silva do Jarmelo). Os sexto e sétimo anos do antigo liceu foram feitos no Sabugal.
«Fiz a recruta e especialidade em Vendas Novas e depois fui para Lisboa mas não gostei da vida militar. Foi uma desilusão para mim. Sai em 1980. Achei que o curso de linguísticas não me levava a nada e pensei em iniciar por conta própria um negócio de cozinhas. Cheguei a ter reservado um lote na zona industrial mas, entretanto, conheci a minha mulher Anabela Robi. O meu sogro, sócio da Robinil desde a sua fundação em 1979, entendeu propor-me a compra da quota em 1981 e a partir daí estive sempre no ramo do mobiliário», recorda Joaquim Brázia.
– A Robinil é uma marca associada ao fabrico de sofás…
– A Robinil oferece, fundamentalmente, o fabrico de estofo à medida. Temos conhecimento e maquinaria para fabricar modelos que os outros não conseguem executar. Temos duas lojas (Guarda e Castelo Branco) e a loja-fábrica no Sabugal. Até ao final de 2008 tivemos 20 funcionários. Actualmente somos 13 porque as encomendas baixaram muito e estamos a trabalhar abaixo da nossa capacidade.
– A Robinil tem estado presente em certames e exposições?
– Temos tido várias etapas. A primeira foi exclusivamente com a venda ao público para consumo local e numa segunda fase para revenda. Em 1993 fomos vítimas de um valente calote e decidimos regressar às origens e dinamizar mais a venda ao público com a abertura da loja da Guarda e posteriormente de Castelo Branco. O objectivo era concretizar um pentágono – ou não fosse Joaquim Brázia um homem da terra das cinco quinas – que incluía Covilhã, Viseu e Salamanca. Temos sempre na mente uma ponta do cordel que a qualquer momento pode ser puxada e que nos permite avançar e alcançar as nossas metas. A Espanha é atractiva porque tem uma diferença muito grande nos impostos em relação a Portugal. Tenho intenções de ampliar o negócio para Espanha ou para a França. Neste momento a dificuldade é encontrar um colaborador de confiança e bom profissional que promova os nossos produtos em terras francesas.
– A Robinil tem colecções próprias?
– Em 1992 investimos fortemente para ter colecções próprias e achámos que não nos podiam copiar porque tínhamos tecnologia de ponta. Comprámos na Alemanha uma máquina de costura muito avançada para a época que fazia dois pontos muito interessantes mas, passados dois meses, apareceram no mercado produtos iguais ao nosso catálogo de originais. Muito incomodados alterámos a nossa estratégia e agora temos como objectivo ter mais qualidade que os produtos idênticos que existem no mercado. A marca Robinil é reconhecida e adapta-se a todo o tipo de mobiliário.
– Agora as novidades duram cinco segundos na Internet…
– É verdade. Agora as novidades duram cinco segundos e nós temos é que dar resposta ao fabrico à medida. Qualquer cliente que nos visite com uma fotografia ou uma ideia sai da loja com os seus desejos concretizados à medida. Este ano fizemos publicidade no programa televisivo «Preço Certo» que é transmitido em Portugal e França. No mês de Agosto os emigrantes costumam deixar encomendas de um ano para o outro mas este Verão não alcançámos os nossos objectivos.
– Mas o empresário Joaquim Brázia não se limita a sonhar com a Robinil?
– Fora da fábrica não tenho nenhum hobby especial. Não sou caçador, não sou pescador. Mas compreendo a sua pergunta e vou contar-lhe como tudo aconteceu. Conheço o Tó Chûco [António Fernandes] há muito tempo. As várias obras de decoração nas discotecas que foi gerindo foram todas feitas pela Robinil. A última foi a «Crazy Apple» na Covilhã. Em Maio do ano passado estamos numa conversa de café no Mira-Côa e chegamos à conclusão que o Tó tinha sonhos iguais aos meus – voar. A partir daí criou-se uma empatia ainda maior e tudo «voou» a grande velocidade. O Tó já tinha licença de pilotagem, eu fui tirar o brevet a França e comprámos um auto-giro. Inicialmente escolhemos um terreno junto ao Parque Industrial do Espinhal mas como o processo estava um pouco demorado optámos pelo terreno com 750 metros de comprimento junto à estrada Ruvina-Nave. É um investimento totalmente privado. A determinada altura acusaram a Câmara de andar lá a meter máquinas. É totalmente mentira. O único apoio que tivemos da autarquia foi um autocarro que fez duas viagens para ir buscar os pilotos. Mais nada.
– Mas o aeródromo é uma janela de oportunidades para todo o concelho?
– O nosso objectivo é esse. O nosso projecto não está apenas no papel, já está no terreno. Os nossos investimentos têm sido avultados e agora esperamos que as entidades públicas estejam disponíveis para acordos de investimento na lógica público-privada. Os próximos passos são alargar a pista mais dez metros e proceder ao seu alcatroamento. Acreditamos que podem ser criadas condições para uma escola de voo, para um terminal de combate aos incêndios, para um serviço de táxi aéreo entre o Sabugal e Lisboa ou o Porto, para uma empresa de rent-a-car e para uma infinidade de actividades paralelas. Há muitos emigrantes que gostariam de vir de avião mas depois não estão disponíveis para fazer a viagem de carro até ao Sabugal.
– É mais uma solução para a desertificação…
– Se conseguirmos fixar à volta deste projecto 50 pessoas já me considero muito feliz. E tenho a certeza que periodicamente vêem muitas mais. Somos uma região turística com condições naturais espectaculares. O espaço envolvente ao aeródromo pode proporcionar, por exemplo, eventos de motocross. As infra-estruturas podem ser pensadas e adaptadas a muitas actividades desportivas.

Joaquim Brázia e Robinil. Duas referências sabugalenses.
jcl

CONFRARIA BUCHO RAIANO

III CAPÍTULO E ENTRONIZAÇÃO
18 de Fevereiro de 2012

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