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No blogue oficial do candidato Joaquim Ricardo está publicado um «convite aos habitantes do concelho do Sabugal» (!?) para estarem presentes no próximo dia 19 de Setembro, pelas 21 horas, no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal para a apresentação oficial dos candidatos das listas do MPT-Partido da Terra nas eleições autárquicas do próximo dia 11 de Outubro.

Joaquim Ricardo - MPT-Partido da Terra - Sabugal

«Joaquim Ricardo, candidato independente à Câmara Municipal do Sabugal nas listas do MPT – Partido da Terra, tem a honra de convidar todos os habitantes do concelho do Sabugal para a sessão de apresentação oficial dos candidatos à Câmara Municipal do Sabugal, à Assembleia Municipal e às Assembleias de freguesia a realizar no próximo dia 19 de Setembro, pelas 21 horas no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal, com a seguinte ordem de trabalhos:
– Recepção dos convidados;
– Festival de acordeonistas;
– Apresentação dos Candidatos às Assembleias de Freguesia;
– Apresentação dos Candidatos à Assembleia Municipal;
– Apresentação dos Candidatos à Câmara Municipal;
– Apresentação oficial do compromisso eleitoral.»

O convite é «para os habitantes do concelho do Sabugal».
jcl

Na sequência da tragédia provocada pelos recentes incêndios no concelho do Sabugal entendemos colocar, publicamente, aos candidatos duas questões. Depois da candidatura de António Dionísio é agora tempo de saber o que pensa a candidata do CDS-PP, Ana Isabel Charters.

Ana Isabel Charters - CDS-PP - Sabugal– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– A Câmara Municipal tem obrigação de ajudar neste caso concreto: ou pede a declaração de calamidade e obtém apoios a nível central, ou é solidária directa com os prejudicados e «abre os cofres» até à chegada do Inverno e das novas pastagens. Não sei se a Câmara está em condições legais de recorrer a um crédito bancário ou se tem outra solução, mas o dever de solidariedade entre o poder e os cidadãos tem de funcionar bem e depressa. A questão da desertificação animal por falta de alimento é um problema de cada proprietário, mas é, igualmente e num grau mais elevado, um problema da Câmara e do País.
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?
– Não faltam estruturas no Ministério da Agricultura vocacionadas para a reflorestação. E há os fundos comunitários que o actual Ministro tanto tem desprezado. Estamos em campanha eleitoral: pode ser que o Ministério da Agricultura queira dedicar um pouco do seu tempo ao concelho do Sabugal. As ajudas serão bem-vindas.

O Capeia Arraiana publica esta terça-feira uma «Grande Entrevista com… Ana Isabel Charters» onde vamos ficar a conhecer melhor a candidata do CDS-PP à presidência da Câmara Municipal do Sabugal.
jcl

A minha posição como Presidente da Direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Sabugal (AHBVS) que no contexto anterior (antes da criação do extinto SNBPC e agora Autoridade Nacional de Protecção Civil, e do SIOPS – Sistema Integrado de Operações de Protecção e Socorro) teria comandado as operações, aconselha-me a ser, para já, comedido em quaisquer afirmações ou comentários que aqui possa fazer.

Luís CarriçoAntes de mais uma palavra de solidadariedade para com as vítimas desta calamidade, em que houve quem perdesse todos os bens de que dependia a parca sobrevivência. Alguns são familiares de Bombeiros que andaram no terreno. Não acreditam por isso que os Bombeiros (que andaram no terreno) não tenham feito o possivel para salvar tudo. Infelizmente são limitados sobretudo em número para acudir a tanto chamamento.
E aqui entram as colunas e a coordenação das operações efectuada por alguém enviado pela ANPC-Autoridade Nacional de Protecção Civil (CDOS Guarda – Comando Distrital de Operações de Socorro), logo que no terreno se encontrem Bombeiros de duas ou mais Corporações.
No caso presente pelo 2.º Comandante do referido CDOS na maior parte do tempo, substituido de vez em quando por um Comandante de Corporação do distrito e nos últimos momentos pelo 1.º Comandante Distrital.
Mas…
Que essa coordenação não existiu, é evidente.
Que competia a um posto de comando montado no terreno, que apenas lá esteve para show off, também infelizmente verificámos.
Que o Comando operacional e os Comandantes que acompanharam as colunas que vieram ajudar não saem bem na fotografia, também me parece evidente.
O PC (Posto de Comando) não emanava ordens mas, também me parece, que os Comandantes no terreno não as tenham procurado.
Sei que quando se atribuem culpas aos Bombeiros se fala em Instituição, estrutura, e não propriamente nos homens anónimos que combatem no terreno. A estes não posso deixar que atribuam quaisquer responsabilidades porque a sua função é combater sob a coordenação de quem está legalmente mandatado para a fazer. E fizeram-no: Os locais, que conhecem o terreno, combatendo por sua própria iniciativa ao sabor dos pedidos pontuais e visão própria (às vezes ilegalmente) já que as frentes que foram controladas o foram com contra-fogo agora proibido a não ser que por técnico credenciado – e os bombeiros, segundo a lei não o são – e as colunas aguardando ordens que tardavam em chegar ou eram ao sabor do correr dos acontecimentos.
Para além de ajudar a pensar a estrutura de organização e coordenação das operações de socorro, cuja alteração legal tanto tem sido pedida pelas estruturas dos bombeiros, que localmente, esta calamidade sirva para renovação correcta do tecido florestal e pastoríceo, para além da implementação eficaz de um Plano Municipal e Defesa da Floresta que, de acordo com a Lei n.º 124/2006 alterada pelo Decreto-Lei n.º 17/2009 devia estar em vigor a 31 de Março de 2009, mais do que para assacar responsabilidades que todos temos, desde os proprietários que não limpam, ao Município que não fiscaliza, à Protecção Civil (da qual os Bombeiros fazem parte) que não tem planos eficazes para o combate.
Um agradecimento (que será feito em local próprio quando tudo estiver apurado) a todos os que com géneros ou outras formas quiseram ajudar os bombeiros neste combate inglório.
Luís Carriço (Presidente da Direcção da AHBVS)

Todos nós sabemos que o Concelho do Sabugal esteve assolado por incêndios florestais nos últimos dias do mês de Agosto e o primeiro dia de Setembro. Digo todos, porque a comunicação social a nível nacional, cobriu todos os acontecimentos inerentes a esses incêndios.

António EmidioComo começaram? Simples capricho da natureza? Não creio. Acredito que foi mão criminosa.
No dia 31 de Agosto pelas 16 horas, havia vários focos de incêndio à volta da cidade. Dizia uma habitante já idosa: «são as muchanas que andam no ar que deitam os fogos.» Pura inocência… O que pretendiam, a mão, ou as mãos criminosas, que os atearam? Arranjar pastos para animais? Madeira? Lucro que o fogo lhes viesse garantir por uma qualquer razão? Aterrorizar populações indefesas, criando insegurança e depois revolta?
Seja o que seja, praticaram-se actos de terrorismo, não só contra as pessoas, mas também contra a natureza e o meio ambiente. O fogo não perdoou, o verão tem sido severo com temperaturas altíssimas, e cada vez vai ser mais, tudo devido à mudança climática. Mãos criminosas e temperaturas elevadas são caldo de cultivo para incêndios florestais. Perdeu-se muito da nossa diversidade natural, perdeu a já pobre economia do Concelho, perdeu-se ainda mais o futuro, e serviu para aumentar a desertificação. Terrorismo não é só atentar contra um sistema político-económico. Terrorismo, e puro, foi o que sucedeu no nosso Concelho. Não se atentou contra pessoas inocentes e humildes? Não se aterrorizaram populações? Não lhes queimaram os haveres? E muitos!
Se isto não é terrorismo, o que é terrorismo? É só pegar em armas contra tiranos?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Os visitantes da Aldeia Histórica de Sortelha podem admirar, até 15 de Setembro, a colecção de tapeçaria, bordados e linhos artesanais locais exposta ao público na galeria da sortelhense Gorete Moreira.

Gorete MoreiraA Aldeia Histórica de Sortelha tem sempre novos motivos para surpreender os visitantes.
No largo principal – depois de passar a imponente portada milhares de vezes fotografada – as eternas senhoras do artesanato e dos cestos de bracejo ajudam a compor o cenário cinematográfico. «Umas das casas é propriedade da empresa de filmes que costuma vir fazer anúncios em Sortelha», desvenda Luís Paulo, presidente da Junta de Freguesia de Sortelha.
A rua empedrada sempre a subir que leva ao pelourinho junto à entrada para o castelo e à sede da Junta de Freguesia da Aldeia Histórica de Sortelha aconselha a passadas lentas com sapatilhas. Para trás ficam umas quantas casas antigas com ar de abandonadas. «Temos empresários interessados em arrendar ou comprar as casas para abrir lojas de presuntos, enchidos e artesanato mas devido a um problema de heranças que se arrasta há quase 20 anos estão a ficar cada vez mais deterioradas», esclarece com ar resignado Luís Paulo.
Ao virar da esquina uma porta aberta descobre tapeçarias penduradas nas paredes que convidam os passantes a entrar para uma sala luminosa com muitas janelas entremeadas com tapetes. E qual deles o mais belo!
A Exposição de Tapeçarias e Bordados de Sortelha 2009 é da responsabilidade da sortelhense Gorete Moreira que reuniu um conjunto de peças em tapetes, linhos artesanais e bordados de artesãos locais.
«São peças únicas», começou por nos dizer Gorete Moreira. Um pouco surpreendida com o nosso interesse lá foi desvendando os seus «segredos». «Estão expostas 70 peças com desenhos originais e trabalhos por encomenda. A tapeçaria tem influências das ilustrações do Livro das Horas de D. Duarte e os bordados são feitos sob linho antigo com seda natural. A tapeçaria executada em ponto teia é original de Sortelha. Os desenhos são bordados a ponto pé-de-flor e ponto cadeia em lã natural», explica com «textura científica» a artesã.
«Estive à frente do atelier do Centro Internacional de Tapete (com mais de 25 anos de existência) aqui em Sortelha. Chegámos a ter nove pessoas a trabalhar. Fizemos trabalhos para Portugal, Espanha, França, Brasil e Canadá. Mas têm faltado os incentivos», lamenta Gorete Moreira em tom de desabafo.
Contudo encara a vida com uma filosofia positiva. «Sou uma pessoa de iniciativa sem estar à espera dos outros mas sei que a maioria das pessoas de Sortelha e do concelho do Sabugal não sabe o trabalho que desenvolvo. Estou grata aos que acreditaram e apoiaram o meu trabalho e aceito bem as críticas desde que sejam construtivas. Respeito a opinião dos outros mas considero que Portugal ainda continua à espera de D. Sebastião.»
E aproveita os tempos eleitorais para dar a sua opinião de cidadã considerando que «luta para ajudar os que devem falar» porque como leu num artigo da revista «Visão» «ser honesto e dizer a verdade na sociedade em que hoje vivemos é como dar um tiro de espingarda dentro de uma igreja».
«Sou voluntária para qualquer causa que ajude no desenvolvimento de Sortelha e do concelho», diz a finalizar Gorete Moreira.

Sortelha – Para marcar na agenda:
– «Sortearte», de Gorete Moreira. Manufactura de tapeçaria e tapetes, restauro de tapeçarias, artesanato e velharias. Telefone: 271388544.
– Loja de artesanato do Campanário.
– Casas de Turismo Rural do Campanário.

Cestos de bracejo. O bracejo é uma planta que é utilizada no fabrico de diversos artefactos usados no dia-a-dia; como por exemplo os cestos de bracejo e as vassouras de bracejo. Os cestos são feitos todos em bracejo e á base de entrelaçado. A partir da técnica, formam-se tranças, com as quais se produzem objectos, dependentes do gosto e criatividade das pessoas.
jcl

GALERIA DE IMAGENS
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A Agência da Guarda da Fundação Inatel lançou o Concurso de Fotografia António Correia, o qual é uma realização anual que pretende fomentar o gosto pela fotografia artística.

INATELO prémio, que tem ainda por objectivo elucidar para a realidade social e humana e para o património natural e arquitectónico da região, consiste em apresentar um conjunto de sete fotografias, a cores ou a preto e branco, que dêem um panorama estimulante do ponto de vista estético.
Na edição de 2009 o concurso terá como tema «O Verde Urbano».
Segundo o regulamento, as fotografias só poderão apresentar realidades situadas no distrito da Guarda, devendo, face ao tema, focar os espaços verdes e arborizados dentro dos aglomerados urbanos (cidades, vilas e aldeias) e a sua ligação às construções humanas.
Os concorrentes deverão entregar os seus trabalhos a concurso até ao dia 16 de Novembro de 2009, na Agência da Fundação INATEL da Guarda. As fotografias devem ser entregues em papel fotográfico, com tamanho entre 20 e 25 cm (lado maior) e entre 15 e 20 cm (lado menor), sem margens.
As fotografias colocadas a concurso devem apresentar o pseudónimo do concorrente no verso e ser numeradas. Simultaneamente os concorrentes devem entregar um CD ou DVD com os ficheiros das sete fotografias em formato digital.
Após a divulgação do prémio a Fundação INATEL realizará uma exposição com algumas das fotografias colocadas a concurso
O Concurso conta com a especial colaboração da Agência para a Promoção da Guarda (APGUR).
plb

A «Imagem do dia» e a «Imagem da Semana» são dois destaques em imagens sobre acontecimentos, momentos ou recordações relevantes. Ficamos à espera que nos envie a sua memória fotográfica para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

Data: 1947.

Local: Junto à Casa dos Britos no Sabugal.

Legenda: Bendada foi a vencedora do prémio da melhor representação alegórica com o carro-cisne.

Autoria: Desconhecido.

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Continuando com as fotografias do Cortejo de Oferendas, realizado na vila do Sabugal, em 1947, para angariar fundos para o Hospital do Sabugal, apresento hoje a representação da Bendada.

Cortejo de Oferendas - Bendada - 1947

Joao Aristides DuarteA Bendada participou com um carro alegórico representando um cisne.
Segundo informações que recolhi, a Bendada foi a vencedora do prémio da melhor representação alegórica, atribuída pelo júri (constituído pelas altas individualidades do concelho, na época) que se encontrava numa tribuna instalada junto à Casa dos Britos.
Embora não seja visível nestas duas fotografias, o desfile da Bendada incorporou a Banda Filarmónica, ainda hoje existente. Das fotografias que me foram disponibilizadas por mão amiga, apenas há uma – que não digitalizei – onde é visível uma pequena parte da Banda Filarmónica da Bendada.
Desfilando atrás da representação da Bendada pode ver-se a de Pousafoles do Bispo.
Amigo leitor: esteja atento aos próximos episódios deste desfile. Há grandes surpresas para mostrar, ainda, a todos os cibernautas do concelho de Sabugal, das mais variadas localidades.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Vou continuar, neste período eleitoral, a preencher o espaço que me é destinado nestes domingos, a divulgar os meus comentários e de outros mais abalizados do que eu, como é o caso de politólogos e jornalistas desportivos, desculpem, jornalistas políticos, que bem os há, pois a deontologia profissional, nesta época, não é seguida à letra.

José MorgadoHoje, baseado em artigos publicados recentemente no semanário «Expresso», transcrevo algumas opiniões.
Estão a por em causa as democracias, tal como as conhecemos, pois os cidadãos, deixaram de confiar nos políticos e a geração que está a crescer com a Internet, vai ter dificuldades em permitir que outros tomem decisões por eles.
Em Portugal, autarcas eleitos em listas de independentes, não escondem as vantagens de não ter de responder às estruturas partidárias desgastadas.
As sondagens mostram que os cidadãos, cada vez acreditam menos nos políticos que os representam, começando a proliferar experiências de formas de democracia participativa.
Os eleitores vão querer ser ouvidos e participar de forma efectiva e directa nas decisões colectivas. Os analistas, em Portugal, acreditam que as pessoas, não estão cansadas da política, apenas já não toleram os partidos, que «estão estratificados, não se respira no seu anterior e é muito difícil, fazer vida dentro deles» (Costa Andrade, constitucionalista).
Segundo Villaverde Cabral a única coisa boa desta crise dos partidos, é a forte mobilização que vemos na sociedade que é um sinal de que as pessoas não desistiram da política, mas apenas dos partidos e a emergência de Movimentos Cívicos ou de candidaturas independentes, parece ser uma tendência inevitável, porque o grande problema da democracia portuguesa, actualmente, é a desvinculação da população aos partidos.
Para Costa Andrade o défice de confiança no sistema político e nos seus agentes, tem causas múltiplas: deficiente sentido de responsabilidades dos políticos; ausência de responsabilidade politica; ausência de responsabilidade criminal e clara debilidade de compromissos das promessas.
Como já foi dito, uma das respostas a esta crise dos partidos é a criação espontânea de Movimentos Cívicos e candidaturas independentes, embora só ainda possível para os Órgãos Autárquicos e só desde 2001.
Este modelo, infelizmente também tem servido para outros fins menos transparentes como o caso de políticos afastados dos partidos, envolvidos em processos judiciais como o de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro É preciso separar o trigo do joio.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Os fogos devastadores que desgraçaram a parte ocidental do concelho do Sabugal, deixaram um terrível rasto de cinzas e uma tremenda comoção nas pessoas que ficaram prejudicadas. O negrume da terra queimada é bem a imagem de um executivo autárquico desconcertado e inoperante, sem rei nem roque, que não esteve à altura das exigências.

Eólica na Serra de São CornélioA população viveu horas de terror perante a ameaça das chamas que tudo devoravam e destruíam. Quem vivia da lavoura perdeu gado, palheiros, pastagens, oliveiras, castanheiros e vinhas. Foi uma das maiores desgraças que já se abateram sobre este concelho pobre e desamparado.
Por quatro dias o Sabugal, na sua fatal desgraça, foi o centro das atenções públicas. A desventura garantiu-lhe a abertura de telejornais e de noticiários radiofónicos e também a ocupação da primeira página de jornais. O país assistiu, atónito, ao Sabugal incandescente, recordando imagens devastadoras e rostos de comoção perante o pânico, como já não via há alguns anos.
As chamas destruidoras e as consequentes cinzas negras que agora cobrem os campos, são bem a imagem do executivo municipal neste final de mandato autárquico. Estes incêndios que por quatro dias galgavam sucessivamente estradas, caminhos e ribeiros, sem que os bombeiros, os aviões pesados e as populações exaustas os conseguissem controlar, mostram bem o fracasso das tão propaladas medidas camarárias de protecção da floresta. Realmente, clamara-se que o trabalho das equipas de sapadores florestais garantiam a necessária acção preventiva e que a identificação dos pontos de água possibilitariam um eficaz e pronto combate aos sinistros. A Câmara criou até um gabinete técnico florestal que deu conselhos aos produtores e até tomou decisões de proibição: realizar queimadas, fazer lume na floresta; e definiu mesmo obrigações, como a de limpar uma faixa de 50 metros ao redor das edificações.
A verdade é que nada foi eficaz. E acredito mesmo que tais normas, que ficam bem no papel, nunca foram fiscalizadas em termos de aplicação prática por aqueles a quem eram dirigidas.
Por outro lado: o que é feito dos serviços municipais de protecção civil? A sua existência e a sua organização é obrigatória à luz da lei, mas nada nos indica que estivessem sido criados e se mantivessem operativos. Activado sim, terá sido um alegado Plano Municipal de Emergência, que existe também por força da lei. Mas, ao que apurámos, ninguém conhecia os seus termos, porque ninguém fora incumbido de o ler para o caso de ter de o activar.
Perante a catástrofe o reclamado apoio logístico aos bombeiros, que vieram de todo o país, foi escasso e manifestamente insuficiente. Um plano tem de prever a criação de um centro de coordenação operacional, de onde parta esse apoio logístico às forças de intervenção e, se necessário, à própria população. Também tem que conter um inventário e uma lista de contactos dos meios, públicos e privados, que em caso de crise podem e devem ser chamados a actuar.
Termino como comecei: a imagem final deste mandato autárquico são os campos enegrecidos pelas chamas e o olhar de desalento da população, que ficou agora a saber, pela experiência vivida, que está mesmo apenas entregue a si própria.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Impressionante reportagem fotográfica de Joaquim Tomé (Tutatux) durante os trágicos incêndios no concelho do Sabugal. Memórias visuais que irão ficar para sempre na alma de todos os que olharam horrorizados durante mais de 50 horas as chamas infernais que tudo destruiram.

GALERIA DE IMAGENS – 5-9-2009
Fotos Joaquim Tomé (Tutatux) – Direitos Reservados – Clique nas imagens para ampliar

Segundo notícia do «Correio da Manhã», ninguém chamou a Polícia Judiciária da Guarda a investigar o incêndio que durante quatro dias destruiu 11 mil hectares de mato e floresta e atirou para a miséria centenas de agricultores do Sabugal.

Polícia Judiciária«Estranhamente sabemos desse incêndio pela comunicação social e pelo fumo que causou», desabafou ao «Correio da Manhã» uma fonte policial, sublinhando que «as autoridades que estiveram no terreno entenderam não informar a PJ».
Assim se justifica que o fogo não está a ser investigado pela polícia, mau grado as suspeitas levantadas pelo presidente da Câmara que disse suspeitar de fogo posto. O facto leva a fonte com que o jornal diário falou, a lamentar não estar a investigar aquele que foi o maior incêndio deste ano no distrito e que causou prejuízos na ordem dos nove milhões de euros.
Entretanto, segundo informação veiculada pela agência Lusa, a Polícia Judiciária deteve um homem pela presumível autoria de um crime de incêndio florestal praticado quinta-feira passada na Cerdeira do Côa, concelho do Sabugal.
O detido, um servente, solteiro, de 47 anos, vai ser levado a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.
O incêndio em causa consumiu uma área relativamente pequena de mato, dada a pronta intervenção de populares e dos bombeiros do Sabugal, mas colocou em perigo vários hectares de pinheiro bravo.
Neste caso, a PJ, através do Departamento de Investigação Criminal da Guarda, teve a colaboração da GNR.
plb

Como arraiano e natural do Concelho do Sabugal queria, mui modestamente, deixar aqui apenas um pequeno contributo, como uma achega, ao que o artigo de Romeu Bispo referiu acerca das notas do empenho do Sr. Dr. Francisco Maria Manso.

hospital sabugalEra natural da minha terra, Aldeia do Bispo. Foi contemporâneo do meu avô paterno, cujo nome herdei. Era o médico da família. Recordo, às segundas-feiras, por volta das 15 horas, era dado um sinal, através do sino. As pessoas doentes ou precisadas de cuidados médicos dirigiam-se ao seu consultório. Muitas famílias estavam avençadas, como acontecia com a minha, e o valor das consultas anuais eram pagas em géneros, principalmente centeio. Como paciente não tenho recordações muito gratas. Com cerca de seis anos caí de um muro, na Rua Nova, e tive de ser suturado com três agrafes nos lábios e tive de extrair um ou dois dentes a sangue frio. Como homem e benemérito foi uma pessoa espectacular em favor dos outros, e, como médico e profissional, apesar dos fracos meios existentes, foi de uma conduta a todos os títulos meritória.
No Hospital do Sabugal, ignoro a data, foi submetida a uma intervenção cirúrgica ao apêndice a minha extremosa mãe, falecida há um ano, tendo feito parte da equipa o Dr. Manso. Outros episódios havidos, no hospital do Sabugal, existiram, mas de momento, não me recordo.
Mas o assunto principal prende-se, sobretudo com o Cortejo de Oferendas, então organizado, como forma de angariar fundos para custear as despesas da construção do hospital do Sabugal. Entre os principais impulsionadores esteve o Dr. Manso, entre muitos outros cujos nomes desconheço, embora saiba os de alguns.
Tive conhecimento que todas as aldeias se mobilizaram e participaram, dentro das suas parcas posses, porque os bens essenciais eram arrancados das terras, à custa de muito sangue suor e lágrimas. Lavradores de avultadas posses eram escassos, a população, na sua grande maioria, vivia da «jorna» ou da «jeira» ou do amanho das terras a «meias», «terças» ou «quartas».
Tive conhecimento, sobretudo através de relatos orais de pessoas mais idosas que Aldeia do Bispo se mobilizou e até, nessa altura, para assinalar a efeméride se criou um «Hino» da autoria do Sr. Dr. Francisco Manso, com a colaboração de outros conterrâneos e amigos que nos dias de hoje perdura, embora com ligeiras adaptações e alterações.
Como forma de ilustrar e justificar tal facto aqui deixo o Hino de Aldeia do Bispo.

Aldeia do Bispo avante
A cantar e a trabalhar
Cada seara ondulante Refrão
É um poema a vibrar

Vimos de terra arraiana
À festa do hospital
Trazemos cravos d’Espanha
E a alma de Portugal

O sol das nossas touradas
E as tardes de maravilhas
Erguem-se hoje em pinceladas
Neste lençol de mantilhas

Hoje, existem várias adaptações, conforme as circunstâncias e o cantor.
Entre as várias a mais usual é a seguinte (primeira quadra):

Somos de terra arraiana
Concelho do Sabugal
Trazemos cravos d’Espanha
E a alma de Portugal.

Manuel Nunes

A candidatura de António Dionísio emitiu, esta sexta-feira, um comunicado analisando a situação provocada pelos incêndios no concelho do Sabugal que reproduzimos na íntegra.

«O FUTURO DO CONCELHO DO SABUGAL PASSA PELA FLORESTA

António DionísioCaros conterrâneos
O momento difícil vivido por todos nós, nos últimos dias de Agosto, quando tudo parecia arder e o trabalho esforçado e, muitas vezes, heróico das populações e dos Bombeiros para salvar vidas e bens se revelava insuficiente face à violência do fogo, obriga-me a dirigir-me a todos vós, num abraço de solidariedade com todos os que perderam os seus bens e viram os seus terrenos, culturas e árvores destruídos pelo fogo.
Quero, por outro lado, afirmar que, sabendo tirar lições do que correu mal, me mantenho na posição que sempre assumi de não me limitar a fazer queixas e a solicitar apoios da Administração Central.
Claro que é com grande satisfação que vejo a atitude do Ministério da Agricultura no pronto apoio aos agricultores do Concelho afectados, demonstrando que, pelo menos desta vez, souberam estar atentos e responder àquilo que era uma situação de catástrofe que exigia uma resposta imediata.
Mas quero dizer-vos também que acredito que esta desgraça que se abateu sobre o Concelho pode e deve tambem ser vista como uma oportunidade de ouro para criar um sector florestal sustentável e rentável na nossa terra.
E para isso, e levantando o véu sobre o meu Programa Eleitoral embora não tendo ainda sido divulgado publicamente, posso desde já adiantar que considero a Agricultura e a Floresta como uma prioridade política e que após a minha eleição, me proponho concretizar as seguintes Medidas para o Sector:
1 – Criar, em parceria com as Associações do Sector, o Gabinete Municipal de Apoio à Agricultura;
2 – Elaborar o “Plano de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura do Concelho do Sabugal”, em parceria com as Associações do Sector Agrícola;
3 – Aprofundar o Protocolo existente com o Ministério da Agricultura para transformar as instalações da Colónia Agrícola de Martim Rei num instrumento fundamental de apoio à actividade agrícola do Concelho e da Região;
4 – Criar o Programa “Sabugal, Terra de Floresta”, apoiando o desenvolvimento de um sector florestal e criar uma Empresa de capitais mistos (públicos e privados) de Gestão Florestal;
5 – Criar o Programa “Sabugal, Terra de Gado”, apoiando o desenvolvimento de um sector agro-pecuário e silvo-pastorício e criar uma Empresa de capitais mistos (públicos e privados) de Gestão de Espaços de Pastagem;
6 – Criar o Programa “Sabugal, Terra da Castanha”;
7 – Criar o Programa “Sabugal, Terra da Oliveira”.

Estas são algumas medidas que fazem parte do Meu Programa Eleitoral que brevemente apresentarei a todos os habitantes do concelho. No entanto considero que desde já devem ser tomadas medidas de emergência por forma a minimizar os graves prejuizos que os nossos agricultores tiveram com a passagem do fogo:
Tudo deverá ser feito para que os apoios disponibilizados pela Administração Central cheguem a todos os agricultores afectados para que possam refazer as suas vidas.
Assim, os elementos da Câmara e das Juntas de Freguesia que acompanharão os tecnicos do Ministério da Agricultura no levantamento exaustivo das situações devem actuar como “advogados” dos agricultores, tudo fazendo para que nada fique por registar.
Considero igualmente que o trabalho da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia só deverá terminar quando todos os apoios forem concedidos, o que quer dizer que a Câmara e as Juntas deverão igualmente apoiar os agricultores no preenchimento de toda a papelada que for exigida.
Por último, e complementando os apoios já anunciados pelo Ministério da Agricultura, considero que cabe à Câmara Municipal definir de imediato formas de ajuda monetária, técnica e psicológica, complementando as ajudas governamentais, para a compra forragens para os animais, aquisição de oliveiras para plantar, limpeza das áreas ardidas, recuperação de vedações, aquisição de sementes, reconstrução de palheiros e abrigos, etc. para todos aqueles que ficaram sem o seu meio de subsistência.
Esta é uma medida que de imediato deve ser implementada, não esquecendo que as as constantes do meu programa eleitoral serão medidas para implementar por forma que no futuro estas calamidades sejam atenuadas.
Deverá tambem ser revisto o Plano de Emergência em caso de catástrofe – fogo, inundação, seca, etc. – que deverá ser dado a conhecer a toda a população, onde, com o apoio de todos, se deverá referenciar os pontos onde a intervenção do homem pode ser mais eficaz no seu combate.
Assumo igualmente o compromisso que, após a minha tomada de posse como Presidente da Câmara, e tendo em atenção o levantamento das situações que entretanto terão sido feitas pelos Serviços Municipais e pelas Juntas de Freguesia, proporei a isenção do pagamento de IMI referente às propriedades cujo revestimento florestal tenha sido destruído por estes incêndios.
António Dionísio»


n.d.a.
Ontem, quinta-feira, o Capeia Arraiana deixou um repto aos cinco candidatos à presidência à Câmara Municipal do Sabugal com duas questão que gostariamos de ver respondidas publicamente:
– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?

Consideramos que a resposta está dada por parte de António Dionísio. Acreditamos que os restantes candidatos estão, igualmente, interessados em explicar aos eleitores sabugalenses o que pensam das duas questões.
jcl e plb

O executivo da Câmara Municipal do Sabugal fez esta sexta-feira, 4 de Setembro, uma primeira avaliação dos danos registados no concelho pelos incêndios florestais da última semana. «As freguesias mais afectadas devem ser Sortelha e a Moita e os prejuízos totais estão estimados entre sete a dez milhões de euros», disse à agência Lusa o presidente da autarquia.

Incêndio no Sabugal - Foto Joaquim Tomé (Tutatux)

Na reunião de hoje do executivo municipal foi discutida uma «primeira avaliação» dos danos registados no concelho, que estão, sobretudo, relacionados com «a agricultura e a floresta».
O documento analisado, elaborado pela autarquia em colaboração com os serviços regionais do Ministério da Agricultura, não traduz um «levantamento exaustivo» dos prejuízos, sendo que o relatório final só deverá ficar pronto «na próxima semana».
«Ainda não temos o registo de todos os proprietários que foram afectados pelas chamas», adiantou Manuel Rito, presidente da Câmara sabugalense, contando que «todas as freguesias atingidas têm gente com a agricultura afectada e parece que as mais afectadas serão Sortelha e Moita».
«Há agricultores «que perderem cem por cento das pastagens para o gado», daí que a autarquia também tenha deliberado, em colaboração com a Acrisabugal-Associação de Criadores de Ruminantes do Concelho do Sabugal «a aquisição de forragens para distribuição gratuita aos criadores de gado do concelho».
Na habitual reunião das sextas-feiras foi, também, decidido que na Zona de Caça Municipal a caça ficará apenas permitida «a proprietários» e foram pedidos apoios para que os habitantes tenham subsídios para «aquisição de lenha».
A autarquia também vai pedir ao Governo «que possa implementar no concelho o cadastro geométrico da propriedade, para que a Câmara possa implementar o agravamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) aos proprietários que não limpem os terrenos, para que se possa pensar em emparcelamento no futuro», adiantou o autarca que se mostrou satisfeito pelo facto de o Ministério da Agricultura ter hoje anunciado medidas de apoio aos agricultores da região.
O Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas anunciou em comunicado ter decidido «com base num primeiro inventário realizado por técnicos no dia seguinte à extinção do fogo, criar um conjunto de medidas de apoio aos agricultores lesados».
A nota adianta que «haverá um apoio extraordinário para os agricultores afectados, destinado à alimentação animal, que será de cinquenta euros por cabeça de ovino e caprino e de cem euros por cabeça de bovino».
O Governo também vai «conceder ajudas à reposição do potencial produtivo (medida inscrita no PRODER-Programa de Desenvolvimento Rural) no máximo de apoio legalmente previsto, ou seja, cinquenta por cento a fundo perdido».
«Este apoio permitirá reparar, por exemplo, situações de perda de olival, de vinhas, de animais mortos, de colmeias e também de equipamentos agrícolas, caso de motores de rega e tubagens», salienta a nota ministerial.
O primeiro inventário realizado detectou prejuízos nas freguesias de Bendada, Casteleiro, Moita, Sortelha, Santo Estêvão, Aldeia de Santo António, Água Belas, Baraçal, Quintas de S. Bartolomeu, Rapoula, Vila do Touro, Vale de Espinho, Quadrazais, Foios e Soito.
jcl (com agência Lusa)

A tragédia do Sabugal tem sido, esta sexta-feira, notícia de abertura na rádio TSF. Em declarações à estação radiofónica o ministro do Agricultura, Jaime Silva, anunciou a abertura de uma linha de apoio com 50 por cento a fundo perdido para candidaturas individuais de agricultores das 15 freguesias atingidas.

Agricultores do Sabugal combatem os incêndios - Foto Joaquim Tomé (Tutatux)

O desespero deu origem à luta pela sobrevivência nem que para isso seja necessário ir buscar alimentos a Espanha. Os agricultores do Sabugal precisam da ajuda de todos e em especial das associações vocacionadas para o desenvolvimento e para a agricultura que devem seguir o exemplo da ADAG-Associação Distrital de Agricultores da Guarda que já veio exigir ajudas imediatas do Governo.
O Ministério da Agricultura vai apoiar com 50 euros por ovino e 100 euros por bovino a alimentação dos animais. A reposição das vinhas e olivais que arderam têm um subsídio a 50 por cento a fundo perdido. O levantamento vai ser feito caso a caso, agricultor a agricultor e vão ser necessárias candidaturas individuais prévias ao Proder-Programa de Desenvolvimento Rural.
O inventário actual e provisório indica que foram 15 as freguesias do Sabugal afectadas pelos incêndios. O fogo queimou mais de 11 mil hectares de terreno o que equivale a um prejuízo entre 7 a 10 milhões de euros.
«Por aqui ainda ninguém veio oferecer ajuda tão-pouco para conhecer tamanha aflição», pode ouvir-se na reportagem da TSF.

Noticiário da TSF.


Por favor ajudem os agricultores do Sabugal.
jcl

«Inimigos Públicos» é o mais recente filme de Michael Mann. Depois das noites quentes do tráfico de droga de Miami, o realizador norte-americano virou-se para a Chicago da Grande Depressão, filmando os últimos dias do gangster John Dillinger.

Pedro Miguel Fernandes - Série BFilmado por um dos grandes realizadores da Hollywood dos dias de hoje, Entre Inimigos é um dos grandes filmes deste Verão. Depois de um filme, na minha opinião menos bem conseguido (Acção em Miami), Michael Mann decidiu fazer uma fita de gangster. E o resultado é um filme em grande estilo, interpretado por dois grandes actores nos papéis principais: Johnny Depp, no papel de Dillinger, e Christian Bale, no papel de Melvin Pervis, um dos agentes do FBI que deu caça aos gangsters do início da década de 1930, em plena Grande Depressão.
Com estes dois actores no elenco, a fasquia ficava à partida alta. E quem gostar de ver filmes deste tipo e pretender passar umas horas bem passadas, Inimigos Públicos é uma boa aposta. A história é simples e retrata apenas os últimos anos da vida de Dillinger, um famoso gangster daquela época.
Inimigos PúblicosAo longo do filme, assistimos à fuga do criminoso, a vários assaltos a bancos e a uma cena memorável, quando as autoridades cercam o bando numa floresta. Aqui a cena está tão bem filmada e o som tão realista, que quase parece que o espectador está dentro do filme e tem de se esconder para não ser apanhado por uma bala perdida.
O ambiente da Chicago dos anos 30, com a presença de outros criminosos bastante populares na altura, e o próprio ambiente prisional (destaque logo para a cena inicial do filme, quando se dá uma fuga da cadeia), também estão muito bem conseguidos, e aqui há que sublinhar o bom trabalho a nível da fotografia.
Por fim, um aspecto que agradará aos mais conhecedores da história do Cinema, são os piscares de olho à Sétima Arte. Desde a cena final passada à porta da sala de cinema, à alusão por parte dos gangsters a James Cagney, actor que naqueles anos fez carreira interpretando papéis deste tipo.
Não sendo um dos melhores filmes de Michael Mann, «Inimigos Públicos» consegue ser uma boa surpresa para quem gosta de filmes de acção, com ambiente e personagens cheias de estilo a condizer.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Quando a história se mede por milhões ou milhares de anos, oitenta anos nesta visão global do Universo não tem grande significado, mas para os humanos significa uma vida e sabemos que não são todos os que atingem tal provecta idade. No sabugal contam-se pelos dedos aqueles que viveram e se lembram deste ano. Foi o ano do início da construção do Hospital da Misericórdia que funcionou muitos anos como Hospital concelhio.

Romeu BispoNum caderno de Notas/Memórias do Sr. Dr. Francisco Maria Manso encontrámos o relato de uma empresa que, à data, envolveu praticamente todo o Concelho: «No espírito de todos estava a construção de um hospital, mas para a realização desta obra era preciso dinheiro e não existia”. “A assistência neste Concelho mal existia e algum dinheiro era gasto em presentes aos pobres, no dia de Natal, ou data solene, sendo esses presentes constituídos por arrôs, assucar etc…».
Fazendo parte da Comissão de Assistência Municipal foi o Dr. Manso que propôs a entrega das verbas sobrantes à Comissão da Misericórdia para constituição do fundo de construção do hospital: «Todos os membros da Mesericordia e lembramo-nos sobre tudo do sr. Joaquim Monteiro, José Augusto dos Santos e Afonso Dias, abraçaram a ideia com enthusiasmo a guardar religiosamente todas as migalhas da Mesericórdia para esse fim».
Colaborou com a Misericórdia o «Sr. Ismael Mota que como secretário da Câmara a todas as reuniões assistia e com grande enthusiasmo desejava também ver realizada a obra que a todos interessava».
Foi o Sr. Dr. Manso que emprestou 160$00 (cento e sessenta escudos) de uma vez e 200$00 (duzentos escudos) de outra para que as plantas fossem feitas pelo Sr. Antonio Braga Calheiros, posteriormente copiadas no Porto e mais uma vez alteradas na Guarda.
«Outra dificuldade foi saber onde e quem deveria aprovar a planta. Enviada ao Exmo. Sr. Mangas para Lisboa, este nosso conterrâneo e grande amigo do Sabugal, foi ao Ministério do Comércio com a respectiva planta e memorial e ali informaram que era com as obras públicas da Guarda. Fomos às obras públicas da Guarda e ali informaram que não era ali e não sabiam onde era! Seguimos para o Governo Civil e ali o Sr. Governador (Dr. Filipe) assumiu toda a responsabilidade e que se desse começo à obra.
Publicaram-se anúncios no «O Século» e «Diário de Notícias» e apareceram dois arrematantes, o Sr. Engenheiro do Fundão (Lobo) e o Sr. Francisco Dias, de Rebelhos.
O Sr. Engenheiro Lobo só tomaria conta da obra por 99 contos (paredes) e o Sr. Francisco Dias faria a obra por 100 contos pondo o telhado. Foi adjudicada ao último e feita a escritura de responsabilidade.
Deu-se início à obra em fim de 1929».
As dificuldades são de todos os tempos, porém veremos que as dificuldades daqueles tempos, tendo em conta os condicionalismos políticos e sociais da época, pareciam insuperáveis. Em próximo artigo poderemos compreender a razão da data de 1930 que está no frontispício do edifício.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Fernando Sobral é um respeitado e reconhecido opinion maker português que assina uma coluna de opinião no «Jornal de Negócios». Esta quinta-feira, 3 de Setembro, escreveu sobre «A pobreza e a riqueza». Como eu gostaria de poder substituir a palavra «Sabugal» por uma outra qualquer…

Fernando Sobral«A pobreza e a riqueza
Enquanto a classe política discute animadamente o TGV como se ele fosse uma linha ideológica determinante ou se devemos ter um Estado um bocadinho mais anémico ou com um pouco mais de músculo, olha-se para o País e descobre-se aquilo que não faz…

Enquanto a classe política discute animadamente o TGV como se ele fosse uma linha ideológica determinante ou se devemos ter um Estado um bocadinho mais anémico ou com um pouco mais de músculo, olha-se para o País e descobre-se aquilo que não faz cócegas aos líderes partidários. É a pobreza que se contrapõe à riqueza urbana. É o silêncio que os fogos vão ampliando no Interior. É a desertificação feita pelo vento forte do fecho das fábricas que sustentavam concelhos e onde só ficam os mais velhos, presos a um mundo que desaparece e não deixa mais ilusões. Quando se olha para o que sucedeu no Sabugal, um concelho praticamente dizimado pelo fogo, pensa-se sobre o verdadeiro peso dos debates entre líderes partidários que agora vão aquecer as noites nas televisões. No Sabugal foram homens e mulheres, muitos sem segurança social e sem riqueza própria, que perderam tudo: as colheitas, as cabras, os palheiros. Perderam o que restava da ilusão neste País que esquece quem vive nos grandes centros urbanos. É um País arruinado este que vive, como o “CM”, há dias referia, com 273 euros de pensão média em Bragança, com 288 euros de pensão média Guarda, com 297 euros de pensão média em Viseu. Quando se olha para os fogos do Sabugal percebe-se melhor o que Portugal e as suas elites fizeram ao Interior: desprezaram-no para sempre. Isto não tem a ver com recuperação económica, equilíbrio financeiro da segurança social, com auto-estradas ou aeroportos. Tem a ver com um País esquecido pelas suas elites.
Fernando Sobral (fsobral@negocios.pt)»

Infelizmente a nossa terra é notícia pelos piores motivos. É um Sabugal desiludido que ficou muito mais pobre em Setembro de 2009. Com estes trágicos incêndios percebemos todos que terminou o tempo de governar só a olhar para dentro.
O próximo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal deverá ter capacidade para reinvindicar junto das «elites políticas» – referidas por Fernando Sobral – aquilo a que temos tanto ou mais direito que as populações urbanas do litoral.
O próximo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal não vai ter tempo para se sentar na cadeirão do gabinete da presidência.
O próximo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal deverá estar disposto a fazer milhares de quilómetros na A23 de ida e volta à capital do Império.
O próximo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal deverá pedir o apoio de todos os sabugalenses que ocupam lugares de destaque na função pública e nas empresas privadas por todo o país e na emigração.
O próximo Presidente da Câmara Municipal do Sabugal deverá convidá-los a assinar um compromisso de honra de disponibilidade em defesa do concelho do Sabugal. Assim o futuro Presidente da Câmara Municipal do Sabugal o queira e deseje. Antes que seja tarde de mais…
jcl

271 751 045. A Câmara Municipal do Sabugal disponibilizou esta quarta-feira, 2 de Setembro, no portal oficial na Internet uma linha telefónica de apoio para emergências relacionadas com os incêndios.

Concelho do SabugalMais vale tarde do que nunca. A linha telefónica de apoio para emergências de incêndios agora disponibilizada pela Câmara Municipal do Sabugal no portal oficial na web tem o número 271 751 045.
Um comentário editado no Capeia Arraiana na terça-feira, 1 de Setembro, às 13:30 horas e assinado por Elvira Rebelo dizia o seguinte:

«Até agora os responsáveis pela Câmara ainda não tiveram uma palavra de aconselhamento às populações. Porquê?
Até agora ainda não foi disponibilizada nenhuma linha telefónica de emergência para as populações. Porquê?
Será que já ouviram falar em Gabinete de Crise?
O site da Câmara continua alegremente a falar da festa da europa e das capeias arraianas. Porquê?
No entanto ouvi dizer que vai ser pedida uma indemnização ao Governo.
Definitivamente estes responsáveis não estavam preparados e não sabem lidar com uma crise desta grandeza.
Elvira Rebelo»

Os responsáveis acordaram (foram empurrados) para a realidade e disponibilizaram, agora, uma linha telefónica depois do rescaldo do incêndio. «Depois de casa roubada, trancas na porta» diz um velho ditado português. Não queremos (não quer concerteza a nossa leitora Elvira Rebelo) os louros em momento tão trágico mas também não aceitamos que alguns (os do costume) se preparem para os habituais comentários de que nada se pode dizer para não ser carimbado com um cunho político em tempo de eleições.
Estas linhas estão a ser escritas no dia 3 de Setembro de 2009 mas podiam, igualmente, ser escritas no dia 3 de Setembro de 2008 ou, se Deus quiser, no dia 3 de Setembro de 2010.
Muita coisa correu mal na derrocada que vitimou, recentemente, alguns cidadãos na praia no Algarve. Com ou sem responsabilidade o Governo vai ser chamado para dar explicações e defender-se no Parlamento.
E muito ainda falta explicar sobre o Plano Municipal de Emergência do Sabugal. Tranquilamente e sem pressões eleitorais até porque não há vítimas humanas a lamentar.
E já agora transmitam ao senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal (que não lê o Blogue Capeia Arraiana e só governou para os que vivem no Sabugal 365 dias por ano) que diga aos sabugalenses o que pensa sobre esta imensa desgraça. Aqui ficam algumas perguntas públicas:
– Qual foi a área ardida no concelho do Sabugal desde as duas horas da manhã de domingo, 30 de Agosto?
– Quem é o responsável pelos serviços municipais de protecção civil no Sabugal?
– Porque é que o Plano Municipal de Emergência só foi activado na madrugada (1:43 horas) de terça-feira, 1 de Setembro de 2009?
– Em que consiste o Plano Municipal de Emergência? Quando foi aprovado?
– Quantas reuniões comuns já tiveram os elementos responsáveis pelas diferentes áreas?
e…
– Porque não foi divulgada (comunicada, «emeilada», berrada) de modo visível e publicamente uma linha telefónica de emergência para as populações desde as primeiras horas do trágico incêndio?

Aos cinco candidatos à presidência à Câmara Municipal do Sabugal apenas deixo duas questão que gostaria de ver respondidas publicamente:
– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?

1 – A desculpa de que devemos ficar calados porque estamos em tempo de eleições só pode ser utilizada por acomodados ou comprometidos. Mesmo em tempo de eleições os cargos públicos continuam a ser remunerados ou será que foram todos de licença sem vencimento?
2 – Os que pagam a contribuição autárquica sobre casas e terrenos, o contador da água e a taxa do «lixo» 12 meses por ano apesar de não viverem no concelho os tais 365 dias também podem ser considerados sabugalenses? Ou não?
3 – Sobre projectos, projectos e projectos que já são uma realidade antes de o serem nós aqui no Capeia Arraiana tentamos, sempre que possível, dar apenas… notícias verdadeiras.
4 – A declaração do senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal de que, e passamos a citar, «só governei para os que vivem 365 dias por ano no Sabugal» foi proferida no RaiaHotel durante a apresentação dos elementos da lista do candidato António Robalo à Câmara Municipal do Sabugal. É um declaração politicamente incorrecta que não se deve pensar e muito menos se deve dizer em público. Estive presente na sala e uma declaração desta gravidade causou-me um enorme desconforto pessoal. No melhor pano cai a nódoa e fui obrigado a rever o que pensava do político e governante Manuel Rito. O meu pai ensinou-me que «na vida não vale tudo».

«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

GALERIA DE IMAGENS – 30-8-2009
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Fotos Cláudia Bispo – Clique nas imagens para ampliar

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data: 30 de Agosto de 2009.
Local: Restaurante Robalo no Sabugal.
Legenda: A avó (Maria da Trindade), ladeada pela filha (Ilda) e pela neta (Delfina). A avó tem 87 anos e entre cada uma há 18 de diferença, sendo todas naturais de Famalicão da Serra. A neta está radicada no Sabugal e ocupa o segundo lugar na lista do PSD à Câmara.
Autoria: Capeia Arraiana.
Clique na imagem para ampliar

A reportagem televisiva sobre a Feira Franca do Largo do Castelo do Sabugal tem a assinatura da LocalVisãoTv um dos Media Partners da iniciativa da «Casa do Castelo», do CyberCafé «O Bardo» e do Município do Sabugal. A ideia de revitalizar o Largo do Castelo foi um enorme êxito e está aprovadíssima. A partir de agora – no último domingo de cada mês – visite e participe na Feira Franca do Sabugal.

Hoje destacamos o jornal «Público» pela sua chamada de primeira página à tragédia que se abateu sobre o concelho do Sabugal. A foto a quatro colunas de Nélson Garrido está titulada «Três dias de fogo devoram floresta de um concelho pobre».

«Maria de Lurdes salvou as vacas do incêndio, mas perdeu as cabras» é o título da crónica da jornalista Ana Cristina Pereira sobre os trágicos incêndios no concelho do Sabugal que merece honras de primeira página, esta quarta-feira, no jornal «Público».
O Capeia Arraiana reproduz, de seguida, o excelente artigo do jornal «Público» onde «ouvimos», mais uma vez, o relato na primeira pessoa de estórias de sabugalenses humildes que viram a sua vida dramaticamente alterada por mais de 50 horas de terror provocadas pelos incêndios incontroláveis que tudo destruíram.

«Uma galinha andou a esgravatar atrás da casa de Maria de Lurdes Esteves e pôs um ovo no caminho de terra batida. Atrás da casa, quase não há mato para fazer ninho. As chamas cobriram tudo de negro. “Está tudo desgraçado. Lá foram cinco cabras, dois palheiros de feno, dois carros de bois.”
O seu olhar estende-se até ao cimo do monte. “Passaram aí a dizer para botar os animais na rua.” Obedeceu. A noite engolira o domingo. Quinta da Ribeira da Nave, no Sabugal, transformara-se num “inferno”. As chamas cercaram a casa. “Para onde fugir com os animais?”
O vizinho, Orlindo Pires, julgou-a apoquentada. Mas a Quinta de Ribeira da Nave vivia o pior sinistro desta época de incêndios. Ele também “estava numa aflição”: “Nós até a água da piscina tirámos para ajudar os bombeiros!” E perderam carvalhos, macieiras, pessegueiros, vinhas, um palheiro de feno.
O incêndio deflagrou por volta da 1h00 de domingo entre a Moita e o Casteleiro. Chegou a ser dado como extinto à hora do almoço. Domingo à tarde, descontrolou-se. Na segunda-feira, tornou a parecer domado e a descontrolar-se. E ontem também.
No domingo à noite, como muitos vizinhos, o marido de Maria de Lurdes ocupou-se da casa. Pôs-se a regá-la. Tantos fardos de feno armazenados nas traseiras! “Se o lume chegava ao feno, ia casa, ia tudo.” A mulher pegou nas duas vacas e levou-as para o ribeiro que corre, fino, a uns metros. Três bombeiros mergulhavam as cabeças no poço. O fumo era denso. Ardiam-lhes os olhos. Salvou as vacas, as três galinhas, o burro. As cabras é que não. “Bem as ouvia berrar!”
Por volta das cinco da manhã de segunda-feira, uma bombeira pediu para usar a casa de banho dos Pires e perguntou se não havia fruta. Carmelinda Pires, que “é muita dada”, pegou na fruta que tinha e deu-a toda. E leite, pão, queijo, presunto.
Na segunda à tarde, Orlindo correu para Dirão da Rua.”Até os pés se me desgastaram de tanto andar.” Tem feridas nos dedos. “Os bombeiros não conseguem fazer tudo. Já viu a extensão do fogo?” Alguns especialistas falam em 15 mil hectares. Em redor das povoações de Sortelha, Urgueira, Santo António, Alagoas, Moita, Casteleiro, Santo Estevão, Pêga… Pouco escapou no concelho. “Um homem com 150 ovelhas já foi ao Fundão ver se lhe alugam umas quintas.”
Ontem, quando Orlindo saiu de Dirão da Rua eram já umas 9h00. Por volta dessa hora, o namorado de Sara Ferreira viu lume na estrada que liga Sortelha ao Sabugal. Chamou-a. Veio ela, o namorado, o irmão, o padrinho, os pais, com pás, com ramos a tentar salvar o pasto da vizinha. Os moradores mal se têm deitado. “Os fogos andam tanto!”
À hora do almoço, no posto de comando montado no Espinhal, descansavam dezenas de bombeiros de norte a sul do país. O comandante Operacional Distrital da Guarda, António Fonseca, dava uma volta pelo terreno: “Temos homens espalhados por todo o perímetro, neste momento está tudo controlado.” Às 14h56, o sinistro reacendia-se em Quinta do Anascer e para lá eram mobilizados 340 elementos apoiados por 114 viaturas, um helicóptero de ataque inicial, um helicóptero bombardeiro pesado, dois aviões de ataque inicial e três aviões bombardeiros pesados. Entraria em rescaldo às 21h00.
Desolada, Maria de Lurdes já nem dava pelo movimento. Quando o seu “inferno” acabou, levou as mãos ao céu: “Graças a Deus, salvou-se este abrigo de gente pobre.” Ainda esperou pelo regresso das cabras. Só uma o fez: “Coitadinha. Está toda inchada. Está toda queimada. Está cega. Nem come.” Maria de Lurdes não espera que ela se salve. Um vizinho já lhe ofereceu uma cabrinha. O campo de milho “está tostado”. Nem imagina como estarão as batatas debaixo da terra. “Eu e o meu marido não sabemos ler. Donde a gente se governa é no campo. Foi donde a gente criou os filhos.”
Nem reforma tem ainda: “Nunca paguei Caixa. Até para pagar a do meu homem era à rasca!” Foi à Segurança Social em Abril, depois de completar 65 anos. Mandaram-lhe uma carta a pedir uma fotocópia do bilhete de identidade. Levou-a um vizinho. Ela dera “cabo do pé esquerdo – não podia andar”. E não tem dinheiro para táxi.
jcl (com jornal «Público»)

Fazendo um périplo de fim-de-semana pela Beira Interior reparei nos inúmeros placards de propaganda das eleições autárquicas espalhados pelas terras; da mais humilde aldeia à mais conhecida cidade. Existem com as mais diversas frases, situações e ao gosto do freguês.

João ValenteNuma freguesia, o candidato da oposição foi deliberadamente tapado por um pavilhão de festa; numa vila, o placard à porta do café frequentado pelo autarca da terra, lembra-lhe provocatoriamente que «está na hora da mudança»; numa outra cidade o candidato da oposição intitula-se o «ciclone da mudança» contra a teimosia do candidato da situação que persiste em «seguir em frente».
O candidato tapado parece jogar à cabra-cega com os eleitores, mas ninguém faz caso; o autarca da pequena vila continua, indiferente, a reunir-se em tertúlia e a beber uns palhetes com os amigos, certo da reeleição; Na dita cidade corre a piada que o ciclone não é mais que uma pequena brisa de Outono que passará com a folha.
Isto das eleições autárquicas, é um engano para entreter! A multidão de candidatos leva a campanha com o mesmo ar fino da burguesia queirosiana pela ópera! Sabem tanto de política e da coisa pública como aqueles percebiam do bel canto! Vão nas listas como as damas de fins de século XIX subiam às frisas do S. Carlos para exibir as toilettes. Uma ideia coerente, pensada, um projecto global e integrado para os respectivos concelhos… Raro!
Fazem-se as listas, como um convite para uma súcia de fim de dia, uma cerveja na esplanada da esquina. O critério é a amizade, o conhecimento pessoal, a camaradagem e cumplicidade, fazer número para completar os lugares; raramente a inteligência e a competência.
Se esta gente não sabe elaborar um programa nem listas, para que se candidatam? Poupem-se os metros quadrados de placards eleitorais, na tinta, o papel!
Eis, resumidamente, o estado do concelho do Sabugal, a dados de 2004 do INE, para descermos à realidade:
– Em 14.222 habitantes apenas 2.841 são jovens até aos 24 anos! 19,7%… Há lá terra mais pobre que isto? Onde não há juventude não há futuro!
– Em 2.614 explorações agrícolas nada (3 hl vinho e 200 de azeite) se produz!
– 124 obras novas num universo de 40 freguesias! 124… uma insignificância; mas a estatística não conta as portas que se fecham… os telhados caídos…
– Capacidade hoteleira e camas, zero! Penso que já algumas actualmente… 20? 30? 40? Mas que é isso para a aptidão turística do concelho?
– Índice de poder de compra, 51,6% da média nacional! A tal qualidade de vida que falta…
– Investimentos por habitante, 549,8 euros! Trocos…
– E mais não dou ao rol, para não enfastiar o leitor…
Sabem o que diga, meus amigos? Que Deus volte os seus olhos, um momento, para esta pobre terra, e ilumine o engenheiro Robalo, para que sendo eleito como inevitavelmente parece, possa discernir e ter as soluções certas para o bem de todos.
Isto só já lá vai com intervenção divina!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Foi há 79 anos que foi erguido o hospital do Sabugal, equipamento que permitiu dar assistência na doença a uma população de mais de 36 mil habitantes que passava tempos difíceis.

hospitalEm 1995 tive ocasião de entrevistar para o jornal Sabugal, órgão informativo da Casa do Concelho do Sabugal, um grande sabugalense: o Ti Zé Cacau.
O velho carpinteiro, entretanto falecido, proporcionou-me a mais bela entrevista que já fiz e que, um dia, aqui reproduzirei. No meio da conversa, em que o Ti Cacau evocou os tempos antigos do Sabugal, falou-se na cerimónia de inauguração do hospital, onde o entrevistado estivera presente. Sendo senhor de uma memória prodigiosa, o Ti Cacau contou algo que recordava limpidamente:
«Da abertura do hospital, ainda recordo uma palavra do Padre Velho, de nome Manuel Nabais Caldeira, que a chorar disse: «Estou com os pés na sepultura, mas peço-lhes que nunca abandonem esta casa».
A recordação das palavras comovidas do velho carpinteiro foi-me agora proporcionada pelas preciosas fotografias e textos de João Duarte, que retratam os Cortejos de Oferendas, pelos quais se recolhiam donativos para construir e manter em funcionamento aquele equipamento público.
A história da construção do hospital do Sabugal merece ser contada. No frontispício do edifício, desde há quinze anos transformado em lar de idosos, está inscrita uma data: 1930. É essa a fotografia que ilustra este pequeno artigo e que serve de mote para o desafio que faço a que outros, à semelhança do João Duarte, contribuam para a recomposição da história do hospital do Sabugal.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

O presidente da Câmara do Sabugal não afasta a hipótese de pedir ao Governo a declaração do estatuto de calamidade pública, devido à vaga de incêndios no concelho nos últimos dias.

incendioEsta tarde, em declarações à estação de rádio TSF, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, disse que os prejuízos ainda não foram totalmente contabilizados, mas mostrou-se convicto de que serão bastante elevados: «Os principais prejuízos são na agricultura, arderam principalmente pastos, palheiros, olival e vinha». Mas para se ter uma ideia da dimensão do problema é necessário deitar contas aos prejuízos: «Tudo será equacionado em função da avaliação que vamos fazer», concluiu o autarca.
Desde a madrugada de domingo que o concelho tem sido atingido por vários incêndios de grande dimensão, os quais causaram avultados prejuízos à população.
Manuel Rito espera que ainda esta semana se conclua a avaliação dos prejuízos em todo o concelho, para então decidir se pede ao Governo a declaração do estatuto de calamidade pública, via necessária para que o concelho receba apoios públicos para fazer face à catástrofe.
plb

O presidente da Junta de Freguesia da Aldeia Histórica de Sortelha, no Sabugal, adiantou hoje à agência Lusa que o incêndio que começou no sábado à noite em Ribeira da Nave causou «prejuízos elevados e os animais ficaram sem alimentos».

Luís Paulo«A área da freguesia ardeu toda», disse à agência Lusa Luís Paulo, presidente da Junta de Freguesia da Aldeia Histórica de Sortelha, recordando que é a segunda maior freguesia em área do concelho do Sabugal com cerca de 43 quilómetros quadrados.
O autarca contou que o fogo deixou um rasto de destruição na zona, causando «prejuízos elevados que ainda não estão contabilizados, queimou animais, arrecadações agrícolas e árvores, sobretudo castanheiros e oliveiras».
Os habitantes das povoações vizinhas, rodeadas pelas chamas, contaram à Lusa que não dormiram durante a noite, tendo ficado «a guardar o fogo, para que não chegasse às casas».
«Durante a noite o fogo atacou mais a povoação da Moita, mas de manhã chegou aqui ao Casteleiro. Deitei-me por volta da uma da manhã mas não consegui dormir e alguns vizinhos estiveram acordados toda a noite», contou Micaela Marques, 77 anos, moradora na aldeia de Casteleiro.
Na vizinha localidade de Terreiro das Bruxas, Maria Fernandes, 68 anos, relatou à Lusa que «foi tudo muito rápido e a aldeia foi lambida pelo fogo, que chegou mesmo às casas porque o vento mudou muito depressa e quando demos conta estava já aqui na povoação onde destruiu oliveiras e carvalhos e pôs uma padaria em perigo».
Na aldeia de Urgueira, também fustigada pelas chamas, Maria Nabais, relatou que «o fogo andou de volta do povo mas não arderam casas». «O meu marido esteve toda a noite a vigiar o fogo e não dormiu», contou.

Tragédias contadas na primeira pessoa e que nos atingem a todos.
jcl

Segundo informação da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) deu-se uma reactivação do incêndio da Quinta do Anascer com o combate a evoluir favoravelmente. Foram activados o Plano Municipal de Emergência, o Comandante das Operações de Socorro (COS) e o Comandante Operacional Distrital. O Posto de Comando Operacional (PCO) está situado junto ao depósito de água no Alto do Espinhal. Estão a combater o incêndio da Quinta do Anascer 340 bombeiros, 113 viaturas e sete meios aéreos – dois helicópteros, dois aviões de ataque inicial e três aviões bombardeiros, dois deles Canadair espanhóis.

MAPA DO INCÊNDIO – SABUGAL – 31-8 / 1-9-2009
QUINTA DO ANASCER – NÃO CIRCUNSCRITO
1-9-2009
10:15 Accionados 2 aviões bombardeiros pesados Canadair espanhóis
9:30 Accionado 1 helicóptero bombardeiro pesado Kamov
7:30 Accionados 2 aviões bombardeiros pesados Canadair
2:48 Incêndio circunscrito
2:22 Veículo de planeamento, comando e comunicações no local
2:15 Grupo de reforço para combate a incêndios florestais
de Castelo Branco no local
2:14 Grupo de reforço para combate a incêndios florestais
de Portalegre no local
Grupo de reforço para combate a incêndios florestais
de Évora no local
2:13 Grupo de reforço para combate a incêndios florestais
de Santarém no local
0:43 Activado o Plano Municipal de Emergência
do Município do Sabugal
0:16 Comandante das Operações de Socorro (COS)
Comandante do Corpo de Bombeiros de Belmonte
31-8-2009
21.50 Veículo de planeamento, comando e comunicações no local
21:33 Incêndio com duas frentes activas
12:11 Comandante das Operações de Socorro (COS)
2.º Comandante Operacional Distrital de Castelo Branco
11:10 Incêndio com duas frentes activas
11:09 Comandante das Operações de Socorro (COS)
2.º Comandante Operacional Distrital de Castelo Branco
11:07 Posto de Comando Operacional (PCO) situado junto
à Barragem de Escarigo
9:15 Veículo de planeamento, comando e comunicações a caminho

jcl

«Um conflito armado entre nações horroriza-nos. Mas a guerra económica não é melhor que um conflito armado (…). Uma guerra económica é uma tortura prolongada. E os seus estragos não são menos terríveis que aqueles descritos na literatura da guerra propriamente dita». M.K. Gandhi.

António EmidioPerguntaram-me, porque dizem que dei a entender no meu artigo, «Portugal e Espanha – fragmentos do passado», que não estamos livres de uma ditadura idêntica à de Salazar/Caetano, como é possível?
Leitor(a), Salazar, Caetano, O Estado Novo, o Império Colonial, Deus, Pátria, Autoridade, já não voltam mais, pertencem ao cemitério da história.
Esta sociedade, a liberal, ou modernamente neoliberal, foi no princípio uma sociedade baseada na liberdade e contra o absolutismo, no respeito e na dignidade humana. Presentemente, não só em Portugal, mas na esmagadora maioria dos países do Mundo, é o regime político-económico imperante, tornou-se sinónimo de corrupção, guerra, exploração do homem pelo homem, destruição do meio ambiente, luta de todos contra todos, medo e aniquilamento de valores que toda a vida o homem conheceu e respeitou. A actual fase histórica que nos está a tocar viver, caracteriza-se pela preponderância da economia sobre qualquer outro valor inerente à condição humana. A única meta deste sistema é o lucro das empresas. O homem passou a ser uma peça de uma engrenagem económica.
O progresso, a modernidade, a tecnologia, a ciência, têm por um lado a capacidade de nos libertar, mas têm por outro o perigo da opressão, do autoritarismo e da ditadura. O momento em que o homem atingiu historicamente o seu máximo de tecnologia e ciência, antes dos dias de hoje, claro, foi durante a Segunda Guerra Mundial, o que aconteceu? Campos de extermínio como Auschwitz e os gulags russos, crimes monstruosos como Hirochima e Nagasaki.
A presente democracia, é uma democracia formal, eu pessoalmente sinto que a minha liberdade é uma coisa abstracta. É-me dada a liberdade de escolha cada quatro anos, mas o pensamento e a acção governativa dos escolhidos, difere na forma, não no conteúdo. Temos alternância, mas não temos alternativa. É o que se chama o pensamento único. O caminho mais directo para o autoritarismo e a ditadura.
Os governos (Estados) são cada vez mais autoritários, nós portugueses temos, infelizmente, um exemplo flagrante, no actual governo dito socialista de José Sócrates. Vamos avivar a memória de alguns leitores(as):
23 de Novembro de 2006, passeio de descontentamento de militares no Rossio, foram identificados dezenas deles, 12 levaram processos disciplinares, e um cumpriu uma pena na íntegra.
2 de Março de 2007, soldados da Guarda Nacional Republicana entraram nas instalações da Câmara de Avis, para identificar e listar o número dos funcionários dessa Câmara que iriam participar na Acção Nacional, convocada pela CGTP, com o lema «Juntos por uma mudança de políticas».
8 de Outubro de 2007, dois agentes da polícia entraram na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro na Covilhã, como não havia qualquer dirigente, porque estavam em actividade, levaram com eles dois documentos de informação.
Ficamos por aqui em matéria policial, há um pormenor que as pessoas conhecem, mas ao mesmo tempo desconhecem o seu objectivo. A arrogância. A arrogância é um instrumento mediante o qual se molda o povo ao governo (Estado), é um instrumento de submissão e obediência, é a condição sócio-psicológica do totalitarismo, é o poder na sua forma mais crua.
Repito, os governos e os estados estão cada vez mais autoritários, cada vez nos vigiam mais com Câmaras de vídeo, escutas telefónicas e interferências nos e-mails. O mesmo acontece com os nossos dados pessoais, conhecem as nossas contas bancárias, as dividas ou não, ao fisco (do cidadão comum), a nossa ideologia, a nossa religião, e até a tendência sexual.
Já não há presos políticos, os que denunciam tudo isto, e se revoltam, silenciam-nos, retiram-nos das tribunas públicas e dos meios de comunicação ao serviço do sistema.
Autoritarismo ou Democracia? Tudo depende de nós. Se não nos mobilizarmos, a ditadura da economia vai tornar-se uma realidade bem brutal. O grande capital, reprime quando se vê ameaçado, e utiliza a violência para se defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

CONFRARIA BUCHO RAIANO

III CAPÍTULO E ENTRONIZAÇÃO
18 de Fevereiro de 2012

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