Há quem pense numa união política dos dois países ibéricos, Portugal e Espanha. Não faz grande sentido, segundo a minha opinião.

António EmidioAinda há duas ou três semanas a ETA – grupo separatista basco – matou dois guardas-civis. Esta é uma das razões pelas quais eu digo que não faz sentido uma Federação Ibérica.
Quando alguns, e não tão poucos como nos quer fazer crer a comunicação social espanhola, pensam e tentam separar de Espanha o País Basco, a Catalunha, a Galiza, e possivelmente mais províncias, outros preparam-se para converter Portugal e Espanha num único Estado! Sim, eu sei, que Espanha é um grande sócio comercial de Portugal, há muitas empresas espanholas em Portugal, há empresas portuguesas em Espanha, e agora com o mercado único e livre comércio europeus, muitos portugueses vêem nisso o factor decisivo para o desenvolvimento económico de Portugal. Sem dúvida que tem de ser incrementado um maior grau de colaboração económica, mas isso não significa um só Estado.
O dinheiro não é tudo, digo eu, também não sou um rançoso nacionalista, por isso digo o seguinte: uma Confederação Ibérica, não de Estados, mas de nacionalidades, como a Galega, a Portuguesa, a Catalã, a Basca etc. Republicanas! Era aceitável, mas os dois países fundirem-se num só Estado, já não é de aceitar, pelo menos para mim. Passávamos a ser monárquicos ou republicanos? Que língua falaríamos? Em Espanha a língua oficial é o Castelhano, será que depois toda a Península falaria Português?… Qual seria a bandeira símbolo, a portuguesa ou a espanhola? Enfim, toda uma série de grandes pormenores que não cabem aqui.
É verdade, que se dermos uma vista de olhos à história, ela mostra-nos que o que sempre separou Portugal e a Espanha, não foram questões culturais, mas sim questões políticas, também nos mostra a idêntica experiência da Reconquista, dos Descobrimentos, e a célebre «Tradição Ibérica»: autoritarismo, catolicismo e semi-feudalismo. Ambos nos libertámos desta «Tradição» ao mesmo tempo, nós portugueses com a nossa Revolução, e os espanhóis com a sua Transição.
Como atrás referi, tem de haver um maior grau de colaboração económica e cultural. Este incremento cultural e económico está também a ser feito no nosso Concelho. O Concelho do Sabugal não é uma ilha, como alguns pensam, pertence ao Mundo à Europa, e geograficamente está situado na Península Ibérica. Felizmente que houve, e há autarcas que fizeram e fazem um grandes esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica, com as populações do outro lado da fronteira. São os precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São traços de União entre povos, são símbolos de paz e de progresso.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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