Visitando esta aldeia da Beira Baixa não se consegue adivinhar a sua importância e riqueza de outrora. Foi fundada no século I a.C., sendo então capital da circunscrição administrativa romana Cívicas Igaeditanorum.
IDANHA-A-VELHA – Embora não se saiba muito sobre a vida em Idanha-a-Velha nesta época, os historiadores pensam que tenha tido uma fase de grande enriquecimento, até porque era um ponto de paragem na grande estrada peninsular que ligava Emérita Augusta (Mérida) a Braccara Augusta (Braga). A povoação estendia-se da entrada norte até às margens do rio Ponsul, que delimita a sudoeste e oeste. No centro situava-se o fórum, um espaço rectangular contornado por um muro, que tinha na cabeceira Oeste um templo dedicado a Vénus. A Sul, deveriam ficar as termas. Nos séculos III e IV d.C., foi construída uma muralha que apenas protegia parte da povoação, a qual não foi suficiente para evitar que Idanha-a-Velha, tenha passado para as mãos dos Suevos no século V. Aliás, todos os indícios apontam para que a muralha tenha sido reconstruída por diversos conquistadores ao longo do tempo.
Do período de domínio dos Suevos destaca-se a criação da diocese da Egitânia, por decisão do rei Teodomiro no ano de 569, dirigida a partir de Idanha-a-Velha. Em 585 passa a integrar o reino visigótico e a cunhar a sua própria moeda em ouro.
A actual Sé Catedral deverá ser uma evolução de uma primitiva edificação visigótica e o baptistério junto à porta Sul da Sé, uma herança da primeira basílica paleocristã da antiga vila. Deverá ter sido um templo suevo transformando em catedral pelos bispos visigodos que, depois, foi sofrendo várias obras até se chegar à construção que hoje pode ser visitado.
Em 713, Idanha-a-Velha conhece novos ocupantes. Desta vez, os muçulmanos. A prosperidade aumenta e Idanha-a-Velha cresce atingindo a dimensão de centros urbanos como Silves, Beja e Lisboa, bastantes relevantes na época. A Sé Catedral visigótica terá sido transformada em Mesquita, na qual se realizaram obras de reestruturação e acréscimos. A porta norte foi construída nesta altura.
A reconquista cristã foi complicada. D. Afonso Henriques entregou-a à Ordem do Templários. Contudo, viria a ser reconquistada pelos mouros, sendo libertada por D. Sancho I que a doa novamente aos Templários. No entanto, os muçulmanos voltariam a ocupá-la. Assim, não é de estranhar que Idanha-a-Velha esteja já numa fase de decadência quando D. Sancho II a entrega mais uma vez à Ordem dos Templários, em 1244. Da época do governo dos Templários destaca-se a torre que foi construída sobre o podium do fórum.
O empobrecimento de Idanha-a-Velha agravou-se com a deslocação das fronteiras mais para Sul e Leste, alterando com isso os eixos estratégicos e militares. Além disso, é um local com pouca aptidão defensiva. Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I concede-lhe um foral novo. Esta feita tentativa para restituir à cidade a importância de outrora.
Situada a 15 km de Idanha-a-Nova, sede de concelho, e a 31 km das Termas de Monfortinho – que faz fronteira com Espanha – , Idanha-a-Velha é conhecida pela sua beleza natural e pelas suas características de um museu aberto, ideal para quem gosta de turismo cultural e de embeber-se das paisagens que emolduram a história.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com

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