O presidente da Junta de Freguesia da Bismula, José Agusto Vaz, entendeu clarificar as afirmações que foram motivo de pedido de explicações por parte de Manuel Rito, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, durante a última Assembleia Municipal realizada no passado dia 26 de Junho.

José Augusto Vaz«Artigo 19.º – Liberdade de expressão e de informação
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”.

Para clarificar um pouco a situação, vou tentar separar as peças de fruta nesta salada mista:
– Na recepção que o Sr. Presidente da Câmara me concedeu nos finais de Maio passado, no seu gabinete, a que assistiu o Sr. Dias, não é verdade que me tenha referido que “as delegações de competências pressupunham uma relação de confiança entre delegante e delegado”. Puxando pelo jornal “Nordeste da Bismula, n.º 108”, uma publicação legal inscrita no ICS, e do qual sou seu director está escrito:
“No início do ano escolar, o Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Sabugal, Sr. António Robalo, achou por bem fechar a escola da Bismula, transferindo os alunos para a Ruvina. Não nos foi fácil aceitar o encerramento da nossa escola, mas sendo-nos apresentado o facto consumado, fizemos o possível e o impossível para que as portas da escola continuassem abertas. Em vão. De nada valeram as nossas razões apresentadas. Tivemos que aceitar a força da evidência. É a triste sina das aldeias que uma após outra envelhecem e ficam sem crianças, sem renovação, caminhando para o seu despovoamento.”
Esclareço que no ano lectivo 2007/08 esta escola funcionou com 12 alunos e em 2008/2009 já não chegaria à dezena e nem todos eram da Bismula. Mas, então, Sr. Vereador? Não houve em 2008, no concelho, escolas a funcionar, como o Sr. disse “a titulo excepcional”, com menos de 10 alunos? Ou será que, tendo o Senhor Vereador Robalo decidido ser candidato à Câmara quis, com este gesto, demonstrar o seu interesse pela sua terra, a Ruvina, onde não têm nascido crianças? Mais palavras para quê?… Se é Senhor Vereador Robalo ou a Administração Central a ordenar o fecho das escolas, nada disso me interessa, mas que foi o Sr. vereador Robalo a dar-me a notícia numa reunião de Presidentes de Junta havida na Biblioteca, é um facto indesmentível!
Mais afirmou o Sr. Presidente da Câmara nessa recepção que este assunto não era relevante, e que me ia mandar fazer a Delegação de Competências.
Quando eu na minha réplica à censura da minha opinião por parte do Sr. Presidente da Câmara, na Assembleia Municipal, referi que “o cerne da questão não está aí … que era preciso definir se havia ou não delegação de competências”, referia-me a um texto que eu publiquei no blogue do candidato do Partido Socialista, Sr. António Dionísio (Toni), no passado dia 1 de Junho com o titulo:
“A Importância de um Candidato…” e “O Toni é mesmo uma grande opção para Câmara Municipal do Sabugal”…
Foi este texto que, nesse mesmo dia, me foi citado na Câmara como sendo o móbil da oposição por parte do Sr. Vereador Robalo à concessão da Delegação de Competências, pois para me ser dada teria de o apoiar… é assim que a coisa funciona. Disseram-me. Triste método que fiquei a saber, mas que comigo, deixei logo bem claro, não colava.
Não está escrito nem implícito no meu texto escrito no dia seguinte a esta informação, com o titulo “Uma Represália politica na Câmara Municipal de Sabugal“, que eu tenha acusado o Sr. Presidente da Câmara de me negar algo. Não! Essa questão é uma questão falsa. Se acha estranho que não seja consigo, Sr. Presidente, aconselho-o a ler novamente o texto. Mas não podemos ir para além do conteúdo semântico dos signos linguísticos.
Ainda na minha tréplica na Assembleia Municipal, o substantivo “desculpa” que eu referi não foi qualquer sinal de desculpas da minha parte, e muito menos a exigida abjuração do que escrevi, mas e tão só a minha educação a vir à tona, porque entendi que o Sr. Presidente da Câmara não estava a perceber nada do assunto a que eu me referia. Isso aconteceu noutros tempos remotos com Galileu que para além das insídias e perseguições de que foi alvo teve de abjurar das suas certezas. O cerne da questão está, de facto, no texto que escrevi para o blogue de apoio do Candidato à Câmara pelo Partido Socialista, Sr. António Dionísio, que o Sr. Presidente não teria lido! E que foi objecto da estranha reacção do Sr. vereador Robalo.
Não me venham com esses factos, razões ou argumentos não provados e mesmo improváveis. Isso comigo não dá.
Deixe que lhe diga, Sr. Presidente. Isso é deprimente, não o julgava capaz descer essa escada!
Quanto à Assembleia Municipal: a julgar por aquilo que ali se viu e ouviu: desde a imposição clara da censura por parte do executivo às politiquices e politiqueiros que nada resolvem; a mesma ética baixa para com o Presidente da Câmara que foi novamente acusado de não falar verdade; o voto contra do Sr. Presidente da Assembleia, curiosamente a pessoa que deu a mão ao actual Presidente e o colocou na cadeira do poder, algo vai mal no reino de Sua majestade. Todavia, mantenho, um pouco absurdamente, a expectativa de que um dia a alegre mediocridade reinante na Assembleia dê lugar à verdadeira discussão de ideias e projectos necessários ao concelho, em estreita relação com a responsabilidade social que nos rodeia, questão ligada à área do dever, das obrigações morais e legais, cruzando-se com o conceito de Ética e de cidadania. Onde estas reacções espaventosas não tenham lugar e afastem este ilusionismo eleitoral.
Enfim… venha a salada de fruta… e que bem que sabia!!!
José Agusto Vaz (Presidente da Junta de Bismula)
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