Recebemos do Presidente da Junta de Freguesia da Bismula, José Augusto Vaz, o seguinte texto, com pedido de publicação no Capeia Arraiana, pelo que o publicamos na íntegra.

José Augusto VazSou um militante do Partido Socialista, tendo concorrido à Junta de Freguesia de Bismula com esta bandeira e sido eleito com larga maioria. Mas na Câmara de Sabugal, ganha pelos sociais democratas, cedo os estereótipos latentes se vão revelando resultantes em falsas generalizações de ideias preconcebidas fundadas na inclemência do magno presidente da Câmara e na sua ambição de tudo controlar omnimodamente.
Convivendo com este handicap passei três anos e meio do mandato, a ouvir desculpas esfarrapadas quanto a uma delegação de competências para pavimentar diversas ruas da minha freguesia, ainda de terra batida.
Porém, a minha maior surpresa veio no dia um de Junho corrente, quando a malfadada delegação de competências me foi negada, recebendo em troca uma reprimenda por apoiar o candidato do Partido Socialista à Câmara, por certo o meu candidato, e não o candidato do executivo, que considero da continuidade das obras megalómanas, sem capacidade para dar qualidade e sustentabilidade a um projecto de desenvolvimento que o concelho há muito carece e eu defendo.
Ainda, no dia 24 de Abril passado, fiquei atónico por não ter tido atenção ao dito popular «se vires as barbas do teu vizinho a arder põe as tuas de molho», quando, em plena Assembleia Municipal, o Presidente da Câmara foi apelidado de «mentiroso» pelo Presidente da Junta de Freguesia de Vale de Espinho, por idêntica atitude.
Pondo em prática uma parcial distribuição da riqueza do concelho, umas freguesias têm tudo, auditórios, caminhos rurais e ruas pavimentados, enquanto outras freguesias não têm sequer um salão e parte das suas ruas são de terra batida, dispondo apenas das míseras verbas de capital, do arranjo de caminhos e da limpeza da povoação.
Desta maneira, fiquei com raiva, muita raiva de mim próprio, por um ano, outro e outro, ter acreditado nas palavras deste executivo e viabilizado projectos com os quais eu estava parcialmente em desacordo. Mas tudo isto tem um nome: «Subserviência». É isto que este executivo exige em troca dos dinheiros públicos, o silêncio daqueles que só falam por trás!
Tudo isto é a violência política em curso; é a «selecção ariana» à moda raiana; é uma falta de cultura da responsabilidade que arrasta a falta de pudor na forma como se exerce o poder na Câmara do Sabugal.
Ora, um executivo que não sabe lidar com a ética governativa, e sem preconceitos recorre a políticas anacrónicas e métodos salazarentos para silenciar pessoas, é algo bem intrigante e difícil de aceitar na esfera pública de um órgão autárquico. Porque governar, de entre as diversas funções, é administrar bem, é promover uma justa distribuição da riqueza.
São estas realidades ocultas nas quais o mundo da existência das freguesias, algumas apodadas de peças inúteis, nos oferece uma visão duma actuação parcial, no espectáculo que vai passando. Uma vergonha que ameaça a Democracia.
Todavia, eu serei sempre um homem de liberdade, daqueles que cumprem o dever de ser honrados, sem temer alinhar com a contracorrente de possíveis minorias eleitorais. Pode ter razão quem vence. Pode ter razão quem perde. No entanto, dura mais o sonho do que o dinheiro. Dura mais a palavra do que o prazer da vontade do poder, dos que apostam no poder pelo poder.
Como quem respira de um sopro carinhoso ou deixa voar, para sempre, os sentimentos de alguém que gosta, deixo um pedaço deste momento perdido na imensidão dos porquês, das interrogações, preferindo manter-me nos prados verdejantes da liberdade, da verdade e da paz!
José Augusto Vaz, Presidente da Junta de Freguesia da Bismula