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Com o mês de Agosto chega a época grande das Capeias Arraianas nas terras junto à Raia no concelho do Sabugal. Cumprindo a tradição, as touradas com recurso ao forcão, precedidas do também tradicional encerro, trarão alegria e emoção às nossas aldeias.
| DIA | FREGUESIA | EVENTO |
| 19-07 | Aldeia da Ponte | Cartel de Variedades |
| 06-08 | Lageosa da Raia | Capeia Arraiana |
| 07-08 | Soito | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 08-08 | Ruivós | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 09-08 | Soito | Exibição de recortes |
| 09-08 | Aldeia da Ponte | Tourada à Portuguesa |
| 10-08 | Aldeia do Bispo | Capeia Arraiana |
| 10-08 | Seixo do Côa | Garraiada |
| 11-08 | Soito | Capeia Arraiana |
| 12-08 | Ozendo Rebolosa |
Capeia Arraiana |
| 14-08 | Nave | Capeia Arraiana |
| 15-08 | Aldeia da Ponte | Capeia Arraiana |
| 17-08 | Alfaiates Forcalhos Vale de Espinho |
Capeia Arraiana |
| 18-08 | Fóios | Capeia Arraiana |
| 20-08 | Vale das Éguas | Capeia Arraiana (nocturna) |
| 22-08 | Aldeia da Ponte | Festival «Ó Forcão Rapazes» |
| 25-08 | Aldeia Velha | Capeia Arraiana |
Para os interessados, divulgamos desde já o calendário das Touradas de 2009.
Comecemos pelas Capeias (touradas com forcão) que, como é costume, abrem na Lageosa e encerram em Aldeia Velha:
Lageosa da Raia, dia 6.
Ruivós, dia 8 (nocturna).
Aldeia da Ponte, dia 9.
Aldeia do Bispo, dia 10.
Soito, dia 11.
Ozendo e Rebolosa, dia 12.
Nave, dia 14.
Aldeia da Ponte, dia 15.
Alfaiates, Forcalhos e Vale de Espinho, dia 17.
Fóios, dia 18.
Vale das Éguas, dia 20 (nocturna).
Aldeia Velha, dia 25.
No Seixo do Côa, a 10 de Agosto, realiza-se uma também tradicional garraiada, mais propriamente chamada «tourada à vara larga»:
A Praça de Touros de Aldeia da Ponte recebe também alguns espectáculos tauromáquicos.
Ainda em Julho, no dia 19, haverá Variedades Taurinas com cavaleiros praticantes e amadores, assim como novilheiros e forcados.
A 9 de Agosto a mesma praça de touros recebe a sempre muito aguardada Tourada à Portuguesa, com cavaleiros profissionais, organizada pela Associação «Amigos de Aldeia da Ponte».
Momento muito aguardado todos os anos é o Festival «Ó Forcão Rapazes», que na tarde do dia 22 de Agosto se realiza também na Praça de Aldeia da Ponte, onde 9 equipas representativas das aldeias raianas (Alfaiates, Aldeia do Bispo, Aldeia da Ponte, Aldeia velha, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia, Ozendo e Soito) exibirão a melhor arte de pegar ao forcão.
plb
Na semana transacta o Comando Territorial da Guarda da GNR registou um total de 66 ocorrências criminais, efectuou 12 detenções, levantou 312 autos de contra-ordenação e registou 38 acidentes de viação.
Dentre os crimes verificados na área de actuação da GNR merecem destaque os furtos, que no total foram 18: cinco em estabelecimentos comerciais e em outros edifícios, dois de veículos, um em veículo, dois em residências e oito outros furtos.
Segundo o comunicado semanal da GNR foram também detidos 11 indivíduos em flagrante delito, pelos seguintes motivos: sete por condução sob o efeito do álcool, três por condução ilegal, um por ameaças e coação a militares da GNR. Foi ainda efectuada uma detenção através do cumprimento de mandado judicial.
Durante a semana em referência, de 22 a 28 de Junho, foram elaborados 312 autos de contra-ordenação, pelas seguintes infracções: 291 à Legislação Rodoviária, 16 à Legislação da Natureza e Ambiente, cinco à Legislação Policial Geral.
Nos dias 26 e 27 de Junho, o Comando Territorial da Guarda, levou a efeito três operações destinadas à fiscalização rodoviária e abordagem de indivíduos suspeitos da prática de crimes. Nesse âmbito foram fiscalizados 162 veículos, elaborados 19 autos de contra-ordenação ao Código da Estrada e efectuadas 2 detenções por condução sob efeito do álcool.
Foram ainda realizadas sete operações no âmbito da Fitossanidade Florestal, na zona de fronteira com Espanha, tendo sido fiscalizados 252 veículos e elaborados 13 autos de contra-ordenação.
Registaram-se 38 acidentes de viação. Desses, 16 ocorreram por colisão, 21 por despiste e um por atropelamento, dos quais resultaram um morto, um ferido grave e 20 feridos leves. Registou-se também um acidente de trabalho, com tractor agrícola, do qual resultou um morto.
No dia 27 Junho, o Núcleo Escola Segura (NES) do Destacamento Territorial de Gouveia, realizou uma acção de sensibilização e demonstração de valências da GNR com Patrulhas de Cavalaria e Equipas Cinotecnicas, no Estádio Municipal de Seia inserida na V Exposocial, promovida pela Câmara Municipal. Nas actividades estiveram presentes cerca de 300 pessoas, maioritariamente idosas.
plb
A iniciativa privada é um atributo básico do Estado de Direito moderno. Foi uma reacção ao absolutismo e ao centralismo estatais nas suas diversas variantes. Mas infelizmente aconteceu uma mutação ou deformação do privado, que para mim é uma autêntica perversão.
Com o surgir do neoliberalismo apareceram grandes consórcios e multinacionais às quais o individuo se encontra submetido, ou seja, saiu da tutela do Estado, para ficar debaixo da tutela do privado. Não é por acaso que se ouvem citações destas vindas de grandes accionistas e executivos do capital financeiro e industrial: durante um longo período, as igrejas desempenharam um papel determinante nas nossas vidas, depois foram os Estados e actualmente é a vez das empresas.
Leitor(a) a história avança, mas nunca caminha só, acompanha-a sempre o passado, e com adaptações às novas épocas, ele faz a sua aparição de vez em quando. O que acontece presentemente é a coisa mais parecida com o Feudalismo. Não manda a igreja nem a nobreza, manda o dinheiro, e os trabalhadores são os novos servos.
Este paralelismo que se traçou entre o capitalismo e o feudalismo, é cada vez mais evidente. O poder dessas empresas, consórcios e multinacionais é de tal ordem, que os governos e parlamentos eleitos pelos povos, são simples títeres nas suas mãos. Qual é o objectivo deste capital financeiro e industrial? Nunca esqueça leitor(a), não é criar postos de trabalho, melhorar as condições de vida do homem, e respeitar o meio ambiente, mas sim multiplicar lucros da empresa para satisfazer os seus accionistas. E sempre consegue. Por isso, a insegurança de quem trabalha, no receio de perder o posto de trabalho, e também o medo do futuro.
Qual é o governo que não receia uma Wal-Mart, cadeia de distribuição comercial, que a seu cargo tem um milhão e trezentos mil empregados? É a maior do Mundo. Não quer nenhum trabalhador sindicalizado, e é a que mais mal paga a nível salarial.
Que dizer de uma General Motors, com seiscentos mil empregados à volta do Mundo?
O que será uma Smithfield Foods, a terceira companhia mais poderosa na produção de alimentos, principalmente de carne de porco? Tem uma cifra de negócios de doze mil milhões de dólares. Foi aí, numa das suas enormíssimas granjas de criação de porcos, no México, que surgiu a gripe A (H1 N1) – um conselho leitor(a), nunca diga gripe porcina, isso aborrece os grandes industriais de carne de porco.
Eu, pessoalmente, não aceito este tipo de iniciativa privada, porque destrói a Democracia, para dar lugar à oligarquia, às elites ricas e poderosas que vão dominando o Mundo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
A Agência da Fundação INATEL na Guarda e a Agência para a Promoção da Guarda inauguram, no dia 2 de Julho, na Guarda, a Exposição do Concurso de Fotografia António Correia subordinada ao tema «A pedra na Beira». As imagens estarão espalhadas pelas montras comerciais do centro histórico da Guarda.
A cerimónia de inauguração da Exposição do Concurso de Fotografia António Correia terá lugar no dia 2 de Julho, pelas 18.30 horas, junto à Mediateca, na Praça Luís de Camões, na Guarda e será seguida de uma visita pelas obras expostas
A Exposição do Concurso de Fotografia António Correia estará espalhada até 2 de Agosto por 60 montras comerciais da cidade da Guarda, apresenta aproximadamente uma quinta parte das fotografias submetidas a concurso no final de 2008 e subordinadas ao tema «A Pedra na Beira».
Estarão expostas 60 fotografias, representando 42 concorrentes. Os quatro premiados deste concurso foram José Esteves Barreto, de Gouveia (1.º), António Costa Pinto, de Condeixa-a-Nova (2.º), Jorge Humberto Solano, da Guarda (3.º) e João Azevo, de Lisboa (4.º). Mereceram menção honrosa César Prata, José António Pereira e João Pedro Ferreira. O júri do concurso foi constituído por António Saraiva, director da Agência para a Promoção da Guarda, Arménio Bernardo, fotógrafo e Daniel Palos, fotógrafo.
O concurso, cuja edição 2009 será lançada no próximo Outono, pretende levar os fotógrafos amadores a experimentar a fotografia artística, descobrindo a realidade do distrito a partir de um tema aglutinador, que foi neste ano a pedra na natureza e nas construções.
Joaquim Igreja
(coordenador cultural do Inatel da Guarda)
O Sporting Clube do Sabugal (SCS), através da sua secção de Judo, viu ser aprovada a sua candidatura à «Medida 1: Saúde e Segurança nas Instalações Desportivas» do IDP-Instituto de Desporto de Portugal que irá permitir a realização de obras de beneficiação na sede do clube sabugalense.
A «Medida 1: Saúde e Segurança nas Instalações Desportivas» promovida pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e pelo Instituto do Desporto de Portugal, I.P., tem como prioridade a Saúde e Segurança dos praticantes desportivos e destina-se a apoiar a realização de obras de beneficiação nas instalações de apoio aos clubes e associações desportivas.
O contrato-programa entre o SCS e o IDP-Instituto de Desporto de Portugal, IP, será assinado no dia 6 de Julho em cerimónia a realizada no Governo Civil da Guarda, na qual estará presente Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto.
Este contrato programa vem assim ajudar o SCS a realizar obras na sua Sede onde á mais de uma década se pratica Judo, e cujas instalações se têm vindo a deteriorar. O local de treino dos judocas Raianos ficará assim dotado de melhores condições adequadas para a prática da modalidade, visto a secção de Judo do clube sabugalense ter treinado grande parte do ano em «casa emprestada», no pavilhão da Junta de Freguesia do Sabugal, à qual a secção e os seus praticantes agradecem.
O início dos treinos em Setembro irá reiniciar portanto nas renovadas instalações que garantirão melhor conforto para os seus utilizadores, aproveitando este periodode férias para realizar as obras.
djmc
A propósito da minha última crónica, reparei que causou alguma polémica por se tratar de um tema algo quente. Continuo a defender que o acesso à cultura deve ser livre e os downloads ilegais são uma questão de consciência.
Uma das grandes questões que surge neste debate é a disponibilização de conteúdos artísticos na Internet. Eu não posso censurar alguém que vá à Internet descarregar um filme ou música, legal ou ilegalmente, mas posso sim censurar quem o colocou on-line sem a devida autorização e porventura possa lucrar com isso. Estes sim são os cibernautas que devem ser considerados culpados e punidos. Se calhar neste ponto não me expliquei bem na última crónica.
Considero que quem coloca os conteúdos on-line sem autorização também acaba por ser culpado pelos estúdios deixaram de investir em determinados realizadores por não serem rentáveis nas bilheteiras, acabando por apostar apenas no que é seguro.
Também é um facto que nunca como hoje se tornou tão fácil a divulgação da Arte. É verdade, mas um artista não vive do ar e não é disponibilizando as suas obras gratuitamente que vai sobreviver. É o mesmo que trabalhar para aquecer.
Neste aspecto a música é diferente do cinema, pois enquanto um músico consegue sobreviver através de concertos, muitos artistas já admitiram que se não fossem os espectáculos ao vivo deixavam o ramo, um realizador não vinga se não chegar às salas, pois só assim consegue ter uma projecção que não teria se fosse directo para DVD.
E continuo a defender que se em 1970 o panorama fosse igual ao de hoje em dia, se Martin Scorcese e companhia tivessem o azar de não conseguir vingar na bilheteira, mas fossem dos mais descarregados, não durariam muito tempo sem ajuda de algum produtor simpático. E todos sabemos que produtores simpáticos na indústria do Cinema são muito raros.
Em relação à qualidade dos filmes, cada um julga aquilo que vê da forma como vê. Há filmes que eu gosto e muita gente não gosta e há filmes que muita gente gosta e eu não gosto. Quem tem razão? Todos temos e ninguém tem. Se calhar os filmes de qualidade não são vistos e os filmes sem qualidade são vistos por milhares de pessoas em todo o mundo. Mas não me cabe a mim julgar o que é bom ou não.
E assim termino, prometendo voltar para a semana para falar de cinema aqui no Capeia Arraiana.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
A Primeira Guerra Mundial aconteceu nos anos de 1914 a 1918. Alguns rapazes do Soito foram, também, mobilizados para a Guerra. Mais de uma dezena de soitenses partiram para França.
A Guerra começou entre a Tríplice Entente (França, Inglaterra e Império Russo) e a Tríplice Aliança (formada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano) e mudou de forma radical o mapa político da Europa e do Médio Oriente (…).
(…) A 9 de Março de 1916 a Alemanha declarou guerra a Portugal. Tudo começou com o facto de Portugal ter capturado 70 navios alemães (que estavam fundeados em portos portugueses) a pedido das autoridades inglesas.
Portugal entrou na Guerra, como aliado da Inglaterra.
(…) Alguns rapazes do Soito foram, também, mobilizados para a Guerra. Mais de uma dezena de soitenses partiram para França.
A despedida dos mobilizados, do Soito, aconteceu nas Eiras do Calvário onde se reuniram muitos familiares e mesmo muitos membros da população. Os soldados foram a pé até à Cerdeira, onde apanharam o comboio para a Guarda (quartel de Infantaria 12) e de onde, posteriormente, seguiram para Lisboa. Às costas levavam uma bolsa com comida e alguma roupa.
Em Lisboa os soldados foram treinados para a Guerra e foram enviados para França.
Foi um dia muito triste, com muitas pessoas a chorar e a gritar, já que partir para a Guerra significava que os soldados poderiam não mais voltar.
Foi isso que aconteceu a dois soldados do Soito que acabaram por morrer na Guerra. Eram eles João Baptista Dias e João Escolástico (…). – citações do livro «Baú da Memória – O Soito de Antigamente», de Eugénio dos Santos Duarte, recentemente editado.
Todas as Guerras, sobretudo aquelas com um número tão impressionante de vítimas como a Guerra de 1914/1918, são injustas. Eu cumpri serviço militar obrigatório, como soldado, e sei bem, que no caso de acontecer uma mobilização por qualquer motivo, lá teria de ir, mesmo contra a minha vontade.
É por isso que eu tenho o máximo respeito por esses bravos soldados anónimos que combateram e combatem nas batalhas, por motivos a que são, verdadeiramente, alheios. Com certeza que os interesses dos oficiais de alta patente nunca serão os interesses dos soldados. Mas há que cumprir ordens e sujeitar-se à hierarquia militar.
A fotografia reproduzida nesta crónica é de João Escolástico, um desses bravos soldados do Soito, que participaram na Primeira Guerra Mundial. A sua morte aconteceu na terrível batalha de La Lys, na Flandres, onde o exército português sofreu uma terrível derrota.
João Baptista Dias era irmão da minha avó materna. Lembro-me bem de ela ter uma fotografia do seu irmão, mas não foi possível encontrá-la, agora.
A fotografia de João Escolástico foi-me cedida pelo seu neto, também chamado João Escolástico, um emigrante em França, que tem memória e a quem agradeço.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
O candidato do PS às eleições autárquicas, António Dionísio, conta reunir todos os elementos da sua lista no convívio anual do partido, que se realiza na praia fluvial do Sabugal, na tarde do segundo domingo de Julho, dia 12.
Capeia Arraiana soube que o candidato a presidente da Câmara anunciará dentro de dias os nomes que o acompanham na candidatura. A ideia é apresentar a lista ainda antes do convívio anual do PS, para que nessa ocasião todos os candidatos já estejam juntos, convivendo com os militantes socialistas e demais apoiantes da candidatura.
A tradicional sardinhada socialista está agendada para as 16 horas do dia 12 de Julho (domingo) na margem direita do rio Côa, lugar onde habitualmente se realiza. O candidato e o presidente da concelhia do partido, Manuel Barros, estão a convidar os militantes e simpatizantes a comparecerem, apostando numa forte mobilização no sentido de assim se lançarem as campanhas do partido.
O PS nacional poderá enviar um dirigente do partido ao convívio sabugalense, desconhecendo-se contudo ainda o seu nome. Também a estrutura distrital estará representada.
plb
É por uma estrada sinuosa, por entre montes e vales, que se chega às portas da aldeia-fortaleza medieval de nome Castelo Mendo. Estamos no distrito da Guarda e mais concretamente, no concelho de Almeida.
CASTELO MENDO – Chegando ao portal da muralha, somos recebidos por dois berrões que ladeiam a entrada, figuras monolíticas originárias da cultura celta. E há séculos que ali repousam, testemunhando o lento passo do tempo, numa terra, hoje, quase abandonada. Realmente, pouco mais de uma centena de pessoas ainda vive em Castelo de Mendo. Por triste que isso pareça, talvez o seu isolamento e desertificação tenham mantido este lugar igual a si próprio. Uma jóia perdida na montanha. As ruas desertas e as casas abandonadas dão-nos uma estranha sensação de intemporalidade.
A freguesia de Castelo de Mendo situa-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho e é constituída pelas povoações de Castelo de Mendo e Paraizal, onde existe um velho e antigo relógio de sol.
A sua história é riquíssima, tendo sido cabeça de um concelho de grande importância, que dominava uma vasta área. O poder de outrora é ainda visível na actual povoação. É hoje uma fortaleza-museu. Vestígios de antigas estradas, cerâmicas e moedas provam a antiga importância da região, mesmo antes da chegada dos romanos, que encontraram aqui um antigo castro bem fortificado.
Na Reconquista Cristã, Castelo de Mendo foi de crucial importância para a defesa das terras da margem esquerda do Côa. Daí à reconstrução do castelo foi um pequeno passo. D. Sancho II daria carta de foral a Castelo de Mendo em 15 de Março de 1229. Na mesma altura é criada uma feira franca, a realizar três vezes por ano. Foi a primeira feira medieval documentada do país.
Ponto de interesse nesta visita cultural é, o pelourinho manuelino de gaiola e colunelos e a mutilada Igreja Matriz.
A descrição feita por José Saramago em «Viagem a Portugal» não poderia ser mais fiel: «A primeira paragem do dia é em Castelo Mendo. Vista de lado é uma fortaleza, vila toda rodeada de muralhas, com dois torreões na entrada principal. Vista de perto é tudo isto ainda, mais um grande abandono, uma melancolia de cidade morta.
Vila, cidade, aldeia. Não se sabe bem como classificar uma povoação que tudo isto tem e conserva.
O viajante deu uma rápida volta, foi ao antigo tribunal, que na altura estava em restauro e só para mostrar as barrigudas colunas do alpendre, entrou na igreja e saiu, viu o alto pelourinho, e desta vez não foi capaz de dirigir palavra a alguém. Havia velhas sentadas às portas, mas em tão grande tristeza que o viajante deu em sentir embaraços de consciência. Retirou-se, olhou os arruinados berrões que guardam a entrada grande da muralha, e seguiu caminho.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Uma toalha completamente original, produzida no concelho do Sabugal através de uma ancestral técnica artesanal a que se chama «Gancha», recebe prémio na Zona Centro, levando-a a estar presente na candidatura ao Prémio Nacional de Artesanato. Está em exposição, de 27 de Junho a 5 de Julho, na Feira de Internacional de Artesanato (FIA), em Lisboa. (Actualização.)
A peça foi desenhada por Natália Bispo, do Sabugal, e executada por Alice Moreira, de Sortelha, e foi candidatada ao Prémio Nacional de Artesanato 2009, dedicado ao tema «Fios, Teias e Tecidos».
A FIA decorre em Lisboa de 27 de Junho a 5 de Julho e, à semelhança da Bolsa de Turismo de Lisboa, o Sabugal não estaria representado se não fosse esta valorosa iniciativa privada, promovida pela proprietária da Casa do Castelo, que muito se tem dedicado a descobrir e valorizar o nosso riquíssimo património.
Capeia Arraiana falou com o artesão Francisco Gonçalves, da Lomba, que já participou em muitas exposições, nomeadamente em edições anteriores da FIA, e que confirmou a ausência de artesãos do Sabugal na edição deste ano. «Ninguém convidou os artesãos do concelho a participarem, convidaram-me sim a ir a Aveiro, para onde mandei umas peças, mas essa feira não tem a importância da FIA», disse-nos o artesão. Francisco Gonçalves lamenta a flagrante falta de sensibilidade dos autarcas sabugalenses para a importância do artesanato: «O turismo, o artesanato e a gastronomia devem estar interligados, mas no Sabugal não se pensa assim», lamentou.
A Feira Internacional de Artesanato de Lisboa visa divulgar e promover o artesanato, considerado um valor cultural e económico que deve ser estimulado na melhoria da qualidade e criatividade. O concurso de artesanato deste ano, organizado pela Associação Industrial Portuguesa, apresentou-se em duas categorias genéricas: «Melhor Peça de Artesanato Tradicional» e «Melhor Peça de Artesanato Contemporâneo», estando aberto a todos os artesãos nacionais.
Lamenta-se a ausência do Sabugal daquela que é considerada a maior feira ibérica de artesanato. Não fora a Natália Bispo, da Casa do Castelo, e o Sabugal não seria mais uma vez falado nesta importante mostra internacional.
plb
O Concelho de Sabugal está nas candidaturas ao Prémio Nacional de Artesanato também com outra artesã do Concelho.
Está também exposta na FIA uma colcha de linho e algodão tecida no tear por Maria da Glória Saldanha Ferreira, natural da Lomba.
Esta artesã é a única a trabalhar no nosso Concelho ainda num tear tradicional.
A Casa do Castelo desde que abriu ao público, sempre contou com a colaboração de Glória Ferreira expondo e vendendo as suas peças no sentido de divulgar o nosso tradicional tear.
Natália Bispo
Imagens na estação televisiva online LocalVisãoTv, da autoria de João Nabais, sobre a Capeia Arraiana no Campo Pequeno.
O vídeo apresentado foi realizado por João Nabais na excursão organizada pela Associação Hípica do Soito.
jcl
Estando a época das capeias arraianas a iniciar-se nas aldeias do concelho do Sabugal, e quando se fala no registo dessa tradição única do mundo, resolvemos compilar algumas citações de livros que falam sobre a tourada com forcão. Não há dúvida que esta é, a par com a do castelo de cinco quinas, a nossa melhor imagem de marca.
A assistência põe-se de pé, grita, chora e atira imprecações ao touro: Ai o meu homem que já o mataram! Acudam ao desinfeliz que já o levou o diabo! Jesus, Jesus, o burro do meu filho morto! Eh vaca excomungada, raios te partam, estupor!… Passado o lance, volta o sossego, a alegria, o burburinho.
Carlos Alberto Marques, in «Algumas Notas Etnográficas de Riba Côa».
Ainda hoje se fala na fatídica tarde em que o touro matou um rapaz, subindo para tal alguns degraus duma escada, puxando-o com os dentes para o curro e estoirando-o depois.
Franklim Costa Braga, in «Quadrazais, Etnografia e Linguagem».
Quando a gente de Forcalhos não for capaz de dominar o touro, os moços das aldeias próximas pedem para que os deixem correr esse touro no dia da sua festa, numa manifestação de emulação sócio cêntrica, habitual entre grupos vizinhos.
Ernesto Veiga de Oliveira, in «Festividades Cíclicas em Portugal».
Em toda a geografia ibérica e mesmo mundial o Forcão apenas existe numa estreita faixa de terreno limitada ao norte pelo rio Côa, ao sul pela serra da Malcata, o Ocidente pela serra da Estrela e a oriente pela fronteira de Espanha.
E quando fixamos o limite ocidental na serra da Estrela, é porque nas aldeias do chamado Vale de Estrela ainda se realizam curiosas corridas à vara larga que se podem talvez considerar como uma variante degenerada da corrida do Forcão.
Fernando Teixeira, in «O Touro e o Destino».
O boi, num momento defensivo, de recuo, encontra o portal velho de uma loja, despede-lhe um tremendo coice, a porta cai em estilhas, e do portal arrancado irrompe… uma porca a grunhir. Hilaridade geral. Uma voz grita, aflitíssima:
- Ai, a minha «marrana», que lá se me vai!…
Abel Botelho, in «Uma Corrida de Toiros no Sabugal», do volume «Mulheres da Beira».
- Senhora das Neves, acudi ao forcão!
- Nossa Senhora das Neves, salvai-os!
Do torvelinho de poeira, que enfarinha os espectadores, saem rapazes ilesos ou feridos que marinham, rápidos, pelas cordas presas aos fueiros.
Nuno de Montemor, in «Maria Mim».
O forcão fica pronto e encostado num dos cantos da praça, a aguardar o dia. A canalha visita-o com uma alegria feita de gozo antecipado. Tenta levantá-lo. Põe-se à galha, grita «eh boi!».
Adérito Tavares, in «A Capeia Arraiana».
Às galhas da frente pegam dois rapazes que se hajam notabilizado pela força física. A frontaria do centro confia-se a gente simultaneamente forte, corajosa e de bom engenho. Os restantes postos distribuem-se um pouco à touxe-mouxe pelos voluntários, em todo o caso rapazes valentes e forçantes. Lugar-chave, todavia, é o de rabejador, autenticamente chefe, comandante e capitão da empresa.
Manuel Leal Freire, in «Ribacôa em Contra Luz»
O rabeador eleva ou abaixa o triângulo, auxiliado pelos outros homens, conforme a direcção que o toiro toma, e tenta assim impedir que o toiro salte para cima do triângulo ou se meta por baixo.
J. Leite de Vasconcelos, in «Etnografia Portuguesa».
A parte mais curiosa do folguedo consiste no forcão, espécie de grade, formada de um grande ramo ou pernada de carvalho, com uma grossa vara onde os galhos se atam e afastam, dando-lhe a forma triangular.
Joaquim Manuel Correia, in «Memórias sobre o Concelho do Sabugal».
E eis que a porta se abre, dando passagem ao famoso touro, que irrompe pela praça dentro como um furacão.
Na praça, só o forcão fortemente guarnecido. Todos os demais se empoleiraram o mais alto que puderam. Até os capinhas.
José Martins, in «Drama sob as Nuvens».
Espectáculo único que bem traduz a audácia e a força das gentes de Riba-Côa».
Virgílio Afonso, in «Sabugal, Terra e Gentes».
A tourada raiana é um espectáculo que as gentes da região apreciam de tal modo que, durante o verão, todas as terras realizam a sua, e, em muitos casos, em jeito de rivalidade, procuram até arranjar mais do que uma.
«À Descoberta de Portugal», edição das Selecções do Reader’s Digest.
São os jovens a descer à arena, manobrando um complicado aparelho feito de toros de madeira (o forcado) para manter o boi à distância. E ai do forasteiro que se atreva a deitar a mão a uma das pegas do forcado sem para tal ter sido convidado…
«Guia de Portugal», edição do jornal Expresso (1995).
Os foliões que vão pegar ao forcão mantêm-se ao largo até que se anuncie a saída do primeiro touro mas, alguns, para garantia de que têm para onde fugir, vão ocupando as escadas do pelourinho e um fanfarrão, para mostrar a sua destreza, conseguiu mesmo subir até ao cimo desse monumento que é o mais alto de Portugal numa só pedra.
Porfírio Ramos, in «Memórias de Alfaiates».
Meu pai, que foi um grande aficionado das capeias, sempre que a elas se referia, não se esquecia nunca de falar em quatro toiros, certamente por muito o terem impressionado devido à sua grande bravura, cujos nomes eram: o Carreto, o Galgo, o Gravato e o Cinzento.
José Manuel Lousa Gomes, in «Memórias da Minha Terra».
plb
Tornou-se hábito entre a rapaziada de agora o uso de brincos e de outros espetos metálicos a adornar o corpo, suplantando em muitos casos os da mocidade feminina.
A par das tatuagens, que nalguns casos cobrem a quase totalidade do corpo, os penduricalhos metálicos espetados na carne tornaram-se de uso comum entre os jovens. O efeito de imitação, que entretanto surgiu, transformou esta prática em moda e a onda tem crescido a olhos vistos.
Claro que o corpo é de cada qual e a imagem também, e concordo que devemos respeitar os gostos dos outros, mas eu, perdoem-me lá, sou doutro tempo e não vejo isto como um bom sinal.
Esta juventude de agora, soma à irreverência o gosto pela extravagância, por isso a vamos vendo também com o cós das calças ao fundo do rabo e com o cabelo pintado com as cores do arco-íris. Só que um dia estes jovens serão adultos e alguns, passada a época do capricho, quando o pleno juízo sobrevier, quererão ter uma imagem «normal» para ingressarem na vida profissional e nela singrarem. Pois temo bem que um rapaz tatuado até ao limite e com as orelhas, nariz e lábios furados, não consiga ser visto como alguém normal. Talvez o fato, a camisa e a gravata lhe assentem de forma ridícula e isso o venha mesmo a prejudicar.
Às vezes penso que só com um sarrafo nas mãos se pode meter juízo nestas cabeças tolas, mas logo me arrependo de pensar assim, pois nos tempos de agora isso pode ser contraproducente. Não sei pois como se poderá encontrar uma solução, mas talvez o melhor seja esperar que a moda se pegue a todos os homens, porque assim já ninguém estranha, ou que a mesma acabe, e tudo volte àquilo a que eu chamo de normalidade.
Agora a mim não me peçam que ache bem essas modas da juventude. É que no meu tempo de rapaz eu, que fui criado no campo, apenas me lembro de ver as argolas colocadas no focinho dos bois de cobrição, às quais se atava a prisão para os conduzir para junto das vacas toirondas que os homens levavam ao curral. Também os porcos tinham um arame na ponta do focinho, a que se chamava arganel, para se evitar que os mesmos revolvessem a cama.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis
Apenas umas notas, depois destas últimas notícias publicadas na Capeia Arraiana.
Este processo já teve início em 5 de Março deste ano, logo que rebentou a polémica dos Açores, através do Presidente da nossa Associação Jovem de Aldeia da Ponte, João Nunes, questionando a Comissão Nacional da Unesco, sobre este assunto, sendo remetido para o Departamento do Património Imaterial do Instituto dos Museus.
Se estivessem atentos, no artigo que disponibilizei sobre este assunto, no dia seguinte, dia 6 de Março podia ler-se: «Conhecida a notícia, felizmente que já há várias Associações arrainanas em campo, a trabalhar afincadamente, para tentar uma resolução, em favor das nossas tradições.»
Devido à urgência deste assunto, quatro Associações jovens da Raia já iniciaram o processo, apesar de todas terem sido consultadas, não aderindo por isto ou por aquilo, sem que signifique que fiquem de fora, antes pelo contrário, serão englobadas mais tarde.
Também a Câmara Municipal de Sabugal já está informada deste processo, a quem estas quatro Associações pediram o apoio.
Como resposta da Unesco, informaram-nos que estava para sair um Decreto-Lei que iria regulamentar estas tradições através do Património Cultural Imaterial que sairia ainda este ano, como acabou por sair no dia 15 de Junho.
Entretanto, estas quatro Associações Jovens da Raia já enviaram as primeiras informações sobre a nossa tradição e estão a preparar alguns DVDs, fotografias e referências bibliográficas para disponibilizarem brevemente.
Tencionamos ainda, marcar reuniões, logo que possível, agora que acabou de sair a Lei, com alguns responsáveis do Instituto dos Museus, afim de estudarmos a melhor maneira de satisfazermos todos os quesitos a apresentar, baseados no Decreto-lei acabado de publicar e que entrará em vigor no dia 15 do próximo mês de Julho.
Sabemos que poderá não ser um processo fácil, isso é seguro, mas iremos até ao fim e levará o tempo que for necessário. Pressionaremos e apresentaremos todos os argumentos, historiando tudo com o pormenor desejado pelo respectivo Departamento do Património Imaterial do Instituto dos Museus.
Como vêm, todos podem ficar tranquilos, que os assuntos já estão a ser acompanhados desde Março, o pessoal da Raia não dorme e já está em campo há muito tempo, apenas aguardando a saída da tal dita lei, sobre o Património Imaterial.
Para que conste, as Associações da Raia, iniciadoras deste processo: Associação Juventude Pontense, Associação de Jovens da Lageosa da Raia, Associação Recreativa e Cultural dos Forcalhos, Associação Mocidade de Aldeia do Bispo.
Esteves Carreirinha
O facto do Conselho de Ministros da passada semana ter aprovado um diploma legal que permite o uso de desfibrilhadores por pessoal não médico, possibilita aos Bombeiros Voluntários do Soito a utilização dos três aparelhos que a corporação já possui e que até agora estavam inactivos.
Os Bombeiros do Soito são a única corporação do distrito da Guarda equipada com esse equipamento de reanimação em caso de paragem cardíaca, que contudo nunca foi usado devido ao impedimento legal. As três ambulâncias de socorro estão equipadas com estes aparelhos de reanimação cardíaca, estando a mais antiga equipada desde 2004.
Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, a nova legislação visa facultar o acesso generalizado a meios de socorro para a diminuição de um considerável número de mortes por eventos cardiovasculares, tendo como principal justificação a frequente ocorrência de acidentes dessa natureza em locais de acesso público, como estádios e centros comerciais.
Para a utilização do desfibrilhador bastará agora a posse de um certificado de utilização, que poderá ser obtido mediante o cumprimento der algumas regras que o diploma estipula. Prevê-se ainda a criação de uma rede no território continental, no âmbito do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa. A mudança de regras resulta de um acordo celebrado entre o INEM e a Liga de Bombeiros Portugueses, que há muito reclamava a possibilidade dos bombeiros usarem esses aparelhos nas ambulâncias de socorro. Actualmente, só as viaturas operadas directamente por técnicos e médicos do INEM podem utilizar os desfibrilhadores, ao contrário do que acontece com as ambulâncias dos bombeiros.
No distrito da Guarda só o Soito investiu nesse equipamento, cujo custo ronda os quatro mil euros. Porém os bombeiros raianos nunca o usaram, ainda que tenham pessoal formado para isso e tenham já surgido situações onde essa utilização era aconselhável.
Capeia Arraiana falou com o adjunto do comando da corporação do Soito, Nuno Mendonça, que informou que a corporação para além dos três aparelhos possui 12 elementos já com formação para uso do desfribilhador, seguindo-se agora a apresentação das candidaturas ao INEM para a sua certificação.
Nuno Mendonça considera que esta decisão, há muito era esperada, constitui uma mais valia para a corporação que poderá dar uma melhor assistência aos sinistrados. Sobre um eventual maior risco para o doente devido à ausência de médico no momento do recurso ao desfribilhador, o adjunto do comando considera não existir: «Um bombeiro formado sabe operar com a máquina e isso é o mais importante porque é esta que avalia a situação e lhe indica se deve ser utilizada a desbribilhação, caso em que o bombeiro tem apenas que carregar no botão.» «O uso deste equipamento é permitido em toda a Europa e há centros comerciais equipados com estes aparelhos da mesma forma como estão equipados com extintores contra o risco de incêndio, pelo que nunca percebi tanta dificuldade em permitir o seu uso aos bombeiros em Portugal», concluiu.
plb
Apesar de já terem passado alguns dias, decorreram bem as Festas de Santo António, organizadas pelos Mordomos deste Santo em Aldeia da Ponte. Como tem sido habitual ao longo dos anos, desde que as nossas festas foram transferidas para Agosto, todos os Mordomos nunca as deixaram de efectuar na data certa, ou seja 13 de Junho.
Estas têm um carisma especial, sendo mais calmas, já o tenho referido anteriormente, pois raros são os emigrantes que se podem deslocar, devido sobretudo à distância, acolhendo os que por cá vivem, galgando a distância, que não é longa, em menos de um fósforo. É apenas a circunstância da data, nada mais.
Em Agosto, o reboliço aumenta, como é normal, fruto da altura certa para os que vivem lá bem longe se deslocarem em pleno gozo das suas férias, demandando a nossa Aldeia, num caudal abundante.
Este ano as festas fugiram um pouco do figurino, pois juntou-se a festa profana e religiosa no mesmo dia 13, num programa extenso que abarcou todo o dia.
Pela manhã, decorreu o habitual Encerro dos touros, cerca das 10 horas, rápido e inúmeros cavaleiros, até parecia Agosto, seguindo-se o touro da prova e, após este, o arrumar as cancelas.
Depois de um banho retemperador e troca de indumentária, irrompeu o Passeio dos Mordomos e a missa solene em honra de Santo António, com a procissão e, novamente, o Passeio nas imediações da Capela, rumando em seguida para o almoço nos Balneários.
Terminado este, toca de abalar até à Praça, onde decorreria a Capeia pela tarde dentro, precedida pelo Passeio dos Mordomos a cavalo e pedido da Praça, seguindo-se a espera dos touros ao Forcão e a consequente lide dos mesmos, como é habitual acontecer.
Mais uma bela tarde passada na nossa Aldeia, onde a Capeia serviu os objectivos que estes momentos proporcionam.
À noite, prosseguiu a festa nos Balneários com a actuação do «Grupo Coral e Cantares do Sabugal», que entoou belas melodias e, nada melhor neste início de noite, que o encontro de três amigos, que fazem parte deste agrupamento.
São os chamados reencontros e as boas surpresas das festas, que quando menos se espera, logo acontecem. Apenas um lamento, mereciam mais gente a apreciar o seu canto, mas convenhamos, em dia de Capeia, com a saída tardia da Praça e, àquela hora marcada, dificilmente arrastará mais pessoas. Acontece aos melhores, o Grupo Coral merecia, sem dúvida, outra moldura de ouvintes.
Passada esta magnífica exibição, a festa continuou até às tantas, como sempre acontece nas festas em honra de Santo António.
Agosto está aí a chegar…
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
O meu caro amigo e conterrâneo Kim Tomé vem defendendo de forma veemente a classificação da Capeia Arraiana enquanto Património Cultural Imaterial, posição com a qual estou de acordo e que agora pode e deve avançar.
Na verdade foi publicado no Diário da República, de 15 de Junho, o Decreto-Lei n.º 139/2009 que estabelece o regime jurídico de salvaguarda do património cultural, de harmonia com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada na 32.ª Conferência Geral da UNESCO, em Paris em 17 de Outubro de 2003.
Lendo o conteúdo deste decreto, percebe-se de imediato que a Capeia Arraiana pode vir a ser integrada no conceito de Património Cultural Imaterial, pois de acordo com o Artigo 1.º são consideradas como candidatáveis, entre outras, as práticas sociais, rituais e eventos festivos, classificação que, claramente, engloba a Capeia.
O processo de inventariação é naturalmente complexo e muito exigente, podendo ser apresentado pelo estado, pelas Autarquias Locais ou por qualquer comunidade, grupo ou indivíduo ou organização não governamental de interessados.
Está assim aberta a janela legal que permitirá classificar a Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, com as vantagens em termos de preservação e sobrevivência desta forma de cultura popular das nossas terras, mas igualmente como um contributo importante para o desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
Ao Kim Tomé a aos meus conterrâneos arraianos só posso dizer que podem contar comigo para integrar qualquer Grupo que queiram constituir para a preparação da Candidatura, colocando desde já ao vosso dispor, naturalmente de forma gratuita, a minha experiência profissional nestas áreas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Na Ruvina, no café da Natália, estava tudo com antigamente; o mesmo balcão envidraçado, a máquina de café na prateleira sob os expositores de garrafas, umas quatro ou cinco mesas à volta da lareira e na sala contígua, subindo dois degraus, a mesa de bilhar…
No pátio, sob as escadas que levam ao primeiro andar, mais uma mesa, protegida por um guarda-sol de um vermelho desbotado. Nela já passei algumas tardes de Verão, na companhia dos meus primos, a jogar sueca.
Uma porta ao lado do balcão, dá para a cozinha térrea da casa, de onde saiu, pano de limpar a louça na mão, a Natália. Perguntei pela família; o Chico, o Carlos, que informou ela, «estavam de boa saúde e se recomendavam»; depois pela minha gente, que disse «não ter avistado desde o Natal».
– Nem a minha tia Lurdes? – Indaguei.
– Nem essa… Está para a Rebolosa, com a Isabel.
Limpando o balcão em longos círculos com o pano, quis saber o que tomava. Hesitei entre uma mini e um café. Optei pelo café, que nesse dia já vinha alegre da casa do Amândio e ainda queria tratar do orçamento das novas obras com o Aires.
Tomei o café e fui andando devagar; deslizando por entre as hortas do Chão do Ribeiro, vagueei pelas ruas pouco mudadas, observei as casas. Lá estava a da minha tia Conceição no início do largo, porta fechada, janelas corridas. Bebi no chafariz por debaixo da figueira, subi à torre da Igreja e sentei-me por momentos nas resguardas a ver as diferentes tonalidades vermelhas dos telhados e do verde dos quintais. Tudo parecia estar na mesma; enquanto olhava, as memórias assaltaram-me como uma copiosa chuva de Abril. Entre aqueles telhados e quintais tinha eu vivido muitos dos melhores tempos da minha juventude. Mesmo a meus pés, em frente, o portão e as escadinhas de muitas tardes e noites apaixonadas de ardor, a cabeça quente cheia de planos e aventuras. Ali eu fora feliz, por causa dos olhos negros de uma rapariga e dos beijos ousados do nosso amor.
Fazia-se tarde e apercebi-me que o sol já descia sobre a copa dos freixos, nos lameiros. Voltei a descer e atravessando o pequeno adro, subi pela rua deserta, passando pela longa fila de velhas casas desabitadas, torci o pé nos buracos do pavimento à curva da Ti Justina e finalmente detive-me diante da casa do padre António. No rés-do-chão uma porta enorme de madeira, já sem tinta; no primeiro andar, quatro janelões apagados. Fiquei parado, hesitante, a olhar a casa, não sabendo se devia ou não bater. Um rapazola desceu a rua; quando me viu ali especado, observou:
– É só abrir, nem precisa bater! Suba as escadas, sempre em frente… Devem estar na cozinha…
– Obrigado – Respondi. E, subitamente, tinha a aldrava na mão.
Empurrei-a com força, e a pesada porta abriu-se com dificuldade para um rés-do-chão silencioso e escuro. Do átrio pavimentado a granito subia uma velha escadaria senhorial, também em pedra, que conduzia a um largo corredor no primeiro andar, depois atravessando uma grande sala pobremente mobilada, à cozinha, num patamar ligeiramente inferior. Esta era de razoáveis dimensões, a mesa redonda e atoalhada cheia de papéis e jornais, junto à lareira, o fogão e por cima o cilindro de água quente.
A lareira, em granito enegrecido e revestida azulejos, estava acesa; os azulejos quentes reflectiam a luz difusa do lume e em volta da lareira, sentados, o padre António, a criada e duas visitas; um homem e uma mulher, esta fazendo renda.
Quando me viram parado à porta, o padre António sorriu, a criada fez um trejeito e a mulher que fazia na renda olhou um pouco para mim e depois baixou a cabeça, para apanhar o pano.
Desci as escadas, saudei os presentes O padre António levantou-se e vindo ao meu encontro, abraçou-me. Levantaram-se também a criada e as visitas, cedendo-me lugar junto à lareira.
Assim que me sentei, a conversa continuou sem cerimónia. A criada lamentou-se da sementeira das batatas, que o padre ainda teimava em fazer, apesar dos 92 anos e da saúde preclitante; o homem falou das ovelhas com que entretinha o tempo da reforma. À minha pergunta se fazia a ordenha, encolheu os ombros, «que não valia a pena… Não dava para o trabalho». A conversa derivou para a desertificação da terra, a falta de braços para amanhar os campos, dos parentescos entre diversas famílias. A senhora da renda, de vez em quando interrompendo a conversa, insistia que o padre bebesse toda a água da garrafa, para o exame ao estômago. A criada explicou então como o padre se vinha sentindo mal… Sem apetite, emagrecendo a olhos vistos… E a senhora da renda opinou que «era coisa séria… Que já tivera um mal ruim assim, mas de que se curara depois de muitas e complicadas operações». Falou-se por fim da minha mãe, falecida pelo Natal.
Aí fez-se um longo silêncio. Então o padre António poisando o copo, agarrando-me pelo braço, com a autoridade de quem foi amigo de quatro gerações da minha família, quer paterna, quer materna, sentenciou:
– A Isabelinha foi um navego! – E querendo sublinhar a mulher de trabalho que a minha mãe fora, reiterou – Toda a vida um navego!
Quando me despedi para ir falar ao Aires e subi as escadas da cozinha, senti que para trás deixava um amigo muito querido, uma testemunha privilegiada dos momentos importantes da minha família, desde a primeira grande guerra aos dias de hoje.
Nunca mais se ouvirão aquelas suas palavras precisas e oportunas com que nos acompanhou nesses momentos, pois há dois anos partiu para sempre.
A vida continua, inexoravelmente, com mais uma sensação de vazio, mas o seu espectro permanece como uma viçosa e alta giesta na rusticidade granítica destas terras.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O padre António Joaquim Sanches nasceu, na Ruvina, a 26 de Junho de 1914 e foi ordenado sacerdote em 30 de Julho de 1939. Faleceu no dia 7 de Junho de 2007. Não podemos deixar de nos associar a esta homenagem ao Padre António agora que passam 95 anos sobre o seu nascimento e dois anos sobre o seu falecimento. Se a memória dos homens (e dos autarcas) não for curta terá, com toda a justiça, direito a memorial na sua aldeia natal. Bem-haja por tudo Padre António.
José Carlos Lages
No passado sábado, dia 20 de Junho, tal como havia sido anunciado, realizou-se a festa do S. João em Foios. Os quatro mordomos apuraram-se para que tudo corresse bem. Quatro ou cinco dias antes trabalharam com afinco e tiveram a recompensa porque os objectivos foram plenamente alcançados.
| GALERIA DE IMAGENS – 20-6-2009 |
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Por voltas das 16,30 horas chegou à praça a camioneta com três vacas e um pequeno toiro para a largada que estava anunciada. Das 17 às 20 horas a rapaziada divertiu-se tanto no largo da praça como nas ruas circundantes. O gado, muito embora não fosse de grande porte, como convém, era bastante afinado. Só mesmo quem tiver olho vivo o pé ligeiro se poderá meter nestas brincadeiras.
O conterrâneo Tó Canhoto – também conhecido pelo padeiro dos Foios – lá se descuidou um pouco e teve azar. Uma vaca afinada – que corria como lebre – apanhou-o quando se escapava para uma calampeira. Foi no portão pequeno da casa do ti Chico da Clara que foi colhido. Já tinha o corpo na parte de dentro mas mesmo assim não deixou de levar uma marrada numa perna tendo-lhe partido a tíbia e o perónio um pouco acima do tornozelo. Chamou-se de imediato a ambulância, dos Bombeiros do Soito, que o transportou para o hospital da Guarda, onde ficou internado, tendo sido operado no dia seguinte. Sabemos que a operação correu bastante bem pelo que agora só o tempo o poderá recuperar.
A população dos Foios ficou consternada sobretudo porque exerce a actividade de padeiro. Desde há alguns anos que o Tó tem feito a distribuição do pão na maioria das freguesias da raia onde é muito querido e apreciado. Foi pena que lhe tivesse acontecido isto agora. Caminhamos para o mês de Agosto, altura em que o trabalho dobra e redobra.
Esperamos que tudo lhe corra de feição e que dentro de pouco tempo o possamos ter de novo entre nós ainda que seja de muletas, como é óbvio.
Como o estado de saúde do Tó Canhoto não era muito preocupante a festa continuou. Às 21 horas os mordomos começaram a colocar nas mesas as saborosas sardinhas, carne entremeada e febras. Foi tudo regado com a boa pinga como não podia deixar de ser.
Depois de todos bem comidos e bem bebidos teve início o baile que durou até às quatro da madrugada. Pouco depois da meia noite ardeu o pinheiro. É também um momento bonito e todas as pessoas esperam com alguma ansiedade.
Parabéns aos mordomos: Pedro Henriques, José Paralto, Hélio Leal e João Campos.
Ofereceram-se para o ano de 2010 os seguintes jovens: Tiago e João Pedro Dias, Francisco do Chico da Ti Bei, André Colela e Luis Carlos da São. Que tudo lhes corra bem são os nossos votos. Cá estaremos para ajudar.
João Campos
O(a) leitor(a) está recordado(a) daquela história em que o imperador romano Calígula quis nomear o cavalo senador? Segundo a história oficial e a verdadeira, Calígula era um louco e sanguinário, portanto não é de admirar aquela sua atitude. Mas desta vez, a sua extravagância tinha um significado: estivesse quem estivesse no Senado de Roma, esta seguiria o mesmo rumo político.
A introdução tem a ver com as últimas eleições para o Parlamento Europeu. A União Europeia não seguirá o mesmo rumo político-económico, estando o grupo dos Partidos Populares Europeus em maioria, ou estando os Partidos Socialistas Europeus? O mesmo rumo. O que me leva a ser tão peremptório? O seguinte: em mais de quinhentas votações nominais, os eleitos dos Partidos Socialistas Europeus, ditos de esquerda, onde está o Partido Socialista português, e os eleitos do Partido Popular Europeu, de direita, onde está o Partido Social Democrata português, coincidiram na votação, ou seja, votaram igual em 97% dos casos!!!
Dos partidos socialistas que mais penalizados foram nestas últimas eleições europeias, encontra-se o Partido Socialista português. Não é de admirar, porque presentemente não passa de um partido de direita moderada e reformista, que no fundamental, diferindo em algumas questões culturais e religiosas, é o mesmo que a direita conservadora. Argumentando que Durão Barroso é português, apoia-o para um segundo mandato como Presidente da Comissão Europeia, coisa que os Partidos Socialistas Europeus, excepto o espanhol, rejeitaram.
Se nessa democracia, capitalista/neoliberal, o que separa os governos das oposições, e vice-versa, não são desacordos ideológicos, nem diferendos pessoais entre políticos, o que os faz correr tanto para ocuparem o lugar?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
O Comando Territorial da Guarda da GNR, através dos seus destacamentos e postos apreendeu diversas armas no decurso da passada semana. No mesmo período a GNR registou 70 crimes, 327 contra-ordenações, 30 acidentes de viação e procedeu à detenção de 10 indivíduos.
Segundo o comunicado semanal da GNR, no período entre os dias 15 e21 de Junho, realizaram-se diversas operações. Destaque para a que se realizou no dia 16, através do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Gouveia, acompanhado dos elementos dos Postos Territoriais de Aguiar da Beira e Gouveia. Nessa operação, efectuada com a finalidade de detectar armas ilegais na localidade de Aguiar da Beira, foram apreendidas varias armas de fogo, munições de vários calibres, armas brancas, e ainda algumas gramas de haxixe e algumas sementes de cannabis, sendo ainda detido um indivíduo de 24 anos de idade.
Também no dia 21 de Junho, o Destacamento Territorial de Pinhel através do Posto Territorial de Vila Nova de Foz Côa, deteve dois indivíduos de 37 e 49 anos de idade de nacionalidade romena, por posse ilegal de armas brancas (espada samurai e faca de mato), que foram apreendidas.
Na semana em apreço foram registadas 70 ocorrências de natureza criminal, de entre as quais se destacam: 22 furtos, sendo: dois de veículos; três em estabelecimentos comerciais e outros edifícios; três em edifícios públicos; dois em residências e 12 outros furtos.
Foram detidos 10 indivíduos, dos quais oito em flagrante delito: três por condução sob o efeito do álcool, três por posse ilegal de armas, um por furto de veiculo automóvel e um por desobediência à Autoridade. Foram ainda cumpridos dois mandados judiciais de detenção.
Foram elaborados 327 autos de contra-ordenação, pelas seguintes infracções: 294 à Legislação Rodoviária, 29 à Legislação da Natureza e Ambiente, quatro à Legislação Policial.
Registaram-se 30 acidentes de viação: 18 por colisão, 10 por despiste e dois por atropelamento, dos quais resultaram um ferido grave e cinco feridos leves.
O Comando Territorial, levou a efeito três operações destinada à fiscalização rodoviária. Delas resultou a fiscalização de 518 veículos, sendo elaborados 35 autos de contra-ordenação ao Código da Estrada e efectuadas três detenções por condução sob efeito do álcool.
No dia 18 de Junho, o Posto Territorial de Celorico da Beira identificou dois homens e uma mulher pela prática de furtos de artigos de ouro em ourivesarias e que tinham na sua posse vários artefactos em ouro, no valor de cinco mil euro, alguns dos quais furtados momentos antes numa ourivesaria em Gouveia.
No dia 18 de Junho, numa outra acção, foi detido um homem suspeito da prática de furto de veículos. O indivíduo de 20 anos, residente na Guarda possui antecedentes criminais com condenações pela prática de furtos. O detido foi presente ao Tribunal Judicial da Comarca da Guarda ficando a aguardar julgamento em liberdade.
No período, foram realizadas cinco operações no âmbito da Fitossanidade Florestal, na zona de fronteira com Espanha, direccionadas para a fiscalização do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 246 veículos e elaborados 15 autos de contra-ordenação.
Foram efectuadas duas Acções de Sensibilização pelos Núcleos Escola Segura (NES), nos Concelhos da Guarda, subordinadas ao tema «Segurança Rodoviária», onde estiveram presentes 55 alunos.
Nos dias 15, 16 e 18, no âmbito do encerramento do Ano Lectivo, os NES do Comando Territorial da Guarda, participaram em três acções de sensibilização e demonstração de meios e valências da GNR, com Patrulhas de Cavalaria, Patrulhas de Trânsito, Ordem Pública, Equipas EPNA e Equipas Cinotecnicas na Escola 2.º e 3.º Ciclos de Fornos de Algodres, Parque Urbano do Rio Diz (Guarda) e Parque Senhora dos Verdes (Gouveia). Nas actividades estiveram presentes mais de dois mil alunos.
plb
Afinal os portugueses fizeram uma interpretação incorrecta da polemicamente famosa «Lei dos Poços». O ministro do Ambiente, Nunes Correia, «secou» a lei garantindo que «quem tirar um balde de água para dar de beber ao gato não precisa de licença». E já prometeu novo formulário e um despacho para clarificar a «desnecessária» polémica até porque nunca foi obrigatório declarar os furos e os poços. Assim, tal e qual…
O ministro do Ambiente, Nunes Correia, manifestou-se «surpreendido» com a interpretação «absolutamente errónea» que os portugueses fizeram da polémica «Lei dos Poços». De forma límpida explicou em conferência de Imprensa na passada sexta-feira, 19 de Junho, que «as captações antigas com meios de extracção de água inferiores a 5 cavalos de potência não têm de ser comunicadas às Administrações de Região Hidrográfica (ARH)».
«Apenas os proprietários de furos ou poços com motores de extracção acima dos 5 cavalos (cv), necessitam de uma licença de utilização. Os restantes – cerca de 95 por cento dos casos – estão isentos dessa licença». O ministro respondia desta forma às preocupações manifestadas por um grupo de agricultores de Bragança que criou a Associação Nacional de Proprietários de Poços, Furos e Captações de Água para travar aquela que é já conhecida como a «Lei dos Poços».
A comunicação da propriedade de poços é facultativa e apenas serve para assegurar os direitos no caso de um vizinho pedir a abertura de um furo nas imediações do terreno. De igual modo, se não for feita, não implica o pagamento de qualquer coima. Os formulários já foram alterados e o Ministério vai fazer publicar um despacho para clarificar a polémica.
«Num poço com 10 metros de profundidade o uso de meios com 5cv de potência permite extrair 110 metros cúbicos de água por hora com um impacto significativo na qualidade das águas. Nesse caso os proprietários das captações devem regularizar a situação, obtendo na ARH correspondente à área em questão uma autorização para o uso dessa água, até 31 de Maio de 2010», esclareceu Nunes Correia. No caso de valores de extracção muito elevados – de mais de 16,600 mil m3/ano, os proprietários ficam obrigados ao pagamento de uma taxa anual de 10 euros, um valor que aumenta proporcionalmente.
Em relação às captações novas a comunicação deixa de ser facultativa mas não exige qualquer pagamento. «Quem abrir um furo onde não tenha meios de extracção superiores a 5cv tem apenas que dar conhecimento às ARH», sublinha o governante.
Em tom irónico o ministro garantiu ainda que «a generalidade das captações não chega a ter motores de um cavalo e que quem tirar um balde de água para dar de beber ao gato não precisa de licença».
As surpreendentes declarações do ministro do Ambiente confirmam que, afinal, quase ninguém em Portugal soube interpretar o espírito da «Lei dos Poços». Os motores de rega passaram de feras a cordeiros. Pois…
jcl
Muito se tem falado na questão dos downloads ilegais nos últimos tempos, sobretudo devido a uma polémica lei francesa, que prevê o corte da Internet a quem abuse. Penso que tudo não passa de uma questão de consciência: só faz quem quer e não tem amor à arte.
Há várias razões que levam alguém a descarregar um filme ou uma música na Internet sem pagar. A mais simples é o facto de ser gratuita, logo a mais apetecível. Eu não me oponho a quem o faz, aliás tenho muitos amigos que o fazem e não o censuro, mas não o faço por uma simples razão: nada é melhor do que o original.
Seja um filme ou uma música, para mim ver um filme pirateado no computador ou mesmo gravado em DVD é quase como ver a representação de um quadro famoso num postal ou num livro. Nunca é a mesma coisa. Sobretudo quando estamos a falar de cinema. A sensação de ver um filme na tela é completamente diferente da de o ver em casa, há sempre pormenores que falham. Quanto mais numa cópia cuja qualidade por vezes não é a melhor.
Por outro lado a indústria cultural ainda não se adaptou ao universo infinito do digital e se não encontrar uma saída a curto prazo muito do que se faz actualmente pode deixar de existir. Não falo da obra de grandes cineastas, com nome feito, cujos filmes fazem sempre receita, independentemente das cópias que são descarregadas ilegalmente. A minha preocupação vai para os jovens que querem iniciar uma carreira de realizador e muitas vezes não têm apoio dos estúdios, que sempre tiveram medo de falhar nas receitas, e agora começam a temer que este seja visto mais vezes por meios ilegais.
Como seria o cinema actual se na década de 70 já existissem downloads e realizadores como Martin Scorcese, Steven Spielberg e toda aquela geração que influenciou e apaixonou tanta gente fosse apanhada na vaga. Se calhar não teríamos visto obras como «ET», «Touro Enraivecido», «Apocalipse Now», entre muitos outros.
No fundo quem também acaba por perder somos nós, que gostamos de cinema.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
Na abertura das tradicionais Festas de S. João, no Sabugal esteve presente a Orquestra espanhola «Primera Fila».
Oriunda da cidade de Granada, no sul do país vizinho, a Orquestra é constituída por 14 elementos em palco.
Para além de um vocalista feminino e outro masculino, a orquestra tem uma poderosa secção de sopros (com trombone de varas e trompete), para além dos tradicionais baixo, guitarra, teclas, percussão e bateria.
Muitos pasodobles, tangos e valsas fizeram a alegria dos presentes, que até ensaiaram uns passos de dança.
Seguiram-se muitas rumbas e sons caribenhos e latino-americanos.
O final ficou reservado para o pessoal mais novo, com execução de temas da banda espanhola Escape (com o tema «Legalizacion»), Queen, Europe, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival e outros.
Para além do aspecto meramente musical, há a destacar a forte componente cénica da Orquestra, com constantes mudanças de indumentária e um corpo de dança de se lhe tirar o chapéu.
Enfim, para a abertura das Festas a Orquestra «Primeira Fila» revelou-se uma aposta acertada.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
A freguesia da Rebolosa recebeu na tarde de domingo concertos de música, assim se proporcionando uma tarde diferente, resultante de uma iniciativa da Junta de Freguesia e da Associação local.
Verdes são os campos
da cor do limão:
assim são os olhos
do meu coração.
Campo que te estendes
com verdura bela;
ovelhas que nela
vosso pasto tendes:
d’ervas vos mantendes
que traz o Verão,
e eu das lembranças
do meu coração. (…)
Luís de Camões
O início do Verão trouxe também estas e outras músicas até à Rebolosa. No dia 21 de Junho, pelas 15 horas, o povo da Rebolosa dirigiu-se à Igreja Paroquial para assistir a um concerto de música popular. Para isso contámos com o empenho e boa vontade da Associação Juvenil C.S.D. de Vilar Formoso em que se insere o Grupo de Cordas e o Grupo Coral Infantil, associação fundada em 1998 e que, gratuitamente, nos proporcionou momentos diferentes.
Numa tarde muito quente, mas num ambiente acolhedor e magnífico como é o da nossa igreja, assistimos a músicas que quase todos conhecemos, cantadas por vozes bem afinadas de cerca de 15 crianças, acompanhadas ao som de vários instrumentos, como o bandolim, o alaúde, a guitarra, as teclas, o acordeão e também alguns instrumentos de percussão, tocados por um grupo de 20 adultos. Noutras músicas houve também a participação vocal de elementos adultos.
Uma actividade promovida pela Junta de Freguesia e Associação S.C.D. de Rebolosa, que, mais uma vez, proporcionaram um momento diferente à população da Rebolosa. Um bom exemplo de cooperação entre estas instituições locais que têm como principal objectivo contribuir também para o desenvolvimento cultural e social da freguesia em que se inserem. Um agradecimento especial à igreja da Rebolosa, na pessoa do nosso pároco, Sr. Padre António Dias Domingos, que prontamente concordou com a realização deste concerto no local. Afinal a música é também uma forma de louvar a Deus.
Já agora, fica aqui o convite para virem à Rebolosa praticar desportos radicais no próximo dia 5 de Julho.
Manuel Rei Esteves Barros
Um ourives da Guarda foi roubado por dois homens que partiram o vidro do carro e fugiram com uma mala contendo ouro avaliado em 160 mil euros.
O caso deu-se na tarde de sábado, dia 20 de Junho, quando o comerciante chegou a casa vindo do mercado de Pínzio, onde montara uma banca para a venda de ouro e jóias. O ourives estacionou a viatura em frente à sua casa e transportou uma mala e uma pasta para a habitação, momento que os ladrões aproveitaram lhe roubarem uma outra mala que tinha ficado na viatura.
O ourives Delfim Moreira é proprietário de três ourivesarias na cidade da Guarda e também se desloca a feiras no exercício da sua profissão. Em declarações à Lusa, disse que «foi tudo muito rápido»: quando, com a ajuda de um empregado, transportava alguma mercadoria para casa «partiram o vidro da bagageira da carrinha e retiraram uma mala com artigos em ouro». «Fechei a carrinha e fomos para casa. Passados dois minutos, quando regressei para levar a outra mala, uma vizinha disse-me que me tinham partido o vidro da carrinha e que tinham roubado a mala», disse.
Ainda segundo o comerciante, terão sido dois indivíduos a perpetrar o roubo, fugindo de seguida «num carro azul». A mala roubada continha «anéis, fios e artigos mais leves, avaliados em cerca de 160 mil euros».
Com o receios aos assaltos, de que os ourives são cada vez mais vítimas, Delfim Moreira disse ainda à Lusa que ultimamente apenas se desloca aos mercados de Pínzio e Fundão «fazendo todo o percurso por auto-estrada». «Nunca pensei que me pudesse acontecer uma coisa destas e logo à porta de casa”, desabafou o ourives que exerce a profissão há 36 anos.
A PSP da Guarda tomou conta da ocorrência, estando em curso as investigações para tentar localizar os suspeitos da prática do furto.
plb
Em 1938 a aldeia de Monsanto arrecadou o título da «aldeia portuguesa mais característica», num concurso promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo.
MONSANTO – Edificada no cimo de um penedo a 758 metros de altura, Monsanto destaca-se na planura da paisagem envolvente – daí ter sido um dia chamada de Mons Sanctus (Monte Santo). Em 1938, arrecadou o título da «aldeia portuguesa mais característica», num concurso promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo. Desde aí, a povoação quase esculpida na rocha granítica, que serve de tecto e chão às suas habitações, abandonou por completo o anonimato.
Na povoação – onde cerca de 170 habitantes teimam habitar, apesar do rigor dos Invernos e Verões – restam vestígios arqueológicos de um castro lusitano e da ocupação romana do Campo de São Lourenço, além de alguns sinais de permanência visigoda e muçulmana.
Sabe-se que o burgo foi conquistado aos mouros em 1165, por D. Afonso Henriques, e doado aos Templários, que aí edificaram o castelo. Em 1174 obteve Floral e, em 1510, foi elevada à categoria de vila, que sofreu investidas mouras, de Filipe IV de Espanha e, em 1758, do Duque de Berwick, todas fracassadas.
Actualmente, o aroma da história funde-se com o da lenha no Inverno e da vegetação sob o calor do Verão, numa aldeia onde é obrigatório deixar o carro para passear e visitar os marcos de tão longo passado.
Destacam-se o castelo medieval em pedra granítica, as ruínas da Capela de São Miguel (séc. XII) e a Igreja de Santa Maria do Castelo. Se resistir a tão íngreme caminhada deve prosseguir ate à Igreja Matriz ou de S. Salvador (séc. XV), que conserva alguns elementos românticos, passar pela Torre de Lucano, pelo Pelourinho (séc. XVI) e pela Igreja da Misericórdia.
Algo impressionante é a maneira em que os habitantes aproveitam a paisagem que lhes rodeia. Exemplos disto são «a casa de uma telha só» (um gigantesco pedregulho cobre a habitação), e a «gruta», visitável, que não passa de um intervalo entre rochedos, dotado de porta e iluminação eléctrica.
Em 2002, a «aldeia mais portuguesa» converteu-se também na Capital das Percussões, na estreia do I festival de Percussões de Monsanto.
Actualmente, metade das casas está a cair e cerca de três quartos à venda e muitas das que existem, substituem o xisto pelo cimento.
Também aqui se nota a desertificação do interior beirão.
José Saramago, lançou ontem o desafio de unir o conjunto de aldeias históricas da Beira Interior, num itinerário cultural. A proposta.foi feita em Figueira de Castelo Rodrigo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Colónia Agrícola de Martim Rei no concelho do Sabugal.
«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com
Sou do tempo em que o professor era um verdadeiro educador, assumindo em pleno a sua função pedagógica, que complementava a educação que cada criança recebia em sua própria casa.
O professor Frederico tinha forte propensão para o castigo corporal, baseado em palmatoadas e bordoadas de arrebimba o malho. Mas, há que dizê-lo, era um verdadeiro Mestre. Muito do que fui e sou na vida o fiquei a dever à rispidez desse professor primário, e isso nunca poderei esquecer.
A minha educação começou em casa, sob a batuta de minha mãe e de minha irmã mais velha. Aos seis anos ingressei na escola da aldeia, onde minha mãe me conduziu pela mão num dia chuvoso e me entregou ao cuidado do professor Frederico, a quem recomendou em voz clara:
- Bata-lhe, Senhor Professor. Ele às vezes precisa duma sacudidela.
Minha mãe não era uma mulher severa, sendo antes carinhosa e complacente com os filhos, mas ela bem sabia a importância da obediência ao Mestre. As palavras que dirigiu ao professor eram sobretudo para eu ouvir e para me colocar de sobreaviso. O professor Frederico, precisava lá da recomendação dos pais da canalha para lhes arrumar cacetada! Isso fora o que ele sempre fizera, porque nas suas aulas vigorava o Código da Palmatória.
Hoje os professores não podem tocar nos meninos e nem sequer repreendê-los. Ai daquele que o fizer, que logo lhe caem os pais em riba, prontos a derrancá-lo e a processá-lo por crime contra a Humanidade. O resultado é formarmos homens que não sabem ler nem escrever e tampouco fazer contas. Os jovens crescem numa redoma protectora que os impede de se prepararem para a vida. Por isso os vemos ingressar na vida profissional conduzidos pela mão dos pais, que os vão recomendar aos patrões e aos chefes, e só não lhes dão o biberão à hora da deita porque têm medo que o leitinho os deixe indispostos.
Confesso que não defendo o castigo corporal, pois bem me bastaram as reguadas que apanhei e que me doeram sobremaneira. Não defendo isso para o meu neto, coitado do menino, mas há coisas que se deviam sempre respeitar. Uma delas é a palavra e a ordem de um pedagogo no exercício da docência. Só com respeito pelos professores se podem formar devidamente os homens do futuro.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

O «Interior Tv» é um projecto de Web Tv implementado em parceria pelo jornal «O Interior» e pela Rádio Altitude. Pretende fazer um novo tipo de jornalismo multimédia integrando as notícias da imprensa escrita, da rádio e da televisão.
Quando em Janeiro lancei a ideia publicamente aqui no Capeia Arraiana, já por diversas vezes a tinha abordado em privado com algumas pessoas com responsabilidades nestes eventos que a consideraram como inútil e desprezível.





































O escritor do livro «A Viagem do Elefante» disse à agência Lusa que prefere «não fazer acreditar as pessoas que o elefante passou por aqui ou por ali», bastando-lhe no seu entender «dizer-lhes que podia ter passado». Depois de lançar o repto Saramago partiu com os «amigos de Salomão» para Valladolid, cidade onde no século XVI o elefante se encontrou com o seu novo dono que dali o acompanhou até Viena.
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