A análise da factura da água de um conterrâneo que vive no Concelho, leva-me a afirmar, como diria o outro, «não havia necessidade…»

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Por vezes pagamos o que pagamos sem termos o cuidado de ler a factura que nos apresentam, e então se falamos de pessoas idosas, muitas vezes sem saber ler e escrever, ou com grandes dificuldades de visão ou mesmo de entendimento, o não ler a factura é quase certo.
Pego então num cidadão pensionista a residir sozinho no Sabugal, que consumiu durante um mês apenas dois metros cúbicos de água, o que significaria pagar, de acordo com o tarifário em vigor, 1,40 euros. No entanto, integram a factura mais 3 taxas – a Taxa de Disponibilidade no valor de 4,01 euros, a Taxa de Saneamento no valor de 0,68€ e por fim uma Taxa de Lixos de 1,11 euros.
Isto é, este idoso, cujo consumo de água é quase residual, paga 5,8 euros de Taxas Camarárias, o que representa quatro vezes o valor do seu consumo de água!…
Saliente-se aliás que todos estes valores eram em 2008 cerca de 2,9% mais baratos, ou seja, sofreram uma actualização muito acima daquilo que se prevê venha a ser a inflação deste ano.
Compreendendo que os cidadãos têm de participar financeiramente nos custos do Serviço Público, será correcta a forma como se estão a definir e a aplicar estas taxas? Numa altura em que tanto se fala de crise e de pobreza, será correcto cobrar 5,8 euros mensais a um idoso que, vivendo sozinho, tem um consumo de água tão baixo?
E quantos idosos sabugalenses estão nesta situação?
A título de exemplo, e consultando o tarifário dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Guarda, conclui-se que para o mesmo consumo (2 metros cúbicos), o valor da factura sem IVA seria de 6,05 euros, contra os 7,20 euros no Sabugal (cerca de 20% mais barato).
E não se entrou neste cálculo com tarifas sociais que na Guarda fazem com que até 10 metros cúbicos de consumo um pensionista cujo rendimento seja inferior a duas vezes a pensão mínima, pague o metro cúbico de água a 0,5 euros em vez dos 0,75 euros.
Como tenho repetidamente afirmado, a qualidade de vida das populações, com especial incidência nos idosos de recursos mais fracos, deve ser uma das prioridades dos responsáveis autárquicos.
E diminuir os custos fixos que os mesmos suportam mensalmente deveria ser um objectivo permanente.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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