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Comme dit un proverbe «africain» si tu ne sais pas où tu vas regardes d’où tu viens.
Quem conduz o carro no caminho? Será o caminho que ditando as leis do percurso o tornam no condutor? Ou será o homem que segue o traçado imposto pelo próprio caminho.
Caminhar movimenta-nos no espaço e no tempo, onde uma cultura de percurso e contactos energéticos altera a nossa polaridade e sensibilidade. Os velhos amantes são muito parecidos, tornaram-se semelhantes ao longo do tempo de permanente contacto. As relações humanas constituem assim mecanismos de trocas energéticas e de alterações de polaridades, que tanto podem elevar-nos como provocar o efeito contrário. Ao masculino cabe a entrega pela posse, ao feminino a posse pela entrega.
Numa estratégia em que nos damos de comer um pouco para comermos um pouco mais, as ralações entre as pessoas contêm um princípio canibalesco. Os pais também canibalizam os filhos, ao imporem condicionalismos a um crescimento que querem ver perpetuado na sua memória e nos seus genes, estes por sua vez (como algumas aranhas) comem uns pais complacentes, bebendo neles recursos físicos e mentais depauperantes, mas também perpetuadores.
Estas não são relações de Amor, são relações de presa e predador sujeitas à escravidão do argumento evolucionário.
Caminhar afasta-nos também do conteúdo original na criança que fomos. Tornando-se mais difícil ouvir, na multidão de formatos mentais e experiencias de percurso, onde reina o plagiador de identidades convenientes, ao serviço de uma qualquer estratégia de sobrevivência.
Misterioso homem, proclamador de um Darwinismo que a ele não explica, no seu desproporcionado potencial mental, quando uma pequena parte bastaria para ser bem sucedido como espécie.
Voltar à criança depois de percorrer o caminho, à criança sem percursos onde a energia flui, livre de conceitos civilizacionais, onde ela pode ser boa ou má, livre, brincando e movendo-se apenas porque sim, sem razões nem explicações, surfando num oceano de energia fluida, livre de obstáculos mentais, de desejos e tentações. Mas ela tem de crescer, cumprir o animal mental, mergulhar e ser possuída por esse inferno, e esquecer-se de si para um dia talvez relembrar.
A natureza do desejo, faz-nos perseguir miragens no deserto. Atingirmos ou não um desejo, é sermos felizes ou infelizes, o desejo é a moeda em cujas faces está a alegria e a tristeza. Nós desejamos o lado feliz da moeda, esquecendo até que é uma moeda e que como tal o lado feliz não existe sem o lado infeliz. No efémero momento em que possuímos o lado feliz da moeda, não vemos já a sombra da tristeza sobre nós. Assim que ela nos possui deitamos fora a velha moeda e corremos em direcção a outra. A um novo objectivo, que logo perde intensidade para de seguida perseguirmos outro, numa roda-viva de estímulos e respostas em que julgamos ser donos das nossas acções de percurso.
A ilusão da moeda de uma face é a ilusão tentadora no percurso em Matrix (filme), no Maya dos budistas ou simplesmente na nossa própria vida. É assim que a nossa mente entende o mundo, ela divide, não é capaz de ver o Centro, e aceder a um sentimento de totalidade.
O não desejo prepara o terreno, o não desejo em possuir alegria ou em repelir a tristeza por saber serem instrumentos da Matrix, prepara um caminho onde tudo quanto é, é apenas por ser, numa onda de Energia Consciente.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura
mouramel@sapo.pt
O Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, não validou as eleições realizadas na Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, decidindo antes nomear uma comissão administrativa, facto que provocou a ira dos irmãos, que não aceitam a nomeação e manifestam-se dispostos a fazer tudo para que a lista vencedora assuma funções.
A Misericórdia local é proprietária do lar de idosos, e é detentora de um importante património, para além de uma avultada conta bancária, factos que levam a que a população considere haver interesses obscuros que conduziram a esta situação.
Em 7 de Fevereiro deste ano houve eleições, das quais saiu vencedora, por larga maioria, a lista encabeçada por Joaquim Vaz. A 14 de Março as eleições repetiram-se e a mesma lista voltou a vencer. Porém o bispo da Guarda, a quem a lista derrotada apelou, não validou o resultado, por considerar que uma boa parte dos irmãos não estavam habilitados a votar por não terem jurado o compromisso ao provedor em exercício. Em consequência o prelado nomeou uma comissão administrativa, encabeçada pelo diácono António Lucas, de Vale de Espinho, e composta por elementos da lista derrotada, para dirigiu a instituição.
O povo de Alfaiates teima agora em não acatar a nomeação, afirmando-se disposto a não deixar que os seus membros tomem posse, facto que tem levado a que os nomeados também não se dirijam à instituição, por temerem represálias.
O impasse mantém-se, mas a população parece disposta a não deixar que se faça a vontade do prelado, por considerarem que a Misericórdia, já com 800 anos de existência, pertence em exclusivo a Alfaiates, por ter sido o seu povo que a edificou, sem a ajuda de ninguém.
O lar de idosos, que acolhe 50 idosos e presta apoio domiciliário a outros 10 utentes e emprega 12 funcionários, é a principal preocupação, pois não poderá aguentar-se em funcionamento sem uma direcção em plenas funções.
plb
Estamos na semana da Páscoa, quase prontos e de abalada, para a habitual romaria às nossas paragens, que acontece, todos os anos, por esta altura.
Na zona arraiana esta quadra é bem especial pois, para além das festividades da Páscoa, que se celebram, não esqueçamos a implantação de uma forte religiosidade, outros acontecimentos relevantes acontecem por todo o Concelho.
Em Aldeia da Ponte, mais uma vez vai decorrer a habitual Capeia da Páscoa, já anteriormente noticiada, tarefa esta, que tem sido da nossa Associação jovem, pelo quarto ano consecutivo.
Já em tempos escrevi, que a época taurina, por estas paragens, tem início com a Capeia da Páscoa em Aldeia da Ponte, prolongando-se em Junho com mais duas Capeias, no Santo António e no São Pedro, sendo esta última, realizada na velhinha Praça da Aldeia, dentro do povo, seguindo-se o mês de Agosto, onde as Capeias são determinantes em quase todas as localidades da raia sabugalense, encerrando as respectivas festas dedicadas ao Santo Padroeiro, ou mais representativo, nas diversas Aldeias da Raia do Concelho de Sabugal.
Não se pense, que são só estes espectáculos, que marcam esta época, muitos outros há, que vão inundando a nossa zona, já anunciados nos diferentes órgãos de comunicação regionais e diferentes sites da net.
Cada povoação lá vai efectuando os seus eventos, dentro das suas possibilidades, para as quais se vão mobilizando as pessoas.
É sempre bom fugir das rotinas. As populações agradecem estes acontecimentos e todo o movimento gerado, penso.
Apenas uma última nota, bem merecida. Como desportista que me prezo, queria deixar aqui, os meus sinceros parabéns à Associação Cultural e Desportiva do Soito e a todos os seus técnicos e jogadores, pela conquista do Campeonato da 2.ª divisão da A.F. Guarda, em Futebol de 11, batendo, sem apelo, na final a equipa de Penaverde por 3-0, disputada no Municipal da Guarda, no passado Domingo, dia 5 de Abril.
Na próxima época, teremos duas equipas do Concelho, em compita, na 1.ª Divisão Distrital, juntando-se assim, a ACD do Soito, com inteira justiça, ao Sporting Clube de Sabugal, «velho» conhecido destas andanças.
À caminhada, impressionante, no campeonato, contando por vitórias todos os jogos disputados, seguiu-se a final, concluindo a época em beleza. Cinco estrelas! Está de parabéns a ACDS e o desporto no Concelho de Sabugal.
Para si, caro amigo, uma Boa e Santa Páscoa, como se costuma dizer, são os meus votos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, tem programados para sábado, 18 de Abril, uma visita ao distrito da Guarda e um comício na cidade guardense. A apresentação pública de alguns candidatos autárquicos laranjas poderá ser uma hipótese na agenda da líder social-democrata em terras beirãs.
O «Fórum Portugal de Verdade» anda na estrada com a sua principal protagonista a líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, desdobrando-se em comícios e sessões de esclarecimento. Na quinta-feira, 16 de Abril, estará em Aveiro, no dia 17 em Castelo Branco e no sábado marcará presença na Guarda, igualmente, para um comício.
Esperam-se muitas novidades «laranjas» entre a Páscoa e o final do mês de Abril. Está marcada para o dia 14 de Abril uma reunião da Comissão Permanente e da Comissão Política Nacional do PSD. Os estatutos do partido dão competências à Comissão Política Nacional para apresentar ao Conselho Nacional as propostas de listas de candidatura ao Parlamento Europeu competindo ao Conselho Nacional do partido a última palavra. O Tribunal Constitucional obriga à apresentação das listas dos candidatos ao Parlamento Europeu até ao dia 27 de Abril.
A cidade da Guarda poderá ser, no dia 18 de Abril, o palco escolhido para dar a conhecer novidades «europeias» e para algumas apresentações… autárquicas.
jcl
A equipa de reportagem da LocalVisão Tv, que mantém uma parceria privilegiada com o Capeia Arraiana, esteve presente no Passeio Equestre do Soito realizado no passado dia 29 de Março entre a Praça de Toiros da vila raiana e o complexo turístico da Quinta das Sereias.
jcl
Tendo deixado clara a minha posição sobre qual o modelo de regionalização que mais interessava ao Concelho do Sabugal, vou agora responder à questão que havia colocado a mim mesmo: a inserção numa Região territorialmente mais alargada não seria boa para o Concelho?
E para responder a esta questão devo, antes do mais, relembrar algumas realidades sem retorno:
1 – As dinâmicas de reorganização «regionalizada» da Administração Central conduziram à sua divisão pelas cinco NUTs II – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve;
2 – A filosofia de organização do actual Quadro Comunitário de Apoio (QREN) assenta em cinco Programas Operacionais Regionais, territorialmente coincidentes com as tais cinco NUTs II;
3 – Estão a ser definidas estratégias de desenvolvimento peninsular que, no nosso caso, se baseiam nos territórios Região Centro (Portugal) e Região Castilla y Léon (Espanha).
Isto é, nem sempre a realidade se adequa ao sonho…
E tenho algumas dúvidas sobre a possibilidade de hoje congregar os interesses dos Municípios da Beira Interior para uma defesa comum desta Região, bastando pensar no que se passou com a constituição da COMURBEIRAS à qual Castelo Branco não pertence, arrastando consigo os restantes Municípios que integram a Beira Interior Sul.
E não sendo uma Região que envolvesse os dois distritos, que outra poderia ser?
Tendo em atenção o que acabo de dizer, e na perspectiva de que a opção final seja a das cinco Regiões, considero que tudo deve ser feito para, na defesa do princípio que avancei na primeira desta série de crónicas de que «regionalizar significa tornar mais eficaz a governação e modernizar as organizações territoriais assentes num exercício de democracia de proximidade» garantir que:
– A estruturação da Região Centro atenda às especificidades subregionais, criando mecanismos de decisão democrática descentralizados, e onde a Beira Interior tenha uma palavra a dizer sobre as opções de desenvolvimento da mesma;
– Não se adoptem processos de decisão meramente assentes na relativa importância demográfica dos Municípios, o que significaria à partida uma clara dominância dos territórios litorâneos;
– Seja entendida a especificidade territorial desta SubRegião, quer no contexto nacional, quer no contexto de centralidade peninsular.
Terminando, quero deixar bem claro que o que acabo de dizer tem uma única leitura: Os interesses do Sabugal passam pela defesa da Região Beira Interior, mas que, se tal não for possível, a atitude é defender uma Região Centro onde o Concelho do Sabugal não deva ser um parceiro menor.
E isto, custe a quem custar, só depende de nós…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Numa época generosa para o concelho do Sabugal, em termos desportivos, o Soito sagrou-se no passado sábado campeão da segunda divisão distrital de futebol, enquanto que o Sporting Clube do Sabugal se mantém na luta pela subida à terceira divisão nacional.
A Associação Cultural e Desportiva do Soito venceu o outro finalista da segunda divisão, o Penaverde, por três bolas a zero, num jogo disputado no dia 5 de Abril, no Estádio Municipal da Guarda. O Soito, que venceu todos os jogos disputados esta época, subirá assim à primeira divisão distrital, o que acontece pela primeira vez.
Porém o Sabugal, que milita nessa primeira divisão, poderá não aguardar aí pelo Soito, uma vez que mantém vivas as possibilidades de ganhar o campeonato e subir à terceira divisão nacional. O clube sabugalense está na terceira posição, a cinco jornadas do final, separando-o do primeiro classificado, o Aguiar da Beira, apenas quatro pontos.
Na última jornada, disputada no passado domingo, o Sabugal foi perder a Trancoso por duas bolas sem resposta, assim cavando o fosso de quatro pontos para o Aguiar da Beira, que ganhou, deixando também fugir o clube Medense, que estava em igualdade pontual e agora está adiantado três pontos.
O Sabugal soma 15 vitórias, cinco empates e cinco derrotas, tendo marcado 41 golos e sofrido apenas 15, sendo de resto a defesa menos batida do campeonato.
Na próxima jornada, que se disputa no dia 19 de Abril, o Sabugal recebe o Meda, segundo classificado, tendo portanto a possibilidade de anular os pontos que o separam deste clube. Depois jogará com Vila Cortez, Mileu, Vilar Formoso e Foz Côa, o que constitui um calendário difícil, mas onde é possível obter vitórias, esperando que o Aguiar da Beira e o Meda sucumbam face aos seus também difíceis adversários.
O presidente do Sporting do Sabugal, Carlos Janela, que falou ao Capeia Arraiana, considera que o resultado da última jornada dificultou as contas do clube raiano, mas mantém a esperança. «Não esperáva-mos perder em Trancoso, sendo que agora temos pela frente dois adversários que é necessário ultrapassar, dependendo do resultado de terceiros, porém estão ainda 15 pontos em disputa e tudo pode acontecer», disse-nos Carlos Janela.
O Sporting Clube do Sabugal foi campeão distrital em 1988, altura em que subiu à terceira divisão, onde apenas militou uma época. Passados 21 anos a expectativa é grande e o desejo de vencer prevalece, pelo que se acredita fortemente nessa possibilidade.
plb
Vilar Maior foi terra templária. O seu imponente castelo diz-se ter sido construído pelos templários por volta de 1220, por ocasião da doação do termo de Touro aos templários.
De facto, a única porta que ficou da cerca da vila ostenta a data de 1218, mas por esta tempo o senhorio da mesma devia ser leonês, porque tendo os templários iniciado a construção do castelo de Vila de Touro, os Leoneses lhe contrapuseram a construção do castelo de Carya Tallaya (cabeço da Senhora das Preces, Ruvina). E nem um nem outro seriam concluídos, porque se tornaram inúteis com a mudança da fronteira pelo tratado de Alcanizes. Portanto por ocasião da referida doação aos templários do termo de Touro, a margem direita do Côa era leonesa, à excepção de Castelo Mendo; sendo Vilar Maior era seguramente leonesa, depois de uma breve ocupação portuguesa, desde 1230 até à sua conquista por D. Dinis, que a doou aos templários em 1296.
É desta altura a monumental torre de menagem do seu castelo, com 35 metros de altura (uma das mais altas de Portugal); com três pisos, apresentando mais de 100 siglas de cariz alquimista utilizadas pelos templários.
Outros elementos templários que se encontram em Vilar Maior, são a cachorrada da igreja da Senhora do Castelo, e a pia baptismal (visigótica… templária?) em granito monolítico originária da mesma igreja, que apresentam várias cruzes orbiculares templárias.
Mas os templários, além desta cruz orbicular, também empregavam varias cruzes diferentes desta, como a cruz celta (swástica- que em sânscrito significa cruz), que é comum a muitas civilizações da antiguidade, associada ao culto solar, que na geometria pitagórica, cujos símbolos os templários utilizaram, representava a ideia do ser perfeito e era representada pelo círculo.
Resumidamente, a cruz swástica é o símbolo das quatro forças sagradas que sob inumeráveis nomes e aspectos diferentes representaram um papel importante na concepção humana do Criador e da Criação, desde o alvorecer dos tempos, até hoje em dia (Fogo, Água, Ar e Terra).
Com essa consequência, eles governam os movimentos de todos os corpos no Universo. Isso demonstra que todos os corpos giram de oeste para leste e que todos os circuitos formados pelos corpos em movimento vão do ocidente para oriente, girando em torno de um centro. O símbolo demonstra que este centro é a força primária, isto é, o Grande Infinito; o Todo-Poderoso.
Ora os templários também deixaram, em Vilar Maior esta cruz. No museu de Vilar Maior está exposta uma pedra que passa desapercebida à maioria dos visitantes e que mostra uma swástica dupla. Esta swástica engloba as duas swásticas; a de Vishnu (movimento de construção – rodando para a direita) e a de Vishnu (movimento de destruição – rodando para a esquerda).
É curioso que à entrada, o templo de Salomão, de onde os templários herdaram o nome e tiveram a primeira sede, também tinha esta dualidade, representada por duas colunas. A da direita, com a inscrição jaquim (em hebraico jah–Deus + achim–consolidou), que significava construiu; e a da esquerda, com a inscrição Boaz (em hebraico beth-em +oaz-força), que significava a força que é necessária para destruir e moldar a matéria na construção do ente espiritual).
Esta pedra, que a tantos passa despercebida, atesta, com os sinais alquimistas da torre de menagem, os conhecimentos esotéricos dos templários e vai de encontro à tradição oral que diz terem os templários praticado e estudado a astronomia na torre do castelo de Vilar Maior.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
A Junta de Freguesia do Sabugal, num acto de grande nobreza, homenageou um filho ilustre da terra: o escritor e jornalista Manuel António Pina.
Foi no passado sábado, dia 4 de Abril, que o Sabugal recebeu o seu filho ilustre e lhe prestou preito.
As iniciativas programadas começaram no Auditório Municipal, cedido pela empresa Sabugal+ para o efeito.
Arnaldo Saraiva falou da obra literária de Manuel António Pina. E a voz de Saraiva é uma voz autorizada nesta matéria. É professor universitário, investigador científico e literário, ensaísta, cronista e também poeta, tendo sido recentemente eleito Sócio Correspondente da prestigiada Academia Brasileira de Letras.
Foi pois este insigne pensador que ao início da tarde, no primeiro momento da homenagem a Manuel António Pina, reflectiu sobre a sua obra escrita, abordando-a nas suas diversas facetas.
Manuel António Pina como adepto do Sporting e cronista multifacetado, onde o desporto é também um dos seus temas. Saraiva leu mesmo uma crónica magistral do homenageado.
Manuel António Pina como poeta de ampla obra publicada e vencedor de vários prémios. Autor de uma poesia reflexiva e conceptual, que persegue a sabedoria como forma de harmonizar o mundo.
Manuel António Pina enquanto autor infanto-juvenil, sendo nesta vertente um dos escritores mais inventivos, que domina a arte de brincar a sério com as palavras.
Para o orador a obra literária de Manuel António Pina evidencia um autor de boa formação teórico-crítica, feita à margem das academias.
Arnaldo Saraiva leu e interpretou quatro poemas do homenageado e concluiu a intervenção dizendo que Manuel António Pina criou com poemas um castelo e um rio que corre e fecunda as nossas terras, numa evocação ao Sabugal, terra que o viu nascer.
Depois tomou a palavra o homenageado, que agradeceu o acto que ali se realizava, que ele teve de aceitar, pois as homenagens, mesmo excessivas, são actos de estima. «De repente, reencontrei-me com as minhas raízes», disse o homenageado, que falou da sua infância e adolescência, passadas de terra em terra devido à profissão do pai, fazendo amigos e desfazendo-se deles logo a seguir.
Para Manuel António Pina o regresso a casa está sempre na memória e confessa que a sua poesia é sobretudo feita de memórias. Por isso os lugares da sua infância, incluindo o Sabugal, terra onde nasceu e de onde saiu muito novo, estão presentes em muitos dos seus poemas.
Um primo do homenageado, vindo de Aldeia Viçosa, terra do seu pai, veio ao Sabugal para lhe fazer uma surpresa em nome desse ramo da família: a interpretação de um seu poema musicado.
Depois os convidados saíram do auditório e foram à Praça da República, onde o autor descerrou a placa colocada em sua homenagem: «Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina».
O vereador António Robalo, que representou a Câmara Municipal, levou o homenageado e a assistência ao salão nobre, onde lhe ofertou algumas das publicações da autarquia e recebeu das mãos de Manuel António Pina, uma colecção completa dos seus livros para a Biblioteca Municipal. O escritor Álvaro Magalhães, que também esteve presente, ofereceu igualmente uma colecção dos seus livros à biblioteca.
O programa concluiu-se na Casa do Castelo, onde a Natália Bispo, como grande entusiasta e colaboradora da organização da homenagem, ofereceu um delicioso lanche a todos os que ali se dirigiram.
Um dia memorável para o Sabugal, que pela mão da Junta de Freguesia, rendeu preito a um seu filho insigne. Um acto simples, mas de grande nobreza, que o autarca Manuel Rasteiro pegou com ambas as mãos, demonstrando assim que o Sabugal é uma terra pródiga.
plb
A deputada social-democrata eleita pelo círculo da Guarda, Ana Manso, já saiu do Hospital de Santa Maria onde esteve internada em consequência de um desfalecimento em pleno plenário na Assembleia da República na passada sexta-feira. A parlamentar guardense já teve alta hospitalar mas ainda se encontra a recuperar na casa de familiares em Lisboa.
«Foi fulminante. Estava sentada ao lado da colega de Leiria que ia iniciar uma intervenção e apenas me lembro de lhe ter dito – Parece que me estou a sentir mal – e depois já não sei o que aconteceu», recordou ao Capeia Arraiana a deputada Ana Manso esta terça-feira, ao final da tarde, depois de ter tido alta do Hospital de Santa Maria onde esteve internada desde sexta-feira após um desfalecimento enquanto decorria a sessão plenária da Assembleia da República.
A parlamentar destacou a necessidade que sentiu em questionar a equipa médica sobre o que lhe aconteceu. «O nosso corpo é uma máquina perfeita que, normalmente, nos avisa quando algo não está bem e nos dá sinais de alerta, mas eu não me apercebi de nada. Tudo aponta para um conjunto de factores acumulados com cansaço e stress. O doutor José Ferro disse-me que estas situações acontecem uma vez na vida», esclareceu Ana Manso.
«Aproveito para agradecer o trabalho excepcional da equipa médica do Hospital de Santa Maria orientada pelo doutor José Ferro. Foram extraordinários», destacou Ana Manso acrescentando que «gostaria, igualmente, de agradecer a todos os que se preocuparam comigo gerando uma cadeia de solidariedade que não vou esquecer e me tocou muito».
Aproveitamos, também, para desejar à deputada guardense Ana Manso uma rápida recuperação sabendo, contudo, que é uma mulher de armas e que lhe vai ser muito difícil manter um ritmo moderado em ano de grandes desafios eleitorais.
jcl
A Luz vem do Oriente.
Todas as civilizações são perecedouras. A história mostra-nos isso com toda a evidência. O Ocidente (EU e UE), a nossa civilização, está a perder influência, e é muito provável que lhe tenha chegado o fim, não num futuro próximo, mas a longo prazo. As civilizações e os impérios são como os velhos guerreiros, não caem de um dia para o outro, demoram a cair. E quem virá ocupar esse lugar? Já há muito tempo que se fala no Oriente, quem não se lembra da potência económica que foi o Japão? Podemos considerá-lo o prelúdio do aparecimento das potências económicas asiáticas. O Ocidente tem que enfrentar-se de maneira cada vez mais acentuada ao desenvolvimento económico, produtivo, demográfico e militar desses países que têm à cabeça a China e a Índia.
Que armas vão ser usadas por esses países para liderarem o Mundo? O mesmo processo de Globalização criado pelo capitalismo americano e europeu: a conquista de mercados, a competitividade, a eficácia, a «cultura do esforço» e a «cultura do rendimento». Copiaram também os mesmos métodos do capitalismo da América e da Europa quando do seu auge, jornadas de trabalho esgotadoras, salários de miséria, pouca ou nenhuma cobertura social, exploração do trabalho infantil, e até a escravatura, que foi muito usada pelos USA. No Ocidente sabe-se que é assim que se trabalha nesses países, mas isso não obsta a que muitas empresas ocidentais se lá instalem para fabrico de grande parte dos seus produtos, reduzindo gastos com os salários para melhor competir no mercado.
Também a nível político vemos constantemente governantes americanos e europeus deslocarem-se à China para realizarem grandes negócios, importando-se pouco com a violação dos direitos humanos, que por lá é muito habitual. Presentemente, sem a ajuda da China, Washington não pode recuperar a sua economia, por aí se vê a potência económica que ela já demonstra ser.
Durante mais de um século a humanidade tem vivido debaixo do poder de dois partidos estado-unidenses, os Democratas e os Republicanos que desde Washington emanam as leis que pelas quais se rege o Mundo. Se o poder dos USA. for substituído pelo Chinês, as leis (principalmente as económicas) passarão a vir de Pequim, mas como na China existe um só partido, o Partido Comunista Chinês, a humanidade passará a ser regida por um partido comunista…É muito provável que alguns leitores (as) tenham começado já a rasgar as vestes ao lerem isto, não vale a pena! Muita água irá passar debaixo das pontes até que isso possa acontecer, se é que acontece. Mas uma coisa é certa, a nossa civilização perecerá para dar lugar a outra.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
O escritor, poeta e jornalista Manuel António Pina foi homenageado, este sábado, no Sabugal a terra que o viu nascer a 18 de Novembro de 1943.
Os actos da homenagem a Manuel António Pina no sábado, 4 de Abril, centraram-se no Auditório Municipal do Sabugal, onde teve lugar uma palestra de Arnaldo Saraiva e a peça de teatro do grupo portuense «Pé-de-Vento». O programa incluiu, ainda, o descerrar de uma placa e visita à casa onde nasceu, troca de lembranças e oferta de livros do escritor à biblioteca municipal no salão nobre da Câmara do Sabugal, e a finalizar um porto de honra com uma mesa de luxo repleta de iguarias na Casa do Castelo.
Joaquim Martins, jornalista da Rádio Altitude, descreveu a homenagem como «Merecida. Incontornável. Pertinente. E justíssima.» «Mesmo tendo somente raízes afectivas ao Sabugal, não pude deixar de ficar de alma cheia quando ouvi Manuel António Pina – que, assumidamente, nunca teve uma grande ligação à terra – dizer agora sim, encontrei a minha casa, o meu lugar, onde posso deitar a cabeça», acrescentou Joaquim Martins.
O Capeia Arraiana publica, com reconhecido agradecimento pela disponibilidade demonstrada, a entrevista que Joaquim Martins fez a Manuel António Pina e editada por Francisco Carvalho na «Revista da Semana» da Altitude FM (90.9).
jcl
O originalíssimo livro-concertina «escrevo risco» da autoria de Américo Rodrigues, Jorge dos Reis e Zigud foi apresentado em Lisboa nas antigas instalações da Fábrica de Braço de Prata. Os riscos da memória de José Neto, pastor da Quinta da Taberna (Videmonte), foram desnudados, de forma surpreendente, no palco de um espaço onde antigamente se fabricava material de guerra. Só visto e… ouvisto.
O robusto edifício da fábrica de material de guerra de Braço de Prata está protegido por grossa parede amuralhada que esconde um amplo pátio onde as árvores são sentinelas silenciosas da mutação de um espaço onde antes se fabricava material bélico e agora se respira cultura e se bebem ideias. O New York Times considerou, um dia, que a Fábrica de Braço de Prata «é um projecto aberto a todas as formas de arte, sem dogmas ou preconceitos, que se transformou no espaço cultural mais ambicioso de Lisboa».
À nossa chegada, já muito perto das 11 horas da noite, um rancho folclórico terminava a sua actuação, nos jardins exteriores. Uma ampla escadaria enquadrada numa fachada a lembrar um palacete (ou um seminário) dá acesso à porta de entrada que põe a descoberto um amplo corredor repleto de tranquilos visitantes que, em pequenos grupos, conversam e passeiam ao longo das paredes observando uma exposição de pintura.
A Fábrica de Braço de Prata é um espaço decorado de forma minimalista onde as portas, os azulejos, os mosaicos, as janelas, as salas se mantém como antes da revolução do 25 de Abril mas… transformados, agora, em espaços culturais multidisciplinares com destaque para os livros e para a sétima arte.
Os sons de uma banda de jazz ficaram mais nítidos depois de empurrar a porta que escondia a sala Nietzsche para onde estava marcada a apresentação do livro de Américo Rodrigues e companhia. Os ensaios de som, no palco, aconteceram imediatamente após as últimas notas de jazz e já com mais de uma centena de pessoas apinhadas na sala.
Américo Rodrigues, em palco, começou por referir que o pastor Zé Neto era um ser anti-social. «Tentei durante um ano falar com ele mas não consegui», foi a inédita confissão do autor dando o mote para uma invulgar apresentação que aí vinha.
«escrevo risco» é um livro-objecto inspirado na arte de um pastor da Quinta da Taberna (Videmonte), escrevinhador compulsivo que registava nas paredes de xisto da sua aldeia tudo o que ele considerava constituir memória.
O livro já se transformou em filme e está «digitalizado» com o título «Um bando de passarinhos». Uma realidade mais visual do realizador Carlos que descodificou a linguagem poética de Américo Rodrigues.
O gráfico-designer de serviço, Jorge dos Reis, chamou-lhe «estranho objecto livresco de frases do seu quotidiano autobiográfico». «É um objecto que se transformou em livro. Em livro de artistas. É um objecto colectivo a seis mãos. É um objecto dúbio em ruptura com o livro tradicional. Optámos por um objecto para dois planos 50×70 das máquinas tipográficas em offset em consequência dos limites orçamentais», explicou Jorge dos Reis desvendando de seguida que o grafismo inclui três conceitos: arado e relha, a superfície riscada da pedra e a translineação sem hifenização em ruptura com a leitura tradicional através do formato em concertina.
Deu-se início, de seguida, a uma desconcertante improvisação poético-musical para apresentação do «escrevo risco» com a presença em palco de Rodrigo Pinheiro (pianista), Rogério Neves e José Tavares (guitarras) e as superiores representações de Américo Rodrigues, José Neves e Dora Bernardo.
Só visto e… ouvisto.
«O homem que escreve nas pedras. Que olha para o céu, conta as nuvens e escreve… Risca, torna a riscar, emenda a mão. Uma mão atrapalha a outra mão…»
jcl
A Agência INATEL da Guarda organiza uma Jornada de Formação sobre Núcleos Museológicos Associativos. Os trabalhos decorrem no Auditório do Paço da Cultura da Guarda entre as 9.45 e as 17 horas do dia 18 de Abril.
A Agência INATEL da Guarda, o novo nome da delegação da Fundação INATEL, organiza no dia 18 de Abril, no Auditório do Paço da Cultura da Guarda, uma Jornada de Formação sobre Núcleos Museológicos Associativos com o objectivo de melhorar o trabalho dos museus já existentes e ao mesmo tempo contribuir para que novos núcleos apareçam nas melhores condições.
Saber preservar o património valioso que temos, saber recolhê-lo e tratá-lo, fazer opções tendo em conta os museus já existentes e o interesse da comunidade, conservar os objectos nas melhores condições, são alguns dos temas desta Jornada de Formação que decorre no Paço da Cultura da Guarda, com a colaboração da Câmara Municipal da Guarda.
O programa da Jornada de Formação sobre Núcleos Museológicos Associativos, coordenada por Joaquim Igreja, tem início pelas nove e meia da manhã com a recepção aos participantes e 15 minutos depois a sessão de abertura.
As 10 horas da manhã terá início a primeira sessão intitulada «Recolher, tratar e inventariar objectos indentitários», por Dulce Helena Borges, directora do Museu da Guarda, e inclui uma visita técnica guiada ao museu guardense.
A segunda sessão está marcada para depois do almoço, às 14.30 horas, subordinada ao tema «Conservar objectos identitários nas estruturas museológicas», por António Lopes Pires, director do Museu Etnográfico de Passos de Silgueiros e Presidente da Assembleia Geral da Federação do Folclore Português e Sérgio Pinto, responsável do Rancho Folclórico de Seia, entidade que tem a seu cargo o Museu Etnográfico de Seia.
Os trabalhos organizados pela Agência da Fundação INATEL (informações e inscrições) e com o apoio da Câmara Municipal da Guarda encerram às 17 horas.
jcl
Realizou-se no passado domingo, 5 de Abril, em Belmonte, o Campeonato Regional Centro-Norte Infantil a Juvenil. Uma organização da Federação Nacional Karate – Portugal conjuntamente com a ASKBI-Associação de Shotokan Karate-do da Beira Interior, onde estiveram presentes muitos atletas para disputar a passagem ao Campeonato Nacional FNK-P. Os atletas dos clubes da família Jerónimo estiveram uma vez mais em destaque ao conseguirem um total de seis medalhas de ouro, uma de prata e quatro medalhas de bronze.
A AEKS-Associação de Escolas de Karate Shotokai alcançou cinco títulos de Campeões Regionais: Diogo Rafael, 1.º em Kata Iniciado; Rita Morgado, 1.ª em Kata Juvenil e 1.ª em Kumite -40kg Juvenil; Bruno Monteiro, 1.º em Kata Juvenil e 1.º em Kumite -50kg Juvenil; Andreia Pissarra ficou em 2.º em Kumite Juvenil -50kg, sagrando-se desta forma Vice-Campeã Regional FNK-P; Inês Antunes alcançou o terceiro lugar em Kata Infantil; Fabrícia Martins e Inês Ramos conseguiram ambas o terceiro lugar em Kata Iniciado. Participaram ainda Rafael Fernandes (5.º), Diogo Antunes, Ema Pereira e Daniel Menoita.
Do Núcleo de Karate Shotokan de Pinhel, Miguel Valente sagrou-se Campeão Regional Kumite Juvenil -50kg. Saliente-se que este é o primeiro título de Campeão Regional FNK-P da Cidade de Pinhel. Rafael Cruz ficou em 2.º lugar na prova de Kata Infantil, consagrando-se desta forma Vice-Campeão Regional FNK-P. Estiveram ainda presentes Inês Tomaz e David Pinheiro.
Da ODCK-Ócio & Divertimento – Clube de Karate do Sabugal estiveram presentes Bernardo Pires, Pedro Augusto, João Augusto, Pedro Pires e a AEKS-P esteve representada por João Ferreira.
Todos os atletas que conseguiram lugares de pódio disputarão o Campeonato Nacional da Federação Nacional Karate – Portugal no próximo dia 18 (sábado) na Cidade de Santarém.
Recorde-se que esta é uma prova extremamente importante a qual serve de apuramento para o Campeonato Nacional. Todos os atletas que alcançaram lugares de pódio estão automaticamente seleccionados para o Campeonato Nacional bem como para os Treinos Regionais de Selecção da FNK-P a entidade máxima do Karate em Portugal.
Rui Jerónimo
Os «Ex-Votos» formaram-se no final dos anos 80, do século XX, em Lisboa. O seu líder e mentor era Zé Leonel, um dos fundadores dos Xutos & Pontapés.
Quando os Xutos deram o seu primeiro concerto, nos Alunos de Apolo, em 1979, Zé Leonel era o vocalista da banda. Esteve nos Xutos quase dois anos.
Zé Leonel esteve ligado aos Faíscas, uma mítica banda Punk portuguesa, onde fazia o papel de «agitador de massas» de modo a criar conflitos para que o público se envolvesse em desacatos, necessários para a sua promoção. Curiosamente, aquando do concerto dos Faíscas, no Sabugal, em Maio de 1978, Zé Leonel não veio.
Os «Ex-Votos» nunca tiveram grande popularidade, mas eram conhecidos por um público específico, ligado ao Rock mais alternativo. Mesmo assim, ainda tiveram um ou outro tema bastante conhecido do público, sobretudo «Subtilezas Porno-Populares», um tema que ficou conhecido como «Pimba!», tal como era referido num autocolante que acompanhava o CD. Zé Leonel até se chateou todo quando Emanuel lançou a moda do «Pimba» e a canção com o mesmo nome. Os «Ex-Votos» já tinham lançado o «Pimba!» um ano ou dois antes, embora o estilo musical nada tivesse em comum.
Todos os membros que passaram pelos Xutos & Pontapés já tocaram no concelho de Sabugal. Francis foi o guitarrista no concerto dos Xutos, no Soito, em 1981. Gui tocou com os Xutos na Rapoula do Côa e tocou com os Despe & Siga num concerto, no Soito, em 1995.
Zé Leonel e os Ex-Votos apresentaram-se ao vivo, no Sabugal, no dia 3 de Agosto de 2003, evento integrado na Festa das Associações, que teve lugar no Largo da Fonte.
Este foi um dia de imenso calor. O céu estava completamente negro, tal o número de incêndios que rodeavam o concelho.
Os membros dos «Ex-Votos» tiveram que fazer um desvio, já que não puderam seguir viagem por Caria. Depois, já perto de Santa Ana de Azinha havia outro incêndio. Com cuidado lá conseguiram chegar ao Sabugal, para fazerem o ensaio de som.
Devido à pouco cuidadosa divulgação (em nenhum local se encontrava um cartaz que indicasse que os Ex-Votos eram liderados por um membro fundador dos Xutos & Pontapés), este concerto correu muito mal.
O público presente era tão pouco que nem deu para os músicos aquecerem. No entanto, eles tocaram como se o estivessem a fazer para uma verdadeira multidão. É assim que mandam as regras do profissionalismo.
Os «Ex-Votos» apresentaram-se no Sabugal com uma formação que incluía saxofonista, acordeonista, baterista, baixista, vocalista feminina e vocalista masculino (Zé Leonel).
Tocaram vários temas, tais como «Isso é Bom», «Benditos Sejam», «Saloia», «Alice», «Cantiga da Vida», etc.
O concerto terminou, como não podia deixar de ser com «Subtilezas Porno-Populares» (ou «Pimba!»).
Numa entrevista que o Zé Leonel me concedeu no ano passado e foi publicada no jornal «Nova Guarda», referiu que, após o concerto do Sabugal, a banda cumpriu os concertos agendados e terminou logo de seguida. Zé Leonel também disse que este tinha sido um dos piores concertos da sua vida, não só pelo concerto em si, mas pelos atalhos que tiveram que percorrer devido aos incêndios.
Este foi um concerto mítico apenas pela presença de um nome, também ele, mítico do Rock português no palco instalado no Largo da Fonte.
Na imagem pode ver-se uma fotografia deste concerto, da minha autoria.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, José Luís Martins Tomé, convoca todos os sócios da Casa do Concelho do Sabugal para a Assembleia Geral Ordinária marcada para as 17:30 horas do dia 22 de Abril de 2009 de acordo com a convocatória que transcrevemos na íntegra.
«Convocatória
Nos termos do artigo 12.º dos Estatutos, publicados no Diário da República, III Série, Nº 116, de 20 de Maio de 1975, convoco a Assembleia Geral da Casa do Concelho do Sabugal, a reunir em sessão ordinária, na sua sede na Av. Almirante Reis, 256, 2.º, esquerdo, em Lisboa, no dia 22 de Abril de 2009, pelas 17h30m, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
Ponto 1 – Discussão e aprovação do relatório e contas do ano de 2008.
Ponto 2 – Informações sobre a exploração do bar/restaurante, respectivas contas e relações contratuais desta actividade.
Ponto 3 – Relação com Câmara do Sabugal e outras entidades.
Ponto 4 – Contas da Capeia de 2008 e informações sobre a Capeia de 2009.
Ponto 5 – Substituição e eleição de membros para a Direcção.
Ponto 6 – Apresentação e aprovação do plano de actividades para 2009.
Não comparecendo o número legal de associados para que a Assembleia possa reunir em primeira convocação, convoco desde já a mesma Assembleia Geral para reunir, em segunda convocação, no mesmo dia e no mesmo local, às 18h30m, com a mesma Ordem de Trabalhos, deliberando, então, com qualquer número de associados presentes.
Lisboa, 5 de Abril de 2009
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
José Luís Martins Tomé»
O major Cunha Rasteiro, da GNR da Guarda, anunciou este sábado a apreensão de artigos contrafeitos destinados à feira de Vilar Formoso.
A GNR da Guarda apreendeu este sábado, 4 de Abril, 6200 peças de vestuário, calçado e acessórios de moda contrafeitos, no valor de 210 mil euros, que se destinavam a ser comercializados na feira de Vilar Formoso. As calças, camisolas, fatos de treino, sapatilhas, sapatos, malas de senhora e cintos de marcas internacionais estavam na posse de cinco vendedores ambulantes, um da zona da Guarda e quatro de Lisboa que foram identificados durante a acção policial.
«Trata-se da maior operação do género alguma vez realizada no distrito. Os artigos eram transportados em viaturas e destinavam-se a ser vendidos na feira da localidade fronteiriça», esclareceu o major Cunha Rasteiro, relações públicas do Comando Territorial da GNR da Guarda.
Durante a operação em que participaram 50 militares da GNR da Guarda foram ainda detidos três indivíduos, um por falsificação de carta de condução, outro por excesso de álcool e um terceiro por desobediência à autoridade.
jcl
No domingo, 29 de Março, realizou-se mais um passeio equestre organizado pelos cavaleiros André Nabais, João Carvalho e Miguel Nabais com o apoio da Associação Hipica Amigos do Cavalo que cedeu as instalações da sede da associação para que os cavaleiros se reunissem e tomassem o pequeno almoço.
Foi na manhã fria de domingo, 29 de Março, que gradualmente se foram reunindo a meia centena de cavaleiros que participaram no passeio equestre organizado pelos cavaleiros André Nabais, João Carvalho e Miguel Nabais.
A mudança da hora contribuiu para um pequeno atraso na saída. Foi cerca das 11 horas que os cavaleiros e comitiva começaram o passeio seguindo pelas ruas do Soito passando pela capela de Santa Inês, rumando para o parque eólico na serra do Soito mas sem ir ao ponto mais alto como estava previsto, pois o frio obrigou a organização a alterar o trajecto. Os cavaleiros seguiram para a capela de Nossa Senhora dos Prazeres, onde aproveitaram para matar a sede. O passeio continuou para a barragem de Alfaiates e de seguida para o restaurante da Quinta das Sereias onde foi servido o almoço a cerca de 80 pessoas.
A organização ofereceu uma lembrança a todos os participantes e nomeou os mordomos do próximo passeio que são o Zé Daniel e o Beto de Alfaiates.
Durante a tarde o redondel junto ao restaurante foi palco de uma garraiada onde todos se divertiram.
João Nabais
Vaca fotografada perto da Nave numa coberta de nevoeiro.
«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com
Por motivo das celebrações da Semana Santa em Espanha, no dia 13 de Abril, no período compreendido entre as 9 e as 24 horas, será interdita à circulação de pesados de mercadorias a Auto-Estrada A-62, que liga Vilar Formoso a Burgos, em Espanha.
Segundo um comunicado emanado pelo Comando Territorial da Guarda da GNR, assinado pelo comandante interino, tenente coronel António Pereira Fernandes, aquele Comando Territorial irá levar a efeito uma operação de vigilância, controlo e regularização de trânsito com vista à segurança de pessoas e bens afectados por essa interdição da circulação.
A GNR da Guarda recomenda ainda a todos os condutores de pesados de mercadorias que planeiem as suas viagens de modo a cruzarem aquela fronteira, depois do terminus da interdição, para evitarem os congestionamentos de trânsito.
A interdição da circulação na auto-estrada espanhola, que liga a fronteira de Fuentes de Onõro à cidade de Burgos, acontece este ano à semelhança dos outros anos, pelo que não é uma novidade para os camionistas. Porém a GNR achou por bem relembrar o facto, de modo a evitar surpresas para os mais descuidados.
plb
Na ponte entre a margem da mente e a da sua ausência, ilumina-se esse sentimento de perda a que chamamos solidão.
Para o animal mental dar a outra face significa colocar-se a jeito para ser agredido, mas para outros esta é uma poderosa mensagem que nos diz que devemos viver entre os opostos, quando algo é negativo devemos dar a face positiva, em presença de um pólo devemos dar o outro, para que a energia possa fluir livremente sem congestionamentos.
A solidão não é uma revolta para fora, é para dentro, é um mecanismo de encontro a si mesmo, indutor de um conhecimento não mental, não decifrável pelo raciocínio, e por isso também apenas gerado na sua ausência. É pessoal e intransmissível. Não pode ser oferecido, apenas indicado.
O conhecimento de natureza mental é exterior e comum a todos, e como tal pode ser partilhado. Esse mecanismo actua como uma feromona circulando por todo o enxame humano, induzindo comportamentos direccionados para o exterior, para a predação, usando pensamentos como ferramentas de progressão. A sua ausência, inverte a direcção do movimento de fora para dentro, para o centro no qual não há perguntas nem respostas, não há bem nem mal, apenas um centro numa união de opostos.
Os Himalaias crescem em resultado da igual oposição de duas placas tectónicas, sem que uma domine a outra, o caminho do homem é igualmente o do equilíbrio de conflitos sem repressão nos seus opostos, animal e espiritual, bem e mal, positivo e negativo. Quando um lado quer dominar, temos apenas de «dar a outra face».
Os verdadeiros perigos no homem surgem quando uma das suas partes tentando negar a outra, produz a fricção e o consequente tremor de terra. Se houver aceitação de ambas partes o homem pode cometer erros (de aprendizagem), mas nunca terão a violência, que resultando do atrito da negação, conduzem ao brusco deslizamento no animal selvagem que também somos. Esse é o homem de duas faces assimétricas em que uma domina uma outra perpetuamente revoltada.
Sem as dores resultantes de duas partes em equilibrado conflito, o homem continuará na ilusão de um caminho que o não deixará passar pelo buraco da agulha, não por causa da posse de bens materiais! Mas sim pela posse de conceitos mentais e valores morais.
O que é amor e ódio, guerra e paz? Na perspectiva da mente são coisas diferentes porque a sua natureza vive no movimento. A divisão cria o movimento que a alimenta, quando a mente pára o movimento cessa e a divisão também para dar lugar ao Centro. Mas para o amor não correspondido que se transforma em ódio ou a guerra santa em paz podre, a mente na sua incessante busca introduz o factor tempo através do qual cada elemento ocupa um espaço diferente, tornando assim inteligível (para ela) o mundo que a rodeia. A mente é extraordinária no seu fervilhar incessante, proporcionando ao homem um considerável bem-estar físico comparativamente aos animais, mas ela é também o maior dos obstáculos quando nos agarramos às pontes que constrói. As pontes são para ser atravessadas.
Que fazem os pais, cujo amor os induz a proteger os filhos, seu património genético? Nada que os animais não façam ao protegerem as suas crias, e isso é bom e deve ser aceite, mas nada tem de espiritual, é apenas um maravilhoso mecanismo instintivo e egocêntrico do nosso lado animal. Amar, é dar sem a expectativa de quem por ter demasiado nada espera em troca, nem mesmo o prazer de se sentir bem em resultado de ter dado. Praticar boas acções num espírito mercantilista, de troca, de toma lá dá cá, é o que fazem os detentores de grandes fortunas (igreja incluída) quando se tornam beneméritos. Primeiro exercem o poder acumulando neles muito daquilo que era dos outros, depois porque sentiram vazio nos objectivos ou problemas de consciência, tentam então comprar o alimento da boa consciência, usando o mesmo método do caçador, do animal mental. Mas esse é um velho cliché, que tem de ser abandonado para quem quiser transpor a ponte. A busca invertida e as velhas ferramentas abandonadas.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura
mouramel@sapo.pt
Cumprem-se hoje, 3 de Abril, 198 anos sobre a Batalha do Sabugal, onde o exército anglo-luso, directamente comandado por Wellington, infligiu a derradeira e decisiva derrota ao exército francês, dirigido por Massena, pondo termo às invasões do território nacional. Mais uma vez a data passa em claro no Sabugal, onde nenhuma iniciativa assinala a efeméride.

No bicentenário das invasões, o Município de Celorico da Beira iniciou no dia 26 de Março um ciclo de conferências, o primeiro sob o tema «As Invasões Francesas», a par com a inauguração de uma exposição denominada «Celorico no Tempo das Invasões». Já Almeida, que foi pioneira nos actos evocativos, mantém a iniciativa anual de recriar as invasões e em especial o cerco e a tomada da praça-forte.
O Sabugal, que foi palco de uma batalha decisiva, no decurso das invasões, voltou a esquecer a evocação desse facto histórico. E o mais espantoso é que nenhum monumento, ou sequer um simples obelisco, assinala no local do Gravato, hoje em parte submerso pela barragem, a realização dessa importante batalha.
A batalha do Sabugal é referenciada em todos os anais como a que esfrangalhou de vez o exército francês que protagonizou a terceira invasão, impedindo-o de cumprir o plano de Massena de recuar e se reorganizar.
O exército invasor, vindo em retirada, instalou-se no concelho do Sabugal, ocupando grande parte da margem direita do rio Côa, que usou como defesa natural para prevenir alguma investida. Massena procurava assim ganhar tempo para a reorganização das forças, que contavam ser reforçadas com efectivos vindos de Espanha.
As tropas francesas espalharam então o terror pelas aldeias, o que levou a que as pessoas as abandonassem e se refugiassem nos campos. Os franceses queriam reabastecer-se e para isso praticavam todo o género de roubos e confiscos. Muitas pessoas morreram por não colaborarem e houve notícias de violações de mulheres e espancamento de homens que não auxiliavam as tropas invasoras. Nas aldeias organizaram-se rondas e sentinelas, a fim de detectarem a aproximação dos franceses e as pessoas poderem fugir a tempo.
O segundo corpo do exército francês, comandado por Reynier, ocupou a vila do Sabugal e acampou no sítio do Gravato, dois quilómetros a sul da vila, num alto sobranceiro ao rio Côa, na sua margem direita. Wellington decidiu atacar este acampamento, de maneira a forçar a retirada das tropas napoleónicas. Estabeleceu o posto de comando num monte sobranceiro ao castelo do Sabugal, do outro lado do rio, e dali decidiu executar um plano, que consistia em entreter as forças napoleónicas com pequenos ataques ao acampamento do Gravato a partir da margem esquerda do rio, enquanto que o grosso das forças executava uma longa manobra de envolvimento, atravessando o rio já perto de Quadrazais, para dali avançar sobre o corpo do exército francês, apanhando-o pela retaguarda.
Porém o nevoeiro da manhã de 3 de Abril de 1811 comprometeu os planos do comandante inglês, já que a brigada ligeira, que fora incumbida de executar uma primeira investida, atravessou o rio um pouco acima da vila do Sabugal e avançou a coberto da névoa, surpreendendo os franceses que não contavam com a manobra. Quando o nevoeiro se dissipou Wellington viu que a sua pequena força combatia em clara desvantagem porque os franceses haviam-se reorganizado e estavam prestes a rechaçar o ataque. Decidiu então lançar todas as forças de reserva em defesa da sua posição. Após demoradas escaramuças as tropas francesas foram derrotadas, ficando o alto do Gravato e os campos vizinhos juncados de cadáveres, na sua grande maioria de soldados gauleses.
O general Reynier teve de retirar com as forças que lhe restavam, seguindo para Alfaiates, e dali, em marchas forçadas, para Ciudad Rodrigo.
Na batalha do Sabugal, também chamada do Gravato, ambos os lados lutaram determinadamente para vencer, pois sabiam que daqui se poderia resolver a sorte das armas.
Dentro de dois anos serão passados exactamente dois séculos sobre tão importante acção militar da guerra peninsular. Espera-se que as entidades oficiais comecem já a preparar os actos evocativos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
1.º Torneio de Futebol de Salão Inter-Aldeias – 1977 – Iniciado este périplo pelo desporto, trazemos à estampa neste escrito, o primeiro Torneio de Futebol de Salão Inter-Aldeias, organizado pela Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa, disputado no Ringue do Império do Cruzeiro, provocando uma grande euforia na juventude sabugalense em Lisboa.
Como referimos no quadro disponibilizado no artigo anterior, em 1977 tem início o Torneio de Futebol de Salão Inter-Aldeias, congregando um sem número de Sabugalenses, durante cerca de três meses, uma saga que se prolongará até ao ano de 2000, com a realização de vinte e duas edições, apenas com dois anos em branco, proporcionando um convívio e muitos reencontros, por vezes, inesperados.
A revista «O Concelho de Sabugal» da época, publica a nossa opinião sobre o Torneio, mas há dois episódios que merecem uma referência, que custou bem caro à equipa de Aldeia da Ponte, embora isto, já nada altere.
O que é certo, é que a todos nós desgostou, na altura, de nada valendo os argumentos da maioria dos delegados, para alterar uma das decisões polémicas da Direcção da Casa, como adiante veremos, privando a equipa de Aldeia da Ponte da conquista do título e o melhor marcador, mais que merecidos pois, sem desprimor para as outras equipas, a nossa Aldeia foi a melhor do Torneio, reconhecido por quase todos os participantes.
Na fase final, onde estavam as seis equipas finalistas, o jogo Sabugal-Ozendo terminou quando a equipa do Ozendo ficou reduzida a três jogadores, por expulsão de dois jogadores, quando faltavam mais de 15 minutos para o termo do encontro, verificando-se o resultado na altura de 1-0 a favor do Ozendo. O resultado que contou foi mesmo este 1-0, que valeu os dois pontos a esta equipa, que teve as expulsões, saindo beneficiada com esta anormalidade.
Protesto veemente de todas as outras equipas, que levou a Direcção da Casa a convocar uma reunião extraordinária com os delegados das equipas, para analisar o assunto, tendo a Direcção da Casa decidido pela manutenção do resultado que se verificava, quando o jogo foi interrompido, beneficiando a equipa do Ozendo, excluindo, apenas, do Torneio os dois elementos expulsos. Premiou-se a indisciplina em detrimento de todos os outros e do bom senso, ficando-se por esta decisão inexplicável da Direcção da Casa, que não se conseguiu entender, prejudicando, claramente, a equipa da nossa Aldeia.
O segundo episódio também tem algo de caricato, senão vejamos. Decorria o jogo Aldeia da Ponte-Sabugal, ao intervalo o resultado cifrava-se em 7-0 a favor de Aldeia da Ponte. Perante este resultado, a equipa do Sabugal recusou-se a efectuar a 2.ª parte, pois também tinha um jogador a lutar para o melhor marcador, impedindo o melhor marcador da equipa de Aldeia da Ponte de marcar mais golos, para não ser ultrapassado, acabando com esta atitude, por favorecer o marcador de uma outra equipa. O resultado que contou foi mesmo o 7-0, que se verificava ao intervalo, a favor da equipa de Aldeia da Ponte, não se concluindo o jogo.
Estes dois episódios retrataram bem a falta de experiência e a incoerência da Organização e da Direcção da Casa do Concelho do Sabugal neste 1.º Torneio, insensível aos argumentos, de quase todos os delegados, prejudicando sem apelo a nossa equipa.
Passados tantos anos, não se pense que os ressentimentos não passaram, claro que passaram, mas doeram bastante, nessa altura, tendo como consequência, no ano seguinte, o enfraquecimento da nossa equipa, pois alguns elementos já não quiseram participar, devido a estas injustiças.
É, apenas, mais um pouco de história e nada mais que isso, já que estamos com a mão na «massa» como se costuma dizer.
Resta acrescentar que este primeiro Torneio teve a participação de 15 Aldeias do Concelho de Sabugal em Lisboa e, para além destas incidências frustrantes, iniciou este longo historial dos Torneios.
Aldeia da Ponte participou neste 1.º Torneio com os elementos seguintes: Esteves, Zé Bilo, Manuel Nobre Bilo, Zé Manuel Tourais, João Bernardo, Manuel Peres, Emílio Bonifácio, José Cunha, José Reis e Joaquim Matos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
Caso único em Portugal, a gíria do contrabando fez esta manhã dia 1 de Abril uma vez mais, prova de curiosidade jornalística na emblemática aldeia que a viu nascer na forma de uma reportagem da SIC proveniente de uma delegação da Covilhã.
A reportagem consistiu numa recolha de imagens junto de alguns Quadrazenhos mais idosos, cuja prontidão em participar forneceu avultada matéria de trabalho aos jornalistas. Histórias do contrabando contadas na primeira pessoa, conversa em gíria entre dois antigos contrabandistas, cantares em gíria de umas rijas Quadrazenhas de 87 anos deram o mote final à entrevista.
Tenho pessoalmente alguma dificuldade em falar desta gíria, provavelmente devido à minha «nacionalidade Quadrazenha», e por ela representar para um dos símbolos máximos desta terra juntamente com a emigração.
Ela terá sempre que ser tida em conta em qualquer abordagem socioeconómica com o intuito de explicar o presente, não só da aldeia, como do próprio concelho do Sabugal. As razões que levaram ao seu aparecimento, uso e desuso, devem ser motivo de maior reflexão para entendermos o presente estado disfuncional da nossa população, tanto do ponto de vista etário como cultural. É uma reflexão para esta e outras aldeias, para o próprio concelho do Sabugal, a sua excessiva desagregação e desenraizamento ao longo da história (com invasões e imigrações sucessivas) terá colocado em cena a actual situação. Falta na minha opinião, nestas terras de Riba-Côa, ao contrário daquilo que por vezes é ventilado, uma cultura de orgulho que beba em raízes verdadeiramente tradicionais e agregadoras de uma alma comum, sem a qual não se pode arrumar a casa.
António Moura
Terminei a crónica anterior afirmando que tudo se devia fazer para aprofundar a ligação às estratégias de desenvolvimento da Guarda, da cooperação transfronteiriça e do eixo urbano Guarda-Belmonte-Covilhã-Fundão-Castelo Branco.
Para isso, venho defendendo um modelo para a envolvente próxima onde o concelho pode e deve desempenhar um novo e mais importante papel, a dois níveis:
1.º nível – No âmbito dos distritos da Guarda e de Castelo Branco e na sua relação com os concelhos vizinhos e, essencialmente com os núcleos urbanos principais, perspectivando a participação numa área diversificada de valências sócio-económicas, e numa óptica de aproximação ao núcleo principal, constituído pelas cidades da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas igualmente aos concelho vizinhos de Belmonte e de Penamacor, integrando deste modo o núcleo líder do desenvolvimento da Beira Interior;
2.º nível – Na relação com Espanha, integrando um novo conceito de centralidade entre o litoral português e as regiões centrais de Espanha, na consideração de que o Eixo urbano Guarda-Castelo Branco e o Eixo Urbano da Raia Central Espanhola Salamanca-Plasência-Cáceres, constituem o «sistema nervoso» raiano e as espinhas dorsais de estratégias de desenvolvimento de todo de todo este território.
Percebe-se deste modo que um modelo de regionalização a que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.
Fica deste modo claro qual o modelo de regionalização que considero melhor para o Concelho do Sabugal e que, naturalmente envolveria os Municípios que hoje integram os Distritos da Guarda e de Castelo Branco, chamando-se Beira Interior ou tendo outro qualquer nome.
Tal significa que a inserção numa Região territorialmente mais alargada não seria boa para o Concelho?
Como o afirmei na primeira crónica, sim e não, como tentarei demonstrar na próxima semana…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Manuel Poppe pediu ao Capeia Arraiana a divulgação pública de um grande abraço a Manuel António Pina. Um e outro dispensam apresentações mas vamos aproveitar excertos de uma entrevista que Américo Rodrigues fez a Manuel Poppe para o «apresentar» e, de seguida, publicamos a saudação ao ilustre homenageado de sábado, 4 de Abril.
Assim começa a entrevista que Américo Rodrigues fez a Manuel Poppe… «fez-se homem na Guarda. No “Rocha”, mas também no “Poço do Gado”. Na Biblioteca do Padre Pôpo, mas também na papelaria do Senhor Casimiro. Tem da Guarda a memória dos afectos. Muitas vezes provocatório e quase sempre irreverente q.b. Manuel Poppe é um intelectual distinto. Não alinha no politicamente correcto, nem no silêncio das conveniências. É cidadão de corpo inteiro, amigo do desassombro. Diz o que pensa, o que é raro neste país de capelinhas e de figurões bem-falantes. Anarquista tranquilo, Manuel Poppe é, para além de um excelente prosador, um homem íntegro, um homem livre. Fez crítica literária no “Diário Popular”e produziu e apresentou um programa sobre livros na televisão. Foi conselheiro cultural junto da Embaixadas de Portugal em Roma, São Tomé, Telavive e Rabat. É “Dottore in Lingue e Leterrature Straniere, pela Universidade “La Sapienza”, com uma tese sobre Régio. Sandro Pertini distinguiu-o com a comenda da Ordem de Mérito e as cidades de Florença e Veneza com as respectivas Medalhas de Ouro.
Poppe é ensaísta, dramaturgo, romancista e cronista. Em 1995 recebeu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores.
Publicou “Temas da Literatura Viva” (1982), Crónicas Italianas (1984), Os amantes voluntários (1987), O pássaro de vidro (1988), A mulher nua (1997), Sombras em Telavive (2001), Memórias, José Régio e outros escritores (2001), A tragédia de Manuel Laranjeira (2002), Um Inverno em Marraquexe (2004), A aranha (2005) e Pedro I (2007), entre outras obras. Está traduzido e publicado em hebraico e italiano.
À revista da “sua” terra respondeu com a costumeira frontalidade, doesse a quem doesse. Manuel Poppe é um escritor comprometido, não acredita nas tretas da “arte pela arte”. Tem muito a dizer. Parafraseando um célebre texto de teatral: ouçamos como ele respira.»
Leia a entrevista completa Aqui.
O Capeia Arraiana publica, de seguida, a mensagem de Manuel Poppe:
«Caros Amigos,
Por razões de saúde – garanto-vos que não é uma desculpa diplomática –, não poderei estar convosco, no próximo dia 4, para homenagear Manuel A. Pina.
Tenho muita, muita pena. Manuel A. Pina merece essa e todas as mais homenagens. Todas serão, aliás, poucas.
Conheço-o há mais de 30 anos; escrevemos no mesmo jornal; desde a primeira hora que o admiro e respeito.
É um poeta admirável e um jornalista superior. Neste momento, em Portugal, ninguém escreve, sobre a nossa actualidade tão difícil, tão dramática, tão terrível, com a independência, coragem, honestidade e lucidez com que escreve Manuel A. Pina.
Sou beirão de eleição e coração – e honra-me sê-lo, porque Manuel A. Pina o é, também.
Parabéns pela felicíssima iniciativa e o grande abraço do
Manuel Poppe
p.s. se assim acharem, honrar-me-ia muito ver estas linhas publicadas na vossa Capeia Arraiana. Bem hajam!»
O Miguel tem cinco anos e é filho de mãe solteira, que vive com muitas dificuldades. Ontem deram-lhe uma guloseima: Um grande ovo de chocolate, que é mimo raro naquela criança tão pobre. Não o comeu… Levou-o para o Jardim e pediu à educadora que o dividisse pelos vinte coleguinhas da sala. São momentos assim de luz, que redimem a humanidade!
Primavera
Ao chegar ao casario
o rio abranda o passo
para mais demoradamente
beijar as hortas
já semeadas.
- É Março –
Vê-se que tudo floresce,
as árvores ganham folhas;
Tudo nasce;
sobe das raízes um clamor;
a seiva aflora aos ramos
e o campo entra em delírio
numa orgia de cheiros
e de cores.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
Abril marca o início do tempo ameno, cabido no ciclo das sementeiras, das sachas e regas, que culmina com as colheitas.
Diz o povo que a rês perdida em Abril cobra vida, em sinal de que vem o tempo primaveril, em que a Natureza tudo revigora. Também o muito badalado dito de Abril, águas mil, nos dá a medida de um tempo de chuva abundante, essencial ao desabrolhar da vida campestre. Há mesmo quem diga que este mês é a chave do ano, ainda que álgido seja: Abril frio e molhado enche a tulha e farta o gado, ou, como variante, Abril frio traz pão e vinho.
Nos tempos idos, em que sobretudo se vivia da lavoura, chegado Abril esvaziava-se a aldeia durante o dia. O aldeão largava para o campo, onde andava de sol a sol. Ainda sob a frialdade da manhã jungia as vacas para lavrar a folha. A seu tempo a mulher viria com a cesta da merenda, altura em que, já com a ajuda da dona, se lançava na tarefa da sementeira, botando ao ventre da terra a batata e o feijão. Para mais tarde ficaria o milho, que apenas podia ir à terra quando a rola, o mais atrasado dos pássaros migrantes, arribasse e cantasse do alto dos carvalhos.
Faziam-se os regos que dividiam as belgas e serviriam o correr da água nas regas. Ao seu redor, em carreira, plantavam-se couves, alfaces e beterrabas, vindas do alfobre. Também era neste mês, se as geadas não persistissem, que o camponês plantava as leiras de pimentos, cebolas e tomates, para que no tempo tórrido houvesse fartura de saladas.
Para a canalha este também era tempo de folias. Mau grado os pais os fizessem desandar para os campos a ajudar nas lides, havia sempre a oportunidade de uma escapadela ao bosque mais próximo, à cata de ninhos. Dizia-se quem em Abril haveria mais de mil, e o garoto percorria de olhar afiado toda a folhagem envolvente a ver se aumentava a conta de ninhos sabidos, que depois vigiaria com sete olhos, quando não lhe desse para rapinar os ovos e com eles fazer uma gemada.
O lavrador tem neste mês especial preocupação. Sabe que a água virá, o que lhe assegura o sucesso da sementeira e o bom desabrochar dos mimos, mas teme que o vento cieiro, sempre acompanhado por uma onda de frio e de secura, lhe invada os campos e impeça a lavoura de dar as suas primícias. Por isso se diz, que uma seca em Abril deixa o lavrador a pedir. E é por este ser o mês que tem a chave do ano, que nele se depositam as maiores esperanças, pois é necessário entrar bem para o resto do ciclo da vida agrária, de onde dependia a economia local.
Ainda não há muito tempo que na aldeia tudo o que se consumia era fruto da produção dos campos, regados com o suor do povo. Mau grado os tempos serem outros, isso perdura na memória dos homens da Beira, tão ligados ao seu terrunho, por conhecerem os esforços que a sua gente sempre fez por lograr salvar em cada dia a casa da fome e da miséria.
Abril, não é apenas a época das flores e do chilreio dos pássaros, em que um passeio pelo campo causa especial sedução. É sobretudo tempo em que a chuva e o sol se entrecruzam. Antigamente era nas abertas que o lavrador lançava a semente ao âmago da terra. Os assomos de sol garantiriam o desabrochar da semente, e isso era quanto bastava para contentar o camponês. Um saber clássico, passado de pais para filhos, dizia-lhe: o que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.
Paulo Leitão Batista
O Capeia Arraiana está em condições de avançar que durante a reunião extraordinária do executivo camarário marcada para esta quarta-feira vai ser proposto e aprovado o regulamento das zonas de estacionamento de duração limitada com parquímetros na cidade do Sabugal e na vila do Soito. (Actualização.)
O município do Sabugal irá criar mais 224 lugares de estacionamento na cidade, sendo o maior número localizado nas áreas anexas ao Largo da Fonte e à Câmara Municipal com 148 lugares. No Soito serão instalados parquímetros na artéria que atravessa a localidade. As propostas serão submetidas à apreciação dos deputados na próxima Assembleia Municipal segundo fonte do executivo que pediu o anonimato.
Alguns dos argumentos para a iniciativa são o equilíbrio dos níveis de procura através da aplicação de taxas ao parqueamento automóvel, a garantia de um nível de rotatividade elevado e o princípio do utilizador/pagador e um aumento das receitas autárquicas.
Durante a discussão do Regulamento Geral das Zonas de Estacionamento de Duração Limitada serão delineadas as zonas de estacionamento de Duração Limitada no Sabugal e no Soito. Há preços diferenciados para as fracções de 15 minutos, sendo os mais caros para a denominada «Zona A», que abrange áreas de estacionamento onde os primeiros 15 minutos custam 15 cêntimos, e ao período máximo de duas horas são cobrados dois euros. Na «Zona B» o estacionamento com o período máximo de duas horas irá custar 1,50 euro. Já na «Zona C» a fracção de 15 minutos começa em 0,10 cêntimos até um valor máximo de um euro por 120 minutos. Nas «Zonas D» apenas poderão estacionar os titulares de cartão de residente e os utilizadores de títulos pré-comprados.
Os responsáveis da Câmara Municipal do Sabugal contactados não se mostraram disponíveis para comentar esta notícia.
(Actualização.)
22:00 horas do dia 1 de Abril – Esta foi a nossa «peta» do Primeiro de Abril. Aproveitamos para publicar alguns dos muitos comentários que recebemos sobre a notícia.
jcl










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