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Américo Rodrigues, Zigud e o artista gráfico Jorge dos Reis dão à estampa uma publicação heterodoxa influenciados por «José Neto, o escrevinhador misterioso e obsessivo». É um livro/objecto, responde pelo nome de «escrevo risco» e é editado pela Luzlinar e pelos Bosq-íman:os. O lançamento está marcado para dia 24 de Março, às 18 horas, no Café Concerto do TMG. Estamos todos convidados.

jcl

Conversámos brevemente com Manuel António Pina, o escritor e jornalista sabugalense que no dia 4 de Abril será homenageado na sua terra natal. Por força da profissão do pai, que tinha de mudar de serviço e de localidade cada seis anos, Manuel António Pina saiu do Sabugal ainda menino, precisamente aos seis anos de idade, passando a andar de terra em terra e de escola em escola. Do Sabugal foi para Castelo Branco, depois para a Sertã, Cernache de Bonjardim, Santarém, de novo Cernache do Bonjardim, Oliveira do Bairro, Aveiro e Porto, onde acabou por se fixar. Entretanto licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e dedicou-se à escrita e ao jornalismo. Nesta breve conversa falou-nos das suas memórias de um Sabugal longínquo que, contudo, guarda na memória.

Manuel António PinaTendo saído do Sabugal aos seis anos de idade, e tendo mantido a partir daí pouco contacto com a sua terra de nascimento, que recordações ainda guarda dessa terra?
A recordação mais antiga que tenho de mim mesmo (falei dela há tempos numa entrevista a uma revista da Galiza) é uma criança de dois ou três anos, de chapéu de palha na cabeça, ao pé de uma fonte, acho que uma fonte de mergulho, circular, num largo talvez em frente de minha casa. Outra criança tira-me o chapéu da cabeça e atira-o à água. Eu – acho que sou eu essa criança – exijo-lhe que o vá buscar e mo devolva. O outro miúdo não o faz, e afasta-se rindo. Então, cheio de orgulho ferido, eu regresso a casa. Tenho medo do que minha mãe me dirá, que me castigue e me obrigue a voltar atrás para recuperar o chapéu, mas sei que não o farei. E não o farei porque não seria justo. Não fui eu quem o lançou à água, e seria uma humilhação ir buscá-lo eu. Vou preparado para tudo. Minha mãe, como previra, manda-me ir buscar o chapéu. Eu recuso e fujo para o meu quarto a chorar. Quem acaba por ir buscá-lo é a minha «ti Céu», a melhor amiga de minha mãe, a quem eu chamo de tia, e que se encontra naquele momento lá em casa com ela. Traz o chapéu de palha, e volta a pôr-mo, molhado e tudo, na cabeça. Minha mãe, à porta do quarto, observa em silêncio.
Depois tenho outras, mais recentes. A sessão organizada pela Junta de Freguesia há anos, salvo erro no Salão Nobre da Câmara, sobre os meus livros e o encontro com Maria Natália e sua mãe e a visita à casa onde nasci, além de uma breve passagem pela vila em direcção a Quadrazais, para assistir ao funeral de meu tio Juvenal Salada. Dessa viagem resultou um poema, «Ouro e prata» incluído no meu livro «Cuidados intensivos». Todas as outras memórias que tenho do Sabugal são passadas imagens confusas, misturadas com sentimentos presentes, de que falo em outros poemas: «Lugar» (de «O caminho de casa») «[Lugares da infância]» (de «Um sítio onde pousar a cabeça»), e ainda «O quarto cor-de-rosa» (sobre a casa onde nasci, que é hoje da mãe da Natália), «Branco», «Forma, só forma» e «Um casaquinho preto» (sobre o casaco, na verdade uma pequenina casaca de cerimónia, feita pela minha «ti Céu», que ainda tenho e que vesti aos dois ou três anos numa festa de Carnaval no Sabugal).
Podemos afirmar que enquanto poeta também se sentiu inspirado pelas recordações da infância no Sabugal…
A memória da infância, sonhada ou vivida (se a própria vida não é, como afirmam os budistas, um sonho), é, acho eu, um dos motores centrais da minha poesia. Em alguns dos poemas que tenho imprudentemente escrito, como os que referi, está de forma explícita e em recordações de sítios e situações concretos de que vagamente me recordo hoje e, sobretudo, na consciência mais ou menos magoada dessas recordações, que sei que são apenas isso, recordações, provavelmente, mas que sei eu?, imagens com que eu próprio fui construindo a minha memória e cuja «verdade», mais do que a dos acontecimentos distantemente invocados, é sobretudo a da própria distância e a dos sentimentos que a habitam. Há, por exemplo, outro poema «Junto à água», do meu livro «Um sítio onde pousar a cabeça» (e esse ‘sítio onde pousar a cabeça’ é justamente a infância perdida), em que julgo – nestas coisas não se pode dizer nada com certeza – falo a minha longa peregrinação por terras estranhas desde que deixei o Sabugal até hoje…

Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.

Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa
às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas; à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas…

…e por aí fora.
Aliás, o tema do regresso a casa é um dos mais persistentes leitmotivs da minha poesia, e acho – até onde me é possível sabê-lo – que isso resulta de a minha vida ter sido sempre uma eterna partida, pelos motivos de que lhe antes lhe falei.
Como vê o acto de homenagem que os sabugalenses lhe preparam?
Como um regresso a casa. E levado por mãos tão amigas como as de Paulo Leitão Batista e da Natália.

«A esta hora,
- escrevo eu noutro poema –
na infância neva
e alguém me leva pela mão.
Quem me trouxe de tão
longe senta-se agora
à minha cabeceira
pegando-me na mão.
Senhor, que ao menos
a infância permaneça,
o espírito da neve / desfolhando-se no chão!»
plb

Na semana entre 2 e 8 de Março, a GNR da Guarda registou 61 crimes ocorridos em todo o distrito, deteve cinco indivíduos e registou 37 acidentes de viação.

Guarda Nacional RepublicanaSegundo o habitual comunicado semanal da GNR da Guarda, dentre os crimes registados houve 18 furtos, sendo dois de veículos, dois em veículos, três em estabelecimento comercial, um em residência e 10 outros furtos.
Foram detidos três indivíduos em flagrante delito: um por condução sob efeito do álcool, um por condução sem habilitação legal (carta apreendida), e outro por ofensas à integridade física e injúrias a militares da GNR. Foram ainda detidos dois indivíduos por cumprimento de mandados judiciais.
No dia 5 de Março o Comando Territorial da Guarda, através das Equipas de Protecção da Natureza e Ambiente, realizou uma operação na fronteira de Vilar Formoso, com o objectivo de fiscalizar o transporte e circulação de madeiras para combate ao «nematodo» do pinheiro. No decurso dessa acção foram fiscalizados 125 veículos, daí resultando a elaboração de oito autos de contra-ordenação.
Em 6 de Março realizou-se outra operação Distrital, vocacionada para o combate à criminalidade, contrafacção de vestuário e infracções fiscais e aduaneiras. Na Operação foi detido um indivíduo por excesso de álcool e foram ainda elaborados 76 autos de contra-ordenação.
No período em apreço registaram-se 37 acidentes de viação, sendo 26 por colisão e 11 por despiste, dos quais resultaram 13 feridos leves.
O Núcleo Escola Segura (NES) da Guarda realizou três acções de sensibilização, nas escolas de Amoreiras, Pínzio, Vale de Azares, Barracão e Famalicão da Serra, subordinadas ao tema «Segurança rodoviária». Estiveram presentes 111 alunos e sete professores
plb

A questão da regionalização é antiga e foi primeiramente discutida em Portugal por Amorim Girão, que em 1930 (in Esboço De Uma Carta Regional de Portugal, Coimbra, 1930), dividiu geograficamente o território continental com base nas 13 províncias geograficamente identificáveis e economicamente diferenciáveis (Minho, Trás-os-Montes, Alto Douro, Douro, Douro Litoral, Beira Litoral, Beira Alta, Beira Baixa, Beira Transmontana, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo e Algarve) e na Carta Orográfica de Portugal de Barro Gomes, e que viriam a ser consagradas como entidades autónomas e autárquicas no Código Administrativo de 1936-1940. No entanto, o Estado Novo, pelo Código Administrativo de Marcello Caetano viria a consagrar apenas 11 províncias, que chegaram a funcionar como verdadeiras autarquias intermédias.

João ValenteMais tarde, em 1959, pelo fracasso destas autarquias e devido ao centralismo no rescaldo da campanha de Humberto Delgado, voltou-se aos distritos.
Depois, nos anos sessenta, por necessidade de aplicação do investimento estrangeiro e dos planos de fomento, a Câmara Corporativa propôs uma descentralização da orgânica regional, com a criação de órgãos consultivos e de coordenação, levado à prática pelo DL 46 909 de 1966, que criou junto da Presidência do Conselho um Secretariado Técnico com uma Direcção de Planeamento Regional, subdividida em Comissões Regionais de Planeamento. Foram igualmente criadas seis Regiões/Plano (Norte, Centro, Lisboa, Sul, Açores e Madeira) em que um dos objectivos era a cooperação das autoridades e interesses locais na elaboração dos respectivos planos regionais.
Finalmente, pelo Decreto-Lei n.º 203/74 as Comissões de Planeamento passaram para a tutela do MAI e aos seus presidentes foi atribuída a coordenação dos governadores civis distritais abrangidos pela respectiva área de planeamento, que são a génese das actuais quatro Comissões de Coordenação Regionais, que ainda existem.
Em 1975, o Plano Melo Antunes, que já não foi implementado devido aos acontecimentos do 11 de Março, previa a criação em cada Região/Plano de um Conselho Regional, um Gabinete Técnico e uma Assembleia Regional.
A Assembleia constituinte, viria a consagrar no artigo 255.º da CRP previa a criação de Regiões Administrativas, e no seu artigo 277.º atribuía-lhe «tarefas de direcção de serviços públicos e de coordenação e apoio à tarefa dos municípios, no respeito da sua autonomia e sem limitação dos respectivos poderes», tendo com órgãos, uma Assembleia Regional e uma Junta Regional.
Apesar de consagrada na Constituição a figura das Regiões Administrativas, ser defendida pelos diversos partidos que até apresentaram a partir dos anos oitenta projectos de concretização da previsão constitucional das Regiões Administrativas (MDP/CDE, PVE, PCP, PPM, PRD, CDS e PS) e haver uma lei-quadro (Diário da Assembleia da República, suplemento, 1 de Fevereiro de 1982 e depois o Decreto-Lei n.º 56/91 de 13 de Agosto) que regulamenta o seu processo de criação, o facto é que as Regiões foram sendo adiadas por falta de vontade política.
Todos os projectos partidários coincidiam mais ou menos na sua implantação territorial com base nas Comissões de Coordenação já existentes (excepto o PPM que retomava parcialmente as teses de Amorim Galvão), previam pelo menos oito Regiões mas divergiam e sua delimitação geográfica, concordavam quanto aos órgãos representativos das mesmas (Assembleia Regional deliberativa reunindo todos os municípios e uma Junta Regional com funções executivas), previam as competências (prossecução dos interesses próprios das populações respectivas), atribuições (ordenamento do território e ambiente, desenvolvimento económico e social, educação, cultura, saúde e assistência, juventude e desporto, abastecimento público, apoio às actividades produtivas e às acções os municípios, protecção civil), financiamento (v.g. o projecto 69/VI do PS para a nova lei das finanças locais), mas omitiam os objectivos, delimitações, localização, as sedes e a metodologia a seguir no processo de criação, o que inibiu o desenvolvimento do processo.
Estas divergências, aliadas à afirmação de que a dimensão do território nacional tornava desnecessários níveis intermédios de decisão político-administrativa em matérias que se queriam atribuir as futuras Regiões, acrescidas do facto de, à excepção do Algarve, não existirem verdadeiras regiões naturais, têm sido argumentos usados pelos adversários da regionalização.
Estes argumentos são infundados. Em primeiro lugar porque a criação de regiões ou de instituições a elas equiparadas se verifica em países de dimensão e população semelhante ou mesmo menores que as nossas, como a Dinamarca.
Depois, porque mesmo em países de maior dimensão coexistem regiões maiores com outras que não apresentarão diferença comparativamente às que provavelmente venham a ser criadas em Portugal. Por exemplo em Espanha onde a dimensão média das regiões ronda os 2,2 milhões de habitantes há as que não ultrapassam os 250 mil. Na Dinamarca a população das 14 regiões varia entre 200 e 600 mil habitantes. Em França há regiões com 270 e 700 mil habitantes. Na Itália onde as regiões apresentam uma população média de 2,8 milhões a menos populosa conta com 115 mil. Mesmo na Alemanha há regiões que abrangem uma população de 1,5 milhões de habitantes ou seja significativamente menores que pelo menos 2 das possíveis regiões administrativas a criar em Portugal.
Sublinhe-se que a área média das regiões é de 3070 Km2 na Dinamarca, 3290 na Holanda, 10170 na Bélgica e 15060 na Itália. Áreas que, de resto, se aproximam ou ficam mesmo aquém das que, por exemplo, as regiões do «Alentejo», «Estremadura, Oeste e Ribatejo» ou «Beira Interior», virão a deter.
Por último, a tradição histórica vai no sentido de existirem divisões regionais com base nas quais foi definida a área de actuação territorial da Administração Pública. Desde a Revolução Liberal houve estruturas intermédias eleitas entre o município e a Administração Central, excepto nos períodos de centralismo e/ou ditadura.
(continua.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

No passado sábado, dia 7 de Março, teve lugar, em Miranda do Douro, a apresentação do AECT – Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial. Foi num local paradisíaco. O dia, de um sol esplêndido, deu mais brilho às cerimónias.

José Manuel CamposOs Presidentes das Juntas do Município de Sabugal, aderentes ao A.E.C.T., foram transportados num autocarro da empresa «Viúva Monteiro», contratado pelo Município, já que o autocarro da Câmara estava comprometido para esse dia.
Agradecemos o gesto visto que através das viaturas particulares seria bastante mais difícil e complicada a deslocação.
Chegámos por volta das onze horas e as cerimónias apenas se iniciaram um pouco depois do meio-dia. Durante essa hora de espera deu para fazer umas bonitas fotos e admirar o Douro que corre num desfiladeiro digno de uma visita mais demorada.
Pouco antes do meio-dia começaram a chegar as entidades oficias com especial destaque para os dois Secretários de Estado, Deputados, Presidentes de Câmara e outras.
Abriu os trabalhos o Sr. Presidente da Câmara de Mogadouro visto que foi neste Município que mais se trabalhou para a constituição do A.E.C.T. De seguida usou da palavra o homem que mais tem trabalhado para que o agrupamento se tivesse constituído. José Luís, Alcalde de Trabanca.
Presidentes de Junta de Freguesia do concelho do SabugalChegou o momento de usarem da palavra os Secretários de Estado, de Portugal e España. Tanto um como o outro manifestaram o reconhecimento do A.E.C.T, por parte dos dois governos, tendo felicitado os seus promotores e todos os responsáveis pelas instituições aderentes. Câmaras, Juntas de Freguesia e Ayuntamientos.
Depois dos discursos as entidades deslocaram-se até ao cais onde se encontrava um barco turístico que, num gesto simbólico, se deslocou até ao meio das águas do rio Douro tendo aí assinado os documentos respectivos.
De realçar a actuação de um jovem grupo de pauliteiros que abrilhantou a festa num verdadeiro dia de Primavera. Ou não estivéssemos em Miranda do Douro.
As cerimónias terminaram já perto das 15 horas tendo todos os participantes feito uma viagem até à simpática localidade de Trabanca, España, onde foi servido um abundante e saboroso almoço numas deslumbrantes instalações.
Faço votos para que o A.E.C.T possa contribuir para o progresso e desenvolvimento das duas regiões que, tal como foi dito e redito, durante os discursos, são as mais atrasadas e desfavorecidas de toda a Europa Comunitária.
Assim seja.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

As autoridades espanholas vão realizar trabalhos inadiáveis de desmonte em maciços rochosos no âmbito das obras da nova auto-estrada que vão levar ao corte da N620 entre Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo.

(Clique na imagem para ampliar.)

A Estrada Nacional Espanhola N620 entre Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo vai estar muito condicionada entre as 13 e as 17 horas de segunda a quinta-feira e por um período de cerca de 15 dias, dependendo do desenvolvimento dos trabalhos.
Os condicionamentos de tráfego vão ter início no dia 11 de Março e deverão decorrer até ao dia 2 de Abril.
Como alternativas para o desvio de tráfego estão previstos percursos alternativos no sentindo Espanha-Portugal para veículos ligeiros, pesados de passageiros e pesados de mercadorias com peso bruto inferior a 15 toneladas pela SA200 entre Ciudad Rodrigo – Albergaria de Argañan – Aldeia da Ponte, seguindo pela EN 332 até Vilar Formoso. No sentido Portugal-Espanha para veículos ligeiros, pesados de passageiros e pesados de mercadorias com peso bruto inferior a 15 toneladas pela EN332 entre Vilar Formoso – Aldeia da Ponte – Albergaria de Argañan seguindo pela SA200 até Ciudad Rodrigo.
Para veículos ligeiros e pesados de passageiros o desvio é feito em Fuentes de Oñoro até Ciudad Rodrigo nos sentidos Portugal-Espanha e Espanha-Portugal.
Os desvios de trânsito obrigam ao corte total de tráfego de veículos pesados com peso bruto superior a 15 toneladas.
As informações complementares ao nível local serão dadas informações complementares nos painéis de mensagens variáveis existentes na A23 e A25, complementados por instruções da GNR-BT.
As entidades oficiais recomendam às empresas profissionais de transporte de passageiros e de mercadorias para que programem as viagens de forma a ser evitada a transposição da fronteira de Vilar Formoso nos períodos indicados.
jcl

Cortes en la carretera
Será obligatorio el desvío desde Ciudad Rodrigo hasta La Alberguería de Argañán para después subir en paralelo por la frontera hasta Vilar Formoso
El lunes y el martes de la próxima semana, días 16 y 17 de marzo, y con motivo de las obras de acondicionamiento de la carretera N-620 (Burgos-Portugal) en el término municipal de Fuentes de Oñoro, es necesario cortar el tráfico a fin de llevar a cabo voladuras en la zona desde las 14:00 a las 18:00 horas, aproximadamente.
Durante las dos semanas siguientes será necesario interrumpir la circulación por nuevas actuaciones. El calendario de voladuras y, por tanto, los días en que se producirán cortes de tráfico es el siguiente:
- Semana del 16 al 22 de marzo: Voladuras y cortes los días 16 y 17.
- Semana del 23 al 29 de marzo: Voladuras y cortes los días 23, 24, 25 y 26.
- Semana del 30 de marzo al 5 de abril: Voladuras y cortes los días 30 y 31 de marzo, 1 y 2 de abril.
Para reducir los efectos de las obras sobre el tráfico se van a llevar a cabo una serie de actuaciones compatibles con la red viaria alternativa a la carretera N-620.
Desvío del tráfico ligero
- Tráfico ligero con origen en Portugal y destino España: se desviará por el casco urbano de Fuentes de Oñoro (tal como se puede ver en la fotografía aérea que se adjunta – fichero 1).
- Tráfico ligero con origen en España y destino Portugal: se desviará por la carretera autonómica SA-200 en el tramo español y por la N-332 hasta Vilar Formoso en el tramo portugués.
Actuaciones sobre el tráfico de vehículos pesados
El tráfico de vehículos pesados no podrá ser desviado por carreteras alternativas a la N-620, ya que tanto la SA-200 como la N-332 no tienen estructura suficiente para soportarlo. Por tal motivo, las actuaciones consisten en la colocación de carteles anunciando los días y horas en los que se producirán los cortes. Estos carteles están colocados antes de llegar a lugares que permitan la parada de los vehículos pesados.
Información en los paneles de mensajes de la A-62
La información sobre estos cortes se incluirá en la red de paneles de mensajes variables dependientes del Centro de Gestión de Tráfico, desde Burgos hasta Salamanca (Autovía de Castilla, A-62), a partir de las 8:00 horas de los días en que se proceda a las voladuras.
Informação do Salamanca24horas.com

Chegou-me às mãos um desses jornais que são a negação absoluta do que deveria ser a comunicação social, mas segundo consta é o terceiro mais vendido nas bancas diariamente em Portugal. Veja-se a quantidade de leitores que não deve ter!

António EmidioTrazia na primeira página, em letras garrafais e com fotografia, a notícia do parto de uma senhora pertencente ao beautiful people, parto esse que, segundo a crónica, demorou quatro horas. Sem delongas, e por disciplina de espaço, afirmo que este tipo de comunicação social tem por finalidade lucro e sucesso no mercado, mas não só, talvez a missão principal seja adaptar e integrar os seus leitores no funcionamento da ordem social vigente. O parto da senhora foi um troféu que ela expôs nesta feira de vaidades que é a sociedade de consumo, onde os valores, melhor dizendo, os subvalores que predominam, são o poder, o dinheiro, o êxito, e a fama.
Dirá o leitor(a): isso é liberdade, como liberdade é podermos expressar os nossos pontos de vista.
Neste sistema político liberal, podemos falar, mas todo aquele que pisar o risco, ou seja, sair das marcas do political correctness, controlada e ordenada pelos grupos de pressão que controlam tudo, desde a economia, aos meios de comunicação, e passando pela industria da cultura, é rapidamente posto de parte. E aquele que se queixa porque está mal e insatisfeito, dizem-lhe que não é o sistema o culpado, o culpado é ele próprio, o queixoso, porque afinal vivemos na era dourada da «igualdade de oportunidades».
O Nazismo e o Estalinismo foram flagelos do século XX. Penso que a falta de liberdade, noutros modos, será o maior flagelo do século XXI, porque estamos a assistir ao começo de um neototalitarismo mediático que irá manipular a seu belo prazer, e sem limites, as opiniões públicas
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Nos Fóios comemorou-se, pelo segundo ano consecutivo, o Dia Internacional da Mulher.

Dia Internacional da Mulher nos FóiosA Junta de Freguesia e o Grupo Cultural e Desportivo de Foios meteram mãos à obra e toca a organizar o dia internacional da mulher. Há cerca de um mês combinou-se levar a efeito mais esta actividade e em boa hora se planificou.
A Cláudia Tavares e a Maria Belmira, da direcção do grupo, foram as grandes responsáveis por mais uma grande jornada pedagógica e social que muito dignificou a mulher.
O Sr. Padre Paulo anunciou, na Igreja, que as cerimónias teriam inicio, no auditório do Centro Cívico, a partir das 15 horas de hoje domingo, dia 8 de Março.
Compareceram cerca de quatro dezenas de Senhoras que, muito atentamente, assistiram a tudo quanto lhes foi apresentado através das novas tecnologias e, de seguida, algumas jovens leram uns poemas alusivos ao tema.
No final concentraram-se, no bar do Centro Cívico, tendo-lhes sido servido um lanche que agradou a todas as participantes.
Como a animação era evidente a Maria dos Anjos contratou o acordeonista «Zé da Prudência. Este entrou no bar a tocar animadamente a ponto de fazer sair do bar todas as Senhoras que, cheias de entusiasmo, deram início ao baile.
Como a animação era muita decidiram organizar a ronda à moda antiga, como os homens ainda vão fazendo cá pelos Foios. Foi bonito. Decidiram visitar os cinco bares existentes nos Foios e durante o percurso davam os tradicionais aguiguis típicos das rondas de outrora.
Curioso é que os donos dos bares ficaram tão surpreendidos e satisfeitos que acabaram por oferecer as bebidas que foram consumidas.
Numa tentativa de imitação, dos homens, colocaram uma grade de minis em cima da mesa. Não se beberam todas mas foi um gesto bonito e de verdadeiro entusiasmo.
Já quase no final, e muito animadas, combinaram fazer mais um convívio, do género, no dia da mãe que é no dia 1 de Maio. O acordeonista ficou contratado e espero e desejo que se divirtam, nesse dia, tal como aconteceu hoje, Dia Internacional da Mulher.
Parabéns às mulheres dos Foios e parabéns a todas em geral.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

O Ministério das Finanças e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) assinaram esta segunda-feira um protocolo de cooperação que permitirá às Juntas de Freguesia informar e apoiar os contribuintes no envio electrónico das declarações de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), relativas ao ano de 2008.

IRS 2008Foi celebrado esta segunda-feira, dia 9 de Março, um protocolo entre o Ministério das Finanças e a ANAFRE que possibilita o preenchimento e envio das declarações de IRS pelos serviços autárquicos.
As Juntas de Freguesia aderentes vão, assim, disponibilizar o equipamento informático necessário e ajudar os contribuintes no acesso ao portal da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) e na submissão das respectivas declarações electrónicas.
A formação dos funcionários das freguesias que vão desempenhar estas funções será da responsabilidade da DGCI e do Centro de Estudos e Formação Autárquica (CEFA).
Por cada declaração de rendimentos submetida através dos seus equipamentos informáticos, a Junta de Freguesia receberá uma compensação financeira de dois euros, acrescida de um montante definido em razão do número de eleitores recenseados nessa freguesia.
A entrega por via electrónica do IRS começa a 10 de Março e prolonga-se até 15 de Abril. Este ano, quem enviar as declarações por esta via, na primeira fase, que abrange rendimentos por conta de outrem ou pensões, vai receber o reembolso do IRS mais cedo. O Governo decidiu antecipar os reembolsos para o final do mês de Abril, como uma forma de «aliviar» a carteira das famílias.
jcl

A raia sabugalense tem um novo testemunho em livro acerca das suas tradições e da valentia do seu povo, resultante do aturado trabalho de um ilustre alfaiatense, o Dr Porfírio Ramos.

img018Porfírio Ramos é licenciado em Economia e actualmente aposentado da Segurança Social, onde trabalhou largos anos como inspector. Embora radicado há muitos anos em Lisboa, nunca esqueceu Alfaiates, terra onde nasceu e de onde saiu ainda menino para estudar, primeiro no seminário e depois na escola oficial e na faculdade.
Já em Lisboa esteve desde a primeira hora ligado à Casa do Concelho do Sabugal, onde exerceu vários cargos directivos, nomeadamente o de presidente da direcção em diversos mandatos. Também presidiu à Casa das Beiras e foi director do jornal Sabugal, órgão informativo da Casa do Concelho.
E foi no jornal da Casa que escreveu durante muitos anos textos inspirados na vida antiga da sua terra natal. A maior parte desses escritos, devidamente retocados, integram agora o seu livro, intitulado «Memórias de Alfaiates e outras Terras Raianas». Trata-se de uma edição de autor, que pauta pela qualidade gráfica e, sobretudo, pela qualidade do conteúdo.
Centrado na aldeia histórica de Alfaiates e no seu povo forte e humilde, Porfírio Ramos traça uma caracterização da Raia nos meados do século XX, quando nas aldeias se vivia com imensas dificuldades. E o autor está ele próprio presente em algumas narrativas, desde logo na inicial, onde relata como foi a sua primeira experiência enquanto contrabandista.
O livro fala muito do contrabando, tema incontornável quando se aborda a forma de vida de antigamente dos povos da raia sabugalense. Mas também deixa importantes testemunhos noutras áreas, como é o caso da gastronomia tradicional. Descreve-se a confecção e a forma de servir e de comer ementas como o caldo escoado, o bucho, a sopa das baginas secas, as saladas de meruges e os pimentos curtidos.
Noutra parte o livro descreve os principais monumentos de Alfaiates e as festas que ali tinham lugar noutros tempos, bem como as tradições que lhes estavam associadas. Aborda ainda alguns costumes antigos, que com o tempo se perderam, como o do pagamento do vinho, as entrudadas e a ronda. Mas também há costumes que ficaram e até valorizam a região, como sucede com a capeia arraaiana, também abordada.
Porfírio Ramos para além de um colector de memórias do seu povo é também um exímio contista, e brinda-nos com três belos contos que têm como pano de fundo as nossas terras e como protagonistas as nossas gentes.
O livro, de 238 páginas que se lêem de um fôlego, pode adquirir-se na Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, e na Casa do Castelo, no Sabugal.
plb

Os Navegante são um grupo que se dedica à recriação de temas da música tradicional portuguesa, na mesma onda da Ronda dos Quatro Caminhos, embora com mais temas da autoria de membros do grupo, do que é habitual.

Joao Aristides DuarteFundados por José Barros, um músico e cantor que pertenceu aos Romanças, um importantíssimo grupo de música tradicional, os Navegante são oriundos de Sintra.
José Barros pertenceu, na década de 1980 à Ronda dos Quatro Caminhos.
No dia 4 de Agosto de 2002, os Navegante deram um concerto no Soito, integrado nas Festas de São Cristóvão.
Este foi o ano em que as Festas de São Cristóvão se realizaram porque um grupo de quintos (todos nascidos em 1961) se disponibilizaram para serem mordomos das Festas, já que os nomeados no ano anterior não quiseram assumir essa responsabilidade.
Foi o último ano que as Festas de São Cristóvão decorreram no figurino habitual, tendo estado suspensas depois desse ano, só regressando (já com novo figurino) passados três anos. Talvez por esse facto nesse ano havia pouca gente nas Festas.
Mesmo assim, os Navegante proporcionaram, na minha opinião, um grande concerto.
Se há coisa que me admira nesta região, onde parece haver tantas pessoas a querer preservar tradições, é que há muita gente que não dá valor a nada do que é tradicional (refiro-me à música) e preferem produtos completamente adulterados e kitsch que nada têm a ver connosco. Mas enfim…
Os Navegante apresentaram-se no Soito com uma formação que incluía José Barros (voz, braguesa, cavaquinho, guitarras, bandolim), Carlos Passos (violino e, à época, presidente do Sindicato dos Músicos Portugueses), Vasco Sousa (baixo), João Luís Lobo (bateria, percussões) e Hugo Tapadas (acordeão). Como convidado participou no espectáculo um jovem músico que tocava rabeca, um instrumento parecido com um violino, mas com um som diferente.
No seu reportório incluíram temas como «Baile da Povoação» (tradicional dos Açores), «alsa Verde» (um tema de José Barros, que já vem do tempo dos Romanças), «Maria Faia» (o conhecido tema da Beira-Baixa, com uma prestação fantástica de Carlos passos, no violino) ou «Não há Heróis» (mais um tema da autoria de José Barros). Tocaram ainda o conhecido tema «Chapéu Preto».
Navegante no SoitoOs músicos comeram no restaurante das Festas e mostraram-se entusiasmados com as «tertúlias dos quintos», que decorriam por todo o recinto das Festas.
O engenheiro de som deste concerto, que fazia parte da comitiva dos Navegante, foi João Magalhães, mais um nome mítico da música portuguesa, uma vez que foi técnico de bandas como os Jáfumega ou Go Graal Blues Band, nos anos 80.
Já tinha estado no Soito, em 1989, aquando do concerto da Brigada Victor Jara, uma vez que foi ele o técnico encarregado do som nesse espectáculo.
Os Navegante voltariam ao concelho de Sabugal em 2004 para um concerto em Aldeia do Bispo que teve que ser anulado devido ao mau tempo. Apenas deu para realizar uma parte do ensaio de som, com todos os músicos presentes.
No ano seguinte, no entanto, os Navegante tocaram, finalmente, em Aldeia do Bispo, noutro concerto de que, também, gostei muito e teve lugar na noite de 15 de Agosto.
Nas fotografias podem ver-se imagens da actuação dos Navegante, no Soito.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

No lugar de Caldeirinhas, na freguesia de Sortelha, dois barrocos naturais chamam à atenção pela sua estranha e bizarra forma. Um tem aparências com a cabeça de um cão pastor da Serra da Estrela e o outro tem aparências com uma cabeça de macaco tipo chimpanzé.

Barrocos Cabeça de Cão e Cabeça de Macaco em SortelhaA paisagem que se avista a partir do Castelo da Aldeia História de Sortelha é única no Mundo. As encostas a perder de vista estão salpicadas por barrocos, muitos e estranhos barrocos. Ilustração de postais turísticos e de muitas fotografias que vão circulando pela Internet o barroco da Cabeça da Velha é, talvez, o mais popular e o mais conhecido.
Damos hoje a conhecer mais duas estranhas formas naturais (ou trabalhadas?) no lugar de Caldeirinhas, na freguesia de Sortelha.
Um tem aparências com a cabeça de um cão pastor da Serra da Estrela e o outro assemelha-se a uma cabeça de macaco tipo chimpanzé. As imagens já estão colocadas no Google Earth que indica, igualmente, as coordenadas das suas localizações.

Veja a indicação aos barrocos de Caldeirinhas no Google Earth aqui.
Coordenadas GPS: +40° 20′ 60.00″, -7° 13′ 1.20″ (Caldeirinhas).

Serafim José Leal (mais conhecido como Serafim Tomás Leal)

O jornal «Açoriano Oriental», publicou, no dia 4 de Março, uma crítica ao livro «Charlas sobre a Língua Portuguesa», de Cristóvão de Aguiar.

Charlas sobre a Língua PortuguesaO mais antigo jornal português, o «Açoriano Oriental», foi fundado em 18 de Abril de 1835 por Manuel António Vasconcelos. Nas suas páginas foi publicada, no dia 4 de Março, uma crítica literária ao livro «Charlas sobre a Língua Portuguesa» do escritor açoriano Cristóvão de Aguiar com ligações à vila do Soito, no concelho do Sabugal. Aproveitamos para partilhar com todos a referida crítica:
«[...] Acabo de ler um livro que nos vem lembrar que existem normas e regras para a Língua Portuguesa – Charlas Sobre a Língua Portuguesa – alguns dos deslizes mais comuns de linguagem (Almedina, 2009), escrito pelo professor (aposentado) e escritor (no activo) Cristóvão de Aguiar.
Estas Charlas andavam dispersas em blogosferas e em jornais continentais e açorianos e, agora, em boa hora “enfeixadas” em volume, conhecem uma nova respiração e uma outra eficácia.
Estamos perante uma série de notas, comentários, apontamentos e contributos, de inegável valor didáctico-pedagógico, sobre alguns dos erros mais comuns praticados por falantes da Língua Portuguesa.
Não sendo linguista, nem gramático, mas possuindo consciência literária, linguística e histórica, Cristóvão de Aguiar dá exemplos práticos desses erros e formula e fundamenta a sua correcção em textos de leitura muito agradável. No final de cada “lição”, o “professor” recapitula a matéria dada. E, coisa rara de acontecer entre alguns linguistas da nossa praça, o autor exemplifica e simplifica sem cair em facilitismos e, esclarecendo e contextualizando, chega a conclusões. Recorre, por vezes, ao inglês para efeitos de comparação (não é impunemente que se é germanista e se teve Paulo Quintela como Mestre), por ser uma língua mais concisa do que a nossa. E para ilustrar e contextualizar o que diz, vai contando apetecíveis histórias.
Falando de deslizes linguísticos através de terminologia adequada (vade retro a Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário – TLEBS), o autor aproveita também para lançar olhares (críticos e irónicos) ao estado das coisas em Portugal – ao nível do social, do político e do cultural. Alguns dos comunicadores televisivos (todos eles detentores de licenciaturas) levam valente bordoada pelos deslizes… Alvo de farpas são também aqueles que insultam, na televisão, na rádio e nos jornais, a Língua Portuguesa. E não é assim que se educa um país. Não nos esqueçamos que, em matéria de português falado, quem, na pantalha, leva a primazia são os jogadores e treinadores de futebol. Literatura, cultura e escritores? Só na RTP 2, e depois da meia-noite…
Por conseguinte, estas Charlas são de uma gritante actualidade e, por isso mesmo, devem merecer a nossa leitura mais atenta. E esperemos que, para fruição nossa, as ditas conheçam sequelas.”
José Manuel de Aguiar

Caros amigos, conforme vem sendo hábito, quando percebo que algum dos meus temas pode vir a ser «notícia» comunico-o.

Agostinho da Silva no JarmeloNão vejo em nenhum de vós gente capaz de ridicularizar as minhas notas, daí que aí vai:
Fruto de uns posts colocados na blogosfera, surgiu por parte de alguns órgãos de comunicação social regional, a vontade de falar comigo, mormente sobre o presumível facto de não me recandidatar à Junta de freguesia de S. Pedro do Jarmelo.
Acrescentarei mais: nem me recandidato à Junta, nem farei parte da organização da Feira-Concurso do Jarmelo.
Da Junta saio, depois de dois mandatos, em que o desgaste foi notório e os logros foram escassos. Não posso de forma alguma fazer um balanço positivo do meu desempenho, uma vez que as lutas que protagonizei em prol das condições básicas das populações, continuam, até à data, por resolver.
As aldeias que não tinham água, eram e são as mesmas: Donfins, Urgueira e Pereira.
As aldeias que não têm piso nas ruas (ou só têm em parte) são também as acima referidas.
As aldeias que não têm saneamento são ainda Donfins, Urgueira, Pereira, Ima e Devesa.
Estamos pois na presença de uma magistratura de influências que não conseguimos exercer (nego-me a considerar-me incompetente, mas tão só, considero que foram estas populações vítimas dos constrangimentos económicos).
Em diversas ocasiões, por diferentes meios, alertei para estas realidades, daí que não conseguindo, não posso admitir a qualquer «poder» que um dia tenha o «desplante» de chegar ao Jarmelo e dizer, que mais não se fez, porque mais não foi pedido.
Ao passo que outras freguesias já se preocupavam, com jardins e espaços de diversão, as nossas gentes amarguraram, supostamente, a pena de um dia ter aqui nascido um dia um dos assassinos de Inês de Castro.
Confio que aparecerão pessoas que tenham outra forma mais eficaz para levar a cabo estas «empresas». Não posso acreditar que um dia por um cálculo per capita se conclua que já não vale a pena. Pelo que me é dado observar, algumas pessoas, embora poucas, já vão ter água – não sendo todas na mesma aldeia, ao menos algumas… talvez por um critério sui generis, depois de uns, virão os outros (embora na mesma aldeia).
O futuro, será certamente muito melhor, é esta a vantagem de se ter batido no fundo: saindo de lá, só para cima. O PIAZAR, ou um outro programa de coesão, virá suprir estas mágoas e transformar de uma vez por todas a realidade desta gente.
Seja qual for a equipa que se apresente na Junta, fará certamente melhor trabalho, pois as condições parecem-me forçosamente melhores face ao futuro. Talvez o método e a forma sejam eficazes e daí resultem verdadeiras melhorias para todos. Pelo menos é essa a minha certeza.
Quanto à Feira-Concurso, que também vou deixar de coordenar/colaborar, é mais uma das «guerras» que levei demasiado a peito, com os eventuais prejuízos que daí advieram para a causa.
Percebi que muitas vezes o método e a forma foram longe demais, trazendo dissabores ao conjunto do evento. Mais uma vez, neste tema também estou certo que os verdadeiros jarmelistas, não deixarão o tema acabar de forma inglória.
Certo de que nos últimos anos alertámos até à exaustão, para a necessidade de se dignificar este evento e de uma vez por todas ser assumido como referência estratégica regional, certos disso, achamos que as entidades que têm o «dever», dele não se demitirão.
Não considero esta minha retirada um acto de cobardia, tão só uma saída para o lado, para que outros protagonistas tomem lugar. Ao que tudo indica os constrangimentos económicos, não se farão sentir, pelo menos nos próximos anos, dado que estamos em pleno QREN.
Uma vez que durante vários episódios, se percebeu que havia interesse em apoiar este evento, é chegada a hora de outra entidades agarrarem com mais firmeza este evento.
Este projecto deve e tem que ser definitivamente catapultado a interesse regional e local, devendo todas as entidades que super-entendem o tema, agarrá-lo e referenciá-lo, ou de uma vez por todas dizer às gentes do Jarmelo, que afinal o que se passou até agora foi mesmo um erro de casting.
Este evento não tem que forçosamente ser coordenado pela Junta, mas dado o histórico recente, talvez deva continuar a ser um parceiro a ter em conta.
Quanto a mim já tive protagonismo em exagero sobre este tema..
Disponível par outras «conversas».
Jarmelo, Fevereiro de 2009.
Agostinho da Silva

Os atletas da Academia Egitaniense de Karate Shotokan (AEKS) têm alcançado resultados meritórios nos vários campeonatos e troféus em que têm participado. Bruno Monteiro ganhou a medalha de ouro em Espanha e Rui Jerónimo sagrou-se vice-campeão Nacional Sénior.

Rui Jerónimo e Luca ValdesiNo último dia do mês de Fevereiro (28) realizou em Valência (Espanha) um Curso Internacional de Karate, ministrado pelo Tri-Campeão Mundial de Kata da Federação Mundial de Karate, o Italiano Luca Valdesi. O atleta Rui Jerónimo foi o único português presente neste estágio que foi sem dúvida muito proveitoso para todos os competidores de Kata.
Rui Jerónimo, depois de terminado o curso, deslocou-se para Toledo para participar no Campeonato Regional Sénior Castilla-La Mancha, no dia seguinte. Embora não tenha trazido uma medalha, teve uma prestação positiva. Realizou um total de quatro Katas, alcançando a final da sua poule. Perdeu na eliminatória de acesso à final por um apertado 3-2 e novamente pela diferença mínima 3-2 a final da repescagem. Classificou-se desta forma em 5.º lugar. Esta prova serviu também de preparação para o Campeonato Nacional Sénior que se realizará próximo fim-de-semana em Almeirim.
Realizou-se no dia 1 de Março, na cidade da Guarda, o 3.º Estágio Regional Beira Alta da União Dojos Karate Shotokan. A jornada foi orientado pelos directores técnicos da UDKS, Sensei Vítor Dinis e Isabel Teixeira. Estiveram presentes mais de três dezenas de atletas de várias cidades do distrito. Após o estágio, realizou-se a 2.ª Época de Exames 2008/09, onde estiveram presentes atletas da AEKS e AEKS-P (Guarda), NKSP (Pinhel) e do ODCK (Sabugal).
No dia 7 de Março disputou-se, na Cidade de Cáceres (Espanha), o VII Trofeo Diputación de Cáceres de Karate. Estiveram presentes mais de 170 jovens entre os 7 e os 15 anos, em representação de seis Selecções Autónomas de Espanha e a Selecção Nacional Portuguesa. Como já vem sendo hábito, e esta vez não foi excepção, os karatecas das camadas de formação trouxeram para Portugal óptimos resultados, mostrando que Portugal está a crescer. Da Academia Egitaniense de Karate Shotokan, foram chamados para representar a Selecção Nacional da FNK-P, Bruno Monteiro e Rita Morgado. Bruno Monteiro teve uma excelente prestação, conseguindo ao longo da competição aumentar a sua performance, o que lhe permitiu ganhar todos os confrontos, inclusive a final da prova diante do atleta da Federação Madrilena de Karate.Rita Morgado, que participou pela segunda vez neste Torneio em representação da Selecção Nacional, alcançou o 3º lugar do pódio, perdendo apenas o confronto com a atleta da Federação Madrilena, e ganhando todas as suas eliminatórias por 5-0. Dois óptimos resultados para Portugal, para a Cidade da Guarda e para a AEKS. Estes dois atletas foram acompanhados por Carla Jerónimo, treinadora da AEKS.
Também no sábado, 7 de Março, decorreu em Almeirim, o Campeonato Absoluto Sénior, maior prova do calendário desportivo da Federação Nacional de Karate – Portugal. Da AEKS estavam seleccionados Carla Jerónimo, Ivo Monteiro e Rui Jerónimo, mas somente Rui pode estar presente nesta prova. À semelhança dos últimos anos, e depois do 3º lugar alcançado no ano anterior, Rui sobe de novo ao pódio, desta vez para receber a medalha de prata. Registe-se que desde 1998 até 2009, Rui Jerónimo subiu 11 vezes ao pódio nacional da FNK-P, conseguiu um total de 4 Títulos de Campeão Nacional, 5 Títulos de Vice-Campeão Nacional e ficou duas vezes em 3º lugar.
No Domingo dia 8, Rui Jerónimo esteve presente no Treino Nacional de Pré-selecção Sénior da FNK-P que teve lugar no Centro de Estágio de Alto Rendimento da Golegã. A acompanhar o atleta durante o Campeonato Nacional e o Treino Nacional esteve Rosa Jerónimo, treinadora de AEKS.
Rui Jerónimo (presidente da AEKS)

No Dia Internacional da Mulher o Capeia Arraiana presta homenagem a todas as mulheres com uma «Rosa Branca» de Mariza.

Capeia Arraiana
8 de Março de 2009

Em tempos, julgava que o Meimão era uma das quarenta freguesias do Sabugal. Fica mais próxima deste concelho, que de Penamacor de que dista 30 quilómetros a norte; a Secção da GNR pertencia ao Posto da GNR do Sabugal e anda hoje à diocese da Guarda.

José MorgadoNo entanto esta freguesia, pertence e sempre pertenceu ao concelho de Penamacor, sendo uma das suas 12 freguesias. Actualmente não deve ter mais de 500 habitantes.
O que me levou a debruçar sobre o Meimão, prende-se com as seguintes razões:
– É a freguesia, deste concelho, no coração da Reserva da Malcata, que fica mais a norte da Beira Interior Sul, na zona de transição entre a também chamada Terra Fria e as regiões do Sul. Confina com as Terras do Riba Côa e portanto a ultima freguesia a Nordeste do distrito de Castelo Branco. Os seus limites dividem águas, umas a caminho do Rio Douro, outras para Sul, a desaguar no Rio Zêzere que as leva para o Rio Tejo. É aqui também (à semelhança de Quarta-Feira) que a zona de montanha se separa da depressão da Cova da Beira. O clima é igualmente de transição, com Verões demasiado quentes e Invernos frios, mas cujos nevões não atingem a intensidade dos do Sabugal. Abunda o castanheiro, o carvalho e o medronheiro que coabitam com a oliveira, alguns sobreiros e azinheiras;
– É a freguesia das redondezas (até prova em contrário) onde se encontram mais rapazes solteiros (42) contra uma única solteira que ainda por cima namora rapaz de «fora» (vidé: Reportagem da SIC);
– Ser demasiado redundante falar unicamente nesta rubrica «Terras entre Côa e Raia» quando os nossos vizinhos têm tantas afinidades connosco;
– Porque qualquer povoado por mais pequeno que seja, tem a sua história, costumes, hábitos e tradições, em muito semelhantes às freguesias circundantes mas com algumas particularidades e evolução social e económica que merecem divulgação.
Segundo Joaquim Tomás, com raízes em Meimão, «a história de Meimão é caracterizada por duas fases bem distintas, um longo período de isolamento e obscurantismo até meados do Sec.XX. Outra, nas últimas décadas, em que se transformou num das aldeias modelo do concelho, com acontecimentos ligados à presença do Padre José Miguel Pereira (natural do Soito) e à construção da barragem».
MeimãoGeograficamente, o Meimão, situa-se num vale profundo, num dos contrafortes da Serra da Malcata, zona também raiana, é atravessado pela Ribeira do Arrebentão, afluente da Ribeira do Alízio (mais conhecida por ribeira da Meimoa).
Está situado entre quatro montes com altitudes superiores a 800 metros, escondendo a povoação (visto de cima, Meimão parece estar no fundo de um alguidar conforme descrição do Pe. António Marques).
Para lá chegar, vindo do Sul, em Penamacor segue-se para Norte no sentido Sabugal e corta-se à direita pela estrada da Carreira de Tiro. Vindo do Sabugal apanha-se a EN233 em direcção a Penamacor e ao 5,5 km vira-se à esquerda para Meimão (Guia Turístico de Manuel da Silva Ramos). Assim, só se entrava e só se saia do Meimão, por itinerários acidentados e íngremes, mas é esta particularidade, que lhe confere características próprias.
Mas actualmente para quem não tem viatura TT, para chegar lá, o acesso é fácil a partir da EN322, passando junto ao paredão da barragem, pela margem direita da Ribeira do Alízio.
Demasiado afastada dos centros urbanos e das redes de comunicação, Meimão tem sofrido, ao longo dos anos as consequências da interioridade e do isolamento (M. Lopes Marcelo, 1993) O isolamento era de tal ordem que constituía uma fatalidade. Ninguém se referia a ela, quando por ela passava. A descrição mais representativa, com que termino, é de Alexandre Herculano, que por volta de 1853, refere nos seus apontamentos de viagem pelo país o seguinte:
«…paramos para almoçar do farnel na aldeia da Orgueira (…) Saindo da vila [Sabugal] em direcção a Penamacor, caminhamos por entre matas cerradas de carvalhos (…) entra-se na serra das Aguça doiras [local próximo, onde actualmente se encontra o depósito para abastecimento da água a Meimão], terreno inóspito, matos rasteiros, com raras excepções, tudo parece inculto, verdadeira imagem do deserto.Descida para um vale extenso [Ponte da Pedra] onde aqui e acolá no meio dos matos se vê raro olivedo ou campo cultivado: meia légua pelo vale abaixo, a pequena aldeia da Meimoa. Aí comemos queijo e peras numa taberna.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

As Objectivas Tilt&Shift – são excelentes na procura de efeitos criativos.

Tilt&Shift são deslocamentos provocados na composição óptica das objectivas que resultam na alteração do plano de foco e do plano de campo sem mudar a distância focal.
As objectivas que oferecem tais mecanismos foram projectadas para corrigir efeitos indesejáveis recorrentes do paralelismo entre plano óptico e o plano fotossensível assim como do plano fotossensível e do plano horizontal.
A construção óptica tradicional alinha o plano das lentes em paralelo ao plano do filme ou do CCD, CMOS. O resultado disso é a concentração do foco em planos paralelos ao filme, CCD ou CMOS e o desfoque tradicional causado antes e depois da linha focada.
Já o movimento de báscula foi criado para ampliar o campo de visão da objectiva em determinada direcção. Essa ferramenta é muito usada na fotografia de arquitectura, onde o paralelismo da câmara com o horizonte e com os planos concretos é indispensável para a reprodução fidedigna das linhas projectadas pelo arquitecto.
Porém, nem sempre existe recursos para adquirir a lente deste género. Podemos contudo tirar partido deste efeito através do software de edição obtendo excelentes resultados.
Com isto tentei recriar a sensação de miniaturas através do presente efeito. Seguem-se os exemplos:

(Clique nas imagens para ampliar.)

«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com

O Capeia Arraiana é Opinião Pública provocada pela edição informativa dos pensamentos de quem escolhe este espaço para dar espaço ao seu pensamento. O tema do momento anda à volta da realização de uma Capeia Arraiana nos Açores por ocasião das festas Sanjoaninas onde o religioso anda de mãos dadas, perdão, de cordas dadas com as célebres largadas das vacas. E só há duas hipóteses: os que estão a favor e os que estão contra. Os indecisos não contam para esta discussão. Após a discussão importa ficarmos todos do mesmo lado, ou seja, a agarrar ao forcão.

Capeia Arraiana e SevilhanasUma das regras de ouro do jornalismo que me ensinaram obriga a que se relatem factos. O jornalista não é metereologista. Os opinadores não podem e não devem ser confundidos com opiniáticos. Mas todos podemos e devemos ter opinião. O jornalismo, a comunicação social, o poder da cidadania alicerçado nos blogues e outros meios da internet tem direitos e deveres, ou melhor, deveres e direitos. Garantir e permitir uma discussão pública sobre os temas mais envolventes das sociedades. Até porque o mundo está em mudança, em acelerada mudança, e o lugar na História sempre se conquistou e muito poucas vezes se comprou.
«Branding is everything», ou seja, «a notoriedade da marca é tudo» é a definição mágica do professor All Ries, guru da comunicação. All Ries considera que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, pode ser usada como ponto de partida para planear estratégias e produzir produtos inovadores, construir marcas vencedoras e alcançar o êxito nos negócios. Quando sentimos vontade de saborear uma boa refeição associamos logo esse apetite a um determinado momento e/ou a determinado restaurante. A psicologia reconhece este fenómeno de persuasão que condiciona e reforça as decisões. Aconselho vivamente aos três candidatos à Câmara Municipal do Sabugal a leitura das «22 Consagradas Leis do Marketing, de All Ries & Jack Trout» até porque vão ser obrigados a «venderem-se» ao eleitorado até Outubro.
Na comunicação de marketing todos trabalham para uma marca. Wilbur Schramm (1907-1987) no seu «Modelo Funcional» defende que é absolutamente necessário construir um código (marca) que possa conquistar o receptor. As marcas reúnem as experiências reais e virtuais, a tradição e a modernidade, a memória e o futuro, a recordação e a realidade. A marca é um atalho, um elemento catalisador e age como forma de expressão social. A marca lidera, acelera e interage.
O Conceito de Branding diz-nos que o processo de desenvolvimento, criação, lançamento, fortalecimento, reciclagem e expansão de marcas passa pela fase da organização empresarial com modelos de negócios (gestão horizontal e integrada) e a fase do posicionamento competitivo e estratégico. A identificação no mercado, a confiança, o valor, a intimidade, a fidelidade e defesa dos consumidores é o património natural do reconhecimento e valor de uma marca (brand equity).
Vem isto a propósito das opiniões veiculadas no Capeia Arraiana sobre a possibilidade de o forcão se deslocar aos Açores por ocasião das festas sanjoaninas. Começo por dizer que estou totalmente de acordo e que é, sem qualquer dúvida, uma excelente jornada de divulgação da nossa maior marca. O problema está naquilo que não foi feito até aqui, ou seja, quase nada. Aproveito para fazer uma análise à marca «Capeia»:
1 – O posicionamento é uma política e não um resultado. E o que foi feito até aqui? Folheando uma publicação da Câmara Municipal do Sabugal intitulada «Roteiro Turístico» as referências às capeias aparecem envergonhadas na página 42 (num total de 62) e teve direito a uma explicação de 12 linhas e uma foto. Errado! O posicionamento é uma decisão política estratégica e o concelho não tem uma marca com mais força do que as capeias. Porquê? Porque são genuinamente originárias das terras raianas. Um valor de marca (branding) que nunca foi utilizado até hoje. Defendo a criação de um grupo profissional, tipo forcados, que se desloque por todo o mundo a promover a nossa tradição apoiado pelos poderes oficiais. Criava cerca de 30 postos de trabalho (já vi dinheiro mais mal aplicado) com possibilidade de se tornarem auto-suficientes. Não é bem como uma banda filarmónica mas é parecido. Para os que não concordam recordo que há touradas com forcados em muitos países europeus e da América Latina.
2 – Nicho estratégico no mercado. «Para dançar o tango são precisos dois», diz uma bela definição que aprendi com os mais exímios praticantes argentinos durante uma reportagem no Festival de Tango que decorreu no Coliseu de Lisboa. Dá vontade de ir a correr aprender a dançar nas milongas lisboetas. E ir a Buenos Aires transforma-se logo numa prioridade. E pode-se dançar o tango em Lisboa? Será um sacrilégio? E levar a capeia a Buenos Aires e provocar nos argentinos o desejo de vir conhecer as terras do Sabugal?
Tenho feito parte da organização de muitas das capeias organizadas pela Casa do Concelho do Sabugal. Tem sido, sempre, uma grandiosa jornada de promoção da marca Sabugal. E trazer o forcão a Lisboa já é natural? E a Paris? E aos Açores? As respostas são simples. Seria extraordinário ver uma capeia em Madrid, em Barcelona, em Paris, em Moscovo, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires. Seria extraordinário obrigar aquela gente a ir ao Google Earth ver onde ficava o concelho do Sabugal e provocar-lhes a necessidade de nos visitarem.
3 – A História é, no século XXI, um projecto global da comunicação digital. No Sabugal faltou pensar o Sabugal. Um evento ou uma excursão, de fora para dentro, organizados fora do mês de Agosto, têm muita dificuldade em incluir uma capeia no seu programa no concelho do Sabugal. Erro tremendo com cerca de 100 anos. Repito. Já vi dinheiro mais mal gasto do que no possível apoio a um grupo profissional para agarrar ao forcão durante todo o ano.
4 – Em cada pessoa, em cada actividade, há sempre uma notícia. Aproveito para deixar mais duas perguntas. E cantar o fado no excelente auditório dos Fóios é natural? E a Mariza cantar fado em Tóquio é correcto? Claro que é. Mas possivelmente só devia ser cantado em Lisboa ou Coimbra…
Na actual conjuntura o conhecimento da marca tem de ser vertido com qualidade no copo de cristal do cliente apoiado na comunicação como um bem abstracto. O turista que chega pela primeira vez ao Sabugal, com excepção dos debutados placards colocados no tempo do presidente Morgado (excelente ideia) nada mais tem que identifique a marca «Capeia». Tantas rotundas despidas que podiam ser aproveitadas para valorizar a essência da alma raiana. Podiam…
Viva a Capeia Arraiana! Vamos com ela até ao fim do Mundo!

Obs. (1): Não sou existencialista nem admiro Sartre (1905-1980) muito citado pelos opiniáticos dependentes dos temas da sexologia (aprés um bom almoço de quinta-feira), mas como amanhã, domingo, é Dia da Mulher, aproveito para citar Simone de Beauvoir (1908-1986), emblemática figura do feminismo, da literatura e do pensamento franceses que «acreditava na possibilidade de inventar a vida e de para ela conquistar um sentido» quando afirmava: «O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da acção porque o homem é livre e encontra a lei na sua própria liberdade».

Obs. (2): O almoço da Confraria do Bucho Raiano superou as nossas expectativas e algumas mesas não tiveram bucho em abundância. Reconhecemos que não foi perfeito porque participou muita gente e os buchos não são confeccionáveis em cima da hora. Muitos confrades compareceram sem marcação. Mas estamos de consciência tranquila. Tal como estariamos se tivesse aparecido pouca gente e sobrassem muitos barris de cerveja alemã…
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

«Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio», pois ele a cada instante renasce no fluxo que transporta. Provérbio Zen.

António MouraNasceu num tempo sem nomes nem homens. Nas suas margens conheceu lobos que nele beberam, veados, corços, linces, ursos, bisontes e outros seres de eras mais recuadas. Gerado por mil nascentes, ao longo de um percurso que então era seu. Deram-lhe um nome, os que dele se apropriaram.
Veio até nós com pureza, oferecendo a água, os peixes, o aroma dos poejos e a força da corrente, que nos moinhos transformava em farinha, o grão que lá entrava. Regando os cultivos nas suas margens, onde as mulheres lavavam roupas que punham ao sol a corar. De todas as povoações, Coadrazais é a primeira a receber o seu nome, e quem sabe, talvez contenha também no final da palavra um afluente do Côa conhecido por Ribeira de Urjais ou dos Rosais. Não me admiraria que em tempos idos, houvesse nestas paragens gentes conhecidas pelos de Côa dos Urjais ou Côa dos Rosais, a semelhança fonética dá que pensar.
Recordo momentos mágicos passados dentro de água pescando trutas à mão. Em zonas de pouca profundidade, pude aprender com os mais velhos a pratica de uma arte que considero ter valor cultural potencialmente explorável. Delimitando e protegendo zonas do rio especialmente vocacionadas para esta actividade, poder-se-ia considera-la como possível oferta eco cultural e de interacção com a natureza, no meio de várias outras, seria um potencial negócio e singular imagem de marca das Terras do Alto Côa. Apanhar pelas guelras trutas de boas dimensões, apenas com as mãos nuas, é para mim a mais extraordinária experiencia de pesca em rio de montanha. Esta arte piscatória tem ainda um impacto nulo ou até benéfico quando o peixe é retirado da água, já que as trutas de maiores dimensões exercem forte predação nos juvenis.
Este rio, tinha no passado, uma sustentável capacidade de regeneração, aguentando as mais selvagens formas de pesca. Com redes, venenos, bombas de foguetes, esvaziamento de açudes, pistolas submarinas, e até uma outra peculiar só possível em rios de abundância, que consistia em bater com uma marra nas pedras maiores, de forma a atordoar os peixes que por baixo se abrigavam.
Hoje, a nossa truta Fário assim como os grandes cardumes de Barbos, que passeavam rio acima rio abaixo com os maiores à frente e os pequenos atrás, por ordem decrescente de tamanho, aos poucos desaparecem. Pela introdução de achigãs, carpas, trutas de viveiro, alteração dos níveis de oxigénio por acréscimo de matéria orgânica de «proveniências várias»… regularização de um caudal que ao ter menos quedas não favorece a oxigenação, falta de sombreamento das margens útil á diminuição da temperatura da água. E finalmente pela delegação de responsabilidades por parte do Estado, em quem não tem a sensibilidade adequada.
As vacas autóctones desaparecem, os porcos pretos felizmente tiveram refúgio do outro lado da raia. Os corpulentos cães de gado com riscas verticais que segundo li algures eram endémicos desta zona da raia de ambos lados da fronteira, parecem também já ter ido.
Procura-se empreendedorismo e visão criativa. Mas primeiro, temos de perceber porque não gostamos das nossas coisas.
Porque se não gostamos delas
como poderão os outros gostar
quando de tão por nós maltratadas
já nada fazem lembrar
Ou lembrar-nos-ão ainda a miséria?
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura

mouramel@sapo.pt

Chamo-me José António Leal Duarte e vivo em Foios com a minha mulher e filho. Nasci na Argentina para onde os meus pais emigraram na década de cinquenta. Vivi nesse país até aos doze anos altura em que os meus pais decidiram regressar à terra que os viu nascer: os Foios.

Che GuevaraAqui fiz o 4.º ano de escolaridade e depois a telescola. Mais tarde emigrei para França onde ainda trabalho – sazonalmente – numa exploração de talco, em Ariége.
Costumo dizer que, para além da família, os meus dois grandes amores são os Foios e o Ernesto Che Guevara. Talvez pelo facto de ter nascido na América do Sul me tivesse tornado admirador do Ernesto Che Guevara a ponto de ter baptizado o meu filho com o nome de Ernesto.
Os dotes de humanismo do Che marcaram-me profundamente. Ao longo dos anos fui coleccionando tudo quanto encontrava e podia relacionado com o meu ídolo. Tenho, na verdade, um espólio de que muito me orgulho. Visto que nos Foios possuímos o Centro Cívico, de que também muitos nos orgulhamos, decidi contactar o Presidente da Junta e com o Presidente do Grupo Cultural e Desportivo, no sentido de podermos fazer uma exposição do Che Guevara. A concordância foi total e marcou-se um período de tempo para que a exposição pudesse decorrer.
Vai ser do dia 4 ao dia 17 de Abril. Quem estiver interessado em visitar a referida exposição poderá fazê-lo das 10 às 12,30 e das 14 às 18 horas de qualquer dia da semana.
José António

Já está em instalação o centro de abate de automóveis na Guarda, o qual estará a funcionar até ao Verão, o que permitirá a remoção das sucatas ilegais no distrito.

SucateirosApenas falta instalar centros de abate na Guarda e em Beja para que todos os distritos do continente fiquem cobertos e prontos a remover os carros velhos e inoperativos.
O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, anunciou ontem, em Amarante, que até ao Verão serão eliminadas as mais de 700 sucatas ilegais de automóveis que tinham sido identificadas em Junho de 2008.
«Até ao Verão concluímos a remoção de mais de 700 depósitos ilegais de sucata. Neste momento, já vamos em 450 que foram ou removidos ou, por satisfazerem os requisitos ambientais, estão a ser licenciados», afirmou o governante, que falava à margem da inauguração da Re-Source Portuguesa, unidade industrial que vai criar 50 postos de trabalho e tem capacidade para receber cerca de seis mil automóveis por ano.
Nunes Correia salientou o facto de com as novas instalações industriais, onde é feita toda a desmontagem dos veículos em fim de vida, se faz o aproveitamento de mais de 80 por cento dos seus materiais.
O governante lembrou que só a entrega do veículo automóvel em fim de vida a um centro de abate licenciado permitirá ao proprietário deixar de pagar anualmente o Imposto Único de Circulação (UIC), medida que acabou com os carros velhos abandonados nas ruas.
plb

É um título, algo, estranho, mas é de propósito, para nos chamar a atenção. Onde é que já se viu, Açorianos a pegar ao Forcão? Com todo o respeito que nos merecem, nada temos contra os Açorianos ou outros.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNão se percebe muito bem, nem o que estará por trás desta iniciativa e os seus intuitos, como pode haver gente do Sabugal, que tenha a ousadia de ir treinar os Açorianos para pegar ao Forcão, dando de mão beijada, uma tradição que é só nossa, da Raia do Concelho.
Ao longo destes últimos 30 anos, a Capeia foi trazida para Lisboa e outras localidades, nunca abdicando o pessoal do Concelho, de desempenhar as suas funções de pegar ao Forcão, dando visibilidade e alguma propaganda à nossa região, acrescido de inúmeras reportagens televisivas, que reforçaram e deram mais projecção ao Sabugal e às suas tradições.
É evidente, que também se pode levar o Forcão aos Açores, porque não? Mas com os arraianos a assumirem o seu papel de pegadores ao Forcão, tal como pelos sítios, por onde este já se passeou e exibiu, sem que daí venha algum mal ao Mundo, antes pelo contrário, como todos estarão de acordo.
Enquanto este imbróglio não tiver uma solução, se olharmos para o reverso da questão e, por muito que nos custe, em qualquer zona do País onde, eventualmente, algum arraiano do Sabugal se encontre a viver, pode recriar a tradição do Forcão. Quem tem poder para o impedir, neste momento? Até lhe podem chamar outro nome qualquer, deixando de colidir com o nosso nome, embora a essência seja a mesma. As verdades são para ser ditas, doa a quem doer e, a nós dói-nos imenso, seguramente.
Infelizmente, o que existe na nossa Raia, como em outras regiões, é que muitos falam, outros tantos sabem e percebem de tudo, deixando correr o marfim, não se preocupando com o que interessa, mas quando acontecem estes imprevistos, o que é que temos? Uma mão vazia e outra, cheia de nada. Há muita gente, que só quer ser «pai de filhos bonitos», sem nada fazerem para isso.
Há uns anos atrás, um anterior Presidente da Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, o Dr. Luís Nobre Leitão tentou iniciar um processo de registar a marca Forcão, para que não se corressem riscos desnecessários, que agora alguém tenta desbaratar do Concelho, a título gratuito.
Manifestámos todo o nosso apoio a essa medida, mas com a condição, de conjugar o registo da marca, em conjunto com as Aldeias arraianas com mais tradição do Forcão, como não podia deixar de ser, mas, por isto, por aquilo ou por falta de apoio adequado, esse processo não foi avante.
Em Agosto de 2008, no Encerro da Lageosa, este mesmo assunto foi abordado por este vosso amigo, com o Professor José Manuel, dos Foios, acompanhados do saudoso amigo Amândio Rosa e também do amigo espanhol, Tomás Acosta Piriz de Naves Frias, chegando, facilmente à conclusão, que as Aldeias do Forcão deveriam reunir e conseguir um entendimento, que não se afigura difícil, no sentido de registar a marca Forcão e, quanto mais depressa melhor.
Estas opiniões tiveram também a ver, com alguma falta de qualidade e desvirtuamento do Forcão em algumas Aldeias do Concelho, sejamos francos, muitos o comentam em surdina, mas pouca coragem têm, para dar a cara, ou tomar posição pública, não que se pretendesse limitar algo, longe disso, antes sim, porfiar pela qualidade das Capeias e do Forcão, nas diversas povoações.
Não estou bem seguro, mas penso que o Zé Manel ficou de sensibilizar os Srs. Presidentes de Junta de Freguesia para este assunto, devido à sua proximidade, disponibilidade e fácil contacto, enquanto autarca residente no Concelho. Desconheço, nesta altura, se houve algum andamento deste processo de intenção, o Zé Manel corrigir-me-á, se estiver equivocado.
É imperioso que as Juntas de Freguesia da Raia e algumas Associações da zona, as mais representativas da Capeia e do Forcão, se encontrem, debatendo a fundo este problema, juntamente com alguns aficionados presentes nas Aldeias, eventualmente, com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, chegando a uma decisão, que proteja as nossas tradições da Capeia e do Forcão.
Conhecida a notícia, felizmente que já há várias Associações arraianas em campo, a trabalhar afincadamente, para tentar uma resolução, em favor das nossas tradições.
Não é de bom-tom, deixarmos que outros usurpem e se apropriem de uma tradição única no Mundo, que só ao nosso Concelho pertence de direito.
Os verdadeiros arraianos e a grande maioria do Concelho do Sabugal nunca vão perdoar tamanha traição.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

«O presidente do Parlamento, Jaime Gama, quer uma discussão alargada entre todos os partidos sobre a regionalização [cinco regiões] através de uma conferência promovida pelo movimento Regiões, Sim!», disse hoje o social-democrata Mendes Bota à saída da Assembleia da República após ter entregue a petição de que é o subscrito número um.

Regionalização«O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, sugeriu que promovessem uma grande conferência interpartidária para perceber a posição de todos os partidos políticos durante a entrega de uma petição sobre regionalização», afirmou José Mendes Bota, presidente do movimento «Regiões, Sim!», deputado e presidente da comissão política distrital do Algarve do PSD, à saída de uma reunião com Jaime Gama, presidente da Assembleia da República.
«A questão das competências, a questão do exercício das competências e a questão do financiamento são questões que obviamente são importante e é isso que nós queremos suscitar junto dos partidos políticos, é de saber quais são as suas posições nessa matéria, Foi uma proposta do senhor presidente que nós iremos acolher», revelou Mendes Bota, em declarações aos jornalistas no final do encontro com Jaime Gama.
A petição apela aos partidos políticos para que assumam, «de forma clara e inequívoca, nos seus programas eleitorais a apresentar ao povo português nas próximas eleições legislativas, o compromisso de concretizar na próxima legislatura a criação e a instituição das cinco Regiões Administrativas, correspondentes às actuais NUTs II».
«Solicita-se aos partidos políticos, que na próxima revisão constitucional sejam eliminados os condicionalismos excessivos colocados à Regionalização que, no entender deste Movimento Cívico, têm obstaculizado a sua implementação», referem ainda os defensores da regionalização.
A delegação do movimento na audição vai integrar vários membros dos órgãos sociais, sendo chefiada por Mendes Bota, presidente da direcção e primeiro subscritor da petição. Presidem à Assembleia Geral, Carvalho Guerra, professor universitário, e ao Conselho Fiscal, Agostinho Abade, empresário.

Assumo, pública e eticamente, a minha parcialidade na defesa deste tema enquanto associado n.º 136 do Movimento Cívico «Regiões, Sim!»
jcl

A relação do agricultor com a terra é um acto de amor que deveria ser entendido enquanto tal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O meu sogro não é sabugalense, mas a sua vida confunde-se com a vida de muitos dos idosos do nosso Concelho.
Homem com quase oitenta e um anos, com doenças várias, algumas do foro oncológico, vive numa aldeia do Concelho de Castelo Branco com mais uma dúzia de pessoas.
Tem um conjunto de pequenas propriedades onde cultiva desde as batatas e couves que come, às laranjas e outras frutas, tendo também algumas videiras que dão o vinho suficiente para ele e a família beberem e mais algumas oliveiras donde tira o azeite que se utiliza nas refeições. É o que se pode chamar de um pequeno agricultor.
Dia de Carnaval, chegado à sua casa, vou ao seu encontro numa pequena vinha de um seu cunhado emigrante em França, que podava e onde enxertava castas brancas em algumas cepas tintas.
As dores nas costas obrigavam-no a parar amiúde, mas o seu amor à terra vindo do mais fundo de si era mais forte que as dores e rápido voltava ao seu labor.
O seu entusiasmo era tanto que de repente eu que nunca havia feito aquele trabalho me senti motivado para, sob a sua orientação, o ajudar.
Face a este puro acto de amor à terra, de um octagenário doente que, num dia de Carnaval, enfrentava as suas dores para tratar da terra a que sabe pertencer, percebi quanto estes homens são necessários ás nossas aldeias.
Não se trata, como ali ficava claro, de ter pena, mas de nos sentirmos orgulhosos da sua presença.
Não se trata de uma prática agrícola que visa, antes do mais, o lucro.
Trata-se de puro acto de amor que se traduz na preservação de um território que, sem eles, já há muito havia soçobrado.
A eles devemos o facto de as terras onde nascemos ainda existirem.
É uma geração que acaba, nada será como dantes quando eles desaparecerem, mas devemos-lhe um sentimento de gratidão imensa.
Tudo o que pudermos fazer para que eles continuem esta labuta de formiguinha não é uma benesse, é um dever.
Melhores condições de vida, acessos facilitados aos cuidados de saúde, apoios diferenciados, tudo o que pudermos dar a estes homens e mulheres é a nós que o damos.
Este é um tema que, estou certo, marcará a diferença entre os candidatos à Câmara Municipal já anunciados.
Não vai chegar deitar as culpas para o Governo, seja ele qual for.
Não vai chegar encher programas eleitorais com promessas de difícil, quando não impossível concretização.
Os nossos idosos merecem que lhes criemos as condições para que os seus últimos tempos entre nós tenham a maior qualidade possível. E que possam continuar a amanhar a suas terras como sempre fizeram…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

José Augusto Aristides, conhecido como o Ti Zé Impedido, completou no dia 3 de Março um século de vida.

Ti Zé ImpedidoNão são muitos os que chegam aos cem anos de vida. O Ti Zé Impedido, actualmente internado no Lar da Terceira Idade, no Soito, conseguiu essa proeza.
Na tarde do dia 3 de Março, na sua residência, na Av. São Cristóvão, no Soito, rodeado por alguns familiares e vizinhos, festejou um século de vida.
Homem muito aficcionado de touradas com forcão e de outras manifestações da cultura popular, nasceu ainda no tempo da Monarquia.
Nos seus tempos áureos não perdia uma tourada e ajudava, sempre, na construção do forcão.
Nos Festivais do forcão, realizados tanto em Aldeia da Ponte, como no Soito, levava um caderno de apontamentos onde escrevia o número de investidas no touro, no forcão. Há dois anos, em Agosto, foi ao Ti Zé Impedido que os mordomos da tourada pediram a praça, no mês de Agosto, no Soito.
Filho do Ti Impedido e de Benedita Dias, nasceu, por acaso em Vila Boa, mas veio ainda bebé para o Soito.
João Aristides Duarte

Há várias semanas foi publicada aqui, a notícia de uma capeia com forcão na Ilha Terceira, em ocasião das festas Sanjoaninas.

Paulo AdãoEssa notícia solicitou de imediato alguns comentários, manifestando alguma curiosidade face à este evento e alguma inquietação. Nos últimos dias apareceu mesmo uma petição online (já com mais de 500 assinaturas), contra este evento. Todos os assinantes, manifestam algum desconforto face à esta iniciativa. Todos, estamos preocupados de uma maneira ou de outra, de perder uma tradição, com tanto valor, em favor de uma Ilha, com outras tradições taurinas, e com poder para fazer aquilo que nós ainda não soubemos fazer, ou seja reconhecer esta tradição como património da raia. O nosso amigo Kim Tomé fala disso no seu comentário ao artigo, outros na página da petição falam numa associação das aldeias do forcão, das juntas de freguesia, de outras entidades com interesses no concelho, para patentear o forcão e a capeia arraiana, ideias a serem ser exploradas e porque não concretizadas.
Faço duas leituras desta situação: de um lado a união raiana dos «filhos da raia» em fazer tudo o que seja possivel para defender, dando ideias em favor destas e outras tradições raianas. Demonstra, como estamos preocupados com a situação social, cultural, presente e futura do nosso concelho e das nossas aldeias, mesmo se por vezes não conseguimos manifestar ou fazer mais por isso.
Mas do outro lado, demonstra, também, talvez insconscientement e sem maldade, que iniciativas privadas e sem consenso, podem destruir grandes tradições. Vimos debates acerca dos recentes festejos de carnaval entre Aldeia do Bispo e o Sabugal, voltamos a assistir com este evento à uma situação menos positiva (à primeira vista) para o sabugal e as aldeias do seu concelho. Quem se ofereceu para «ensinar» os açorianos a pegarem ao forcão, talvez não tenha pensado nas consequencias, mas na realidade, ou porque não sabemos bem o que se seguirá à esta iniciativa, todos estamos preocupados.
Seria bem que «os professores» do forcão dessem a cara e explicassem a razão e as vantagens que esta iniciativa vai trazer ao concelho.
Seria mais positivo trazer açorianos às capeias da raia, que levar o forcão para os açores, mas isto é só a minha opinião.
Será talvez a ocasião e o momento oportuno, para que os poderes locais, Câmara, Juntas, Casa do concelho, Associações e outros, se sentassem à mesa e discutissem de uma solução rapida e definitiva para defender e definir este património que nos une.
Força raia, o forcão é nosso.
Um abraço desde Paris.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Por alturas do Carnaval, tiveram lugar em Aldeia da Ponte dois eventos, anteriormente programados, organizados pela AJP-Associação Juventude Pontense.

Associação Juventude PontenseO Torneio de Sueca decorreu nos Balneários, no sábado dia 21 de Fevereiro, com uma participação aquém do esperado, apenas sete equipas concorreram a este torneio, vindo a final a ser disputada por duas equipas de Aldeia: Fernando Lopes, António Gusmão (Cali) versus David Frango e José Rodrigues (Ganza), tendo esta última dupla vindo a sagrar-se vencedora do Torneio de Sueca. A prova decorreu normalmente, pese embora tenham concorrido poucas equipas.
Apenas um comentário, estas realizações servem para mobilizar as pessoas. Se não há, é porque não há, se há, poucos aparecem, esbanjando estas oportunidades de algum movimento na nossa Aldeia e por estas paragens.
Ao contrário, no dia seguinte, teve lugar o 1.º BTT, igualmente organizado pela AJP, onde o êxito desta iniciativa foi mais animador, com uma participação de respeito, englobando 40 ciclistas, que trouxeram alguma vivacidade e movimento à nossa terra e por onde passaram, que delas, bem precisam.
Com um percurso iniciado em Aldeia da Ponte, seguindo em direcção aos Forcalhos, Aldeia Velha, Sacraparte, Alfaiates, Rebolosa, regressando à nossa Aldeia, ponto de partida e chegada desta jornada de bicicletas.
Apesar de uma ou outra queixa de velocidade, também entendo, que deve ser um passeio, desfrutando calmamente as belas paisagens da nossa região, quem disse que não temos belíssimas paisagens, estará, por certo, bem equivocado, tudo o resto decorreu muito bem, sem qualquer incidente, que era o que interessava, acompanhado de um bom banho retemperador nos Balneários.
Seguiu-se o merecido almoço oferecido pela AJP, com o apoio da Junta de Freguesia de Aldeia da Ponte, bem como de alguns voluntários da referida Associação organizadora.
Foi uma magnífica festa de convívio, estando de parabéns a AJP por estas duas realizações na quadra de Carnaval, passado na nossa Aldeia.
Esteves Carreirinha e Direcção da AJP

A obra realizada pelo poder local desde 1976 na criação das infra-estruturas básicas indispensáveis, tais como redes viárias, ETARs, equipamentos de lazer (polidesportivos, piscinas, casas de cultura, bibliotecas) é inquestionável. Hoje são raros os lugares sem electricidade; praticamente todas as sedes de freguesia têm abastecimento domiciliário de água e rede de esgotos. O Concelho do Sabugal também registou este surto de desenvolvimento, embora com décadas de atraso.

João ValenteMas a interioridade do Sabugal traz dificuldades específicas de desenvolvimento, que outros municípios não sentem: com a litoralização demo-económica do país, os municípios do interior, como é o caso do Sabugal, registaram carência em recursos humanos e técnicos e na arrecadação de receitas próprias, em contraponto com os do litoral.
Por outro lado, a desertificação e envelhecimento (a Beira-Interior Norte perdeu, de 1950 para cá, mais de metade da população e tem mais de 40% da população acima dos 65 anos de idade), criaram novos problemas que não existiam há trinta anos: no interior criaram-se pólos urbanos em detrimento das freguesias existentes na periferia dos concelhos (como o Sabugal e Soito, no concelho do Sabugal), o que coloca novas exigências quanto á política de investimentos, os quais têm de ser mais concentrados.
Outro problema destes municípios é a tendência de realização de obras para granjear votos, e assim perpetuar o poder dos autarcas ou do partido, num universo de eleitores com uma qualidade reivindicativa claramente individualista, apenas preocupada na resolução dos problemas pessoais e individuais.
Daqui decorre a dispersão dos investimentos e uma ausência de políticas inter-municipais para tornar mais forte e densa a malha urbana, em que os dois únicos critérios são a satisfação de «clientelas» e a convicção de que cada concelho se pode desenvolver independentemente do contexto geo-económico da região onde se integra.
A falta de preparação dos autarcas também não ajuda. O critério de eleição é o «ser conhecido no concelho» e ter um enraizamento no quotidiano local que os torne iguais à generalidade da população, potenciando assim as suas condições de liderança; nunca se elege por ser política e culturalmente diferenciado.
Daqui o campo de recrutamento dos autarcas ficar amplamente reduzido, não se identificar muitas vezes com as verdadeiras elites locais, reflectindo-se na sua incapacidade de planeamento a médio e longo prazo, depois de realizadas as obras das infra-estruturas básicas do município.
A maioria dos autarcas não sabe como responder à perda de importância da actividade agrícola no seu município, à terciarização do país, e à transformação do tecido produtivo, à fraca densidade demográfica das freguesias periféricas, que são novas realidade a requererem mudanças e respostas inovadoras.
É neste contexto, que se coloca actualmente a problemática das próximas eleições autárquicas no Sabugal. As duas perguntas que gostava de ver respondidas pelos candidatos à Câmara são as seguintes:
É mais útil continuar a dispersar os investimentos por todas as freguesias que integram o concelho, ou ao invés, concentrá-los na sede do município, de modo a fortalecê-lo para que se torne pólo de fixação e atracção da população?
A julgar pela desertificação irremediável do concelho, não será tempo de políticas municipais que invistam no imaterial (formação animação urbana, cultural e desportiva), que reforcem as malhas urbanas ainda existentes?
A resposta a estas questões é complexa, mas exige um outro tipo de autarcas diferente dos que temos elegido; autarcas que arrisquem em outras políticas municipais que passem pela consciência que só há desenvolvimento num quadro sub-regional ou regional e de que as associações municipais são instrumentos importantes para a implementação dessas políticas.
Se as próximas eleições não forem para mudar alguma coisa ao que tem sido a política da municipal, mais vale cruzarmos os braços e conformarmo-nos já com o quadro que Eça dava dos nossos municípios rurais do séc. XIX:
«É a verdade. Há concelhos em que nem a câmara, nem a administração, nem a regedoria se manifestam mais do que em atravessar pomposamente a praça, no dia da procissão dos Passos, fazendo reluzir ao sol o óleo espesso do penteado. A vila está entregue aos casos naturais. Nenhumas obras; as vielas descalçam-se, os muros abatem, os enxurros empoçam. Nenhuma higiene: a imundice apodrenta o sossego, os maus cheiros fazem a atmosfera, os porcos fossam às portas, a praça é uma capoeira pública. Nenhuma polícia; no mercado a desordem, na taberna o jogo, nas esquinas os bêbados. A administração namora as moças, a regedoria barbeia os fregueses. Não se cria nada, não se conversa coisa algum. O que há serve tranquilamente para se estragar: desde a escola que vai perdendo as grades. È uma vila que apodrece. Há aí o silêncio dos sítios em que cresce o bolor. Um marchante que passa, uma égua que trota, surpreendem: as crianças escancaram a boca, as autoridades espreitam ao canto. Ninguém é rico, ninguém é vivo. Dizem-se apenas meias palavras e aperta-se apenas meio botão. Não se vive inteiramente, como não se vestem inteiramente os casacos: a vida e os casacos – trazem-se às costas.» Eça de Queirós, in «Campanha Alegre», 1872.
Porque se não houver alguém sem medo e com “ideias novas” que se chegue à frente, caros patrícios, será esta, “mutatis mutantis”, a pasmaceira em que acabaremos por viver!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Quem examinar um almanaque, verificará que o repertório de Março traz indicações de tempo vário, mas com predominância para a chuva e aguaceiros. No que respeita á vida agrícola, o anuário lembra que no início do mês ainda se podem podar as vinhas e árvores do pomar e manda preparar as terras para as sementeiras.

Cena Campestre - Foto TutatuxTambém é tempo de se proceder à estrafega do vinho, que é o mesmo que dizer transferi-lo da barrica ou da cuba onde ferveu e encorpou para novo vasilhame, para o separar da borra.
O mês em apreço quer-se ameno e aprazível, como sinal de bom ano. Aliás o povo, no seu fino filosofar, por via dos rifões e adágios, dá indicações do que se espera deste mês, em curiosas cambiantes:
Março amoroso, Abril chuvoso, Maio venturoso, fazem o ano formoso.
Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso, fazem o ano famoso.
Janeiro gradeiro, Fevereiro rego cheio, Março amoroso, Abril chuvoso, fazem o ano formoso.
Mas outros ditos populares indicam o que é esperado neste mês em que o Inverno acaba e a Primavera começa:
Em Março, tanto durmo como faço, o que indica que os dias cresceram e passam a ser iguais às noites.
Enxame em Março, apanha-o no regaço. Nesta altura o frio que resta do Inverno faz com que o apicultor tenha especial esmero no trato das abelhas.
Espiga de Março, não chega ao saco. É bom que as searas ainda não estejam muito adiantadas, por via do possível tempo gélido que tudo pode fazer perder.
Março marçagão, de manhã inverno, à tarde verão, em sinal do tempo instável que se faz sentir.
Março virado de rabo é pior que o diabo, em aviso a possível invernia.
Se o Março vem bravo, não fica orelha nem rabo, noutro alerta para eventuais tempestades.
Não há Março sem Quaresma, nem Quaresma sem cieiro. E cieiro aqui significa o vento frio e seco, vindo de nordeste (de Espanha nem bom vento nem bom casamento), que provoca gretas e feridas nos lábios.
O grão em Março, nem na terra, nem no saco, porque a incerteza da meteorologia aconselha a que se preparem as sementeiras mas não indica que se lance a semente à terra.
Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz, em mais um sinal de bom ano se a natureza der sinais de tempo amoroso.
Quem em Março não merenda, à morte se encomenda, porque os dias a crescer, e a merenda regressa a meio da tarde, ficando até ao final do verão.
Quem em Março sereou, tarde acordou, mas quem a sua maçaroca fiou, com ela se achou. Mais um aceno para a justa medida dos dias e das noites, que nesta altura são de tempo equivalente.
Quem não poda em Março é madraço, ou, quem não poda em Março, vindima no regaço, em aviso a uma última oportunidade para o lavrador relapso tratar das vinhas e dos pomares.
Sol de Março, queima a dama no paço, porque são chegados os dias de forte e perigosa résca.
No que se refere à gastronomia importa enunciar que em Março há a Quaresma, quadra que impõe ao povo devoto restrições alimentícias, em respeito aos cânones. Quem segue o sacrifício, come moderadamente e arreda a carne das refeições nos dias assinalados. Hoje a regra é tomada com menos rigor, mas noutros tempos, em que o fervor religioso e o temor ao divino imperavam, o respeito pelo jejum e a abstinência eram seguidas à risca. As ementas eram mais pobres e os estômagos guardavam-se para a Ressurreição, altura em que se voltaria a comer à tripa forra.
Paulo Leitão Batista

Está patente ao público no Museu do Sabugal (sala de exposições temporárias), uma exposição intitulada Sabores da Nossa Terra. Visitei-a, gostei, e enquanto a visitava, ela ia-me mostrando com toda a clareza e evidência que a tradição é algo que está na nossa memória colectiva como povo, é algo que nos identifica culturalmente.

António EmidioSe verificarmos, tem-se assistido nos últimos anos a um grande renascimento da tradição, e porquê? Será que a modernidade é que trouxe este movimento até ao passado? Pessoalmente acredito que tenha sido a Globalização Neoliberal, senão vejamos: se o leitor(a) passear por uma rua de S. Francisco, Lisboa, Cairo, ou Camberra, encontrará os mesmos automóveis, os mesmos telemóveis com os mesmos toques, as montras mostrando os mesmos artigos das mesmas marcas, e até a mesma publicidade aos mesmos produtos. Vive-se num Clima de «igualdade», as tecnologias estão ao alcance de todos, a comunicação social «iguala-nos», o pobre vê os mesmos programas de televisão que vê o rico, o culto lê os mesmos jornais que lê o não culto, etc. etc..
Numa «igualdade» destas os povos necessitam de se diferenciar entre eles, vão então procurar essa diferença ao passado, às suas tradições. Que significado tem um encerro e uma capeia da nossa terra para um sueco? Penso que nenhum.
Com razão ou sem ela digo que é esta Globalização Neoliberal que obriga a uma resistência dos povos na tentativa de não lhes destruírem a sua cultura e a sua religião. A globalização não tem, nem lhe interessa, a Cultura, a Tradição, a Religião, a Família, a História, e os Valores, não tem espírito, tudo mercantiliza.
Não é preciso pôr de parte por completo a tradição para se ser moderno. A modernização equilibrada e sustentável, nasce de uma reinterpretação da tradição.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A iniciativa da Câmara Municipal do Sabugal, designada de Roteiros Gastronómicos foi uma excelente iniciativa de apoio à gastronomia raiana e de divulgação do concelho do Sabugal. Foi esta a opinião que o Capeia Arraiana apurou.

Panelas de ferroContactámos alguns dos restaurantes que aderiram à edição deste ano dos Roteiros Gastronómicos, de onde constatámos uma grande satisfação pela realização da iniciativa. No geral os responsáveis pelas casas aderentes referem que houve um acréscimo de clientes e não têm dúvidas de que isso se deve muito aos Roteiros.
O restaurante Éden, da Rebolosa, teve sempre fartura de clientes, muitos dos quais vindos de fora. O prato que ali chamou mais a atenção foi o bucho cozido e o pixalho, assim como a feijoada de lebre. O restaurante confeccionou receitas antigas, as quais foram em parte a chave do sucesso.
Também o El Dourado, dos Fóios, dá nota positiva à realização. Ali o cabrito grelhado na brasa foi rei. Muita gente procurou o restaurantes nos dias do Carnaval, procurando a boa comida caseira confeccionada pela Ramitos, que a todos recebe sempre de braços abertos e de sorriso estampado no rosto.
O Pelicano, restaurante de Alfaiates, esteve sempre bem composto e o seu responsável sente que valeu a pena ter aderido à iniciativa. A época em que se realizou este ano foi bem mais propícia que a do ano anterior. O prato de maior sucesso foi o bucho, mas com uma particularidade: toda a gente que não conhecia o bucho o quis provar e manifestou agrado, mas acabava por comer pouco, pedindo sempre também outro prato. Aportou ali muita gente vinda de fora do concelho, dentre a qual muitos espanhóis, que se deliciaram com os pratos de bacalhau que a casa dispunha. O responsável espera que a iniciativa regresse e, de preferência novamente nesta época do ano.
Os restantes restaurantes aderentes foram A Formiga, de Aldeia do Bispo; o Trutalcôa de Quadrazais; O Robalo, O Templo, Raihotel e Sol Rio do Sabugal; O Martins e o Zé Nabeiro do Soito.

Estranhamente não aderiu à iniciativa nenhum restaurante sito nas terras da margem esquerda do Rio Côa.
plb

Na semana passada, de 23 de Fevereiro a 1 de Março, a GNR da Guarda concretizou um total de 19 detenções, tendo registado 66 ocorrências criminais, tido conhecimento de 23 acidentes de viação e realizado duas operações de envergadura.

Carro da BT/GNRQuinze das detenções ocorreram em flagrante delito: nove por condução sob efeito do álcool (apresentando taxas de alcoolemia entre 1,35 e 3,15), três por condução sem habilitação legal, uma por detenção de arma ilegal, uma por desobediência no acto da fiscalização rodoviária e uma por caça ilegal. Foram ainda detidos quatro indivíduos no cumprimento de mandados judiciais.
Dentre as 66 ocorrências criminais registada merecem destaque os furtos, que no total foram 19: três de veículos, outros três em veículos, quatro em estabelecimento comercial, três em residências e seis de outros furtos.
O Núcleo de Investigação criminal de Vilar formoso, durante uma operação em Figueira de Castelo Rodrigo, deteve dois indivíduos, de 23 e 34 anos, respectivamente pelos crimes de furto qualificado e receptação. A operação que consistiu na realização de dois mandados de busca judicialmente autorizados, permitiu a
recuperação e apreensão de diverso material que havia sido furtado naquele concelho, nas últimas semanas
entre o qual três armas de fogo e diverso material de som. Aos detidos, com antecedentes criminais por furto e tráfico de droga, foi aplicada a medida de coação de apresentações diárias no posto da GNR de Figueira de Castelo Rodrigo.
Numa operação a nível distrital, vocacionada para a fiscalização de estabelecimentos de diversão e fiscalização rodoviária, foram detidos 11 condutores por diversas infracções criminais: oito por excesso de álcool, um por condução sem habilitação, um por desobediência e um por posse ilegal de arma fogo. Foram ainda elaborados 17 autos de contra-ordenação e notificadas três cidadãs estrangeiras para abandonar o País e uma para comparecer no SEF.
Registaram-se 23 acidentes de viação, sendo 14 por colisão, oito por despiste e um por atropelamento. Dos mesmos resultaram três feridos leves.
O Núcleo Escola Segura da Guarda realizou diversas acções de sensibilização em escolas do distrito, subordinadas ao tema «segurança rodoviária», a que assistiram 485 alunos. Numa outra acção, desta feota voltada para os idosos, no âmbito do programa «Apoio 65», estiveram presentes 32 pessoas.
plb

Sexta-feira, 20 de Junho de 2003 foi o dia em que os «La Frontera», uma banda espanhola, com grande sucesso em Portugal, se apresentaram ao vivo no Sabugal. Este concerto esteve inserido no programa das Festas de São João e teve lugar, como é habitual, no Largo da Fonte.

Joao Aristides DuarteOs «La Frontera» eram (e são) um grupo que pratica um estilo de música muito baseado em Rockabilly e Country & Western.
O cantor dos «La Frontera» (Javier Andreu) tornou-se muito conhecido em Portugal por ter participado num dueto com Rui Reininho no tema «Sangue Oculto», dos GNR.
Esse tema é cantado em português por Rui Reininho e em castelhano por Andreu.
A formação dos «La Frontera» no concerto do Sabugal era constituída por seis músicos: para além de Javier Andreu (voz e harmónica), também eram membros da banda dois guitarristas (Óscar Rama e Nico Alvarez), um baixista (Tony Marmota), um baterista (Daniel Parra) e um violinista (Suso Moreno).
A prestação dos La Frontera iniciou-se com o tema «Mi Destino», a que se seguiram muitos outros, que fazem sempre parte do alinhamento dos concertos da banda.
Os La Frontera tocaram, neste concerto, estes temas: «Siete Calaveras», «La Frontera», «El Limite», «Juan António Cortés», «Pobre Tahur», «Judas El Miserable», «Mi Dulce Tentacion» e «Cielo Del Sur», para além de outros, durante 90 minutos.
O sistema de som era português, de marca «Furacão» e os «La Frontera» gostaram de ser servidos pela empresa portuguesa.
Chegaram numa carrinha, vindos de Madrid, à tarde, por volta das 18 horas, e passaram para o palco para fazer o ensaio de som.
A frente do palco estava completamente preenchida com monitores de som da marca «Furacão», com que os músicos ouviam que tocavam e o que os seus companheiros, também emitiam.
La Frontera no SabugalO jogo de luzes, com muitos efeitos de laser, também estava bastante bom.
O violinista, o membro mais recente dos «La Frontera», dava outro sabor às músicas da banda, tornando-as mais aproximadas da estética Country.
Javier Andreu apresentou, um a um, os membros da banda e o concerto terminou com uma versão de «Viva Las Vegas» (cantado em castelhano), um tema tornado conhecido, mundialmente, na voz de Elvis Presley.
Antes de iniciar este último tema, Javier aproveitou para fazer uma crítica à guerra no Iraque, iniciada em Março desse ano. Como se sabe José Maria Aznar, o primeiro-ministro espanhol, juntamente com Bush, Tony Blair e Durão Barroso foram os participantes na Cimeira das Lajes, que deu origem à decisão de atacar o Iraque.
Foi essa decisão que Javier Andreu criticou no palco do Sabugal, referindo que o mundo seria muito melhor se uns poucos não se reunissem para decidir fazer guerras.
Nas fotografias podem ver-se o ensaio de som dos «La Frontera», realizado à tardinha, e um pormenor da actuação dos «La Frontera», no Sabugal, com o guitarrista e o violinista em acção, bem como o fantástico jogo de luzes.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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O cerimonial da Sentença do Galo no Domingo Gordo de Carnaval é um ritual que se perde na memória dos de Ruivós. Acto bárbaro para uns, momento de convívio em dia de vale-tudo para outros, a Sentença do Galo reuniu os ruivosenses em mais uma jornada de convívio e confraternização.

GansoGaloOs residentes (facilmente substituível por resistentes) em Ruivós voltaram a encenar no Domingo Gordo a Sentença do Galo. Acto eventualmente chocante para as mentalidades mais urbanas ou mais sensíveis ou fazendo parte das leis da tradição e da vida para outros.
Resumindo, na tarde de domingo de Carnaval, enquanto se inscrevem os participantes o galo é enterrado no largo central só com o bico e a crista de fora. Depois, de olhos vendados e um cajado na mão, são obrigados a rodopiar até perderem o «Norte». Apoiados, aos gritos, pelas indicações de uns e por falsas dicas de outros, os concorrentes lá vão andando até conseguirem encontrar e tocar a cabeça do mais que sentenciado galo.
O domingo terminou no Salão de Festas local onde a malta, em alegre confraternização, saboreou canja de galinha e carne assada apaladadas pelas cozinheiras Isabel, Luísa, Nazaré, Teresa, Lurdes, Glória e companhia. O grelhador esteve a cargo do Ricardo e do Manuel Leitão. Jogar uma suecada fez, igualmente, parte da ementa.
No entanto, este ano a Sentença do Galo em Ruivós teve uma particularidade inédita que vamos partilhar com todos. Os galos da aldeia conseguiram esconder-se todos e por mais que procurassem nas capoeiras e nos currais não conseguiram vislumbrar nenhum. Mas a festa tinha que se fazer e… à falta de galo foi contratado um ganso que, disfarçado com uma crista, ocupou o papel principal de uma peça que não estava nos seus planos representar. A mudança do actor principal, mais duro e mais prolongado no tempo de cozedura, «obrigou» a que o povo de Ruivós se reunisse novamente este sábado, 28 de Fevereiro, para degustar o já famoso «GansoGalo» (até parece que querem concorrer com a VacaGalo do Jarmelo do Agostinho da Silva). A refeição, que incluiu caldo de baginas, teve como convidado especial, o padre Hélder, que se juntou aos seus paroquianos confirmando os sentimentos de proximidade, simpatia e saudável brincadeira que é cada vez mais a sua imagem de marca. A imagem de um pastor que não fica no alto do monte a supervisionar o rebanho e que prefere andar no meio das suas ovelhas. A imagem de um padre do século XXI.
As obras de renovação do telhado do Salão de Festas e da sede da Associação dos Amigos de Ruivós, com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, estão terminadas. A sede da Associação passará a funcionar num gabinete fechado no interior do Salão de Festas. Três bonitas placas trabalhadas em madeira pelo Ricardo Leitão indicam na parede por cima da porta «Associação dos Amigos de Ruivós».
A inauguração da sede da Associação deverá coincidir com a Caminhada pelo Interior do mês de Maio prevista para a freguesia de Ruivós.
jcl

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FESTA DE SÃO PAULO
25 de Janeiro de 2012

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