Os movimentos da história são vaivéns entre o progresso e o retrocesso. Neste momento histórico a humanidade está como que «desnorteada» à procura do caminho certo que a fará avançar até ao futuro. Como é natural há várias ideias a digladiarem-se no intuito de ser uma delas a vencedora. Umas são mais conservadoras, outras mais progressistas.
As conservadoras têm as religiões como difusoras das suas ideias. O Islão fundamentalista que ainda não separou o Estado da Mesquita, dito de outra maneira, o Estado deve ser totalitário por ser uma emanação da vontade divina. O Protestantismo Evangélico com maior incidência nos Estados Unidos que acredita no «Armagedón» (batalha final) vive aliado ao judaísmo ortodoxo, ambos apelando à guerra. A Igreja Católica cujo líder espiritual, o Papa Ratzinger, de um conservadorismo, dogmatismo e moralismo rigorista, nada tem feito para a concórdia entre os povos e religiões diferentes, é um intolerante. Ofendeu os muçulmanos em Ratisbona, ofendeu os protestantes e os índios das Américas, presentemente ofendeu os judeus com o caso dos bispos lefebvrianos. Relativiza o Concílio Vaticano Segundo, e quer uma igreja Medieval.
Do outro lado estão os que se consideram progressistas e modernos. São uma corrente aconfessional ou anti-confessional que difere dos conservadores em matéria religiosa e cultural, mas seguindo a mesma doutrina desses conservadores em questões sociais. São aliados das oligarquias financeiras e das suas políticas económicas e mediáticas, ignoram a fome, a miséria, o desemprego, a pobreza e a marginalização social que sofre a maior parte da humanidade, colaborando assim para o deterioro crescente da Democracia. São fiéis apoiantes da revolução tecnológica, mas não a usam para fazer frente às carências da humanidade.
São estes últimos os que estão em melhores condições para vencer a batalha das ideias. Se assim for, a humanidade avançará num modernismo conservador que será uma aliança do liberalismo económico com o autoritarismo político, tendo somente como meta multiplicar o lucro das grandes empresas, e apagar o último vestígio do Estado de bem estar, em nome do crescimento económico. Como paradigma desta corrente refiro-me somente ao socialista francês Dominique Strauss-Kahn, director gerente do F.M.I. (Fundo Monetário Internacional) que devido às suas exigências de politicas neoliberais e de austeridade para com os países necessitados, fez com que 3/4 da humanidade vivam na pobreza absoluta.
Há ainda uma corrente que tenta resgatar os valores os valores éticos, o sentido da justiça, a solidariedade e o respeito pela natureza. É uma corrente minoritária e silenciada por conservadores e progressistas.
«Em tempos de incerteza ser optimista é uma questão de moralidade pública.» Quem disse? Um banqueiro a quem o Estado neoliberal encheu de dinheiro proveniente dos nossos impostos e do nosso trabalho. Por estas e por outras é que eu sou um pessimista.
Um dos rasgos que me surpreende nestes beatos do modernismo, é a maneira como eles negam consistentemente alternativas viáveis à ordem global existente.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com

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