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Bem sei que o concerto mais mítico na Rapoula do Côa foi o dos Xutos&Pontapés, em 1988. Por qualquer motivo que me escapa, não estive presente nesse concerto.
O concerto de José Cid foi no dia 13 de Agosto de 2006. José Cid é um «dinossauro» das cantigas.
Quando este concerto teve lugar contava já 64 anos. Iniciou-se nos anos 50 no conjunto os Babies, em Coimbra, e passou pelo famoso Quarteto 1111, uma referência incontornável de toda a música portuguesa do século XX.
Foi um dos primeiros portugueses a cantar música Rock (na época conhecida como «yé yé»).
Ao contrário do que é, geralmente, dito não se pode atribuir a Rui Veloso a paternidade do Rock português. Se alguém é merecedor do título de «pai» do Rock português, só pode ser José Cid.
Foram inúmeras as suas participações em Festivais da Canção, com canções que toda a gente conhece.
Um álbum seu, intitulado «10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte», é considerado, mesmo a nível mundial, como um dos melhores de sempre do Rock sinfónico. Não consigo explicar porquê, mas José Cid sempre foi um cantor com quem me identifiquei. Conheço e sou capaz de cantarolar as letras de José Cid. Nunca consegui decorar a letra de «Jardins Proibidos», por exemplo que, quase toda a gente aponta como o paradigma de uma letra romântica, mas as letras de José Cid conseguem ficar-me na memória, bem como as melodias, bem simples, mas eficazes. José Cid é conhecido por declarações polémicas como estas: «Gostava que não reparassem só no mau (…). De qualquer forma, o meu pior é muito melhor do que o melhor do Tony Carreira.», em entrevista ao jornal Metro, 2006 ou «Não me mandem cuecas para o palco, eu não sou o Tony Carreira» – na Semana Académica da Universidade do Algarve, 07/05/2007. Após uma fase de um relativo apagamento, José Cid regressou em força, exactamente no ano em que aconteceu este concerto.
A banda que acompanhou José Cid neste concerto (com José Gonçalo, nas tecas e Mike Sergeant , na guitarra) não era a big band que actuou no espectáculo do artista, o ano passado, por ocasião da Festa da Europa, no Sabugal. Mas era quase a mesma.
O reportório que José Cid interpretou na Rapoula do Côa foi o habitual: «O Dia Em Que o Rei Fez Anos», «A Anita Não é Bonita», «Na Cabana Junto à Praia», «Ontem, Hoje e Amanhã», «Nasci P’ra Música», «A Rosa Que Te Dei», «Vinte Anos», etc, etc.
Para além destes temas mais conhecidos foram, ainda, interpretados «Rock Rural» (um tema de 1975), «A Lenda D’El Rei D. Sebastião» (do Quarteto 1111) e o tema «Mellotron, O Planeta Fantástico» (do tal disco «10.000 Anos Depois…»).
José Cid apresentou-se em boa forma física, com um lenço palestiniano ao pescoço e com uma voz que deixa muitos famosos a léguas.
Também interpretou um tema com reminiscências a flamenco, tendo usado o banco onde se sentou a tocar o piano para lhe bater com as mãos, utilizando-o como instrumento de percussão. No tema final, José Cid apelou à paz entre os homens, tendo referido que há muita gente que só quer vender armas e fazer a guerra.
O público presente gostou muito do espectáculo. Um dos melhores que alguma vez se realizou na Rapoula do Côa.
Nas imagens, um momento do concerto e o autor desta crónica com José Cid, nos bastidores, no final do concerto.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
Houve um tempo em que as aldeias históricas do Interior tiveram todo o protagonismo, aproveitando os apoios financeiros para se requalificarem. Mas após um período de forte dinamização, eis que encalharam e perderam o fulgor. Sortelha é bem o exemplo desta triste realidade.
Diremos até que Sortelha nem chegou a aproveitar convenientemente as potencialidades decorrentes de ter integrado o naipe das dez aldeias históricas beiroas. É certo que viu recuperada a sua matriz antiga, tornando-se uma das melhores jóias históricas da região. As obras de requalificação corrigiram alguns sinais de modernidade, fazendo sobressair o traço antigo. Reergueram-se ruínas históricas que o tempo e a incúria haviam derrubado e melhoraram-se os acessos.
Mas nunca se apostou devidamente na animação. Noutras terras, algumas até de menor potencialidade, recriaram-se feiras medievais e cortejos antigos, organizaram-se festivais de música e de teatro ao ar livre, promoveram-se colóquios e conferências temáticas, assim captando visitantes e potenciando os negócios dos que ali quiseram investir.
Se, ainda assim, muitos vieram de longe em busca da vetusta Sortelha, cujo castelo altaneiro faz lembrar os castelos dos contos de fadas, a triste realidade de hoje é que esse fluxo esmoreceu e parece estar à beira de se extinguir. Fecharam-se negócios entretanto abertos, como restaurantes, comércios e até casas de turismo de habitação. Iniciativas como o Festival Iberfolk ou os encontros culturais sobre Miguel Torga, que persistem, não conseguem inverter uma tendência que há muito se vem sentindo.
Não basta sentarmo-nos à espera que nos cheguem as visitas. Não basta ter pedras antigas, monumentos impressionantes, ruelas fundas e esconsas e miradouros de vistas amplas. Para que Sortelha impressione os que a visitam, a ponto de lhes deixar vivo o desejo de um rápido regresso, é necessário inovar.
Bem parece andar Trancoso, que se mostra a cada momento, numa aposta na captação de mais e mais visitantes. Exemplo disso foi a presença na última edição da Bolsa de Turismo de Lisboa. O stand tinha como cenário as muralhas medievais, iluminadas e sobressaindo do fundo negro que as envolvia. O visitante sentia-se abrangido pela história e, impressionado, parava e observava. E onde outros ofereciam apenas folhetos desdobráveis ou mapas assinalando percursos, Trancoso vendia, a preço simbólico, pequenos livros com as profecias do Bandarra.
Assim se aposta na afirmação de uma terra que tem potencialidades e que aproveita a história e os seus valores culturais para se promover e continuar a ser um destino para muitos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
Por volta das 9,30 horas de sábado, dia 7 de Fevereiro, chegaram as primeiras personalidades responsáveis pelo encontro transfronteiriço promovido pela Cáritas que, por causa da neve, já havia sido adiado duas vezes. Mas como à terceira é de vez, e visto que o tempo ajudou, realizou-se o desejado encontro.
Confesso que me agradou imenso a entrega de todos os participantes. A vontade de fazer coisas boas em prol do próximo e, sobretudo, dos mais desfavorecidos agradou-me de sobremaneira.
Muito embora já algumas vezes tivesse ouvido falar da Cáritas a verdade é que desconhecia, quase por completo, a acção desta Instituição. O levantamento que fizeram da zona raiana deixou-me deveras satisfeito. É absolutamente necessário e conveniente que façam chegar às mais diversas entidades e instituições os resultados dos referidos trabalhos.
Tenho em meu poder os resultados e já lhes dei imensas voltas. Leio, releio e comparo. Chego sempre à triste conclusão que se de um lado da fronteira as coisas correm mal no outro lado também não correm muito melhor.
A desertificação e o despovoamento das freguesias da raia assustam-nos e atormentam-nos. Todos os anos morrem, nas nossas localidades, cerca de duas dezenas de pessoas e nasce uma ou duas de dois em dois ou de três em três anos. E todos sabemos que de onde se tira e não se põe falta faz.
Vivemos na zona mais atrasada e mais desfavorecida da Península Ibérica ou de toda a Europa comunitária. Quem nos poderá acudir?
Parabéns Senhoras e Senhores responsáveis pela Cáritas. Coragem, força e determinação. Água mole em pedra dura tanto dá até que fura. Assim seja.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
Chama-se profundidade de campo (DOF) à zona nítida à frente e para trás do plano de focagem da imagem.
A profundidade de campo não muda em nenhuma região da imagem de modo abrupto. De forma gradual, observa-se a transição de nitidez para desfoque. Desta forma tudo o que se encontra imediatamente em frente ou atrás do plano de foco já começa a perder nitidez.
A profundidade de campo é inversamente proporcional em relação à abertura. Quanto maior for a abertura, menor será a profundidade de campo e vice-versa. No caso destes dois fotogramas foi usado uma abertura de f1.4 o que implica uma menor profundidade de campo contribuindo para um desfoque quase total do que está para lá do motivo.
A escolha da profundidade de campo é uma das opções mais importantes quando se define a abertura e o tempo durante o qual que se expõe um fotograma e claro consoante o motivo que estejamos a fotografar.
«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com
O artigo «Candidatura à UNESCO da Cultura Arraiana» de Kim Tomé suscitou vários comentários e respondendo ao repto que o João Duarte faz aos visitantes e colaboradores do Capeia Arraiana e sem desprimor da histórica designação de Beira Alta e até da Beira Baixa com quem temos também muitas afinidades (Belmonte, Penamacor e Covilhã) recolhi alguns elementos para clarificar a questão.
O Estado Novo adoptou desde o seu início uma politica de regionalização do País, prevista na Constituição de 1933, através da divisão de Portugal Continental em «autarquias regionais» denominadas províncias e criadas em 1936. A divisão provincial, baseou-se nos estudos de Amorim Girão publicados entre 1927 e 1930 que dividiu Portugal Continental em 13 regiões «naturais».
Acabaram por ser criadas somente 11 porque a região de Trás-os-Montes e a região do Alto Douro, bem como a região da Beira Alta e a região da Beira Transmontana, foram fundidas em duas, a de Trás-os-Montes e Alto Douro e a província da Beira Alta que aglutinou a Beira Transmontana.
Paralelamente à divisão em províncias, manteve-se a divisão em distritos, cujos limites não coincidem.
Em 1959 as funções das províncias passaram para os distritos, sendo extintas as Juntas de Província e criadas as Juntas Distritais.
As Províncias mantiveram-se unicamente como divisões históricas, só sendo formalmente extintas com a Constituição de 1976. Apesar disso mantiveram-se até recentemente, nos manuais escolares, talvez por razões económicas com a feitura de novos manuais, continuando a ser, por ignorância a divisão regional de referência da maioria dos portugueses.
Os distritos, embora em vias de extinção pelo processo de descentralização prevista, permanecem actualmente como a divisão mais relevante do país e base dos círculos eleitoras e campeonatos regionais de futebol.
A divisão de Portugal em NUTS (Nomenclatura de Unidades Territoriais) foi estabelecida em 1986, tendo vindo a tornar-se a divisão territorial de Portugal, em detrimento dos distritos.
O Decreto-lei 244/2002 criou três regiões principais: Continente (subdividido em Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve), Região Autónoma dos Açores e Região Autónoma da Madeira.
Relativamente à Zona Centro que apanha globalmente as três Beiras encontra-se subdividida em: Baixo Vouga (com 12 municípios), Baixo Mondego (8), Pinhal Litoral (5), Pinhal Interior Norte (14), Pinhal Interior Sul (5), Dão / Lafões (15), Serra da Estrela (Fornos de Algodres, Gouveia e Seia), Beira Interior Norte (Almeida, Celorico, Figueira, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal e Trancoso), Beira Interior Sul (4), Cova da Beira (3), Oeste (12) e Médio Tejo (10).
Estas Unidades Territoriais foram criadas em conformidade com as directivas da União Europeia, para todo o seu espaço e utilizadas fundamentalmente para efeitos estatísticos.
Embora estas divisões e subdivisões já sirvam de base com as devidas adaptações noutros campos como no Turismo, ordenamento do território e planeamentos diversos, continua a dar-se primazia a divisão por Distritos e Municípios.
E qual o papel da tão propagada Regionalização no meio disto tudo?
A proposta do Governo de António Guterres, para a criação de oito regiões (Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Interior, Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo, Região Lisboa e Setúbal, Alentejo, Algarve) é rejeitada em 61 por cento dos eleitores, em 8 de Novembro de 1998.
Serão propostas mais tarde cinco regiões-plano e que estão traduzidas nas actuais NUT II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
Agora, José Sócrates, quer levar novamente a Regionalização a referendo, defendendo um país dividido em cinco grandes regiões, mas só com amplo consenso popular, que garanta a vitória do SIM reconhecendo o «erro» do passado, de não se ter proposto as cinco regiões, porque até os serviços do Estado, já foram reestruturados «na lógica das cinco regiões».
Do antecedente, anularam a Beira Transmontana do estudo de Amorim Girão, integrando-a na Beira Alta.e agora lá se vai a Beira Interior que agregava as terras da Guarda e Castelo Branco, para pertencermos todos «à molhada» do «Centrão».
Que mais nos irá acontecer!
Saudações Raianas, João Duarte
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Um exemplo concreto, que não só os turistas, mas nos também deveríamos apreciar.
O conceito de «jardim natural autóctone» deve estar presente sempre que se idealizar um novo espaço, dando preferência a espécies autóctones em detrimento das exóticas que podem ser encontradas em qualquer lado. Isso dará especificidade e carácter próprio. Temos de adquirir um novo olhar para aquilo que sempre esteve à nossa frente. Será que muita gente sabe que neste momento os amieiros estão com a candeia em flor (parte masculina equivalente à candeia dos castanheiros), ou que o Mostageiro, belíssima arvore endémica na nossa região nunca foi aproveitada para efeitos ornamentais e de sombreamento, o próprio medronheiro com a sua folha persistente, encaixa muito bem neste conceito de jardim natural autóctone. As vantagens são inúmeras, melhor adaptação ao nosso clima e solo, menor utilização de mão de obra e de água na manutenção dos espaços.
Os extensos relvados, são o exemplo acabado daquilo que não serve,nem para o nosso clima nem para a nossa economia. As várias Urzes existentes no concelho, poderiam com grande vantagem substituir os relvados, fornecendo florações ao longo de todo o ano.
Floração da Torga, (Erica Austrális), Março e Abril.
Floração da Queiró, (Erica Umbellata), Abril a Junho.
Floração da Caluna, (Calluna Vulgaris), Agosto a Outubro.
Floração da Urze Branca, (Erica Arborea), Março/Julho.
Floração da Esteva, (Cistus Ladanifer), Abril/Maio.
Floração do Rosmaninho, (Lavandula Stoechas), Abril/Maio.
Floração do Medronheiro, (Arbutus unedo), Outubro/Novembro.
Sem querer tornar fastidiosa a leitura finalizo com um endemismo ibérico conhecido por Rosa Albardeira (Paeonia broteroi), que floresce na Primavera.
Criar jardins com estas espécies seria um acto cultural e um excelente cartão de visita.
António Moura
No início de 2009, o ano de todas as eleições, o Capeia Arraiana entendeu convidar os três candidatos a ocuparem um espaço comunicacional de esclarecimento (livre e gratuito) para discussão pública dos seus pontos de vista. O chefe de finanças António Dionísio (Sabugal), o engenheiro António Robalo (Ruvina) e o chefe de divisão de finanças Joaquim Ricardo (Aldeia de Santo António) têm diversos prós e contras no momento actual das suas candidaturas.
Os candidatos, bem aconselhados, deviam perceber que já estão em intensa campanha eleitoral, diria até, que deviam estar em exclusividade. A nível nacional os três momentos eleitorais (ou apenas dois por acumulação) ainda não estão marcados mas, daqui a quatro/cinco meses (Junho ou Julho), podem ocorrer as eleições para o Parlamento Europeu a primeira prova de fogo aos candidatos. Os que se identificarem com as forças políticas ganhadoras vão ver nisso um sinal positivo. Os outros vão dizer que as eleições europeias têm motivações muito diferentes das locais.
Teremos, depois, as legislativas e as autárquicas que podem, ou não, ser em simultâneo mas que têm de decorrer obrigatoriamente até Outubro. Faltam por isso apenas oito, oito longos meses para três grandes momentos eleitorais em que os candidatos autárquicos vão estar disponíveis e em permanência no terreno.
O candidato pelo Partido Socialista, António Dionísio, tem como principal ponto negativo a sua inelegibilidade (especial) enquanto chefe da repartição de finanças do círculo eleitoral onde exerce funções (artigo 7.º da Lei Eleitoral). A questão, no entanto, já foi respondida pelo candidato em entrevista recente ao Capeia Arraiana. A concretização dos seus objectivos estará muito dependente das dinâmicas – pessoal e do seu staff –, da capacidade de aconchegar as duas facções dos socialistas sabugalenses e de convencer todos aqueles que são críticos da actuação de cerca de uma década de governação social-democrata. Uma boa presença, a simpatia e o relacionamento cordial são os pontos fortes de António Dionísio. Como candidato irá construir uma imagem de fractura com o passado e de insatisfação com o que foi feito, apoiado no não comprometimento (tal como Joaquim Ricardo) com a política do executivo municipal.
Vale o que vale: ligação familiar à vila do Soito.
O candidato pelo Partido Social Democrata, António Robalo, em funções como vereador autárquico não tem nenhuma inelegibilidade legal. A não concretização, durante 2009, de projectos anunciados pela maioria social-democrata no executivo camarário, com destaque para o mega-investimento da Malcata, e a imagem «desgastada» por muitos anos de poder poderá transformar-se em factor negativo. O poder político executivo é sempre uma moeda de duas faces. O PSD tem uma grande tradição autárquica em Portugal e em especial no Sabugal. Na balança das decisões estarão os pesos da satisfação dos 40 presidentes de Junta de Freguesia, das Associações e outras entidades raianas. Mas, acima de tudo, tem de conviver até às eleições com a sombra das palavras e das decisões de Manuel Rito. E, claro, em política nunca é a oposição que ganha é sempre o poder que perde. Como factores positivos destacam-se o profundo conhecimento (mais de 10 anos) dos dossiers municipais e a grande capacidade de trabalho nas muitas frentes em que está envolvido.
Vale o que vale: ligação familiar à vila do Soito.
O candidato independente nas listas do MPT-Partido da Terra, Joaquim Ricardo, o primeiro candidato assumido, veio baralhar as contas dos actores políticos tradicionais no concelho do Sabugal. Não consideramos que seja um factor negativo. Aliás, o actual presidente da Câmara do Sabugal, Manuel Rito Alves, não é militante partidário e foi candidato independente nas listas do PSD. O candidato natural de Aldeia de Santo António aparece com uma mensagem marcadamente ambientalista num partido que preza os valores da Natureza. As candidaturas independentes (sem apoio partidário) à luz das actuais leis eleitorais são praticamente irrealizáveis. Assim, Joaquim Ricardo, assumiu a liderança local de um projecto com valores nacionais do Partido da Terra que tem dois deputados eleitos nas listas do PSD. A nível concelhio uma campanha transversal aos partidos tradicionais poderá trazer muitos dividendos com conquistas nos eleitorados laranja e rosa que não se revêem nos respectivos candidatos. Factor muito positivo é a aposta evidente e em força nas novas tecnologias de informação. Tem contra si, como factor negativo, uma imagem relativamente desconhecida no eleitorado sabugalense e pouco ou nenhum conhecimento das relações e interesses jogados às quintas-feiras. A escolha (apresentação) do número dois poderá ter sido um pouco precipitada até pela falta de envolvência do mesmo, até ao momento, no confronto público de ideias.
Vale o que vale: ser do lado de lá do Côa.
A grande expectativa prende-se agora com as possíveis nomeações femininas para a corrida eleitoral. A Lei Orgânica n.º 3/2006, de 21 de Agosto, conhecida como Lei da Paridade estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as Autarquias Locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33 por cento de cada um dos sexos para promover a paridade entre homens e mulheres. Assim, a ordenação das listas não pode conter mais de dois candidatos do mesmo sexo colocados, consecutivamente, com excepção das freguesias com 750 ou menos eleitores. O não cumprimento obriga ao pagamento de uma coima e à afixação da lista faltosa na porta do Tribunal da Comarca respectiva. Aqui reside, agora, a curiosidade sobre as escolhas (ou não) dos candidatos.
A nível nacional, após o 25 de Abril, tivemos todos uma brutal relação com a política. Actualmente é difícil descobrir as diferenças entre os dois principais partidos portugueses. O eleitorado é uma espécie de mercado. A imagem submete as pessoas a alguma escravidão mas para os políticos é fundamental o tratamento da imagem. Não se esgota na diferença das pessoas porque as ideias são praticamente as mesmas. É tão importante o que se diz e as tomadas de posição como o que não se diz ou fica por dizer. Em Direito da Comunicação aprende-se que «o que não está na acta não está no Mundo» e, de facto, assim é. O Ministro não fala à hora dos jogos mas as decisões governativas que mais prejudicam os cidadãos como o aumento dos impostos são tomadas quando as atenções estão viradas para o futebol.
Actualmente, deixámos de estar no domínio da substância e vivemos no domínio da imagem. Desenganem-se aqueles que acham que não é necessário o confronto de ideias e que tudo se resume a um privado «toma lá, dá cá» do século passado. A incapacidade de transmitir a mensagem provoca a morte da mesma. Vão ser necessárias frases com impacto que sejam validadas pelo marketing político. «Mais Saúde, Menos Estado, Melhor Estado» são chavões e frases acertivas que entram no ouvido e são mobilizadoras. Os directores de campanha apostam em frases curtas. Vivemos um tempo de velocidade com a notícia à distância de um clique.
A nível distrital constou-me que Álvaro Amaro (actual presidente da Câmara de Gouveia) está dividido entre a candidatura a dois amores: a Câmara Municipal de Coimbra e o Parlamento Europeu. Mas o que pode ser verdade hoje…
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages
jcglages@gmail.com
Depois de toda esta operação, a cidade e o rio farão as pazes. A cidade visitará regularmente o rio e este, de fato domingueiro e airoso devolverá saúde e bem-estar aos seus habitantes.
O rio Côa passa sorrateiro, cansado, algo envergonhado, parecendo doente (doença incurável), ao lado da cidade fria. E pisga-se logo que pode, sem olhar para o seu lado direito onde, silenciosa, despercebida mas exibindo, vaidosa, o seu castelo, peça única no país e quiçá no mundo. Os seus habitantes olham-no do alto da sua velha ponte com vaidade, único sítio permitido. Miram-no à chegada e à saída e depois vão-se embora satisfeitos, nostálgicos.
É um rio que se encontra longe da cidade. Estranho até! Urge por isso fazer as pazes entre ambos! É necessário e urgente rejuvenescer o rio Côa devolvendo-o à cidade e às suas gentes.
Os acessos ao rio frio, deverão ser dignificados com amplas estradas mas condicionando o trânsito automóvel para que não se estrague a beleza do seu ambiente natural. O seu leito deverá ser rigorosamente limpo e as suas margens arejadas com amplos passeios ao longo de todo o seu curso urbano.
A electrificação das suas margens é outra necessidade imperiosa para que os seus utilizadores possam, sem receio, percorrer a pé ou em bicicleta as suas margens.
A construção de verdes jardins principalmente frontais à cidade é outra necessidade que certamente trará qualidade de vida a todos os habitantes e visitantes do lindo rio que dá o seu nome a muitas aldeias, vilas e cidades por onde passa.
Depois de toda esta operação, a cidade e o rio farão as pazes. A cidade visitará regularmente o rio e este, de fato domingueiro e airoso devolverá saúde e bem-estar aos seus habitantes. Por fim, doa-lhe o seu nome e a cidade adopta-o orgulhosa e, assim, renasce «SABUGAL – A Cidade do Côa».
«Sabugal: A Cidade do Côa», opinião de Joaquim Ricardo
joaquimricardo2009@gmail.com
Sob a orientação do Padre Paulo, pároco oficial de Fóios, procedeu-se a alguns melhoramentos no interior do edifício da Igreja Matriz desta freguesia raiana do concelho do Sabugal.
O Padre Paulo, com a colaboração dos elementos da comissão fabriqueira da Igreja, pediram apoio financeiro à população para a realização das obras, que eram manifestamente necessárias. O povo fojeiro mobilizou-se por mais uma causa comum e, com a ajuda dos que quiseram voluntariamente contribuir e com algum dinheiro que a comissão fabriqueira tinha de reserva, foi possível juntar a verba suficiente para que se tivesse enriquecido o interior da Igreja.
Os trabalhos no interior do templo levaram cerca de três meses, tendo a Missa Dominical acontecido no pavilhão das eiras durante esse período.
As melhorias foram do agrado de todos e o serviço litúrgico está de volta ao seu local próprio, que agora se revela mais acolhedor, sendo-lhe devolvida a inteira dignidade.
A igreja de Fóios tem por orago o Apóstolo S. Pedro, em honra do qual se realiza a festa de Agosto.
Natália Pires
A Comissão Instaladora trabalhou, afincadamente, para a formação da primeira lista candidata aos Corpos Sociais, sujeita a eleições, vindo a ser eleita em Fevereiro de 1976, um ano após a oficialização da Casa, tomando posse de seguida e iniciando o mandato para que foi eleita.
Convém ainda, recordar aqui, que alguns não acreditaram em todo este processo desde o seu início, no Instituto Superior Técnico, retirando-se pouco depois do seu início, só acreditando quando verificaram, que afinal, a Casa era uma realidade. Segundo consta, «pensaram que a Casa nunca fosse avante», ficando até surpreendidos.
Disponibilizados todos estes artigos, sobre o período inicial da Casa, vamos continuando a dissecar um pouco, esta fase da criação da Casa, considerada de fundamental importância, porventura ainda desconhecida da maioria, podendo acontecer uma ou outra falha, ninguém está livre, algumas coisas poderão não ter sido, exactamente, como as retrato, mas que não deverá andar muito longe do que venho apresentando, apesar de já irem longas estas considerações, sobre a Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa.
Pensamos, que é necessário divulgar alguns factos que nos mereceram esta apreciação, independentemente de outros, que possam ser recordados, pois só assim se fica a conhecer a história da Associação, apesar de acontecerem, de certeza, mais momentos, que outros talvez possam recordar melhor e com mais alguns detalhes.
Ainda mais estão para vir, versando as principais actividades da Casa, ao longo destas mais de três décadas de vida, nomeadamente, os convívios, Torneios de Futebol Inter-Aldeias, as Capeias no Campo Pequeno e arredores de Lisboa, bem como algumas mais, que tentaremos trazer ao conhecimento de quem acompanha estes escritos.
Para esta parte dos artigos já disponibilizados, queria desde já formular os meus agradecimentos ao Paulo Leitão, pelas ajudas preciosas, que me proporcionou, ao Ramiro Matos pela lembrança de alguns nomes e a alguns outros que me incentivaram a prosseguir nestas considerações, contribuindo também para estes artigos, engrandecendo a história da embaixada sabugalense em Lisboa.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
O almoço de convívio e divulgação da Confraria do Bucho Raiano, realiza-se no Sabugal, no dia 22 de Fevereiro, a partir do meio-dia, no salão da Junta de Freguesia local, integrando os «Roteiros Gastronómicos», a iniciativa da Câmara Municipal de apoio à gastronomia raiana. Em termos televisivos está prevista a transmissão no programa da RTP1, «Portugal em Directo» na sexta-feira, 20 de Fevereiro, às 18 horas, de um directo do Sabugal destacando o evento. A estação televisiva on-line LocalVisãoTv vai estar presente para fazer a cobertura do almoço da Confraria do Bucho Raiano. (Actualização.)
O encontro acontece no domingo gordo, dia em que tradicionalmente as famílias mais chegadas se juntavam para comer o bucho. Da ementa farão parte os chispezinhos e o caldo das baginas secas, seguidos do bucho, que virá à mesa acompanhado por batatas e grelos de nabo cozidos, em absoluto respeito pela tradição gastronómica raiana. De sobremesa haverá papas de arolo, ou mílharas, e fruta da época.
A Junta de Freguesia do Sabugal disponibilizou o amplo salão para o almoço, esperando-se que mais de uma centena de confrades e outros convivas se inscrevam no almoço.
A par do convívio da confraria realizam-se no sabugal, por esses dias, os «Roteiros Gastronómicos», iniciativa do Município do Sabugal, a que aderiram diversos restaurantes do concelho. O bucho será precisamente uma das ementas que os restaurantes sabugalenses oferecerão nas suas ementas, a par de outros pratos típicos da raia.
O bucho é a peça de enchido mais genuína das terras raianas do centro de Portugal. Manda a tradição que após a matança do porco se juntem num barranhão pedaços de carne provindos da cabeça, orelhas e rabo, de mistura com a carne que restou agarrada aos ossos. Coloca-se essa carne em vinha d’alhos durante três dias, após o que se enchem as bexigas dos próprios porcos, indo para o fumeiro a fim de aí secarem com o calor provindo da lareira.
Dar a conhecer o bucho e contribuir para que se transforme numa oportunidade económica para a região é o objectivo da confraria, que realiza no Sabugal o seu primeiro encontro de 2009.
Na sexta-feira, 20 de Fevereiro, o programa «Portugal no Coração», da RTP1, transmite em directo, do Sabugal, uma reportagem sobre as iniciativas gastronómicas da Câmara Municipal do Sabugal e da Confraria do Bucho Raiano.
Disponível gratuitamente, através da Internet, a LocalVisãoTV, vai estar presente no almoço de domingo gordo da Confraria do Bucho Raiano. A estação televisiva que projecta colocar on-line 308 canais, um por concelho, já emite informação diária sobre o Sabugal.
A iniciativa tem como mordomo o confrade Horácio Pereira e os apoios da Câmara Municipal do Sabugal, da Junta de Freguesia do Sabugal e da Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa. O blogue «Capeia Arraiana», a Rádio Caria e a LocalVisãoTV são os media partners desta edição.
As marcações podem ser feitas até ao dia 15 de Fevereiro de 2009 na Câmara Municipal do Sabugal e para:
Telemóveis: 961 431 889 e 966 823 786
Email: confrariabuchoraiano@gmail.com
Confraria do Bucho Raiano
O Tribunal da Guarda condenou Esmeraldo Carvalhinho, ex-vereador da Câmara local, e actual eleito do PS na Câmara de Manteigas, ao pagamento de quatro mil euros a Lurdes Saavedra, actual vereadora do ambiente e turismo, disse esta quarta-feira, 5 de Fevereiro, à agência Lusa uma fonte judicial.
O processo cível foi movido pela vereadora Lurdes Saavedra, eleita nas listas do PS, ao ex-vereador socialista Esmeraldo Carvalhinho, no seguimento de dois artigos de opinião publicados num jornal local, com os quais atingiu a sua «honra e consideração».
Lurdes Saavedra exigiu uma indemnização de sete mil euros mas na sentença, o juiz Carlos Marques julgou «a acção parcialmente procedente» e condenou o réu ao pagamento de apenas quatro mil.
O Tribunal deu como provado que o réu «quis ofender o nome, a reputação e a consideração social da autora; quis denegrir e vexar a sua imagem pública; quis colocar em causa o seu brio profissional e a sua competência para o desempenho das funções inerentes ao pelouro que lhe estava atribuído na autarquia».
A sentença refere que na parte final do texto o réu deixa a sua análise objectiva «dirigida aos problemas ambientais do Rio Diz», mas «também opinativa para passar a atacar directamente a autora».
«Verifica-se que o réu antecedeu a autora no pelouro do ambiente na Câmara Municipal da Guarda e que, com os mesmos, critica o comportamento da sua sucessora, responsabilizando-a pelos problemas ambientais vividos no Rio Diz», é salientado na sentença a que a agência Lusa teve acesso, datada de 20 de Janeiro.
Da análise do artigo de opinião do ex-vereador, o Tribunal conclui que «considera o executivo camarário, no seu conjunto, de qualidade, mas referindo-se à autora, considera-a um membro do executivo sem qualidade, ao ponto de poder afectar a qualidade de todo o grupo e colocando, ainda, em causa o bom-nome da autora e a sua reputação social, verifica-se que ele pede a intervenção do seu amigo Joaquim Valente, presidente da Câmara Municipal da Guarda, para chamar a si a resolução dos problemas do Rio Diz, afastando a autora, porque incompetente para o efeito, da solução dos mesmos», acrescenta.
Refere ainda que «não satisfeito com a adjectivação das qualidades da autora (…) utiliza a imagem da autora como sendo uma batata podre capaz de contaminar toda a tulha».
A vereadora guardense e, igualmente, presidente da Pró-Raia, Lurdes Saavedra em declarações à agência Lusa considerou que com a decisão do Tribunal da Guarda «fez-se justiça e espero que as pessoas comecem a pensar que na política não vale tudo», disse, salientando que «uma coisa é a critica e outra coisa é a falta de respeito pelo outro».Recorde-se que (estranhe-se que!) o executivo socialista Joaquim Valente (presidente), Virgílio Bento e Vítor Santos (vereadores) testemunharam contra Lurdes Saavedra (vereadora) no processo.
Esmeraldo Carvalhinho anunciou que vai recorrer da sentença para o Tribunal da Relação de Coimbra.
jcl
Um despacho do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior colocou um ponto final no Instituto Superior de Administração, Comunicação e Empresa (ISACE) da Guarda que chegou a ter cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Engenharia mas que apenas funcionava agora com doutoramentos. O ministro Mariano Gago justificou o «encerramento compulsivo» deste instituto privado com a degradação pedagógica das condições de funcionamento e a ausência de um projecto educativo.
De acordo com o despacho de Mariano Gago, publicado esta quinta-feira, 5 de Fevereiro, em Diário da República, o encerramento do ISACE da Guarda foi determinado depois de a Inspecção-Geral do Ministério ter comprovado, «inequivocamente, uma manifesta degradação pedagógica das condições de funcionamento daquela universidade».
No que constitui uma violação do disposto no n.º 7 do artigo 13 da Lei de Bases do Sistema Educativo, refere o ministério, o ISACE «não dispõe de corpo docente próprio; não tem em funcionamento os órgãos estatutariamente previstos, à excepção do director; e tem em funcionamento, em regime de franquia, três ciclos de estudos de doutoramento».
Mariano Gago acrescenta que a auditoria concluiu que o instituto «não dispõe de projecto educativo, científico e cultural formalizado; não dispõe de oferta de formação compatível com a sua natureza politécnica; não ministra qualquer curso de licenciatura e não adequou os ciclos de estudos».
Ficou determinado no despacho de Mariano Gago que a decisão “produz efeitos imediatos com a sua notificação, devendo a entidade instituidora dar-lhe cumprimento, procedendo ao imediato encerramento do ISACE”.
O instituto é propriedade da Fundação Frei Pedro da Guarda e foi reconhecido através da Portaria n.º 897/90, de 25 de Setembro, do Ministério da Educação.
jcl (com agência Lusa)
Analisar um orçamento municipal para um ano eleitoral é sempre um exercício complicado, pelo que optei por uma metodologia semelhante à do ano passado.
Começando pelo Orçamento da Receita (OR), o mesmo tem um valor global de 27.619.511€, praticamente idêntico ao do 2008, e da sua análise é possível retirar as seguintes conclusões principais:
1 – Existe um equilíbrio que se pode considerar saudável entre o Orçamento de Receitas Correntes e o de Receitas de Capital, 44,2% e 55,8%, respectivamente;
2 – Comparando com o ano anterior, descem significativamente os valores das transferências orçamentais da Administração Central, que representam apenas 58,8% do total, contra 75% no ano de 2008;
3 – Esta descida tem especial incidência na rubrica «Transferências de Capital – Estado – Participação Comunitária Projectos co-financiados», que desce de mais de 7,5 milhões de euros para somente 4,4 milhões (um retrocesso de 54%) o que só pode ser explicado pela quase inexistência de candidaturas apresentadas ou aprovadas ao QREN;
4 – O facto de o Orçamento de Receita para 2009 apresentar valores muito semelhantes ao de 2008, apesar desta descida tão notória, deve-se, sobretudo, à constatação de que a Autarquia, que em finais de Dezembro de 2007 tinha um Passivo Financeiro na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de 1,2 milhões de euros, viu aumentar este passivo, durante o ano de 2008, para um valor superior a 6 milhões de euros. Tal significa que a dívida do Município multiplica seis vezes num só ano, obrigando o próximo Executivo a um encargo financeiro muito significativo no denominado «Serviço de Dívida».
5 – Retirando a dívida contraída, mantem-se para 2009 a fraca capacidade de gerar receitas próprias, factor agravado pelo facto de estas receitas serem provenientes sobretudo das rubricas Concessão da EDP e Rendas de Infraestruturas de Água e Compensação Parques Eólicos, num valor superior a 2,8 milhões de euros (10,1% do total do orçamento de Receita);
6 – Igualmente se mantêm relativamente baixas as receitas provenientes dos Impostos Directos e Indirectos, (Inferior a 800.000 euros, 2,9%) incluindo a participação variável no IRS.
Da breve análise efectuada ao Orçamento da receita para 2009, retiro as seguintes conclusões principais:
– Mantêm-se os aspectos principais já detectados no Orçamento de 2008;
– Verifica-se uma diminuição significativa das transferências da Administração Central, sobretudo derivado da quase inexistência de projectos em curso comparticipados por Fundos Comunitários (QREN);
– Um aumento brutal do endividamento da Autarquia, que já atinge, neste momento, valores excessivamente elevados face à capacidade de gerar receitas próprias – a dívida de 6 milhões de euros representa mais de 50% do Orçamento da Receita se se retirarem as transferências orçamentais da Administração Central.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
No próximo dia 14 de Fevereiro, vamos levar pela terceira vez o Grupo de Caminheiros a que pertenço – Caminheiros Gaspar Correia – às terras arraianas, embora desta vez essencialmente do lado espanhol.
No sábado, dia 14, as nossas actividades começam nos Foios, onde o nosso amigo comum Zé Manuel Campos irá receber de novo o Grupo «Caminheiros Gaspar Correia». Segue-se uma caminhada transfronteiriça, dos Foios a Navasfrias, pela nascente do Côa e pelas rotas do contrabando. Ficaremos alojados nas instalações do Albergue «El Bardal», tencionando visitar o Centro de Interpretação da Natureza local. À noite haverá uma festa de Carnaval Caminheiro – com baile de máscaras e tudo… – que já é tradicional no Grupo.
No domingo, dia 15, se a meteorologia o permitir, faremos a subida da Serra da Enxalma, desde o Puerto de Santa Clara ao cume do Jálama (ou Xálima), descendo depois para terras estremenhas até às míticas ruínas do Castelo de Trevejo.
Caso o tempo não ajude (mas contamos que sim…), essa caminhada será substituída pela da calçada romana do Puerto de Santa Clara a San Martín de Trevejo, pelo castanhal de Ojesto, ou de O´Soitu. A partir de San Martín … será o regresso a Lisboa.
José Carlos Callixto
No fim dos anos oitenta do século passado, juntámo-nos, um grupo de homens de Vilar Maior, para arranjar um caminho vicinal. Aterrando e limpando, chegamos a um determinado trecho do caminho, obstruído por um grande pedregulho que nas últimas chuvas deslizara de um cabeço sobranceiro.
Resolvendo desimpedir a passagem, tentámos movê-lo sem sucesso para um terreno inferior.
Um velho pastor, sentado num muro sobranceiro, observava os nossos inúteis esforços para mover a pedra. Ali esteve mudo e quieto por uma boa meia hora e quando viu que já desistíamos, interveio:
– Assim não vão lá… – e observando a pedra com ar de entendido – Dois homens chegam para a tombar.
– Isso é impossível – objectei, incrédulo – como viu, nem cinco a conseguimos mover…
Então, descendo do muro e agarrando-se à pedra, o velho pastor foi explicando:
– Estão a ver? Põem uma pedra para fazer de calço e puxam deste lado que tem menos peso – e exemplificando com o cajado – outro põe o ferro aqui para a tombar. O ferro sobre o calço, vai-a depois arrastando.
Assim fizemos e a pedra tombou à primeira tentativa, deslizando, com a ajuda do ferro, sobre o calço para fora do caminho.
Descansando depois à sombra de um reboleiro, reflecti como um homem simples do povo acabava de aplicar o princípio das alavancas de Arquimedes e a lei física das massas a um caso bem concreto da vida sem nunca ter ouvido falar deles. E concluí que era eu, que frequentara os melhores estabelecimentos de ensino e tivera os melhores mestres, o verdadeiro analfabeto ali.
De facto, a cultura é bem relativa… Um homem estudado pode ser inculto e outro sem estudos, culto; porque a cultura apenas depende dos saberes que se dominem indispensáveis para sobreviver no meio de cada um deles.
Um lavrador que conheça os ciclos da natureza e do tempo e as artes necessárias para o seu ofício é um homem culto. Um erudito que viva no campo e não domine esses saberes é ignorante.
Finalmente compreendi António José Saraiva quando afirmou que «cultura é o domínio de todos os saberes que um homem precisa para sobreviver no seu meio».
E foi um pastor que mo ensinou…
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
Na noite de 24 de Janeiro, reuniram-se na Associação Cultural e Recreativa da Torre um conjunto de pessoas entre os 8 e os 70 anos de idade, munidos de acordeões, violas, pandeiretas e realejos. Afinaram as vozes e com pouca mestria, mas muita força de vontade, assim se iniciaram as cantorias e o cortejo.
As portas das habitações abriam-se com contentamento, enquanto o grupo assim cantava:
Boas festas, boas festas
Nós aqui as vamos dar
Às senhoras desta casa
Se as quiserem aceitar
Somos os Jovens da Torre,
Foi Natal e agora Reis,
Vimos pedir as janeiras
E as esmolas vós dareis
Levante-se lá minha Senhora
Desse banco de cortiça
Venha dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça
A população respondeu com entusiasmo e oferendas, desde chouriços, morcelas, rebuçados, chocolates e até alguns Euros. Do Deus «Juno», a quem se deve os nome de «Janeiro», ninguém se lembrou, mas o espírito da mitologia romana devida ao mesmo, foi devidamente cumprida, pois as “Janeiras”alegraram o povo da Torre e é também muita a alegria de ver como nem sempre a tradição já não é o que era.
Roucos os cantores, mas com alegria na alma e vontade de repetir nos «Janeiros» vindouros, seguiram, então, os convivas e quem aos mesmos se juntou no cortejo, para a Associação, onde puderam saborear alguns dos petiscos dados, devidamente regados, mas já invocando outro Deus, este grego, «Baco» de seu nome.
A Associação agradece a toda a população da Torre.
José J. Amaral Marques
No tempo do Sabugal rural, um senhor feudal chamou dois homens para lhe cavarem um terreno. Dividiu-o em duas partes iguais e em cada uma delas ficou um homem. Na extremidade do terreno, na parte onde terminariam o trabalho, o senhor pôs uma jarra com um litro de vinho que seria dado como recompensa ao primeiro que acabasse o trabalho.
Por meia dúzia de centímetros, um deles foi o vencedor. Como tal, bebeu o vinho e matou a sede que deveria apertar depois de tanto esforço. E como foi o melhor, conseguiu trabalho indo tratar do resto dos terrenos do senhor. O outro? Fez o mesmo esforço, tinha a mesma sede, não provou do vinho, foi mandado embora e perdeu o sustento dele e o da família.
Presentemente em Portugal anda a falar-se muito na «cultura do esforço» e na «cultura do rendimento», juntando-lhes o prémio por desempenho. O que é isto? Não é mais nem menos senão retórica e cinismo para recompensar como uma atitude heróica a exploração de quem trabalha. O objectivo não é o de melhorar as condições de vida do trabalhador, mas sim de multiplicar os lucros do grande empresário, do grande accionista.
«Macroeconomia» – eu faço questão de sublinhar «macro» (grande), porque outro dia uma pessoa que tem um «micro» (pequeno) negócio, perguntou-me se eu tinha alguma coisa contra a iniciativa privada!!! Veja-se o que o sistema e a sua propaganda conseguem fazer às pessoas.
Falam no homem novo, numa nova mentalidade para o trabalhador, mas com este procedimento do prémio por desempenho está a fomentar-se o hiper individualismo e o egoísmo. Deixa de haver solidariedade e amizade, para surgir uma espécie de canibalismo, devorando aquele que está ao lado. Sempre houve bons e maus trabalhadores, e continuará a ser assim, o dinheiro nada modificará. Antes pelo contrário, vai dar lugar a novas e gritantes injustiças. Vai dar-se valor só aquele que tiver capacidade de fazer alguém rico.
E no Estado? Estará onde as injustiças serão maiores, porque o Estado não premeia o talento, mas sim a submissão. E não são estes modernismos que o nosso ilustre primeiro ministro impôs, que irão mudar as coisas. A ele, e aos seus correligionários, diremos que o homem quer coisas tão velhas, como o trabalho, o salário justo e o respeito. E se possível uma gestão pública baseada na honradez e no bem de todos. Há valores eternos que não dependem de modas nem de beatos do modernismo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
Depois das Universidades de Lisboa e da Madeira é agora a vez da Universidade da Beira Interior (UBI) procurar um reitor através de um concurso internacional. Segundo o anúncio, já publicado, os candidatos podem ser professores ou investigadores doutorados, mas têm de ter uma visão estratégica de desenvolvimento.
O concurso, aberto desde 31 de Janeiro e válido até 3 de Março, foi publicado nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, e procura um académico, com experiência de gestão de universidades ou de instituições de investigação, com uma visão estratégica apropriada para perseguir a política de desenvolvimento da UBI. Pretende-se que o novo reitor promova os valores científicos e humanísticos e uma atmosfera de colegialidade e inclusão dos diversos membros.
O anúncio na imprensa internacional decorre das novas regras para a eleição de reitores nas universidades portuguesas. O novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior diz que podem ser eleitos reitores das universidades professores e investigadores da própria instituição ou de outras, nacionais ou estrangeiras, de ensino universitário ou de investigação, facto que conduz à obrigatoriedade de se fazerem anúncios internacionais para estes concursos.
Segundo a agência Lusa, que falou com responsáveis da UBI, o Conselho Geral da Universidade optou por fazer um anúncio em inglês «por ser a língua mais falada» e em espanhol, «dada a proximidade». O anúncio foi publicado no El Pais, em Espanha, e no The Guardian, em Inglaterra – isto para além de um anúncio em português, publicado em dois jornais nacionais.
plb
A semana passada foi de muita actividade para o Comando Territorial da Guarda da GNR, que registou em todo o distrito 59 ocorrências criminais e procedeu a 19 detenções, algumas delas ligadas a situações de criminalidade violenta.
Dentre os crimes destacam-se dois roubos com uso de armas de fogo e 23 furtos. Os furtos foram sobretudo praticados em residências (dois), em estabelecimentos comerciais e outros edifícios (sete), em veículos (dois), para além de furtos em veículos (um) e de carteiras pessoais (dois).
No respeitante a detenções, 17 ocorreram em flagrante delito, sendo duas por roubo, cinco por furto, duas por posse ilegal de arma, uma por injúrias a agente de autoridade, cinco por condução sob efeito do álcool (taxas de alcoolemia entre 1,24 e 2,85 gramas por litro no sangue) e três por condução sem habilitação legal. Houve ainda duas detenções por cumprimento de mandados judiciais.
Algumas detenções resultaram de operações policiais de que já demos nota no Capeia Arraiana, nomeadamente quatro jovens detidos em Tourais, freguesia de Paranhos da Beira, concelho de Seia por crime de furto num estabelecimento da localidade.
Outros dois jovens assaltaram à mão armada a um posto de combustível em Ginjal, Belmonte, depois de terem passado pelo Sabugal, onde abasteceram a viatura de combustível e se colocaram em fuga sem efectuarem o respectivo pagamento, sendo depois detidos na Serra da Estrela.
Na cidade do Sabugal foi detido um outro jovem, natural de Vale de Espinho, conhecido por «Orelhas», quando conduzia um carro furtado. Presente no tribunal da Guarda, onde tinha pendente um mandado de detenção, foi-lhe decretada a medida de coacção de prisão preventiva.
Na mesma semana, de 26 de Janeiro a 1 de Fevereiro, registaram-se 26 acidentes de viação, sendo 18 por colisão, seis por despiste e dois por atropelamento. Dos mesmos resultaram dois feridos graves e seis feridos leves.
Durante o período em apreço os Núcleos Escola Segura dos Destacamentos Territoriais de Guarda, Pinhel e Gouveia, desenvolveram várias acções de sensibilização, subordinadas ao tema «Segurança na Escola», às quais presenciaram cerca de 110 alunos.
plb
Morreu esta madrugada o Dr José Diamantino dos Santos, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, de 78 anos de idade, após algum tempo de internamento hospitalar.
Natural do Freixial, Fundão, radicou-se ainda novo no Sabugal, onde fundou o Externato Secundário do Sabugal, de que foi director até ao seu encerramento aquando do surgimento da Escola Secundária do Sabugal, em 1986. Licenciado em Filosofia na Universidade de Salamanca, o Dr Diamantino foi um grande e competente pedagogo, para além de um empenhado orientador e amigo dos muitos jovens que aportaram no seu colégio.
Na falta de uma escola pública, o externato foi onde os jovens do concelho do Sabugal estudaram e se prepararam para a vida, com o seu director sempre atento ao percurso de cada estudante.
Aposentando-se do ensino, dedicou-se à Santa Casa da Misericórdia, passando a desempenhar as funções de provedor, que conservou até à actualidade. Nestas funções implementou o lar de idosos, o centro de dia, o apoio domiciliário, a creche e a ocupação de tempos livres, assim ajudando a população, em especial a mais carenciada.
Ocupou as funções de presidente da Câmara Municipal do Sabugal e era sócio honorário da Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa.
A sua morte deixa o Sabugal mais pobre, pois representa a perda de um homem bom e muito dedicado às pessoas com quem lidava.
O corpo do falecido estará em cãmara ardente na Igreja da Misericórdia do Sabugal, estando as cerimónias fúnebres marcadas para as 14 horas de amanhã, dia 3 de Fevereiro.
O Capeia Arraiana apresenta sentidos pêsames à família, em especial à esposa, filhos e netos.
plb
Francisco Veredas Bandeiras nasceu em 2 de Maio de 1945, na cidade de Elvas. Iniciou-se nas lides canoras nos anos 60, do século XX. O seu maior sucesso, nessa década, foi a canção «A Minha Cidade», mais conhecida pelo refrão «Ó Elvas, Ó Elvas». Em 1972 concorre ao Festival RTP da Canção, com o tema «Vamos Cantar de Pé», classificando-se em segundo lugar. Em 23 de Junho de 1997 esteve presente num concerto de encerramento das Festas de São João, no Sabugal.
Poucos anos depois do 25 de Abril de 1974, devido à amizade que o ligava ao Toninho Oliveira, do Soito, empresário do ramo das confecções, actuou nas Festas de São Cristóvão, sem cachet.
Participou em diversos convívios com pessoas do Sabugal, nomeadamente com o falecido Presidente da Câmara, Dr. Lopes, facto reproduzido numa das fotografias desta crónica.
Também esteve no Soito, aquando da famosa visita de Mário Soares, em 1977.
Já no final dos anos 80 deu um concerto em Aldeia do Bispo, durante as Festas de Agosto da freguesia raiana.
Paco Bandeira considera-se em casa, quando visita o nosso concelho.
Em 23 de Junho de 1997 esteve presente num concerto de encerramento das Festas de São João, no Sabugal.
Lembro-me de ter ido assistir a esse concerto. Ainda era o tempo em que os mordomos colocavam uma divisória, com pinheiros, para se poder pagar para o baile. O último dia das Festas era (e ainda é, julgo eu) de entrada livre.
A banda que acompanhou Paco Bandeira, nesse concerto era composta pelo já falecido maestro José Marinho (teclados), Marino Freitas (baixo) e Sertório Calado (bateria).
Paco Bandeira tem fama de ter um feitio um pouco difícil com os músicos, embora não seja por nada de grave e, por isso, os músicos estão sempre a mudar. Tanto não é por nada de grave que, músicos que saíram, voltaram a entrar na banda passado algum tempo.
Para além destes músicos, participou, como convidado, Samuel, na guitarra e vozes.
Samuel era um conhecido autor e intérprete de cantigas, que esteve ligado ao movimento onde pontificaram nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros.
O concerto lá se iniciou, não com muito público presente. A grande maioria do público não era constituída por teenagers. Era mais pessoal com uma certa idade (digamos que de meia-idade para cima).
Mas, como eu gosto de ver tocar músicos ao vivo e não de apreciar as vestimentas ou a beleza de certos cantores de charme, não faltei.
Os grandes êxitos de Paco Bandeira não faltaram: «Ternura dos Quarenta», «Chula da Livração» (com o refrão «Vem Ver de Novo…») «Minha Quinta Sinfonia», «A Minha Cidade», «Gipsy Kings», etc., etc.
Uma situação inesperada aconteceu quando alguém pediu para cantarem o tema «Pedra Filosofal», cujo autor da música é Manuel Freire e não Paco Bandeira.
Mesmo assim, Paco não se fez rogado e interpretou a canção, com a ajuda de Samuel, situação que deverá ter sido única na sua carreira.
No final do concerto foi queimado o «Carvalho de São João», o que deixou os músicos bastante intrigados, segundo Samuel me contou. Com efeito, nas minhas consultas em livros sobre tradições populares, a única região do país onde isso existe é no concelho de Sabugal. Agora, que tanto se fala em turismo, era altura de colocar essa tradição em relevo, pelo menos nos folhetos informativos editados pelas entidades ligadas ao sector.
Em Abril de 2007 Paco Bandeira deu um concerto no Soito, integrado na Festa do Mundo Rural, que poderá ser motivo de outra crónica. Este concerto do Soito foi mais «familiar» e muito «à la carte».
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
Nos próximos dias 4 e 5 de Fevereiro, a cidade de Guimarães será o cenário da conferência sobre «Cooperação Transfronteiriça de Segunda Geração», organizada pelo Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional e o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular. No respeitante à Beira Interior apenas se falará na Guarda e no Centro de Estudos Ibéricos.
Vários governantes, autarcas e especialistas em desenvolvimento regional marcarão presença na conferência que promove o debate sobre a denominada Cooperação Transfronteiriça de Segunda Geração. Nela se conhecerá o estudo que analisa a trajectória da cooperação transfronteiriça entre Espanha e Portugal e seu impacto no desenvolvimento regional nos territórios de fronteira.
O grande objectivo desta Conferência de Guimarães é abrir o processo de reflexão no conjunto dos territórios de fronteira entre Espanha e Portugal, assim como nas organizações que estão a desenvolver trabalhos nesse âmbito.
O programa da conferência abordará questões como «Visão sobre o Futuro da Política de Cooperação Transfronteiriça», «Balanço da Cooperação Transfronteiriça» (entre todas as regiões e comunidades fronteiriças de Espanha e Portugal), «Estudo sobre o Impacto dos Programas de Cooperação Luso – Espanhola» ou «Exemplos de Boas Práticas Financiadas pelo INTERREG».
O Centro de Estudos Ibéricos (CEI), da Guarda, será precisamente um dos exemplos de boas práticas de projectos financiadas pelo Programa Comunitário INTERREG, que ali será apresentado.
A conferência vai contar com a participação aproximadamente de 200 autoridades e técnicos dos municípios fronteiriços de Espanha e Portugal. As inscrições estão porém já esgotadas.
As conclusões da conferência serão apresentadas à Comissão Europeia.
plb
Manuel António Pina apresentou sábado, 31 de Janeiro, no Porto, o livro de poesia da autoria do jornalista Nicolau Santos e do gestor António Costa Silva, intitulado «Jacarandá e Mulemba».
Trata-se de uma obra poética, onde a poesia é apresentada como uma forma de expressão que confere um especial prazer aos seus autores. O livro foi editado pela cooperativa Árvore e tem como tema principal Angola, país onde os seus autores nasceram.
Para Nicolau Santos, conhecido jornalista e analista económico, este livro representa um «acerto de contas com o passado». Nele se expressa a experiência de dois jovens, os seus autores, que assistiram ao fim da presença do império colonial português em Angola. «Mais do que um livro de poesia, é um testemunho, um livro de memórias escrito a quatro mãos», acrescentou Nicolau Santos.
«Jacarandá e Mulemba« foi apresentado pelo conhecido e prestigiado escritor Manuel António Pina, natural do Sabugal e há muito radicado no Porto.
O lançamento contou com a presença da ministrada da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que justificou a presença com a amizade que a une aos autores. Curiosamente, Manuel António Pina, que apresentou a obra a convite dos autores, tem escrito severas críticas à política educativa seguida pelo governo.
plb
Realizou-se em Valença no passado sábado, 31 de Janeiro, em Valença, o Campeonato Regional de Judo da Zona Norte. A prova permitia, aos atletas juniores da nossa região, tentar pontuar para o ranking e conseguir o apuramento para a fase final do Campeonato Nacional do escalão.
Luís Clara do Sporting Clube do Sabugal na categoria de -66kg foi o único representante do Distrito da Guarda e tendo em conta a sua ausência no Open de Coimbra do inicio do mês de Janeiro devido ao bloqueio das estradas por causa da neve, tornava-se imperativo pontuar neste campeonato.
O atleta raiano, conseguiu o terceiro lugar, permitindo-lhe angariara alguns pontos, tendo agora que aguardar a saída definitiva do Ranking Nacional.
Embora a zona Norte pudesse apurar mais um judoca nos juniores, este terá de estar posicionado nos 26 primeiros da Lista de Classificação Desportiva onde no ano transacto constavam 41 atleta de todo o País para este peso.
Aproveitou-se neste Torneio para se aplicarem já algumas novas regras de arbitragem que a Federação Internacional de Judo já aprovou desde o inicio de Janeiro 2009 e que irão certamente trazer vantagens não só para o melhor desenrolar das competições, bem como para garantir um melhor espectáculo para quem gosta de apreciar esta Modalidade, na sua vertente competitiva.
Na arbitragem, participou David Carreira, árbitro associativo, do Sabugal que garantiu o devido apoio para a realização da prova, estando inclusiva como Juiz principal na final dos -73kg.
djmc
O Presente do Passado.
«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com
O Sporting Clube do Sabugal comemora 70 anos de existência no próximo dia 25 de Março. Para uma região pouco atreita a entusiasmos pelo desporto-rei, na modalidade de futebol de 11, séniores masculinos, é caso para admirar tão longa sobrevivência, sem grandes apoios ou patrocinios.
Como todos os clubes de futebol e principalmente agora, têm altos e baixos, quando não a extinção e o Sporting Clube do Sabugal (SCS) não foge à regra.
O período mais negro de que me lembre, foi há dez anos, quando o Sporting sabugalense, desistiu do Campeonato da 1.ª Divisão, na época 1998/99, ficando sujeito a uma sanção disciplinar, não podendo, durante dois anos, participar em qulquer prova federada e numa altura em que o municipio construiu o novo estádio.
No entanto o Conselho Disciplinar da Associação de Futebol, decidiu aplicar a Lei da Amnistia ao SCS e a todos os árbitros envolvidos em processos disciplinares, permitindo ao clube, regressar com a sua equipa senior ao Campeonato Distrital da 2.ª Divisão.
Em boa hora foi readmitido, porque nesse mesmo ano, sagrou-se campeão na época 2000/2001 e consequentemente à subida à 1.ª Divisão Distrital.
Mas uma das melhores épocas foi a de 1988/89, ao sagrar-se campeão da 1.ª Divisão Distrital.
Na presente época e após a 16.ª jornada em que participam 16 equipas do distrito da Guarda, o SCS encontra-se com os mesmos pontos (34) do Aguiar da Beira e do Mêda, embora o primeiro com menos um jogo.
O futebol, quer se queira quer não, arrasta multidões e é um polo dinamizador de outras actividades locais. O Sabugal bem precisa que eventos destes com carácter permanente, sejam uma realidade.
Parabéns à actual equipa dirigente, nas pessoas do seu presidente, Carlos Janela, treinador, José Carvalho, treinador-adjunto-Manuel Barbosa, director desportivo, Carlos Capela e todo o plantel.
Que a comemoração da efeméride, não passe ao largo e que não seja por falta de lembrança.
Não posso terminar sem fazer uma referência muito elogiosa a uma outra equipa de futebol do concelho, que pugna e muito bem pela subida à 1.ª Divisão Distrital, a Associação Cultural e Desportiva do Soito. No conjunto de oito equipas do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão Série A, o clube do Soito continua invencível e a liderar o grupo com 24 pontos, após a oitava jornada, seguida pela Guarda D F C, com19 pontos.
Neste domingo, vai ao campo da ACD Castanheira, que está em penúltimo com 4 pontos.
Não deixem os créditos por mãos alheias!
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
O Ministério da Saúde abriu na sexta-feira, dia 30 de Janeiro, o concurso público para as obras de ampliação do Hospital da Guarda, após despacho favorável do Secretário de Estado do Tesouro.
Face ao publicado em Diário da República, os interessados têm 33 dias para apresentar propostas, não podendo as mesmas ultrapassar os 39 milhões de euros.
O atraso no lançamento das há muito prometidas obras do Hospital da Guarda estava a levantar polémica, sobretudo a partir de uma posição recente de alguns médicos do hospital, que desafiaram publicamente o governo a avançar de vez com o prometido. Na «carta aberta ao primeiro-ministro», os médicos do Sousa Martins pedem que «de uma vez por todas» se clarifique a situação.
Mas a reclamação ficou agora sem sentido, dada a abertura do concurso agora publicada.
Desde Maio de 2007 que o distrito da Guarda espera pelas obras de ampliação do antigo Sanatório Sousa Martins. Nesse ano o então ministro Correia de Campos anunciou o programa funcional do novo hospital, a constituição da Unidade Local de Saúde e a intenção de abrir os concursos públicos a breve trecho.
Ana Jorge, que substituiu Correia de Campos, reiterou o compromisso, mas a situação mantinha-se pendente.
plb





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