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A «Imagem do dia» e a «Imagem da Semana» são dois destaques em imagens sobre acontecimentos, momentos ou recordações relevantes. Ficamos à espera que nos envie a sua memória fotográfica para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com

Data: 10 de Janeiro de 2009.
Local: Rendo – Sabugal.

Legenda: O gelo e a neve das estradas sabugalenses têm provocado alguns dissabores aos condutores. Todo o cuidado é pouco!

Autoria: Kim Tutatux.
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O dia de sábado, 10 de Janeiro, apareceu bastante frio mas nem por isso os entusiastas da caça deixaram de praticar o seu desporto favorito, participando numa montaria que se realizou nos Fóios.

Montaria nos FóiosPor volta das sete da manhã já o bar Caçador, do Ti Quim Pagã, servia os primeiros cafés aos mais madrugadores. Por volta das nove horas, depois de tudo devidamente organizado e controlado, lá foram os caçadores, debaixo de um frio de rachar, ocupar os respectivos lugares.
O Presidente da Associação, Zé Leal, teve de ficar para preparar, convenientemente, a caldeirada de borrego como ele tão bem sabe fazer. Enquanto a caldeirada fervia fez uma visita ao pessoal que, felizmente, já tinham abatido três belíssimos exemplares. Um navalheiro, com cerca de cem quilos, e os outros dois a rondar os cinquenta. O Presidente transportou os três bichos para a sede da associação. Visto que o relógio já marcava 15 horas os trinta caçadores sentaram-se à mesa para, junto de uma enorme fogueira, saborearem a já referida caldeirada.
Após o almoço tomou-se café e copa e os grupos lá iam analisando e discutindo a batida falando dos javalis abatidos e de outros que não haviam sido alvejados. Também é conveniente que fiquem alguns. Nunca deveremos matar a galinha dos ovos de ouro.
Depois de limpos os javalis foram guardados na arca congeladora para, mais tarde, serem consumidos na festa dos caçadores que é aberta a toda a população e outros amigos dos Foios. Nela participam sempre com cerca de trezentas pessoas.
José Manuel Campos

A neve visitou ontem e hoje o concelho do Sabugal, que se apresenta coberto por um belo manto branco. Também os termómetros desceram significativamente nestes dias, sendo o Sabugal a localidade mais fria do país, com a temperatura a atingir os 7,8 graus negativos.


(Imagens de Ana Luísa Nabais)

Um manto branco cobriu praticamente todo o Norte e Centro de Portugal, mesmo em zonas onde não nevava há mais de duas décadas. Contudo, a alegria popular perante o espectáculo da neve rapidamente se misturou com o caos. Inúmeros despistes, estradas cortadas, localidades isoladas e escolas encerradas foram algumas das consequências do nevão.
O rigor destes dias colocou 86 por cento do território nacional abaixo dos zero graus de temperatura. E aqui o Sabugal foi campeão, sendo a localidade mais fria do País, com os termómetros a caírem para os 7,8 graus negativos. O frio no Sabugal foi mesmo mais intenso do que na Serra da Estrela, onde os termómetros estiveram -7,1º.
Entretanto a vaga de frio também já originou o rebentamento de vários contadores de água, um ramal e duas bocas-de-incêndio no concelho do Sabugal, situações no entanto consideradas normais para esta época do ano, em que a água das canalizações congela. Muitas pessoas revestem os contadores da água, protegendo-os assim da sua danificação através da formação de gelo.
plb

A Junta de Freguesia do Sabugal vai apoiar os casais que tenham filhos durante o ano de 2009, atribuindo um subsídio de 200 euros por cada criança.

Manuel Rasteiro (presidente da Junta de Freguesia do Sabugal)A medida pretende incentivar a natalidade na região, dado que a densidade populacional da freguesia apresenta uma tendência decrescente, explicou Manuel Rasteiro, presidente da Junta de Freguesia. A Junta de Freguesia orçamentou quatro mil euros para assegurar o cumprimento da medida, verba que contudo pode ser acrescida, se necessário.

O edil justificou a medida pelo facto de haver poucos nascimento no Sabugal e pelas dificuldades que as famílias têm, dada falta de empregos que se faz sentir: «Sabemos que não é por 200 euros que as famílias decidirão ter mais filhos, mas trata-se de uma pequena ajuda para se enfrentarem as primeiras despesas». Embora a medida surja em ano eleitoral, Manuel Rasteiro nega que a decisão da autarquia tenha razões eleitoralistas.
Manuel Rasteiro explica também as condições prévias para a atribuição da ajuda financeira às famílias: «a família tem de residir na freguesia e pelo menos um dos elementos do casal tem de ser cá eleitor. Depois basta entregar na Junta um documento do Registo Civil atestando o registo da criança».
A freguesia do Sabugal conta com um total de dois mil e 300 habitantes, tendo no ano de 2008 registado apenas 20 nascimentos.
plb

A matança do porco, para além do abastecimento da salgadeira e do fumeiro, tinha também objectivos sociais, pois era um esperado convívio, que reunia familiares e amigos. Era ocasião para a degustação de partes do porco, que logo iam para riba das brasas ou para dentro da panela.

Panelas de ferroNo final da jornada feminina, concluída com o enchimento das morcelas e a lavagem das vasilhas, vinha à mesa, para gáudio de todos, um dos petiscos aguardados com maior ansiedade: a burzigada.
Comida sem pão é comida de lambão, e a burzigada leva ao extremo este conhecido adágio, pois trata-se de espessa miga, de divinal sabor, se preparada com o devido esmero.
O sangue que se recolheu no barranho, cuja maior parte já foi aplicado na confecção das morcelas, servirá também para dar preparo à saborosa e farta burzigada. A cozinheira mete ao lume uma panela com água, sal, alho, duas folhas de louro, cebola picada e um ramo de salsa. Logo que a água levante fervura introduz-lhe uma malga de sangue de porco. À parte, corta pão em finas e pequenas fatias. O sangue, já cozido, é retirado da panela e golpeado de forma sucessiva, para que fique bem picado.
Uma larga barranha recebe, alternadamente, uma camada de pão e outra de sangue, sendo a última deste. A cozinheira agarra a panela onde o sangue foi cozido e espalha a água fervente sobre as camadas de pão e sangue, tendo o cuidado de ir picando a miga com um garfo, para facilitar a boa penetração do líquido. Pega depois num testo largo, que cubra a barranha, e escoa o que for possível da água que a ferver acabou de penetrar nas camadas de pão e sangue cozido.
Numa sertã deita uma colher de banha de porco, e chega-a à roda do borralho. Estando o adubo (a banha derretida) em elevada temperatura dá o toque final ao preparado, distribuindo-lhe pela superfície o conteúdo da sertã.
A burzigada vai de imediato á mesa, pois é prato para comer no momento, não sendo apreciado quando tépido ou requentado.
Esquecida, a típica burzigada é hoje apenas confeccionada nalgumas casas de antiga tradição.
Paulo Leitão Batista

O projecto LocalVisão TV, uma estação televisiva on-line pretende chegar aos 308 concelhos nacionais e dar «voz às autarquias e populações locais», está desde Janeiro a emitir para o distrito da Guarda e inclui um canal dedicado ao concelho do Sabugal.

LocalVisão TVO arranque do projecto teve lugar em Outubro de 2008 no distrito de Bragança, com 12 canais e o objectivo é marcar presença nos «308 concelhos nacionais» e ter por base conteúdos locais e informação regional, dando «voz às autarquias e às populações locais», para além de promover o desporto e a cultura, explicou em conferência de Imprensa, Carlos Ramalho, director-geral da CMTI.
O distrito da Guarda é, desde o início de Janeiro deste ano, o novo destino e conta com 14 canais. Carlos Ramalho revelou ainda que para meados de Fevereiro será iniciada a produção de conteúdos também no distrito de Castelo Branco estando já seleccionadas e estabelecidas parcerias locais. «Vila Real, Porto, Viseu, Lisboa e Faro são os próximos distritos onde o projecto será lançado», adiantou o responsável.
A estação televisiva on-line está alojado no portal Sapo, e dará acesso aos vários canais locais, que vão emitir em full screen.
Um dos objectivos da Localvisão é «proporcionar o contacto com os emigrantes portugueses», que poderão assim estar «sempre ao corrente do que se passa na sua terra» e ainda proporcionar a promoção turística de cada local.
A recolha dos conteúdos será feita pelos profissionais presentes em cada localidade, sendo que o tratamento final será dado na sede da empresa em Cascais. Haverá emissões 24 horas por dia, com repetições dos conteúdos locais, cuja dimensão vai variar consoante o concelho.

A página dedicada ao Sabugal já está disponível aqui.
jcl

Acabaram-se as mini-férias de Natal e Ano Novo, passadas na nossa Aldeia.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaJá em artigos anteriores descrevi, mais ou menos, como são passadas as nossas festas natalícias.
Por toda a Raia, as fogueiras acendem-se num ritual bem antigo, comemorando, deste modo, o Natal e o nascimento do Menino.
Em tempos mais antigos, raro era o ano, que não déssemos uma volta pelas outras Aldeias mais próximas, a avaliar as fogueiras, cumprimentar os amigos e beber um copo, que nos era servido, com gosto, pelos resistentes durante a noite, regressando à nossa Fogueira, permanecendo até ao romper do dia, acompanhados dos assados, na dita cuja, só depois recolhendo a casa, para um sono merecido. Belos tempos!…
No Ano Novo, acompanhámos a 1. ª Capeia do Ano, em Aldeia Velha, com destaque para o Mordomo, que tinha 3 anos, este começa cedo, pegando à Galha e tudo, agarrando-se bem aos paus do Forcão, embora com os pés no ar, que é que se esperava com aquele «cabedal» todo? Depois da volta à Praça, com a Charanga improvisada, veio pedir a Praça ao amigo Tó Maria Vinhas, autor e compositor, como sabem, da famosa canção Formiguinha, que deu grande brado, na sua época, por tudo o que é sítio.
A Capeia decorreu muito bem, para esta época, tendo a rapaziada esperado, a preceito, os touros ao Forcão, embora confesse, que não sou muito adepto de Capeias no Inverno, por uma questão de princípio. Mas se outros gostam e seguem a tradição, também por lá aparecemos a ver a malta e beber um copo, porque não? Passámos uma bela tarde com o Tó Maria, O Ti Domingos, o Alexandre e dois Espanhóis amigos, relembrando algumas histórias e recordando, com imensa saudade, o Ti Zé Ramos Casanova.
Passado o ano, ala de abalada até Lisboa para início do trabalho, no dia 5, segunda-feira. Chegado ao trabalho, tive uma bela surpresa, para início do ano, com a minha companheira formiga, que me acompanha, já há para aí, mais de dois meses, aparecendo, como que a saudar-me, depois de quase quinze dias de interregno. Estive uns minutos a observá-la, para trás e para diante, até que lá se foi à sua vida, deambulando pela secretária, até que resolva aparecer, novamente.
Foi um belo início de ano pois, a formiga representa muito, devido ao seu trabalho e organização em comunidade. Esta deve ter perdido a família, passando o tempo na minha mesa, tendo sempre um cuidado enorme, receando causar-lhe algum dano irreparável.
Antigamente, quando era garoto, acompanhava a minha Mãe, na rega das batatas e no outro «renovo» depois de engatada a nossa Burra à Nora, iniciando as intermináveis voltas com os olhos tapados, deborcando os copos bem cheios de água no tabuleiro de metal, enchendo bem a «regadeira» levando a água para bem longe, o meu passatempo era admirar as formigas, deliciando-me a seguir os enormes carreiros das ditas, até ao seu refúgio ou casa, onde armazenavam toda a espécie de alimentos, para os tempos difíceis que as esperavam.
Com certeza, que a todos vem à lembrança, a história da cigarra e da formiga. Enquanto aquela, passava o tempo a exibir-se e a cantar, esta, trabalhava arduamente, amealhando para tempos difíceis.
Que todos tenham uma formiga amiga por perto, para se lembrarem, que a vida é feita de trabalho e sacrifícios, devendo ser um exemplo a seguir, pois o futuro é imprevisível, nos dias de hoje.
Renovo para si, amigo leitor, os votos de um Bom Ano de 2009.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

O instituto Camões disponibiliza no seu portal a partir desta quinta-feira, 8 de Janeiro, cerca de 1200 documentos da cultura portuguesa dos últimos cinco séculos.

Instituto CamõesA Biblioteca Digital Luís de Camões que alberga importantes documentos históricos, até aqui de acesso condicionado, passará a disponibilizar on-line a partir de quinta-feira, 8 de Janeiro, cerca de 1200 documentos de cultura portuguesa dos últimos cinco séculos.
Além da consulta de textos de grandes autores portugueses falecidos há mais de 70 anos (prazo legal dos direitos de autor) podem ser visionados textos literários, pautas musicais, ensaios, poesias e estudos científicos.
Esta nova ferramenta on-line revela-se de grande importância para uma comunidade linguística com mais de 220 milhões de falantes e também para um número crescente de pessoas que, em todo o Mundo, se interessam pela cultura portuguesa e que pretendem estudar o português.
No âmbito da missão que lhe foi atribuída pelo Estado português, o Instituto Camões modernizou o seu portal institucional e o seu Centro Virtual Camões, ferramentas estratégicas para o ensino e aprendizagem do português, bem como para a divulgação da língua e cultura portuguesas, que contam já com cerca de 500 mil visitantes.

Visite a Biblioteca Digital Camões aqui.
jcl

O SIAC visa a melhoria da competitividade do país, de uma região, de um sector ou grupos de sectores organizados em redes associadas a estratégias de eficiência colectiva.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Está aberto até ao próximo dia 2 de Fevereiro um período de apresentação de candidaturas SIAC, que tem como objectivo a «promoção de actividades económicas em zonas urbanas, tendo como destinatários, em matéria de actividades, os sectores do comércio e dos serviços e, em matéria de território, as Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) (…)».
A leitura dos documentos que acompanham este Aviso, permitem constatar que se podem candidatar ao MERCA as, assim denominadas, Áreas Críticas de Recuperação e Reconversão Urbanística (ACRRU) «Núcleo Histórico da Vila do Sabugal» e «Aldeia da Sortelha».
Os Projectos a apresentar devem podes ser integrados numa das seguintes tipologias:
– Actividades de promoção, divulgação e imagem internacionais dos sectores, regiões e actividades com relevância para a economia nacional;
– Criação e dinamização de redes de suporte às empresas e empreendedores;
– Sensibilização para os factores críticos da competitividade e para o espírito empresarial.
As áreas de intervenção são:
– Inovação tecnológica, organizacional e de marketing;
– Ambiente e desenvolvimento sustentável;
– Informação de gestão orientada para PME;
– Promoção, divulgação e imagem de regiões, sectores, clusters, pólos de competitividade e tecnologia ou outras redes associadas a estratégias de eficiência colectiva;
– Valorização de recursos endógenos das regiões;
– Promoção de actividades económicas em zonas urbanas.
Por último, e no que diz respeito às entidades beneficiárias, dado que a elas compete apresentar candidaturas, são considerados como beneficiários:
– Unidades específicas de animação comercial e económica das Áreas Territoriais alvo dos projectos, designadamente Unidades de Acompanhamento e Coordenação (UAC) de projectos globais URBCOM;
– Associações Empresariais dos sectores do comércio e dos serviços.
As candidaturas a apresentar não podem ultrapassar os 200.000€.
Não tenho qualquer informação sobre se está em preparação alguma candidatura ao SIAC-MERCA.
Muitas vezes falamos dos problemas urbanos, da asfixia do comércio tradicional, da desertificação dos centros históricos (ainda há pouco tempo referi o facto de quase ninguém viver no interior das muralhas de Sortelha…).
Esta é uma oportunidade para pensar o que fazer, e podendo até elaborar duas candidaturas autónomas – Sabugal e Sortelha.
O prazo para elaborar as candidaturas é muito curto (teve início a 15 de Dezembro), e construir as Candidaturas é um processo difícil.
Mas esta é mais uma oportunidade que não podemos nem devemos perder.
Lamento não ter informação sobre se está em preparação alguma candidatura. Acredito que em 2 de Fevereiro se saberá que o Sabugal disse presente, pois essa sim seria uma boa nova neste ano que agora começa…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O passado mês de Dezembro foi mais frio do que noutros anos, com temperaturas mínimas inferiores a zero registadas durante mais de 15 dias, em cinco locais do país: Sabugal, Miranda do Douro, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Carrazeda de Ansiães.

Onda de frio invade o paisSegundo o último relatório climático do Instituto de Meteorologia, as temperaturas registadas em Portugal em Dezembro estiveram abaixo dos valores médios, estando o Sabugal entre as localidades mais frias do país.
Os valores médios das temperaturas foram inferiores aos valores normais de 1971-2000, com as temperaturas média e máxima 1,4 graus centígrados abaixo dos respectivos valores médios e as mínimas inferiores em 1,7 graus centígrados.
Também a precipitação esteve abaixo da normal para aquele mês, contribuindo para a seca meteorológica que se verifica já em todo o território. Dois terços do país (68 por cento) estão em situação de seca fraca, 31 por cento em seca moderada e 1 por cento em seca severa.
Esta semana, o Instituto de Meteorologia prevê temperaturas baixas em todo o país, com as mínimas a atingirem valores negativos nas regiões do interior e a aproximarem-se do zero no litoral.
O frio que se fará sentir implica cuidados redobrados, com a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) a recomendar atenção aos noticiários, condução com cautela e velocidades baixas, utilização de várias camadas de roupa e não de roupa justa ou que faça transpirar e evitar actividades físicas intensas que obrigam o coração a um maior esforço.
A ANPC recomenda ainda uma poupança de energia de modo a não sobrecarregar a rede, que daria origem a falhas de electricidade.
plb

Na semana que passou a GNR da Guarda registou 60 ocorrências criminais, efectuou 15 detenções e registou 28 acidentes de viação.

Entre as 60 ocorrências criminais registadas, 21 são referentes a furtos, um crime que continua a ter grande expressão no distrito. Seis dos furtos ocorreram em estabelecimentos comerciais, outros dois em veículos e um em residência.
Foram detidos 15 condutores em situação de flagrante delito. Das detenções, 14 ocorreram por condução sob efeito do álcool e uma por condução sem habilitação legal.
No referente a acidentes de viação o Comando Territorial da Guarda registou 28 casos. Desses, 15 resultaram de colisão, 11 de despiste e dois de atropelamento. Dos sinistros rodoviários resultaram 10 feridos ligeiros. No âmbito da Operação Ano Novo, a GNR da Guarda elaborou um total de 99 autos de contra-ordenação no âmbito da fiscalização rodoviária.
O comunicado desta semana veio já assinado pelo novo comandante do distrito comandante coronel José Manuel Monteiro Antunes.
plb

Há 60 sessões consecutivas que as taxas de juro europeias caem em todos os prazos, seguindo esta terça-feira, 6 de Janeiro, abaixo dos três por cento e estando cada vez mais perto da taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE), actualmente nos 2,50%.

Notas EurosA Euribor a seis meses, taxa de referência para a maioria dos créditos à habitação do mercado português, recuou esta terça-feira, 6 de Janeiro de 2009, de 2,913% para os 2,882%.
Já a maturidade a três meses, usada como referência sobretudo para os créditos às empresas, desceu para 2,797% dos 2,822% verificados esta segunda-feira.
A Euribor a 12 meses, caiu por seu turno para os 2,959%, face aos 2,995% registados ontem, dia 5 de Janeiro, quando desceu abaixo da barreira dos 3%.
Os especialistas justificam as descidas continuadas das taxas Euribor com as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) vai continuar a descer os seus juros, estando previsto que a autoridade monetária europeia anuncie ainda este mês um novo corte da sua taxa directora.
jcl

Nos anos cinquenta do século passado, aqui na Cidade do Sabugal, então Vila, um senhor da burguesia reinante chamou um carpinteiro para lhe aplainar uma quantidade enorme de tábuas.

António EmidioLogo no primeiro dia o senhor sentou-se durante uma hora diante do carpinteiro enquanto este trabalhava, mas sempre em silêncio e sem o perturbar na sua função. Ao fim dessa hora contaram as tábuas que foram aplainadas. Então o senhor lançou esta ameaça:
- Durante esta hora que aqui estive contigo aplainaste dez tábuas, eu vou sair e vou estar durante as próximas quatro horas fora, quando chegar quero ver aplainadas quarenta tábuas, senão não te pago o dia e ponho-te na rua.
Boa e clássica maneira de controlar quem trabalha. E agora como é? Não é preciso estar ninguém a ver, as tecnologias encarregam-se de controlar tudo. As novas vigilâncias tecnológicas permitem saber onde estamos, o que fazemos e o que pensamos.
O capitalismo não humaniza, nem humanizava antes, nem humaniza agora, a sua génese e motivação não são as de humanizar as condições de vida do homem, mas sim, seja porque meio seja, conseguir chorudos lucros para as empresas e para os seus accionistas.
Dá a impressão que avançamos, mas não é bem assim, o homem continua a ser o mesmo.
Pessoalmente, gostava de menos tecnologia e mais humanismo
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Quando findas as tarefas próprias dos homens na faina da matança do porco, que agora jaz na loja dependurado no chambaril, começa verdadeiramente a azáfama das mulheres.

O caldeiro da morcelasNa cozinha vive-se numa fona. Prepara-se a refeição, que incluirá fêveras e rins grelhados, iscas de fígado, soventre cozido, e fartura de pão borneiro e batatas cozidas. Mas a tarefa mais inglória é a da lavagem das tripas. Duas mulheres tomam conta dessa função, transportando o pesado tabuleiro com o debulho do cochino para a ribeira ou a levada mais próxima. Munidas de cascas de laranja para esfregar e retirar odores, uma faca de bom fio e baraços de algodão para atar as tripas, iniciam a azáfama ajoelhadas à borda da água corrente.
As primeiras peças do enchido a irem ao fumeiro são as morcelas, que são feitas no próprio dia da matança. Para um barranhão esfatiam-se meia dúzia de sêmeas de pão trigo. Sobre o pão despeja-se a barranha com o sangue do marrano, de forma a cobrir todo o montículo de finas fatigas. Depois espalha-se uma mancheia de cominhos, duas medidas de sal grosso, louro moído e uma boa camada de cebola picada. Claro que isto é feito por mão sabedora, porque é necessário respeitar o receituário antigo e no tempero é que reside o segredo do bom enchido.
Com cautelas retira-se das cadeias o caldeiro com a água fervente, que se derrama sobre o barranhão, ao mesmo tempo que se pica a miga de pão com uma varinha comprida, para a aguadilha se infiltrar. Com uma enorme colher de pau revolve-se então a massa para que tudo fique bem envolvido. Acrescentam-se ainda pedacinhos de gordura e o adubo que resultou da feitura dos torresmos.
É nesse momento que se faz à prova, colocando-se uma porção de massa na sertã, que se chega ao lume vivo. A prova serve para corrigir os temperos, acrescentando mais uma pitada de sal ou um respingo de cominhos.
Sabor aprovado, as mulheres munem-se das enchedeiras e trataram de atacar as tripas com a massa. Primeiro as do próprio porco, depois as de compra. Quando enchidas, as morcelas passaram pelo caldeiro para uma boa fervura. O interior do caldeiro é forrado com palha, para que as morcelas não contactem directamente com a lata e porventura rompam.
Depois de cozidas as morcelas são dependuradas em varais, que se colocam em latada, suspensas no tecto da cozinha. A seu tempo far-lhe-ão carava chouriças, bucheiras, farinheiras, bucho, bexiga e palaio, ficando a latada completa.
Paulo Leitão Batista

O segundo concerto dos UHF, no Soito, teve lugar no dia 9 de Agosto de 1992, integrado nas Festas de São Cristóvão.

Joao Aristides DuarteFormados em 1978,em Almada, ainda hoje a sua cidade fetiche, os UHF são a banda com maior longevidade no panorama musical português, ultrapassando mesmo os Xutos & Pontapés, que é considerada a banda mais antiga. Mas esse feito pertence, sem margem para dúvidas, aos UHF. Após várias mudanças de formação, os UHF estavam prestes a lançar o seu LP «Santa Loucura» que voltaria a colocá-los na ribalta, uma vez que nele estava incluída uma versão do tema tradicional «Menina Estás à Janela». Tinham lançado, em Outubro do ano anterior (1991), o LP «Comédia Humana».
Neste concerto do Soito os UHF incluíam António Manuel Ribeiro (voz e guitarra), Rui Dias (guitarra, ex- Quinta do Bill), Renato Júnior (teclas e saxofone), Nuno Espírito santo (baixo) e Luís Espírito Santo (bateria). Estes dois últimos eram pai e filho, sendo que o pai era o Luís.
Ouvi muita gente dizer que este concerto dos UHF iria ser um fracasso, uma vez que o Soito não estava preparado para o Rock. Por outro lado a aposta total era no concerto de Frei Hermano da Câmara, que se apresentaria no dia a seguir aos UHF e que, esse sim, se revelou um fracasso total. A aposta nos UHF revelar-se-ia a mais apropriada.
Logo à tarde tive oportunidade de falar e cumprimentar António Manuel Ribeiro, quando ele chegou ao recinto para fazer o ensaio de som. Disse-me que o próximo disco iria ser mais um «disco de guitarras» e tal revelou-se uma realidade.
Como sempre os UHF tocaram temas do seu reportório antigo (já então com perto de 10 LP’s gravados). Alguns temas do LP «Comédia Humana», como «De Segunda Até Sexta» também pertenceram ao alinhamento deste concerto.
António Manuel Ribeiro não se esqueceu de referir que já tinha tocado no Soito, há muitos anos atrás (no dia 2 de Maio de 1981 – cuja crónica já foi aqui publicada), num concerto onde a primeira parte pertenceu aos Xutos & Pontapés.
UHF no SoitoO saxofone de Renato Júnior dava um novo colorido aos temas mais emblemáticos dos UHF, tais como «Rua do Carmo» ou «Cavalos de Corrida».
A banda estava muito bem entrosada, com os elementos a movimentarem-se em palco e notando-se que estavam a gostar do concerto.
O concerto demorou perto de duas horas, com a banda sempre a «bombar». António apresentou-se com calças de napa preta e camisa branca.
Nalguns dos temas limitou-se a cantar, noutros tocou guitarra, acompanhando Rui Dias.
«Nove Anos», «Este Filme», «Brincar no Fogo» ou «Na Tua Cama» foram alguns dos temas que a banda executou no concerto do Soito.
No final o público pediu o regresso dos UHF ao palco e estes voltaram para tocar «Hesitar», onde o saxofone de Renato Júnior tem um papel preponderante.
Mas o público ainda não estava saciado e os UHF regressaram, mais uma vez, para terminarem o seu magnífico concerto com «Cavalos de Corrida».
Um dos melhores concertos dos UHF a que tive oportunidade de assistir, e já foram bastantes aqueles que eu presenciei da banda de Almada.
Nas imagens podem ver-se dois momentos da actuação dos UHF nesse concerto.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

O Mocho Galego (Athene noctua), é uma pequena ave de rapina nocturna que permite avistamentos com mais frequência.

Os seus hábitos diurnos (embora não seja uma constante) e sua predilecção por poisos altos e principalmente junto ou beira de estrada tornam o Mocho Galego uma ave afamada.
Uma ave de porte arredondado facilmente identificável pela sua plumagem castanha com malhas brancas e olhos amarelos. Pode-se encontrar em todo o território nacional e praticamente durante todo o ano.
Esta pequena ave foi avistada por acaso à entrada de Urgueira num tronco de castanheiro carcomido.

«A Objectiva de…», galeria fotográfica de Pedro Afonso
pmiguelafonso@gmail.com

Transcreve-se aqui o Estatuto Editorial, porque, embora se encontre on-line, muitos visitantes, por desconhecimento ou esquecimento não o devem ter presente e ser mais fácil e rápida a leitura destes simples comentários, que são um complemento às apreciações feitas ao Blogue, quando perfez dois anos de existência.

José Morgado«Estatuto Editorial do Capeia Arraiana
1 – O Capeia Arraiana é um blogue on-line de informação regional independente, pluralista e multimédia, acessível na Word Wide Web (www) através do endereço:

http://capeiaarraiana.wordpress.com.

2 – Tem como objectivo promover as gentes e as terras do Sabugal e da Beira Interior e fomentar a troca de notícias, ideias e comentários entre os seus naturais, descendentes e amigos.
3 – Enquanto órgão informativo distingue, muito claramente, a informação da opinião ou do comentário, não sendo seu propósito promover, especialmente, a análise e a discussão político-partidária, nem intuitos de índole particular.
4 – Os colaboradores convidados do Capeia Arraiana são livres de exprimirem a sua opinião em consonância com este Estatuto Editorial.
5 – Os comentários dos visitantes serão editados e publicados desde que não sejam anónimos, não ofendam a moral comummente aceite e não veiculem ideias contrárias à harmonia social nem se envolvam em acintes pessoais.
6 – Respeita e respeitará os direitos e deveres previstos na Constituição da República Portuguesa, na Lei de Imprensa e no Código Deontológico dos Jornalistas.
7 – O Capeia Arraiana garantirá sempre o sigilo das suas fontes de informação, não aceitando, em circunstância alguma, a sua quebra.
8 – O Capeia Arraiana rejeita o sensacionalismo e será sempre escrito e produzido no cumprimento das orientações e princípios definidos neste Estatuto Editorial e defendidos pelos seus dois fundadores e administradores.»

Quem venha a primeira vez ao blogue, poderá pensar que é unicamente especializado em «festa brava». O próprio logótipo com touros e forcão, reforçam essa ideia.
Puro engano! Efectivamente, a capeia arraiana é um dos temas sempre presente, mas o Blogue é muito mais que isso.
Além dos oito itens do Estatuto Editorial, poderemos desenvolver o seguinte:
– O Capeia Arraiana, apresenta um projecto mais vasto e dá especial atenção às diversas manifestações de cariz quer académico, popular, associativo ou iniciativas locais de toda a ordem e coberturas noticiosas de temáticas como o desporto, a música, a literatura, pintura e outras manifestações artísticas,sempre ligadas directa ou indirectamente às terras e gentes do Riba-Côa sendo um óptimo «porta-voz» para todos aqueles que amam esta região.
– O Capeia Arraiana é um serviço de interesse público regional, que pugna pelo desenvolvimento da identidade e da Cultura local e regional, contribuindo para o progresso das populações desfavorecidas do Interior beirão e seu autentico «Observatório».
– O Capeia Arraiana tem os seus visitantes como único universo a servir, respeitando as normas deontológicas que o regem.
– O Capeia Arraiana defende o valor absoluto da notícia, com independência perante todas as formas de poder.
– O Capeia Arraiana combate e denuncia todas as formas de exclusão, dedicando especial atenção às derivadas da sua interiorização, nomeadamente a retirada sem alternativas de Equipamentos Sociais (centros de saúde, escolas, CTT, etc.).
Numa altura de eleições, principalmente as autárquicas e consequentes campanhas, a pressão dos políticos que continuam convencidos de que as vitórias se continuam a ganhar ocupando o maior número de espaços mediáticos, nomeadamente órgãos da Comunicação Social, devemos estar atentos.
Os «media» não deviam, em princípio, ter objectivos políticos Infelizmente a relação entre eles e os políticos, podem produzir concordância de interesses, actuando frequentemente. como sócios, dando origem às ditas «comunicações-lixo» e «política-lixo».
Que o Capeia Arraiana, siga à risca o Estatuto Editorial que o honra, são os votos para o ano 2009.

[n.d.r. O Estatuto Editorial pode ser consultado aqui.]
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Os «Anuários Estatísticos Regionais» publicados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que o Sabugal é o concelho do distrito da Guarda que perdeu mais população e que para cada 100 jovens existem 423 idosos. Os números resultam da comparação com o Censo de 2001. A discussão política em 2009 devia começar neste documento que os candidatos autárquicos deviam estudar com muita, muita atenção.

Anuários Estatisticos RegionaisForam recentemente publicados pela Instituto Nacional de Estatística (INE) os «Anuários Estatísticos Regionais» organizados em 27 subcapítulos agrupados em quatro grandes capítulos: O Território, As Pessoas, A Actividade Económica e o Estado.
O documento do INE é uma publicação de referência sobre informação estatística comparativa à escala regional e municipal sobre as problemáticas dos desenvolvimentos territoriais. A edição de 2008 faz um comparativo entre os Censos de 2001 e o ano de 2007 mrecendo destaque, no capítulo «Território» a disponibilização de dados sobre a Rede Nacional de Áreas Protegidas e sobre a Rede Natura 2000 apoiados em informações do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
Os dados referentes à Beira Alta (ou Beira Interior Norte) e em especial do concelho do Sabugal mereceram-nos uma análise mais cuidada. Mas… em comparação com os números do último Censo (2001) o cenário é mesmo muito mau.
Todos os concelhos da Beira Alta viram diminuir a sua população à excepção da Guarda (concelho) que «ganhou» 432 novos habitantes. O Sabugal lidera a lista do concelho que perdeu mais população (1338 habitantes).
Nos Censos 2001 a população do concelho do Sabugal foi identificada em 80 lugares pertencentes a 40 freguesias (incluindo uma cidade e uma vila) com um total de 14871 habitantes.
A 31 de Dezembro de 2007 residiam no Sabugal 13533 cidadãos divididos em 1137 (com idades entre os 0 e os 14 anos), 1390 (15-24 anos), 6197 (25-64 anos) e 4809 com 65 e mais anos registando, portanto, uma variação negativa de 1338 habitantes.
Os indicadores de densidade populacional (hab./km2) por município do distrito da Guarda, em 2007, revelam os seguintes números: Almeida, 13,9; Celorico da Beira, 35,0; Figueira de Castelo Rodrigo, 13,1; Guarda, 62,1; Manteigas, 30,4; Mêda, 20,2; Pinhel, 20,7; Trancoso, 28,8; e Sabugal, 16,5.
As taxas de crescimento efectivo e natural são negativas para todos os concelhos. Em primeiro lugar posiciona-se Almeida com –2,59 e em segundo o Sabugal com –1,73 pontos percentuais. Na taxa de crescimento natural o Sabugal aparece em primeiro com –1,89 por cento. A finalizar a taxa bruta de nascimentos coloca a Guarda em primeiro lugar com 8,0 por mil e o Sabugal em último com 3,3 igualmente por mil. Inversamente na taxa bruta de mortalidade o Sabugal surge em primeiro com 22,2 por mil e em último a Guarda com 10,7. [pág. 68].
Índice de envelhecimento em percentagem para o distrito da Guarda: Sabugal, 423,0; Almeida, 316,6; Figueira de Castelo Rodrigo, 289,2; Mêda, 288,0; Pinhel, 270,0; Trancoso, 224,4; Celorico da Beira, 213,9; Manteigas, 183,2; e Guarda, 140,4. O valor de 423 por cento significa que para cada 100 jovens há 423 idosos residentes no concelho do Sabugal.
No dados referentes à população residente nos municípios a Guarda aparece em primeiro com um total de 44191 (21205 h/22986 m) e o Sabugal em segundo com 13533 (6374/7159) residentes. Em 2007 nasceram 45 bebés no concelho sabugalense, foram registados 303 óbitos e celebrados 29 casamentos.
O concelho do Sabugal nos indicadores de participação política nas eleições:
2005 – Assembleia da República: partido mais votado, 45,3%; abstenção, 45,3%. Autarquias Locais: partido mais votado, 45,1%; abstenção, 45,1%. 2006 – Presidente da República: candidatos mais votado, 63,3%; abstenção, 47,0%. 2007 – Referendo sobre o Aborto: Sim, 41,0%; abstenção, 62,6%.
Estatísticas oficiais sobre o território do Sabugal: área, 822,7; perímetro, 182; comprimento máximo, 33 (Norte-Sul), 47 (Este-Oeste); altitude, 1 215 (máxima) e 450 (mínima). O PDM publicado em 1994 em Diário da República está em revisão. Reserva Agrícola Nacional (RAN), 6145,7 ha e Reserva Ecológica Nacional (REN), 14500,4 ha.

A desertificação e o envelhecimento da população são dois dos mais importantes temas em discussão na próxima campanha eleitoral. Aliás o primeiro tema provoca, por consequência, o segundo porque a fixação dos jovens é um dos grandes desafios para os próximos anos.

Pode fazer uma cópia dos «Anuários Estatísticos Regionais» (INE, IP, Lisboa, Portugal, 2008) aqui e aqui.
jcl

António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, revelou que está a ser negociado com a empresa Generg a instalação de dois novos parques eólicos junto às freguesias de Vale da Senhora da Póvoa, na Serra d’Opa e de Salvador na Serra do Ramiro.

António CabanasEm declarações ao programa radiofónico «Dar que Falar», da Urbana FM, o vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, esclareceu que a Serra d’Opa, na freguesia do Vale da Senhora da Póvoa e a Serra do Ramiro junto à aldeia de Salvador na zona sul do concelho poderão receber em breve dois parques de energia eólica.
Um dos parques poderá atingir cerca de 50 megawatts de potência produzida com a instalação de 16 aerogeradores pela empresa Generg que já tem investimentos semelhantes na Serra da Gardunha e no Pinhal Interior.
Actualmente são produzidos no concelho de Penamacor cerca de 60 megawatts de energia através da empresa Tecneira junto ao Meimão e na Serra de Santa Marta.
De acordo com uma notícia publicada pelo jornal «Reconquista» a Câmara Municipal de Penamacor pretende ser compensada pela impossibilidade de exploração do potencial eólico da Serra da Malcata que António Cabanas «considera ter um grande potencial mas que não pode ser aproveitado devido às restrições do plano de ordenamento desta área protegida» acrescentando ainda que «há um grupo espanhol que vai instalar um parque eólico do lado de lá da raia e nós estamos em negociações porque achamos que temos direito a uma compensação porque ficamos impossibilitados de instalar um parque na mesma cumeada mesmo com a fronteira pelo meio». «Temos que defender os nossos interesses», disse ainda António Cabanas.
jcl

A Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) criou, especificamente para o efeito, um portal na Internet onde é possível comparar os preços dos combustíveis nos postos de abastecimento no território português do continente.

Estação de Venda de CombustiveisA página electrónica da DGEG vai disponibilizar os preços de venda praticados por litro em euros, em qualquer posto de abastecimento de Portugal continental, da gasolina IO 95, gasolina IO 98, gasóleo rodoviário, biodiesel e g.p.l. auto.
Os preços são transmitidos pelos titulares da licença de exploração dos postos de abastecimento com a indicação do dia e da hora da alteração, a partir dos quais passam a ficar disponíveis ao público.
Para além dos preços disponibiliza-se, igualmente, a informação sobre a localização, horário de funcionamento e serviços existentes em cada posto de abastecimento.
Os postos de abastecimento com vendas totais anuais inferiores a 500 m3, estão isentos de prestar a informação relativa aos preços, embora possam efectuá-la de forma voluntária.
No entanto, em Fuentes de Oñoro, território espanhol encostado à fronteira de Vilar Formoso, a gasolina 95 na Cepsa é mais barata 28,1 cêntimos (0,798) do que no posto da Galp português da aldeia fronteiriça. No gasóleo poupa-se 12,6 cêntimos (0,823). A diferença de preço faz com que as gasolineiras do lado de lá continuem a ser muito procuradas pelos portugueses.
Com a publicação do Decreto-Lei n.º 243/2008, de 18 de Dezembro e do despacho n.º 32631/2008 do Director-Geral de Energia e Geologia da mesma data, o diploma impõe, obrigatoriamente, aos postos de abastecimento a afixação dos preços na Internet a partir de 16 de Fevereiro de 2009. Os titulares dos postos de abastecimento têm agora 15 dias para solicitar a senha de acesso à página da DGEG que lhes permite actualizar on-line os preços em vigor e manter, com carácter obrigatório, uma informação completa e actualizada.

Compare os preços praticados nos postos de abastecimento de combustíveis em Portugal Continental aqui.
jcl

Nestes dias gélidos de inverno a acalmia das aldeias é entrecortada pelo guinchar ocasional dos porcos em estertor, sucumbindo após a faca sangradeira lhes entrar no gasnete.

Abrindo o porcoNão é qualquer um que se arma em matachim. Mestre magarefe tem que dominar a técnica de enfiar o cochilho nas golas do gorrino, de forma a botar boa sangria. No geral é homem sereno, senhor pleno de suas acções, confiante na arte de matar. No tempo glaciar anda de curral em curral com o facalhão debaixo do braço, envolvido num pedaço de papel rasgado de uma saca de ração e o bico cravejado numa rodela de cortiça.
Além do matachim, ao pátio do habitante que mata desaguam meia dúzia de homens, dispostos a ajudar nas tarefas de segurar o cochino, lavá-lo e dependurá-lo no chambarim.
Tarefas encerradas, o alimpador, que abriu e esbandulhou o animal, desata a cortar carnes que de imediato vão a confeccionar. Um trancão de soventre é enfiado na panela de ferro, a passarinha vai para cima do borralho e um conjunto de febras são estendidas na grelha, sobre o braseiro. Os acepipes são depois emborcados, na carava de uma boa pinga, servindo de entrada ao suculento almoço que está reservado para os que colaboraram nas fainas da matança.
Porém, a mais peculiar peça do animal comida na ocasião é o embigalho. Trata-se da carne que rodeia o aparelho urinário do porco. É-lhe cortado ainda sobre o banco, antes de ir para o chambaril. Via de regra, o embigalho é atirado aos cães que farejam em redor. Mas alguns convivas gostam de lhe experimentar o sabor, que dizem ser divinal. Quando assim se decide, o petisco é guardado num prato e, no fim das tarefas, é aberto com uma navalha de bom fio para o livrar da uretra. Em geral tal preparado é da conta de quem é mestre no talhar das carnes, embora a sua confecção nada tenha de especial. Tempera-se com sal grosso e coloca-se numa grelha sobre o borralho vivo do lume. Depois da carne estar bem passada é traçada em pequenos pedaços e disposta numa almofia, assim indo à mesa dos comensais que estarão reunidos na adega, à roda do pipo ou da cuba. É degustada com manifesto agrado, acompanhada com um carcho de pão e meio quartilho de bom tinto.
O momento em que se come o tempereiro, designação também usada para a gulodice, é de descontracção, depois de encerrados os trabalhos que na matança aos homens dizem respeito. As demais funções pertencem às mulheres, que andam numa fona. Entre os convivas, que saboreiam o embigalho contam-se façanhas e anedotas, fala-se na vida e nos afazeres, comenta-se o viver alheio e bebe-se de rijo. Por vezes puxa-se do baralho de cartas e joga-se até que alguém berre a dar conta que chegou a hora de ir à mesa.
Já a cambalear, falando alto, os convivas dirigem-se ao almoço, que dantes era chamado jantar (o almoço era a primeira refeição da manhã). À mesa alambazam-se com o soventre cozido na panela de ferro, fêveras assadas na brasa, iscas de fígado frigidas na sertã, tudo acompanhado com fartura de batatas e couves cozidas.
Paulo Leitão Batista

O Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda recebe um concerto do Mississipi Gospel Choir, um fabuloso grupo de canto afro-americano vindo dos Estados Unidos da América.

MississipiA Guarda será um dos pontos de passagem no «tour» que traz os Mississipi Gospel Choir a Portugal, que passarão também por Lisboa, Portalegre, Leiria e Coimbra.
A actuação na Guarda acontecerá no dia 8 de Janeiro, pelas 21h30. Cada entrada custará 20 euros, mas valerá bem a pena pagar essa quantia para assistir ao fenomenal concerto do grupo norte-americano que cantará as suas conhecidas elegias divinas, enquadradas na quadra natalícia que atravessamos.
Nascido no seio da «Afro American Cultural Society», associação criada em 1968 para participar de forma activa na luta pelos direitos civis então em curso nos Estados Unidos, o coro manteve como propósito a divulgação do gospel, base de quase toda a música negra americana, e da espiritualidade que a caracteriza.
De um pequeno núcleo de cantores, o Mississipi Gospel Choir evoluiu, contando actualmente com mais de 300 membros que se desdobram em ininterruptas actuações pelo mundo fora.
Nascido como refúgio, onde se sublimavam as agruras de um quotidiano de escravatura, o gospel deixou há muito de ser voz de resistência. Quando a banda acelera e o coro sobe aos agudos, procura êxtase divino e redenção do pecado. Na sua digna serenidade, quando os instrumentos se silenciam e apenas se ouvem vozes em harmonia, procura uma brecha que permita ao espírito manifestar-se.
Trata-se de uma música profundamente religiosa, com temas como «God is moving», «I am the Lord» ou «Your God», que não deixam ninguém indiferente.
Espectáculo pura e simplesmente imperdível!
plb

Segundo declarações à Agência Lusa, Pires Manso, coordenador do Observatório de Desenvolvimento Económico e Social (ODES) da Universidade da Beira Interior (UBI), avisa que a taxa de desemprego na Beira Interior poderá facilmente ultrapassar os 10 por cento em 2009.

Pires Manso«As perspectivas para 2009 não são animadoras e julgo que na região vamos ter uma crise social com alguma importância», referiu Pires Manso, professor catedrático natural dos Fóios. Na sua perspectiva, e face ao problema, é premente «legislar no sentido de que empresas e associações criem programas de apoio aos mais necessitados».
«Já temos taxas de desemprego superiores à média nacional e vamos continuar a ter taxas agravadas. Facilmente ultrapassaremos os dois dígitos, senão mais», sublinhou o professor e coordenador do observatório.
«É de prever que a crise internacional agrave os problemas das empresas, nomeadamente dos principais empregadores na região: o sector têxtil, em especial as confecções, e as empresas de cablagens para automóveis», sectores implantados nas principais cidades da Beira Interior: Guarda Covilhã e Castelo Branco.
Face ao previsível crescimento do desemprego há também a antevisão de um incremento dos problemas sociais, nomeadamente mais situações de fome e de pequena criminalidade. Face a isso Pires Manso defende a criação de linhas de apoio financeiro para empresas, organizações e entidades locais sem fins lucrativos. «O governo vai ter que legislar no sentido de criar estímulos que possam levar as empresas e associações sem fins lucrativos a organizar programas de apoio aos mais necessitados, para combater a pobreza e flagelos sociais previsíveis», disse o professor sabugalense. Ao nível fiscal, «vou ao ponto de achar que seria bem-vinda a isenção total de IRC para empresas que se instalassem no interior durante um período de cinco anos», concluiu.
Pires Manso defende ainda incentivos à concessão de micro-crédito, a entrega de parcelas de terreno para produção própria de produtos agrícolas e a canalização de grandes iniciativas empresariais para o interior do país. Chega mesmo a comparar a situação que a região pode viver com a que viveu o distrito de Setúbal há alguns anos, altura em que o Governo apoiou a instalação da Autoeuropa em Palmela, como resposta à crise social e económica.
plb

Estamos no tempo das matanças. Porém esse ritual antigo é cada vez mais raro. Noutro tempo a necessidade da carne do marrano, criado e cevado no chiqueiro, que tinha de dar carne para todo o ano, fazia com que se ouvissem os grunhidos dos cevados todas as manhãs nas nossas aldeias. Publicamos um conto da nossa autoria, colhido do livro Retratos da Vida Aldeana (editado em 1999).

A matancaPela meada de Janeiro, o Tonho Ladeiro matou o marrano. Bem cevado estava o animal, pela tanta bolota, botelhas e maçãs das caídas que emborcara. Lá nisto, no trato do bácoro, tinha a sua Marisabel grande brio. Botava-lhe a vianda ao amanhecer e à noite e fazia-lhe a cama pelo menos uma vez ao dia. Queria-o ver limpo e bem cevadinho. Retinha-o, à cautela, bem trancado, fora de vistas, não fosse alguém botar-lhe o mau olhado, embora a sabedoria popular considere o porco como isento de tal acometimento. Só quando o capador da Nave por ali passou, como ocorria todos os anos em Outubro, a mulher permitiu que se trouxesse para a rua, por mor da clareza.
- Isto é que é porco, mulher! – disse-lhe o capador – é a animais bem cevadinhos, como este, que eu gosto de sacar as partes.
- Ora, veja lá, senhor Varandas! Não lhe deixe aleijão.
- Não corre perigo! Estamos em quarto minguante, nestes dias as capaduras não incham.
No dia da matança o cochino mandava-se para as nove arrobas. Embora atarracado, de pernas curtas, era comprido e encorpado, com valentes presuntos, que mal lhe deixavam notar as jogas.
Logo ao nascer do sol, lhe chegaram a casa o João Bilé mais a Teresa e os catraios, que eram primos do Tonho e que todos os anos se ajudavam nas matanças. Veio também a Rosa do Lucas, mulher batida no apular do sangue e na alimpança das tripas. E não faltou o Manel Mourão, para o qual não havia pai na arte de espetar a faquita no pescoço do marrano, em direituras do coração.
Beberam uma copa de aguardente, rilharam uma côdea, e ala, que o serviço espera. O Tonho Ladeiro enfiou-se no cortelho, de laço na mão, disposto a atar o animal para o conduzirem ao curral. Cirandou, cirandou pelo chiqueiro, reco, reco, a coçar o lombo do cochino, mas sem ser capaz de lhe botar a corda à pata, como era de regra.
- Bota-lha ao cachaço Tonho, que dá o mesmo – indicou-lhe o Mourão.
E o Ladeiro e meteu-lhe o laço às golas. Só que o bicho, ao sentir coisa estranha a apertar-lhe, mandou um pulo na direcção do cancelo, e lançou-se em fuga. O homem, que tinha atado a ponta da corda ao pulso, caíu no esterco e foi arrastado, até que os outros se lançaram ao porco e o fizeram especar.
- Que força tem o marrano! Vai custar a segurar.
O Ladeiro levantou-se de camisa branca ajavardada e de cara embostada.
- Ui home! Cheiras mal ca’pestas! Vai mudar ao menos de camisa – aconselhou-o o Bilé.
- Qual quê? Primeiro o servicinho!
Todos à vez agarraram o animal e quedaram-no em riba do banco. O Mourão lavou então a faca na água de um caldeiro e beijou-lhe a lâmina em apurado ritual.
- Vamos ver se bota boa sangria. Até agora, desde que mato e limpo, nunca me deixei ficar mal
Aplicou-lhe a faca ao fundo do gasnete, depois de apalpar e tomar o ponto certo, e fê-la penetrar. O porco grunhiu ao sentir o aço. Esperneou, mas foi mantido quedo pelos que o seguravam. A Rosa do Lucas apulou o jorro do sangue para uma selha, onde previamente deitou uma mão cheia de sal, remexendo-o com uma colher de pau, não fosse coalhar. Depois de dar as últimas, chamuscaram-lhe o cabelo com alumieiras de palha centeia e lavaram-no com abundância de água, esfregando-lhe pedras no lombo. De seguida, todos sacaram das naifas, afiadas a preceito nas pedras das gadanhas, e iniciaram o barbear do porco, livrando-o totalmente dos cabelos que haviam escapado ao fogo e das sujidades não removidas pelo esfregar das pedras. Após limpo de ambos os lados meteram-lhe o chambaril nos jarretes das patas traseiras, pegaram-lhe todos à vez e alombaram-no para a palheira, onde o dependuraram numa trave.
Aberto o animal, admirado por todos, deixou-se ficar coberto pelo soventre estendido sobre as banhas que se haviam arrancado. Depois foi a comezaina, em que todos se atiraram à farta mesa, comporta pelas melhores iguarias, muitas ainda da matança anterior. Esta era jornada familiar e ponto de encontro entre amigos muito chegados, seguindo um ritual antigo de ajuda mútua e tempêro do fole, que pouca vezes no ano se enchia com tantos e tão bons paladares.
Paulo Leitão Batista

Para mim os dias de Natal e de Ano Novo são, acima de tudo, dias da solidariedade humana.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Há vários anos, uma familiar minha que vivia sozinha, dirigiu-se ao comércio onde era cliente há várias dezenas de anos, e bem conhecida do dono do pequeno comércio, colocou em cima do balcão açúcar, arroz, farinha e um frasco de veneno para os ratos. Quando ia pagar disse ao dono da loja «Levo só o veneno, pois já não vou precisar do resto.» Dois dias depois esta senhora foi descoberta morta na sua cama…
Peço desculpa de contar esta história triste, mas verdadeira, nestes dias festivos, mas ela leva-me directamente à minha reflexão: O dono desta loja conhecia perfeitamente a senhora, conhecia todos os seus familiares, mas, a insensibilidade humana que parece ter sido erigida como padrão das nossas vidas modernas, levou-o a nada fazer.
E nestes dias por muitos dedicada à família, não posso deixar de chamar a atenção para este fenómeno anti-social que nos corrói e que começa mesmo dentro da própria família.
E permitam-me, ainda, uma outra história verdadeira. Quando era vereador em Vila Franca de Xira, uma jornalista contactou-me, perguntando-me se não achava que a Câmara devia fazer alguma coisa por uma pessoa que vivia numa casa sem condições. Respondi que sim, mas perguntei-lhe se já havia feito a mesma pergunta à família da senhora.
Na verdade, as questões de solidariedade social devem começar na nossa própria família. E apesar das reformas baixas, como muitos dos nossos pais e avós hoje têm, os primeiros responsáveis pela qualidade de vida dos mesmos devemos ser nós, os filhos e os netos, e não o Estado.
Uma outra dimensão é a da vizinhança. Ainda sou do tempo em que vizinho era sinónimo de amizade, de convivência na rua, de entreajuda. Esta forma de solidariedade é hoje ainda mais necessária. Cada um de nós tem o dever de estar atento ao que se passa à nossa volta. E se um vizinho passar fome, ou viver completamente isolado e só, ou tiver problemas de saúde, este deve ser um problema de todos e, de uma maneira ou de outra, os vizinhos devem ser os primeiros a procurar minorar a situação daquele ser humano.
Por fim, uma última reflexão. Que sentido de vida estamos a dar aos nossos filhos? Estaremos a ensinar-lhes que o importante é ser e não ter? Estaremos a dar-lhe lições de solidariedade humana ou a criar seres isolados, vivendo para o seu bem-estar, indiferentes ao que se passa à sua volta?
Proponho a todos que quando estiverem em família, guardem um momento para pensar se têm sido solidários como os vossos, se, por vezes o lufa-lufa da vida não vos levou a esquecer os pais e avós, se tudo fizeram para ajudar o outro, se estão a contribuir para que os vossos filhos se transformem em seres humanos de bem e solidários.

ps. Havia no Sabugal, e penso que em algumas famílias tal se mantém, a regra de na manhã de Ano Novo, a primeira pessoa a entrar na casa fosse um homem que, ao entrar com o pé direito à frente, dizia em voz bem alta «entradas do novo, saídas do velho», sendo presenteado com uma qualquer bebida e comida. Era um uso tradicional que dava sorte àquela família para o ano que chegava. Eu ainda o faço na minha casa…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

«Dever cumprido» é o sentimento do Major Luís Cunha Rasteiro, o sabugalense que esteve um ano e meio como comandante do Grupo da Guarda da GNR. Com a nova Lei Orgânica da GNR o Grupo foi extinto, passando a Comando Territorial, devendo ser chefiado por coronel. O cargo vai ser ocupado pelo Coronel Monteiro Antunes, que tomará posse no próximo dia 5 de Janeiro.

Major Cunha Rasteiro (Comandante do Grupo Territorial da GNR da Guarda)Que balanço faz da sua actuação enquanto comandante da GNR da Guarda?
Tenho o sentimento do dever cumprido. Embora numa situação transitória, assumi o comando do Grupo Territorial da Guarda com um objectivo em mente: conseguir mais e melhor segurança para o distrito. Posso afirmar que nesse aspecto essencial as coisas correram bem. Embora a pequena criminalidade tenha aumentado ligeiramente, situação que de resto terá acontecido em todo o País, o que posso garantir, com os dados de que disponho, é que a criminalidade violenta diminuiu no distrito e considero este resultado muito importante, porque isso traduz-se num maior sentimento de segurança por parte das populações.
Sente que a GNR está mais próxima das pessoas?
A nossa razão de existir são as pessoas. Preocupei-me muito com a prevenção da criminalidade, procurando aproximar-me de diversos segmentos da população do distrito, o que foi bem visível com as sucessivas acções de sensibilização junto da população mais vulnerável, como as crianças e os idosos. Nessas acções procurámos ensinar as boas práticas para uma melhor auto-protecção. São as chamadas «medidas passivas», que aliadas a um constante patrulhamento dos nossos militares levam a uma Guarda de proximidade. Mas também houve uma actuação firme quando foi necessário, tendo aumentado o número de detenções efectuadas e o número de autuações. Também se conseguiram melhorias ao nível de alguns quartéis e a afectação de mais viaturas ligeiras aos postos territoriais.
E no concelho do Sabugal também houve melhorias?
Desde logo no aumento do número de efectivos. No Sabugal havia 18 efectivos e hoje o posto tem 23 militares. O mesmo sucedeu no Soito, onde havia sete militares e agora existem 12. Isso melhorou muito a capacidade operacional destes dois postos, aliada ao facto de ambos os passarem a dispor de mais uma viatura ligeira, hoje um meio essencial para um patrulhamento mais eficaz.
Quer destacar algum momento marcante neste ano e meio em que comandou a GNR do distrito?
Houve vários momentos marcantes. Desde logo o falecimento de alguns militares que estavam no activo. Felizmente não houve mortes por razões de serviço, mas perder militares na altura em que estão em funções é algo muito negativo e que nos toca. Depois também houve alguns momentos difíceis, como a greve dos camionistas e as situações de criminalidade violenta, mas tudo foi resolvido da melhor forma. O mais tocante são sempre as situações que envolvem vítimas e dentro destas destaco as situações de violência sobre idosos, que infelizmente estão a crescer.
Refere-se a violência provocada por criminosos que querem extorquir pessoas de idade?
Não, o que cresceu foram as situações de violência sobre idosos provocadas no seio familiar. É um tipo de violência doméstica que é pouco falado mas que tem vindo a crescer no distrito.
E a violência doméstica em geral também tem crescido?
As denúncias desse tipo de crime cresceram muito, mas penso que isso se deve sobretudo ao facto das vítimas perderem o medo, ganhando coragem para denunciar. Pode não se tratar de um aumento real desse tipo de violência.
Falou-se muito, há um tempo atrás, na possibilidade de serem encerrados postos pequenos, como o do Soito. Qual é o ponto da situação?
O Ministério da Administração Interna há muito que garantiu que não haverá encerramento de postos, pelo que a questão hoje não se coloca. Além do mais, e no que se refere especificamente ao concelho do Sabugal, temos de ter em conta que se trata de um concelho muito extenso e com muitas aldeias, pelo que se justifica claramente a existência de dois postos, tendo aliás aumentado os seus efectivos, como já referi.
No concelho do Sabugal têm vindo a suceder-se situações de furtos em igrejas. Houve já resultados por parte das investigações que decorreram na sequência desses casos?
Não é apenas no sabugal que isso acontece. Isto é uma consequência desagradável da desertificação humana de todo o interior do país. Havendo menos pessoas as igrejas, os cemitérios e os monumentos estão menos protegidos e os prevaricadores sentem-se mais à vontade para agir. Há um programa da Polícia Judiciária chamado «Igreja Segura», que procura prevenir as situações de furto de arte sacra. Nós temos vindo a sensibilizar os párocos para tomarem algumas das medidas aí previstas, como a inventariação do património das igrejas e mantê-las fechadas à noite. Quando às investigações em curso, posso garantir que algumas que são da competência da GNR vão produzir resultados a breve trecho.
Vai permanecer no Comando Territorial da Guarda?
Sim. Vou ficar responsável pela investigação criminal e pela secção de operações. Sinto que nessas funções poderei continuar a servir bem a instituição a que pertenço e ser útil ao meu distrito e ao meu concelho.
plb

Por ocasião das comemorações dos 30 anos de actividade profissional da companhia de teatro Pé de Vento, está em cena uma peça da autoria do escritor sabugalense Manuel António Pina, intitulada «História de um sábio fechado na sua biblioteca».

O Sábio na sua bibliotecaHá 30 anos o Pé de Vento ensaiava o seu primeiro espectáculo enquanto Companhia Profissional de Teatro para a Infância e Juventude, com um texto de Manuel António Pina, intitulado «Ventolão, o maior intelectual do mundo». Agora, na comemoração das três décadas de actividade, a companhia quis assinalar a efeméride com uma outra peça do autor sabugalense, intitulada «História de um sábio fechado na sua biblioteca».
A «História de um sábio fechado na sua biblioteca» tem por principal protagonista um Sábio chinês que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo. Ora, como conhecia todas as coisas, a sua vida era muito triste e desinteressante, até que um dia um estrangeiro bateu à porta da Biblioteca…
A companhia de teatro, com sede no Porto, tem vindo a colocar em cena várias peças de Manuel António Pina, autor que de resto faz parte do núcleo impulsionador e fundador da companhia, enquanto escritor residente.
As comemorações integram ainda uma exposição onde se apresentam «fragmentos de memória», que incluem cenários, figurinos, máscaras, cartazes, máquinas, maquetas e notícias de jornais. A mostra estará patente até 20 de Fevereiro na Galeria da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, local onde igualmente a peça de Manuel António Pina tem estado em cena.
plb

Entrámos no ano 2009, o qual se antevê ficar marcado politicamente pelos diversos actos eleitorais que decorrerão no país: europeias, autárquicas e legislativas. Do quadro eleitoral apenas se não realizam eleições presidenciais.

Os candidatosAs eleições para o Parlamento Europeu decorrerão provavelmente a 13 de Junho e por elas elegeremos os 24 eurodeputados que nos representarão em Estrasburgo. Estas eleições costumam ser mornas e desinteressantes, mas este ano, elas serão o primeiro ensaio para as legislativas, que se realizarão lá para o final de Setembro ou o início de Outubro, em data ainda improvável, mas que tudo leva a crer que acontecerá antes das eleições autárquicas.
O acto eleitoral pelo qual se elegem os deputados para a Assembleia da república, e o futuro governo do País, antevêem-se muito duras. O Partido Socialista de José Sócrates mantém-se claramente à frente nas sondagens, mas ainda muita água vai passar debaixo das pontes até que os portugueses tenham de votar. Tudo pode suceder, com o restantes espectro partidário à espreita da oportunidade de derrubar o PS ou de, pelo menos, lhe fazer cair a maioria absoluta.
As autárquicas deverão seguir-se imediatamente às legislativas, mas pode suceder o inverso. Porém o cenário mais realista é que aconteçam em Outubro. Por força desta proximidade eleitoral, mais do que nunca as eleições locais serão influenciadas pelas questões nacionais, e muito provavelmente os verdadeiros problemas locais ficarão secundarizados face á eminência da política geral do país.
Será nesse turbilhão político que também o concelho do Sabugal irá a votos para escolher a composição dos seus órgãos autárquicos. António Robalo pelo PSD, António Dionísio pelo PS e Joaquim Ricardo pelo MPT já estão na corrida e a eles irá juntar-se pelo menos ainda o candidato da CDU. O ano de 2009 será vivido intensamente no concelho, advinhando-se renhidos debates, exuberantes comícios e acções de campanha, incluindo as caravanas automóveis e outras acções de rua.
Os dados estão lançados e o Capeia Arraiana cá estará para dar nota do que vai sucedendo, cumprindo com responsabilidade, aquilo que se tornou uma exigência: informar com isenção, sem deixar de ser um espaço para o livre debate acerca das opções que temos de tomar.
Um bom e feliz ano de 2009 é pois o que a todos desejamos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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