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O aluno que em cada escola, pública ou privada, obtiver a melhor média de conclusão do ensino secundário vai receber um prémio de mérito no valor de 500 euros atribuído pelo Ministério da Educação (ME) e que terá início já no próximo ano lectivo.
Com a atribuição deste galardão o ME pretende «reconhecer e valorizar o mérito, a dedicação e o esforço no trabalho e desempenho escolares» dos melhores estudantes de cada escola pública, privada ou profissional.
Nos cursos científico-humanísticos, o prémio de mérito é atribuído ao aluno que tenha obtido relativamente a cada um dos cursos a melhor classificação arredondada até às décimas. Em caso de empate é distinguido aquele que tiver a melhor classificação na disciplina trienal da formação específica, funcionando como segundo critério a classificação na disciplina de Português.
«Serão também premiados os melhores alunos dos cursos profissionais e tecnológicos, que tenham obtido a melhor classificação final», refere o comunicado difundido pelo ministério dirigido por Maria de Lurdes Rodrigues.
Para os alunos dos cursos profissionais e tecnológicos, o prémio de mérito é atribuído ao aluno que tenha obtido a melhor classificação final, sendo o primeiro critério de desempate a classificação da prova de aptidão profissional ou tecnológica.
Os alunos vão, finalmente, ver recompensados os esforços feitos na obtenção de excelentes notas escolares. Este prémio vai, também, minimizar o grande investimento que é feito com a educação, nos livros, no material escolar ou no pagamento de escolas particulares.
aps
Vai ser construída, até 2011, na cidade da Guarda uma «Cápsula do Tempo». O ambicioso projecto é da responsabilidade da Câmara Municipal da Guarda e do Clube Escape Livre e pretende «guardar o passado e pensar o futuro».
Mas o que é uma «Cápsula do Tempo»? – Uma cápsula do tempo é uma caixa-forte com espaço suficiente para guardar diferentes objectos e, normalmente, está enterrada. As que têm localização conhecida incluem uma data para serem abertas. As outras são escondidas em segredo e podem nunca vir a ser descobertas.
Em 1970 o astrónomo e escritor de ficção científica Carlos Sagan (a sua obra «Cosmos» recebeu vários prémios) esteve envolvido num projecto para compilar um álbum com sons e imagens que exemplificassem a diversidade da vida e cultura no planeta Terra. O resultado da sua selecção foi gravado e enviado para o espaço a bordo da Voyager na esperança de vir um dia a ser descoberto por uma qualquer forma de vida extraterreste.
Em 2005 militares americanos encontraram em Honolulu, no Havai, uma cápsula do tempo enterrada em 19 de Fevereiro de 1872 pelo reio Kamehameha V. No seu interior estavam guardadas peças tão diversas como livros, fotos de famílias reais, a Constituição do reino do Havai, um calendário ou um dicionário havaiano.
Em 2006 o motor de busca Yahoo lançou um desafio aos internautas de todo o mundo que consistiu em enviar fotos, textos, pensamento, ideias, poemas, vídeos caseiros, músicas e outros materiais digitais que foram arquivados de maneira a preservar para o futuro um retrato da vida em 2006. Foram feitas versões em 20 línguas diferentes e os contributos foram recebidos até ao dia 8 de Novembro de 2006. Depois de fechada os arquivos ficaram ao cuidado da Smithsonian Institution que se responsabilizou por mantê-la fechada até ao ano de 2020.
Veja o contador descrescente em: Yahoo Capsule Time
E a cidade da Guarda vai ter uma «Cápsula do Tempo»? – A «Cápsula do Tempo» é o nome dado a um edifício que irá ser construído até 2011 na cidade da Guarda e onde serão guardados objectos do tempo presente. Só será aberta ao fim de 50 anos em 2061.
O projecto foi apresentado no dia 21 de Julho pelo presidente da Câmara da Guarda, Joaquim Valente, e pelo presidente do Clube Escape Livre, Luís Celínio, em representação das duas entidades promotoras.
A cápsula será projectada por um arquitecto de reconhecido mérito escolhido entre Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Manuel Salgado, Tomás Taveira, Siza Vieira e Souto Moura. O edifício será construído à superfície num local privilegiado da cidade (que será anunciado em Fevereiro do próximo ano) com uma área aproximada de 100 metros quadrados e deverá funcionar como atractivo turístico.
E o que significa «Guarda o Passado» e «Guarda o Futuro»? – A «Cápsula da Guarda» aposta em duas vertentes jogando com as palavras.
Uma denonima-se «Guarda o Passado» com a recolha e selecção de objectos e artefactos pelos dois promotores e entidades da região. Luís Celínio deu como exemplos «um automóvel, um televisor de plasma, um telemóvel, um DVD ou uma peça de roupa» acrescentando estar pronto para a discussão porque «poderá ser polémico escolher o que deve ser colocado dentro da cápsula e, por isso, será brevemente anunciado um endereço electrónico onde poderá ter lugar a troca de argumentos entre todos os interessados».
A outra vertente foi apelidada de «Guarda o futuro» e prevê a criação de uma fundação para a ciência, tecnologia, inovação, ambiente e cultura através de bolsas de investigação, edições científicas e conferências.
Os promotores do projecto defenderam que a «Cápsula do Tempo da Guarda» será «a âncora que permitirá impulsionar o turismo e fazer da Guarda uma cidade que, além de guardar o passado, pensa o futuro».
Para memória futura…
jcl
Nos finais da década de sessenta do século passado escrevi este pequeno conto que aqui reproduzo como uma singela homenagem aos milhares de sabugalenses que neste mês de Agosto à sua terra voltam.
10 contos (custara a arranjá-los carago!), 10 contos para ir prá França. Correra o Povo todo e só o Jaquim, o dos Brasis, lho emprestara mas, safado! (quem o tem…) a 6%. Mas agora (era à noite já), aí estava a preparar a trouxa para abalar. A mulher lá continuava, que raio, a chorar, a lamuriar que cá também se vivia, mas não, carago, um homem também tem ambições e aquilo não era vida. (o filho que a mulher trazia na barriga havia de ter vida melhor, assim Deus o ouvisse…); uma casinha com duas divisões (mais parecia casa de pobre; e o que era até ali?…) e uma vida negra a trabalhar para este e para aquele por tuta e meia. Ná… lá em França havia de ganhar muito mais, pois não via o Zé da Fonte que voltara de carro, boas fatiotas, notas das grandes, tudo à grande e à francesa?!
Pois ele, Manel da Luz, também havia de trazer de lá um desses carrões a botar cá figura a esses senhores que agora lhe cuspiam na cara. Depois é que ele se riria (sr. Manuel para cá, sr. Manuel para lá, haviam de ver).
Mas a mulher, agoirenta, lá continuava nas suas lamúrias e ele, môcha; deixa falar, já está, já está e lá é que se ganha. Ora um homem não há-de ficar sempre na mesma, progride (que ele lá pra conversas nunca fora, mas já na escola a sra Professora dizia que era dos mais inteligentes…), e se os outros burros tinham ido porqué qu’ele não havia d’ir. Estava decidido e ia mesmo.
Que a lavoura estava de todo. Tempos maus, chuvas, geadas, faltas de adubos (e o dinheiro pra eles?). E sem dinheiro como se come?
Ná, acabara. Daqui prá frente só França. Era o sonho dele, e tinha cá uma fezada (então não lhe parecera que a Sra da Graça o tinha abençoado na festa em que ele, em conversa com o Zé da Fonte, decidira ir?) O Zé prometia-lhe arranjar lá um emprego, para começar, e depois se veria. Como ele iam muitos e todos de lá voltavam cheios.
Que ele não era pra ficar; uma casa boa, umas propriedadezitas e ninguém mais o por lá via. Cá na terra é que estava bem, ao pé da mulher, dos filhos que haviam de vir, se Deus quisesse, da terra dos seus pais que Deus guardasse.
Pronto, não se falava mais, à noite era a abalada. Que Deus e a Sra da Graça o ajudassem…
p.s. Este conto foi publicado pela primeira vez no Suplemento Juvenil «Núcleo» do Jornal Correio da Beira em 17 de Junho de 1971.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
ramiro.matos@netcabo.pt

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