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Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Rendo (ACDRR) vai organizar o Duatlo BTT/Canoagem de Rendo, prova desportiva pela qual se promoverá a amizade e o convívio entre os amantes do desporto e da Natureza.
A prova ocorrerá no dia 27 de Julho, domingo, estando as inscrições já estão abertas. Segundo a Organização, todos poderão participar e usufruir de uma prática desportiva saudável, a disputar no seio das paisagens que envolvem a freguesia e a Barragem do Sabugal.
O ponto de encontro será na Casa do Povo de Rendo pelas 8:30 horas, de onde partirá a prova de Bicicleta de Todo o Terreno (BTT). O circuito dividir-se-á em dois percursos: um de intensidade física média, com 42 quilómetros, e outro de intensidade física fácil, com 21 quilómetros, ambos com algumas subidas, mas servido pelos melhores trilhos entre Rendo e as Teixedas, cheirando ainda a Reserva de Malcata.
Chegados à barragem do Sabugal os participantes terão novo desafio de seis quilómetros de canoagem, com o fornecimento de todo o equipamento necessário, além de monitores experientes.
Segundo a Organização «as inscrições serão limitadas até à data de 24 de Julho. O preço será de dez pedaladas para sócios e de quinze pedaladas para não sócios, com direito a reforço alimentar, almoço, duche para eles e para elas».
O Duatlo de Rendo, não se assume como competição, embora os participantes formem equipas de um, dois e três elementos. Será antes uma forma de convívio para todos os amantes do BTT, da Canoagem e da Natureza.
As inscrições devem ser efectuadas por telemóvel: 937799952 / 968118574 ou ainda pelo e-mail acdrrendo@sapo.pt.
plb
O crescimento capitalista selvagem e neoliberal fomenta um consumismo vazio, degrada a natureza, debilita a coesão social e corrói a personalidade – Clive Hamilton (sociólogo australiano).
Numa manhã tépida de Junho dei um dos meus habituais passeios pela cidade do Sabugal. Cada vez que o faço reparo na quantidade de lojas comerciais que abriram há relativamente pouco tempo, e na publicidade de outras que irão abrir brevemente. Sinal de progresso! Dizem logo os beatos do modernismo. Será?
Com razão ou sem ela vou dizer o seguinte: acredito que a principal razão seja a influência da ideologia dominante, que faz do cidadão um homem consumista. Portanto ir às compras tornou-se uma das suas ocupações predilectas. Compra o necessário e o supérfluo, compra o que lhe manda a publicidade que lhe diz o que é indispensável adquirir para estar na moda.
Ter ou ser? O cidadão de hoje escolhe o que lhe ordena a ideologia em voga – TER – não se apercebendo com isso que se está a alienar. Procura as coisas supérfluas, o que é próprio de uma época espiritualmente vazia. As pessoas que vão às compras pensam que os artigos que se vêem à venda são para a sua felicidade – excepto bens de primeira necessidade, como comer, vestir e habitar – mas não são, são para as grandes empresas acumularem mais capital num modo irracional e suicida de produção e consumo. Esta loucura do consumo e a procura desenfreada do lucro, obrigatoriamente tem que dar lugar a um modelo económico mais solidário, mais racional e menos egoísta, para bem de todos e da própria natureza.
Não me levem a mal se disser que gostava de ver na cidade só o necessário para vivermos dignamente.
O que escrevi soa a anacronismo para os pseudofilósofos da modernidade. Mas eu não suporto que as elites dominantes (os grandes oligarcas) e os seus servis corifeus (os políticos), juntamente com a comunicação social que eles controlam, degradem e alienem cada vez mais o ser humano, transformando-o em «homem consumidor».
É esta inversão da hierarquia de valores – tanto tens tanto vales – que faz com que o homem actual se sinta profundamente infeliz.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
Continuando a viajar pelas páginas do interessante «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, faremos agora referência à questão religiosa, na altura centrada na polémica reaparição do clero regular, após um período em que conventos e mosteiros haviam sido extintos.
No seu Manual Trindade Coelho fala-nos no colégio de Aldeia da Ponte, no concelho do Sabugal, a pretexto da questão religiosa. O dito colégio era na altura um dos que em Portugal, a coberto de se dedicar ao ensino e à beneficência, se mantinha em funções, com o beneplácito das autoridades.
Em 1834, pelo decreto de 28 de Maio, Joaquim António de Aguiar extinguira todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e demais casas religiosas de todas as ordens regulares. Joaquim António de Aguiar ficaria conhecido por «Mata-Frades», por ter sido autor de tão radical legislação, inspirada na luta contra o jesuitismo, que se temia estar de novo a instalar-se em Portugal.
Porém em 18 de Abril de 1901 saiu um decreto de Hintze Ribeiro, que veio estabelecer a forma como se podiam constituir congregações religiosas, conquanto se dedicassem exclusivamente à instrução ou beneficência. Na decorrência da nova disposição legal voltaram a surgir conventos e mosteiros, mas tudo a coberto de se tratarem de congregações «docentes», que apenas tinham em vista ensinar.
Dentre as associações religiosas que surgiram com o decreto, Trindade Coelho enumera no seu Manual Político a «Associação do Colégio de Aldeia da Ponte», instalada numa aldeia raiana do concelho do Sabugal. A pretexto do ensino, muitas instituições refundaram o espírito jesuíta e isso também se terá passado em Aldeia da Ponte. Trindade Coelho cita mesmo uma carta, datada de 19 de Março de 1906, de um cidadão da aldeia que denunciava a situação: «Igreja aberta continuamente. Fanatismo em redor e consideração cá em cima, do sr. Arcebispo. O resto V. prevê». Outra carta, datada de 25 de Março do mesmo ano, rezava: «O recolhimento de Aldeia da Ponte contava há dois anos 90 e tantos alunos. Há tempos, para iludir a lei, foi-lhe dado o carácter de oficina, fazendo-se aquisição de máquinas».
Nova carta, de 23 de Março: «No recolhimento não há, desde há muito, oficinas, aprendizes, nem ensino propriamente dito. Há meia dúzia de padres estrangeiros, salientando-se o seu fanatismo. Tendo-se coberto com o véu do ensino, este mesmo já o puseram de parte. O instituto ficou o que era: um centro de missionários jesuítas.
O jesuitismo tem hoje na Guarda um dos seus focos mais activos, sendo por ele combatido sem trégua o clero secular da diocese».
Para um melhor conhecimento do processo do antigo colégio de Aldeia da Ponte poderá consultar-se a série de artigos dedicados ao tema por Esteves Carreirinha na coluna «Ecos da Aldeia».
plb

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