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Depois de terminado o processo Reconhecimento Valorização e Certificado de Competências (RVCC), no âmbito do Programa Novas Oportunidades (PNO), chegou a hora da entrega dos diplomas de conclusão do 3.º Ciclo (9.º ano), cuja cerimónia de entrega decorreu na Sede da Junta de Freguesia de Rebolosa.

Foi no dia 26 de Junho, que os diplomas foram entregues, com a presença dos 13 formandos, da Coordenadora do CNO do Nerga, Dr.ª Cecília Amaro, restante equipa formativa e membros da Junta de Freguesia local.
O PNO é uma nova forma de aprender a aprender, de valorizar pessoal e socialmente uma população com baixo nível de escolarização e de qualificação profissional. É, acima de tudo, importante por dar a possibilidade à população de ver reconhecidas as competências adquiridas, ainda que informalmente, ao longo da vida, e constitui um mecanismo de reforço da auto-estima da população.
A aposta no reconhecimento dos saberes, das experiências de vida, no saber empírico, importante também para o desenvolvimento do saber científico, constitui a grande novidade deste Programa.
A população da Rebolosa ficou mais enriquecida, os trabalhadores sentem-se mais integrados e aprenderam a conhecer-se melhor a si próprios, num processo de RVCC que valorizou e respeitou o perfil individual dos formandos.
É de realçar que todo o processo se realizou na freguesia, evitando deslocações por parte dos formandos.
Parabéns a todos!
Manuel Barros
(Presidente da Junta de Freguesia da Rebolosa)

A propósito do lançamento do livro «Frias Madrugadas» da autora Amélia Rei, ocorrido no passado 22 de Junho, em Foios e ao qual o escritor Sérgio Paulo da Silva não pôde assistir, é com todo o orgulho e prazer que publicamos aqui o texto por ele enviado para a ocasião, cujo conteúdo, para além da riqueza de ideias e beleza literária, é digno de reflexão.

José Manuel CamposRetomo as palavras de Agustina Bessa Luís, sobre Camilo em Ceide, de que me servi no encontro de escritores celebrado este ano nos Fóios: «As pequenas terras assustam os homens pequenos; vêm nelas solidão e fastio, e, como intolerável perspectiva, a sua própria imagem desprovida do auxílio dos minutos e das horas. Dão ali de rosto com o tempo, e o tempo é dimensão exclusiva do que não se fragmenta.»…
Fóios é uma terra pequena como Ceide era então e qualquer outra o poderia ser para a dimensão de Camilo. Pela àrea, pelo número de habitantes se avaliam as terras. Mas algumas ganham outra dimensões se avaliadas pelos valores da ternura ou do sonho.
A inicial, a primeira, continuamente a primeira, uma só gota de àgua numa localidade pequena chamada Fóios liberta-se das entranhas rudes da terra e enceta a viagem, alcançando o Douro, o oceâno e alojar-se-à por fim na universalidade cósmica de qualquer nuvem. Se a fantasia for desmesurada de igual modo será desmesurada a dimensão humana de quantos a moldem. E para
esses nenhuma terra terá a asfixiante dimensão exígua das terras pequenas.
A mim estas terras pequenas da raia jamais me limitaram o ser. Pelo contrário, engrandeceram-me de valores e horizontes e, nos meus devaneios cinegéticos pela serra, deram-me um grande sentido de liberdade inicial.
Mas, simultâneamente, revelaram-me o peso dos vazios que a vida tece. Foi disso que falei aproveitando palavras do espanhol Mariano Aguayo e doutra coisa não trara a minha histórinha d’A Mula Encantada. Todos estes montes carecem da presença humana que lhes prolongue o ser.
A presença de crianças dá-me réstias de esperança e a chegada de forasteiros é-me sempre reconfortante. Não importa que sejam os que chegam a cavalo vindos de Valverde como os que vêm caçar ou descobrir o frémito das capeias. Estes montes estão ávidos de vozes, estes montes estão ávidos de passos e, por muito que haja rostos fechados, os horizontes abrem-se de encanto e de mistério como quem franqueia as portas da sua casa rasgando o coração.
E se me é reconfortante a chegada de forasteiros, confesso que o regresso dos filhos, mesmo que pródigos, são igualmente para mim de sentimentos de júbilo.
Conheci a Professora Amélia Rei numa noite (véspera de caça) em que jantava com um companheiro na Ramitos. Calhou da nossa mesa ficar ao lado duma mesa cheia de gente vinda de Espanha. Já lá estavam quando chegamos, falando muito entre si, cantando, contagiando com a sua alegria e assim acabaram por nos envolver. A Professora Amélia disse poesia: assim a conheci.
Alguns anos passaram já e ocasionalmente nos fomos encontrando, conversando a espaços. Para além da amizade que se cimentou, devo dizer que me tem entusiasmado o facto da pequenez da terra não ter sufocado a alma desta fojeira, de não ter anquilosado a poesia que dentro de si fermentou por
outras terras, outras ambiências. O desmesurado da sua alma agiganta-a também na mesma aldeia que lhe abriu o coração – como uma mãe faria a uma filha pródiga – e que a mim, mero passante, me perfilhou (suprema honra) pelo tempo em que a serra se doira no cantar dos cucos, no incubar das
perdizes e no dia-a-dia de quem a prolonga na eternidade.
No momento em que aos seus e ao mundo franqueia de novo a sua sensibilidade, saúdo-a como leitor e amigo desejando para a sua poesia o mesmo que se deseja a todas as águas iniciais.
Uma saudação muito amiga do Sérgio Paulo Silva.»

Ao escritor Sérgio Paulo da Silva o nosso bem-haja e é para nós também uma suprema honra tê-lo como filho desta terra.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

No próximo Domingo, 29 de Junho, o Arcebispo de Évora, D. José Sanches Alves, vai receber o pálio das mãos do Papa Bento XVI. Trata-se de insígnia litúrgica própria dos Arcebispos metropolitas.

D. José Alves, Bispo de Portalegre e Castelo BrancoPara além do arcebispo português, natural da Lageosa da Raia, concelho do Sabugal, estarão presentes no Vaticano outros arcebispos de todo o mundo para igualmente receberem a insígnia.
A imposição do Pálio terá lugar no altar da confissão da Basílica de São Pedro, sendo o mesmo uma faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda. Trata-se de uma insígnia litúrgica de «honra e jurisdição», que apenas pode ser envergada pelo próprio papa e pelos Arcebispos Metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica.
A lã do palio é de dois cordeiros brancos benzidos pelos Papas na memória litúrgica de Santa Inês, a 21 de Janeiro. Simboliza o Bom Pastor que leva nos ombros o cordeiro.
O arcebispo metropolita preside a uma província eclesiástica constituída por diversas dioceses.
plb

Continuamos deambulando pelo «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, altura em que o regime monárquico liberal dava os últimos suspiros, estando o Partido Republicano em plena ascensão. Nesta ocasião fazemos referência ao processo eleitoral então vigente.

Trindade CoelhoA capacidade eleitoral era restrita aos cidadãos portugueses maiores de 21 anos, domiciliados no território nacional, que cumprissem uma de duas condições: soubessem ler e escrever ou fossem colectados em verba não inferior a 500 réis. Em consequência da reforma eleitoral de 1901, de autoria de Hinze Ribeiro, a democracia havia mesmo regredido, pois até aí também eram eleitores os cidadãos que fossem chefes de família, embora não soubessem ler e escrever.
As eleições legislativas disputavam-se em círculos uninominais (em que se elegia apenas um deputado) e plurinominais (onde cada lista continha vários nomes e eram eleitos vários deputados). O escrutínio era secreto. Aberta a mesa de voto, era feita a primeira chamada dos eleitores, votando os que estavam presentes. Após a votação destes, seguia-se uma segunda chamada, designada «chamada geral», dos que não tivessem votado. Duas horas depois da «chamada geral» o presidente da mesa perguntava se havia mais alguém que pretendesse votar. Após a votação seguia-se o escrutínio dos votos, o qual não poderia prosseguir após o sol-posto.
Curioso era o modelo de requerimento de quem pretendia recensear-se por saber ler e escrever:
Ex.mo Senhor Secretário Recenseador: – F. filho de fulano e de fulana, natural de… de tantos anos de idade, estado, profissão, morador há mais de seis meses na rua de…, n.º…, andar, freguesia de…, desejando a sua inscrição no recenseamento por saber ler e escrever, como prova com esta petição feita e assinada pelo seu próprio punho: P. a v. ex.ª se digne mandá-lo inscrever na relação dos eleitores da sua freguesia. – E.R.M. – Data – Assinatura.
O requerimento tinha que ser escrito e assinado pelo requerente, ou na presença de tabelião, que o certificava. Outra forma era redigi-lo na frente do pároco, que o atestava sob juramento, sendo depois a identidade do requerente corroborada pelo regedor da paróquia. Ao requerimento deveria juntar-se certificado de idade, passado pelo pároco, e atestado de residência na freguesia há mais de seis meses, passado pelo regedor.
Trindade Coelho, homem de ampla visão, tece fortes críticas ao facto de não existir ainda o sufrágio universal. Afirma-se apoiante de uma reclamação do Partido Republicano, que exige uma mudança:
«Os abaixo assinados, membros de todas as classes sociais e representantes de todas as opiniões políticas, reclamam uma reforma eleitoral que, baseada no sufrágio universal, e consignado na autonomia política das cidades e a proporcionalidade de representação, permita a intervenção de todos os agrupamentos partidários na gerência dos negócios públicos».

Passado um século, podemos observar, quanto a monarquia constitucional estava longe de proporcionar ao país um sistema eleitoral democrático.
plb

A Capeia da Festa de São Pedro ainda tem uma vida curta, visto ter início apenas em 2004, quando os Mordomos deste ano, resolveram implementar esta jovem tradição, regressando à velhinha praça, no centro da povoação.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA antiga praça traz à memória inúmeras recordações de tempos que já lá vão, onde os Encerros e as Capeias eram dominados pelos touros do Natcho, vindos da Nave Atalaia, apresentando-se finos e corpulentos, de cornos bem afiados.
Pelo quarto ano consecutivo vai assistir-se, a mais uma largada pelas ruas da Aldeia, desembocando na velha praça, tapada com reboques de tractores, juntamente com umas tantas cancelas, que lá no alto da nova Praça de Touros, dão vida aos diversos Encerros, nas restantes Capeias do ano.
Encravada entre a de Junho e Agosto, organizadas estas, pelos Mordomos das Festas de Santo António, esta é uma realização especial, onde se revivem as emoções do passado, que não é assim tão distante como isso, atendendo a que a última de Agosto, ali realizada, foi há cerca de 29 anos.
O programa é semelhante aos dos últimos anos, contemplando, no Sábado, dia 28, para além da Capeia, com os touros do Ganadeiro Romeu, a tradicional merenda depois da Capeia, oferecida pelos Mordomos, seguindo-se o baile pela noite dentro, como de costume.
No Domingo, a festa culminará com a missa e procissão de São Pedro, como manda o figurino da tradição religiosa.
A, sensivelmente, um mês do início dos tradicionais festejos de Agosto, a Capeia de São Pedro, tal como outras, que se realizam ao longo do ano, vai trazer mais uma animação, lá para as nossas bandas arraianas.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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