A XXX Capeia Arraiana da Casa do Concelho do Sabugal foi um sucesso. O «novo» Campo Pequeno recebeu com esplendor cerca de 2500 aficionados que vibraram em Lisboa com a nossa tradição. O grande responsável por esta jornada de promoção do Sabugal foi José Eduardo Lucas, presidente da Direcção da «Casa». Vamos conhecer um pouco melhor este raiano genuíno.
A conversa com José Eduardo Lucas decorreu numa esplanada tendo como pano de fundo a Praça de Touros do Campo Pequeno após mais uma reunião com a administração responsável pelo moderno espaço taurino e de espectáculos.
– Quem é José Eduardo Lucas?
– Sou natural de Aldeia do Bispo, concelho do Sabugal. Nasci em 1944 no dia 13 de Maio. Os meus pais, Lucinda e José Lucas, tiveram mais um filho, o meu irmão Florentino. Andei até à 3.ª classe em Vale de Espinho e fiz o exame da quarta em Aldeia do Bispo. Foi, depois, estudar para o Sabugal. Tirei o antigo quinto ano como interno no Colégio de Tondela. – Porquê? Porque o meu pai era muito amigo do director. – Desse tempo recordo a grande aventura de ter ido de abalada até Paris, sózinho, com apenas 16 anos.
A tropa, com a especialidade de atirador, foi cumprida em Lisboa, Tavira, Guarda e em Angola nas cidades de Luanda, Nova Lisboa, e Dembos. Regressou a Lisboa, terminou o curso comercial e ingressou no Banco Pinto e Sotto Maior. Reformou-se cedo e tornou-se consultor financeiro numa empresa de material de guerra que fechou arrastada pelo queda do muro de Berlim. Actualmente é um empresário com interesses em áreas tão díspares como gasolineiras, energias eólicas, agências de viagens e empresas marítimas sedeadas no Porto de Lisboa.
Quisemos saber qual era a sua relação com a Casa do Concelho do Sabugal. «Sou sócio da Casa desde sempre. Apercebi-me das dificuldades na sua gestão durante o ano passado e decidi candidatar-me formando uma lista com o apoio de vários amigos», recorda demonstrando a quem o escuta grande firmeza nas decisões.
«Depois de termos tomado posse em Janeiro deste ano verificámos que as finanças da Casa estavam num estado crítico. Havia dívidas que não estavam relatadas no relatório aprovado em Assembleia Geral pela anterior Direcção. Mas não desistimos. A minha experiência bancária permitiu-me contactar as entidades credoras, Estado e particulares, e negociar prazos para pagamento das dívidas. É com satisfação que já posso afirmar que temos tudo controlado e em fase de resolução. A actividade gastronómica tem cada dia mais adesão e os sócios sentem o empenhamento da minha Direcção», esclarece num tom onde se confunde o bancário e o empresário.
– E quando é que surge a hipótese da Capeia Arraiana no Campo Pequeno?
– No início de Abril, os problemas da «Casa» estavam controlados e achei que deviamos retomar a nossa tradição no novo Campo Pequeno. As primeiras reacções ao meu querer foram unânimes – Impossível – mas… alcançámos o impossível e a praça de touros nunca tinha atraído tantos raianos como em 2008. Num espaço de um mês superámos muitas dificuldades inesperadas e conseguimos autorização para que a corrida se realizasse. A entidade nacional que autoriza as festas taurinas no Campo Pequeno solicitou um documento detalhado a explicar como funcionava uma capeia. Esta nova administração do Campo Pequeno nunca tinha ouvido falar num forcão e quando chegou o dia da corrida estavam assustados porque praticamente não tinham vendido ingressos na bilheteira. Já tinhamos avançado com um cheque de 50 por cento e na manhã do próprio dia 31 de Maio, contrariando o acordo firmado, solicitaram a entrega antecipada do cheque que liquidava a totalidade do valor acordado. O afluxo de raianos superou todas as expectativas. Em duas horas (entre as 15 e as 17 horas) foram vendidos na bilheteira 1197 bilhetes tendo os funcionários comentado que não estavam habituados a um movimento tão intenso. No final foram contabilizados cerca de 2500 espectadores.
Os cinco imponentes touros (um grande olé para o último a entrar na praça) e uma bezerra (de fraca figura) vieram da ganadaria de José Dias em Benavente, Santo Estêvão. «Era um gado forte e fino. O povo raiano do forcão portou-se com valentia e determinação. O espectáculo foi abrilhantado com a charanga La Mosca de Ciudad Rodrigo, o salero do casal sevilhano e com a arte e mestria do cavaleiro soitense José Manuel muito aplaudido pela assistência», fez questão de realçar o presidente da «Casa».
– Como conseguiram autorização para o convívio no espaço desportivo?
– Tivemos, atempadamente, negociações com a direcção do Clube Operário que foram, desde o primeiro contacto, de uma simpatia extrema. Negociámos um valor aceitável e o espaço pôde ser utilizado por centenas de sabugalenses antes e depois da tourada. Foi um convívio inesquecível.
– E para o ano há mais?
– A corrida foi um sucesso e as bilheteiras satisfatórias. Agradeço à Câmara Municipal do Sabugal, às Juntas de Freguesia e empresas que nos apoiaram e a todos os que marcaram presença na capeia. Soubemos depois que pela primeira vez numa tourada a cerveja esgotou nos bares concessionados dentro da praça. Infelizmente a Casa não teve autorização para gerir nenhum. O balanço final é muito positivo e vamos arranjar soluções para melhorar alguns pormenores. Já estamos a trabalhar na edição de 2009 e muito em breve vamos ser recebidos pela administração do Campo Pequeno para discutirmos a organização da capeia do próximo ano.
A terminar quisemos saber quais os projectos em que está empenhada a Direcção da Casa do Concelho do Sabugal…
– Queremos que o futuro da embaixada do concelho do Sabugal em Lisboa seja risonho e que continue activa como até aqui. Não sou de desistir e sinto o apoio da minha Direcção, dos associados e da Câmara Municipal do Sabugal. Assinámos um protocolo com a autarquia e a cooperativa para a promoção e venda dos produtos raianos em Lisboa. Estamos muito empenhados em nos associarmos à Pró-Raia porque lhe reconhecemos capacidade e iniciativa interventiva. A «Casa» está disposta a apoiar todas as actividades das associações do concelho e em especial da ADES. Apelo às Juntas de Freguesia que ainda não são sócias que reconheçam o nosso esforço em prol das nossas gentes em Lisboa e que nos apoiem associando-se. Como presidente da Direcção da Casa do Concelho do Sabugal reafirmo a minha disponibilidade para lutar pelos interesses das gentes de Ribacôa.
Sentimos que a «Casa» está em boas mãos. José Eduardo Lucas é um bom conversador, com opinião crítica e vocação natural para a gestão empresarial. Enfim… com muito «jeito para o negócio».
jcl

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Terça-feira, 13 Janeiro, 2009 às 3:27 pm
Maria de Fátima
Estou feliz em conhecer um pouco sobre o local onde meus bisavós viveram e onde minha avó NATIVIDADE LUCAS – filha de Eugênio Lucas e Izabel Blanco , pesquizando li a matéria e em um local não pequeno é possível que o Sr. José seje parente, fico feliz com a possibilidade de fazer contato. abraços.