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O Grupo Territorial da GNR da Guarda identificou na semana passada um suspeito de prática de roubo de viaturas através do método de carjacking, para além de proceder a 11 detenções pela prática de outros crimes.

Guarda Nacional RepublicanaO suspeito de carjacking, tem 27 anos de idade e é residente em Paranhos da Beira, concelho de Seia. O carjacking é uma prática criminosa que consiste no roubo de carros abordando o seu condutor com a ameaça de armas de fogo ou armas brancas. Trata-se de um crime onde se recorre muitas vezes à violência, o qual acontece sobretudo nas grandes cidades e seus arredores, sendo muito pouco comum no interior do país.
No total a GNR da Guarda registou 60 ocorrências criminais, no período de 23 a 29 de Junho. Dessas destacam-se quatro crimes de ofensas à integridade física, cinco de dano, um de furto de veiculo, um de roubo de viatura, dois de furto em residências, um de captura de espécies não cinegéticas, quatro de condução sem habilitação legal, quatro de condução sob influencia do álcool e sete de violência doméstica.
Durante a mesma semana efectuaram-se 11 detenções sendo quatro por condução sob efeito do álcool, quatro por condução sem habilitação legal, duas por captura de espécies não cinegéticas e uma por furto de veículo.
Para além da situação de carjacking a GNR destaca em comunicado a situação da detenção em Fornos de Algodres de um indivíduo por furto de veículo e a recuperação de 15 painéis fotovoltaicos, no valor de oito mil euros, pertencentes à Câmara Municipal de Gouveia e que haviam sido furtados em quintas isoladas.
Registaram-se 26 acidentes de viação, 13 dos quais em resultado de colisões, 11 por despistes e dois por atropelamento. Dos mesmos resultaram um morto e 12 feridos ligeiros. A velocidade excessiva é apontada como a principal causa da sinistralidade rodoviária verificada.
plb

António Dionísio, o anunciado candidato do Partido Socialista (PS) a presidente da Câmara Municipal do Sabugal nas próximas eleições autárquicas, esteve presente na sardinhada anual da secção local do partido, onde exortou os militantes e simpatizantes do PS a mobilizarem-se no apoio à candidatura.

Mais de duas centenas de militantes e apoiantes do PS juntaram-se na tarde de ontem, dia 29 de Junho, na praia fluvial do Sabugal, no convívio que anualmente a estrutura local do partido organiza.
A novidade deste ano foi a presença de António Dionísio, escolhido do partido para encabeçar a lista de candidatos à câmara municipal nas eleições autárquicas do próximo ano. O candidato indigitado conviveu e falou com os presentes, vindos de várias freguesias do concelho, e, no final do convívio, dirigiu-se a todos exortando-os a unirem-se em torno da candidatura que o PS irá apresentar. Afirmou-se disponível para o desafio que lhe foi proposto pela concelhia socialista, e prontificou-se a lutar por uma alternativa que traga uma nova dinâmica á câmara municipal.
Manuel Barros, presidente da secção concelhia do PS falou para agradecer as presenças e justificar a escolha do partido, considerando António Dionísio um candidato que todos estimam e que tem condições para levar de vencida as próximas eleições. O deputado Fernando Cabral, presidente da federação da Guarda do PS também marcou presença na sardinhada, acompanhado da deputada, também eleita pela Guarda, Rita Miguel.
Não se confirmou a alegada presença do representante do PS nacional, tendo Manuel Barros esclarecido que houve uma alteração ao que estava previsto. Segundo o responsável local do PS, a direcção do partido irá enviar ao Sabugal uma figura nacional, quando se realizar a apresentação formal de António Dionísio enquanto candidato, o que deverá suceder no final do Verão.
plb

A cidade do Sabugal vai ter, pela mão da Junta de Freguesia, um novo equipamento social, o qual permitirá o desenvolvimento ao ar livre de vários desportos.

Planta do Parque Desportivo do SabugalO projecto do Parque Desportivo do Sabugal, elaborado pela Junta de Freguesia local, foi aprovado na reunião do executivo municipal realizada no dia 23 de Junho. O parque ficará situado na Rua Jeremias Amaral Dias, defronte do Centro de Saúde, num terreno ainda sem qualquer construção.
O espaço terá um campo de jogos ao ar livre, preparado para receber diversas modalidades desportivas, complementado com balneários e outras estruturas de apoio. Em redor haverá abundância de árvores e um espaço ajardinado, onde será instalado um parque infantil e um parque de merendas. Haverá ainda um lugar apropriado para a prática de jogos tradicionais.
A obra, a construir pela Junta de Freguesia do Sabugal, está orçada em cerca de 200 mil euros. Está prevista a apresentação de candidatura aos fundos comunitários para financiamento da construção.
Capeia Arraiana contactou o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Rasteiro, que nos afirmou que a obra é importante para a cidade, que há muito tempo tem carência neste tipo de equipamento social. «Esperamos obter fundos comunitários para a construção, a que se juntará o dinheiro que conseguirmos apurar no quadro da nossa receita de capital», disse-nos o autarca, que espera iniciar os trabalhos a breve trecho.
plb

Segunda-feira é dia de publicar a «Imagem da Semana». Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data: Junho de 2008.

Local: Soito (Sabugal).

Legenda: Cerimónia de comemoração do 27.º Aniversário dos Bombeiros Voluntários do Soito.

Autoria: Josué Rito Dias.
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O ano de 1906 foi o primeiro da existência de um dos mais significativos emblemas da história do futebol em Portugal, o Sporting Clube de Portugal. Representando a essência da própria origem do futebol no país, o Sporting Club de Portugal nasceu em «berço de ouro», no seio da aristocracia lisboeta do inicio do século.

José GuilhermeOs primeiros estatutos do clube não esquecem a referência a uma agremiação formada por pessoas da boa sociedade e dão a prioridade ao ténis como desporto a ser praticado no clube. Um dos traços identitários do Sporting ficava desde logo esboçado, embora muitas coisas viessem a mudar, principalmente a partir dos anos 40, graças a muitas e gloriosas vitórias e exibições dos célebres «Cinco Violinos», que tornaram o Sporting extremamente popular um pouco por todo o país e em todas as camadas sociais. Nos primórdios do clube, a situação social e financeira privilegiada dos seus mentores e sócios, principalmente de José Roquette e do seu tio, o Visconde de Alvalade, ajudou a reunir condições físicas e humanas para a prática do futebol, algo sem paralelo nos outros clubes da altura. A equipa do Sporting dispunha de um dos melhores recintos da época e contava com exímios jogadores vindos do Sport Lisboa (formação que esteve na origem do SL Benfica), que não tinha onde treinar. Esta solução encontrada pelos «leões» para juntarem uma boa formação, acabaria por dar origem aos primeiros passos de uma rivalidade quase centenária, entre o Sporting e o BenfIca, e que ocupa lugar destacado na história do desporto português.

O ciclo dourado dos «famosos cinco»
O Sporting começou a criar fama de equipa «grande» na disputa do Campeonato de Lisboa, prova em que exerceu um domínio quase avassalador, entre 1922 e 1947, vencendo 16 em 25 títulos possíveis, sendo que 6 deles, foram consecutivos (entre 1934 e 1939). Esta hegemonia futebolística dos «leões» em Lisboa alargou-se ao plano nacional durante toda a década de 40 e 50. Entre 1947 e 1954, o Sporting conquistou sete campeonatos nacionais em oito possíveis, alcançando ainda o primeiro «tetra» da história, entre 1951 e 1954. Eram os tempos dos inesquecíveis «Cinco Violinos», provavelmente a maior referência da identidade sportinguista até aos nossos dias. Pena foi que nesta altura ainda não existissem as competições europeias, pois se tal acontecesse com certeza que Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano (acompanhados por outros excelentes praticantes) teriam brilhado e deslumbrado por essa Europa fora. Curiosamente, o Sporting ficaria ligado ao nascimento dessas mesmas competições europeias. Quando em 1956, na primeira edição da Taça dos Campeões, Martins foi o marcador do primeiro golo da competição, no jogo inaugural da prova, que opôs Sporting e Partizan Belgrado, no Estádio Nacional. Nesta altura, o Sporting era a equipa portuguesa com mais prestígio a nível internacional, não sendo de estranhar por isso o convite para o clube «leonino» participar na primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, quando quem tinha vencido o Campeonato Nacional (1954/55) fora o Benfica. Alguns anos antes, em 1949, o Sporting tinha ido à final da Taça latina, perdendo com o Barcelona por um escasso 2-1.

Uma identidade cada vez mais nacional
Como seria de esperar, o sucesso e a fama do Sporting dos «Cinco Violinos», que dominou o futebol em Portugal durante tantos anos, acabaria por redundar num processo de popularização do clube, tanto no sentido do aumento do número de adeptos em todo o país, como no sentido da expansão social do próprio clube, que progressivamente foi chegando a outras camadas sociais. Um bom indicador deste processo de difusão social foi o facto de apenas na década de 50 deixar de ser obrigatória a exposição pública da proposta de sócio durante uma semana, na sede do clube, para assim ser possivel contestar a idoneidade ou a irrepreensibilidade da conduta do candidate a sócio «leonino». Assim, ser sócio do Sporting era sinónimo de respeitabilidade e honorabilidade.
(Continua na próxima semana.)
Extracto de «A Paixão do Povo – História do Futebol em Portugal», de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro (2002).

«Futebol – A Paixão do Povo», opinião de José Guilherme

joseguilherme.r@gmail.com

Para quebrar o enguiço do pessimismo, achei por bem recorrer à inventiva alheia, transcrevendo um documento que, nos jornais do princípio do século passado, apareceu muitas vezes nas páginas de «Curiosidades» dos jornais.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalDocumento esse que, segundo alguns, estaria na Torre do Tombo. De facto foi ele achado no arquivo da Confraria do Senhor Bom Jesus do Monte, em Braga, com data de 1882. É a factura, ou orçamento, de várias reparações feitas por um santeiro local. Trata-se de uma factura muito objectivamente descritiva, e sem lugar a dúvidas, mas o modo de dizer acaba por ter graça:
«– Por corrigir os dez mandamentos, embelezar Pôncio Pilatos e mudar-lhe as fitas… 1$70.
– Um rabo novo para o galo de S. Pedro e pintar-lhe a crista… $80.
– Dourar e pôr penas novas na asa esquerda do anjo da guarda… $23.
– Lavar o criado do Sumo Sacerdote e pintar-lhe as suíças… 1$00.
– Tirar as nódoas ao filho de Tobias… $20.
– Uns brincos novos para a mulher de Abraão… $98.
– Avivar as chamas do inferno, pôr rabo novo ao diabo e fazer vários consertos nos condenados… 2$40.
– Renovar o céu, arranjar as estrelas e pintar a luz… 1$40.
– Retocar o purgatório e pôr-lhe almas novas… 1$78.
– Compôr os fatos e a cabeleira de Herodes… 1$00.
– Meter uma pedra nova, da funda de David, engrossar a cabeça de Golias e alargar as pernas de Saul… 1$20.
– Adornar a arca de Noé, compôr a túnica do filho pródigo e limpar-lhe a orelha esquerda… $80.
– Soma… 14$0.»

Pela cópia.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

A Lactibar é uma empresa sabugalense na área dos lacticínios, que utiliza matéria-prima de qualidade do concelho e da região para produzir bons queijos apreciados em todo o país e com forte implementação no mercado espanhol e francês.

José Robalo – «Páginas Interiores»O Sr. Luís Barreiros é uma pessoa de uma afabilidade fora do comum, que me recebe no seu gabinete de trabalho com cordialidade, numa conversa que entusiasma. Natural de Lisboa, é sabugalense por adopção e o cérebro de uma das empresas com maior enraizamento no concelho e isto desde 28 de Março de 1980, ano da sua criação. Ao longo do tempo tem mantido em média cerca de 70 postos de trabalho directos. O meu interlocutor, é o presidente do conselho de administração da Lactibar SA, sedeada em Rendo.
Por razões de saúde, tem feito dieta e quando lhe pergunto como o consegue e qual a receita, diz-me em tom prazenteiro que deixou de comer pão. Respondo-lhe que se não comer pão não consigo comer queijo de que sou fiel apreciador e que gosto de acompanhar com um bom tinto. «Está enganado, coma queijo sem pão, porque o queijo não engorda», garante-me!
A Lactibar é uma empresa na área dos lacticínios, que utiliza matéria-prima de qualidade do concelho e da região para produzir bons queijos apreciados em todo o país e com forte implementação no mercado espanhol e francês. Ao garantir a recolha da produção de leite no concelho, permite aos nossos agricultores mais um suplemento financeiro, para a sua vida já muito difícil.
Na conversa que mantemos com o Sr. Luís Barreiros, ressalta a ideia de que existe uma consciência ecológica crescente, por parte da empresa preservando o meio ambiente e desenvolvendo a região onde está inserida, com investimentos sucessivos em infra-estruturas, que permitem interagir com a natureza sem a danificar.
As sinergias são assim evidentes, uma vez que esta empresa criou postos de trabalho na região, distribuindo riqueza, ao mesmo tempo que utiliza uma matéria-prima local – o leite – com muita qualidade, o que resulta num produto final de sabor requintado.
LactibarO responsável técnico da empresa o Engenheiro José Carlos Aposta, natural dos Forcalhos, lamenta o facto de terem que sair fora do concelho para a recolha de leite, uma vez que os produtores do concelho vão escasseando. Por outro lado garante que com a construção de uma ETAR, para os tratamentos dos efluentes, não existem riscos ambientais, ao mesmo tempo que os soros são vendidos no mercado espanhol.
Garante-me o amigo José Carlos que a empresa passou por alguns problemas que hoje estão superados, existindo até algum optimismo.
São estas pequenas empresas que garantem a produção de mais-valias para o concelho, com responsabilidade na fixação de pessoas, que deverão ser apoiadas e acarinhadas pelos poderes públicos. A Lactibar é responsável directa pela sobrevivência de 70 famílias no concelho, para além dos 260 produtores de leite, que indirectamente beneficiam da existência da empresa, com o escoamento do produto.
Despeço-me do Sr. Luís que em jeito de advertência me garante: «Não se esqueça de comer queijo, sem pão, para cuidar de si.»
A forma mais eficaz de garantirmos estes postos de trabalho, passa pelo consumo destes produtos de qualidade, que passam pelas marcas «Torre», «Cinco Quinas», «Terras da Raia» e «Flor da Malcata». Neste momento a empresa tem em rampa de lançamento e processo de cura, dois novos produtos – «Quinta da Cabreira» e «Quinta dos Prados» –, sendo que o primeiro é à base de leite cru de cabra e o segundo com mistura de leite cru de ovelha e cabra.

:: :: PARA LER :: ::
«O Processo de Franz Kafka», Publicações Europa-América.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«Live in Munich», 1994, Gonzalo Rubalcaba.
«Para todo o mal», Mesa, Sony – BMG.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

Depois de terminado o processo Reconhecimento Valorização e Certificado de Competências (RVCC), no âmbito do Programa Novas Oportunidades (PNO), chegou a hora da entrega dos diplomas de conclusão do 3.º Ciclo (9.º ano), cuja cerimónia de entrega decorreu na Sede da Junta de Freguesia de Rebolosa.

Foi no dia 26 de Junho, que os diplomas foram entregues, com a presença dos 13 formandos, da Coordenadora do CNO do Nerga, Dr.ª Cecília Amaro, restante equipa formativa e membros da Junta de Freguesia local.
O PNO é uma nova forma de aprender a aprender, de valorizar pessoal e socialmente uma população com baixo nível de escolarização e de qualificação profissional. É, acima de tudo, importante por dar a possibilidade à população de ver reconhecidas as competências adquiridas, ainda que informalmente, ao longo da vida, e constitui um mecanismo de reforço da auto-estima da população.
A aposta no reconhecimento dos saberes, das experiências de vida, no saber empírico, importante também para o desenvolvimento do saber científico, constitui a grande novidade deste Programa.
A população da Rebolosa ficou mais enriquecida, os trabalhadores sentem-se mais integrados e aprenderam a conhecer-se melhor a si próprios, num processo de RVCC que valorizou e respeitou o perfil individual dos formandos.
É de realçar que todo o processo se realizou na freguesia, evitando deslocações por parte dos formandos.
Parabéns a todos!
Manuel Barros
(Presidente da Junta de Freguesia da Rebolosa)

A propósito do lançamento do livro «Frias Madrugadas» da autora Amélia Rei, ocorrido no passado 22 de Junho, em Foios e ao qual o escritor Sérgio Paulo da Silva não pôde assistir, é com todo o orgulho e prazer que publicamos aqui o texto por ele enviado para a ocasião, cujo conteúdo, para além da riqueza de ideias e beleza literária, é digno de reflexão.

José Manuel CamposRetomo as palavras de Agustina Bessa Luís, sobre Camilo em Ceide, de que me servi no encontro de escritores celebrado este ano nos Fóios: «As pequenas terras assustam os homens pequenos; vêm nelas solidão e fastio, e, como intolerável perspectiva, a sua própria imagem desprovida do auxílio dos minutos e das horas. Dão ali de rosto com o tempo, e o tempo é dimensão exclusiva do que não se fragmenta.»…
Fóios é uma terra pequena como Ceide era então e qualquer outra o poderia ser para a dimensão de Camilo. Pela àrea, pelo número de habitantes se avaliam as terras. Mas algumas ganham outra dimensões se avaliadas pelos valores da ternura ou do sonho.
A inicial, a primeira, continuamente a primeira, uma só gota de àgua numa localidade pequena chamada Fóios liberta-se das entranhas rudes da terra e enceta a viagem, alcançando o Douro, o oceâno e alojar-se-à por fim na universalidade cósmica de qualquer nuvem. Se a fantasia for desmesurada de igual modo será desmesurada a dimensão humana de quantos a moldem. E para
esses nenhuma terra terá a asfixiante dimensão exígua das terras pequenas.
A mim estas terras pequenas da raia jamais me limitaram o ser. Pelo contrário, engrandeceram-me de valores e horizontes e, nos meus devaneios cinegéticos pela serra, deram-me um grande sentido de liberdade inicial.
Mas, simultâneamente, revelaram-me o peso dos vazios que a vida tece. Foi disso que falei aproveitando palavras do espanhol Mariano Aguayo e doutra coisa não trara a minha histórinha d’A Mula Encantada. Todos estes montes carecem da presença humana que lhes prolongue o ser.
A presença de crianças dá-me réstias de esperança e a chegada de forasteiros é-me sempre reconfortante. Não importa que sejam os que chegam a cavalo vindos de Valverde como os que vêm caçar ou descobrir o frémito das capeias. Estes montes estão ávidos de vozes, estes montes estão ávidos de passos e, por muito que haja rostos fechados, os horizontes abrem-se de encanto e de mistério como quem franqueia as portas da sua casa rasgando o coração.
E se me é reconfortante a chegada de forasteiros, confesso que o regresso dos filhos, mesmo que pródigos, são igualmente para mim de sentimentos de júbilo.
Conheci a Professora Amélia Rei numa noite (véspera de caça) em que jantava com um companheiro na Ramitos. Calhou da nossa mesa ficar ao lado duma mesa cheia de gente vinda de Espanha. Já lá estavam quando chegamos, falando muito entre si, cantando, contagiando com a sua alegria e assim acabaram por nos envolver. A Professora Amélia disse poesia: assim a conheci.
Alguns anos passaram já e ocasionalmente nos fomos encontrando, conversando a espaços. Para além da amizade que se cimentou, devo dizer que me tem entusiasmado o facto da pequenez da terra não ter sufocado a alma desta fojeira, de não ter anquilosado a poesia que dentro de si fermentou por
outras terras, outras ambiências. O desmesurado da sua alma agiganta-a também na mesma aldeia que lhe abriu o coração – como uma mãe faria a uma filha pródiga – e que a mim, mero passante, me perfilhou (suprema honra) pelo tempo em que a serra se doira no cantar dos cucos, no incubar das
perdizes e no dia-a-dia de quem a prolonga na eternidade.
No momento em que aos seus e ao mundo franqueia de novo a sua sensibilidade, saúdo-a como leitor e amigo desejando para a sua poesia o mesmo que se deseja a todas as águas iniciais.
Uma saudação muito amiga do Sérgio Paulo Silva.»

Ao escritor Sérgio Paulo da Silva o nosso bem-haja e é para nós também uma suprema honra tê-lo como filho desta terra.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

No próximo Domingo, 29 de Junho, o Arcebispo de Évora, D. José Sanches Alves, vai receber o pálio das mãos do Papa Bento XVI. Trata-se de insígnia litúrgica própria dos Arcebispos metropolitas.

D. José Alves, Bispo de Portalegre e Castelo BrancoPara além do arcebispo português, natural da Lageosa da Raia, concelho do Sabugal, estarão presentes no Vaticano outros arcebispos de todo o mundo para igualmente receberem a insígnia.
A imposição do Pálio terá lugar no altar da confissão da Basílica de São Pedro, sendo o mesmo uma faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda. Trata-se de uma insígnia litúrgica de «honra e jurisdição», que apenas pode ser envergada pelo próprio papa e pelos Arcebispos Metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica.
A lã do palio é de dois cordeiros brancos benzidos pelos Papas na memória litúrgica de Santa Inês, a 21 de Janeiro. Simboliza o Bom Pastor que leva nos ombros o cordeiro.
O arcebispo metropolita preside a uma província eclesiástica constituída por diversas dioceses.
plb

Continuamos deambulando pelo «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, altura em que o regime monárquico liberal dava os últimos suspiros, estando o Partido Republicano em plena ascensão. Nesta ocasião fazemos referência ao processo eleitoral então vigente.

Trindade CoelhoA capacidade eleitoral era restrita aos cidadãos portugueses maiores de 21 anos, domiciliados no território nacional, que cumprissem uma de duas condições: soubessem ler e escrever ou fossem colectados em verba não inferior a 500 réis. Em consequência da reforma eleitoral de 1901, de autoria de Hinze Ribeiro, a democracia havia mesmo regredido, pois até aí também eram eleitores os cidadãos que fossem chefes de família, embora não soubessem ler e escrever.
As eleições legislativas disputavam-se em círculos uninominais (em que se elegia apenas um deputado) e plurinominais (onde cada lista continha vários nomes e eram eleitos vários deputados). O escrutínio era secreto. Aberta a mesa de voto, era feita a primeira chamada dos eleitores, votando os que estavam presentes. Após a votação destes, seguia-se uma segunda chamada, designada «chamada geral», dos que não tivessem votado. Duas horas depois da «chamada geral» o presidente da mesa perguntava se havia mais alguém que pretendesse votar. Após a votação seguia-se o escrutínio dos votos, o qual não poderia prosseguir após o sol-posto.
Curioso era o modelo de requerimento de quem pretendia recensear-se por saber ler e escrever:
Ex.mo Senhor Secretário Recenseador: – F. filho de fulano e de fulana, natural de… de tantos anos de idade, estado, profissão, morador há mais de seis meses na rua de…, n.º…, andar, freguesia de…, desejando a sua inscrição no recenseamento por saber ler e escrever, como prova com esta petição feita e assinada pelo seu próprio punho: P. a v. ex.ª se digne mandá-lo inscrever na relação dos eleitores da sua freguesia. – E.R.M. – Data – Assinatura.
O requerimento tinha que ser escrito e assinado pelo requerente, ou na presença de tabelião, que o certificava. Outra forma era redigi-lo na frente do pároco, que o atestava sob juramento, sendo depois a identidade do requerente corroborada pelo regedor da paróquia. Ao requerimento deveria juntar-se certificado de idade, passado pelo pároco, e atestado de residência na freguesia há mais de seis meses, passado pelo regedor.
Trindade Coelho, homem de ampla visão, tece fortes críticas ao facto de não existir ainda o sufrágio universal. Afirma-se apoiante de uma reclamação do Partido Republicano, que exige uma mudança:
«Os abaixo assinados, membros de todas as classes sociais e representantes de todas as opiniões políticas, reclamam uma reforma eleitoral que, baseada no sufrágio universal, e consignado na autonomia política das cidades e a proporcionalidade de representação, permita a intervenção de todos os agrupamentos partidários na gerência dos negócios públicos».

Passado um século, podemos observar, quanto a monarquia constitucional estava longe de proporcionar ao país um sistema eleitoral democrático.
plb

A Capeia da Festa de São Pedro ainda tem uma vida curta, visto ter início apenas em 2004, quando os Mordomos deste ano, resolveram implementar esta jovem tradição, regressando à velhinha praça, no centro da povoação.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA antiga praça traz à memória inúmeras recordações de tempos que já lá vão, onde os Encerros e as Capeias eram dominados pelos touros do Natcho, vindos da Nave Atalaia, apresentando-se finos e corpulentos, de cornos bem afiados.
Pelo quarto ano consecutivo vai assistir-se, a mais uma largada pelas ruas da Aldeia, desembocando na velha praça, tapada com reboques de tractores, juntamente com umas tantas cancelas, que lá no alto da nova Praça de Touros, dão vida aos diversos Encerros, nas restantes Capeias do ano.
Encravada entre a de Junho e Agosto, organizadas estas, pelos Mordomos das Festas de Santo António, esta é uma realização especial, onde se revivem as emoções do passado, que não é assim tão distante como isso, atendendo a que a última de Agosto, ali realizada, foi há cerca de 29 anos.
O programa é semelhante aos dos últimos anos, contemplando, no Sábado, dia 28, para além da Capeia, com os touros do Ganadeiro Romeu, a tradicional merenda depois da Capeia, oferecida pelos Mordomos, seguindo-se o baile pela noite dentro, como de costume.
No Domingo, a festa culminará com a missa e procissão de São Pedro, como manda o figurino da tradição religiosa.
A, sensivelmente, um mês do início dos tradicionais festejos de Agosto, a Capeia de São Pedro, tal como outras, que se realizam ao longo do ano, vai trazer mais uma animação, lá para as nossas bandas arraianas.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

O ano lectivo chegou ao fim para os alunos do Grupo dos Cavaquinhos da Universidade Sénior das Furnas de São Domingos de Benfica. O almoço-convívio decorreu no dia 24 de Junho, terça-feira de São João, na Casa do Concelho do Sabugal.

Grupo do Cavaquinho na Casa do Concelho do SabugalFoi uma tarde de animação na Casa do Concelho do Sabugal. «Os jovens alunos com mais de 55 anos» da Universidade Sénior das Furnas de São Domingos de Benfica reuniram numa das salas em alegre e irreverente convívio de final de ano lectivo. Mas não era um grupo qualquer. As senhoras e senhores alunos presentes escolheram no curso uma cadeira muito especial: aprender a tocar cavaquinho. E foi munidos do respectivo instrumento que se apresentaram para desejarem boas férias uns aos outros.
«Todos os anos fazemos um almoço de despedida no final do ano lectivo. Convidamos os professores mas não os deixamos pagar para que não nos chumbem», diz-nos com ar divertido a soitense Maria Helena Vaz, responsável por trazer o grupo até à «Casa».
Os sócios que habitualmente frequentam a «Casa» durante as refeições já tinham notado um movimento especial. Com um desembaraço próprio de «alunas universitárias» as senhoras fizeram questão de ajudar o Adelino a servir à mesa e iam buscar à cozinha o que fazia falta. Até pareciam que estavam em casa.
«Seleccionam as cadeiras que pretendem frequentar e podem escolher entre História, Francês, Inglês, Alemão, Sociologia, Direito, Artes e no caso desta turma o… cavaquinho», esclareceu a professora Agnes Oliveira.
O ambiente de cordialidade que se gerou ao longo da tarde levou a que o professor de música se disponibilizasse a dar aulas na «Casa» de cavaquinho e acordeão caso apareçam associados interessados.
Depois do almoço propriamente dito é que foram elas. Todos tocaram e cantaram músicas (algumas com letras marotas) e o alegre almoço-convívio terminou já perto da hora do jantar. Ali mesmo, ao som de uma melodia tradicional criaram, de improviso, uma letra que começava assim: «Em dia de São João, na Casa do Concelho do Sabugal, lá para os lados do Areeiro, houve uma alegre reunião…»
jcl

A definição de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho é uma tarefa colectiva, para a qual todos temos o dever de contribuir.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Nesta tarefa que me propus de apresentar projectos que considero estruturantes para o desenvolvimento do Concelho, inicio hoje um novo capítulo a que chamarei de Eficiência da Governação.
Deixando a apresentação concreta dos projectos para a semana que vem, permito-me transcrever algumas passagens de uma intervenção pública da Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (concelho onde resido há 23 anos), produzida na Figueira da Foz no dia 17 deste mês, e subordinada ao tema «Que desafios para o poder autárquico no Século XXI?»
A Presidente da Câmara começou por definir um Objectivo Central muito ambicioso:
«Transformar os Concelhos em territórios competitivos à escala regional, nacional e global, promovendo de forma sustentada a qualidade de vida dos cidadãos»,
o que a conduziu a oito desafios que considerava essenciais:
«1.º desafio – Definir o pensamento futuro do Concelho – definir um projecto de cidade.
Municípios sem projecto mobilizador, sem metas ambiciosas mas tangíveis a alcançar, dificilmente se tornarão atractivos e competitivos, o que significa que, a prazo, colocarão a sua própria sobrevivência em risco.
2.º desafio – Definir um novo modelo de governação local.
Um território sem uma comunidade forte e participativa e sem eleitos locais liderantes e indutores das dinâmicas de desenvolvimento do Município, serão, necessariamente, territórios em perda de competitividade e de atractibilidade.
3.º Desafio – Construir um território sustentável.
4.º Desafio – Construir um território coeso, identitário e inclusivo – promover a cidadania.
5.º Desafio – Promover o desenvolvimento sustentável e sustentado da economia concelhia – reforçar a inovação e a competitividade territorial.
6.º Desafio – Promover a qualidade de vida.
7.º Desafio – Vender o Município.
8.º Desafio – Exercer as novas competências.
»

As respostas a estes oito desafios exigem uma nova postura dos eleitos municipais, conduzindo a um conjunto de propostas que apresentarei na próxima semana.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

ramiro.matos@netcabo.pt

Os sociais-democratas do Sabugal reúnem-se no dia 26 de Junho na secção local do partido. Em cima da mesa estará a análise da situação política e a discussão à volta do nome do candidato às eleições para a Câmara Municipal do Sabugal.

Câmara Municipal do SabugalNo último fim-de-semana, em Guimarães, o Congresso do Partido Social-Democrata confirmou e consagrou Manuela Ferreira Leite (37,86 por cento) como nova líder laranja após o confronto em «eleições directas» com Pedro Passos Coelho (31,55) e Pedro Santana Lopes (29,13).
A «casa ficou arrumada» com a eleição e tomada de posse dos novos membros da Mesa do Congresso, Comissão Política Nacional, Conselho de Jurisdição e Conselho Nacional.
Na sequência do Congresso Nacional o presidente da Mesa da Assembleia de Secção, José Santos Robalo, convocou todos os militantes sociais-democratas da secção do Sabugal para uma reunião, quinta-feira, 26 de Junho, pelas 21 horas, na sede local, sita no numero 6 da Rua dr. Francisco Maria Manso.
Os dois pontos da ordem de trabalhos indicam «Análise da situação política» e «Outros assuntos» mas o Capeia Arraiana está em condições de adiantar que será igualmente debatida a questão do candidato social-democrata às eleições autárquicas de Outubro de 2009.
Os militantes «laranjas» vão tentar chegar a um nome consensual numa altura em que já é oficioso o nome de António Dionísio como cabeça de lista do Partido Socialista.
jcl

O nosso concelho precisa de homens e mulheres com ambição bastante, para inventar projectos ambiciosos para este imenso território e para as pessoas que o habitam.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Depois de perder o medo (o meu medo?) retorno as minhas habituais crónicas às quartas–feiras, aqui no Blogue. Espero que a minha última crónica não tenha chocado alguém, e muito menos os meus amigos? A intenção não era essa!
Hoje apetece-me, enquanto não retomo a viagem pelas nossas aldeias, falar de «ambição». Sim, leram bem, de AMBIÇÃO! É que, ser ambicioso por muito que alguns nos queiram impingir, não é pecado? Antes pelo contrário: ser ambicioso é uma característica de quem luta «ambiciosamente» por ideais enquanto ser humano insatisfeito, sempre insatisfeito, infinitamente insatisfeito!… ou ambiciosamente luta por um ideal ou projecto que gostaria ver concretizado na sua aldeia, na sua freguesia ou mesmo no seu concelho? Enfim, ter projectos ambiciosos, significa que dentro de si existe aquela coisa, infelizmente, pouco comum, de querer mais e sempre mais, e concretiza esses seus projectos «ambiciosos» e, quando isso acontece, enche-se de alegria e orgulho! Encheu mais uma página do livro da sua vida quando chega ao fim e, logo (logo) outras se iniciarão e chegarão também ao fim com o mesmo fervor e dinamismo que das vezes anteriores, até que o livro, um dia, estará completo e descansará tranquilo debaixo do solo que antes tantas vezes trilhara!…
Quem ainda não saboreou o finalizar de um projecto que foi seu desde o início? Acho que afinal todos nós já criámos algo, enfim todos nós já inventámos e concretizamos um projecto. Mesmo que aos olhos de estranhos pouca importância tivesse! Mas criámos e isso é que interessa. Porém, não é dessa criação que quero falar: O que eu que falar é de criar «ambiciosamente», ou seja, meter ombros a um projecto por si inventado, que só ele lhe imagina o fim, concretiza-o e depois deixa-o, logo que este atinja a idade adulta e já em plenas funções que lhe foram inventadas pelo seu criador.
O nosso concelho precisa de homens e mulheres com ambição bastante para inventar projectos ambiciosos para este imenso território e para as pessoas que o habitam. Projectos ambiciosos que permitam desenvolvimento sustentado e bem-estar social. Projectos capazes de dotar esta região de infra-estruturas adequadas ao seu desenvolvimento «ambicioso»; combater a desertificação e o envelhecimento da população e ao mesmo tempo preservando o ambiente como um património inalienável. Isto é, tornar o concelho num lugar atractivo para viver e trabalhar.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

Malcata – A freguesia aparece sempre associada à sua Reserva Natural. Mas Malcata tem vida para além do orçamento, perdão… para além do lince. Do lince convertido em deus que muito poucos viram mas que todos adoram mesmo que fale espanhol ou tenha sotaque algarvio.

Malcata

O Capeia Arraiana tem vindo a percorrer o concelho do Sabugal sob a forma de reportagem analisando e dando a conhecer os investimentos e as intervenções que foram feitos desde 2001 nas freguesias sabugalenses. Malcata é o sétimo capítulo do roteiro intitulado «Equipamentos Sociais nas Freguesias do Sabugal».
O viajante que sair do Sabugal em direcção a Santo Estêvão pela estrada nacional 233 encontra um cruzamento à esquerda com a indicação «Malcata» e «Reserva Natural da Serra da Malcata». É a porta de entrada para uma paisagem que se transforma com efeitos únicos. Até o piso da estrada faz a diferença porque, agora, para chegar à freguesia deslizamos por um excelente tapete de alcatrão.
A barragem do Sabugal veio acrescentar beleza à beleza natural daquela região protegida. É agradável aos sentidos avistar ao longe para lá do pontão e do espelho de água o casario típico de uma aldeia raiana. Aconselhamos vivamente um passeio pela qualidade natural dos cerca de 22 quilómetros quadrados da freguesia.
Na área do Apoio Social foi recuperada a antiga escola primária bem lá no alto da freguesia. Remodelada e equipada com cozinha e salão de festas é agora utilizada pela associação cultural e desportiva local para festejos e convívios. Por debaixo do telheiro uma relíquia de um passado recente: um carro de vacas equipado com as sebes que protegiam o carrego.
No centro da freguesia as instalações da nova escola primária são vizinhas da sede da Junta de Freguesia. Com instalações bem cuidadas, moderno equipamento informático e mobiliário de qualidade tem disponível uma sala para as consultas que periodicamente os médicos ali dão às populações.
A recuperação e melhoramento destes equipamentos sociais, onde se inclui um forno comunitário com uma localização privilegiada no largo central, foram executados pela Junta de Freguesia da Malcata por delegação de competências, atribuição de verbas e comparticipação dos valores em falta pela Câmara Municipal do Sabugal.
Gostámos muito de ver o trabalho de recuperação do chafariz e respectivos pios de apoio junto ao campanário por parte da Junta local.
Inicie no largo central da Malcata uma visita pela paisagem única da Reserva Natural e refresque-se nas águas raianas da barragem do Sabugal que regista neste mês de Junho de 2008 a cota 790, sinónimo de limite máximo em pleno armazenamento das águas da albufeira.
Com ou sem lince… o futuro passa, obrigatoriamente, pelo aproveitamento para lazer e desportos náuticos das águas da barragem apoiados por um parque de campismo.

Malcata preenche todos os requisitos para integrar, em conjunto com Sortelha, Termas do Cró, Vilar Maior e Nascente do Côa, um circuito pentagonal de cinco pontos de turismo de muita qualidade no concelho do Sabugal.
jcl

Considero que a ideia dos circuitos gastronómicos do concelho do Sabugal promovida recentemente foi bastante feliz.

José Manuel CamposConversei com alguns dos responsáveis pelos restaurantes que aderiram e manifestaram-se bastante agradados com o evento.
Os pratos confeccionados foram, de uma maneira geral, do agrado dos clientes.
A animação musical foi factor que também contribuiu para atrair clientes. Quando li, nos livrinhos de divulgação, que a Banda da Bendada actuaria uma noite no restaurante «ELDORADO», nos Foios, confesso que não lhe achei jeito nenhum. Pareceu-me descabido actuar a banda no interior de um restaurante. Enganei-me, meus amigos. A banda surpreendeu-me.
Banda da BendadaTocaram dois ou três números com a banda completa e, de seguida, transformou-se num agrupamento de música popular. E que bem o fizeram.
Animaram e animaram-se com o entusiasmo dos assistentes.
A Banda da Bendada é um agrupamento de gente jovem e com muito bons executantes.
Parabéns a todos os elementos que de uma ou de outra forma contribuem para que a Banda se vá mantendo activa.
Pela parte que me toca sinto orgulho por ter uma Banda no nosso concelho.
Espero e desejo que a Câmara Municipal do Sabugal possa dar continuidade à iniciativa, em anos futuros.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

Estivemos à conversa com o jovem Diácono Hélder Lopes, que dentro de dias irá ser ordenado sacerdote. Falámos do seu percurso enquanto religioso, as suas expectativas futuras e as impressões com que ficou do Sabugal, a terra que desde Setembro de 2007 o acolhe enquanto auxiliar do Padre Manuel Igreja Dinis.

à fala com Cónego Hélder LopesHélder Lopes nasceu no Colmeal da Torre, concelho de Belmonte, em 27 de Junho de 1983, no seio de uma família do povo. Filho de um serralheiro e de uma operária têxtil, teve uma educação cristã, que incluiu o ingresso no Seminário Menor do Fundão, onde fortaleceu a fé e sentiu o chamamento da vocação sacerdotal. Pelo percurso, que depois incluiu a passagem pelo Seminário Maior da Guarda e pelo Instituto Superior de Teologia, sentiu momentos de dúvida e até de crise vocacional, mas tudo superou. «Hoje considero que essas crises foram bênçãos, pois quando as ultrapassei senti que a vida ficou mais bela, fiquei melhor esclarecido e a vocação saiu reforçada», afirmou-nos o jovem religioso.
No próximo domingo, dia 29 de Junho, pelas 16 horas, acontecerá a sua ordenação sacerdotal na Sé da Guarda, pela mão do prelado egitaniense D. Manuel Felício. Aguarda o momento com expectativa, mas com a necessária serenidade. «Sei que serão momentos comoventes, mas de maior exigência para mim serão as missas solenes que acontecerão a seguir à ordenação, a primeira no dia 13 de Junho, na minha terra (Colmeal da Torre), e a segunda no dia 20 no castelo do Sabugal».
Antevê que a Sé da Guarda seja pequena para acolher as inúmeras pessoas que aí acorrerão para assistirem à cerimónia. «Do Sabugal vão dois autocarros, da minha terra seguem outros dois, e irá também muita gente pelos seus próprios meios», revelou-nos, indicando que aos seus familiares e amigos se juntarão os do padre e do diácono que também serão ordenados na mesma cerimónia.
Como assistente do padre Manuel Dinis cabe-lhe auxiliar o pároco do Sabugal nas tarefas paroquiais da sede de concelho, Torre, Aldeia de Santo António, Rapoula do Côa e Ruvina. «Foi para mim uma grande surpresa ser colocado aqui no Sabugal, pois não tem sido costume a vinda de estagiários para estas terras, mas tem sido uma óptima experiência», disse.
Conheceu o Padre Dinis enquanto director espiritual no Seminário do Fundão e trabalhar com ele numa paróquia que o próprio padre agarrou pela primeira vez, foi uma tarefa muito exigente, mas também muito enriquecedora. «Vir para o Sabugal teve desde logo como aspecto positivo, o facto de entrar aqui no mesmo dia do novo pároco. Tivemos conhecimento em conjunto da realidade das paróquias, tomando o pulso da situação. Porém também houve um aspecto negativo, que foi o inevitável desconhecimento da realidade da vida paroquial». Em termos da avaliação ao trabalho desenvolvido nestes meses, considera que a adaptação foi muito boa e que se fez muito trabalho positivo para as paróquias.
Hélder Lopes destaca algum do trabalho realizado: «Desde logo a reestruturação da catequese, seguindo as indicações do Senhor Bispo, que valoriza a catequese de adultos, enquanto actividade nova para as paróquias. Os adultos é que são a base da vida cristã e esclarecer a sua fé é um dos pilares fundamentais para que os mais novos recebam bons ensinamentos no seio das famílias. Formámos 18 catequistas e lançámos as festas da catequese, dirigidas às crianças. Além do mais arranjou-se um novo espaço para a catequese, transformando a garagem da casa paroquial em três salas equipadas para actividades didácticas, e uma outra para acolhimento e reuniões.»
Noutra perspectiva o jovem diácono falou-nos das actividades dirigidas aos jovens, que no geral se encontram algo afastados da vida religiosa. Foi reactivado o agrupamento de escuteiros do Sabugal, tendo-se formado 8 dirigentes, a que se juntaram outros 3 que já tinham essa formação. «Hoje o Sabugal tem 12 dirigentes que frequentam o estágio prático e estão já inscritos 45 crianças e adolescentes para o agrupamento de escuteiros, estando reunidas as condições para que em Setembro se iniciem as actividades do grupo.»
O Diácono Lopes ficou muito surpreendido com o carácter das gentes raianas: «Não conhecia minimamente as pessoas do Sabugal, mas elas têm sido para mim uma agradável surpresa, na medida em que são muito simples e muito acolhedoras.»
Quanto ao futuro, não faz antevisões: «Desconheço onde serei colocado como padre, mas há a certeza de que serei pároco na diocese, a não ser que o Senhor Bispo decida enviar-me a estudar, o que será improvável, já que conclui agora o curso Superior de Teologia.» Tem porém a certeza de que permanecerá no sabugal até Setembro, continuando a ajudar o Padre Dinis. Além disso terá que organizar o «Festival J» de 2008, que acontecerá em Julho no Paúl. «É um grande encontro de juventude, organizado pela Pastoral Juvenil da Diocese da Guarda, estando previstas muitas actividades, desde música, oração e desportos.»
Quanto ás dificuldades dos párocos nos dias de hoje, Hélder Lopes conhece bem o problema, sentindo-o já no quotidiano enquanto auxiliar de pároco no Sabugal. «Devido à falta de padres os párocos estão sobrecarregados com o serviço litúrgico, faltando-lhes tempo para a reorganização da vida paroquial e para a dedicação a outras actividades de dinamização da vida cristã. O problema agrava-se ainda mais quando a maior parte dos padres são idosos, fazendo um imenso sacrifício para manter o essencial da vida litúrgica, mas sem forças e motivação para muito mais.»

Hélder Lopes é um jovem simpático, que rapidamente captou a atenção dos paroquianos sabugalenses. Decerto que não ficará entre nós, seguindo algures o seu rumo enquanto sacerdote. Desejarmos-lhe felicidades, assim como às comunidades cristãs que lhe caberá pastorear.
plb

Muito sofreram os trabalhadores, principalmente em finais do século XIX e princípios do século XX para obterem uma jornada de trabalho mais curta.

António EmidioNo último artigo que o autor destas linhas escreveu, disse que a história caminha para diante sem deixar para trás o passado. A nova legislação sobre horário de trabalho que a União Europeia quer implementar é um exemplo manifesto. Se for por diante essa directiva de Bruxelas, significa isso que a jornada laboral de 65 horas semanal será a mais longa desde 1870, o que poderemos considerar um regresso ao passado.
E porque voltámos para trás? Porque os interesses das multinacionais e grandes grupos económicos, aqueles que especulam na bolsa com o petróleo, a água e os alimentos, se sobrepõem a qualquer racionalidade e justiça. É para esses que iremos trabalhar
mais porque a União Europeia está a criar uma classe empresarial com fundos públicos, o que significa que o Estado de bem-estar irá desaparecer e os nossos impostos irão para esses empresários que por sua vez criarão postos de trabalho precários e mal remunerados, é assim a concorrência com as outras empresas chinesas, indianas e americanas. É preciso enriquecê-los ainda mais e á preciso que especulem mais. Os lacaios deles, os políticos que cada vez estão mais distantes do povo, assim o demonstra o «NÃO» dos Irlandeses, franceses e holandeses à «Constituição Europeia», dizem que isto é pela competitividade, pelo progresso e por uma sociedade moderna e justa socialmente. O cinismo de sempre.
Com quantas horas irão contribuir os trabalhadores portugueses (do público e privado) para o enriquecimento desses senhores que compram jactos privados no valor de cinquenta milhões de euros? Tudo irá depender do Burocrata Colonial de Bruxelas que nos governa (em matéria de eleições cada vez compramos mais gato por lebre!). Uma coisa é certa, leitor, todas essas horas que trabalharmos não são para o nosso bem-estar nem do da nossa família, porque iremos estar de manhã à noite a trabalhar sem vermos crescer os nossos filhos e ter o amor e ternura da família. Também não é para o enriquecimento do País.
O Capitalismo é isto mesmo. Então que fazer? Em primeiro lugar sair da UE. Esta só serve para os políticos se cumprimentarem uns aos outros em infindáveis reuniões, quase diárias, e ter uma moeda que triplicou os preços dos bens de consumo. Em contrapartida os salários mantiveram-se na mesma.
Depois, retirar do poder a maioria dos seus actuais detentores, começando pelos socialistas de salão como o nosso ilustre primeiro ministro, e pôr verdadeiros estadistas, daqueles que escutam os anseios do seu povo, não simples títeres que servem somente para legitimar os mandamentos do poder económico.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Realizou-se no Sabugal, no dia 22 de Junho, a única festa onomástica que se mantém na cidade: o convívio dos que foram baptizados com o nome Manuel e suas respectivas famílias.

Os Manéis na Senhora da GraçaA festa dos Manéis deste ano realizou-se na Senhora da Graça, onde se juntaram cerca de 50 convivas. Na capela do santuário houve uma missa, presidida pelo Padre Manuel Janela, pároco da Bendada, coadjuvado pelo Padre Manuel Igreja Dinis, pároco do Sabugal.
Depois do serviço religioso, os convidas de nome Manuel tiraram a fotografia da praxe na escadaria fronteira à capela. Depois houve o tradicional e indispensável o almoço de convívio, com muita degustação e confraternização. Depois de momentos de conversa e distracção o dia acabou a comer, com a realização do jantar.
As iguarias gastronómicas que marcaram presença foram a chanfana, leitão assado no forno, cabidela de leitão, para além de muitos outros petiscos, não faltando doçaria variada e muitas bebidas.
A festa dos Maneis tem-se realizado todos os anos, sem falhas, facto que orgulha os naturais do Sabugal com aquele nome, tanto mais porque são os últimos resistentes. As restantes festas onomásticas, que tanto estiveram em voga há uns anos, parece estarem extintas.
A mordomia deste ano foi constituída pelo Manuel Rasteiro, Manuel Martins, Manuel Franco Ramos, Manuel Margato e Manuel da Rita.
plb

Hoje é noite de São João no Sabugal. Merece o nosso destaque e a publicação da «Imagem do dia». Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data: 23 de Junho de 1958.

Local: Largo da Fonte (Sabugal).

Legenda: Festejos do São João no Sabugal em 1958.

Enviada por: Luís Carlos Carriço.
Propriedade da fotografia: Alcino Oliveira.
Clique na imagem para ampliar

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai desenvolver a partir de hoje, 23 de Junho, e até ao próximo domingo, dia 29, no Centro Comercial Serra Shoping (Covilhã) uma mostra das suas várias valências e ofertas formativas, por parte das Escolas Superiores que integra.

Serra ShoppingO programa engloba, hoje, várias actividades promovidas pelo Departamento de Línguas e Culturas da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) e, amanhã (24 de Junho) uma exposição sobre o projecto Egiecocar; apresentação do projecto de motor térmico e actividades orientadas de matemática; à noite (pelas 21h) vai actuar a Copituna de Oppidana (Tuna do Instituto Politécnico da Guarda).
No dia 25 de Junho as actividades agendadas ficam a cargo da Escola Superior de Turismo e Telecomunicações de Seia, que promoverá várias actividades de animação, e do Departamento de Engenharia Civil da ESTG/IPG.
Por seu turno, no dia 26 de Junho, o Departamento de Informática da ESTG vai apresentar, no espaço daquele centro comercial, uma exposição onde estará patente o sistema de simulação de voo, o sistema de injecção electrónica Egitronic, o projecto Magic Key e do Robô Bombeiro.
No sábado, dia 28 de Junho, a Escola Superior de Saúde vai promover um rastreio analítico, entre outras actividades, e o Centro de Treino e Animação Desportiva do IPG apresentará várias propostas de participação aos visitantes.
O programa desta mostra terminará no domingo, com jogos de mesa, sessões de aeróbica e jogos recreativos para crianças.
plb

António Fernandes («Tó Chuco» para os amigos) é natural da freguesia da Nave, concelho do Sabugal. Reside na Aldeia de Santo António num chalet decorado com um relvado banhado pelo Rio Côa e onde se nota já a futura pista para o giroscópio que deverá chegar em Setembro. Mas quem é António Fernandes? Se dissermos que foi o inventor da Discoteca Teclado fica mais do que apresentado. Mas há novos investimentos no horizonte solar do perturbante visionário «engenheiro-pássaro» que tem o dom de antecipar o futuro…

À fala com... António Fernandes«Gosto de desafios, sou e sempre fui um homem de arriscar. Desde sempre sonhei que poderia voar. Fechava os olhos e imaginava-me a voar. É um sonho.» Assim o apresentava recentemente o nosso ilustre opinador José Robalo na sua excelente crónica sobre António Fernandes.
Fomos visitar o investimento de António Fernandes no projectado parque industrial do Sabugal junto à estreita e curvolenta estrada que liga o Sabugal à Guarda. O edifício com traço arquitectónico vanguardista faz lembrar quando o avistamos ao longe uma nave espacial preparada para levantar voo.
O empresário chegou ao volante de uma máquina cor de prata, último modelo, da marca da estrela de Estugarda.
«Tenho 57 anos já com IVA incluído e sou curioso como os gatos», diz-nos naquele seu jeito brincalhão enquanto nos cumprimenta e acende uma cigarrilha «para fazer ver porque já deixei de fumar e para dar um ar mais sério à reportagem».
«Vivi cerca de 40 anos em França para onde emigrei em 1968 com apenas 17 anos. Durante muito tempo vendi material para hotelaria e actualmente sou proprietário de uma empresa francesa de fabrico de inox», acrescenta à sua apresentação.
Pelo meio era inevitável a referência à sua discoteca. «Inaugurei o Teclado em 28 de Agosto de 1977. Houve noites nos meses de Agosto que no final da sessão vinha pela estrada abaixo com um brouette (carrinho de mão das obras) carregadinho de dinheiro tapado por cima com um plástico», recorda-nos com um brilhozinho nos olhos.
É (foi) uma discoteca emblemática. Se não tivesse existido o «Teclado» a juventude de muitos de nós (a minha incluída) não teria sido nem melhor nem pior… Apenas diferente.
A conversa decorria agora dentro do edifício num enorme e amplo hangar. Na área virada ao Sol do final da tarde estão em fase de acabamento os escritórios e as salas de reuniões e de formação profissional servidos por uma escadaria com início no hall da entrada principal.
– Como surgiu a ideia de investir numa fábrica de painéis solares?
– Somos dois sócios: eu e o engenheiro José Luís Manso, meu vizinho e dono da ENAT, uma empresa que se dedica à venda e instalação de energias alternativas. Falamos vezes sem conta sobre projectos num grupo que se reúne para almoçar às sextas-feiras. A tecnologia avança a passo de cavalo e quando o petróleo começou a subir surgiu a ideia de apostar na construção de painéis solares. Esta fábrica é um investimento de cerca de meio milhão de euros sem recurso a créditos porque não gosto de estar dependente dos bancos. No arranque contamos criar 12 postos de trabalho com a possibilidade de chegar até 40 colaboradores. Tivemos o apoio da Câmara Municipal do Sabugal e em especial da doutora Glória a quem aproveito para agradecer toda a colaboração. Esperamos iniciar a produção depois do Verão, talvez em Outubro próximo.
À fala com... António FernandesAntónio Fernandes foi desde sempre um inventor autodidacta. «Ainda tenho na recordação a carrinha da biblioteca itinerante da Gulbenkian guiada pelo senhor Silva. Devorava todos os livros de engenharia que ele trazia. Se tivesse estudado tinha sido piloto da Força Aérea. Há uns tempos tive que arrumar uma casa que tenho na Nave e fui lá encontrar livros de aeronáutica e de construção de painéis solares com mais de 20 anos. Nesse tempo ainda pouca gente sabia o que isso significava.»
Colocámos de seguida, em jeito de brincadeira, uma questão que provocou largos sorrisos em António Fernandes.
– Sabemos que adquiriu uma espécie de helicóptero para uso pessoal. É para fugir ao trânsito do Sabugal?
– Em muitos momentos da minha vida acho que voo em lugar de andar. Sempre desejei e sonhei voar. Quando era miúdo roubei o motor de rega lá de casa para tentar inventar um aparelho que voasse. Não o consegui concretizar… mas concretizou-se uma valente malha que a minha mãe me deu. (mais alguns sorrisos.) Mais tarde construi um helicóptero com o motor de um Renault Alpine. Ainda está na Nave mas nunca chegou a levantar. O projecto do parque industrial prevê a possibilidade de construir aqui perto um aeródromo com 120 metros. Na minha propriedade já estou a preparar uma pista relvada. Curta, porque o aparelho que comprei, um girocóptero, necessita de apenas 30 metros para levantar e de 10 para aterrar. Estamos a equacionar a oportunidade de construir hangares para arrendar a privados que queiram estacionar ou mesmo construir o seu próprio aparelho com recurso a um kit de montagem.
O autogiro ou girocóptero é uma aeronave sustentada em voo por asas rotativas. Mas, ao contrário dos helicópteros a propulsão é fornecida por um motopropulsor convencional. O primeiro autogiro foi desenvolvido e construído pelo engenheiro espanhol Juan de La Cierva em 1923 mas o projecto parou com a Guerra Civil no país vizinho.
Mas Portugal é para o empresário um país de dificuldades desmotivadoras por comparação com outros estados europeus. «Em Portugal, para dirigir um girocóptero é preciso uma licença de piloto. Na Europa apenas é necessário um brevet com 15 horas de instrução. Eu tirei o VFL (voo à vista) em França», diz-nos contrariado com as dificuldades legais portuguesas.
António Fernandes, o «engenheiro-pássaro», é um empresário visionário que está a investir e a criar postos de trabalho no concelho do Sabugal. Merece ser escutado com atenção mesmo quando as suas ideias e projectos parecem chegar com alguns anos de antecipação.
jcl

É habitual a referência, mesmo nos meios jornalisticos ligados ao futebol, o denominado estilo de jogo «à Porto».

José GuilhermeUma forma de jogar caracterizada pela disciplina, pela organização rigorosa, em que o espectáculo é subordinado ao resultado, e que corresponde a toda uma maneira de estar e ser em que os habitants do Porto se reconhecem, fazendo parte de uma representação social mais vasta, ligada à autovisão dos habitants da cidade como esforçados, trabalhadores, sérios e leais. É conhecido, aliás, o velho ditado que diz: «Em Lisboa as pessoas divertem-se, em Coimbra estudam, em Braga rezam e no Porto trabalham.»
A disciplina, a organização e o trabalho árduo, que caracterizam o estereótipo ideal do estilo de jogo da equipa, parecem estar ligados a este culto do trabalho e esforço, mas também ao modo como os adeptos do FC Porto vivem os resultados e o quotidiano da sua equipa, e à transcendência com que estes são encarados. Para os adeptos o importante é a vitória do clube, quase a qualquer preço, surgindo o desporto ou o espectáculo como algo perfeitamente secundário. Os adeptos do FC Porto são considerados geralmente como os mais «fanáticos» em Portugal. E provavelmente isto acontece porque atribuem uma dramática importância ao comportamento e resultados da equipa. Este apoio tão exigente e inquieto, mas sempre tão intenso, resultará provavelmente do dramatismo com que vivem os jogos da sua equipa, verdadeiras questões de «vida e morte».
Extremamente original e significativa é a forma de comemoração dos grandes feitos do clube. A romaria ou festa popular que abrange e envolve toda a cidade do Porto é bastante reveladora da identificação quase total entre cidade e clube. A congratulação com a vitória, a constante insistência na sua importância, extensão e significado, fazem parte de um processo de autovalorlzação dessa identidade local, de afirmação da sua superioridade.
O facto de na essência desta forma de celebração estar uma tradição da cidade, elemento importante da sua cultura particular, ou seja, a festa popular nas ruas da cidade (veja-se o caso da noite de S. João), enquadra-se no carácter local da identificação colectiva com o clube de futebol. A estas celebrações, que possuem também elementos ou traços ritualisados, não faltam o sarcasmo e ironia para com os rivais vencidos, nem as práticas destinadas a humilhar e estigmatizar os adversários, destacando-se a intervenção do elemento «carnavalesco», que assume no caso dos adeptos do FC Porto caracteristicas próprias, como é o caso do «enterro» do adversário, que toma muitas vezes a forma de uma «procissão» de onze burros vestidos com camisolas do Benfica ou do Sporting.

A «mística»: de «andrades» a «dragões»
Se entre os adeptos do FC Porto existe uma afeição especial pelos jogadores que se entregam corajosa e totalmente ao jogo, na defesa das cores do clube, principalmente aqueles que foram formados nas suas escolas, isto acontece provavelmente porque estes são vistos como os que melhor podem prolongar o estilo de jogo da equipa, por um lado, e assumir também para si os significados e sentidos atribuidos ao jogo e ao clube pelo adepto (os casos de, por exemplo, Hernâni, Fernando Gomes, João Pinto, Vítor Baía ou Jorge Costa). Isto está possivelmente ligado à muito divulgada «mística especial» do FC Porto, criada nos últimos anos, e que se reporta directamente à oposição, desportivamente conseguida, aos clubes de Lisboa. No entanto, é importante recordar que na história do FC Porto, desde os seus primórdios, sempre tiveram papel crucial futebolistas estrangeiros, começando pelo guarda-redes, e depois treinador. Siska (anos 2O e 30), passando mais tarde pelo técnico brasileiro «Yustrich» (anos 50) que devolve ao clube as vitórias, e terminando em Rabah Madjer, o herói de Viena, em 1987. Tal como acontece com qualquer clube, a história do FC Porto é marcada por períodos (ou ciclos) de sucesso, alternados com outros bem menos felizes. A conquista dos mais importantes títulos do futebol europeu e mundial, em 1987 e 1988, materializou a chegada de um sucesso inédito e surpreendente, até porque foi alcançado após anos consecutivos marcados por desaires e frustações, nomeadamente nas décadas de 60 e 70, que eram sentidos como injustos e provocados por uma situação de discriminação regional. Qualquer adepto, mesmo entre os mais novos, conhece esta transformação radical na vida do clube. No entanto, é importante lembrar que o FC Porto foi o primeiro clube português bem-sucedido na compita nacional, ao vencer as edições inaugurais de todas as «provas de regularidade»: 1922 – Campeonato de Portugal, 1934 – Liga, 1939 – I Divisão. Depois a década de 40 trouxe o reinado dos «Cinco Violinos» no Sporting e os portistas passaram a ter que aceitar a superioridade dos «grandes» da capital. Sendo o FC Porto encarado como grande representante da luta e resistência perante as supostas injustiças de que a Cidade Invicta, e por arrastamento o clube, são vítimas, não surpreende que esta inferioridade tenha sido especialmente penosa.
Pelo mesmo motivo, os principais protagonistas da resistência perante Lisboa e o seu poder no futebol (e não só…) fazem obviamente parte da hist6ria do clube como uma espécie de heróis. O treinador Pedroto e o presidente Pinto da Costa são exemplo disso. Estão entre os maiores símbolos humanos do clube porque conseguiram inverter a tendência geral da sua história, transformando-o em vitorioso e conhecido internacionalmente (a famosa e simbólica transformação de «andrades» em «dragões»), utilizando exactamente uma política de oposição aberta, de conflito até, em relação às identidades «inimigas», consideradas genericamente como o «poder de Lisboa» pelos adeptos do FC Porto.
Extracto de «A Paixão do Povo – História do Futebol em Portugal», de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro (2002).
«Futebol – A Paixão do Povo», opinião de José Guilherme

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