Segundo a voz popular a quadra (que reproduzimos de seguida) estaria inscrita, ou na abóboda da torre de menagem do Castelo, ou num dos arcos da ponte.
A tradição popular registou na memória a quadra:
Eu sou el-Rei D. Diniz:
A ponte, a fonte e o castelo fiz.
Quem dinheiro tiver
fará o que quiser.
Realmente, nunca se achou tal inscrição, e faltam certezas quanto à época de construção da ponte, que, de resto, é muito antiga, há séculos desafiando as inverniças torrentes da ribeira.
Todavia, a ponte do Sabugal fez mais pela integração de Ribacôa em Portugal do que os jurídicos documentos foralísticos.
A ribeira continuou a separar Ribacôa de Portugal, excepto no caso da também antiga ponte de Sequeiros.
Em certos troços, correntes em zonas mais planas, havia e há vaus que permitem a travessia da ribeira aos carros de tracção animal, mas, do troço do Sabugal, se bem me lembro, o vale é cavado e dificilmente se acomodaria à passagem dos carros de lavoura, o que dificultava a vida económica e social, acrescendo o facto de a vila se servir de terrenos na margem esquerda, da jurisdição de Sortelha, neles semeando e pastoreando.
Agora há outras pontes, mas esta, do Sabugal, é mítica: abriu as portas de Portugal a Ribacôa e as portas de Ribacôa a Portugal.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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