Estivemos na cidade do Sabugal onde estabelecemos uma conversa breve com Luís Carlos Carriço, de há muito presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal. Em data recente a associação elegeu novos corpos gerentes, mantendo á sua frente o Luís Carriço, mas com uma equipa renovada, a fim de ganhar uma nova dinâmica.

Luis Carlos CarriçoO que tem a dizer acerca da polémica levantada pela Presidente dos Bombeiros do Soito acerca do uso, alegadamente abusivo, de uma viatura da Administração Regional de Saúde por parte dos Bombeiros do Sabugal?
Considero que a polémica não existe. Fizemos um acordo com a ARS que nos permite usar a viatura, que está agora ao nosso serviço, e sobre isso nada tenho a acrescentar.
Para quando um novo quartel de bombeiros no Sabugal?
O nosso quartel tem 26 anos. A lei estabelece como regra geral que o Estado pode financiar a construção de novos quartéis de bombeiros quando as instalações sejam inapropriadas e tenham mais de 40 anos. Mas a verdade é que o quartel do Sabugal não tem condições funcionais para acolher um corpo operacional de bombeiros. Por isso é que, mau grado as limitações existentes, estamos já a trabalhar, embora discretamente, no sentido de prepararmos o caminho para a construção do novo quartel. Há corporações que foram excepcionalmente contempladas com novas instalações, e isso também pode acontecer aos Bombeiros do Sabugal. Já temos um terreno em perspectiva, iremos a breve trecho preparar um projecto, e depois vamos empenhar-nos em conseguir a sua aprovação e o financiamento da obra. Claro que temos de ter em conta que é com base na inadequabilidade das instalações que temos de nos mobilizar para uma antecipação do prazo, a fim de obtermos a necessária comparticipação do Estado.
Para além da construção de um novo quartel, que outros projectos tem para os bombeiros do Sabugal?
Espero muito desta nova direcção. Está muito renovada, com gente jovem, da qual espero aproveitar a vontade de contribuir para uma melhoria na gestão da associação. Necessitamos de novos bombeiros e isso é para nós um grande desafio, porque as coisas não estão fáceis a esse nível. Hoje para se ser bombeiro tem de se possuir o 9º ano de escolaridade, para além de ser sujeito a um programa de formação obrigatória. Isso cria algumas dificuldades, até para alguns dos bombeiros mais antigos, que há muito se dedicam à corporação, cuja falta de habilitações os impede de progredir na carreira.
Desde há muito que são conhecidas as suas posições em defesa da profissionalização dos bombeiros. Não considera que isso contradiz a natureza voluntária dos mesmos?
Essa tem sido a minha luta. Isso não põe em causa o voluntarismo que caracteriza os bombeiros, porque se trata apenas de ter na corporação um conjunto de assalariados. Mas para isso é necessário criar um estatuto para esse pessoal, que o diferencie do restante, que só presta serviço enquanto voluntário. Acredito que isso será feito em breve. Pela primeira vez temos uma lei das associações de bombeiros, que agora tem de ser regulamentada, incluindo-se aí a definição do estatuto do bombeiro.
Apresentou há poucos dias aos associados as contas do ano 2007, sendo nelas visível que a associação recebe cada vez menos subsídios. Isso preocupa-o?
O facto dos subsídios terem cada vez menor peso no conjunto das receitas, não significa que o valor das ajudas do Estado tenham decrescido. Esse valor está praticamente ao mesmo nível dos anos anteriores, o que cresceu foi o valor recebido pelos serviços prestados pelos bombeiros, nomeadamente através do transporte de doentes. Ao contrário de outros eu não me queixo do apoio do Estado, o que se passa é que há agora mais rigor e isso é sempre bom, porque cada corporação de bombeiros deve receber apenas os apoios a que tem de facto direito.
plb