A casa dos pais é a escola doméstica. Nela as crianças têm o direito ao pão para a boca e à palavra e ao exemplo para a alma. Não basta garantir a comodidade física, ou o uso de luxos e de ninharias, é preciso suplementar a alma com o ensino de boas regras morais e de convívio com os outros, se possível dando o exemplo.
Quantos pais estão a proceder como educadores domésticos? Quantos pensam que a educação é um problema, não deles, mas do Estado, quer dizer, que a Escola oficial cuide da educação dos filhos. E, todavia, nada de mais errado. Essencialmente, a educação cívica e moral pertence ao dever dos pais, que podem, querendo, procurar um complemento nas catequeses das igrejas. À escola pertence a instrução, que difere de educação. Um aluno bem educado pode não ser bem instruído, e um bem instruído pode ser mal educado.
É da boa educação que procede a harmonia nas escolas. De outro modo há desarmonia e luta de classes: alunos contra professores e professores contra alunos. Nunca se viu tamanho fenómeno como este da guerra nas escolas. As causas são óbvias: a escola doméstica não funciona e a escola oficial ou pública não está preparada para assumir o que é dever da família.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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