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No «Crónicas do Rochedo» do tanguero Carlos Barbosa de Oliveira foi aberta uma discussão sobre a reportagem televisiva do fenómeno «Tony Carreira». Há quem goste, há quem não goste mas… o mais importante é que ninguém consegue ficar indiferente.
O percurso do cantor Tony Carreira desde a sua aldeia na Beira Interior até ao Pavilhão Atlântico, passando pelo Olympia de Paris e pelos Coliseus de Lisboa e do Porto já não consegue deixar ninguém indiferente.
Com tudo o que isso significa não tenho qualquer prurido em considerá-lo no panorama português ao nível de Julio Eglesias em Espanha e no Mundo.
Há quem goste, há quem não goste mas já ninguém consegue ficar indiferente. Nem os homens que têm de conviver com as fotografias do cantor da guitarra que as suas mulheres espalham pelas molduras e paredes lá de casa.
Vem isto a propósito do artigo no «Crónicas do Rochedo» sobre a reportagem televisiva que passou esta quarta-feira, na RTP1, sobre o percurso profissional do cantor que nos autógrafos que dá aos fãs assina como Tony Carreira.
Até eu já meti a minha colherada…
Podem espreitar… aqui e aqui.
jcl
A empresa Águas do Zêzere e Côa (AZC) aposta na produção de energia eléctrica através de painéis solares instalados nos seus imóveis, esperando depois comercializá-la. O mesmo se passa em relação a particulares da Beira Interior, que vêm neste processo uma importante fonte de receitas.
A AZC apresentou 53 dos 65 projectos de microprodução de energia, candidatados pela Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior (EnerArea) e aprovados pela Direcção Geral de Energia e Geologia. Os restantes são projectos de microprodução domésticos.
A forte rendibilidade dos projectos, com um retorno de investimento a ser possível ao fim do sexto ano de instalação, tem levado empresas e particulares a apresentar projectos neste âmbito. As candidaturas estão abertas a empresas, particulares (proprietários de casas) ou condomínios (no caso de imóveis de propriedade horizontal).
A EnerArea foi criada no âmbito da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) para gerir processos nas áreas das energias e ambiente. Na sua actividade tem verificado uma forte adesão à produção de energias renováveis, havendo cada vez mais pessoas interessadas.
Para os responsáveis pelo processo os benefícios ambientais e a rendibilidade do investimento são os principais atractivos. O investimento por instalação ronda os 22 mil e 500 euros. Por sua vez o custo da electricidade que consumimos é de 11 cêntimos por kWh, enquanto que a vendida à rede eléctrica é paga a 65 cêntimos, facto que explica a forte adesão ao processo. O acerto de contas, entre o deve e o haver, é feito na factura da electricidade e a diferença depositada na conta bancária do produtor/consumidor de energia.
plb
«Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos!» Foi em forma de verso espontâneo que o escritor Manuel Leal Freire, natural da Bismula, saudou os presentes no Auditório Municipal do Sabugal. Misturando o discurso fácil com o fácil versejar a sua intervenção histórica foi outro dos momentos altos das comemorações. O politólogo Manuel Meirinho falou de custos e oportunidades no Sabugal de hoje.
A saudação veio ao jeito de folclore ribacodano porque no sentir de Manuel Leal Freire o raiano tem uma noção maior da Humanidade.
«Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos / A minha voz vai soar / por cima da rosa dos ventos / Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos!»
Feita a saudação ficou estabelecida uma antecâmara para aquilo que disse de seguida um dos maiores escritores raianos apoiado numa espécie de título por si criado «A Beira raiana, a família, a grei e a crença».
«Na Ruvina os padres apregavam a carta e guia de casados de Francisco Manuel de Melo. Havia os três casamentos: de Deus, do diabo e da morte.
O amor para ser amor tem que durar a vida inteira. Quem amou uma segunda vez é porque não amou da primeira», sentenciou Leal Freire. Continuando…
«A família era, nesse tempo, o esteio. A educação começava muito antes do nascimento do filho. A Ruvina, terra de onde é natural o nosso homenageado de hoje, foi sempre uma terra merecedora das graças de Deus. Joaquim Manuel Correia teve um um tio padre que iniciou a sua formação intelectual. A Igreja não se limitava a ensinar as verdades da fé porque até 1950 a escola não tinha uma função muito efectiva. Havia escola, às vezes em casas particulares, mas nem toda a gente a frequentava. Para aprender a ler e a escrever era necessário ir à catequese. O padre ensinava o trívio (gramática, retórica e dialéctica) e o quadrívio (aritmétical, música, geometria e astronomia) o conjunto das artes liberais. Havia um papel formativo (não digo repressivo) sobre os indivíduos.
Nesse tempo, início do século XX, havia muito solidariedade entre as pessoas. Ardia uma meda e todos colaboravam, havia as irmandades e as confrarias que colocavam fundos à disposição dos irmãos porque nesse tempo não havia bancos.»
E terminou com ideias-chave declamadas em frases soltas:
«Há uma força que nos impele. O povo somos nós todos. Os mortes governam os vivos. A história é mesmo isto. Pela história se constrói o futuro. Com a memória dos mortos que é lição para os vivos.»
Outro dos participantes na palestra foi o politólogo soitense Manuel Meirinho que abordou e analisou o «Sabugal de Hoje» e a vertente da Interioridade.
«Vamos falar de modelos de desenvolvimento para o Sabugal que, na minha opinião, não carrega nenhum fardo específico da Interioridade.
No ponto 1, o Modelo estrutural de desenvolvimento analisamos os modelos dos grandes eixos de desenvolvimento entendendo o País numa linha de três eixos.
Os indicadores sociais indicam que à data do nascimento de Joaquim Manuel Correia havia cerca de 12 mil residentes, ou seja, praticamente a mesma população que existe actualmente. Em 1960 atinge um pico de 36 mil habitantes altura em que se inicia a emigração, principalmente para França.
A questão de fundo ou, se preferirmos, o problema de fundo sobre como devemos encarar o problema da desertificação? Se é uma ameaça ou uma oportunidade? Tem uma resposta simples mais complexa. Este problema é uma oportunidade que temos de saber aproveitar.
1.º Comemoramos os 150 anos do nascimento de Joaquim Manuel Correia. Hoje é um tempo novo. O grande desafio é o tempo novo. A oportunidade reside na diferenciação, ou seja, criar um produto novo para um tempo novo com gestão de médio e longo prazo. Aqui o papel central passa pelo Governo local, pelos autarcas regionais.
Nos municípios das grandes urbes há uma grande pressão imediatista que não acontece no Interior. É uma vantagem. Os políticos podem decidir com políticas que não obrigam a resultados imediatos.
O que não desertifica são os recursos físicos, materiais e sociais que têm que ser aproveitados para fazer a diferença. Não é possível contrariar os capitais móveis, ou seja, as pessoas. É fundamental valorizar o que temos físico. É fundamental apostar e promover os recursos naturais. Esses não migraram. Estão cá e tem cada vez mais qualidade.
O nosso grande desafio é aproveitar e promover os produtos do Sabugal. Recompor, modernizar e reposicionar o produto regional raiano.»
Mais uma abordagem especializada ao problema da desertificação e da Interioridade, desta feita, pelo politólogo Manuel Meirinho.
(continua)
jcl
A definição de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho é uma tarefa colectiva, para a qual todos temos o dever de contribuir.
Após algumas crónicas de enquadramento, inicio hoje a apresentação de um conjunto muito restrito de projectos essenciais para a concretização de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
E começo, de acordo com o que já tinha afirmado, por projectos que visam a promoção da qualificação dos cidadãos.
Compreenderão que não me irei alongar na caracterização de cada projecto, até porque considero que a denominação dos mesmos e a sua importância são claramente entendíveis e, quase sempre, consensuais.
São projectos que obrigam os eleitos locais a adoptarem novas atitudes, e impõem o estabelecimento de parcerias envolvendo as Administrações Local e Central, as Escolas e os diferentes parceiros privados.
Eis então os projectos:
1. Programa de Alfabetização de Adultos, tendo como meta a alfabetização da totalidade da população do Concelho.
2. Programa de aumento dos níveis de escolaridade, tendo como meta que todos os residentes no Concelho com idade inferior a 50 anos possuam, pelo menos, o 9º ano de escolaridade e que todos os residentes com idade inferior a 40 anos possuam o 12º ano.
3. Programa de Alfabetização em Tecnologias Informáticas, tendo como meta que todos os alunos das Escolas do Concelho possuam o Diploma de Competências Básicas em Tecnologias da Informação, e que toda a população activa possua idêntica certificação.
4. Programa de Especialização Tecnológica, tendo como meta criar, em parceria com as Instituições Universitárias e Politécnicas da Guarda, Covilhã e Castelo Branco, a Escola Secundária do Sabugal e o sector empresarial um Centro de Formação de Excelência supra-municipal, visando a aquisição do nível 4 de formação profissional e técnica pós-secundária, e ministrando Cursos de Especialização Tecnológica.
5. Programa Carta Educativa, tendo como meta a construção dos Centros Educativos definidos.
6. Programa «Ensino da Língua Espanhola», tendo como meta a adopção em todas as escolas do Concelho do ensino da língua espanhola visando reforçar as ligações culturais, sociais e económicas transfronetiriças.
7. Programa «Centro de Ciência Viva», tendo como meta a criação de um Centro de Ciência Viva no Concelho do Sabugal.
8. Programa «Fixação de Professores», tendo como meta a criação de condições sócias e económicas para a fixação de professores no Concelho.
9. Programa «O Empreendedorismo na Escola», tendo como meta criar um espírito empreendedor nos jovens, e criando condições de apoio à concretização de projectos de investimento.
10. Programa «Formação Contínua», tendo como meta o apoio à aprendizagem ao longo da vida da população em geral e da população activa em particular.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
ramiro.matos@netcabo.pt

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