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O Município do Sabugal em parceria com a «Empresa Municipal Sabugal+», organizou uma homenagem ao meu conterrâneo Joaquim Manuel Correia, por ocasião dos 150 anos do seu nascimento, com o concomitante lançamento do seu romance inédito «Celestina».

José Robalo – «Páginas Interiores»É com regozijo acrescido que saúdo esta iniciativa, registando com muito agrado o contributo da família deste homem de letras, para a promoção da obra e da figura ímpar que foi Joaquim Manuel Correia.
Na qualidade de membro da Assembleia Municipal do Sabugal, vai para mais de 15 anos que sugeri que o executivo camarário contactasse o Conselho Executivo da Escola Secundária do Sabugal, no sentido de ligar o nome desta emérita figura das letras, a este estabelecimento de ensino, de forma a que a Escola Secundária do Sabugal viesse a poder ser designada como Escola Secundária Joaquim Manuel Correia. Constato volvidos todos estes anos, com alguma mágoa, que apesar da rua que dá acesso a tal estabelecimento de ensino ter o nome deste meu conterrâneo, a escola continua a ser apenas Escola Secundária do Sabugal.
Homenagear um sabugalense do vulto do Joaquim Manuel Correia, no meu modesto entendimento, não deve limitar-se a uma cerimónia de cortesia, com palavras de circunstância, onde um exímio painel de oradores põe à prova a sua dialéctica, por mais eloquente que esta seja.
Homenagear Joaquim Manuel Correia, mereceria uma visita aos locais onde viveu, a sua casa, de seus familiares e amigos e se possível transportar o supra-referido naipe de oradores para a Ruvina, a aldeia do homenageado, envolvendo os seus conterrâneos através da Junta de Freguesia.
Acresce que se pretendemos projectar esta figura para o futuro, penso que estamos no momento certo para lançar um museu ou uma fundação sedeada na Ruvina que venha ser responsável pela promoção da cultura, da educação, no apoio aos nossos jovens mais carenciados com atribuição de Bolsas de Estudo e até uma instituição assistencial e filantrópica com apoio a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, com necessidades educativas especiais, etc., etc… Não podemos esquecer que na Ruvina dispomos de uma instituição, a Casa de Cristo Rei, com pergaminhos no campo da acção social.
É o próprio homenageado que nas suas «Memórias do Concelho do Sabugal» (p. 239, edição da Câmara Municipal), refere: «Desde longa data existe na Ruvina o gosto pela instrução. Apesar de ser uma freguesia pequena, das menos populosas do concelho, raras vezes tem tido pároco estranho à povoação e quasi sempre tem tido ao mesmo tempo dois e mais eclesiásticos.»
A Ruvina de facto sempre teve famílias ilustres que souberam de forma superior dignificar a terra que os viu nascer, desde a família do próprio homenageado que saúdo na pessoa da Dr.ª Natália Correia Guedes, hoje administradora da Fundação Oriente e Comissária de uma exposição sobre a China a ser inaugurada no próximo dia 8 de Maio em Lisboa, às famílias Diniz da Fonseca, Monteiro Limão e à família Feytor Pinto para citar apenas algumas.
Penso que uma Fundação desta envergadura presidida pelo meu conterrâneo Padre Feytor Pinto, só nos honraria e levaria bem longe o nome da nossa terra e do Sabugal.
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Para ler: Celestina, e Memórias do Concelho do Sabugal, de Joaquim Manuel Correia, ed. Câmara Municipal do Sabugal.
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Para ouvir: «The Jamie Saft Trio, Plays Bob Dylan», Trouble, ed. Tzadik.
«Joe Henry», Civilians.
«McCoy Tyner Quartet», Walk Spirit, Talk Spirit, McCoy Tyner Music.
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«Páginas Interiores» opinião de José Robalo

joserobaload@gmail.com

O romance inédito de Joaquim Manuel Correia «Celestina-Episódios da última guerrilha carlo-miguelista» foi apresentado no sábado, 5 de Abril, durante as comemorações dos 150 anos do seu nascimento que decorreram no Auditório Municipal do Sabugal. A edição da obra pertence à Câmara Municipal do Sabugal e à Empresa Municipal Sabugal+ com o apoio da família do autor.

O manuscrito «Celestina» está datado de 1904 quando Joaquim Manuel Correia já vivia nas Caldas da Rainha e a última revisão de 1945 pouco antes de morrer.
Posteriormente o filho Fernando voltar a rever as 726 páginas em formato A5 dactilografado por quatro pessoas em 1966. Foi por essa altura que Jesué Pinharanda Gomes teve em seu poder o romance com o objectivo de preparar a sua edição o que não se veio a concretizar.
«Celestina» é um romance histórico que nos ajuda a compreender as aldeias sabugalenses do final do séc. XIX e princípios do séc. XX.
«O retrato da vida de aldeia, simples, pura, familiar, temperada com a rudeza do trabalho do campo que, embora nem um nem outro tivessem experimentado directamente, assistiram ainda em passeios a quintas, tapadas e lameiros; o diálogo vivo raiano em que o uso da gíria quadrazenha empresta um sabor regional único: a presença de Coimbra, marcante na vida de ambos, como em qualquer das gerações estudantis de oitocentos – o rio, os passeios no Choupal, as serenatas ao luar, as partidas aos lentes e, finalmente os estados de alma – as paixões, os ódios, os ciúmes que entusiasmavam os seus espíritos românticos, poetas como o foram ambos, autor e filho revisor» pode ler-se na dedicatória e agradecimentos da neta do autor Natália Correia Guedes na introdução do romance.
Aproveitamos ainda para destacar um outro passo da mesma introdução: «Entre duas paixões se desenrola a acção de Celestina, a guerrilha política carlo-miguelista e o amor impossível de Celestina por D. Benito. Na sua órbita tanto aparecem os meandros secretos da Ordem de São Miguel da Ala, como a pacatez aldeã com todo o sabor e sabedoria das gentes e da Natureza, das refeições à lareira, dos trajes, da luz e das sombras da candeia, dos jogos tradicionais, das festas, das rezas para curar, das artes e das técnicas. A acção passa-se entre 1872-75, em plena Pavorosa, à facção miguelista tinham aderido não só ricos proprietários e fidalgos, mas também párocos de dezenas de aldeias próximas de Aldeia da Ribeira, quartel-general do cérebro, o padre João de Matos, o Barrocas, Aldeia da Dona, Vale das Éguas, Miuzela, Aldeia da Ribeira, Cró, Valongo, Alfaiates, Quintas de São Bartolomeu, Lajeosa, Aldeia do Bispo, Fóios, Aldeia Velha, Malhada Sorda, Vila do Touro, para citar apenas algumas.»
E como mais vale tarde do que nunca é justo destacar o empenho de Manuel Rito, presidente da Câmara Municipal do Sabugal e de Norberto Manso, presidente da Sabugal+ que abraçaram este projecto e o deram à estampa.
O Capeia Arraiana recomenda vivamente o romance «Celestina» que ao longo das suas 500 páginas nos ajuda a compreender melhor os últimos 150 anos das nossas terras e das nossas gentes raianas.
jcl apoiado em excertos retirados da introdução à obra

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