A definição de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho é uma tarefa colectiva, para a qual todos temos o dever de contribuir.
Apresentei em crónicas anteriores a minha proposta de visão estratégica para o desenvolvimento do Concelho - construir um Sabugal enquanto território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza -, tendo deixado claro que o passo seguinte seria a definição de um conjunto de projectos essenciais para a sua concretização.
As idas recentes ao Sabugal, obrigam-me, no entanto, a abordar uma questão prévia e fundamental para que qualquer estratégia de desenvolvimento possa ter sucesso – a motivação dos sabugalenses.
Na verdade, e falando com conterrâneos e amigos, detecto um estado de alma e uma abordagem das questões que hoje se colocam ao Concelho que é, quase sempre, a posição, desculpem-me o exagero, do «desgraçadinho», definindo a situação como se não passássemos de um conjunto de «deserdados», aqueles sobre quem cai o cutelo da interiorização, da desertificação, do envelhecimento, do isolamento, resultado de uns quantos mauzões que decidem contra nós, a favor dos do litoral.
A minha vida profissional ensinou-me a definir os problemas de uma forma activa e não passiva, aprendendo que os problemas do Concelho do Sabugal não são a interiorização, a desertificação, o envelhecimento ou isolamento.
Se queremos definir o problema fundamental que hoje se coloca, então defino-o desta forma:
O que fazer para ultrapassar as situações de interiorização, desertificação, envelhecimento e isolamento?
A hora não é de queixas ou de apontar «bodes expiatórios». A hora é de, reconhecendo as nossas fragilidades e debilidades, não deixando de corresponsabilizar os outros pela situação a que se chegou, e assentando nas oportunidades e nas potencialidades que existem, definir um rumo e tomar as decisões que invertam a situação e nos coloquem de novo, como diz a marcha que todos sabemos ou devíamos saber de cor,
«E na hora do progresso
A caminhar és primeira
Eis avante no sucesso
A conquista derradeira»
As atitudes passivas, fatalistas e derrotistas que muitas vezes temos, podem-nos aconchegar a alma, mas não respondem à questão que levantei acima.
Nomear «culpados» pode-nos dar uma sensação de desculpa, mas não dá frutos.
O Concelho exige de todos mais, exige termos uma postura activa de, face a uma situação difícil, encontrar as respostas e os caminhos do progresso e do sucesso.
Não é verdade que o Sabugal esteja a morrer.
Não é verdade que não haja solução.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
ramiro.matos@netcabo.pt

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1 comment
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Quinta-Feira, 10 Abril, 2008 às 3:23 am
tutatux
Estou de acordo.
Mas onde está a verdadeira união de esforços?
Os Portugueses não são conhecidos pela sua capacidade de trabalhar em conjunto, preferem defender os seus quintais em vez de colaborar.
Quando se pretende fazer algo que contribua para o desenvolvimento, não se pode deixar de sentir as barreiras criadas por gente que olha para o outro como um inimigo a abater em vez de o olhar como um cooperante.
Não é com atitudes de exclusão que se pode levar as pessoas a participar num desenvolvimento efectivo.
Há que aproveitar e apoiar todas as iniciativas dos que querem defender uma região e uma cultura em vez dos excluir.
Acredito que só com atitudes sérias e honestas que tendam a promover a cooperação, com um efectivo incremento da qualidade dos serviços prestados e da qualidade dos produtos produzidos, acompanhados de uma efectiva e eficiente promoção, se pode chegar a algum lado, até lá andamos cada um para seu lado a bradar aos céus que nos tire desta desdita.