A definição de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho é uma tarefa colectiva, para a qual todos temos o dever de contribuir.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Apresentei em crónicas anteriores a minha proposta de visão estratégica para o desenvolvimento do Concelho - construir um Sabugal enquanto território sustentável e competitivo, atractivo para viver, trabalhar e investir, preservando as memórias, as tradições e a natureza -, tendo deixado claro que o passo seguinte seria a definição de um conjunto de projectos essenciais para a sua concretização.
As idas recentes ao Sabugal, obrigam-me, no entanto, a abordar uma questão prévia e fundamental para que qualquer estratégia de desenvolvimento possa ter sucesso – a motivação dos sabugalenses.
Na verdade, e falando com conterrâneos e amigos, detecto um estado de alma e uma abordagem das questões que hoje se colocam ao Concelho que é, quase sempre, a posição, desculpem-me o exagero, do «desgraçadinho», definindo a situação como se não passássemos de um conjunto de «deserdados», aqueles sobre quem cai o cutelo da interiorização, da desertificação, do envelhecimento, do isolamento, resultado de uns quantos mauzões que decidem contra nós, a favor dos do litoral.
A minha vida profissional ensinou-me a definir os problemas de uma forma activa e não passiva, aprendendo que os problemas do Concelho do Sabugal não são a interiorização, a desertificação, o envelhecimento ou isolamento.
Se queremos definir o problema fundamental que hoje se coloca, então defino-o desta forma:
O que fazer para ultrapassar as situações de interiorização, desertificação, envelhecimento e isolamento?
A hora não é de queixas ou de apontar «bodes expiatórios». A hora é de, reconhecendo as nossas fragilidades e debilidades, não deixando de corresponsabilizar os outros pela situação a que se chegou, e assentando nas oportunidades e nas potencialidades que existem, definir um rumo e tomar as decisões que invertam a situação e nos coloquem de novo, como diz a marcha que todos sabemos ou devíamos saber de cor,

«E na hora do progresso
A caminhar és primeira
Eis avante no sucesso
A conquista derradeira»

As atitudes passivas, fatalistas e derrotistas que muitas vezes temos, podem-nos aconchegar a alma, mas não respondem à questão que levantei acima.
Nomear «culpados» pode-nos dar uma sensação de desculpa, mas não dá frutos.
O Concelho exige de todos mais, exige termos uma postura activa de, face a uma situação difícil, encontrar as respostas e os caminhos do progresso e do sucesso.
Não é verdade que o Sabugal esteja a morrer.
Não é verdade que não haja solução.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

ramiro.matos@netcabo.pt