Há mais de 40 anos, visitei, por convite, o médico dr. Fernando da Silva Correia, em Lisboa. O dr. Fernando é filho do Dr. Joaquim Manuel Correia, este nascido na Ruvina e, aquele, nascido no Sabugal, mesmo na vila.
O dr. Fernando sabendo do meu interesse pelos temas ribacudanos, achou por bem revelar a existência de um importante manuscrito legado por seu pai (que foi grande etnógrafo e autor das «Memórias do Concelho do Sabugal»), legado esse constituído por grande variedade de peças literárias e de desenhos, mas, sobretudo, por um romance, intitulado «Celestina». O romance assenta nos episódios reais das guerrilhas entre carlistas e fernandistas, provocadas pela sucessão ao trono de Espanha, em que o carlismo teve em Portugal duas figuras, o Montejo, celebrado no romance «A Rosa da Montanha», de António José de Carvalho, e o Padre João de Matos, ou Padre João Barrocas, o guerrilheiro carlista de Aldeia da Ponte.
No quadro da guerrilha raiana, há um romance de amor, tudo com fundamentos históricos e notas muito interessantes sobre os costumes e a vida social da região sabugalense. Tem analogias com o «Maria Mim» de Nuno de Montemor.
Aquando da visita, o dr. Fernando Correia revelou o seu empenho em publicar o romance, pelo que cheguei a escrever um artigo em defesa do projecto, mas sem efeito.
Mais vale tarde do que nunca. Sabemos de fonte fidedigna que o romance vai ser editado, porque a dra. Natália Correia Guedes se empenhou em dar cumprimento à vontade do dr. Fernando, de quem é sobrinha.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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