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«Com um Bornal Roto às Costas» é um livro da autoria de Sérgio Paulo Silva, um amante da caça que também adora as terras raianas do concelho do Sabugal, e a elas dedica muitas linhas.
O livrinho tem uma curiosa e invulgar dedicatória: «à aldeia de Vale de Espinho». Isto surge porque Sérgio Silva aportou um dia com os amigos caçadores nessa terra, por mero acaso, já que gostavam de andar à aventura. Era Dezembro e o frio imperava no largo da aldeia onde os caçadores estacionaram a caravana. Vendo-os assim, tolhidos pelo frio, o Domingos Vinagre e a sua mulher Ermelinda chamaram-nos a casa, onde lhes ofereceram o calor do borralho. Para aqueles homens errantes, que haviam andado por todo o lado, aquilo foi acto único e inesquecível, só possível de praticar por gente de alma limpa, como era a daquela aldeia raiana. Passaram a amar a terra e povo que a habitava.
Vale de Espinho passou a ser a segunda terra de Sérgio Paulo Silva, ou a sua terra de adopção. Ali passou a estar em todas as aberturas da caça, sempre com os seus amigos de aventuras. Ali se abasteceram de queijos e cabritos, ali passaram a comer a boa gastronomia raiana. As estadas incluíam sempre idas aos Fóios, ao BeiraCôa e ao Lei Troncho, onde fizeram especial amizade com o Zé Manel, presidente da Junta, professor e bom conviva.
O livro descreve pois as aventuras destes amantes da arte de Diana. Aborda os belos momentos que essa prática proporciona, para além dos tiros de espingarda e o abate de coelhos e perdizes. Na caça passeia-se pelo campo, inspira-se ar puro, esquece-se a pressão da vida quotidiana e retemperam-se as forças.
Sérgio Silva é de Salreu, aldeia do concelho de Estarreja, no distrito de Aveiro. Gosta de deambular pelo País, caçando e conhecendo as terras e convivendo com as pessoas. Mostra ser apreciador da boa gastronomia popular, e nisto estão bem posicionadas as terras raianas do concelho do Sabugal, as quais tanto visita.
É livro de edição particular, que gentilmente cedeu aos amigos. Não estando à venda em livrarias é algo raro e especial, que bem merece a pena procurar porque é de aprazível e fundamental leitura.
plb
Há mais de 40 anos, visitei, por convite, o médico dr. Fernando da Silva Correia, em Lisboa. O dr. Fernando é filho do Dr. Joaquim Manuel Correia, este nascido na Ruvina e, aquele, nascido no Sabugal, mesmo na vila.
O dr. Fernando sabendo do meu interesse pelos temas ribacudanos, achou por bem revelar a existência de um importante manuscrito legado por seu pai (que foi grande etnógrafo e autor das «Memórias do Concelho do Sabugal»), legado esse constituído por grande variedade de peças literárias e de desenhos, mas, sobretudo, por um romance, intitulado «Celestina». O romance assenta nos episódios reais das guerrilhas entre carlistas e fernandistas, provocadas pela sucessão ao trono de Espanha, em que o carlismo teve em Portugal duas figuras, o Montejo, celebrado no romance «A Rosa da Montanha», de António José de Carvalho, e o Padre João de Matos, ou Padre João Barrocas, o guerrilheiro carlista de Aldeia da Ponte.
No quadro da guerrilha raiana, há um romance de amor, tudo com fundamentos históricos e notas muito interessantes sobre os costumes e a vida social da região sabugalense. Tem analogias com o «Maria Mim» de Nuno de Montemor.
Aquando da visita, o dr. Fernando Correia revelou o seu empenho em publicar o romance, pelo que cheguei a escrever um artigo em defesa do projecto, mas sem efeito.
Mais vale tarde do que nunca. Sabemos de fonte fidedigna que o romance vai ser editado, porque a dra. Natália Correia Guedes se empenhou em dar cumprimento à vontade do dr. Fernando, de quem é sobrinha.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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