O escritor sabugalense António Emídio brindou-nos com novo livro, mais uma vez voltado para a análise social e política. Trata-se de um romance marcado pela sua ânsia de comunicar e de partilhar as preocupações perante o mundo de injustiças em que vivemos.
António Emídio, é uma voz que clama no deserto. O seu novo livro, na senda dos anteriores, representa um acto de protesto contra as lógicas de hoje e os males de que enfermam as democracias modernas. Algo muito pouco analisado nos dias que correm, em que as pessoas, vivendo a febre do consumismo, numa liberdade aparentemente sem limites, não se apercebem do rumo que o mundo está a seguir. O campo está aberto para os que, sem escrúpulos, se vão aproveitando da situação, obtendo para si ganhos de toda a ordem, em detrimento dos males de que enfermam as populações.
A história começa no dia em que morreu Salazar, no ano de 1970, e acaba na actualidade. Dois jovens, que nasceram e cresceram na mesma aldeia, têm desde cedo diferentes formas de viver e de conviver em sociedade. A mesma camioneta de carreira leva-os da aldeia, a caminho de Lisboa, onde vão prosseguir os estudos. Aí cada qual vive no seu meio estudantil, um ingressando nos movimentos de luta contra a ditadura e outro vivendo unicamente para os estudos e convivendo com alguns servidores do regime. A revolução dos cravos apanha-os a ambos na capital e cada um vive de sua forma o acontecimento.
O que lutou contra a ditadura mantém-se sempre fiel às suas convicções, defendendo a liberdade e a justiça. O outro torna-se oportunista aderindo a cada momento aos partidos dominantes, numa inabalável ânsia pela riqueza e pelo poder.
A sociedade degrada-se e os sonhos de uma vida melhor num mundo mais justo e fraterno vão-se desfalecendo à medida que o tempo caminha e que as paixões revolucionárias dão lugar ao pragmatismo governativo e à submissão às políticas internacionais. O idealista mantém a esperança mas olha desolado para o estado a que as coisas chegaram, cansado e triste pelo rompimento do projecto de mudança que se iniciou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. O pragmático, desprovido de ideais, olha com avidez para cada mudança, procurando obter para si benefícios financeiros, que o fazem um homem rico e um dignitário do poder.
É o quarto livro que António Emídio publica. Todas as suas obras são verdadeiros aforismos ou alegorias, que nos revelam algo que temos de descortinar.
O livro «As Metamorfoses do Lobo» recomenda-se como exercício de interpretação. Queira o leitor interessado descobrir nas entrelinhas e nos enredos da história os alertas que o autor quis deixar.
A obra pode encontrar-se nas livrarias e papelarias do Sabugal.
plb

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