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Francisco Santos Vaz, brindou-nos com outro livro, desta feira reunindo um conjunto de anedotas, adivinhas, provérbios, passatempos e enigmas, que durante anos foi publicando no jornal Nordeste, de que é director.
O título é «Pantivária», precisamente o nome da rubrica das páginas do Nordeste que mensalmente publica pequenos textos de passatempos e divagações que o tornam mais interessante e o aliviam do forte peso institucional enquanto jornal de inspiração cristã e de índole paroquial.
Pode o assinante do Nordeste ter ou não tempo para o ler de fio a pavio, mas nunca pousa o jornal sem antes ler a coluna com as anedotas, os adágios e os passatempos. Os textos são de pequeníssima dimensão, imperando a economia das palavras, primando pela pontaria, pondo de lado rodeios e desnecessárias explicações. A sua leitura breve deixa invariavelmente o leitor alegre e satisfeito, quiçá até descontraído. Após o dia de trabalho, certamente cansado, retirou o Nordeste da caixa do correio, estirou-se no sofá, abriu o jornal e leu-lhe as «gordas». Se porventura algum texto lhe chamou a atenção deu-lhe uma vista de olhos, mas depressa essa mesma atenção se perdeu nas facécias que o Padre Chico ali colocou. Leu-as com satisfação, compôs um esgar de sorriso e, já relaxado, avançou para a leitura dos restantes artigos. Assim se começa a ler o Nordeste.
Muitas das facécias têm mesmo um sentido pedagógico e até moral, espraiando-se por variadas temáticas. Quanto à origem dos textos, há que dizer que nem tudo saiu da sabedoria e da prodigiosa memória do autor. Ele mesmo confessa: «As fontes são muitas: jornais, revistas, agendas, almanaques, encontros de amigos, conversas…».
Francisco Santos Vaz é natural da Bismula, concelho do Sabugal. Sendo sacerdote, paroquiou em várias terras do concelho, como a Bismula e Alfaiates, sendo actualmente pároco de Águas Belas. É licenciado em Filologia Clássica e foi professor do ensino secundário.
O «Pantivária» é o terceiro livro de Francisco Santos Vaz, seguindo-se a «Nordestinas e Sabatinas» (2003) e «Ao Longo do Caminhar» (2006). Cada publicação reuniu numa temática alguns dos textos que escreveu no Nordeste. Assim os retirou da efemeridade associada à publicação periódica, dando-lhes a merecida perenidade.
As encomendas podem ser feitas ao autor, que também é o editor: Av. 25 de Abril, n.º 32, 6320-345 Sabugal.
plb
A organização do Rock In Rio-Lisboa e o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações assinaram no dia 29 de Abril um protocolo apoiado numa campanha de sensibilização para a utilização de transportes públicos nos dias dos concertos.
Foi assinado esta quarta-feira, 29 de Abril, um protocolo entre o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, representado pelo ministro Mário Lino e a secretária de Estado Ana Paula Vitorino e Roberta Medina, vice-presidente da organização do Rock In Rio-Lisboa.
A parceria hoje formalizada nasce de uma sinergia entre as duas entidades com um objectivo comum: sensibilizar as pessoas para a importância da utilização dos transportes colectivos em vez do transporte individual.
A campanha «Goze a Viagem» para a promoção do transporte público vai ter como anfitrião o actor Ricardo Carriço que abraçou imediatamente esta iniciativa. O conceito desenvolvido para esta campanha está assente na valorização dos aspectos positivos do transporte público, utilizando uma linguagem simples, imediata, objectiva e transversal aos diferentes alvos de comunicação.
Dois elos estabelecem a ligação do Rock in Rio-Lisboa 2008 com esta campanha. Por um lado, a temática do projecto social – as Alterações Climáticas – e, por outro, o Plano de Redução de Emissões de Carbono do evento.
A organização do Rock in Rio-Lisboa estabeleceu parcerias com todos os operadores de transportes para o desenvolvimento de uma rede especial para os dias do evento de modo a que o público chegue à Cidade do Rock e regresse aos seus destinos de uma forma rápida, confortável e… amiga do ambiente:
– Metropolitano: serviços especiais na Estação da Bela Vista até às três e meia da madrugada com ligação às linhas Vermelha e Verde;
– Transtejo: realiza serviços regulares entre Cais do Sodré e Cacilhas e entre o Terreiro do Paço e o Barreiro até às duas e meia da madrugada;
– Carris: além das carreiras da Rede da Madrugada, realiza carreiras com partida junto ao pórtico da Cidade do Rock até duas horas depois do último concerto do Palco Mundo;
Fertagus: comboio especial que parte cerca de uma hora depois do encerramento do evento da estação Roma/ Areeiro para a margem Sul;
– CP: para além do ROCKCard CP, um produto especial para os moradores do Norte do país, a CP disponibiliza um comboio especial nas Linhas de Sintra e de Cascais, saindo cerca de uma hora após o final do evento respectivamente das estações Roma/ Areeiro e Cais do Sodré.
aps
Fala-se abundantemente da falta de motivos importantes no Sabugal que motivem e tragam ao concelho pessoas de outras localidades, combatendo a desertificação da região. Ora, aqui está um bom motivo que, com outros existentes mas ainda por explorar, poderão contribuir para a vinda ao concelho de gentes de outras regiões.
Custa-me, sinceramente deixar um tema para trás sem ter a certeza que esgotei todo o seu conteúdo. Julgo portanto, não maçar os nossos leitores se voltar a escrever sobre a presença de povos que em tempos remotos passearam pela região de que sou natural e deixaram vestígios seus muito fortes, que teimam em permanecer, pese embora os responsáveis locais nada tenham feito para preservar o seu legado. E, mais grave ainda é o facto de apesar da sua obrigação em guardar a nossa história, ainda a destruíram! É preciso não ter qualquer sentimento ou amor à história a que estamos ligados. E foi o que fizeram os nossos responsáveis autárquicos!
Mas quer queiram, quer não, a aldeia dos Amiais, da freguesia de Aldeia de Santo António está e estará sempre ligada a povos remotos que a ocuparam e deixaram as suas marcas que atestam bem essa sua passagem.
Há duas semanas deixei aqui o meu testemunho de um possível povoado lusitano, situado no cume de um cabeço, povoado por carvalhos, cobertos de fungos brancos, de baixa altura, por causa, diz-se, «daquilo que se encontra lá por baixo!» ainda por estudar – «a moita – cabeça». Este monte, situa-se a Sul da dita povoação, da freguesia de Aldeia de Santo António e hoje, apresento algumas fotografias onde é possível verificar a forma circular do relevo ali existente.
Mas há outros sinais que testam a presença desses povos antigos e nossos conterrâneos: Primeiros os lusitanos, seguindo-se os romanos e agora nós. Próximo do lugar onde foi feita a exploração de água que ainda abastece parte da bonita cidade do Sabugal, muito próximo do pretenso «povoado lusitano», existia uma fonte romana, entretanto subterrada, sem dó nem piedade, pela autarquia do Sabugal aquando dos trabalhos de abastecimento de água. E também a calçada romana, foi entretanto coberta por cascalho e outros produtos para permitir a passagem de carros de bois único meio de transporte dos produtos agrícolas, outrora abundantes naquele local. No extremo norte à povoação, junto ao actual tanque público de lavagem de roupa e à actual fonte de mergulho (erradamente chamada de romana) também ali existiu, no final de uma regadeira, na esquina com uma edificação em pedra uma outra fonte, essa sim, romana que já foi «destapada» em tempos de muita seca para matar a sede à população pois a actual secara completamente, segundo me assegurou a D. Virgínia, uma jovem senhora com 83 anos de idade, segurando o seu cajado, fiel amigo de alguns tempos que a ajuda a manter um pouquinho mais direita.
Por outro lado, existe um caminho que era muito procurado e utilizado pela população, pois era a aquele que permitia chegar mais depressa à sede da freguesia na altura, a bonita aldeia de Urgueira e que por isso tomou o seu nome: caminho da Urgueira. Tem o seu início na estrada nacional – Sabugal – Terreiro das Bruxas, passa junto à moita – cabeça e depois junto a outro achado arqueológico já próximo de Aldeia de Santo António – as sepulturas romanas. Este caminho actualmente não está transitável pois no seu seio cresceram carvalhos e são muitas as pedras que o tornam irreconhecível. Parte dele, encontra-se até tapado com uma cancela, para guarda do gado que por lá passava. Era urgente a limpeza deste trajecto, pois para além de ter grande utilidade, serviria para o acesso ao povoado lusitano e por isso um lugar de passagem obrigatória para quem se interessa pelo passado. As sepulturas romanas, as que restam, encontram-se em bom estado de conservação, conforme se pode observar pelas fotografias que aqui deixo. Estes monumentos romanos de que restam apenas três eram muitas mais. As restantes foram destruídas, na exploração da rocha onde se encontravam, para construção de casas em Aldeia de Santo António, como me foi dito pela Sra D. Virgínia, dos Amiais, que era a proprietária daquele lugar e o doou à Junta de Freguesia.
Por tudo quanto ficou aqui dito, é urgente que as autoridades locais, a Câmara e os seus serviços de arqueologia, reparem o mal que fizeram ao património arqueológico ali existente: Destruição ou ocultação de fontes e calçada romanas, Iniciar a exploração arqueológica do povoado previsivelmente existente no cume da moita-cabeça e reparar o caminho antigo da Urgueira para permitir a visita aos locais indicados como de interesse histórico. Assim reparar-se-ia a injustiça praticada a este povo – Amiais, quando lhe retiraram compulsivamente toda a sua abundante água ali existente para bem e comodidade exclusiva das pessoas que habitam a cidade.
Fala-se abundantemente da falta de motivos importantes no Sabugal que motivem e tragam ao concelho pessoas de outras localidades, combatendo a desertificação da região. Ora aqui está um bom motivo que, com outros existentes mas ainda por explorar, poderão contribuir para a vinda ao concelho de gentes de outras regiões. É urgente explorar todos os recursos existentes! Não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar oportunidades?
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo
dr_jfricardo@hotmail.com
Foi no dia 26 de Abril que se realizou o 3.º Encontro de Antigos Alunos e Professores do Colégio do Sabugal (1952-1986), a organização que demonstrou um grande empenho na realização do evento, esteve a cargo de Maria José Teixeira, Maria Lucília Chapeira, Bela Robi e João Silva, compareceram cerca de uma centena e meia de convivas.
Foi no auditório Municipal, que se foram reunindo os participantes, e começou por intervir Ducílio Sapinho apresentando a todos a Associação Sabugal Sec. XXI, já devidamente legalizada e tendo como fundadores antigos alunos do colégio do Sabugal e não só, e na qual aparecem alguns nomes notáveis da vida publica Portuguesa, referiu então o objecto da Associação: «A Associação, sem quaisquer compromissos raciais, políticos ou confessionais, tem por finalidade apoiar, promover e defender o desenvolvimento harmonioso do Sabugal e seu concelho, com particular incidência na felicidade das suas gentes, actuando e intervindo, activamente, em todas as áreas de actividade ou cooperando com outras instituições, sempre na senda da lealdade, dignidade e justiça».
A ideia foi bem acolhida, e muitos dos presentes aproveitaram para se fazerem sócios, contribuindo assim para o crescimento desta Associação.
De seguida foi a vez de o homem carisma e director do colégio, Sr. Dr. Diamantino fazer a sua intervenção, começando por saudar os antigos alunos, recordando o passado comum, as vivências, as alegrias e as tristezas e o sentimento de saudade da juventude deles e inclusivamente da sua própria, pois foi muito jovem que começou com a responsabilidade de dirigir algo tão importante como foi o Colégio de Sabugal…
Assistiu-se depois á actuação do grupo coral e cantares do Sabugal dirigido pelo professor Rui Chamusco, mais tarde rumou-se para o RaiHotel onde foi servido o jantar, e os participantes tiveram oportunidade de observar seis álbuns de fotos do tempo de estudante, e no meio da tanta foto e com um pouco de paciência cada um lá ia encontrando a sua, e ia reconhecendo outras. A animar o convívio esteve o grupo musical “Só Notas”, alguns ex-alunos mostraram os seus dotes para a música tocando viola e cantando, levando o público ao rubro. A organização distribuiu lembranças a cada participante e nomeou os mordomos para 2009, que são, Fátima Dias, Lurdes Bogas, Artur Lucas e José Alberto, ficando assim a realização do 4.º encontro assegurado.
João Nabais
A Culturguarda, empresa que gere o Teatro Municipal da Guarda (TMG), associou-se a instituições espanholas e apresentou duas candidaturas ao programa comunitário Interreg, com o objectivo de obter financiamento para projectos comuns.
Segundo declarações prestadas à Lusa por Américo Rodrigues, director artístico do TMG, as candidaturas, no valor global de 900 mil euros, foram propostas em colaboração com a Junta de Castilla e Léon, Fundação de Cultura de Salamanca e Ayuntamiento de Santa Maria de Tormes.
A parceria com a Junta de Castilla e Léon visa a realização de um festival de música étnica, a produção de um espectáculo de teatro «com actores da Guarda e de Salamanca» e um festival de blues, indicou.
A outra candidatura, segundo o mesmo responsável, envolve, além da vertente da formação, a edição de uma antologia de poetas da Guarda e de Salamanca, festivais de música clássica, teatro ibérico e de cinema.
Américo Rodrigues assinalou à Lusa que a aprovação das candidaturas «pode ser muito bom para o TMG porque esta aproximação a Espanha faz parte da construção da sua identidade».
«A originalidade do teatro, o que o diferencia dos outros, é que nós também temos como preocupação a aproximação com Espanha», frisou.
«Para nós, está claro que temos de colaborar com os nossos vizinhos espanhóis», disse ainda o director do TMG, para justificar as candidaturas ao programa Interreg.
O Teatro da Guarda é a única estrutura de Portugal a integrar a «Rede de Teatros de Castilla y León», que permite uma grande circulação de espectáculos entre os dois países, em resultado de um protocolo celebrado com a Junta de Castilla e León.
O complexo do TMG, inaugurado em 25 de Abril de 2005, custou cerca de 10,5 milhões de euros.
Localizado no centro da cidade, junto do antigo Convento de São Francisco, nele funcionam o grande auditório (com capacidade para 626 pessoas), o pequeno auditório (com capacidade para 164), um café-concerto (com lotação para 100 pessoas) e uma galeria de exposições.
No último ano, promoveu 344 actividades e registou um total de 109.333 utentes, segundo a direcção.
plb
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6.º TORNEIO DE FUTSAL INTER-FREGUESIAS DO CONCELHO DO SABUGAL |
| GRUPO A – 1.ª JORNADA | |||
| NAVE | 3 | 8 | RAPOULA DO CÔA |
| ESCOTEIROS SOITO | 1 | 4 | TRIGAIS |
| L. A. SANTO ESTÊVÃO | 5 | 4 | QUINTAS SÃO BARTOLOMEU |
| CLASSIFICAÇÃO | ||||
| POS. | EQUIPA | PONTOS | G. M. | G. S. |
| 1.º | RAPOULA DO CÔA | 3 | 8 | 3 |
| 2.º | L. A. SANTO ESTÊVÃO | 3 | 5 | 4 |
| 3.º | TRIGAIS | 3 | 4 | 1 |
| 4.º | QUINTAS SÃO BARTOLOMEU | 0 | 4 | 5 |
| 5.º | ESCOTEIROS SOITO | 0 | 1 | 4 |
| 6.º | NAVE | 0 | 3 | 8 |
| GRUPO B – 1.ª JORNADA | |||
| ALDEIA DA PONTE | 5 | 3 | VILA BOA |
| C. CULT. ALDEIA VELHA | 3 | 13 | RENDO |
| CLASSIFICAÇÃO | ||||
| POS. | EQUIPA | PONTOS | G. M. | G. S. |
| 1.º | RENDO | 3 | 13 | 3 |
| 2.º | ALDEIA DA PONTE | 3 | 5 | 3 |
| 3.º | VILA BOA | 0 | 3 | 5 |
| 4.º | C. CULT. ALDEIA VELHA | 0 | 3 | 13 |
| 5.º | BOMBEIROS SOITO | – | – | – |
| GRUPO C – 1.ª JORNADA | |||
| SEIXO DO CÔA | 3 | 12 | PENALOBO |
| VILAR MAIOR | 3 | 9 | TRANSCUNDÂNIA |
| CLASSIFICAÇÃO | ||||
| POS. | EQUIPA | PONTOS | G. M. | G. S. |
| 1.º | PENALOBO | 3 | 12 | 3 |
| 2.º | TRANSCUNDÂNIA | 3 | 9 | 3 |
| 3.º | VILAR MAIOR | 0 | 3 | 9 |
| 4.º | SEIXO DO CÔA | 0 | 3 | 12 |
| 5.º | J. F. DE ALDEIA VELHA | – | – | – |
| GRUPO D – 1.ª JORNADA | |||
| ALFAIATES | 0 | 5 | FÓIOS |
| UNIDOS DA BOLA | 6 | 5 | GRUPO ETNOGRÁFICO SABUGAL |
| CLASSIFICAÇÃO | ||||
| POS. | EQUIPA | PONTOS | G. M. | G. S. |
| 1.º | FÓIOS | 3 | 5 | 0 |
| 2.º | UNIDOS DA BOLA | 3 | 6 | 5 |
| 3.º | GRUPO ETNOGRÁFICO SABUGAL | 0 | 5 | 6 |
| 4.º | ALFAIATES | 0 | 0 | 5 |
| 5.º | SORTELHA | – | – | – |
| GRUPO E – 1.ª JORNADA | |||
| ESTÊVO JOVEM | 9 | 5 | BARAÇAL |
| ALDEIA DO BISPO | 5 | 4 | ALDEIA SANTO ANTÓNIO |
| CLASSIFICAÇÃO | ||||
| POS. | EQUIPA | PONTOS | G. M. | G. S. |
| 1.º | ESTÊVO JOVEM | 3 | 9 | 5 |
| 2.º | ALDEIA DO BISPO | 3 | 5 | 4 |
| 3.º | ALDEIA SANTO ANTÓNIO | 0 | 4 | 5 |
| 4.º | BARAÇAL | 0 | 5 | 9 |
| 5.º | MALCATA | – | – | – |
| Actualizado em 29-4-2008 – Informação da Câmara Municipal do Sabugal |
Fomos até Évora ao encontro do Arcebispo D. José Alves em dia de Jornada Histórico-Teológica integrada nas comemorações dos 700 anos da Sé Catedral. Na Fundação Eugénio de Almeida e após o discurso de encerramento trocámos algumas impressões com o prelado sabugalense natural da Lageosa da Raia.
No final da conferência que encheu por completo o auditório da Fundação Eugénio de Almeida, D. José Alves, com amizade e simpatia acedeu a conversar com o Capeia Arraiana.
– É muito diferente ser bispo em Portalegre e arcebispo em Évora?
– Tem aspectos que são diferentes e tem outros que são iguais. A diocese de Évora é diferente porque, apesar de ser exclusivamente alentejana e ter a sede no centro, é a maior do País. A Diocese de Portalegre tem a sede no extremo o que alonga as distâncias a percorrer e é diferenciada porque inclui três distritos: uma parte de Portalegre, uma parte de Castelo Branco e uma parte de Santarém. O exercício do ministério episcopal, no essencial, é igual, lá e cá, e em questão de ruralidade são iguais.
Aproveitamos para saber um pouco mais sobre as comemorações que decorreram na Fundação Eugénio de Almeida.
«Cumprem-se em 2008 os 700 anos da dedicação da Sé de Évora. Há notícias da sua existência desde o século IV mas é a partir de D. Afonso Henriques que há dados históricos mais consistentes. A Fundação e a Diocese pretendem assinalar o ano de 1308 promovendo uma reflexão sobre a passado tendo em conta os aspectos cultural e histórico. As Sés são confiadas a um conjunto de cristãos a que se chama o Cabido. Têm a confiança do seu bispo e ocupam-se da gestão da Sé. Antigamente as Sés tinham funções de ensino. As escolas catedralícias estiveram na origem das Universidades. Neste caso concreto o cabido da Sé de Évora é célebre pelo ensino da música desde os séculos XVI e XVII. Os grandes mestres da música que foram contratados eram do melhor que havia na altura e viviam no edifício ao lado da Sé. Ensinavam música a jovens e a padres fundamentalmente para a liturgia. É um período áureo que está associado à presença da corte em Évora.»
– A cultura e o património arquitectónico estão ligados às religiões…
– Se retirarmos igrejas, conventos, mosteiros e monumentos evocativos pouco fica como património cultural em todo o Mundo. O melhor que há em pintura no Mundo está sempre relacionado com a religião. Mesmo fora do cristianismo, como nas pirâmides do Egipto, está presente a religião porque quando digo religião não digo apenas cristianismo…
– Ainda há tempo para ir ao Sabugal?
– Vou sempre que posso. Estive lá na altura do Natal e a seguir à Páscoa. Infelizmente os meus pais já faleceram mas a minha irmã ainda vive na Lageosa. Gosto imenso de voltar porque está lá a minha raiz. Gosto de conviver com aquela gente, gosto de respirar aqueles ares, ver aquele ambiente.
– O sotaque raiano ainda se sobrepõe ao alentejano…
– Nunca perdi o sotaque raiano e nunca apanhei o sotaque alentejano. Intencionamente posso falar com algum sotaque alentejano mas normalmente não acontece… Apesar de viver no Alentejo estive durante muitos anos ligado ao Seminário que que tem um ambiente heterogéneo. Claro que tenho contacto com o povo alentejano mas nunca apanhei o sotaque.
– Évora tem muitos religiosos naturais do Sabugal. A que se deve?
– A diocese de Évora tem muitos padres originários do concelho do Sabugal. Quando fui ordenado bispo há 10 anos eramos 18 sacerdotes sabugalenses e já tinham sido bastante mais. Monsenhor Arcebispo D. Manuel Mendes da Conceição Santos foi vice-reitor do seminário da Guarda e bispo de Portalegre. Tinha uma forte ligação com a Guarda e foi uma das razões. A outra é consequência de o Seminário Menor da Guarda (no Fundão) não comportar todas candidaturas e muitos eram enviados para Évora. Além disso os primeiros padres que se ordenaram daquela zona (Aldeia do Bispo e Aldeia da Ponte) serviram de elo de ligação para os que se seguiram. Lembro-me que viemos cinco jovens estudar para Évora porque conheciamos o padre.
– Mas é o primeiro arcebispo natural do Sabugal…
– Nos tempos recentes não houve nenhum. Os meus contemporâneos têm sido muito simpáticos comigo. Vieram a Évora quando foi da minha ordenação como bispo. Quando fui para Portalegre acompanharam-me também. Recordo a cerimónia que organizaram na Casa do Concelho do Sabugal. E agora quando foi da minha ordenação como arcebispo a 17 de Fevereiro aí estava um autocarro cheio além dos que vieram em carros particulares. Tenho que lhes agradecer porque têm sido de uma simpatia extrema.
E como as capeias estão sempre presentes nas conversas dos raianos…
«Há uma coisa que eu não dispenso nas capeias. Ir ao encerro e ver a prova. Agora há menos emoção porque tem que haver mais segurança e o touro grande já não foge. Na minha aldeia brincávamos às touradas e ao forcão. Havia sempre um de dimensões mais reduzidas para a miudagem. É feita a socialização desde tenra idade e depois assumimos as capeias quase como uma natureza. Ao contrário do que alguns pensam não tenho nada contra as capeias. Não tratam mal os animais, não lhe batem, não os picam. Se o touro marra é porque faz parte da natureza dele. Eu tenho uma teoria sobre isso. Para mim o forcão era um instrumento de caça. Nos tempos primitivos a única maneira de caçar animais ferozes era com um forcão. Não havia armas de fogo. O ritual em volta do forcão era de agressão e faz-me lembrar rituais ancestrais e uma forma de caçar.»
E aproveita para recordar um episódio quando era seminarista…
«Sendo eu ainda estudante devia ter voltado ao seminário no dia que coincidia com a capeia. Mas entusiasmei-me com a chegada dos touros e fiquei por lá. Mas para meu desconsolo os fiscais da Guarda Civil não os deixaram passar em Vilar Formoso e não houve tourada. Cheguei um dia mais tarde ao Seminário…» …e continuando após uma breve pausa… «As capeias fazem parte daquela vida raiana. Mas para além da festa dos toiros há outros aspectos interessantes que estão associados. É o convívio que se estabelece entre os amigos, as famílias. As capeias estão associadas às festas religiosas.»
– As nossas aldeias estão mais agarradas às tradições religiosas do que no Alentejo?
– Na Beira, na nossa zona é uma zona de prática religiosa regular. Todo aquele ambiente encaminha as pessoas para dentro da igreja. Aqui no Alentejo o indíce de frequência habitual à missa é de 12 por cento. A prática regular será à volta dos 10 por cento (9 são mulheres e um homens). Mas como aqueles que vão à igreja vão por sua iniciativa e eventualmente contrariando o ambiente sociológico que os rodeia logo são mais conscientes da sua fé e da sua prática. Comprometem-se mais com a prática da vida cristã.
– Além da parte religiosa tem no seu percurso iniciativas como o lar para mães solteiras em Portalegre. Há iniciativas sociais misturadas com a pregação religiosa?
– Sobre isso gostaria de dividir a resposta em duas partes. Em primeiro a prática da vida cristã implica também acção social. Ninguém poderá dizer que é um bom cristão se estiver à margem dos problemas sociais. Preocupação com a melhoria de vida dos seus semelhantes consignado no mandamento «Amai-vos uns aos outros». E em segundo a minha condição de bispo sou há seis anos, na Conferência Episcopal, o presidente da Condição da Pastoral Social que tem a ver com as Misericórdias, com centros sociais, com as capelanias dos hospitais e dos estabelecimentos prisionais, com a Cáritas e com a Comissão Justiça e Paz. Em Portalegre adaptámos um edifício de uma quinta que tinha sido doada à diocese há alguns anos, ampliámo-lo e criámos condições para receber adolescentes grávidas que se encontrem em dificuldades. Essa casa está pronta para funcionar. Ainda não tem ninguém em virtude de algumas questões burocráticas por resolver. É uma obra de muito mérito social que a cidade de Portalegre tem apoiado com muito carinho e penso que irá prestar os melhores serviços áquelas que dela precisarem.
E a finalizar…
– Trazemos-lhe um convite para estar presente na XXX Capeia Arraiana da Casa do Concelho do Sabugal que este ano volta à Praça de Toiros do Campo Pequeno…
– Fico feliz por se lembrarem de mim. Os fins-de-semana de um bispo estão sempre muito ocupados. Mas tudo farei para estar presente no dia 31 de Maio na festa dos sabugalenses em Lisboa.
jcl e plb
Visto que o feriado de 25 de Abril calhou numa sexta-feira, e com o bom tempo a ajudar, foram muitas as pessoas que saíram dos seus habituais locais de trabalho e residência para passear, visitar familiares e amigos e até mesmo para conhecerem outras regiões do nosso país.
Em Foios comprovou-se tudo o que acabo de referir. Largas centenas de pessoas por cá passaram. Foi muito bom o dia de mercado, último sábado de cada mês, ter coincidido com este período.
O Grupo Desportivo e Cultural do BPI já tinha agendada, desde há muito tempo, uma deslocação ao concelho de Sabugal. Cerca de 70 pessoas fizeram-se deslocar em autocarro e viaturas particulares.
No dia 25 visitaram e almoçaram no viveiro das trutas. De tarde visitaram a nascente do Côa e por volta das 18 horas foram recebidos no Centro Cívico de Foios tendo-lhes sido feito o retrato do concelho quer verbalmente quer através de projecção de fotos.
Esta delegação do BPI foi muito bem conduzida pelo nosso ilustre conterrâneo José Joaquim Marques, entre nós conhecido pelo Zeca Lindeza. Deste modo deu a conhecer, durante três dias, as belezas naturais deste nosso bonito município. Era assim que muitos outros sabugalenses deveriam fazer. Divulgar, desta forma, o concelho é contribuir para o progresso e desenvolvimento do mesmo.
Aproveito para felicitar o Zeca bem como o Zé Carlos Lages e a Exm.ª Direcção da Casa do Concelho que também já têm agendadas e programadas actividades similares.
Com organização do Clube Porsche Fans Portugal e por intermédio do Zé Carlos Lages vão estar no nosso concelho, nos dias 12 e 13 de Setembro, cerca de 70 ou 80 pessoas que se vão fazer deslocar em Porsches antigos. Na sequência da preparação da citada reunião o presidente do Clube Porsche entendeu que a concentração de aniversário agendada para o fim-de-semana de 5 e 6 Julho tivesse o seu início em Sortelha (com almoço) rumando de seguida em direcção à Serra da Estrela.
Também a direcção da Casa do Concelho está a organizar um rally-paper, que vai ter lugar no dia 21 de Junho, que passará pela maioria das freguesias do nosso concelho.
Então isto, meus senhores, não é uma forma de ajudar o nosso concelho? Quantas refeições se comem? Quantas camas se alugam? Quantos copos se bebem? E quantas dessas pessoas voltam em pequenos grupos ou a nível familiar?
E quantos amigos e conterrâneos, espalhados pelo país e estrangeiro, poderiam organizar e desenvolver actividades desta natureza? Todos dizemos – e muito bem – que o nosso concelho tem enormes possibilidades para se poder desenvolver através do turismo. É verdade, sim senhor. Mas é necessário e conveniente que criemos condições para que as pessoas fiquem com vontade de voltar e para que nos divulguem através de comentários que nos sejam favoráveis.
O concelho do Sabugal tem futuro! Há que acreditar!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
jmncampos@gmail.com
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal reúne em Assembleia Geral no dia 9 de Maio de 2008 na sede social. O Capeia Arraiana publica, para todos os associados, o respectivo edital.
Está convocada para sábado, dia 9 de Maio, a Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal.
Transcrição do Edital:
«Ramiro Manuel Lopes de Matos, Presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sabugal, usando dos poderes que me são conferidos pelo Artigo 23.º dos Estatutos da referida Associação, convoco a Assembleia Geral a ter lugar no dia 9 Maio de 2008, pelas 21 horas na Sede da Associação, com a seguinte Ordem de trabalhos:
– Apresentação, discussão e votação da conta de gerência relativa ao ano de 2007 e Parecer do Conselho Fiscal.
De acordo com o Artigo 20.º dos Estatutos, caso à hora prevista não se encontre presente a maioria dos sócios, a assembleia funcionará meia hora depois com qualquer número de sócios presentes.
Sabugal, 24 de Abril de 2008.
O Presidente da Assembleia Geral
Ramiro Manuel Lopes de Matos»
Faça uma cópia do edital aqui.
jcl
Durante a semana transacta o Grupo Territorial da GNR da Guarda procedeu à detenção de oito pessoas por condução sob influência do álcool, seis das quais no âmbito da operação «Abril Seguro».
A GNR da Guarda apresentou em nota à imprensa o balanço da actividade da última semana, de 21 a 27 de Abril, informando ter registado 50 ocorrências criminais, de onde se destacam nove situações de detenção em flagrante delito, oito das quais pelo crime de condução sob o efeito do álcool e uma por furto em estabelecimento comercial.
Uma boa parte das ocorrências tiveram lugar no âmbito da operação «Abril Seguro», que a GNR da Guarda realizou na madrugada do dia 26 de Abril, com o objectivo de fiscalizar o trânsito. Nessa operação foram detidos seis condutores por conduzirem sob influência do álcool e foram levantados 38 autos de contra-ordenação por diversas infracções. No total foram fiscalizados 476 veículos. Foi ainda identificada uma cidadã brasileira por permanência ilegal no País.
Das restantes ocorrências destacam-se seis crimes de ofensas à integridade física, cinco de dano, três de furto em estabelecimentos comerciais, três de furto de veículos e três crimes de violência doméstica.
Durante o período reportado registaram-se ainda 18 acidentes de viação, 12 dos quais em resultado de colisões e seis por despistes. Dos desastres resultou um ferido grave e três feridos ligeiros. Ainda segundo a nota da GNR, «a velocidade excessiva é apontada como a principal causa da sinistralidade rodoviária neste período».
plb
As comemorações dos 150 anos do nascimento do escritor ruvinense Joaquim Manuel Correia reservaram lugar na história do concelho do Sabugal. As cerimónias decorreram durante a manhã com palestras no Auditório Municipal e durante a tarde no Museu com o lançamento do romance «Celestina», um inédito que, finalmente, pode (e deve) ser lido por todos os sabugalenses. Extraordinário e preocupante foi o alheamento dos alunos e professores do Sabugal que primaram pela ausência e indiferença perante a qualidade e o valor indiscutível dos oradores presentes.
Foi uma jornada repleta de ensinamentos sobre a vida e obra de Joaquim Manuel Correia, a história do Sabugal e de Portugal.
Norberto Manso, pela «Sabugal+», Natália Correia Guedes, neta do homenageado, e Manuel Rito Dias, presidente da Câmara Municipal do Sabugal abriram as comemorações e deram as boas-vindas aos presentes.
Moderados pelo vereador António Robalo, natural e residente na Ruvina, participaram no primeiro painel João Serra (professor e historiador das Caldas da Rainha) com o tema «Os trabalhos de Joaquim Manuel Correia», mestre Jesué Pinharanda Gomes (pensador e filósofo de Quadrazais) com «Joaquim Manuel Correia: aspectos da sua vida e obra» e Manuel Leal Freire (poeta e escritor da Bismula) que falou de «Aspectos de uma família na Ruvina nos finais do séc. XIX».
O segundo painel foi constituído por Adérito Tavares (professor e historiador de Aldeia do Bispo) que resumiu «O País e o Sabugal: Enquadramento Histórico – 1858-1974» e Manuel Meirinho Martins (politólogo do Soito) finalizou com «O Sabugal de hoje».
No final o moderador António Robalo concluiu e encerrou os trabalhos da manhã lendo excertos de um texto que um ruvinense passou à prosa nas «Páginas Interiores» deste blogue. Aqui deixamos a excelência do seu pensamento e do seu sentir sobre a Ruvina: «Na Ruvina tomei consciência do mais importante da vida tendo aprendido a gostar das pessoas e a valorizá-las pelo que são. Quando falo da Ruvina as emoções assaltam-me e embarga-se-me a voz. O meu pensamento treme, quando falo da minha aldeia.
Foi na Ruvina que me cortaram o cordão umbilical, porque na altura não havia maternidades e tudo ficava longe. Foi aqui que aprendi a rir, a chorar, andar, a falar, a ler e a escrever.
Acredito como Rilke, que a nossa pátria é a nossa infância. A minha infância é a minha aldeia. A Ruvina sempre foi e será para mim uma lição de vida e por isso, sempre que posso retorno às origens. Em pensamento nunca a abandono e a ela regresso diariamente. A sua ausência é uma coisa que trago sempre comigo.»
Na parte da tarde decorreu no Museu Municipal a inauguração da exposição sobre o homenageado e a apresentação e lançamento do romance «Celestina».
Entre outros marcou presença o padre António Souta que levou consigo um exemplar autografado pela neta do escritor. Com aquela tranquilidade que lhe é peculiar confessou enquanto Natália Correia Guedes lhe autografava o exemplar de «Celestina»: «Quanto tinha que ir visitar uma freguesia do concelho lia primeiro o livro de Joaquim Manuel Correia, Memórias do Concelho do Sabugal, para melhor me preparar para a homília.»
Extraordinário e preocupante é a ausência de alunos e professores que muito teriam a aprender com todas as sábias apresentações de todos os conferencistas. Ou, então, é porque já sabem tudo…
(fim)
jcl
O historiador Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, deu no Auditório Municipal do Sabugal uma brilhante lição de História de Portugal. Muito lhe ficou por dizer apesar de o ilustre docente da Universidade Católica se ter limitado ao período em que viveu Joaquim Manuel Correia.
Adérito Tavares ilustrou a sua apresentação com imagens projectadas no grande ecrã do Auditório Municipal que ajudaram a melhor perceber o período conturbado de passagem da Monarquia para a República.
Como já tocou está na hora de entrar na «sala de aulas»…
«Vamos iniciar esta análise histórica na chamada segunda parte da Dinastia de Bragança onde reinaram D. Maria II (1834-53) e D. Pedro V (1853-1861) que assistiram entre 1851 e 1887 ao movimento político que procurou restaurar a tranquilidade em Portugal.
Em 1884 dá-se a Patuleia (revolução da Maria da Fonte) com o Duque de Saldanha (regeneração) a conseguir impor uma certa acalmia no País. Mas D. Pedro V morre em 1861, com apenas 24 anos, e D. Luís sucede ao irmão.
As freguesias do concelho do Sabugal apresentam no Censo de 1864: Aldeia da Ponte, Aldeia Velha e Alfaiates com mais de 1000 habitantes. Quadrazais com 1654 habitantes e Soito 1226 são as freguesias com mais habitantes. O Sabugal regista 1550 habitantes. A Ruvina com 180 habitantes e cerca de 180 habitantes (50 fogos) e Ruivós com 165 são as menos populosas.
Por essa altura aparece António Maria Fontes Pereira de Melo, o grande visionário que faz a modernização de Portugal no século XIX. Surgem o telégrafo, os correios (o primeiro selo em Portugal data de 1853 e regista a morte da rainha embora o selo postal já existisse desde 1840 em Inglaterra) e o telefone.
O surgimento do caminho-de-ferro vai dar o grande contributo para a modernização do País. Em 1856 é inaugurado o primeiro troço entre Lisboa e o Carregado. A Estação do Rossio é inaugurada a 18 de Maio de 1890 em conjunto com o túnel que ainda hoje existe.
Em 1879 foi inaugurada a Avenida da Liberdade por iniciativa de Ressano Garcia formado na escola de Paris.
A praça do Rossio recebeu, por essa altura, o edifício do Teatro Nacional de Almeida Garrett e depois rebaptizado de D. Maria.
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço foi construída após o terramoto de 1755. No centro, em lugar de destaque, a estátua de D. José alinhado com o arco da Rua Augusta que foi concluído no reinado de D. Luís.
Em 1855 (ano da morte de D. Luís) dá-se o ultimato inglês para impedir que Portugal una Angola a Moçambique. O poderio de Inglaterra face à fraqueza portuguesa impõe-se reivindicando a ligação entre a cidade do Cabo e o Cairo.
Quando o ministro dos negócios estrangeiros português pergunta ao homólogo inglês porque não respeitam a velha aliança este responde-lhe com a célebre afirmação: Não há alianças eternas. Eternos são os interesses de sua magestade.
Rafael Bordalo Pinheiro aproveita para caricaturar um catético Portugal que vive do passado perante a vitalidade da Inglaterra que reivindica a posse das colónias portuguesas.
Os republicanos culpam a monarquia do estado a que chegou Portugal e passam a governar em regime de alternância entre o partido progressista e o partido relativista. O Partido Republicano aparece, entretanto, para colocar em causa a alternância no poder entre os dois partidos. A República consolida a sua caminhada mas o Rei D. Carlos reage e confia a João Franco um governo de ditadura com o parlamento encerrado.
Joaquim Manuel Correia referencia nos seus escritos que o infante D. Manuel visitou o Sabugal em 1906.
Nesta época o país tem a população a crescer. As estatísticas indicam um aumento de quatro mihões para seis milhões de habitantes. Nas eleições apenas votam os cidadãos do sexo masculino.
O povo português é maioritariamente pobre e anda descalço. Portugal foi um povo de pé descalço quase até aos anos 60. O romance de Aquilino Ribeiro Quando os lobos uivam foi apreendido pela PIDE (Polícia Política de Salazar) porque o escritor afirma na obra que Portugal é um povo de pé descalço. Eramos um País de pobres e entre 1861 e 1910 para fugir a essa pobreza emigraram quase um milhão de portugueses.
Mas também havia riqueza. António Carvalho Monteiro, um dos mais ricos do País, era conhecido pelo Monteiro dos Milhões. Foi ele quem mandou construir a Quinta da Regaleira.
Os empresários Francisco Grandella e Alfredo da Silva (CUF) vivem nos fins do séc. XIX e princípios do séc. XX e através das suas iniciativas a indústria portuguesa dá os primeiros passos. Mas Portugal é um país rural. Seis em cada dez portugueses vivem da agricultura. A grande maioria dos agricultores vive para comer. Os registos desse tempo apontam a mortalidade infantil e a tuberculose como a principal causa de morte em Portugal.
A taxa de analfabetismo é grande nos anos 20 com cerca de 60 em cada 100 portugueses sem saberem ler nem escrever. Nesse tempo a educação significa poder, um poder exclusivamente masculino.
Em 1900 o Sabugal tem 89 freguesias, 33 mil habitantes dos quais 86 por cento são analfabetos.
Outro homem contemporâneo de Joaquim Manuel Correia é o dr. Sousa Martins que ficou ligado à cidade da Guarda tendo morrido, em 1904, vítima da tuberculose.
Os republicanos portugueses estão em ebulição e dá-se o regicídio em 1908. Por toda a Europa e em especial na imprensa francesa a morte do Rei D. Carlos é considerada um assassinato bárbaro. Recorde-se que a rainha era francesa. O funeral de D. Carlos é feito no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
D. Manuel é muito jovem mas os seus apelos à acalmia popular resultam apenas por dois anos. Liderada pelos militantes da Carbonária a proclamação da República faz-se da varanda da Câmara Municipal de Lisboa por José Relvas. O escudo, a bandeira e o hino (composto para protestar contra o ultimato inglês) transformaram-se em símbolos da República.
O republicano Afonso Costa é um anti-clerical. Também em Aldeia da Ponte havia um colégio jesuíta que foi fechado em 1910. A revista Ilustração Portuguesa desse tempo traz uma reportagem em que aparece o administrador-delegado do Sabugal a encerrar o colégio de Aldeia da Ponte.
Quando Portugal está mergulhado na I Guerra Mundial (Batalha de La Lys em 1918) dão-se os acontecimentos de Fátima.
É implantada uma nova ditadura em que a cara visível é Sidónio Pais assassinado após um ano de governação. Sucede-lhe António José de Almeida (1919-1923) tendo sido o único presidente que cumpriu o seu mandato na sua totalidade. em clima de grande estabilidade.
Entra em cena o jovem Salazar que, como ministro das Finanças, consegue eliminar o défice crónico do País.
No discurso de tomada posse como presidente do Conselho de Ministros aparece acompanhado por Duarte Pacheco (ministro das obras públicas) e António Ferro (imagem de Salazar). Ficou célebre a lição de Salazar: Deus, Pátria, Família (a trilogia da educação nacional). Nós queremos um estado forte. Votai a nova constituição’ podia ler-se no cartaz da Almada Negreiros encomendado pela União Nacional.»
A finalizar Adérito Tavares deixou, ainda, alguns dados sobre o concelho do Sabugal em 1930: «Casamentos, 351 e divórcios, 1. Nasceram 1323 crianças legítimas e apenas 3 por cento nasceram fora do casamento. A natalidade regista 34 por mil e a mortalidade 24 por mil.»
Brilhante lição de História protagonizada por Adérito Tavares que incidiu em especial sobre o período da vida de Joaquim Manuel Correia.
(continua)
jcl
Segunda-feira é dia de publicar a «Imagem da Semana». Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com
Data: 23 de Abril de 2008.
Local: Praça de Toiros do Campo Pequeno.
Legenda: Delegação da Casa do Concelho do Sabugal composta pelo presidente José Eduardo Lucas e os directores Esteves Carreirinha, Horácio Pereira, José Marques e José Carlos Lages com o responsável do Campo Pequeno, Vasco Cornélio da Silva.
Autoria: Capeia Arraiana
Clique na imagem para ampliar
O primeiro mausoléu, à esquerda de quem entra no Cemitério da Guarda (no campo outrora ocupado pela igreja templária de Noss Senhora do Templo) preserva os restos mortais do poeta Augusto Gil.
Na frontaria do primeiro mausoléu lê-se o seguinte epitáfio:
E a pendida fronte, ainda mais pendeu…
E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu.
Há quem se questione sobre a autoria deste epitáfio, e muita gente que ignore a sua origem.
Para ajudar a esclarecer, aqueles dois versos fazer parte de um poema sobre a morte (ou dormição) de Nossa Senhora, que o poeta escreveu, não para ele, mas para Maria. Vem no bonito poema «A Assunção» que faz bem reler neste tempo em que nos aproximamos das festas do esposo de Maria, o Divino Espírito Santo:
«A uma velha capa que São João deixou,
A Virgem Maria ainda a aproveitou…
Escolhendo a parte menos gasta e puída,
Desfaz-lhe as costuras, tira-lhe a medida,
Talha uma roupinha para uma criança
Que era a mais rotinha das da vizinhança.
Prestes a alinhava, logo a cose e prova.
Que linda, que linda! Parecia nova…
Nesse tempo a Virgem quantos anos tinha?
Não ficou a conta. Era já velhinha…
Dava o sol nas casas: brasas de fogueira…
…Horas de descanso, horas de quebreira…
– E da idadem e de cansaço, e de calor –
Lento, a invade toda, um dúlcido torpor…
Fecham-se-lhe os olhos, e descai-lhe a agulha…
…Passa uma andorinha. Uma rolinha arrulha.
As mãos escorregam, ficam-lhe pendentes…
…As cigarras cantam nos trigais dormentes.
E a pendida fronte, – ainda mais pendeu…
E a sonhar com Deus, com Deus adormeceu…
Põe-lhe o manto um anjo, curva-se a compô-lo,
E outros anjos descem, pegam nela ao colo…
Com as leves mãos (penugens de andorinhas)
Vão-na embalando como às criancinhas…
E embalando-a, voam, lá se vão com ela!…
Já lá mais alta que a mais alta estrela!
Outros anjos chegam, querem-na cantar.
Caluda, caluda, que pode acordar…
Que as almas dos justos um hino concertam!
Silêncio, silêncio. Que não a despertem…
Jesus abre os braços, e já quer beijá-la,
Mas pára, detém-se, que pode acordá-la!
E a mãe da Senhora, pediu-lhe a sorrir:
– Mais logo… Mais logo… Deixai-a dormir…
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com
Durante as férias da Páscoa, numa tarde de lazer quando passeava pela Guarda, encontrei um amigo professor que já não via há muitos anos. Na alegria normal do reencontro deparei-me com uma pessoa completamente decepcionada com a profissão.
Dizia-me então o meu amigo: «Como sabes sou efectivo numa escola, tenho alguns anos de carreira, mas não aguento mais esta vida. Estou com uma licença sem vencimento, mas quando terminar esta licença, não volto à escola. Estou disposto a fazer tudo na vida, menos continuar esta safra de professor… Não quero mais ensinar. A decisão está tomada, vou deixar a Escola.»
Com desassombro e amargura na voz, este meu amigo no limite da desconsideração diária e da falta de respeito a que está sujeito, além da pressão, fez aquilo que muitos e bons profissionais já pensaram fazer, mas que ainda não tiveram coragem: abandonar uma carreira que com ilusão num determinado momento abraçaram, mas que tem cada vez mais escolhos. Longe vai o tempo em que o professor era um profissional considerado e respeitado.
O futuro de qualquer país depende da política educativa que é definida e do investimento que nela fazemos, porque é na educação que assenta a formação dos nossos filhos e das gerações que nos governarão, como garante de um país moderno e desenvolvido. Um euro aplicado em educação tem seguramente um efeito multiplicador em termos de investimento futuro, embora os seus efeitos não sejam perceptíveis no curto prazo e como tal não dão votos.
Sem uma educação de qualidade não existe futuro. Sendo assim a coisa tão séria, não tenho dúvidas que deve existir uma aposta muito forte na educação por parte de qualquer governo que se preze, onde o professor e a escola sejam o eixo central de qualquer sistema educativo. O professor deve ser valorizado e respeitado, estatutária e profissionalmente. Desvalorizar o papel do professor, fragilizando-o perante os pais, os alunos e a opinião pública em geral é um erro tremendo, que vai ter custos muito elevados. Há mentiras que à força de serem ditas ganham foros de verdade. A imagem do professor assim exposta perante a opinião pública pode levar décadas a recuperar e apagar. Os custos são muito elevados.
A escola democrática de qualidade tem que contar com o contributo indispensável destes agentes, elementos essenciais numa escola que se quer inclusiva e com igualdade de oportunidades para todos os alunos à entrada e à saída.
Apostar num combate ao défice, cortando meios às escolas e ao sistema educativo, desvalorizando a carreira docente, é cercear e bloquear o desenvolvimento e o futuro do país, que tem que ser mais competitivo e dinâmico, numa clara aposta na formação e na educação.
Era Aristóteles que afirmava na sua Metafísica que «Todos os homens desejam por natureza saber», fazendo assim parte da natura rerum esta curiosidade pelo conhecimento, sendo certo que sempre existe um pedaço de estupidez mesmo na mente do homem mais sábio.
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Para ler: Poderá ser um bom fim-de-semana para revisitar a obra poética do surrealista Alexandre O’Neill, nomeadamente, «Poesias Completas» da Imprensa Nacional Casa da Moeda. (1951-1986), 3.ª edição, 1990.
«Les somnambules», de Arthur Koestler.
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Para ouvir: «Travadinha, Feiticeira de Cor Morena», Le Violon du Cap Vert, Ruda Records.
«Ser Solidário», José Mário Branco, EMI–Valentim de Carvalho.
«Cantares do Andarilho», José Afonso, Moviplay, SA.
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«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com
O «Pagamento do Vinho» era um costume antigo, que existia na Aldeia, bem como em outras aldeias vizinhas, prolongando-se ainda pela nossa juventude, que consistia no pagamento de uma importância, face à tentativa de um forasteiro namorar e conquistar uma donzela de Aldeia, com o objectivo óbvio, na maioria dos casos, de contrair matrimónio com a dita, escolhida para este fim, seguindo-se assim a tradição, que já vigorava nos tempos de outrora.
Quando se descortinava algum galfarro, já bem grandote, rondando pelos nossos lados, eram espiados vários locais de acesso, não era muito difícil, diga-se, até se conseguir apanhar o artista, em flagrante delito, isto é, entrando na casa dos pais, onde morava a eleita do coração, para namorar, nada de retirar conclusões precipitadas, que não são chamadas aqui para esta matéria.
A prometida era avaliada pela sua beleza e, consoante as posses da família, determinava-se assim um valor aproximado, mais ou menos justo, que o inesperado pretendente tinha que desembolsar para a rapaziada beber uns copos, o designado pagamento do vinho.
Quando do lado da pretendida, não se concordava com o valor estipulado pelos “pedidores”, podia ser o cabo dos trabalhos, com grandes discussões entre os negociantes e a família da escolhida, comparando-se com outros exemplos de beldades anteriores, que tinham pago um valor ou outro, chegando-se, depois de árduo batalhar, a um entendimento, sem vencedores nem vencidos, antes a satisfação de ambos os lados, como convinha, nestes casos difíceis.
Da recordação dos tempos, ainda relativamente recentes, o trato tornou-se mais civilizado, combinando-se, por acordo mutuo, um borrego assado, juntamente com as bebidas, em que o pretendente amigo, também tinha, forçosamente de alinhar, as mais das vezes, com grande gosto, como era desejável, familiarizando-se com a rapaziada, contribuindo para uma melhor integração com a malta da Aldeia, sendo considerado um dos nossos, depois desta obrigatória prova dos nove.
Como é bem sabido, as moças, antigamente mal saíam de casa, sendo bem protegidas, especialmente pelas mães, enquanto que com os rapazes, a coisa era um pouco mais liberal e tolerante, não havia as mesmas restrições, tinham uma certa rédea solta, como se dizia na altura, não se verificando a mesma preocupação neste assunto. Esta situação desigual foi-se esbatendo ao longo dos tempos, até chegar aos nossos dias, onde as diferenças já não fazem grande sentido, como se constata facilmente.
Existiu um episódio de um candidato ao pagamento do vinho, que se foi descartando algumas vezes, até que a paciência se esgotou. Enquanto namorava, tranquilamente, dentro de casa, decidiu-se tapar a rua com uns carros de bois, pois tencionava esquivar-se à “obrigação”, face a este grave motivo, a rua teve de ser bloqueada desta maneira.
Foi, seguramente, um pouco exagerado, mas o sangue na guelra da malta e a continuação da tradição, assim o exigiu, tendo até dado origem à chamada da GNR. Depois deste episódio, não mais constou que deambulasse, outra vez, pela nossa Aldeia, acabando por desistir da donzela, que naquela época pretendia cativar.
Outros casos aconteceram, alguns que bem mais brado deram, de consequências graves e funestas, a que voltaremos, e ainda muitos outros, onde eram os próprios voluntários, quem tratava de tudo, com a ajuda do pessoal, passando-se magníficas tardes de convívio.
Actualmente, muitos dos costumes antigos vão-se esbatendo, embora se recordem com alguma saudade. Naquelas épocas, os divertimentos eram totalmente diferentes dos que hoje existem, proliferando estes, por aí, ao virar da esquina, em quantidade e variedade suficiente, pois os tempos são outros, bem mais evoluídos, assim como a nova mentalidade da geração mais recente.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
No «Crónicas do Rochedo» do tanguero Carlos Barbosa de Oliveira foi aberta uma discussão sobre a reportagem televisiva do fenómeno «Tony Carreira». Há quem goste, há quem não goste mas… o mais importante é que ninguém consegue ficar indiferente.
O percurso do cantor Tony Carreira desde a sua aldeia na Beira Interior até ao Pavilhão Atlântico, passando pelo Olympia de Paris e pelos Coliseus de Lisboa e do Porto já não consegue deixar ninguém indiferente.
Com tudo o que isso significa não tenho qualquer prurido em considerá-lo no panorama português ao nível de Julio Eglesias em Espanha e no Mundo.
Há quem goste, há quem não goste mas já ninguém consegue ficar indiferente. Nem os homens que têm de conviver com as fotografias do cantor da guitarra que as suas mulheres espalham pelas molduras e paredes lá de casa.
Vem isto a propósito do artigo no «Crónicas do Rochedo» sobre a reportagem televisiva que passou esta quarta-feira, na RTP1, sobre o percurso profissional do cantor que nos autógrafos que dá aos fãs assina como Tony Carreira.
Até eu já meti a minha colherada…
Podem espreitar… aqui e aqui.
jcl
A empresa Águas do Zêzere e Côa (AZC) aposta na produção de energia eléctrica através de painéis solares instalados nos seus imóveis, esperando depois comercializá-la. O mesmo se passa em relação a particulares da Beira Interior, que vêm neste processo uma importante fonte de receitas.
A AZC apresentou 53 dos 65 projectos de microprodução de energia, candidatados pela Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior (EnerArea) e aprovados pela Direcção-Geral de Energia e Geologia. Os restantes são projectos de microprodução domésticos.
A forte rendibilidade dos projectos, com um retorno de investimento a ser possível ao fim do sexto ano de instalação, tem levado empresas e particulares a apresentar projectos neste âmbito. As candidaturas estão abertas a empresas, particulares (proprietários de casas) ou condomínios (no caso de imóveis de propriedade horizontal).
A EnerArea foi criada no âmbito da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) para gerir processos nas áreas das energias e ambiente. Na sua actividade tem verificado uma forte adesão à produção de energias renováveis, havendo cada vez mais pessoas interessadas.
Para os responsáveis pelo processo os benefícios ambientais e a rendibilidade do investimento são os principais atractivos. O investimento por instalação ronda os 22 mil e 500 euros. Por sua vez o custo da electricidade que consumimos é de 11 cêntimos por kWh, enquanto que a vendida à rede eléctrica é paga a 65 cêntimos, facto que explica a forte adesão ao processo. O acerto de contas, entre o deve e o haver, é feito na factura da electricidade e a diferença depositada na conta bancária do produtor/consumidor de energia.
plb
«Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos!» Foi em forma de verso espontâneo que o escritor Manuel Leal Freire, natural da Bismula, saudou os presentes no Auditório Municipal do Sabugal. Misturando o discurso fácil com o fácil versejar a sua intervenção histórica foi outro dos momentos altos das comemorações. O politólogo Manuel Meirinho falou de custos e oportunidades no Sabugal de hoje.
A saudação veio ao jeito de folclore ribacodano porque no sentir de Manuel Leal Freire o raiano tem uma noção maior da Humanidade.
«Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos / A minha voz vai soar / por cima da rosa dos ventos / Um raminho! Dois raminhos! Três raminhos!»
Feita a saudação ficou estabelecida uma antecâmara para aquilo que disse de seguida um dos maiores escritores raianos apoiado numa espécie de título por si criado «A Beira raiana, a família, a grei e a crença».
«Na Ruvina os padres apregavam a carta e guia de casados de Francisco Manuel de Melo. Havia os três casamentos: de Deus, do diabo e da morte.
O amor para ser amor tem que durar a vida inteira. Quem amou uma segunda vez é porque não amou da primeira», sentenciou Leal Freire. Continuando…
«A família era, nesse tempo, o esteio. A educação começava muito antes do nascimento do filho. A Ruvina, terra de onde é natural o nosso homenageado de hoje, foi sempre uma terra merecedora das graças de Deus. Joaquim Manuel Correia teve um um tio padre que iniciou a sua formação intelectual. A Igreja não se limitava a ensinar as verdades da fé porque até 1950 a escola não tinha uma função muito efectiva. Havia escola, às vezes em casas particulares, mas nem toda a gente a frequentava. Para aprender a ler e a escrever era necessário ir à catequese. O padre ensinava o trívio (gramática, retórica e dialéctica) e o quadrívio (aritmétical, música, geometria e astronomia) o conjunto das artes liberais. Havia um papel formativo (não digo repressivo) sobre os indivíduos.
Nesse tempo, início do século XX, havia muito solidariedade entre as pessoas. Ardia uma meda e todos colaboravam, havia as irmandades e as confrarias que colocavam fundos à disposição dos irmãos porque nesse tempo não havia bancos.»
E terminou com ideias-chave declamadas em frases soltas:
«Há uma força que nos impele. O povo somos nós todos. Os mortes governam os vivos. A história é mesmo isto. Pela história se constrói o futuro. Com a memória dos mortos que é lição para os vivos.»
Outro dos participantes na palestra foi o politólogo soitense Manuel Meirinho que abordou e analisou o «Sabugal de Hoje» e a vertente da Interioridade.
«Vamos falar de modelos de desenvolvimento para o Sabugal que, na minha opinião, não carrega nenhum fardo específico da Interioridade.
No ponto 1, o Modelo estrutural de desenvolvimento analisamos os modelos dos grandes eixos de desenvolvimento entendendo o País numa linha de três eixos.
Os indicadores sociais indicam que à data do nascimento de Joaquim Manuel Correia havia cerca de 12 mil residentes, ou seja, praticamente a mesma população que existe actualmente. Em 1960 atinge um pico de 36 mil habitantes altura em que se inicia a emigração, principalmente para França.
A questão de fundo ou, se preferirmos, o problema de fundo sobre como devemos encarar o problema da desertificação? Se é uma ameaça ou uma oportunidade? Tem uma resposta simples mais complexa. Este problema é uma oportunidade que temos de saber aproveitar.
1.º Comemoramos os 150 anos do nascimento de Joaquim Manuel Correia. Hoje é um tempo novo. O grande desafio é o tempo novo. A oportunidade reside na diferenciação, ou seja, criar um produto novo para um tempo novo com gestão de médio e longo prazo. Aqui o papel central passa pelo Governo local, pelos autarcas regionais.
Nos municípios das grandes urbes há uma grande pressão imediatista que não acontece no Interior. É uma vantagem. Os políticos podem decidir com políticas que não obrigam a resultados imediatos.
O que não desertifica são os recursos físicos, materiais e sociais que têm que ser aproveitados para fazer a diferença. Não é possível contrariar os capitais móveis, ou seja, as pessoas. É fundamental valorizar o que temos físico. É fundamental apostar e promover os recursos naturais. Esses não migraram. Estão cá e tem cada vez mais qualidade.
O nosso grande desafio é aproveitar e promover os produtos do Sabugal. Recompor, modernizar e reposicionar o produto regional raiano.»
Mais uma abordagem especializada ao problema da desertificação e da Interioridade, desta feita, pelo politólogo Manuel Meirinho.
(continua)
jcl
A definição de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho é uma tarefa colectiva, para a qual todos temos o dever de contribuir.
Após algumas crónicas de enquadramento, inicio hoje a apresentação de um conjunto muito restrito de projectos essenciais para a concretização de uma estratégia de desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
E começo, de acordo com o que já tinha afirmado, por projectos que visam a promoção da qualificação dos cidadãos.
Compreenderão que não me irei alongar na caracterização de cada projecto, até porque considero que a denominação dos mesmos e a sua importância são claramente entendíveis e, quase sempre, consensuais.
São projectos que obrigam os eleitos locais a adoptarem novas atitudes, e impõem o estabelecimento de parcerias envolvendo as Administrações Local e Central, as Escolas e os diferentes parceiros privados.
Eis então os projectos:
1. Programa de Alfabetização de Adultos, tendo como meta a alfabetização da totalidade da população do Concelho.
2. Programa de aumento dos níveis de escolaridade, tendo como meta que todos os residentes no Concelho com idade inferior a 50 anos possuam, pelo menos, o 9º ano de escolaridade e que todos os residentes com idade inferior a 40 anos possuam o 12º ano.
3. Programa de Alfabetização em Tecnologias Informáticas, tendo como meta que todos os alunos das Escolas do Concelho possuam o Diploma de Competências Básicas em Tecnologias da Informação, e que toda a população activa possua idêntica certificação.
4. Programa de Especialização Tecnológica, tendo como meta criar, em parceria com as Instituições Universitárias e Politécnicas da Guarda, Covilhã e Castelo Branco, a Escola Secundária do Sabugal e o sector empresarial um Centro de Formação de Excelência supra-municipal, visando a aquisição do nível 4 de formação profissional e técnica pós-secundária, e ministrando Cursos de Especialização Tecnológica.
5. Programa Carta Educativa, tendo como meta a construção dos Centros Educativos definidos.
6. Programa «Ensino da Língua Espanhola», tendo como meta a adopção em todas as escolas do Concelho do ensino da língua espanhola visando reforçar as ligações culturais, sociais e económicas transfronetiriças.
7. Programa «Centro de Ciência Viva», tendo como meta a criação de um Centro de Ciência Viva no Concelho do Sabugal.
8. Programa «Fixação de Professores», tendo como meta a criação de condições sócias e económicas para a fixação de professores no Concelho.
9. Programa «O Empreendedorismo na Escola», tendo como meta criar um espírito empreendedor nos jovens, e criando condições de apoio à concretização de projectos de investimento.
10. Programa «Formação Contínua», tendo como meta o apoio à aprendizagem ao longo da vida da população em geral e da população activa em particular.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
ramiro.matos@netcabo.pt
Os atletas sabugalenses Vitor Silva e Diogo Rafael, ambos da Escola de Karaté do Sabugal, conseguiram boas prestações no 10.º Campeonato Nacional da modalidade em camadas jovens, realizado na cidade de Almada.
Realizou-se nos dias 19 e 20 deste mês na cidade de Almada, o 10.º Campeonato Nacional Pré-Infantil, Iniciado e Juvenil, uma organização de Federação Nacional de Karate-Portugal.
A Academia Egitaniense de Karate Shotokan (AEKS) esteve presente com vários atletas de várias Escolas de Karate do nosso distrito, que conseguiram o apuramento para esta competição no Campeonato Regional Centro/Norte realizado na cidade do Sabugal.
A Academia Egitaniense de Karate Shotokan, onde actualmente a Escola Karate do Sabugal está filiada conseguiu vários lugares de pódio.
Rita Morgado, atleta da selecção Nacional de Karate e da Escola Karate da Guarda, consagrou-se Campeã Nacional de Karate, repetindo o feito da época passada.
Bruno Monteiro, atleta da Escola Karate da Guarda, também conseguiu alcançar o 2.º lugar em Kumite (combate), iniciado -50Kg, assim se sagrando Vice-Campeão Nacional de Karate.
Ana Tavares, atleta da Escola Karate da Guarda classificou-se em 3.º lugar na prova de kata.
Vítor Silva e Diogo Rafael, ambos da Escola Karate do Sabugal tiveram boas prestações e representaram com grande valor a sua Escola.
plb
O Capeia Arraiana publica um documento assinado por Maria Benedita Rito Dias, Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários do Soito contestando a atitude da Junta de Freguesia local em relação à associação de que é dirigente.
«O desenvolvimento do Concelho e especialmente da nossa Freguesia, Soito, é uma tarefa colectiva para a qual todos temos o dever de contribuir. Para tal é necessário que quem assume cargos de decisão, cumpra.
Ora bem, tal não se verificou na Junta de Freguesia do Soito, que não deu resposta a um pedido dos Bombeiros Voluntários local e não cumpriu os prazos de resposta perdendo-se assim um concurso de milhares de euros para os Bombeiros, do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN).
A própria Senhora Governadora Civil da Guarda apelou a todas as Instituições para concorrerem e para dinamizar projectos. Foios, Vale das Éguas, a Câmara, etc., concorreram, mas como a Junta de Freguesia do Soito deve ser muito rica e não necessita de novos projectos deixou ultrapassar os prazos e perdeu-se mais um beneficio. É só mais um.
Para entrar com um projecto e concorrer ao QREN, no dia 12 de Novembro de 2007, a Direcção dos Bombeiros Voluntário do Soito fez um pedido por correio com aviso de recepção, à Junta de Freguesia cessante, para cedência de um pedaço de terreno nas Eiras para alargamento e construção de garagens e até agora não houve resposta, (o prazo do QREN terminou).
No dia 24 de Março de 2008 foi renovado o pedido à nova Junta de Freguesia, entregue em mão própria pela Presidente e Comandante e seus respectivos Adjuntos, na Junta, na presença de todos os Elementos da Junta de Freguesia, com o carácter de urgência, o prazo estava a terminar e estaria em risco a perca de milhares de euros para os Bombeiros Voluntários e Freguesia. Até agora a resposta não chegou e o projecto foi por água abaixo.
Acredito que, se o assunto fosse levado à Assembleia, ninguém teria a coragem de votar contra, mas o Senhor Presidente da Assembleia, Sr. Henrique entendeu não marcar nem levar esta proposta às reuniões atempadamente, pois para ele de certo não seria importante. Porquê?
É evidente que a Junta só executa assuntos levados pelo Presidente da Assembleia e por sua vez entregues ao Sr. Presidente da Junta, (no entanto, o Sr. Presidente da Junta, Sr. Matias, disse à Sra. Presidente dos Bombeiros Voluntários do Soito que faria uma reunião extraordinária dia 7 ou 8 de Abril, onde está ela? Este também não cumpriu).
Também no dia 27 de Dezembro de 2007 a Presidente da Direcção dos Bombeiros do Soito pediu, presencialmente na sede da Junta, uma fotocópia da acta de 26 de Março de 2004 sendo na altura presidente o senhor João Calva. Logo ali foi informada pelos elementos da mesma que apesar de terem ido à procura do livro não o encontraram.
Ora se o Sr. Presidente da Assembleia, Sr. Henrique, não ligou nenhuma a um pedido com carácter de urgência, social e não político, o que é que este Senhor ali faz? Será que não quer o desenvolvimento da freguesia? Será que o poder lhe subiu à cabeça? Relembro que não foi eleito, mas escolhido, demonstrando incompetência no cumprimento de suas responsabilidades.
A questão aqui está em querer ou não o desenvolvimento, o progresso, o enriquecimento da freguesia.
O ex-autarca da Junta, senhor Rui Monteiro, era Presidente dos Bombeiros Voluntários e o actual Presidente da Assembleia é empregado dos Bombeiros Voluntários do Soito e a pergunta fica no ar: Porquê o poder político à frente dos assuntos sociais da Freguesia? Tomem como exemplo os vizinhos dos Foios. Um dia hão-de querer e nessa altura será tarde, tarde de mais…
Ninguém dá nada a ninguém e, sentado, aguardando a vinda do “Messias” que nos virá salvar da miséria, não resulta, importa trabalhar, cumprir prazos, ser responsável nos cargos que desempenham, caso contrario não os aceitem.
Devemos aproveitar as oportunidades, transformando-nos em pró activos e não em reactivos, como é o estado actual do Sr. Presidente da Assembleia da Junta Sr. Henrique.
O Soito perdeu milhares de euros e a responsabilidade neste momento só cabe a ele que prometeu dar uma resposta e não cumpriu.
No dia 24 de Março realizou-se uma reunião (dita de carácter urgente), com um ponto único, a entrada do Soito numa Associação da Raia em Espanha. Seria mais importante para a Freguesia? Porque não se juntou o ponto dos Bombeiros Voluntários do Soito na ordem de trabalhos? Porquê fazer reuniões só com pontos únicos? Não terá o Sr. Presidente da Assembleia capacidade para mais?
Esta, era a última oportunidade do ano 2007, que não aproveitámos. Deixámos de aplicar o dinheiro em acções que perdurarão para muito tempo.
No dia 2 de Abril realizou-se mais uma Assembleia Municipal novamente apenas com um ponto único (apresentação das contas de 2007) e mais uma vez não foi incluido o assunto há muito solicitado pelos Bombeiros Voluntários do Soito.
Quando não queremos o que nos oferecem é porque somos abastados ou ignorantes.
De uma vez por todas, metam isto na cabeça: ”Isto é um assunto social e não político”.
Soito, 17 de Abril de 2008
A Presidente dos Bombeiros Voluntários do Soito
Prof. Maria Benedita Rito Dias»
Inicio esta crónica, com este legado histórico, escrito no local pelo nosso saudoso e grande escritor português, também amigo de Sortelha, gravada sobre uma folha de bronze e colocada no edifício da Escola desta bonita aldeia histórica.
«Sortelha, 21 de Agosto de 1977 – O que mais me dói na pátria é não haver correspondência no espírito dos portugueses entre o seu passado e o seu presente. Cada monumento que o acaso preservou inteiro ou mutilado – castelo, pelourinho, igreja, solar ou simples fontanário – é para todos nós uma sobrevivência insólita, que teima em durar e em que ninguém se reconhece. Olhamos os testemunhos da nossa identidade como trastes velhos, sem préstimo, que apenas atravancam o quotidiano. Que memória individual ou colectiva se relembra nesta crónica ameada?» (Miguel Torga)
«O dia de Miguel Torga» – 12 de Agosto, lembrança do Professor José Cymbron, pretende celebrar, em várias partes do País, a data do seu nascimento, que este ano comemora 100 anos. E, no ano da inauguração deste evento caberá a esta jóia da beira organizar e receber todos os amigos do poeta.
A conversa, com o meu grande amigo de infância Luís Paulo na sua loja dedicada a produtos regionais, artesanato e velharias esteve animada e foi ocasião para reviver os anos de juventude onde recordamos os bailaricos ao som do acordeão manuseado habilmente pelo Sr. César, também ele natural de Sortelha ou pelo Sr. Agostinho, da Azenha. Mas, sem demora, o assunto da conversa alterou-se naturalmente e claro, como Presidente da Junta de Freguesia e grande dinamizador do turismo desta aldeia foi pouco a pouco (porque por aqui o tempo corre devagar) enumerando os principais projectos que tem em mente e dos problemas que assolam a sua freguesia.
A sede do extinguido concelho em 1855 – o de Sortelha – tem no turismo a sua principal actividade. Com efeito, a antiga vila fervilha de actividades ligadas ao turismo, sendo o artesanato, a restauração e o turismo de habitação as que mais se destacam. Aos fins-de-semana, em especial, os restaurantes e as lojas ligadas ao artesanato enchem-se de visitantes e a aldeia transforma-se em grande azáfama. Porém e como fez questão em destacar, é urgente a instalação de um posto de «Multibanco» pois por vezes não se faz negócio por falta de dinheiro vivo e o abastecimento deste precioso bem, fica a mais de 12 quilómetros, na sede do actual concelho, na cidade do Sabugal. Fizeram-se já algumas diligências junto de entidades financeiras instaladas na sede do concelho, mas até agora resultaram infrutíferas.
A conversa estava animada mas de repente, com uma alegria contagiante estampada no brilho dos seus olhos saltou do «mocho» onde se encontrava sentado para me dizer que no próximo dia 5 de Julho irá realizar-se naquela vila e no percurso que a liga à Estrada Nacional, Sabugal-Caria, uma corrida de carros da marca «Porsche» e em Setembro haverá uma concentração nacional também daquela prestigiada marca automóvel.
Por outro lado e como é do conhecimento geral, Sortelha faz parte das doze aldeias históricas de Portugal, única escolhida no concelho de que faz parte, posicionando-se num honroso segundo lugar do conjunto destas aldeias, em número de visitantes, contando-se no ano transacto com mais de 80 000. Este conjunto de aldeias constituíram-se em associação, tendo sede móvel, cabendo a Castelo Rodrigo a inauguração dessa rotatividade.
Apesar da aldeia ser líder na actividade turística sofre como as demais do concelho do problema da falta de ligação aos principais eixos rodoviários. A ligação à A23, em via rápida, ao território do concelho, num traçado que teria início em Caria e daí em direcção à fronteira de Vilar Formoso, passando junto às localidades de Casteleiro, Santo Estêvão e sede do concelho iria potenciar o desenvolvimento destas aldeias e o turismo de Sortelha. A ligação que se encontra projectada pouco irá beneficiar a maior parte do concelho e a sua concretização será difícil já que envolve outra entidade (Câmara de Belmonte), que suportarão custos no seu território e nada irão beneficiar com esse traçado. Por outro lado (pasme-se!) para quem vem na A23, não tem qualquer placa indicativa da aldeia histórica mais visitada de Portugal? Têm-se feito algumas diligências para colocar sinalização adequada mas esbarra-se na teia burocrática das entidades competentes. Mas a luta vai continuar?
As já célebres «Águas Radium» e os seus cerca de 30 hectares de terras circundantes, em ruínas desde que abandonadas pelos antigos proprietários ingleses que as deixaram vender em leilão, por «tota-e-meia» continuam à espera de investidor abastado para ali fazer algo que traga à região os tão desejados postos de trabalho. Fala-se agora de um grupo de chineses que estará interessado naquele local para ali instalar um grande negócio – não se sabe ainda qual?
Por último falou-se da desertificação já que esta Aldeia não foge ao problema geral que afecta todo o concelho e também a região. É um problema cuja resolução, passará por um esforço nacional na tomada de politicas que visem minorar o problema e não agravá-lo. Concordámos ambos que muitos dos seus habitantes que deixaram estas terras em busca de melhores condições de vida, rumo à Europa, principalmente França e Alemanha ou rumo ao litoral português, principalmente Lisboa, agora reformados, facilmente regressariam às suas origens se o sector da saúde fosse eficiente, pois o que principalmente prende ainda aos locais de acolhimento é o sistema de saúde. Se nas suas terras de origem tivessem disponíveis os mesmos serviços regressariam certamente e então povoariam novamente as nossas aldeias e o comércio e a indústria regressariam também em força. Temos assistido ultimamente ao desmantelamento das poucas e precárias unidades de saúde existentes e em troca o governo oferece às empresas que aqui se instalam, benefícios fiscais que se traduzem na redução da taxa de IRC, isto é. Tiram-nos o pouco de bom que tínhamos e para nos calarem adoçam-nos a boca com benefícios fiscais? Política errada! Ao invés se criassem condições óptimas nos cuidados de saúde, muitos dos seus habitantes regressariam às suas terras de origem e as empresas instalar-se-iam na mesma pois os benefícios fiscais concedidos não resultaram pois não são determinantes! Afinal onde se instalaram recentemente grandes empresas multinacionais, como é o caso da IKEA e outras?
Por tudo quanto foi dito, conclui-se que Sortelha está viva e recomenda-se a sua visita. É a rainha do turismo concelhio e das aldeias históricas portuguesas merecendo, portanto, toda a atenção dos responsáveis autárquicos que deverão investir os adequados recursos financeiros para melhorar a qualidade do serviço prestado pelo sector comercial local, através da promoção de cursos de formação e o desbloqueamento de algumas burocracias conducentes à instalação de adequados meios de pagamento, como é o caso do Multibanco. Por outro lado, as grandes vias rodoviárias, passam-lhe longe e no local mais próximo que é Caria, nem sequer existe sinalização adequada indicando a sua direcção, pelo que não será difícil a autarquia conseguir-lhe também esta benesse, ajudando a desbloquear os obstáculos burocráticos? Por último e globalmente, a autarquia deverá sensibilizar o governo central para garantir a qualidade nos cuidados de saúde no concelho, tendo em vista o regresso de antigos residentes e combater, assim, o fenómeno da desertificação.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo
dr_jfricardo@hotmail.com
O arcebispo de Évora, D. José Alves, abriu e encerrou uma jornada histórico-teológica, em 18 de Abril, realizada no âmbito das comemorações dos 700 anos da dedicação da Sé de Évora.
O Programa das Comemorações dos 700 anos da dedicação da Sé de Évora ocupa todo o ano 2008 com um conjunto de eventos, que acompanham os principais momentos do tempo litúrgico e festas marianas, sendo ainda editadas algumas publicações. Tudo contribuirá para um melhor conhecimento da catedral e da sua influência na sociedade e na comunidade cristã.
Do vasto programa desta-se a jornada histórico-teológica, organizada pelo Cabido em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa. A mesma teve lugar na sexta-feira, dia 18 de Abril, no Fórum da Fundação Eugénio de Almeida, associada às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se assinalou nessa data.
A manhã foi dedicada ao tema «A Catedral de Évora, sinal da unidade da Igreja Pastoral». A abertura dos trabalhos esteve a cargo do Arcebispo de Évora, o sabugalense D. José Alves, que falou da importância da reflexão em torno do papel da Sé Catedral. Coube depois a D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, falar sobre «A Catedral, expressão histórica do magistério e do exercício pastoral». Seguiu-se um painel sobre «A Catedral – Igreja-Mãe da Diocese», moderado por D. Carlos Azevedo, e em que interviriam: D. Manuel Madureira Dias (bispo emérito do Algarve), Silvestre António Ourives Marques e Francisco Senra Coelho.
De tarde, o tema de reflexão foi «A Catedral de Évora, sinal do magistério e do governo do pastor», tendo participado D. Manuel Clemente, bispo do Porto, que moderou um painel constituído por Virgolino Ferreira Jorge, Hermínia Vilar, José Pedro Paiva e António Matos Ferreira.
Pelas 18 horas D. José Alves voltou a intervir para encerrar a Jornada, com a presença da Secretária de Estado da Cultura, Paula Fernandes dos Santos. O bispo raiano, natural da Lageosa, apelou a uma maior atenção do Governo para com a Igreja, nomeadamente na área da cultura. «Uma das áreas de coincidência entre o Estado e a Igreja é a do Património, que pretendemos preservar e valorizar, tendo em conta a função e as motivações que lhe deram origem», disse o prelado.
D. José Alves, falando para a representante do Governo, disse que o aspecto cultural do património da Igreja nunca pode ser esquecido, pelo que a Igreja, em particular a arquidiocese de Évora está aberta para o estabelecimento de parcerias que salvaguardem o valor desse mesmo património. «Évora é muito rica em património religioso, pelo que esperamos uma atenção da sua parte», terminou D. José, dirigindo-se à governante.
Capeia Arraiana acompanhou em Évora esta Jornada cultural, aproveitando para estar à fala com D. José Alves (entrevista a publicar em breve) e ao qual foi entregue um convite da Casa do Concelho do Sabugal para a Capeiaa Arraiana que se realiza em Lisboa no Campo Pequeno, no próximo dia 31 de Maio.
plb e jcl
O mestre Pinharanda Gomes, filósofo e pensador, que mantém aqui no Capeia Arraiana uma crónica semanal denominada «Carta Dominical» dispensa apresentações. Natural de Quadrazais, no concelho do Sabugal, é um dos expoentes vivos da cultura portuguesa.
«Na casa de minha tia na Guarda havia livros socialistas e republicanos» esclareceu no início da conversa no Auditório Municipal, o palestrante Jesué Pinharanda Gomes.
E sem mais interrupções passamos ao discurso directo…
«Em casa dos meus primos Bigotte havia três livros. Foram os primeiros três livros que eu li na minha vida. Um era o «Terras de Ribacôa – Memórias do Concelho do Sabugal» que tinha anotações na edição final, o segundo era «Maria Mim», de Nuno de Montemor – na Guarda faziam a diferença entre o capelão e o escritor – e o terceiro «A Rosa da Montanha», de António José de Carvalho, que foi dedicada à minha tia Bigotte.
Pouco dado às ficções (a maior ficção é a vida real) interessei-me muito mais pelas «Memória do Concelho do Sabugal», de Joaquim Manuel Correia.
«As Memórias» tiveram uma grande influência na minha pessoa. Dei-me conta que as coisas que eu sabia da minha terra, de as ouvir, de as ver, estavam no livro.
Fiz a minha primeira tentativa como escritor aos 11 anos. Foi a «Monografia da aldeia de Quadrazais». Seguiram-se as «Práticas de Etnografia» (1966) e «Memórias da Ribacôa e da Riba-Serra».
Em 1964-65 desenvolvi contactos por correspondência para o dicionário de escritores do distrito da Guarda. A lista telefónica é (era) um excelente elemento de estudo geneológico.
Contactei Fernando Correia, filho de Joaquim Manuel Correia, e este fez-me a revelação da existência do manuscrito do romance «Celestina» e deu-mo a ler. Em finais de 1965 fiquei mais longe de Lisboa e só voltei a ouvir falar de Fernando Correia em 1966 aquando do seu falecimento.
Foi um projecto meu que eu não consegui concretizar. Mas a prova de que eu devolvi o manuscrito está aqui hoje. (sorrisos da assistência).
Joaquim Manuel Correia nasceu numa época em que pertenciamos à diocese de Pinhel que teve quatro bispos mas nenhum lá viveu.
Como não havia seminário menor na diocese funcionava em Vale de Espinho, junto do pároco, o verdadeiro seminário onde os rapazes da aldeia aprendiam. Dá-se o primeiro contacto de Joaquim com o padre Morcela de Vale de Espinho.
António Mendes Belo criou um curso de hermenêutica e era o reitor do seminário de Pinhel quando o nosso homenageado de hoje que por lá passou. António Mendes Belo foi posteriormente nomeado cardeal-patriarca.
É a época em que se deram as aparições de Fátima – reconheço que sou um apaixonado de Fátima – porque mesmo sendo mentira eu acreditava em Fátima. Como terá sido a reacção de Joaquim Manuel Correia em 1917 às aparições de Coimbra? Era estudante em Coimbra na Universidade de Direito num momento em que se aprofundaram as influências do positivismo jurídico que abriu as portas ao republicanismo. A semente do republicanismo foi lançada nesse tempo em Coimbra. A imagem da República é uma mulher. A pátria, como mátria, como mãe.
A sua obra é apenas etnográfica ou é algo mais? Mesmo na Igreja a teologia tinha sido substituída pela sociologia. A estrutura mental da obra de Joaquim Manuel Correia é uma estrutura de uma antropologia sociológica porque ele assume não apenas os dados do folclórico mas tudo quando anda á volta da vida dos povos. As lendas, os adágios, os modos de falar e vestir. É um verdadeiro ensaio de antropologia sociológica aplicada ao concelho do Sabugal.
O que mais releva nesta obra dele é a etnolinguística que se percebe transferida da linguagem popular para uma linguagem literária.
Por essa altura já estava grávido da «Rosa da Montanha» e gostei ainda mais do «Celestina». A Serra da Malcata e a Marvana que foi refúgio dos revoltosos espanhóis. Destaco o capítulo 55 sobre a romaria da Senhora da Póvoa. É para mim o mais bonito.
O episódio que retrata Joaquim Correia não tem a sentimentalidade que Nuno Montemor transmitia. O autor ruvinense era mais disciplinado. Retrata a importância da Senhora da Póvoa. Viva a Velha! Viva a Nova!
A ponte do Sabugal era um símbolo. A passagem da ponte era um símbolo. A simbologia da ponte dava um congresso.
A obra de Joaquim Manuel Correia está disponível para fazer a ponte e a transposição para os tempos modernos. Nós, de Ribacôa, talvez deixássemos de ser aquilo que sempre fomos: una hermandad.»
Final da intervenção de Jesué Pinharanda Gomes.
(continua)
jcl

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