Uma estratégia com êxito de desenvolvimento do Concelho tem de obrigatoriamente ser entendida num contexto regional e transfronteiriço.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Devo confessar que começo a pensar que alguma coisa não está a bater certo. Se não, vejamos:
1. Em 2005 é criada uma Comunidade de Trabalho entre a Beira Interior Norte e Salamanca;
2. Dia 13 de Novembro de 2007 é assinado entre a Câmara Municipal da Guarda e o Ayuntamiento de Salamanca um Acordo de Cooperação Transfronteiriça que cria um consórcio denominado «CIDADES CULTURAIS PARA O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL». O referido Acordo permite a adesão de outros Municípios.
3. Dia 3 de Março de 2008 é assinado entre 9 Municípios da Beira Interior, entre os quais o Sabugal e a Deputação de Salamanca uma Declaração que cria um Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, visando apostar no futuro desta zona transfronteiriça.
Naturalmente toda esta actividade tem como finalidade aceder a fundos comunitários para os quais se exige candidaturas transfronteiriças.
Entretanto, não sabendo se tanta árvore deu ou vai dar alguma fruta, parece que de repente toda a gente se esqueceu da cooperação transfronteiriça entre parceiros naturais, que no caso do Sabugal serão sempre Ciudad Rodrigo e Salamanca e descobre-se como por magia que a salvação vem de um novo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial denominado Douro-Duero, o qual envolve essencialmente municípios e autarquias de Portugal e de Espanha que estão perto do Rio Douro, como Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, os municípios do Parque Natural Douro Internacional e do Parque Natural das Arribes do Douro das províncias de Salamanca e Zamora.
E este Agrupamento, ao qual o Sabugal só poderia estar ligado porque o Côa é afluente do Douro, merece o aplauso entusiasmado de muita gente.
Mas os acordos que vêm sendo estabelecidos com Salamanca já são «chão que deu uvas»?
Mas alguém já demonstrou que os interesses estratégicos do Concelho passam pelo rio Douro?
E aos Presidentes de Junta que equacionam a adesão não seria preferível aderir ao Agrupamento Beira Interior Norte-Salamanca e levar a cabo estratégias de desenvolvimento comum com as autarquias espanholas da nossa Raia?
E à Câmara Municipal, não seria mais útil dinamizar a participação das freguesias neste Agrupamento e deixarmos o Douro para os do Douro?
Ou tudo tem a ver com uma nova versão do ditado «da Guarda nem bom vento, nem bom casamento»?
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

ramiro.matos@netcabo.pt