Com a fundação do Colégio e a passagem de todos os Frades por Aldeia da Ponte e por toda esta vasta região, ficaram lançadas as sementes, redundando em algum aproveitamento para as Ordens Religiosas, pois daqui nasceram muitas vocações para a missionação e a religião, iniciando-se com o envio de cerca de 12 pessoas, no ano de 1900, para Segóvia, um dos centros da Ordem dos Claretianos, em Espanha.
Derivado às acções e ensinamentos dos Frades, durante os anos seguintes ao encerramento do Colégio, as vocações religiosas multiplicaram-se, levando inúmeras pessoas a frequentar as diversas casas das Ordens, dedicando muita da sua vida ao serviço pastoral e bem-estar dos outros, formando-se inúmeros Padres, Irmãos e Freiras, de que Aldeia da Ponte é exemplo, demandando por esse país fora, sempre que solicitados, não só para a evangelização, como para socorrer os necessitados, onde quer que fosse preciso.
Abundam por demais os exemplos, que se podem apontar, pelas aldeias arraianas, em que nas últimas cinco ou seis décadas era usual, os jovens seguirem a sua vida escolar no seminário, à procura da vocação, fruto também da falta de recursos. As nossas terras não eram ricas por aí além, sempre foi muito difícil para os nossos antepassados, criando famílias numerosas, mesmo assim, concluindo, alguns deles, a ordenação sacerdotal, enquanto muitos outros saíram beneficiados pelos estudos, preparando-os e ajudando-os a enfrentar melhor o futuro.
Quem viveu na longínqua época do Colégio de Aldeia da Ponte beneficiou, seguramente, de uma aprendizagem, inacessível a tantos outros, pois estabelecimentos de ensino não existiam muitos nesta região, sendo a sua criação uma tarefa complicada, bem como a disponibilidade financeira das famílias para dar formação aos filhos, como constatámos ao longo destes escritos.
Contando com uma história rica e bem mais vasta, sucintamente, fica retratado, ainda que um pouco superficialmente, o encerramento prematuro do Colégio, bem como a passagem dos Frades por Aldeia da Ponte, penalizando toda uma imensa região das Beiras, com o final destas acções e os seus ensinamentos, cujos prejuízos nunca poderão ser avaliados nem quantificados.
Apesar das muitas vicissitudes e outras tantas histórias reportadas aos Frades e ao Colégio, algo de extraordinário, emotivo e benéfico, aconteceu na nossa terra, naquela época, que deve ser relevado e recordado como merece.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com

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