Ninguém dá nada a ninguém e, sentados, aguardando a vinda do «Messias» que nos irá salvar da penúria não vai resultar! Importa dar o primeiro passo para que as coisas aconteçam. E como diz o velho ditado: «Não dês o peixe ao pescador, antes ensina-o a pescar.»
Não obstante as ameaças mencionadas devemos centrar a nossa atenção nas oportunidades que temos ao nosso dispor, aproveitando-as racionalmente de molde a transformarmo-nos pró activos e não reactivos.
A política governamental para interior tem sido bastante positiva mas tímida e até paternalista, sendo insuficiente para provocar desenvolvimento sustentado. É que, se por um lado se anunciam medidas de incentivos fiscais, nomeadamente de redução de impostos para as empresas se fixarem no interior por outro, deslocam serviços públicos para o litoral como é o caso do anunciado encerramento de direcções regionais de finanças e até de serviços locais do mesmo ministério e não só, pois na agricultura, na justiça e noutros ministérios a política é semelhante. E não se vê um movimento inverso, ou seja, de deslocação de serviços ou equipamentos do litoral para o interior: Isto é, os grandes investimentos são feitos nas grandes metrópoles, Lisboa e Porto. Existe neste contexto um grande desafio (oportunidade) para os nossos governantes locais que é o de convencer o poder político central em desviar investimento significativo para o interior, descongestionando o litoral e, no nosso caso, lutar para que o Sabugal seja a região eleita.
A economia nacional, queremos crer, vai crescer mais que a média comunitária e é de prever que, por arrastamento, localmente siga a mesma trajectória. Por outro lado, os nossos vizinhos espanhóis não param de nos surpreender com o seu crescimento económico que é o maior ao nível comunitário. Há que estabelecer protocolos de cooperação com as autoridades locais raianas para que conjuntamente possamos trazer para a região investimentos ibéricos de molde a provocar desenvolvimento para ambos os lados.
Para além do exposto, temos a última oportunidade de nos podermos aproximar das restantes regiões, através do último Quadro de Referência Estratégico Nacional – QREN, que constitui um importante instrumento de aplicação da política comunitária de coesão económica e social em Portugal no período de 2007-2013. Há muito onde aplicar este dinheiro mas devemos afastarmo-nos de projectos de curta duração e de resultados duvidosos. É que não basta gastarmos o dinheiro, importa investi-lo bem e isso faz-se aplicando-o em acções cujos resultados perdurem por muito tempo.
Como vimos, temos ao nosso dispor algumas oportunidades que importa aproveitar e lutar por elas. Ninguém dá nada a ninguém e, sentados, aguardando a vinda do «Messias» que nos irá salvar da penúria não vai resultar! Importa dar o primeiro passo para que as coisas aconteçam. E como diz o velho ditado: «Não dês o peixe ao pescador, antes ensina-o a pescar.»
| ANÁLISE SWOT | |
| PONTOS FORTES Agro-pecuária Floresta Construção Serviços de apoio à 3.ª Idade |
PONTOS FRACOS Desertificação Vias de comunicação Recursos Naturais (subsolo) |
| AMEAÇAS Alterações climatéricas Crise energética |
OPORTUNIDADES Conjuntura económica nacional Política governamental para o Interior Quadro Comunitário Ajudas (QREN) |
Da análise efectuada, os pontos fortes que mais potenciam as oportunidades e inibem as ameaças, são as actividades agro-pecuárias, desenvolvimento florestal e os serviços de apoio à 3.ª idade, enquanto o ponto fraco que mais potencia as ameaças e inibe as oportunidades, são as vias de comunicação.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo
dr_jfricardo@hotmail.com

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