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Campeonato da Lingua Portuguesa 2008Terceiro e último teste da edição 2008 do Campeonato da Língua Portuguesa. O Capeia Arraiana vai continuar promover o estudo do português e a incentivar a participação de todos os raianos sabugalenses e em especial os alunos e professores do concelho do Sabugal. No entanto, a discussão de todos os interessados, é bem-vinda… (actualização).

Quantos erros existem no seguinte texto?
Resposta: C (10).

1. Qual é o feminino de «perdigão»?
Resposta: C (perdiz).

2. Qual é a forma incorrecta do plural de «alazão»?
Resposta: A (Alazãos).

3. Qual é a expressão correcta?
Resposta: C (os cavalos puro-sangue).

4. Um «esperadouro» é:
Resposta: A (um lugar onde se espera).

5. As palavras esdrúxulas ou proparoxítonas…
Resposta: C (têm sempre um acento na antepenúltima sílaba).

6. «Fazer tábua rasa» significa:
Resposta: D (esquecer tudo para começar de novo).

7. Qual é a classe de «quantos» na frase «Ele perguntou quantos filhos ela tinha.»?
Resposta: B (determinante interrogativo).

8. Qual das consoantes seguintes é sonora?
Resposta: C (V).

9. Apenas uma das seguintes formas verbais está incorrectamente grafada. Qual é?
Resposta: D (Eu amaldiçouo).

10. Qual é a frase correcta?
Resposta: A (As paredes estão todas encaliçadas).

11. Na frase «As aves fazem os ninhos sobre as árvores de grande porte.», «aves», quanto ao sentido e forma, tem a classificação de:
Resposta: A (hiperónimo).

12. A frase «Eu tive de tomar esta atitude.» tem a seguinte tonalidade especial de categoria e de aspecto:
Resposta: B (obrigação ou obrigatoriedade).

13. Os vocábulos formados pela agregação simultânea de um prefixo e de um sufixo a determinado radical chamam-se
Resposta: B (parassintéticos).

14. Uma «baitaca» é
Resposta: D (uma espécie de papagaio palrador).

15. Qual destas frases está incorrecta?
Resposta: D (Se ele não tivesse gritado, teriam havido mais feridos no acidente).

16. Que significa «trintanário»?
Resposta: B (aquele que exerce funções de lacaio).

17. «Bastida», palavra que significa trincheira ou máquina de guerra, é de origem…
Resposta: A (catalã), B (latina) ou C (francesa) ou D (germânica).
O Capeia Arraiana permite-se discordar das respostas possíveis. Consultámos o grande pensador e filósofo sabugalense mestre Pinharanda Gomes que nos ensinou com todo a sua sapiência: «É uma palavra de origem medieval portuguesa já constante na crónica de D. João I, parte I, capítulo 64, de Fernão Lopes.» O resto é aquilo que a comissão do concurso achar que pode ser, acrescentamos nós.

18. «Catabaptista» é:
Resposta: D (o que nega a necessidade do baptismo).

19. Qual é a frase correcta?
Resposta:
D (São aldeãs vestidas tipicamente).

20. Neste conjunto de hipóteses, qual é o substantivo que não pertence à mesma área semântica?
Resposta: D (letreira).

Quantos erros existem no seguinte texto?
Resposta: A (15).

21. Recordando o escritor cabo-verdiano Gabriel Mariano, diga que figura de estilo é visível nestes versos: «Bandeira erguida no vento / em mãos famintas erguida / guiando os passos guiando / nos olhos livres voando / voando livre e luzindo / luzindo a negra bandeira»
Resposta: C (epanadiplose).

22. Na segunda parte do enunciado «Alguém mais previdente mandou o almoço, e que lhe fizesse bom proveito.», estamos perante um discurso:
Resposta: C (indirecto livre).

23. Diga qual é a frase incorrecta:
Resposta: B (Há automóveis na rua, cujos proprietários estão ausentes).

24. Os «bérberis» são:
Resposta: D (uma espécie de arbustos espinhosos).

25. O verso eneassílabo anapéstico tem nove sílabas e apresenta acentuação
Resposta: B (3.ª, 6.ª e 9.ª sílabas).

26. Qual das seguintes frases deverá ser evitada por conter uma desagradável cacofonia?
Resposta: C (A Paula usou o garfo dela para espetar a tarte de maçã).

27. «Guardanapo que não ata, não desata.», quer dizer…
Resposta: C (Estar num impasse).

28. Qual dos seguintes provérbios não existe?
Resposta: C (Maio frio e Inverno chuvoso, Verão caprichoso) ou D (Maio frio e molhado é bom para a vinha e para o prado).

29. «Alarme» é uma palavra de origem…
Resposta: A (italiana).

30. Qual é a forma do infinitivo presente da 2ª pessoa do plural do verbo conjugado reflexamente «lavar-se»?
Resposta: B (lavardes-vos).

As nossas respostas não têm o carimbo de correcto. São resultado, apenas, das nossas escolhas e são dadas à laia de sugestão. Aceitaremos comentários com correcções fundamentadas às nossas indicações. Continuaremos, em breve, a correcção do teste. Atenção à data limite para a recepção via web deste último teste: 18 horas do dia 28 de Fevereiro.
Boa sorte para todos.
jcl

Quem se não lembra dos tempos idos, mas ainda não muito distantes, em que indo-se do Sabugal para Lisboa, se passava, na Recta do Cabo, já perto da capital, na célebre Estalagem do Gado Bravo? Foi durante décadas uma referência e um ponto obrigatório de paragem. Vai agora ser recuperada para dar lugar a um complexo turístico.

Recta do Cabo frente^`a estalagem (Foto «O Mirante»)A antiga estalagem, votada ao completo abandono há 20 anos, vai agora dar lugar a um complexo turístico, integrando um hotel com 100 quartos e uma sala de congressos, um restaurante, um pavilhão polivalente e uma arena. Um poderoso e arriscado investimento que se estima poder chegar aos 20 milhões de euros.
O projecto respeita o estilo antigo da velha e mítica estalagem, por onde passaram distintos fadistas e toureiros famosos. O investimento estará a cargo do empresário António Santos, com negócios na área do imobiliário, que juntará este complexo a outros em que está empenhado naquela região de fortes tradições tauromáquicas. A ligação histórica da antiga estalagem aos toiros será respeitada, incluindo-se no projecto a construção de uma arena com bancadas, de forma a cativar clientes ligados à festa brava.
O local da estalagem, na recta do cabo, junto ao Porto Alto, é um ponto onde tem havido acidentes de viação fatídicos, pelo que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que apoia o projecto, irá implantar ali uma rotunda que facilite o movimento de entrada e saída do complexo.
plb

O Carnaval, ou Entrudo, tornou-se, por influência da cultura afro-brasílica, numa indústria. Instituições locais, por via de regra apoiadas pelas autarquias, investem milhares na organização do Carnaval, de certeza absoluta como forma de atrair turistas e de animar a vida comercial.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalE, no entanto, embora o Carnaval seja uma festividade colectiva, ela foi sempre o produto de criatividade, de espontaneidade e de liberdade individual, permitindo aos foliões e chocarreiros manifestarem as suas capacidades histriónicas.
O Entrudo rural vivia-se fora de organizações turísticas. Entre domingo Magro e Domingo Gordo, a mocidade aldeã procedia às matracas, acusações satíricas dirigidas, já noite, às raparigas, aumentando o volume da voz com um funil dos grandes. Por via de regra, as acusações não eram graves. Simples momices, a uma por ser gorda, a outra por ser sonsa, e coisas semelhantes. No Entrudo vale tudo.
Máscaras IbéricasDomingo Gordo, quem tinha ou podia comprar, comia carne. Aliás, Carnaval é uma corruptela da expressão latina carne valet, através do italiano carnavale. Tempo carnívoro, que assinala a entrada (Intróito, Entrudo) num ciclo de paz e de sossego, fora dos momos e fantasias carnavalescas. Também no Domingo Gordo, pelo menos, no largo da aldeia armava-se o baile (balho) e a rapaziada lá conseguia juntar uns tostões para mandar vir o acordeonista. Quanto a momices públicas, aparecia um outro folião que, travestido, ou mascarado, dava uma volta ao povo.
A máscara é peculiar ao Nordeste transmontano, mas também aqui parece haver uma industrialização. O habitual era a máscara (de pau, de lata, de palha…) passar de pais para filhos, como que parte de um dote patrimonial. Hoje em dia é possível comprar máscaras tradicionais nordestinas durante todo o ano, embora nas aldeias só sejam usadas no ciclo inverniço, entre o Natal e o Carnaval.
Hélder Ferreira e António Pinelo Tiza e outros, juntaram-se e produziram um belíssimo álbum fotográfico intitulado «Máscara Ibérica», cuja introdução nos foi grato escrever. Seria interessante se alguém, da nossa Raia, investigasse a eventual existência de máscaras carnavalescas antigas. Não nos referimos às que é uso e costume comprar nas lojas nesta época. Aludimos às históricas e, possivelmente, associadas a ritos de iniciação.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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