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Uma das especialidades da gastronomia arraiana dá pelo nome de «Canja de Cornos». Nasceu no Soito, há mais de 30 anos, inventada por José Manuel Fogeiro mais conhecido por Zé Nabeiro.
A tradição ainda é o que era mas, por vezes, sofre actualizações. Há pratos da gastronomia arraiana cuja origem e autoria se perderam na lenha do tempo e há outros mais recentes que acrescentam qualidade mantendo os sabores tradicionais.
A «Canja de Cornos» criada há mais de 30 anos é uma especialidade que sem ser tradicional já é uma tradição.
A genuína, a verdadeira «Canja de Cornos» ainda hoje é confeccionada no Soito por quem a inventou. José Manuel Fogeiro, mais conhecido por Zé Nabeiro, conta que tudo começou, na década de 70, sempre que era necessário matar uma vitela para vender no seu próprio talho.
Nesse tempo em que ainda eram permitidos os matadouros particulares chamava os amigos para o ajudarem e no final faziam uma borga. O petisco, cozinhado num caldeiro suspenso sobre as brasas, recebeu o nome de «Canja de Cornos».
O nome despertou a curiosidade das pessoas, a fama cresceu e, vá-se lá saber porquê, é actualmente um dos pratos gastronómicos mais apreciados na Raia.
Quando questionado sobre a confecção deste original prato o seu criador cioso do seu «segredo» limita-se a levantar a ponta do véu dizendo «cornos e temperos da horta». E mais não desvenda.
A iguaria pode ser saboreada nas novas instalações do Restaurante Zé Nabeiro, no Soito, às quartas-feiras e aos sábados ao almoço. Aproveite, também, para descobrir as outras especialidades.
jcl
O Gabinete da Presidência da Câmara Municipal do Sabugal emitiu um comunicado declarando não reconhecer credibilidade ao estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior na Covilhã.
Um estudo sobre qualidade de vida nos municípios de Portugal continental recentemente publicado por um departamento da Universidade da Beira Interior, «decidiu» que o Sabugal é o concelho onde se vive pior.
A Câmara Municipal do Sabugal emitiu um comunicado, sustentado por indicadores estatísticos, onde declara não reconhecer credibilidade ao referido estudo. A autarquia aproveita, inclusivamente, para citar um dos autores do estudo que afirma «Não tenho dúvidas nenhumas que não é o pior concelho português em termos de bem-estar».
«O Sabugal foi galardoado, em 2005, com o 1.º Lugar Distrital e 8.º Nacional de O Prémio Nacional de Municípios de Futuro, uma iniciativa do jornal O Primeiro de Janeiro que distingue as autarquias com maior investimento no bem-estar e desenvolvimento sustentável», destaca o comunicado.
Passamos a resumir alguns dos muitos indicadores positivos fornecidos pela autarquia:
«– No ranking publicado pelo jornal Público em Novembro de 2007 a Escola Secundária com 3.º Ciclo do Sabugal foi a melhor do Distrito da Guarda.
– A Câmara garante transporte gratuito em todos os níveis de ensino a todos os alunos das 40 freguesias do concelho.
– O concelho tem actualmente a funcionar 29 Lares e Centros de Dia e nunca nenhum fechou por falta de qualidade sendo unanimemente reconhecidos os serviços por eles prestados aos idosos.
– O abastecimento de água de qualidade está garantido a mais de 95 por cento da população e o saneamento básico tem índices superiores a 90.
– A Federação Portuguesa das Indústrias da Construção Civil indicou, recentemente, que a Câmara do Sabugal é das (poucas) que cumpre os prazos de pagamento.
– O município dispõe de equipamentos sociais, culturais e desportivos (central de camionagem, bibliotecas, museus, auditórios, estádio, pavilhão, polidesportivos, piscinas) que satisfazem as necessidades das populações e permitem a realização de eventos regionais e nacionais.
– O concelho do Sabugal tem o maior efectivo pecuário da Beira Interior Norte e 60 por cento do território integrado na Rede Natura.
O Executivo Municipal, 7 de Fevereiro de 2008».
jcl
À estratégia militar da terra queimada e à putativa objectividade de estudos e rigor científico onde a premissa encerra em si a conclusão não há política que resista. O Sabugal com 60 por cento do território integrado na «Rede Natura» é o concelho com melhor qualidade para se viver e para se ser velho e criança, por existir uma invejável rede de apoio à terceira idade e às crianças.
Corria o dia 21 de Julho do ano 356 a.c., quando Eróstrato decidiu incendiar o templo dedicado à deusa Artemisa em Éfeso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, tentando assim perpetuar o seu nome pela eternidade.
Alguns dos pirómanos que incendeiam o País, transformando-o num braseiro nos meses de Verão, no mais profundo do seu íntimo também pretendem à sua maneira, ter o prazer de nos obrigar assistir a esse espectáculo desolador a que dão causa, sendo isso que lhes dá gozo.
Os soldados napoleónicos, sofreram pesadas derrotas aquando da invasão da Rússia, na sequência da táctica militar que se designa por terra queimada. Os soldados russos em fuga, deixavam atrás de si a destruição, queimando tudo à sua passagem. Sem possibilidades de se reabastecerem as tropas de Napoleão soçobraram e foram vencidas pela fome e pelo frio. A esta estratégia militar não há política que resista.
Vem tudo a propósito de um estudo de putativa objectividade e rigor científico até porque foi divulgado sob a chancela da Universidade da Beira Interior e que coloca o Sabugal, como o pior lugar do País para se viver.
Apesar de não ser a minha área, sempre direi que a partir do século XIX, as Ciências Sociais, com o positivismo, foram pugnando por utilizar métodos científicos, tentando analisar e explicar cientificamente a realidade que é o objecto do seu conhecimento. A ciência pratica-se com seriedade!
Apesar de me considerar um cartesiano que acredita que todo o fenómeno tem uma causa explicativa e que o nosso intelecto tem que encontrar explicações para a realidade que nos circunda, até para sermos mais felizes, não acredito em estudos que partem de premissas ou dados viciados, qual silogismo aristotélico onde a premissa encerra em si a conclusão.
É assim de duvidosa validade científica aquele exemplo de escola, que afirma «Todos os homens são mortais. Eu sou homem. Logo sou mortal».
Reportando-me ao estudo, conclui-se que no Sabugal existe insegurança, porquanto (os números são aleatórios) cerca de 60 por cento da criminalidade denunciada é contra as pessoas, isto é, dos crimes participados no ano de 2004, 3 em cada 5 são crimes de ameaças e crimes contra a integridade física. No Barreiro por exemplo, a percentagem participada destes crimes é apenas de 1 em cada 5, razão pela qual se conclui que é mais seguro viver no Barreiro do que no Sabugal! Não interessa a quantidade dos crimes nem a sua violência. Porque matemática é matemática, teremos de concluir que a cidade do Barreiro é a 4.ª melhor cidade do país para se viver pelo seu sossego e tranquilidade e que o Sabugal é a pior entre outros, pelos seus elevados indicadores de violência contra as pessoas.
Esquecer que o Sabugal tem cerca de 60 por cento do território em Rede Natura, que tem um ar respirável e de qualidade, que não tem problemas de trânsito, que tem equipamentos sociais de qualidade e em quantidade para apoio à 3.ª idade, às crianças e juventude, que cerca de 90 por cento do concelho se prepara para ter saneamento básico, 100 por cento com fornecimento de água ao domicílio, que tem património natural e construído com 5 castelos, toda a população servida com estradas municipais, onde os dinheiros são gastos com rigor, é subestimar estes indicadores que falam do conforto e bem estar das populações.
Estas sim, são razões mais do que suficientes para se poder concluir que o Sabugal é o melhor concelho para se viver e para se ser velho e criança, por existir uma rede de apoio à terceira idade e à infância invejável; acresce que muitas destas instituições funcionam com o empenho e voluntariado de muita gente, que o faz pelo prazer e verdadeiro espírito altruísta e de servir os outros.
Enquanto responsável da ADES (Associação de Desenvolvimento do Sabugal), cargo que desempenhei durante três anos de forma totalmente desinteressada, pretendemos criar uma sociedade financeira com capitais do Sabugal e dos sabugalenses que nos permitisse estar em condições de em parceria com o município, investir em projectos como as termas do Cró na sua componente privada. Contactámos e reunimos com o responsável do famigerado estudo, por ser economista e sabugalense, mas até ao momento tal estudo nem a disponibilidade para o fazer apareceu. Onde está o nosso bairrismo senhor professor?
No Sabugal muito está por fazer, porque somos por natureza pessoas inconformadas e com uma vontade indómita de mudar o mundo e temos especial prazer de viver longe desse tumulto vazio, que é característico das cidades que ocupam o topo da lista.
Eróstrato ignorava que a imortalidade é uma prisão da qual nunca nos conseguiremos libertar.
«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com
















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