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O presidente da Junta de Freguesia da Bendada, Adérito Pinto, foi, ontem, sexta-feira, constituído arguido por suspeita de envolvimento no incidente que provocou ferimentos num residente na mesma localidade. Presente ao juiz do Tribunal do Sabugal o autarca saiu em liberdade sujeito a termo de identidade e residência acusado do crime de homicídio na forma tentada. (actualização).
Adérito Alves Pinto, de 55 anos, presidente da Junta de Freguesia da Bendada, concelho do Sabugal, foi constituído arguido e presente na tarde de sexta-feira, 25 de Janeiro, no Tribunal do Sabugal para primeiro interrogatório por suspeita de ter disparado um tiro ferindo um indivíduo, conhecido por Nélson, de 33 anos, residente na localidade e com antecedentes criminais. O juiz decretou que o autarca ficasse em liberdade sujeito a Termo de Identidade e Residência sob a acusação de crime de homicídio na forma tentada.
Os dois homens envolveram-se numa acesa discussão no largo da aldeia por volta das 20 horas de quinta-feira por assuntos alegadamente relacionados com o padre da aldeia.
Do confronto resultou um ferido, atingido com um tiro de pistola de calibre 6.35, alegadamente disparado pelo autarca, que foi transportado pelos Bombeiros do Sabugal para o Hospital Sousa Martins, na Guarda, onde se encontra livre de perigo.
Alguns habitantes da Bendada, em declarações à agência Lusa, «atribuem a ocorrência à divergência que existe na população por causa do padre local, situação que já se arrasta há dez anos, tendo começado por causa da instalação de uma antena de uma operadora de telemóveis no cimo de uma serra, junto da capela da Senhora do Castelo».
Em declarações ao Correio da Manhã (CM) à saída do Tribunal do Sabugal o presidente da Bendada deu a sua versão dos acontecimentos:
«Despejou-me um saco de açúcar em cima e deitou-me à cara com um bagaço e um café a escaldar. Isso é uma provocação! De seguida sai do café para ir abrir a sede da Junta para atendimento ao público, a partir das 20 horas, mas fui seguido e agredido pelo Nélson. Antes de puxar pela arma, levei pontapés e murros. Depois disse-lhe: ‘vai-te embora senão eu dou-te um tiro.’ Como ele continuava as agressões efectuei um disparo na sua direcção com a pistola. Não saquei simplesmente da arma. Mostrei-lha… Não foi chegar e matar. Primeiro ainda dei um tiro para o ar. Era para ele me deixar em paz, não quis, paciência, o mal foi dele!»
Ainda em declarações ao jornalista José Paiva do CM, Adérito Pinto explicou que «estas situações acontecem quando já estamos desesperados».
O jornal adianta ainda que segundo uma fonte do Hospital da Guarda «a vítima sofreu uma perfuração no cólon, foi sujeita a uma intervenção cirúrgica, encontra-se estável e já recebeu visitas».
O Capeia Arraiana contactou telefonicamente o autarca da Bendada que considerou não ser ainda a altura adequada para prestar declarações.
jcl
Para os romanos os olhos verdes da deusa Minerva eram símbolo da inteligência. «Por beber muito azeite», diziam. No lagar mecânico da Bendada «apenas se utilizam azeitonas inteiras, sãs e maduras» respeitando técnicas dos nossos avós. O azeite e a folha da oliveira estão presentes, desde sempre, na história da Humanidade. Falta cumprir-se a história nas terras quentes do Sabugal…
Minerva era a deusa romana da inteligência e da sabedoria e presidia à actividade intelectual, sendo que na mitologia grega, tinha como correspondente a deusa Atenas, que como é sabido na guerra de Tróia protegeu os aqueus Ulisses e Aquiles e era «a deusa dos olhos garços». Atenas nunca perdoou a Páris irmão de Heitor, o facto de este lhe ter negado o prémio de beleza. Os deuses eram como se vê muito vingativos. A planta preferida de Atenas era a oliveira. Por seu lado, os olhos da deusa Minerva, símbolo da inteligência, eram verdes, dizia-se por beber muito azeite. Consta-se que o leito onde o divino Ulisses reconciliava o seu sono, era feito do tronco de uma oliveira; na Bíblia o azeite é citado mais de duzentas vezes, quer no uso litúrgico, quer medicinal. No Alcorão é explícita a ligação entre a luz do azeite e a luz que irradia de Alá.
Após o dilúvio Noé soltou uma pomba, que regressou à Arca, trazendo no bico uma folha verde de oliveira, sinal divino de que as águas tinham baixado, o que comprova à saciedade a importância desta planta no mundo ocidental.
Ainda hoje o ramo da oliveira nas nossas terras serve para nos proteger das trovoadas, depois de devidamente benzido no Domingo de Ramos. Esta é ainda uma crença muito arreigada no espírito das nossas gentes.
As novas tendências da cozinha e que fazem moda, conquistando Nova Iorque e Tóquio assentam no azeite como um produto de excelência. Os países mediterrânicos conseguiram impor-se aos nossos amigos americanos que soçobraram com os óleos de girassol, pelas consequências perniciosas para a nossa saúde.
A oliveira é uma planta que se adapta muito bem à parte sul do concelho do Sabugal, aquela a que designo por terra quente e que compreende o território e termos das freguesias de Santo Estêvão, Moita, Casteleiro, Sortelha e Bendada. Estas freguesias que por si ocupam um vasto território produzem um azeite de eleição, utilizando essencialmente três variedades de azeitona a saber: galega, cordovil e carrasquenha.
Na Bendada laboram na actualidade três lagares de azeite, absorvendo matéria-prima das aldeias limítrofes, algumas delas já pertencentes aos concelhos de Penamacor, Belmonte e Fundão.
A época normal de laboração de um lagar compreende os meses de Novembro, Dezembro e Janeiro. Para a produção de um azeite de qualidade, torna-se necessário bom clima, solo e uma boa adaptação da planta às condições do terroir, sendo que a azeitona deve ser de qualidade e entrar no lagar em boas condições fitossanitárias. A este propósito refere-nos António Januário Vicente, que «é cada vez mais comum a produção de azeite biológico, uma vez que os olivicultores têm cada vez mais consciência da importância da não utilização de pesticidas».
Proprietário de um lagar mecânico na Bendada, António Januário Vicente acrescentou: «O nosso lagar utiliza as técnicas dos nossos avós, com total respeito pela qualidade e estado sanitário da azeitona. Aqui apenas se utilizam azeitonas inteiras, sãs e maduras, sujeitas a processos mecânicos, respeitando integralmente o produto que entra no lagar.»
O azeite é por si um produto de qualidade aos olhos do consumidor tendo estas terras condições para o produzir em qualidade e quantidade, rentabilizando esta actividade, profissionalizando-a. Os olivicultores têm que se organizar, com certificação do produto e garantias de escoamento, o que aparentemente não se nos afigura difícil.
Na Bendada e na sequência do nosso último artigo, fomos ainda encontrar o Presidente de Junta, Adérito Alves Pinto, que a propósito da produção do azeite nos refere «seria muito importante que alguma entidade nos ajudasse a relançar esta actividade económica, fulcral para o pequeno produtor.»
Finalmente, quando o questionámos acerca das principais necessidades da sua freguesia, foi peremptório: «O projecto do parque de lazer já deveria estar no terreno, com um polidesportivo e pavilhão multiusos.» Por outro lado, o autarca não compreende «o atraso na implementação da secção de Bombeiros, uma vez que a aposta também é na protecção do meio ambiente e da Natureza. Não posso aceitar tanta desculpa e tanta inércia».
«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

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