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Desconhecidos assaltaram durante a madrugada desta sexta-feira, 25 de Janeiro, a estação de serviço de Vicente Paiva Fernandes na freguesia da Nave, concelho do Sabugal.
As «bombas de gasolina do Vicente» do cruzamento da Nave com a Ruvina foram assaltadas esta madrugada por desconhecidos.
Um residente na freguesia em declarações ao Capeia Arraiana relatou terem os larápios entrado no edifício da gasolineira depois de forçarem e partirem uma janela das traseiras que dá para terrenos agrícolas e escondida de quem passa na estrada nacional.
Destruíram a máquina registadora e terão, eventualmente, roubado o dinheiro que se encontrava no interior das gavetas além da tentativa de arrombamento da máquina do tabaco sem, contudo, concretizarem o roubo do recheio.
A Polícia Judiciária esteve presente no local e recolheu provas no sentido de tentar identificar os possíveis autores do assalto.
Recorde-se que em 2003 a estação de serviço de Vicente Paiva Fernandes foi igualmente vítima de assalto tendo na altura a GNR de Vilar Formoso detido dois suspeitos, de 25 e 35 anos, emigrantes em França.
jcl
Os filhos de Ruivós festejam o seu santo padroeiro a 25 de Janeiro. Quando a vida não permite ouvir os foguetes da alvorada o dia fica cinzento, triste e nostálgico. Estejam onde estiverem os ruivosenses sentem na alma o esvoaçar dos guiões ao longo do caminho que leva à capela de São Paulo e no coração o compasso da banda que vai marcando os minutos do dia.

O dia 25 de Janeiro é um dia especial para todos os que são de Ruivós.
Apesar de o dia da festa calhar durante a semana, apesar de ser em Janeiro, apesar de…, apesar de…, todos fazem por estar presentes, venham de Lisboa, da França ou da Suíça.
Nos tempos da minha meninice acordava cedo, sem ser preciso chamarem-me, e lá ia eu a correr até ao alto da estrada assistir à alvorada. E que alvorada! Nunca menos de uma hora! Os de Ruivós sempre fizeram da sua alvorada um desafio aos das outras terras. E as primeiras conversas do dia andavam, invariavelmente, à volta «das dúzias». «O mordomo disse-me que este ano tinham mais dúzias» esclarecia um. «Mas estes falham mais», assegurava outro. Dúzias? Sim! O orgulho dos mordomos da Festa de São Paulo esteve durante muitas décadas nas centenas de dúzias de foguetes que encomendavam. E porquê? Porque o brilho da sua mordomia e das celebrações «media-se» pelo desenho das canas que subiam direitas ao céu e pelo ribombar dos «cartuchos».
E os mordomos? Quem são? Os mordomos da festa de Ruivós são três casais. Um por Ruivós, um por Lisboa e um pela França. Recolhem as esmolas, normalmente em Dezembro, visitando os ruivosenses nos seus «círculos eleitorais» e lançam a jogada para convidar o mordomo do ano seguinte.
Tenho muitas recordações das festas de São Paulo onde os meus pais, ano após ano, nunca faltaram. Por vezes os meus professores do Liceu Gil Vicente faziam pontaria ao dia 25 de Janeiro para marcar um teste mas… os meus argumentos eram quase sempre mais fortes.
As procissões fazem-se sempre. Por vezes à chuva e sempre com muito, muito frio. Antigamente (parece que agora também é proibido) haviam, à saída e entrada das capelas, as arrematações dos andores com as imagens dos santos. Sempre me emocionou aquela cantilena da «perna direita da frente, uma… perna direita da frente, duas… perna direita da frente… três!» ou da «perna esquerda da rectaguarda». Fazia parte da festa. Era a festa. Mas o bailarico à noite também é a festa. No bar as minis não precisam de frigorífico. Era (é) só deixar o bidon do lado de fora do salão… E durante toda a noite é preciso bailar para aquecer que a geada cedo faz a sua aparição. Apenas os foguetes de lágrimas, por volta da meia-noite, conseguem parar as modas.
E o frio? E o gelo? E o antigo caminho cheio de lama que levava ao cemitério e à capela do orago São Paulo que «tem interesse histórico e artístico com um edifício do estilo românico, com traços de mesquita, com diversos modilhões ou cachorradas, tipicamente românicos, ponto de passagem nos tempos remotos de um corredor de sentido norte/sul, com passagem pelo vale de Ruivós e com alinhamento viário em direcção à ponte de Sequeiros, um dos pontos mais importantes de passagem do Côa» como refere o arqueólogo Marcos Osório no seu livro «Ruivós, a antiguidade de uma freguesia».
Viva São Paulo! Viva Ruivós! Viva o Sabugal!
Apenas um lamento. Uma consulta rápida à página oficial da Câmara Municipal do Sabugal na Internet, ao dia 25 de Janeiro, diz: «Não há eventos neste dia!» A Festa de São Paulo em Ruivós «uma das mais antigas povoações do concelho do Sabugal» (Joaquim Manuel Correia, in Memórias sobre o concelho do Sabugal) merece estar presente.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages
jcglages@gmail.com
Já aqui abordei a criação dos jornais «A Luta» e «Terra Fria», por altura de 1975, logo a seguir ao período revolucionário, originado pelo 25 de Abril de 1974.
Na criação destes jornais, e sem desprimor para os vários colaboradores, o pessoal de Aldeia da Ponte era dos mais activos, tanto na feitura do jornal, como nos vários artigos a discutir para cada número.
Com o findar destes periódicos, um grupo de amigos da nossa Aldeia, sedeadas em Lisboa resolveu dar continuidade ao seu trabalho, criando o primeiro jornal «A Ponte» de Janeiro a Março de 1978, com tiragem trimestral, dando uma cobertura completa das novas de Aldeia da Ponte, levando o jornal por esse mundo fora, nomeadamente ao encontro dos emigrantes, que são dos que mais anseiam por novas da sua terra, devido à distância e ao isolamento em que se encontravam, à época, acontecendo o mesmo, ainda hoje.
A chegada deste novo jornal, que resistiu até ao número 17 (Janeiro a Março de 1982), levou uma lufada de ar fresco a todos os nossos amigos e conterrâneos, inserindo muitas novidades dos locais mais recônditos, que nos eram enviadas por alguns, também desejosos de colaborar com «A Ponte».
Como muitos outros, sofreu as mesmas consequências, vindo a encerrar a sua publicação passados quatro anos, fruto também de alguma saturação de quem o dava à estampa. As vidas vão-se modificando, as pessoas deixam de ter menos tempo, a renovação não aparece e a consequência fatal está mesmo ali, à porta, como em muitas outras actividades, como algures já escrevi.
Do jornal «A Ponte» guardamos gratas recordações e muitos artigos de qualidade, bem como muitas histórias divulgadas sobre a nossa Aldeia, que tentarei recuperar.
Para além de toda a divulgação de notícias e artigos, muitos outros assuntos foram abordados, que diziam respeito ao melhoramento e bem-estar da comunidade, como a saúde, água, luz, as ruas, esgotos, as Escolas velhas, o Colégio e a Ponte Romana. Espaço também para as novas da Associação dos Amigos, com muitas informações, principalmente sobre a construção da Praça de Touros de Aldeia da Ponte, que decorreu neste período.
As notícias têm o condão de chamar a atenção para a realidade dos povos. O Jornal «A Ponte» ajudou, e muito, a que algo, na nossa Aldeia, tivesse uma outra atenção de quem podia decidir nesta época. Apesar de tudo, valeu bem o esforço de todos os que colaboraram na feitura deste jornal trimestral.
Acabou este periódico, mas passado um ano, a Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte criou o seu Boletim número 1, de Janeiro a Abril de 1983, dando continuidade a muitas outras informações e notícias da nossa Aldeia, mantendo-se até aos nossos dias, com uma periodicidade quadrimestral.
Sabe sempre bem, receber as novidades da nossa terra.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com

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