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Faleceu ontem à noite, quinta-feira, 17 de Janeiro, em Lisboa, o sabugalense João Leitão Batista, de 54 anos, após doença prolongada. (actualização).
João Leitão nasceu em Águas Belas e era filho de Albino Batista (natural do Escabralhado) e de Florência Leitão Vasco (natural da Bismula), há muito radicados no Sabugal.
Professor do ensino secundário, estava colocado ultimamente na escola Rainha D. Amélia (ex-Ferreira Borges), em Lisboa.
Foi fundador da Casa do Concelho do Sabugal, e primeiro director do jornal «Sabugal». Era licenciado em Filosofia e deu aulas em diversas escolas secundárias do país, nomeadamente no Bombarral, Oeiras, Alenquer, Alcácer do Sal, Barreiro, Alverca (onde presidiu largos ano ao Conselho Directivo). Deixa uma obra pronta para publicação com o título «O Prazer do Passeio», que foi a sua tese de Mestrado na Universidade de Lisboa.
Estudioso de diferentes temáticas e especialista em línguas e literaturas clássicas, colaborou com algumas publicações periódicas e dedicou-se a traduções em grego, alemão e inglês. Dedicou-se ainda à elaboração de diversos manuais didácticos.
O corpo está em câmara ardente na Igreja de São Domingos de Benfica (Igreja das Furnas), em Lisboa, onde terá lugar uma cerimónia religiosa às 14.30 horas.
O cortejo fúnebre sairá pelas 15 horas em direcção ao Sabugal onde chegará ao final do dia. O funeral está marcado para as 14 horas de amanhã, sábado, da igreja para o cemitério do Sabugal.
Ao Paulo, meu amigo e companheiro de lides aqui no Capeia Arraiana, neste momento de grande dor pela morte do irmão João aqui lhe deixo toda a minha solidariedade e amizade. Coragem Paulo!
José Carlos Lages
No final do século XIX, aí por volta dos anos de 1890-1895, existiu em Aldeia da Ponte uma Banda de Música, que percorria as redondezas, actuando nas festas religiosas, inclusive, com algumas incursões em Espanha.
Aldeia da Ponte teve a fortuna de ser dotada de variados artistas, que cultivavam a música, formando a tal banda, bastante conceituada e solicitada. Estamos em crer que não seria fácil, à época, mas o que é certo, é que a carolice, a vontade e a arte de uns quantos, levou por diante este agrupamento de artistas, representando a nossa Aldeia por tudo o que era sítio.
Quando se deslocavam um pouco mais longe, sempre a pé, não havia carros, tinham que sair um ou dois dias antes, afim de chegarem a tempo de honrar o compromisso assumido. Pelo caminho, era uma paródia daquelas e, lá iam entrando nas tascas, petiscando e bebendo o seu copito, para ajudar a retemperar as energias, que bem precisas eram, pois alguns instrumentos exigiam grande esforço, como é bem sabido. Os músicos que o digam.
Acontece que num belo dia de festa em Casillas de Flores, lá foram os nossos músicos, calcorreando o longo caminho de terra batida, para se apresentarem na tal dita cuja.
Segundo relato dos mais antigos, a banda começou a tocar uma música religiosa, na igreja, mas depressa se desviou para uma outra música portuguesa, as Carvoeiras, muito em voga nessa altura, mandando às malvas a orientação do Maestro, para espanto dos espanhóis, que não queriam acreditar no que estavam a ouvir e a presenciar. O Maestro bem tentou corrigir este «desvio», mas qual quê, os músicos estavam embalados e, só a muito custo, lá os conseguiu parar. Furioso com este incidente e, para castigo, apenas escolheu uns poucos, para acompanharem a procissão religiosa.
Decorria muito bem a procissão por «el pueblo de Casillas», quando já próximo da igreja, numa rua a descer, azar dos azares, um dos nossos amigos músicos da retaguarda tropeçou, caiu e, com a sua queda, arrastou quase todos os outros, fazendo perder a paciência aos espanhóis, que já tinham suportado a troca de músicas, no início da cerimónia, entornando-se o caldo e, foi um ver se te avias, toca de afugentar os nossos músicos em direcção a Portugal, à nossa Aldeia.
Com mais um ou outro pormenor, assim ficou retratada a actuação da nossa Banda de Música, na ida a Casilhas de Flores.
Esta é uma deliciosa história que aconteceu, fruto da irreverência dos jovens músicos, que para além da sua arte e sabedoria a tocar, eram danados para as brincadeiras, juntando farras e outras partidas, pese embora os nossos amigos espanhóis tenham ficado furiosos pois, nestas ocasiões de desventura onde algo não corre como o esperado, as más novas propagam-se depressa, como é habitual nos infortúnios.
Este desgraçado episódio não serviu para manchar muitas outras actuações brilhantes dos afamados músicos de outrora, por onde tiveram a oportunidade de passear a sua arte de manusear os instrumentos. De contrário, logo se saberia, se mais alguma outra manifesta «desgraça» lhes tinha acontecido, o que abona, por demais, em favor da Banda de Música de Aldeia da Ponte de há dois séculos atrás.
Tentaremos, caso seja possível, se mais lembranças dos nossos antigos surgirem, voltar à nossa Banda de Música com mais algum eventual episódio.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com

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