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O projecto de construção da «Mesa dos Quatro Bispos» na serra das Mesas transformou-se numa candidatura transfronteiriça da Junta de Freguesia dos Fóios no lado português e dos ayuntamientos espanhóis de Navasfrias e Valverde del Fresno.
A freguesia dos Fóios (Sabugal) e os ayuntamientos de Navasfrias (Salamanca) e Valverde del Fresno (Cáceres) vão dar as mãos e candidatar ao Quadro de Referência Estratégico Comum (QREN) a construção da lendária «Mesa dos Quatro Bispos» no alto da serra das Mesas, a barriga natural dos dois rios gémeos: Côa e Águeda.
Tal como referiu já o Capeia Arraiana (22 de Junho de 2007) no ponto mais alto da Serra das Mesas, a 1265 metros de altitude «existia uma grande mesa, na confluência dos distritos portugueses de Lamego e da Guarda e das províncias espanholas da Estremadura e de Castilla y Léon. Era nessa grande mesa que os quatro bispos se reuniam, analisavam e discutiam as questões de cada bispado, cada um sentado no seu território».
Em declarações à agência Lusa o presidente dos Fóios, José Manuel Campos, revelou que «as acessibilidades e a construção da Mesa dos Quatro Bispos deverão rondar os 30 mil euros e inclui uma mesa em pedra, com cerca de 50 metros quadrados e quatro cadeirões com as mitras talhadas, igualmente m em pedra, em cada um dos lados.
O autarca fojeiro lembrou que tanto D. Manuel Felício, bispo da diocese da Guarda, que já esteve no local, como o bispo de Ciudad Rodrigo, já garantiram a sua disponibilidade para estar presentes no dia da inauguração
O autarca fojeiro acredita que a «Mesa» irá servir para atrair mais pessoas à região raiana que, como todo o Interior, vive com o problema da desertificação. «Costumo dizer que nas nossas aldeias, morrem todos os anos entre 15 a 20 pessoas e nasce uma criança de longe em longe e já não temos mais nada a que nos agarrar a não ser ao turismo, assim saibamos nós ser imaginativos.»
E imaginação e força de vontade, sabemos nós, é coisa que não falta ao empreendedor professor José Manuel Campos.
jcl
Depois de um primeiro escrito sobre o Alferes Piloto Aviador Raul Fernandes, que viria a falecer muito jovem, devido à queda da avioneta que pilotava, damos à estampa, desta vez, mais alguns factos recolhidos recentemente.
Em 1956 aterrou no Vale de Aldeia da Ponte, juntamente com um amigo, cada um em sua avioneta, dando a primazia ao convidado, tendo este estacionado a sua avioneta junto à estrada para Albergaria, seguindo-se a aterragem do nosso piloto, para gáudio de um Vale repleto de gente.
A cada vinda do Raul da Casaca Azul, até da escola se fugia, para assistir às aterragens das avionetas, pois não era todos os dias, que se podia contemplar este espectáculo.
Quando chegava ao Vale, acabadinho de aterrar, as forças da ordem de Aldeia, neste caso, a Guarda Fiscal, perfilavam-se à sua frente, em sinal de respeito, fazendo-lhe a continência, pois o nosso amigo aviador possuía a graduação de Alferes. Imobilizado o aparelho, em chão firme, dirigia-se ao seu encontro, cumprimentava-os, um a um, retirando a sua mão da continência, num gesto de grande humildade e simpatia, como que significando, que ali, na Aldeia, eram todos iguais, não interessando a patente de cada um, o que cativava tanto as autoridades, como os populares, que assistiam a esta, digamos assim, pequena cerimónia de cortesia e boas-vindas.
No dia do funeral, quando a urna saía de sua casa, para a última viagem em direcção ao cemitério, os céus de Aldeia da Ponte foram sobrevoados por umas quantas avionetas, alinhadas em formação, largando milhares de pétalas de rosas, em singela homenagem dos seus companheiros, despedindo-se, deste modo, do seu amigo Raul Fernandes, que por certo, estimavam e consideravam. Há quem me tenha confidenciado, que das avionetas foi lançada, ainda, uma carta, seria, porventura, uma missiva de condolências dos seus amigos aviadores, que se quiseram solidarizar com a família na sua dor.
Passado algum tempo, uma bela donzela, presume-se a sua noiva, visitou o seu túmulo, derramando fartas lágrimas por um amor, abruptamente interrompido na plenitude de uma juventude, que ficou por viver pelo aviador Raul Fernandes.
Para situarmos melhor a história do nosso Piloto Aviador, recordamos que tinha como irmãos a D. Branquinha, D. Belmira e Joaquim Fernandes, com a sua casa situada em frente ao antigo Colégio de A. Ponte, na rua de São Brás, mesmo ao lado da Capela deste Santo, conservando ainda a traça antiga depois de recuperada recentemente.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com

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