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Aproveitando o desabafo de António Moura no «Correio dos Leitores» recordo o requerimento do deputado Luís Carloto Marques a solicitar esclarecimentos ao Governo sobre o desaproveitamento do investimento efectuado na Reserva Natural da Serra da Malcata para proteger o habitat do Lince Ibérico.
Sobre as decisões politiqueiras do ministro do Ambiente que pretende investir 10 milhões de euros no centro para reprodução do lince ibérico na Herdade da Santinha, em Silves, como contrapartida à construção da vizinha Barragem de Odelouca quase me apetece gritar «Óh da Guarda que estamos todos odeloucos».
O deputado Luis Carloto Marques, eleito pelo círculo eleitoral de Setúbal, entregou na Assembleia da República o Requerimento n.º 169-AC/X/3, dirigido ao Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional a pedir esclarecimentos sobre a decisão de levar para o Algarve o centro de reprodução do Lince Ibérico em cativeiro.
O documento com data de 6 de Dezembro de 2007, do qual disponibilizamos uma ligação directa e do qual não sabemos se já obteve resposta, solicita que lhe seja prestada integral informação sobre três questões concretas:
«1– Considerando todo o investimento já implementado pela Reserva Natural da Serra da Malcata, pelas autarquias, nomeadamente as Câmaras Municipais do Sabugal e de Penamacor, quais foram os imperativos técnicos que impediram que o Centro de Reprodução em Cativeiro do Lince Ibérico fosse instalado nesta área classificada?
2 – Se tenciona o Governo, com base nos indivíduos a ceder pelo centro de reprodução de El Acebuche, instalar na Reserva Natural da Serra da Malcata um centro de reprodução?
3 – Qual o calendário e o seu financiamento para a sua implementação?»
Veja aqui o Requerimento do deputado Luís Carloto Marques.
Ficamos todos a aguardar as respostas e as explicações deste ou do próximo ministro do Ambiente. Enquanto isso iremos continuar a falar do nosso Lince Ibérico da Malcata porque hoje já é o amanhã que tanto nos preocupou ontem ou como diz aquele provérbio persa «Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se.» Viva o Lince Ibérico da Malcata!
jcl
A reprodução em cativeiro do Lince Ibérico da Malcata continua a ser uma guerra que está longe de estar perdida. Vamos todos continuar a acreditar que vale a pena exercer o nosso direito de cidadania à indignação.
From: António Moura
To: Capeia Arraiana
Subject: Reprodução do Lince Ibérico da Malcata em cativeiro
Eu tive a imensa sorte de ver aquilo que o meu filho provavelmente poderá nunca ver… Há cerca de 15 anos atrás, numa manhã amena de Julho enquanto me dirigia a um apiário na Serra da Malcata, mais concretamente a um lugar chamado Vale da Ursa na freguesia de Quadrazais, começo aos poucos a vislumbrar uma figura a descrever movimentos circulares, como se perseguisse alguma coisa. Esta primeira imagem inicia-se a uns bons 300 metros de distância, e logo de início o meu amor pela natureza pôs em prática à medida que me ia aproximando, uma tentativa de reconhecer aquilo de que se tratava.
Por exclusão de partes fui eliminando raposas e canídeos, os movimentos eram descritos por um animal de médio porte, mas com a elasticidade de um felino. Já a menos de 100 m de distância e depois de ele se aperceber da minha presença, pude ver o último olhar que me lançou mesmo antes de se refugiar no matagal. Esse olhar que desde então me acompanha, faz parte de mim, esse olhar, nenhum técnico incompetente o poderá apagar como apagaram 30 anos de expectativas e promessas, ou como apagaram o único exemplar capturado vivo na Malcata!! mas essa é outra história…
A minha história é a da tristeza de um outro olhar, o do meu filho quando lhe disse que a reprodução de linces em cativeiro já não viria para a Malcata. Esta é também a história de 30 anos de mentiras no interior profundo. O pouco que esta terra nos dá também nos é tirado.
Para finalizar só falta alterar o nome do bicho para que permita aos ingleses uma melhor fluência na sua pronúncia.
António Moura
É legitímo o direito à indignação contra a decisão politiqueira de um ministro que não sabe nem nunca quis saber onde fica a Serra de Malcata. É nossa obrigação berrar bem alto e não deixar esquecer o nosso lince. É uma obrigação de todos passar a chamar-lhe o «Lince Ibérico da Malcata» mesmo que alguns, ridiculamente, o queiram obrigar a falar com sotaque algarvio.
jcl
Fomos agradavelmente surpreendidos pelo aparecimento de uma nova publicação na Guarda, uma revista científica intitulada «Egitania. Sciencia», edição do Instituto Politécnico daquela cidade.
Esta publicação amplia e enriquece o leque de revistas de qualidade editadas na Guarda, bastando mencionar a «Praça Velha» (edição do Município), a «Altitude» (Assembleia Distrital) e a «Eseg» (Escola Superior de Educação). Todas estas revistas são de carácter ensaístico e erudito, privilegiando a investigação disciplinar e interdisciplinar.
Nestes primeiro número da nova revista abundam os estudos relativos à cultura, literatura, economia, educação e informática. Na abertura, o presidente do IPG, Jorge Manuel Mendes afirma que a revista irá fomentar a investigação e a partilha de conhecimentos nos domínios da didáctica, pedagogia, cultura e técnica.
Acreditamos que a «Egitania. Sciencia» será um êxito a breve trecho.
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes
pinharandagomes@gmail.com

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