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Um rapaz de haveres, que caça na serra, encontra por entre as urzes uma bela rapariga, por quem se apaixona imediatamente. Mas a galfarra diz-lhe ser filha do Montejo e o moço estremece, apavorado de ouvir o nome do sanguinário bandido que assola as terras da raia sabugalense.
Obra ultra-romântica, «Rosa da Montanha» foi escrita por António José de Carvalho, natural do Sabugal, filho de um médico da vila, que no entanto optou por se radicar em Lisboa por largo tempo da sua vida. O romance tem por enquadramento o Sabugal, Quadrazais e a Serra onde se acoitava a quadrilha do temível Montejo.
Eugénio, assim se chama o jovem estudante e caçador, encanta-se com a jovem que diz ser filha do bandido, ficando profundamente apaixonado pela cândida criatura que encontrou na serra. Mas o destino conduziu-o esse mesmo dia a uma outra paixão: a de uma jovem contrabandista quadrazenha chamada Florinda.
De resto o livro é a história de um jovem ultra-apaixonado, dividido entre dois amores, sob a permanente atenção e protecção de uma mãe extremosa. Em todo o tempo o livro moraliza, tratando da valoração do bem e do amor e da rejeição absoluta do mal, do crime e da vilania.
Malgrado o exagero próprio de um romance sentimental, Rosa da Montanha tem a virtude de levar o leitor até à sociedade raiana de meados do século XIX, dando-lhe um quadro bem real dos modos de vida do povo. Também o conduz a alguma da realidade histórica, marcada pelas malfeitorias praticadas pelo bando do Montejo, que de facto existiu naquele tempo.
Como seria de esperar, o romance acaba em bem: os vilãos são mortos ou aprisionados, os cativos libertados das garras dos bandidos e Eugénio e Rosa casam felizes, prometendo amor eterno.
O livro foi originalmente publicado em 1871. A Casa do Concelho do Sabugal reeditou-o em 2002, com adaptação do texto às normas ortográficas actuais. Pinharanda Gomes escreveu um elucidário e colocou-lhe algumas notas, pelo que a edição ficou enriquecida, podendo agora ser adquirida na Casa do concelho do Sabugal em Lisboa ou na Câmara Municipal do Sabugal.
plb
Se a percentagem de idosos atinge hoje 40 por centro da população concelhia, os mesmos devem merecer uma atenção especial, devendo adoptar-se estratégias que conduzam a um aumento da qualidade de vida dos nossos «mais velhos».
Na semana passada apresentei a proposta de criação de uma Unidade Móvel de Saúde que permitisse o acesso aos serviços médicos dos idosos residindo em freguesias não servidas quer pelo Centro de Saúde, quer pelas diversas Extensões, sem necessidade de deslocação ao Sabugal.
Referi igualmente que o Concelho apenas possui 4 farmácias – Sabugal, Soito e Cerdeira do Côa –, com extensões em Aldeia do Bispo, Aldeia da Ponte, Alfaiates, Aldeia Velha e Vale de Espinho.
Tal impõe que, mesmo com a Unidade Móvel, os idosos continuarão a ter que se deslocar à sede do concelho ou àquelas freguesias para adquirir os medicamentos de que necessitam.
Ora, a legislação em vigor não permite a abertura sistemática de extensões farmacêuticas, nem tal se justificaria na maior parte das nossas freguesias, dado o número reduzido de habitantes.
Assim, coloca-se a questão de como ultrapassar a necessidade de deslocação dos idosos às farmácias, o que passa, naturalmente, por criar um instrumento que, sem ferir a legislação em vigor, disponibilize os medicamentos no local de residência do doente.
No meu entender, tal terá de passar por uma aposta conjunta da Câmara Municipal, das Juntas de Freguesia e das Farmácias, com os seguintes contornos:
– O doente entrega a sua receita na Junta de Freguesia, indicando a farmácia de preferência;
– A Junta de Freguesia envia de imediato, via fax ou Internet, para a farmácia seleccionada, uma cópia da receita;
– A Câmara Municipal disponibiliza uma viatura que, com a periodicidade e os itinerários definidos, e com a presença de um técnico farmacêutico disponibilizado pelas Farmácias, recolhe os medicamentos e os entrega aos doentes, que para o efeito se deslocarão à Junta de Freguesia respectiva, para recepção dos medicamentos e seu pagamento.
Parece complicado e obriga a acordos entre as partes, nem sempre fáceis. Mas termino com a mesma pergunta da semana passada:
Não merecerão os nossos «mais velhos» um acesso mais fácil aos cuidados de saúde?
«Sabugal Melhor» opinião de Ramiro Matos
ramiro.matos@netcabo.pt

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